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terça-feira, 22 de maio de 2012

Quer curvas em tempo recorde?

Saiba mais sobre o aparelho que utiliza a vibração para exercitar o corpo

Depois que celebridades como Madonna levaram para casa o Power Plate, uma plataforma vibratória em cima da qual é possível realizar inúmeros exercícios, ele se tornou a nova estrela do fitness.

O grande destaque da máquina (além de ser usada pela escultural rainha do pop) é que, segundo o fabricante, são necessários apenas 30 minutinhos de ginástica, três vezes na semana, para observar bons resultados, como perda de medidas e tonificação muscular.

“A plataforma vibra de 30 a 50 vezes por segundo em várias direções, o que gera desequilíbrio. Dessa forma, o esforço para fazer movimentos conhecidos, como agachamentos ou abdominais, precisa ser muito maior do que se você estivesse no chão”, descreve Guilherme Marques, diretor de marketing da empresa que representa o fabricante no Brasil. Isso significa, basicamente, que você reduz o tempo de ginástica e ainda dá um up no treinamento!

De outro planeta
Usar a vibração para estimular o corpo não é algo tão novo quanto parece. Isso já acontecia na antiga União Soviética, para tratar os astronautas que voltavam debilitados do espaço. “Por causa da ausência de gravidade, eles perdiam muita massa magra e densidade óssea. Com a plataforma vibratória, descobriu-se que era possível simular a ação gravitacional e reverter esse processo sem usar sobrecarga”, conta Alessandro Sampaio, coordenador técnico da academia Rio Sport Center, unidade Recreio, no Rio de Janeiro (RJ).

A ótima sacada do Power Plate, inventado na Holanda, em 2000, foi trazer esse conceito para o universo do fitness, já que muita gente não se sente estimulada a passar horas na academia, seja por causa do ambiente ou do modelo de treinamento. Quem verificou isso na prática foi a fisioterapeuta Flávia Andreotti, diretora clínica da Corpus Esthetic Center, de Maringá (PR).

“As pacientes que não gostam de malhar aprovaram o aparelho porque a sessão de exercícios é rápida e, ao mesmo tempo, bastante eficaz no processo de emagrecimento e modelagem corporal”.

A ala feminina tem mais motivos para comemorar: a vibração do equipamento provoca uma verdadeira drenagem linfática, combatendo a celulite, a velha inimiga da vaidade. “O equipamento também se mostrou um ótimo aliado para as mulheres com mais de 40 anos. Isso porque melhora significativamente a densidade óssea, comprometida quando chega a menopausa”, lembra Virgílio Fares Leite, fisioterapeuta e coordenador das aulas de Power Plate do SPA Mais Vida, em Brasília (DF).

Menos tempo, mais intensidade
Não se engane achando que a atividade em cima da plataforma é moleza: mesmo que o foco de um exercício seja um determinado grupo muscular, o desequilíbrio provocado pela vibração faz com que o restante do corpo também seja forçado a trabalhar. “Por isso, o gasto calórico é mais alto do que na musculação”, explica Leite. Para se ter ideia, uma pessoa bem condicionada, ou seja, capaz de realizar movimentos elaborados, pode gastar até 700 kcal em uma única sessão.

Justamente por causa desse trabalhão todo, o tempo de treinamento considerado ideal por especialistas e pelo fabricante não passa de 30 minutos, três vezes na semana. Seguindo essa fórmula, a fisioterapeuta de Maringá afirma que “em apenas um mês já dá para observar redução de flacidez, melhora de postura e diminuição do volume corporal”.

Nada de milagres
Vale ressaltar que não adianta apenas permanecer em pé, sentada ou deitada na plataforma para o corpo ficar do jeitinho que sempre sonhou. Afinal, a vibração é poderosa, mas não faz milagres. De acordo com Sampaio, “para quem é sedentário isso pode até trazer algum resultado. No entanto, o ideal mesmo para verificar os benefícios é realizar um trabalho progressivo, incluindo vários exercícios no treinamento”.

Para complementar as sessões de Power Plate – a máquina pode ser encontrada em academias, clínicas de estética e centros de reabilitação – o coordenador técnico da Rio Sport Center sugere ainda a realização de algum tipo de atividade aeróbica. “Para fortalecer o coração”, explica.

Cuidados básicos
Animou-se com a história de ganhar curvas num piscar de olhos? Então, a recomendação é a mesma de sempre: procure a avaliação de um médico antes de começar a suar a camisa, já que há algumas contraindicações em relação ao uso do aparelho. Grávidas e pessoas que têm labirintite, problemas cardiovasculares e de circulação (como trombose aguda), por exemplo, devem evitar o Power Plate. Prepare-se também para desembolsar um bom dinheirinho: cada sessão custa, em média, 70 reais.

Se a empolgação, por outro lado, é com a possibilidade de comprar a máquina vibratória e se exercitar no conforto do lar, assim como a Madonna, atenção: ainda que o fabricante dê uma aula demonstrativa, recomenda-se procurar um profissional para orientá-la nas primeiras sessões. Segundo Flávia, “é preciso ter muito cuidado com a postura e o tempo de exposição ao equipamento para evitar lesões musculares ou articulares”.

Fonte iG

Hormônio do crescimento não aumenta a longevidade

Para complicar mais ainda, recentemente, o hGH
vem sendo globalmente divulgado – especialmente
pela internet – como uma potente substância anti-idade
Estudo com população de brasileiros mostrou que ausência do hormônio no organismo não influi na expectativa de vida

A amplamente divulgada capacidade do hormônio do crescimento (hGH, do inglês human Growth Hormone) de retardar o envelhecimento voltou a ser questionada .

Em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, mostrou que pessoas que não conseguem produzi-lo são tão longevas quanto as que o fabricam em quantidades normais.

Pesquisas já mostraram que ratos cujos corpos não produzem ou processam adequadamente o hGH têm sua longevidade aumentada. Por outro lado, alguns resultados de estudos mostram que pessoas com baixos níveis da substância têm risco aumentado para doenças cardiovasculares, um fator que reduz a expectativa de vida.

Para complicar mais ainda, recentemente, o hGH vem sendo globalmente divulgado – especialmente pela internet – como uma potente substância anti-idade. As propagandas se baseiam na observação de que entre pessoas com deficiência desse hormônio, suplementos de hGH podem atenuar sinais físicos do envelhecimento, como redução da massa muscular e da espessura da pele. Esta crença levou ao consumo da substância sob a forma de suplemento, especialmente por praticantes de musculação.

Numa tentativa trazer alguma luz aos resultados conflitantes sobre o tema, o endocrinologista italiano Roberto Salvatori, do Departamento de Endocrinologia da Johns Hopkins investigou uma população de 65 anões residentes no município de Itabaianinha, no interior do Sergipe, localidade conhecida por apresentar um alto índice de nanismo entre sua população.

Foram analisados 65 anões, todos portadores de alterações genéticas que levam a uma deficiência congênita severa de hGH no organismo. Depois de confirmar com testes genéticos a presença das mutações, os pesquisadores coletaram datas de nascimento e de morte (estas últimas apenas dos que já haviam falecido) dos participantes da pesquisa e de seus 128 irmãos não afetados pela mutação, num total de 34 famílias. Compararam então a longevidade de cada um deles com a da população em geral da localidade, confirmando que os afetados pelas alterações genéticas viviam tanto quanto seus irmãos sem as mutações. A pesquisa está publicada na edição deste mês do Jornal de Endocrinologia Clínica e Metabolismo (do inglês, Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism).

Fonte iG

Geriatras alertam para os perigos da medicina antienvelhecimento

"Com a idade, o metabolismo mais lento e a ingestão de algumas
substâncias podem aumentar o risco de várias doenças”, alertou a médica
Uso de suplementos para repor perdas naturais do envelhecimento aumenta risco de câncer, advertem especialistas

Além da falta de comprovação científica quanto à sua eficácia, as novas terapias de combate aos efeitos do envelhecimento podem comprometer o bom funcionamento do organismo e aumentar os riscos de câncer, segundo a presidenta da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Silvia Pereira.

A reposição de nutrientes e o uso de remédios, como hormônio do crescimento (GH), para ganhar músculos e queimar gordura com facilidade, podem aumentar a incidência de cânceress.

“Estão vendendo ilusão de antienvelhecimento para a população sem nenhuma comprovação científica e que pode fazer mal a saúde. Com a idade, o metabolismo mais lento e a ingestão de algumas substâncias podem aumentar o risco de várias doenças”, alertou a médica.

Segundo ela, estudos sobre vitaminas E, C e betacaroteno, por exemplo, apontam que, se consumidas em excesso, essas substâncias aumentam o risco de câncer e não reduzem doenças crônico-degenerativas.

O tema será discutido durante o 18º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, que reunirá mais de 4 mil pessoas. O encontro começa hoje(22) e termina na sexta-feira (25). Entre os convidados está o especialista em longevidade Tomas Perls, da Boston University School of Medicine, nos Estados Unidos.

O diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rubens de Fraga, ressaltou que velhice não é doença e, portanto, não deve ser prevenida.

“Hoje os consumidores estão obcecados com o envelhecimento. Esse mercado gera US$ 100 bilhões por ano no mundo. Tem seu lado positivo, que é a busca da alimentação balanceada e do exercício físico. Mas tem o lado negativo, que é o medo das rugas e a idolatria dos ideais de juventude eterna. Os velhos são bibliotecas vivas e em muitos casos sustentam famílias inteiras. Não existe uma pílula mágica. O importante é buscar envelhecer com autonomia e independência.”

Ele criticou a venda dos chamados hormônios bioidênticos para retardar a velocidade do envelhecimento, que são produzidos em laboratório, e passam por um processo industrial de síntese, transformação ou de modificação na sua estrutura química.

“Não existe estudo científico sério que ateste qualquer benefício dos hormônios chamados bioidênticos manipulados. A fabricação individualizada de um hormônio é praticamente impossível.”

Fonte iG

Ronco forte aumenta chance de câncer, diz estudo

Roncar aumenta o risco de câncer, diz estudo
Pessoas que roncam muito têm uma probabilidade quase cinco vezes maior de morrer da doença

Pessoas que roncam muito e sofrem de graves distúrbios respiratórios durante o sono têm uma probabilidade quase cinco vezes maior de morrer de câncer, segundo uma pesquisa americana.

Cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison acreditam que a correlação pode ser explicada pelo suprimento inadequado de oxigênio durante a noite nos pacientes com o problema.

Testes de laboratório já haviam mostrado que a interrupção intermitente da respiração leva a um crescimento mais acelerado de tumores, já que a falta de oxigênio estimula o crescimento de vasos sanguíneos que nutrem os tumores.

'Sem ar'
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 1,5 mil pacientes que participaram de um estudo sobre Distúrbios Respiratórios Obstrutivos do Sono (DROS) ao longo de 22 anos.

A forma mais comum de DROS é a apneia obstrutiva do sono, na qual a respiração é bloqueada deixando a pessoa sem ar. Isso provoca ronco e a interrupção do sono e o problema é geralmente associado a obesidade, diabetes, pressão alta, ataques cardíacos e acidente vascular cerebral (AVC).

Os participantes do estudo nos Estados Unidos passaram por testes a cada quatro anos que incluíam análises de sono e respiração. Os resultados mostraram que a probabilidade de morte por câncer aumentava drasticamente de acordo com a gravidade do distúrbio.

Enquanto pacientes com uma forma leve de DROS tinham apenas 0,1 vez mais chance de morrer de câncer que aqueles não sofrem com o problema, nos pacientes com uma forma moderada de DROS a chance de morte por câncer dobrava. Já naqueles com distúrbios graves de respiração, o risco aumentava 4,8 vezes.

Diagnóstico e tratamento
O estudo - apresentado na conferência internacional da American Thoracic Society, em San Francisco, e que será publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine - fez ajustes para levar em conta outros fatores como idade, sexo, índice de massa corporal e fumo, que poderiam influenciar o resultado.

"A consistência dos indícios dos experimentos com animais e deste novo estudo epidemiológico em humanos é muito convincente", disse o líder do estudo Javier Nieto, da Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin.

Agora, os cientistas querem ampliar os estudos sobre a questão e examinar a relação entre DROS, obesidade e mortalidade por câncer.

"Se a relação entre DROS e mortalidade por câncer for confirmada em outros estudos, o diagnóstico e tratamento de DROS em pacientes com câncer pode ser indicado para aumentar a sobrevida."

Fonte iG

Sonambulismo: entenda o distúrbio de Jorginho de Avenida Brasil


Sonâmbulo, Jorginho sai perambulando pela rua, entre os carros
As cenas interpretadas por Cauã Reymond na novela retratam um problema raro entre adultos, mas real e bastante perigoso

Após ser abandonado por Nina, personagem interpretada por Débora Falabella na novela das nove Avenida Brasil, Jorginho, vivido por Cauã Reymond, perambula bêbado pelas ruas e acaba dormindo na calçada.

Ao levantar, sonâmbulo, o rapaz caminha e quase é atropelado. Quando acorda Jorginho vê que está cercado por mendigos e é roubado sem perceber. A cena da novela pode até parecer fantasiosa, mas a verdade é que o drama encarnado pelo personagem ocorre também na vida real.

De acordo com a neurologista responsável pelo setor de pediatria do Instituto do Sono da AFIP (Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa), Marcia Pradella-Hallinan, o sonambulismo “é muito mais frequente na criança, um pouco menos no adolescente e, nos adultos jovens, cerca de 1% das pessoas podem ter essas crises”.

Segundo a médica, como os meninos demoram mais para conciliar o sono e amadurecer essa parte elétrica do cérebro, podem ter crises até os 35 anos.

“Normalmente, depois passa. Se isso se mantiver tem que ser feita toda uma avaliação porque há outras coisas que podem gerar crises que se assemelham ao sonambulismo, mas na verdade são outros distúrbios. De qualquer forma são distúrbios raros também”, afirma a doutora.

“O sonambulismo é um distúrbio do sono considerado maturacional, ou seja, ele está relacionado à maturação dos mecanismos do sono” explica a médica.

“Temos basicamente dois tipos de sono: o que sonha e o que não sonha. No sonambulismo, quando o indivíduo está saindo do sono que não sonha e vai passar para o que sonha, ele sofre alterações no cérebro, como se o órgão ainda não soubesse como passar de um tipo de sono para o outro”, completa.

Queda de 5 andares
O comerciante Leonardo Albuquerque Fernandes, 30 anos, que convive com episódios de sonambulismo durante toda a vida, confirma e comemora que nos últimos anos as crises têm sido cada vez mais raras. Em 2005, ele caiu da janela do quinto andar de um prédio durante uma crise de sonambulismo.

“Estava no apartamento de uns amigos quando morava em Niterói. Lembro que fiquei conversando com a minha ex-namorada e outros amigos no computador até às 4h. Teve um momento em que as pessoas começaram a demorar para responder e deitei no sofá para esperar. Foi quando adormeci. Quando acordei estava no hospital”, lembra ele.

Leonardo não se recorda de nada e tudo que sabe veio por meio dos relatos dos amigos, da mãe e dos vizinhos.

“Minha mãe disse que quando estava no hospital eu falei que procurava o elevador, mas não me lembro disso. Só lembro de acordar no hospital por volta de meio-dia todo quebrado”, diz o rapaz, que foi encontrado por um vizinho que ouviu o barulho provocado pela queda no chão.

“Eu estava de olhos abertos, gemia de dor, mas estava em choque”, conta Leonardo, que não teve nenhuma fratura externa, mas quebrou oito vértebras da coluna.

Segundo os médicos que o atenderam no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, o comerciante, teve sorte porque a cabeça caiu sobre a areia de um canteiro enquanto o corpo ficou sobre o asfalto. Surpreendentemente, Leonardo hoje não tem qualquer sequela motora do acidente.

“Hoje em dia tenho menos de 1% de desvio na coluna. Fiquei com três achatamentos de disco que futuramente podem virar uma hérnia, mas faço acompanhamento anual e até agora não aconteceu nada”, observa.

Ainda no hospital, nos dias que se seguiram ao acidente, o rapaz tomou novo susto. Durante a noite, mesmo com tantas fraturas, ele teve mais uma crise de sonambulismo e ficou de pé sobre a cama.

“Minha mãe estava dormindo no quarto e viu tudo. Na noite seguinte fiz a mesma coisa. Então pedi para me amarrarem na cama. Na terceira noite tentei me levantar, mas como estava amarrado não consegui. Tive medo de quebrar a coluna de vez”, lembra ele.

Hoje Leonardo comemora cada novo “aniversário” com um churrasco ao lado dos amigos e familiares.

“Fez 7 anos dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima. Sempre comemoro porque nasci de novo”, afirma Leonardo, hoje morando em uma casa em São Pedro da Aldeia, região litorânea do Rio de Janeiro.

“Quando morava em apartamento tinha grade nas janelas. Hoje não preciso, até porque as crises diminuíram muito”, conta.

Marcia, da AFIP, explica que o sonambulismo são crises epiléticas, principalmente do lobo temporal, que não acontecem toda noite. Ainda de acordo com a neurologista, em torno de 60% dos indivíduos que são sonâmbulos têm alguém na família que também teve o distúrbio.

"Essa porcentagem alta traduz apenas que o indivíduo amadurece seu sistema da mesma forma que os outros membros da família. Mas não há um gene, um marcador genético dessa alteração”, esclarece.

Quarto separado
A fisioterapeuta carioca Dyanne Magalhães, 30 anos, acompanhou as crises de sonambulismo do pai e cresceu ouvindo as histórias sobre a avó, que constantemente era encontrada arrumando os cabelos na penteadeira do quarto e se maquiando enquanto dormia. Dyanne trabalha na emergência pediátrica do Hospital Universitário Pedro Ernesto e conta com bom humor os episódios que vive durante os plantões em que tem crises de sonambulismo.

“Há três semanas eu estava no plantão, dormindo, levantei e apertei o pescoço de uma enfermeira com as mãos. Ela tem asma lábil, acordou com o susto, teve uma crise de broncoespasmo e foi atendida na emergência. Não lembro de nada”, diverte-se Dyanne, que só soube o que aconteceu 15 dias depois.

“Notei que eu passava e as pessoas riam. Achei que estavam debochando de mim até que perguntei para uma enfermeira que eu conhecia melhor. Ela acabou me contando”, lembra a fisioterapeuta. Dyanne observou que tem crises com mais frequência quando está mais agitada ou com algum problema pessoal.

“No começo foi muito difícil. Hoje em dia as enfermeiras até brincam. Dizem: ‘essa noite alguém falou demais’. Mas antigamente se assustavam. Durmo até num quarto mais separado para não incomodar tanta gente. Fico no quarto dos que roncam ou falam. Os zombeteiros da noite”, conta a fisioterapeuta.

Quando o quarto em questão está sem vagas ela precisa dormir no quarto dos médicos. “Tem médico que eu conheço, mas tem gente que não tenho intimidade. Então chego, dou boa noite, explico que sou sonâmbula e que se eu gritar, por favor, me desculpem”, diz Dyanne aos risos.

Seimar Magalhães, a mãe de Dyanne, conta que a filha sempre parece estar em perigo. “Desde pequenininha ela gritava, pedia socorro. Sempre dizia ‘sai daqui’ ou ‘me tira daqui’. Como logo ela grita nunca me preocupei porque prontamente estava ao lado dela para atendê-la. Por isso nunca pensamos em tratamento. Ate hoje ela abre o olho e se você perguntar algo a Dyanne responde”, conta Seimar.

Risco de acidentes
Apesar de a filha estar de olhos abertos, ela garante saber diferenciar quando Dyanne está dormindo ou acordada pelo olhar. “Não é um olhar normal, é um olhar mais fixo, amedrontado. Não pisca. Você percebe que está falando com ela, mas ela não está alí”, afirma.

Marcia Pradella-Hallinan pontua que o sonambulismo, em alguns casos, pode ser perigoso, mas nem sempre precisa ser tratado.

“Temos muitas histórias de crianças que entram no mar, na piscina, tomam banho e não acordam. O indivíduo está nessa transição do sono fazendo coisas automáticas e, por isso, há risco de acidentes. Mas só tratamos se tiver alguma repercussão”, explica ela, ressaltando que é necessário pesar os benefícios de tomar uma medicação diária que impõe restrições.

“Atrapalha para dirigir e a pessoa não pode beber”, enumera a médica.

Sobre o mito de que o sonâmbulo não deve ser acordado, a neurologista diz que despertar o sonâmbulo não desencadeará nenhuma consequência grave. Porém, o ideal é realmente conduzi-lo até a cama novamente.

“Ao acordá-lo, ele terá o ciclo do sono quebrado. Além disso, acordar um sonâmbulo não é fácil. É o sono mais difícil de acordar. Dar tapas no rosto, jogar água ou acender a luz podem não resolver e são atos desnecessários”, diz ela.

Veja alguns cuidados importantes para quem tem um sonâmbulo em casa:

Segurança: se as crises são esporádicas e não exigem tratamento a orientação é se preocupar com a segurança. Recomenda-se colocar proteção nas janelas, trancar a porta e esconder a chave, além de outros objetos que possam machucar como facas e tesouras. Lembre-se que a pessoa faz tudo no automático. Um acidente pode acontecer.

Acordar ou não: o sonâmbulo não precisa ser acordado, mas ele não sofrerá nenhuma consequência grave se isso for feito. A recomendação é, com calma, conduzi-lo até a cama de novo. Não é necessário acender luz, jogar água ou estapear o rosto dele. Até porque este é um dos sonos mais difíceis de acordar.

Consciência: o indivíduo não tem mesmo absoluta consciência do que está fazendo. Há quem pense que a pessoa está tendo um pesadelo e que ela levanta porque ficou assustada.Não se trata de um trabalho mental consciente. Normalmente quando a pessoa acorda ela lembra daquele momento. “Ué, estou na janela! O que estou fazendo aqui?”

Tratamento: o mais indicado (por consenso internacional) é feito com uma droga da família dos benzodiazepínicos, uma medicação que atua no sistema nervoso central. Em concomitância com o tratamento, o paciente não pode ingerir bebida alcoólica e os efeitos da medicação podem atrapalhar para dirigir. Por isso, para adultos, todas essas questões devem ser levantadas antes de decidir pelo uso do remédio.

Fonte iG