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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Saiba mais sobre: Dengue Clássica X Dengue Hemorrágica

Em seis meses, gripe suína já matou 4 vezes mais do que em todo o ano de 2011

Levantamento do ‘Estado’ contabiliza pelo menos 120 mortes contra 85 que foram admitidas pelo Ministério da Saúde

O Brasil registrou desde o início do ano ao menos 120 mortes em decorrência da gripe suína, segundo levantamento feito pelo Estado em todo o País. O número é pelo menos quatro vezes maior do que o registrado em 2011 – quando o País teve 27 mortes –, mas ainda assim o quadro não é classificado como surto, de acordo com o Ministério da Saúde.

Os três Estados da Região Sul são os que mais concentram casos – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, juntos, somam 1.023 casos confirmados e 74 mortes pela doença. Só Santa Catarina reúne 543 casos confirmados e 45 mortes pela doença.

Oficialmente, o ministério contabilizou até 28 de junho 790 casos e 85 mortes – o governo atribui a defasagem à demora dos Estados em enviar os dados, que são atualizados semanalmente.

O governo reconhece que o problema está concentrado na região e já enviou técnicos para o local. Outra providência adotada foi autorizar o envio para os Estados da Região Sul e São Paulo de 51 mil caixas de medicamentos para tratamento da doença.

Conforme a pasta, a medida foi preventiva e teve o objetivo de evitar que ocorra o desabastecimento do medicamento oseltamivir, vendido comercialmente com o nome de Tamiflu. Também foi autorizado o encaminhamento para os Estados de mais de 1 milhão de doses extras da vacina, que serão direcionadas aos doentes crônicos.

Esperado
Apesar de concentrar o maior número de mortes por gripe suína no País, Fábio Galdenzi, diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado de Santa Catarina, diz que esses casos são esperados para essa época do ano, especialmente por causa da temperatura e umidade da região. No ano passado, o Estado não registrou nenhum óbito em decorrência da doença.

De acordo com Galdenzi, isso ocorre porque a circulação do vírus varia de um ano para outro. “Em 2011, por exemplo, o vírus que mais circulou aqui foi o influenza H3N2. Por isso temos uma população enorme que ainda não foi exposta ao vírus H1N1 (da gripe suína)”, afirmou.

O diretor da Vigilância diz ainda que o Estado de Santa Catarina teve uma altíssima adesão à campanha de vacinação contra gripe, atingindo 93% do público-alvo (crianças, grávidas, profissionais da saúde e idosos).

Para ele, parte dos casos pode ser atribuída ao “relaxamento” de profissionais de saúde e da própria população em relação à higiene, como lavar as mãos com frequência, evitar tocar em corrimãos e maçanetas e tomar cuidado ao espirrar para não espalhar o vírus (leia mais nesta página).

“Infelizmente as pessoas se esqueceram um pouco da conduta a ser tomada no caso influenza. E o H1N1 está voltando, apesar de o perfil de gravidade ser similar aos outros tipos de influenza”, afirmou Galdenzi.

No Rio Grande do Sul, o Centro de Vigilância em Saúde já recebeu 99 notificações de casos da gripe suína, dos quais 15 evoluíram para óbito. Apesar de computado apenas meio ano, os números são semelhantes aos totais de 2011, quando foram confirmados 103 casos e 14 mortes. Em 2010 não houve ocorrência da doença no Estado. E em 2009, ano da pandemia, foram 3.544 casos e 297 óbitos.

As ocorrências provocaram aumento da demanda por vacinas tanto nas unidades básicas de saúde, públicas, quanto em clínicas privadas. Ontem, o secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, Ciro Simoni, informou que os municípios onde já foi detectada a circulação viral receberam 500 mil doses remanejadas de outras áreas e Estados.

Força-tarefa
No Estado de São Paulo foram espalhadas dez unidades de saúde, chamadas de sentinela, para fazer um monitoramento do H1N1 e estabelecer quais vírus serão usados para composição das vacinas nos próximos anos.

“Essas sentinelas fazem exames em pacientes de síndrome gripal para saber se há algum vírus novo para ser usado na vacina do ano seguinte”, explica a diretora técnica da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Ana Freitas Ribeiro.

Em 2012, até agora, segundo ela, os vírus encontrados são os mesmos que compuseram as vacinas deste ano, ou seja, os vírus da H1N1, da H3N2 e da influenza.

O ministério recomendou aos profissionais de saúde que prescrevam rapidamente o medicamento a pacientes com síndrome gripal e integrantes de grupos vulneráveis, como portadores de doenças crônicas, antes mesmo do recebimento de resultados de exames laboratoriais ou do surgimento de sinais de agravamento da doença.

Fonte Estadão

Doenças de origem animal matam mais de 2,5 milhões de pessoas por ano

Segundo estudo, zoonoses são responsáveis por mais de 2 bilhões de infecções

Mais de 2,5 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência de doenças originadas em animais, aponta um estudo conduzido por instituições de zoologia e saúde de todo o mundo. Ainda segundo o trabalho, enfermidades como a tuberculose, a aids e a gripe aviária e outros dez tipos infectam aproximadamente 2,4 bilhões de pessoas por ano.

A maioria das infecções e das mortes das chamadas doenças zoonóticas ocorre em países onde as famílias têm média e baixa renda, mas há alguns pontos nos Estados Unidos e na Europa onde houve aumento nas ocorrências. Aparentemente, alguns dos vírus estão desenvolvendo resistência às drogas atuais.

De acordo com os pesquisadores, a crescente demanda por produtos de origem animal tende a piorar o problema. "As zoonoses representam uma grande ameaça à saúde humana e animal", disse Delia Grace, epidemiologista veterinária do Instituto Internacional de Pesquisa Animal do Quênia e uma das principais autoras do estudo.

Combater essas doenças nos países mais afetados é crucial para proteger a saúde de uma forma geral, alerta a pesquisadora. Se as medidas falharem, a demanda por produtos como a carne bovina "pode estimular a disseminação de uma série de doeças animais infecciosas".

Além do instituto queniano, o estudo controu com o trabalho do Instituto de Zoologia da Grã-Bretanha e da Escola de Saúde Pública de Hanói, no Vietnã. O trabalho mapeou onde há criações de animais e quais são as zoonoses que podem infectar humanos para determinar quais são os 20 locais onde a situação é mais crítica.

O resultado apontou Etiópia, Nigéria e Tanzânia, na África, e Índia, na Ásia, como os locais onde há mais infecções, variedade de doenças e mortes. Mas os Estados Unidos, países europeus e até mesmo o Brazil estão entre o grupo de áreas onde há crescimento dos casos de infecção inicial, ou seja, onde humanos têm contraído as enfermidades pela primeira vez.

As zoonoses podem ser transmitidas de animais selvagens ou domésticos para os humanos, mas a maioria dos casos tem origem nas criações de porcos, gado, ovelhas e outras espécies. De acordo com o estudo, há 56 zoonoses responsáveis por 2,5 bilhões de casos e 2,7 milhões de mortes por ano. Há, porém, um grupo de 13 doenças principais, que inclui a gripe suína, a gripe aviária e a aids, de vírus perigosos e de alta infectbilidade.

Fonte Estadão

Cólera mata três em Cuba

Casos da doença são raros no país; governo diz ter situação sob controle e recursos suficientes

HAVANA - Ao menos três pessoas morreram em decorrência do cólera e outras 50 foram diagnosticadas com a doença em Cuba, afirmou na terça-feira, 3, o governo do país. Segundo as autoridades, há uma epidemia da doença, que se espalha devido à água contaminada nos poços locais.

O Ministério da Saúde cubano disse que as chuvas frequentes e as altas temperaturas foram os fatores responsáveis pelo fechamento de alguns poços e, consequentemente, pela maior dificuldade em tratar a água. O comunicado divulgado pelo órgão, porém, afirma que a incidência da doença deve diminuir nos próximos dias.

Segundo o órgão, os três mortos tem idades entre 66 e 95 anos e já tinham outras complicações de saúde quando contraíram a doença, que é bastante rara em Cuba. Pouquíssimos casos foram registrados no país nas últimas seis décadas, desde o estabelecimento do governo socialista na ilha.

A medicina cubana é considerada uma referência na América Latina, mas os cubanos reclamam do hábito do governo de enviar médicos para o exterior em vez de mantê-los no país, onde, diz a população, há carências no sistema de saúde.

Apesar disso, o Ministério informou ter "os recursos necessários para dar a atenção adequada aos pacientes de todas as instituições de saúde" durante o período de disseminação do cólera.

Fonte Estadão

Tumores de cabeça e pescoço positivos para HPV são menos agressivos

Sobrevida seria maior nesses casos; estudos mostram que o HPV tem mais relação com tumores de orofaringe

Uma pesquisa feita na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) sugere que tumores de cabeça e pescoço positivos para o papiloma vírus humano (HPV), que têm aumentado, são menos agressivos.

A pesquisa – que resultou na tese de doutorado de Rossana Verónica Mendoza López, com Bolsa da FAPESP – considerou dados de 1.475 pacientes que participaram de dois grandes estudos multicêntricos.

Todos eram portadores de tumores do tipo carcinoma epidermoide. A localização variava entre cavidade oral, orofaringe (amígdala), hipofaringe (parte da garganta logo após a amígdala) ou laringe (parte final da garganta, perto do esôfago).

O estudo mais antigo, realizado entre 1998 e 2003, foi coordenado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês) em cinco cidades brasileiras, além de Buenos Aires e Havana, e avaliou a relação do câncer com hábitos de vida como alimentação, fumo, consumo de álcool e práticas sexuais. Para a pesquisa de López foram usados apenas dados de Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo.

O segundo estudo, intitulado Genoma do Câncer de Cabeça e Pescoço (Gencapo), foi um Projeto Temático financiado pela FAPESP e realizado entre 2003 e 2010 com o objetivo de identificar biomarcadores para a doença.

“Fizemos dois tipos de testes para verificar a prevalência da infecção pelo HPV entre os 1.475 pacientes: sorologia e análise de DNA. Mas, para este último, conseguimos amostra do tecido tumoral apenas de 542 casos”, contou López.

Nos testes sorológicos, os pesquisadores investigaram a presença de anticorpos (E1, E2, E4, E6, E7, L1) para 11 dos quase 200 tipos de HPV existentes. Considerando os resultados apenas para o HPV do tipo 16 – o mais relacionado ao desenvolvimento de câncer de cabeça e pescoço –, a prevalência de casos positivos entre os pacientes do estudo da IARC foi de 55%. Já no estudo mais recente o índice saltou para 72%.

Nas análises de DNA do tecido tumoral, a prevalência do HPV 16 cresceu de 1% entre os casos do estudo mais antigo para 6,7% no estudo Gencapo. Apesar de a distância entre os dois estudos não ser longa, afirmou a pesquisadora, pode-se afirmar que no período de uma década houve aumento da prevalência do HPV 16 entre pacientes com tumores de cabeça e pescoço.

Menos letal
Também foi avaliada nos testes sorológicos a presença de anticorpos para as oncoproteínas E6 e E7, relacionadas à invasão tumoral e à replicação do vírus. Ao analisar a sobrevida dos pacientes, os cientistas observaram que, entre aqueles que apresentaram resultado positivo para o HPV 16 e para a proteína E6, a mortalidade foi 38% menor.

Quando o resultado foi positivo para o HPV 16 e para as duas proteínas – E6 e E7 – a redução na mortalidade foi de 66%. Se considerados apenas os casos de câncer na orofaringe – os mais associados à infecção por HPV e à prática de sexo oral –, a mortalidade foi 83% menor.

“Estudos internacionais têm mostrado que o HPV tem mais relação com tumores de orofaringe. Os resultados de nosso estudo sugerem, portanto, que os casos de câncer de cabeça e pescoço com presença de infecção por HPV apresentam maior sobrevida, ou seja, são de melhor prognóstico. Mas ainda não sabemos ao certo o motivo”, ressaltou López.

Segundo Victor Wünsch Filho, professor da FSP/USP e orientador da pesquisa, o perfil demográfico e de hábitos de vida dos pacientes que apresentaram resultado positivo para as oncoproteínas E6 e E7 do HPV 16 é uma possível explicação para o melhor prognóstico.

“Eles formam um grupo de pacientes mais jovens, com maior proporção de mulheres e menor proporção de fumantes. Esses dados merecem uma análise mais aprofundada”, disse Wünsch.

A pesquisa revelou também que a presença das proteínas E6 e E7 do HPV 16 foi mais frequente entre os pacientes que afirmavam praticar sexo oral, principal forma de contágio do HPV.

“As evidências existentes até o momento sugerem que há mais mutações genéticas nos casos de câncer associados ao consumo de álcool e de cigarro, o que contribuiria para o desenvolvimento de tumores mais agressivos quando comparados àqueles causados pelo HPV”, disse Luisa Lina Villa, diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer.

Segundo López, embora as evidências apontem que o HPV esteja se tornando uma causa mais comum de câncer de cabeça e pescoço, o consumo de tabaco e de álcool ainda responde pela maioria dos casos.

Fonte Estadão