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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Atletas brasileiros terão atendimento médico remoto durante os Jogos Olímpicos de Londres

Rio de Janeiro - O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) está coordenando o projeto de telemedicina do esporte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), recurso que permitirá a médicos baseados no Rio de Janeiro prestar atendimento à distância aos atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos de 2012.

A abertura do evento está prevista para o próximo dia 27, em Londres, na Inglaterra, e deverá contar com a presença da presidenta Dilma Rousseff. Os Jogos Olímpicos de Londres se estenderão até o dia 12 de agosto.

Um primeiro teste do equipamento de videoconferência foi efetuado na última sexta-feira (20). Participaram do teste mais dois hospitais do Rio de Janeiro, por meio de salas próprias de videoconferência, além da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, e do Centro de Treinamento Crystal Palace, em Londres. Outras duas sessões clínicas estão programadas para os dias 3 e 8 de agosto, envolvendo unidades de saúde da rede pública e privada.

O vice-diretor do Into, João Matheus Guimarães, revelou hoje (24) à Agência Brasil que a tecnologia permitiu a médicos no Brasil discutir casos clínicos de alguns atletas que estavam em Londres. “Exatamente para a gente dar uma segunda opinião e um apoio logístico, até mesmo de um especialista, para aquele colega que está lá, na ponta”.

Muitas vezes, o médico que está dando atendimento em Londres não domina todas as áreas da ortopedia, e como o Into é especializado nesse campo, consegue dar apoio técnico importante, segundo Guimarães. O modelo de assessoramento remoto na área médica vem sendo utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Iraque, informou o vice-diretor do Into.

A Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e o Hospital Samaritano são algumas instituições que participam do projeto de telemedicina do esporte, em desenvolvimento pelo Into já há algum tempo.

“Ele [o projeto] começou como uma parceria do Ministério da Saúde com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, no sentido de a gente ter essa rede de telemedicina ligada às grandes universidades do país e do mundo, e que permite fazer de maneira online e ao vivo contatos com outras cidades”, segundo Guimarães.

Esse foi o ponto de partida para que o Into sugerisse ao COB levar o sistema aos Jogos Olímpicos de Londres, relatou. “Essa ideia está sendo um piloto. Dando certo, a gente vai oferecer esse serviço no Rio de Janeiro, quando os Jogos Olímpicos forem aqui [2016]”.

O diretor técnico do Hospital Samaritano, Fernando Gjorup, comentou que essa tecnologia “veio para ficar”. Sua importância transcende a área do esporte, acrescentou, uma vez que pode ser aplicada no Brasil, em regiões onde não há especialistas. Segundo Gjorup, isso pode ser feito remotamente, em qualquer situação.

No campo esportivo, salientou que a tecnologia permitirá à delegação brasileira ter acesso, de uma forma remota, “a médicos que falam a sua língua, médicos em quem eles confiam”.

João Matheus Guimarães explicou que, caso um atleta estrangeiro venha a se acidentar durante os Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, o primeiro atendimento será dado por médicos brasileiros, mas o médico do atleta poderá, de seu país, acompanhar o caso e, inclusive, dar uma segunda opinião com relação à conduta traçada aqui.

Robôs e tablets (computadores em forma de prancheta) serão utilizados para transmitir aos especialistas brasileiros imagens de alta definição de problemas que venham a ser sofridos pelos atletas brasileiros em Londres. Essas ferramentas permitem que ocorra a videoconferência, integrando os médicos nos dois países.

Fonte Agência Brasil

Hospital da UFRJ e Secretaria de Saúde do Rio fazem campanha de conscientização sobre a hepatite

Rio de Janeiro – O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, realiza até a próxima sexta-feira (27) uma campanha para conscientização e detecção do vírus da hepatite C nos pacientes da unidade e seus acompanhantes. A expectativa é que sejam realizados mais de 3.500 exames durante a campanha.

O chefe substituto do Serviço de Hepatologia do Hospital do Fundão, Jorge Segadas, lembrou que hepatite C é uma doença silenciosa, que pode evoluir vagarosamente, entre dez a 30 anos, para uma fibrose ou mesmo uma cirrose hepática, acarretando risco de morte aos portadores.

Segundo Segadas, os fatores de risco para se contrair o vírus são: transfusões de sangue realizadas antes de 1992, porque depois dessa época o vírus já era conhecido e se passou a fazer um controle das doações de sangue; pessoas que fizeram tatuagem há algum tempo, já que os tatuadores não estavam treinados a certos cuidados com agulhas, tintas, etc; além das formas mais raras de transmissão, seja por meio de aplicação de piercing ou ao fazer as unhas na manicure.

O teste realizado, chamado de anti-HCV, mostra se os pacientes entraram ou não em contato com o vírus da doença. “É feito um teste simples e rápido. Se o resultado for positivo, é preciso confirmar por meio de um teste mais sofisticado, de biologia molecular. Fura-se a ponta do dedo, pega-se uma gota de sangue e, em dez minutos, sai o resultado. As pessoas estão recebendo um folheto explicativo contendo os fatores de risco, o modo de transmissão e as formas de tratamento”, explicou.

Já o laboratório Roche está realizando uma testagem na população em geral, na Estação Carioca do metrô, também até sexta-feira (27). Na próxima semana, a inicitiava estará na Estação da Pavuna.

A Secretaria Estadual de Saúde vai realizar, na Praça Tiradentes, no centro da capital fluminense, a campanha Fique Sabendo, na quinta (26) e sexta-feira (27) próximas. Os testes vão para detectar a presença dos vírus da hepatite B e C. A expectativa é que cerca de 400 exames de cada uma das hepatites sejam realizados durante os dois dias.

Segundo a coordenadora estadual de Hepatites Virais, a médica Clarice Gdalevici, existem atualmente quase 400 milhões de portadores de hepatite B no mundo e cerca de 180 milhões de pessoas têm o vírus da hepatite C. “É muito importante para a saúde pública oferecer a oportunidade de informação e prevenção à população, através da vacinação contra hepatite B e também de diagnóstico dessas hepatites. A campanha tem como objetivo aumentar o número de candidatos ao tratamento”, disse a coordenadora.

No próximo sábado (28), será celebrado o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. Aqueles que não fizerem teste contra a doença durante a campanha poderão procurar o posto municipal de saúde mais próximo de sua residência e fazer os testes durante todo o ano.

Fonte Agência Brasil

Pessoas com Artritr Reumatóide são mais propensas a ter doença gengival

Os profissionais da odontologia lembram pacientes e cuidadores de dar atenção à ligação entre doença periodontal e artrite reumatoide.

Estudos mostraram que pessoas com AR são mais propensas a ter doença periodontal comparadas àquelas que não têm essa doença inflamatória crônica das articulações. Um estudo de 2008 publicado no Journal of Periodontology mostrou que pacientes com AR eram praticamente oito vezes mais propensos a ter doença periodontal. Como a artrite é uma doença debilitante que pode comprometer a destreza manual dos pacientes, alguns indivíduos podem não ser capazes de manter uma boa higiene bucal. O estudo encontrou que, embora a higiene bucal fosse um fator, ela não explicava totalmente a associação entre as duas doenças.

Os autores do estudo mencionaram que tanto a AR como a doença periodontal são distúrbios inflamatórios sistêmicos, o que pode explicar a conexão entre as duas e que os resultados indicam a necessidade de uma estreita colaboração entre médicos, dentistas e higienistas bucais ao tratar pacientes com AR.

Um estudo de 2009 descobriu que pacientes com AR severa e doença periodontal tinham menos dor artrítica, um número reduzido de articulações inchadas e menos rigidez matutina quando seus problemas odontológicos eram tratados. Pessoas com artrite que têm dificuldades para cuidar dos dentes têm algumas opções. Elas devem visitar o dentista regularmente para manter a boca saudável. Escovas dentais elétricas, aparelhos para irrigação, porta-fio dental e enxaguatórios bucais sob prescrição – produtos que tenham o Selo de Aprovação da ADA – podem ser instrumentos apropriados para pessoas que têm destreza manual limitada. Para mais detalhes sobre os produtos, veja o guia For the Dental Patient (Para o Paciente Odontológico) para a aquisição de produtos bucais no link www.ada.org (em inglês).

OralLongevity, uma iniciativa desenvolvida para aumentar a consciência sobre as necessidades de saúde bucal dos americanos idosos, oferece materiais educativos que exploram a ligação entre saúde geral e saúde bucal e discutem maneiras de conservar os dentes por toda a vida. Consumidores podem solicitar o livreto e DVD educativo que é formatado em capítulos numa variedade de tópicos de saúde bucal, incluindo o efeito do diabetes, da artrite e das medicações na saúde bucal. Visite ADA.org (em inglês) para mais detalhes.

Fonte colgate.com.br

Fibrose cística

Definição

A fibrose cística é uma doença herdada que faz com que muco denso e pegajoso se acumule nos pulmões e no trato digestivo.
Ela é uma das doenças pulmonares crônicas mais comuns em crianças e adultos jovens e pode resultar em morte prematura. É considerado o distúrbio hereditário fatal mais comum que afeta indivíduos brancos nos EUA.

Causas, incidência e fatores de risco

A fibrose cística (FC) é causada por um gene defeituoso que faz com que o corpo produza um líquido anormalmente denso e pegajoso chamado muco. O muco se acumula nas passagens respiratórias dos pulmões e no pâncreas, órgão que ajuda a decompor e absorver o alimento.
Essa coleta de muco pegajoso resulta em infecções pulmonares que colocam a vida em risco, além de problemas digestivos graves. A doença também pode afetar as glândulas sudoríparas e o sistema reprodutivo masculino.
Milhões de americanos têm o gene FC defeituoso, mas não têm nenhum sintoma. Este é o motivo pelo qual uma pessoa com FC deve herdar dois genes FC defeituosos, um de cada progenitor. Estima-se que um a cada 29 americanos brancos tenham o gene FC.
A doença é o distúrbio herdado fatal mais comum que afeta indivíduos brancos nos Estados Unidos. É mais comum entre aqueles que são descendentes de europeus nórdicos ou centrais. A maioria das crianças com FC é diagnosticada até 2 anos de idade. Um número menor, no entanto, não é diagnosticado até os 18 anos ou mais. Esses pacientes geralmente têm uma forma mais branda da doença.
Há de seis a 12 posições em que uma pessoa com doença pulmonar pode ficar para drenar muco de uma certa parte dos pulmões. Outra pessoa pode bater levemente em certas áreas para ajudar a soltar o muco e possibilitar que ele seja expelido pela tosse. Outras maneiras de aliviar a congestão pulmonar da fibrose cística ou bronquiectasia incluem coletes vibratórios e aerossóis inalados.

Sintomas

Como há mais de 1.000 mutações do gene FC, os sintomas diferem de pessoa para pessoa.

Os sintomas em recém-nascidos podem incluir:
  • Crescimento retardado
  • Dificuldade para ganhar peso normalmente durante a infância
  • Nenhuma evacuação nas primeiras 24 a 48 horas de vida
  • Pele salgada

Os sintomas relacionados ao funcionamento do intestino podem incluir:
  • Dor no abdome devido à constipação grave
  • Aumento de gases, inchaço ou abdome que parece inchado (dilatado)
  • Náusea e perda de apetite
  • Fezes pálidas ou com cor de argila, odor fétido, têm muco ou flutuantes
  • Perda de peso

Os sintomas relativos aos pulmões e seios nasais podem incluir:
  • Tosse ou aumento de muco nos seios nasais ou pulmões
  • Fadiga
  • Congestão nasal causada por pólipos nasais
  • Episódios recorrentes de pneumonia. Os sintomas em uma pessoa com fibrose cística incluem:
    • Aumento da tosse
    • Aumento na dificuldade para respirar
    • Perda de apetite
    • Aumento de escarro
  • Dor ou pressão no seio nasal causada por infecção ou pólipos

Exames e testes

Um teste de sangue está disponível para ajudar a detectar a FC. O teste procura por variações em um gene conhecido que causa a doença.

Outros testes usados para diagnosticar a FC incluem:
  • O teste de tripsinogênio imunorreativo (TIR) é um teste padrão de triagem em recém-nascidos para FC. Um alto nível de TIR sugere possível FC e requer mais testes.
  • O teste de cloro no suor é o teste de diagnóstico padrão para FC. Um alto nível de sal no suor do paciente é sinal da doença.
Outros testes que identificam problemas que podem estar relacionados à fibrose cística incluem:
  • Teste de gordura nas fezes
  • Testes de funcionamento dos pulmões
  • Medição da função pancreática
  • Teste de estimulação da secretina
  • Tripsina e quimotripsina nas fezes
  • Série do trato gastrointestinal superior (GI) e do intestino delgado

Tratamento

Um diagnóstico precoce de FC e um plano de tratamento abrangente podem melhorar a sobrevivência e a qualidade de vida. O acompanhamento e monitoramento são muito importantes.
Se possível, os pacientes devem ser atendidos em uma clínica especializada em fibrose cística, que pode ser encontrada em muitas comunidades. Quando as crianças atingirem a idade adulta, elas devem ser transferidas para um centro especializado em fibrose cística para adultos.

O tratamento para problemas pulmonares inclui:
  • Antibióticos para prevenir e tratar de infecções nos pulmões e nos seios nasais. Eles podem ser tomados por via oral ou aplicados nas veias, ou por tratamentos respiratórios. As pessoas com fibrose cística podem tomar antibióticos somente quando necessário ou o tempo todo. As doses geralmente são maiores do que o normal
  • Medicamentos inalados para ajudar a abrir as vias respiratórias
  • Terapia de substituição de enzima DNase para afinar o muco e facilitar a expectoração
  • Vacina contra influenza e vacina antipneumocócica polissacarídica (PPV) anualmente
  • O transplante de pulmão é uma opção em alguns casos
  • A oxigenoterapia pode ser necessária à medida que a doença pulmonar piora

Tratamento de problemas intestinais e nutricionais podem incluir:
  • Uma dieta especial rica em proteínas e calorias para crianças maiores e adultos
  • Enzimas pancreáticas para ajudar a absorver gorduras e proteína
  • Suplementos vitamínicos, especialmente vitaminas A, D, E e K
  • Seu médico pode sugerir outros tratamentos se você tiver fezes muito duras

Cuidados e monitoramento em casa devem incluir:
  • Evitar o fumo, a poeira, a sujeira, as fumaças, os produtos químicos domésticos, a fumaça de lareira e o mofo ou bolor
  • Limpar ou retirar muco ou secreções das vias respiratórias. Isso deve ser feito de uma a quatro vezes por dia. Pacientes, familiares e profissionais de saúde devem aprender como fazer percussão torácica e drenagem postural para ajudar a manter as vias respiratórias limpas
  • Beber líquidos em abundância. Isso é especialmente correto para bebês, crianças, em clima quente, quando houver diarreia ou fezes soltas, ou durante atividade física adicional
  • Exercícios duas ou três vezes por semana. Natação, corrida e ciclismo são boas opções. Evite esportes de contato, mergulho e atividades de resistência como maratonas

Evolução (prognóstico)

A maioria das crianças com fibrose cística são razoavelmente saudáveis até atingirem a idade adulta. Elas podem participar da maioria das atividades e devem frequentar a escola.
A doença pulmonar piora ao ponto de a pessoa ficar incapacitada. Hoje, a expectativa de vida média para pessoas com FC que vivem até a idade adulta é de aproximadamente 35 anos. Houve um aumento surpreendente nas últimas três décadas. O óbito é geralmente causado por complicações pulmonares.

Complicações

A complicação mais comum é a infecção respiratória crônica.

Ligando para seu médico

Ligue para o seu médico se uma pessoa com fibrose cística desenvolver sintomas novos ou se os sintomas piorarem, especialmente dificuldade respiratória grave ou expectoração de sangue.

Ligue para o seu médico se você ou seu filho tiver:
  • Febre, aumento de tosse, alterações na saliva ou sangue na saliva, perda de apetite ou outros sinais de pneumonia
  • Perda de peso
  • Evacuações mais frequentes ou fezes com odor fétido, ou tiver mais muco
  • Abdome inchado ou aumento no intumescimento

Prevenção

Não existe nenhuma maneira de prevenir a fibrose cística. A triagem das pessoas com histórico familiar da doença pode detectar o gene da fibrose cística em 60% a 90% dos portadores, dependendo do teste usado.

 
Fonte iG

"Não há diferença entre dietas ricas ou pobres em gordura", diz médico

Pesquisador norte-americano diz que, para perder peso, não importa se as calorias "vêm de abóboras, amendoins ou patê de foie gras"

Uma caloria é realmente apenas uma caloria? As calorias de um refrigerante causam o mesmo efeito em sua cintura que as calorias de uma maçã ou de um filé de frango?

Durante décadas, essas questões intrigaram os pesquisadores e tanbém aqueles que fazem dieta

No mês passado, elas ganharam novo destaque com um estudo publicado pela Revista da Associação Médica Americana, que sugere que após perder peso, pessoas com uma dieta rica em gorduras e proteínas queimavam mais calorias que as pessoas que consumiam mais carboidratos.

Questionamos Jules Hirsch – professor e médico-chefe emérito da Universidade Rockefeller, além de pesquisador da obesidade há quase 60 anos – a respeito do atual estado da pesquisa na área. Hirsch, que não recebe dinheiro de empresas farmacêuticas ou da indústria de produtos dietéticos, escreveu alguns trabalhos clássicos que explicam porque é tão difícil perder peso e porque ele geralmente volta.

NYT: O estudo da Revista da Associação Médica Americana chamou muita atenção. As pessoas deveriam fazer dietas ricas em gorduras e proteínas se quiserem emagrecer?
Jules Hirsch: No estudo, eles submeteram 21 pessoas a uma dieta que as fez perder entre 10% e 20% de seu peso. Em seguida, depois que o peso se equilibrou, eles submeteram esses sujeitos a uma de três diferentes dietas de manutenção. Uma delas era pobre em carboidratos e rica em gorduras, ou seja, era basicamente a dieta de Atkins. A outra era o contrário – rica em carboidratos e pobre em gordura. A terceira era um meio termo entre as duas. Na sequência, eles mediram o gasto energético total – em calorias queimadas – e o gasto energético em repouso.

Eles relataram que as pessoas que foram submetidas à dieta de Atkins estavam queimando mais calorias. Portanto, que essa era uma boa dieta. Esse tipo de dieta pobre em carboidratos geralmente possibilita uma maior perda inicial de peso, em comparação com dietas com o mesmo número de calorias, mas com mais carboidratos. Isso porque quando os níveis de carboidratos estão baixos e a gordura alta em uma dieta, as pessoas perdem água, o que pode dificultar o cálculo do gasto total de energia.

A medida de praxe se baseia no número de calorias por unidade de massa corporal magra – a parte do corpo que não é feita de gordura. Quando se perde água, a massa corporal magra diminui, e o número de calorias por massa corporal magra aumenta. É pura matemática. Não existe um abracadabra que traga vantagens imediatas para quem se submete a uma dieta. Essa pessoa perderá água, mas nenhuma gordura.

O estudo não forneceu qualquer informação sobre como os cálculos foram feitos, mas essa é uma possível explicação para os resultados.

NYT: Quer dizer que a coisa toda pode ser apenas uma ilusão? Tudo o que aconteceu foi que essas pessoas perderam água temporariamente, quando se submeteram a dietas ricas em proteínas?
Jules Hirsch: Acho que a ilusão mais importante é a crença de que uma caloria não é uma caloria, e que tudo depende da quantidade de carboidratos consumidos por uma pessoa. Há uma lei imutável da física em ação – a energia consumida é necessariamente igual ao número de calorias dispensadas pelo sistema quando a gordura armazenada se mantém inalterada. As calorias deixam o sistema quando o alimento é utilizado como combustível para o corpo. Para diminuir a quantidade de gordura – ou seja, reduzir a obesidade – é necessário reduzir o número de calorias consumidas aumentar o gasto de calorias com mais atividades físicas, ou fazer ambas as coisas. Essa é uma verdade universal, não importa se as calorias vêm de abóboras, amendoins ou patê de foie gras.

Acreditar no contrário é o mesmo que imaginar que possamos realmente encontrar um motor perpétuo que funcione para resolver os nossos problemas de energia. Isso não vai acontecer, assim como mudar a fonte de calorias não nos permite desobedecer às leis da física.

NYT: O senhor já se perguntou se as pessoas reagem de forma diversa a dietas com composições diferentes?
Jules Hirsch: O Dr. Rudolph Leibel – que atualmente pesquisa obesidade na Universidade de Columbia – e eu selecionamos pessoas com peso normal e as deixamos vivendo em um hospital, onde calculamos o número de calorias que elas receberiam a cada dia, de modo a manter seu peso absolutamente constante, algo bastante difícil de realizar. Para isso, nós utilizamos dietas líquidas com um número exato de calorias.

Nós mantivemos o número de calorias constante, sempre dando aos sujeitos da pesquisa a quantidade necessária para mantê-los exatamente com o mesmo peso. Entretanto, nós variamos dramaticamente a proporção de gorduras e de carboidratos de cada dieta. Algumas delas praticamente não continham carboidratos, enquanto outras quase não continham gordura.

P: O que aconteceu? Algumas dessas pessoas ganharam ou perderam peso inesperadamente, enquanto recebiam dietas com o mesmo número de calorias, mas com diferentes composições?
Jules Hirsch: Não, não há qualquer diferença entre dietas ricas e pobres em gordura.

P: Por que é tão difícil perder peso?
Jules Hirsch: O que seu corpo faz é calcular a quantidade de energia disponível para emergências e para o uso diário. A energia armazenada é o total de tecido adiposo em seu corpo. Agora nós sabemos que existe uma quantidade incontável de hormônios que estão sempre medindo o volume de gordura que possuímos. Seu corpo é levado a comer mais ou menos de acordo com esse mecanismo.

P: Mas se nós possuímos esse tipo de mecanismo, por que as pessoas de hoje são mais obesas que no passado?
Jules Hirsch: Esse maravilhoso mecanismo envolve fatores genéticos e ambientais e é ajustado logo no começo da vida. Ainda não se sabe quanto do ajuste é feito logo após o nascimento e quanto é feito pela alimentação e por outras influências nos primeiros anos de vida. Existem muitas possibilidades, mas nós ainda não sabemos.

NYT: Isso quer dizer que algo aconteceu nos primeiros anos de vida de cada pessoa, de modo a ajustar seu organismo para exigir mais gordura em seu corpo?
Jules Hirsch: Sim.

NYT: O que você diria às pessoas que desejam perder peso?
Jules Hirsch: Eu as aconselharia a optar por uma dieta com menos calorias. Elas devem comer o que sempre comeram, mas em menor quantidade. Isso precisa ser calculado com cuidado. As pessoas devem comer o mínimo necessário para viverem bem e devem fazer mais exercícios.

NYT: Não existe uma dieta mágica, ou ao menos uma dieta preferencial?
Jules Hirsch: Não. Algumas dietas podem ser melhores por razões médicas, mas não para o controle de peso. As pessoas inventam novas dietas o tempo todo – afinal, por que não comer pistache à meia-noite quando a lua está cheia? Nós já vimos todos os tipos de dieta imagináveis. Mas, ainda assim, as pessoas sempre inventam alguma novidade.

Fonte iG