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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Hábitos de vida interferem na visão

Especialistas alertam que obesidade, novas tecnologias e gases tóxicos são gatilhos de doenças oculares

A geração está mais obesa, sedentária, fuma e também enxerga pior. Além de infarto, acidente vascular cerebral, diabetes, as doenças oculares são mais recorrentes em quem está inserido em um estilo de vida não saudável, que inclui tabagismo, falta de exercícios físicos e dieta hipercalórica. O efeito do meio externo na visão ainda não é muito calculado, mas cada vez mais alvo de pesquisas.

O professor da Unifesp, Rubens Belfort Júnior – um dos criadores dos mutirões de catarata em São Paulo e um dos responsáveis pela criação da política de oftalmologia brasileira – é um dos que está empenhado em mensurar a influência externa na visão.

“Estamos recrutando irmãos gêmeos univitelinos (aqueles que são iguaizinhos) com mais de 60 anos para atestar quais problemas oculares são genéticos e quais são sequelas dos hábitos de vida. Precisamos agora achar os gêmeos”, diz.

Os especialistas reforçam ainda que os olhos sofrem mais com os ambientes poluídos, ocasionando a síndrome do olho seco. Além disso, por causa do uso cada vez mais precoce – e contínuo – de computadores, os problemas oculares também estão mais comuns, diz Belfort Júnior.

Na lista de vilões dos olhos estão ainda o uso de medicamentos por conta própria e exagero no café, hábitos inseridos na rotina dos brasileiros e que podem potencializar o glaucoma, doença que ocupa o primeiro lugar no ranking de causa de cegueira.

Além de Rubens Belfort Júnior, outros dois experts em em oftalmologia listaram os novos inimigos da visão. Confira.

Obesidade
“Os obesos têm mais propensão a desenvolver astigmatismo e problemas de visão relacionados ao diabetes”, alerta Renato Neves, presidente da Fundação Eye Care. O diabetes, apesar de figurar entre as principais causas de morte do brasileiro, é uma doença silenciosa e, segundo a própria Sociedade Brasileira de Diabetes, o número de pessoas que convivem com o problema metabólico sem saber é maior do que os atuais 11% de diabéticos que constam das estatísticas oficiais do País.

A falta de controle da glicemia também afeta a retina, membrana que cobre os olhos e pode evoluir para a cegueira. A boa notícia é que o diabetes controlado e o cuidado oftalmológico podem reverter o quadro. A outra dica é cuidar da alimentação. Isso não só preserva o corpo, mas protege os olhos.

Atividade física
Medir a pressão arterial é importante para proteger o coração de doenças como o infarto. A medição da pressão do olho – um exame simples que tem duração de 2 minutos no consultório – é também a chave para evitar o glaucoma, uma das doenças oculares que mais cega no País. E da mesma forma que as atividades físicas ajudam a pressão do organismo a permanecer dentro do normal, o coordenador do Setor Glaucoma do Hospital Medicina dos Olhos, Tiago Prata, diz que os exercícios aeróbicos também diminuem a pressão intraocular.

“Alguns estudos já constataram que pessoas que praticam corrida e ciclismo, por exemplo, apresentam melhor pressão ocular. Além disso os próprios pacientes com glaucoma têm a pressão estabilizada com a prática de exercícios”, diz.

Oespecialista alerta que o inverso também é verdadeiro: atividades como supino (levantamento de peso) e algumas posturas da musculação aumentam a pressão ocular e não são indicados para jovens com glaucoma. “O mesmo vale para aquela posição da ioga em que a pessoa fica de cabeça para baixo (Sirsasana). Em minutos, a pressão ocular sobe e para quem já tem a doença pode ser arriscado. A orientação é sempre falar com o médico.”

Computador
Rubens Belfort Júnior diz que hoje há uma epidemia de miopia (problema ocular e maior dificuldade para enxergar de longe). A primeira hipótese para os problemas nas vistas é o uso excessivo de computadores, videogames e televisão, já que a máxima “criança que brinca na rua enxerga melhor” de fato é comprovada nos consultórios clínicos. Mas além das tecnologias, o oftalmologista da Unifesp traz um outro fator para este cenário.

“Hoje as crianças com 2 anos de idade já estão na escola de inglês, fazem mil atividades que exigem esforço visual. Isso pode ser ótimo para a intelectualidade, mas pode trazer um comprometimento ocular.”

Poluição
O oftalmologista Renato Neves diz que a poluição traz mais impactos ao aparelho respiratório e à visão. O principal já conhecido é a síndrome do olho seco . “O quadro é ainda mais agravado quando há um baixo índice de umidade relativa do ar. Os olhos podem coçar e ficar avermelhados. Os poluentes podem também causar embaçamento por alteração da superfície ocular, provocando certo incômodo no paciente”, informa.

Automedicação
“Quase todos os medicamentos que podem agravar as doenças oculares são vendidos sem receita na farmácia”, alerta o oftalmologista Tiago Prata. “Mas não é apenas a automedicação o problema. Muitos médicos de outras aéreas desconhecem os possíveis efeitos oculares dos remédios. Nos EUA, por exemplo, ninguém toma medicamento para incontinência urinária sem passar por avaliação do oftalmologista (uma das drogas que traz efeitos em quem já tem glaucoma), um controle inexistente no Brasil.”

Diversos medicamentos podem levar ao aumento da pressão ocular (a inimiga do glaucoma) e, dentre eles, os mais temidos são os anti-inflamatórios a base de cortisona, utilizados frequentemente em doenças respiratórias, reumatológicas e quadros alérgicos, acrescenta Prata. Um simples exame oftalmológico é capaz de orientar o clínico sobre a existência de riscos com o uso dessas medicações.

Tabagismo
Segundo Tiago Prata, embora não exista relação direta entre tabagismo e desenvolvimento de glaucoma, o hábito de fumar causa aumento transitório da pressão intraocular. Por isso, uma das primeiras recomendações para quem tem glaucoma é abandonar o hábito.

Fonte iG

Artrose atingirá 12,3 milhões de pessoas no Brasil até 2015

Problema causado pela degeneração das cartilagens das articulações já afeta 5,2% da população brasileira, apontou pesquisa

Número de brasileiros com artrose no País deve crescer 23% nos próximos 3 anos. A doença, que afeta as cartilagens das articulações, já atinge 10 milhões de brasileiros.

Um levantamento apresentado hoje (2) em São Paulo alerta para um prognóstico alarmante: em 2015 serão 12,3 milhões de pessoas a conviver com as dores e as dificuldades e limitações impostas pela doença.

Para o estudo foram entrevistados 2.282 médicos, que forneceram informações estatísticas sobre a doença e seu tratamento na prática clínica. Os dados encontrados mostraram que a artrose é mais prevalente nas articulações do joelho e do quadril – estas são as áreas que articulares que suportam as maiores cargas.

Também conhecida como osteoartrite, a artrose é uma doença causada por diversos fatores, entre eles o excesso de peso – um problema crescente em todo o mundo – e a ocorrência de lesões na articulação afetada.

O problema pore começar com uma pequena fissura na cartilagem. Com o envelhecimento e conforme o esforço exigido da região afetada, a lesão cresce e pode provocar o amoleciamento do tecido que envolve a articulação, perda de cartilagem e diminuição do espaço articular entre os ossos – eles passam a se chocar entre si, o que pode provocar um processo de esclerose no osso, além do aparecimento de cistos. Quando a doença chega a estágios avançados, em muitos casos a única solução é a substituição das articulações por próteses.

“A artrose é uma doença extremamente incapacitante. E nossa população está envelhecendo, estamos vivendo mais tempo com a doença. É preciso evitar ao máximo a colocação de prótese no paciente”, diz a fisiatra Pérola Grinberg Plapler.

Brasil está em 2º lugar entre os países com mais afetados pela artrose no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, apenas 42% dos pacientes têm o diagnóstico, apontou o levantamento. O restante, nem sabe que tem a doença, apesar de ela ser facilmente diagnosticada por meio de exames clínicos e de imagem.

Embora as mulheres sejam mais afetadas pela artrose do que os homens – em média, 5% a mais – neles a doença aparece mais cedo. O número se iguala, porém, quando elas entram na menopausa. A artrose é mais frequente nas faixas etárias acima dos 30 anos, com maior significância na população acima dos 60. Segundo o levantamento, 69% dos pacientes com atrose estão em tratamento, um número que pode chegar a 76% em 2015.

Combatendo a doença
O tratamento com melhor resultado precisa combinar exame clínico adequado, medicamentos e um lado não-farmacológico que inclui conscientizar corretamente o paciente, além da realização de exercícios físicos. “Quando a cartilagem diminui, o ligamento fica frouxo. Se tem músculos fortes, eles funcionam como borracha, absorvem o impacto e seguram os ligamentos no lugar. A pessoa ganha mais estabilidade. Além disso, o exercício físico ajuda a hidratar a cartilagem, fazendo com que ela fique mais maleável”, explica Pérola.

A fisiatra indica a musculação, porque nela é possível controlar a intensidade, a carga e a amplitude do movimento. Além disso, fortalece o músculo e evita o excesso de exercício, que também faz mal. Alongamento, ressalta a especialista, é essencial. “Ele dá liberdade para a articulação. O músculo encurtado puxa o osso, pressionando a articulação, podendo levar à dor e ao desgaste”, explica

O remédio utilizado serve, em geral, para aliviar a dor, que atinge quase 100% dos pacientes. É preciso, também, evitar a automedicação. “Os pacientes fazem uso de analgésicos comuns e antiinflamatórios. Mas utilizar esses medicamentos, principalmente a longo prazo, como é no caso da doença, pode trazer problemas futuros. Por isso, é preciso ser cauteloso e procurar um médico”, aconselha Ibsen Coimbra, reumatologista e um dos coordenadores do estudo.

O estudo foi feito pelo laboratório farmacêutico Zodiac, em parceria com quatro importantes sociedades médicas: Sociedade Brasileira de Reumatologia, Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação e Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho.

Fonte iG

O que fazer se eu odeio o meu trabalho?

Especialista dá dicas de como melhorar o clima no trabalho ou procurar outro emprego, se for necessário

A consultora de RH da Catho Online Daniella Correa explica que é essencial analisar bem a situação antes de tomar qualquer atitude mais radical. “Optar por pedir demissão sem ter algo em vista é um risco, já que o profissional poderá levar mais tempo do que espera para ser recolocado”. Confira a seguir a entrevista concedida pela consultora ao iG:

iG: O que uma pessoa pode fazer quando o trabalho chega a prejudicar a sua saúde?
Daniella: Chegar ao ponto de ter reações físicas devido ao trabalho é um forte indício de estresse e falta de motivação. Neste caso, é importante que o profissional realmente avalie a sua situação atual dentro da empresa e tenha uma conversa saudável com seu chefe. Nessa etapa, é imprescindível tomar uma decisão até para evitar problemas maiores de saúde e deixar as portas da empresa abertas para uma possível volta.

iG: O que deve ser considerado antes de pensar em trocar de emprego?
Danielle: Para entender se é uma boa saída mudar de emprego o profissional precisa considerar a potencialidade de crescimento na empresa em que atua, a sua satisfação e dedicação nas atividades, quais são os reais motivos de insatisfação e se é algo momentâneo ou pontual. O andamento do mercado em que a empresa atua, as novas chances que poderão surgir e os benefícios oferecidos devem ser analisados.

Além disso, é importante ter em mente que um salário ou mesmo benefícios mais atraentes não devem, sozinhos, servir como justificativa para a mudança de empresa, pois se não houver motivações profissionais o funcionário poderá novamente se frustrar. É importante que o profissional, caso não tenha recebido, peça um feedback ao seu gestor sobre as perspectivas que pode ter na empresa e quais são os pontos que poderão ser melhorados para seu desenvolvimento na organização.

iG: O que fazer quando o problema é a função desempenhada? Mudar de carreira deve ser considerado ou, antes, é melhor mudar de setor ou de empresa?
Daniella: Caso o problema seja apenas a atividade, vale a pena ter uma conversa com o gestor e entender quais são as chances de realizar outra atividade na área em que está ou mudar de área na empresa.

iG: Pedir demissão sem ter nada em vista é prudente ou a recolocação profissional será mais difícil do que se a pessoa tentá-la estando ainda empregada?
Daniella: É claro que, para o profissional focar em sua busca e comparecer às entrevistas, seria mais fácil se estivesse desempregado. Entretanto, optar por pedir demissão sem ter algo em vista é um risco, já que o profissional poderá levar mais tempo do que espera para ser recolocado e com isso ter uma série de problemas, como, por exemplo, ter que aceitar uma proposta aquém do que planejava por dificuldades financeiras.

Neste caso, o mais indicado é que a pessoa, após avaliar todos os pontos e ter certeza de que o melhor realmente é a troca de empresa, ter uma conversa franca com seu gestor e mostrar que está procurando algo, mas que irá continuar trazendo resultados até lá, com o mesmo comprometimento de sempre. Assim, a empresa terá tempo para contratar uma pessoa para aprender as atividades.

iG: O que fazer com relação a possíveis entrevistas? Como não marcá-las em horário comercial?
Daniella: O profissional poderá negociar com o selecionador o horário da entrevista e tentar agendar fora de seu expediente, explicando que ainda está trabalhando e que se preocupa em não afetar as suas atividades e resultados.

iG: Qual a melhor forma, em uma entrevista de emprego, de não abordar a insatisfação no emprego atual? Existe um meio de driblar a famosa pergunta “por que você quer sair da empresa em que trabalha”?
Daniella: O profissional poderá falar sobre a possibilidade de crescimento que identificou na oportunidade em questão e de como desenvolver um novo trabalho na empresa lhe acrescentará profissionalmente, demonstrando que busca novos conhecimentos. É sempre importante explicitar que pretende encarar novos desafios. De fato, falar mal da empresa em que atua ou do chefe não é indicado.

iG: Quais os fatores que contribuem para um ambiente de trabalho hostil que possa gerar insatisfação dos funcionários? O que o profissional pode fazer para melhorar a situação?
Daniella: Alguns fatores contribuem para um ambiente hostil são fofocas e falta de uma gestão efetiva.

Veja algumas considerações de como lidar com cada tipo de situação específica:

Fofocas - sempre que tiver algo a dizer, diga diretamente ao seu colega de trabalho. Assim, você evita que seus comentários sejam mal interpretados e retransmitidos para outros funcionários. Este tipo de informação pode se transformar em um telefone sem fio e prejudicar muito o ambiente de trabalho;

Falta de simpatia - você deve ser leal, cortês e humilde. Falar bom dia e cumprimentar os demais são atitudes que demonstram educação e respeito. A empatia é muito útil no ambiente de trabalho;
conflitos pendentes - qualquer tipo de desconforto deve ser esclarecido para evitar a discórdia no ambiente corporativo. Sempre resolva os seus assuntos com uma boa conversa, assim você evitará antipatias, fofocas e clima ruim para toda a equipe;

Não saber ouvir seus colegas - saber escutar e respeitar a opinião dos demais é fundamental. Isso irá estimular a participação e a receptividade de novas idéias;
apontar o erro do outro – é melhor ajudar a resolver o problema do que apontar quem errou. No futuro, o erro apontado poderá ser o seu;

Falta de clareza nas informações - é importante que todas as regras de conduta, metas, premiações e orientações sejam claras para evitar mal entendimentos ou dupla interpretação;


Falta de uma gestão efetiva - o gestor precisa orientar, desenvolver, acompanhar e aplicar feedbacks para que os funcionários sintam-se valorizados e tenham um norte.

Fonte iG

Quando voltar ao trabalho é motivo de doença

Ambiente hostil, conflitos não resolvidos e falta de civilidade na empresa causam até doenças e reações físicas nos funcionários

“O trabalho enobrece o homem” é apenas o mais conhecido aforismo dos muitos sobre a importância do trabalho no nosso bem-estar. Muitas vezes, além da remuneração e da independência financeira que ela proporciona, um emprego é também a oportunidade perfeita de ser reconhecido por seu talento, fazer novos amigos e estar inserido em um processo de aprendizado contínuo. Muitas vezes. Mas nem sempre.

Para muita gente, voltar para o trabalho depois do feriado do Carnaval não tem apenas aquele gostinho amargo de fim de festa: é motivo de dor, sofrimento e até doença. Problemas, cobranças, relações complicadas, a culpa por não gostar do emprego quando muita gente gostaria de estar lá e, ainda, a impossibilidade de abandonar o ganha-pão, somados, tornam-se uma arma contra a saúde emocional e física de todos que estão inseridos nestes ambientes de trabalho hostis e prejudiciais. E os conflitos não ficam restritos a estes locais. Eles ultrapassam a barreira da vida profissional e afetam o dia a dia das pessoas, chegando a prejudicar relacionamentos amorosos, com a família e amigos.

“Muitas pessoas adoecem pelo sofrimento a que são submetidas no emprego. Entretanto, é preciso saber que o trabalho pode ser fonte de prazer. Hoje em dia nossa identidade está muito relacionada com a nossa profissão. Muitas pessoas se sentem orgulhosas do que fazem pelo que representam na sociedade, e com razão. Ser produtivo é algo muito positivo que traz um ganho significante de autoestima” explica Duílio Antero de Camargo, psiquiatra e médico do trabalho do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP e membro da Comissão Técnica de Saúde Mental e Trabalho da Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Vômitos e tontura
Alguns anos atrás, a advogada trabalhista Alaíde Boschilia, 48, passou por uma experiência traumática. “Eu vomitava todos os dias antes de ir para o escritório. Sentia muita tontura e passava mal o dia inteiro. Procurei diversos médicos porque achava que era algum problema de estômago, mas descobri que não tinha nada de errado. Eu enfrentava um ambiente de trabalho terrível, mas custei até descobrir que era aquilo estava me deixando doente”.

A psicóloga clínica autora do livro “Motivação – Os Desafios da Gestão de Recursos Humanos na Atualidade (Ed. Juruá) Thalita Lacerda Nobre diz que, em geral, é possível detectar que algo está errado com alguém no ambiente de trabalho. “Dá para perceber que a pessoa tem mudanças de humor e comportamento. Passa a ficar mais irritada, dá sinais de um cansaço excessivo e adoece constantemente”.

Ironicamente, o emprego era uma das indicações para que advogada se recuperasse de uma depressão. “A minha médica me disse que eu precisava me manter ocupada porque facilitaria muita a minha recuperação. Então, eu decidi volta a trabalhar”, diz. Ela estava afastada do mercado há sete anos, porque morava fora do país. “Ir para aquele escritório foi a única oportunidade que tive naquele momento. Eu encontrei no trabalho uma razão para viver. Mesmo com todas as humilhações que eu sofria lá, tinha mais medo de ficar ociosa e enfrentar a depressão novamente”, desabafa.

Alaíde conta que ela não era um problema isolado. “Era comum ver pessoas chorando pelos cantos. Tínhamos um chefe arrogante que não aceitava opiniões diversas das suas. Ele era agressivo com todos que trabalhavam lá. Eu me achava um lixo. Ele fazia questão de deixar claro que eu não sabia fazer nada sozinha, que dependia dele para tudo”, revela.

Sua vida mudou quando recebeu outra proposta de trabalho e resolveu pedir demissão. “Até mesmo quando fui comunicar meu desligamento fui maltratada. Expliquei que ficaria um mês para que outra pessoa pudesse ocupar a minha vaga, mas ele mandou que eu me retirasse imediatamente. Depois daquilo, tudo foi diferente. No meu novo emprego eu era valorizada. Hoje, sou uma pessoa realizada, forte e segura”.

Hematomas e enxaqueca
Mas porque alguém se sujeita a uma situação como esta? A resposta, muitas vezes, é simples: a pessoa precisa do salário. Uma paulistana que prefere não revelar seu nome conta que este é o seu caso. “Atualmente, eu trabalho em um local que detesto e que me deixa doente. Tive hematomas na pele, enxaquecas recorrentes e desenvolvi uma gastrite nervosa. Sempre soube que é o trabalho que me causa tudo isto. Não tenho como pedir para sair porque preciso do dinheiro. Não compartilho dos mesmos valores da empresa e dos meus colegas de trabalho. Os conflitos não são resolvidos e todo mundo acaba se estressando”.

Ao contrário dela, nem sempre a pessoa consegue detectar que sua insatisfação com o emprego está causando prejuízos em sua vida pessoal. “Muitas vezes um médico do trabalho consegue estudar o problema e encontrar o seu foco com mais eficiência do que quem está nesta situação. O distanciamento do conflito é importante para se conseguir um diagnóstico e um tratamento adequado”, ressalta Duílio, que vai relançar o livro “Psiquiatria Ocupacional” (Ed. Atheneu).

A paulistana conta que até pouco tempo atrás estava estagnada e completamente desanimada. Presa a uma empresa que não dá valor ao seu trabalho, começou a se sentir “descartável”. A frustração acumulada acabou interferindo no seu relacionamento amoroso. “Chegou um dia que meu marido me disse que não aguentava mais ouvir minhas lamentações e meu negativismo. Ele me fez enxergar que, se eu não tomasse uma atitude, iríamos ter problemas em nossa relação”, revela. Depois disso, resolveu mudar de emprego. Ainda está procurando algo em sua área, mas já visualiza uma solução.

“Eu aceito até mesmo um salário um pouco mais baixo. Eu preciso respirar um ar novo. Não posso continuar nesta situação de adoecer por causa do trabalho. Quero me sentir útil e contribuir com a função que desempenho”, diz.

A empresa tem prejuízo
Se muita gente sofre e põe sua saúde em risco pelo emprego, por outro lado, essa dor também não é um bom negócio para o empregador. “Um funcionário desmotivado e desinteressado é ruim em vários aspectos. Ele gera custos médicos importantes com faltas e licenças. A empresa que investe em qualidade de vida no ambiente de trabalho tem ganhos financeiros significativos”, explica Thalita.

Mesmo quem não falta, não dá lucro. “Ao contrário do ‘absenteísmo’, quando a pessoa não comparece ao trabalho, existe o ‘presenteísmo’ que é estar presente, mas com sintomas leves de alguma doença ou distúrbio. Os mais comuns são dores nas articulações, dor de cabeça, alergias, asma e problemas emocionais. Muitos estudos mostram que o ‘presenteísmo’ causa um grande prejuízo”, aponta o psiquiatra.

Por tudo isto é muito importante que os gestores das empresas estejam sempre de olho nas mudanças de comportamento de seus funcionários. “A figura do líder influencia muito na motivação diária. Às vezes é difícil, mas o chefe precisa encontrar tempo para ouvir mais o que sua equipe deseja para o futuro, bem como resolver os conflitos existentes”, destaca a psicóloga.

“Na nossa realidade, é difícil escolher um emprego. São raros os casos em que a pessoa pode esperar por algo que realmente a motive. Mesmo assim, ninguém pode desistir de ter um trabalho prazeroso. O ser humano precisa sempre melhorar. Enquanto não há uma solução definitiva, procure conviver diariamente com pessoas que se importem com seu bem-estar e assim amenizar um pouco o sofrimento”, completa Thalita.

Fonte iG

8 dicas práticas para os executivos ficarem mais saudáveis

Até os minutinhos antes da reunião podem ser usados em prol do bem-estar. Veja os conselhos dos médicos

Até uma agenda apertada, lotada de compromissos profissionais, tem espaço para a prevenção de doenças. Os médicos do Hospital Albert Einstein sabem disso e, para ajudar os executivos, prepararam um manual com dicas práticas para os profissionais não negligenciarem o autocuidado.

1. Dez minutos antes de uma reunião importante, faça uma caminhada breve. Além de relaxar, é bom para organizar os pensamentos.

2. Substitua o elevador pela escada. Já é um passo na direção contrária ao sedentarismo.

3. Evite passar muito tempo sentado. O momento em que o celular toca é uma boa oportunidade para caminhar enquanto conversa no aparelho.

4. Troque, ao menos duas vezes por semana, a carne gordurosa por uma opção mais magra e aumente a quantidade de salada no prato.

5. Jamais fale ao telefone comprimindo o aparelho em um dos ombros A má postura aumenta as dores nas costas e também a tensão na região.

6. Reserve alguns minutinhos para fazer uma caminhada pela empresa. Vá, de escada, tomar um café em outro andar e faça alongamento a cada uma hora, na cadeira.

7. Estabeleça um horário para desligar computador, celular, notebook e tablet. Nem que seja uma hora por dia. Desconectar faz bem à mente.

8. Ao sentir uma ansiedade muito forte, trabalhe a respiração profunda. Ela tem efeito calmante e evita a liberação de hormônios nocivos ao coração.

Fonte iG