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domingo, 19 de agosto de 2012

Nova combinação de drogas reduz o risco de mãe transmitir HIV a bebê

Estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que uma nova combinação de drogas reduz o risco de uma mãe soropositiva transmitir o vírus para seu bebê. O resultado modifica o padrão mundial de tratamento para prevenção da chamada transmissão vertical do HIV, segundo a Fiocruz.

A pesquisa foi realizada com 1.684 crianças tratadas em 17 hospitais da África do Sul, da Argentina, dos Estados Unidos e do Brasil. É aplicável apenas nos casos de bebês considerados de alto risco, quando as mães não receberam o coquetel antiaids durante a gravidez. Com a primeira dose aplicada à criança em até 48 horas após o parto, o resultado é duas vezes mais eficaz que a terapia até então usual, com o antirretroviral AZT.

Das crianças que participaram do estudo, 70% eram vinculadas a instituições brasileiras. A responsável pela coordenação no Brasil foi a infectologista e diretora do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), Valdilea Veloso.

Ela disse que o trabalho foi planejado com base em uma necessidade da população brasileira. "O foco era a população mais vulnerável, com menos acesso ao sistema de saúde." Valdilea lembrou que o risco de um bebê se infectar quando a mãe recebe corretamente o tratamento antirretroviral durante a gestação é mínima (menos de 1%).

Nesses casos, portanto, não há necessidade de combinação de drogas. O problema é quando se descobre que a mãe é portadora do vírus já perto do parto, sem um planejamento precoce.

Risco. Segundo Karin Nielsen-Saines, coordenadora-geral do estudo, crianças nascidas de mães que não receberam terapias antirretrovirais têm 25% de risco de serem infectadas durante a gravidez ou o parto. Essa possibilidade aumenta para cerca de 40% quando os bebês são amamentados.

A orientação considerada mais eficaz de prevenção da transmissão para recém-nascidos até a conclusão do estudo era usar o antirretroviral zidovudina (AZT). No entanto, os resultados mostraram que combinações de dois ou três antirretrovirais (nevirapina, nelfinavir e lamivudina) são duas vezes mais eficazes para o corte da transmissão do HIV.

Valdilea disse que houve uma preocupação para que o tratamento fosse simples e rápido. Em um dos casos analisados, são necessárias apenas três doses. "O custo (adicional) é desprezível quando se pensa na proteção da criança."

Para o estudo, foram selecionados recém-nascidos de mães soropositivas que descobriram ter a doença pouco antes do parto e, por isso, não foram tratadas com AZT durante a gestação. As crianças foram separadas em três grupos e receberam diferentes combinações dos medicamentos: o primeiro grupo, com 566 crianças, somente AZT; o segundo, com 562, AZT e nevirapina; e o terceiro, com 556, AZT, nelfinavir e lamivudina.

Redução. A primeira dose foi ministrada nas 48 horas iniciais de vida do bebê, com continuidade do tratamento por seis semanas. Do total de crianças participantes, 140 foram infectadas antes da administração dos antirretrovirais: em 97, a transmissão ocorreu durante a gestação e, em 43, no parto.

Após três meses de acompanhamento, a transmissão ocorreu em 4,8% dos bebês que receberam somente AZT, mas apenas em 2,2% entre os que receberam AZT e nevirapina, e em 2,4% dos que tomaram AZT, nelfinavir e lamivudina.

A terapia com duas drogas, aplicada ao segundo grupo, foi menos tóxica quando comparada com a de três antirretrovirais.

O projeto foi iniciado há dez anos e está em sua primeira fase. "Nosso ensaio clínico resulta do grau mais forte de evidência científica", disse Valdilea. O estudo foi publicado na revista científica americana The New England Journal of Medicine.

Fonte Estadão

Medicina personalizada ganha força com avanços da tecnologia genômica

Hospitais investem em novas máquinas de sequenciamento para acelerar a customização do diagnóstico e do tratamento do câncer, usando características genéticas dos tumores para selecionar drogas e técnicas mais eficientes

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

Frederico e Griselda são os dois "funcionários" que mais trabalham no novo Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-libanês. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, literalmente, lá estão eles, processando amostras de DNA numa sala supergelada, com ar condicionado ligado a 14 °C constantes, nos fundos do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do hospital.
 
 
É assim que os cientistas veem as alterações cromossômicas detectadas no genoma do tumor - Galante et. al
Galante et. al
É assim que os cientistas veem as alterações cromossômicas detectadas no genoma do tumor

Estes são os apelidos dos dois aparelhos sequenciadores, de US$ 600 mil cada, que dão apoio às pesquisas de medicina personalizada no laboratório, inaugurado em abril. Mais um forte indicador de como o avanço superveloz das técnicas de sequenciamento genético está desencadeando uma lenta, porém consistente, revolução na medicina como um todo e na oncologia, mais especificamente.

Cada máquina tem capacidade para sequenciar o genoma inteiro de uma pessoa em até dez dias - algo inimaginável até poucos anos atrás. Mas não é exatamente nisso que os pesquisadores estão interessados, apesar de já ter muita empresa por aí vendendo sequenciamento como se fosse uma apólice de seguro contra todo tipo de doença. As amostras de DNA entregues a Frederico e Griselda são oriundas de células tumorais, nas quais os cientistas buscam mutações específicas que possam servir como marcadores genéticos da doença.

Marcadores específicos não só para cada paciente, mas para cada tumor individual. "O tumor já é personalizado por natureza. Falta a gente personalizar o tratamento", diz o bioquímico Luiz Fernando Lima Reis, diretor do IEP. Ele refere-se ao fato de que cada paciente tem um tumor diferente de qualquer outro, refletindo uma combinação única de alterações genéticas e de interações bioquímicas do genoma com o organismo e com o ambiente de cada indivíduo.

Algumas mutações são herdadas, outras são consequência natural do envelhecimento, outras são induzidas por fatores "ambientais", como o fumo ou a exposição excessiva à radiação solar.

Independentemente de como foi plantada a semente, porém, a raiz do câncer é sempre genética.

E assim como duas árvores da mesma espécie e muito parecidas podem ter raízes distribuídas de forma muito diferente pelo solo, dois pacientes diagnosticados com a mesma doença e com sintomas muito semelhantes podem ter tumores com raízes genéticas completamente diferentes espalhadas por seus genomas. O que significa que suas doenças, ainda que dadas o mesmo nome, vão evoluir de forma diferente e responder a determinados medicamentos de formas diferentes.

Um conceito que se tornou óbvio para médicos e cientistas nos últimos dez anos, à medida que as tecnologias desenvolvidas para sequenciar o genoma humano foram ficando mais rápidas, eficientes, baratas e acessíveis. Daí nasceu a promessa da "medicina personalizada", que adota o sequenciamento genético como sua ferramenta básica de trabalho.

Em várias situações, já é possível customizar o tratamento de pacientes com câncer com base na presença ou ausência de determinadas alterações genéticas. No câncer de pulmão, por exemplo, sabe-se que pacientes portadores de uma mutação no gene EGFR respondem muito bem a drogas inibidoras de EGFR (Receptor do Fator de Crescimento Epidermal, em inglês), enquanto que tumores com mutações no gene K-RAS são resistentes a essas mesmas drogas. "Em vez de testar vários remédios, você dá o remédio certo logo da primeira vez", explica Reis.

Ótimo, mas não suficiente. Além de escolher o melhor tratamento, cientistas agora querem usar a genômica para monitorar a recuperação dos pacientes e garantir que o câncer, uma vez "curado", não retorne mais tarde de forma sorrateira, sem ser percebido, como muitas vezes acontece.

Monitoramento
Nesse cenário, um dos projetos do Centro de Oncologia Molecular é usar a genômica personalizada para desenvolver métodos de detecção supersensíveis, capazes de denunciar a presença de tumores "invisíveis" - pequenos demais para serem vistos até numa tomografia -- com base em uma amostra de sangue. A denúncia, neste caso, não é anônima: vem com o nome e o retrato falado do suspeito, identificado pelas mutações específicas que aquele tumor utiliza para funcionar.
Imagine a seguinte situação: Um paciente com câncer de reto faz quimioterapia e radioterapia e, ao fim do tratamento, uma análise clínica conclui que não há mais vestígios do tumor naquele local. Do ponto de vista clínico, o paciente está curado.

O que seria motivo para comemoração apenas, porém, marca também o início de um dilema. O procedimento padrão é retirar o reto assim mesmo, por precaução - uma cirurgia complicada e com impactos profundos na qualidade de vida do paciente. A pessoa pode optar por não operar, mas há sempre o risco de o câncer voltar, pois sempre podem sobrar algumas células tumorais que os exames clínicos não conseguem detectar.

É com esse tipo de caso que os pesquisadores estão trabalhando para desenvolver um método de detecção precoce de tumores via sequenciamento. "O objetivo é prever a volta do tumor antes mesmo que ele seja detectável clinicamente", explica a geneticista Anamaria Aranha Camargo, coordenadora do centro e diretora do Instituto Ludwig para Pesquisa do Câncer no Brasil.

O primeiro passo é obter uma amostra do tumor. O segundo é sequenciar o genoma das células tumorais. O terceiro, e mais trabalhoso, é identificar, com base nesse sequenciamento, marcadores moleculares que sejam específicos daquele tumor e permitam diferenciá-lo das células sadias do organismo. "Tiramos uma impressão molecular do tumor, como se fosse a impressão digital de uma pessoa doente", compara Anamaria.

Os marcadores selecionados não são mutações pontuais na sequência de DNA, mas alterações cromossômicas chamadas translocações, em que pedaços de um cromossomo se fundem com outro cromossomo - algo que não ocorre em células sadias e pode ser detectado com facilidade via sequenciamento.

Detecção
Por menor que seja, à medida que um tumor se desenvolve ele libera DNA e células tumorais na corrente sanguínea, que carregam a "impressão molecular" da doença. Com as tecnologias modernas de biologia molecular, é possível rastrear e amplificar (produzir milhões de cópias) desse "DNA circulante" do sangue com facilidade. Se a impressão molecular do tumor estiver circulando por ali, é fato que ela será detectada.

"Com o custo do sequenciamento caindo cada vez mais, já é hora de começarmos a fazer isso", argumenta Anamaria. Seu grupo, que trabalha em parceria com a médica Angelita Habr-Gama, está testando a metodologia em amostras de tumor e sangue de sete pacientes que tiveram câncer de reto.

Um deles passou por terapia, continuou com o tumor, e fez a cirurgia para remoção do reto. Outro passou pela terapia, ficou sem sinais clínicos de tumor, mas optou por retirar o reto assim mesmo.

(Neste caso, uma análise posterior do órgão retirado confirmou que o tumor realmente havia desaparecido - ou seja, a cirurgia não era necessária e poderia ter sido evitada se o teste molecular já estivesse disponível.)

Os outros cinco pacientes tiveram resposta clínica positiva ao fim do tratamento e, após vários meses, três continuam sem sinais clínicos da doença e dois tiveram recidiva e foram obrigados a operar.

Com o apoio de Frederico e Griselda - e de uma equipe robusta de biólogos e bioinformatas - Anamaria já mapeou as translocações dos sete pacientes e espera ter esses dados confirmados nas próximas semanas. Em seguida, vai procurar por essa "impressão digital" nas amostras de sangue e ver se os resultados moleculares batem com o que foi observado clinicamente. No sangue do paciente que retirou o reto sem necessidade, por exemplo, espera-se não encontrar nenhum vestígio de DNA tumoral circulante. "A avaliação da eficácia do tratamento é fundamental numa situação como essa", aponta Anamaria.

Apesar da metodologia estar sendo testada em câncer de reto, se comprovada, ela tem potencial para ser aplicada em uma grande variedade de tumores. Essencialmente, em qualquer situação clínica em que haja risco de recidiva. E também para detectar a presença de metástases - tumores secundários, derivados do tumor principal, que podem permanecer escondidos em outros órgãos depois que o foco da doença foi eliminado. Uma vez registrada a impressão molecular do suspeito, basta procurar por ele - ou por seus filhos - numa amostra de sangue. "Se o DNA tumoral estiver no sangue, pode procurar que em algum lugar ainda tem tumor", conclui Reis.

Fonte Estadão

Saiba como escolher o adoçante adequado

Especialista analisa os tipos disponíveis no mercado brasileiro

Entre os diferentes tipos de adoçantes presentes no mercado, qual é o mais indicado quando se leva em conta a condição de saúde da pessoa, seu estilo de vida e paladar? A nutricionista Camila Torreglosa, Hospital do Coração, esclarece o assunto para você.

— Apesar de todos os adoçantes terem o mesmo objetivo, que é substituir o açúcar, cada tipo de adoçante tem sua peculiaridade. Por isso é importante que o consumidor tenha conhecimento — afirma.

Sintetizado a partir de edulcorantes, o adoçante pode conter substâncias naturais ou artificiais, responsáveis pelo sabor adocicado e provenientes de matérias-primas como aminoácidos, produtos sintéticos e derivados da cana.

— Um dos grandes benefícios do adoçante é a baixa quantidade de açúcar, principalmente quando comparado ao açúcar, que tem 4 calorias por grama. Ele pode ser utilizado como um aliado no tratamento da obesidade, contudo é preciso também uma mudança nos hábitos alimentares e a prática de esporte — diz Camila.

O uso de alguns tipo de adoçantes, em especial os artificiais, geram polêmicas. Há quem diga que eles podem causar diversos tipos de problemas, como o câncer.

— Não existem evidências científicas conclusivas sobre os malefícios do uso do adoçante, mas é preciso respeitar o limite de consumo diário que vem descrito na embalagem — destaca a nutricionista.

Segundo ela, gestantes, lactentes, crianças e pessoas com restrições alimentares precisam de orientação médica para a escolha do adoçante ideal. Pessoas com hipertensão arterial, que precisam controlar o consumo de sódio, devem utilizar com cuidado adoçantes como o ciclamato ou a sacarina, que possuem altos níveis deste mineral em sua composição.

— Hoje no Brasil temos também alguns produtos que misturam o açúcar ao adoçante, então é importante que o consumidor faça a leitura do rótulo do produto para que encontre o produto que vá atender as suas necessidades.

::: Adoçantes naturais
:: Frutose
Extraído de frutas e do mel, é mais doce que o açúcar, contém grande quantidade de calorias e eleva os níveis de açúcar no sangue, não sendo indicado para diabéticos e para dietas.

:: Esteviosídeo
Extraído de uma planta nativa da América do Sul (stevia rebaudiana) tem um sabor próximo ao açúcar, não possui calorias e não altera os níveis de açúcar no sangue.

:: Sorbitol
É encontrado em algumas frutas, como a maçã e a ameixa, e em algas marinhas. Possui valor calórico e não é recomendado para diabéticos. É mais utilizado em chicletes, balas e biscoitos. Tem ação laxativa;

::: Adoçantes artificiais
:: Aspartame
Tem grande poder adoçante (200 vezes superior ao açúcar). Não contém calorias e seu uso é permitido para diabéticos. Embora algumas pesquisas associem seu uso à ocorrência de câncer e Mal de Alzheimer, não há comprovação científica.

:: Sacarina
Criada em 1879, ela é sintetizada a partir do ácido toluenossulfônico, derivado do petróleo. Deixa um sabor residual amargoso e metálico, mas não contém calorias e pode ser usada por diabéticos. Por conter sódio, é contraindicada para hipertensos. Pesquisas associavam o uso da sacarina ao surgimento de câncer, mas sem evidências conclusivas.

:: Ciclamato de sódio
Provém do ácido ciclo hexano sulfâmico, derivado do petróleo. Assim como a sacarina, não possui calorias e pode ser usado por diabéticos, mas também é contraindicado para hipertensos. É encontrado em refrigerantes zero e adoçantes. Pesquisas científicas apontam que o consumo de ciclamato pode causar câncer e tumores, e por conta disso, disso foi proibido em países como EUA, Japão e França.

:: Sucralose
É extraído da cana de açúcar e modificado para não ser absorvido pelo organismo humano. Tem um sabor similar ao do açúcar, não contém calorias, não causa cáries, não eleva a glicemia, podendo ser consumido por diabéticos, gestantes e hipertensos. É vendido como produto adoçante e está presente em alimentos de baixa caloria.

Fonte Zero Hora

Hábito de limpar os ouvidos de forma incorreta pode causar sérias lesões no tímpano

Com o uso do cotonete, a cera é empurrada para o fundo do canal auditivo, podendo provocar obstrução

Se você faz parte da grande parcela da população que tem o hábito de limpar os ouvidos com hastes flexíveis, popularmente conhecidas como cotonetes, é bom ficar atento. Apesar de ser uma prática comum, poucos sabem que remover a cera do canal auditivo externo gera diversos riscos, como otites e até sérias lesões no tímpano.

Há quem ignore o fato de que o cerume tem um papel fundamental, entre eles a função antimicrobiana — ou seja, a capacidade de eliminar grande parte das bactérias e outros germes que venham a entrar no canal auditivo. Além de proteger e lubrificar o canal auditivo externo.

— A cera possui uma natureza pegajosa que aprisiona objetos estranhos e previne o contato direto com diversos organismos, poluentes e insetos. Ajuda também a diminuir os riscos de infecção — afirma a fonoaudióloga Maria do Carmo Branco.

Sem essa proteção natural, ocorre um ressecamento na região e, consequentemente, o canal auditivo torna-se vulnerável.

— Quando se usa o cotonete, a secreção é empurrada para o fundo do canal auditivo e pode provocar uma obstrução que acarreta em diminuição de energia na passagem do som. O interior do canal tem células com pequenos pelos denominados cílios, que tem como uma das funções a de empurrar para fora a cera excessiva. Se a cera não for expulsa e se acumular no fundo do ouvido, vai provocar danos — explica a especialista.

O otorrinolaringologista Carlos Freire, da Universidade de São Paulo (USP), diz que a maioria dos médicos desaconselha o uso de cotonete.

— Feito de forma incorreta, ele pode compactar o cerúmen no fundo do ouvido, que só é removido por meio de lavagem feita por um médico ou com medicamentos que promovem a liquefação da cera, facilitando a remoção.

Como limpar sem agredir
:: A melhor maneira de limpar os ouvidos sem prejudicá-los é utilizar uma toalha logo após o banho, até onde o dedo alcança — e não vale o dedo mínimo.

:: Se for usar hastes flexíveis (cotonetes), cuide para limpar com cuidado, apenas por fora, sem empurrar no canal auditivo.

:: Em alguns casos, há a possibilidade de ocorrência da diminuição da audição devido à existência de excesso de cera. Neste caso, a secreção precisa ser retirada por um especialista com lavagem ou aspirações — processos realizados com instrumentos especiais que não agridem os ouvidos.

Fonte Zero Hora

Licença médica para tratar alcoolismo bate recorde no País

Em março foram concedidos 4.120 benefícios, uma média de cinco por hora. Aumento de afastamentos do emprego nos últimos seis anos foi de 69,6%

O mês de março fechou com um recorde histórico de licenças médicas concedidas para trabalhadores, de todos os setores, se tratarem de dependência química.

Em 31 dias, 4.120 benefícios previdenciários do tipo foram registrados pelo governo federal, uma média de cinco afastamentos por hora.

O levantamento feito nos bancos de dados do Ministério da Previdência Social mostra que o aumento é anual e gradativo. Entre 2006 e 2011, o crescimento acumulado de licenças nesta categoria foi de 69,9%, pulando de 24.489 para 41.534 no último ano.

Na comparação, os afastamentos por dependência química cresceram mais do que o dobro da elevação registrada de postos de trabalho com carteira assinada no País. Enquanto os empregos formais tiveram alta de 6% entre 2010 e 2011 (segundo o IBGE), as licenças deste tipo ampliaram 13,9% no mesmo período.

Evolução de licenças trabalhistas
Dependência química cresce entre os motivos para o afastamento do trabalho

O álcool é a locomotiva do aumento, sendo a droga que mais aparece como responsável por afastar do trabalho por mais de 15 dias médicos, advogados, funcionários da construção civil, professores e todos outros empregados com carteira assinada. Em seguida, probleas com cocaína, maconha e medicamentos calmantes são apontados como motivos para os afastamentos.

Para o diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência, Cid Pimentel, a ampliação de licenças por uso compulsivo de substâncias entorpecentes evidencia três fenômenos: “Há um evidente aumento do consumo de drogas pelos brasileiros e isso repercute, de forma devastadora, no desempenho profissional”, diz.

“Mas há também uma maior sensibilização por parte das empresas em reconhecer a dependência química como uma doença e não mais como uma falha de caráter. Outra influência no aumento é o fato da notificação estar mais precisa. Antes os casos ficavam escondidos”, explica Pimentel.

A vendedora Alice, 20 anos – atualmente em tratamento em uma clínica de reabilitação particular – confirma que bebeu durante o expediente por anos até ser convidada pelo chefe a buscar ajuda especializada. Acredita que muitos clientes sentiam o cheiro etílico das doses de pinga e cerveja, que começava a beber às 10h.

“Meu chefe falou comigo. Disse que me daria todo apoio caso eu procurasse ajuda médica e que poderia voltar a trabalhar depois de recuperada. Eu aceitei a oferta, pedi licença médica de três meses, mas tenho medo de não ter mais trabalho quando sair.”

Portas fechadas
O medo de Alice não seria justificado pelas leis trabalhistas, que garantem 180 dias de estabilidade após tratamento médico. Mas na prática, afirma o coordenador da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas, Juliano Marfim, ainda há muitas dispensas após a alta dos dependentes.

“Há um preconceito muito forte por parte dos empregadores e, após o tratamento, as demissões são constantes”, afirma.

“Nos nossos cursos de formação de terapeutas para tratar de dependentes químicos, temos um número muito alto de ex-usuários que simplesmente não conseguiram voltar para as suas funções de origem. Eu mesmo, que estou em abstinência há 5 anos, não consegui mais trabalho na área administrativa, onde sempre atuei. Acabei trabalhando com as drogas.”

Mauro, 41 anos, limpo há 9 meses, também não voltou mais para o ramo comercial.

“As portas se fecham”, diz ele que agora trabalha na recuperação de ex-usuários.

“Essa postura por parte das empresas precisa e deveria mudar. Porque a pessoa para conseguir sustentar o vício acaba desenvolvendo algumas habilidades de sedução, de improvisação, de convencimento, por exemplo, que podem ser revertidas positivamente e exploradas no mercado de trabalho”, acredita Marfim.

Rede de apoio
Apesar das dificuldades relatadas pelos ex-dependentes para voltar ao mercado de trabalho, algumas empresas decidiram criar uma rede de apoio para acolher os profissionais envolvidos com álcool e drogas.

Por meio das equipes de recursos humanos e de médicos do trabalho, as instituições fazem a abordagem de funcionários com indícios de abuso de drogas lícitas e ilícitas e estendem a oferta de terapia de reabilitação também às famílias. É o que conta Carlos Netto, diretor de gestão de pessoas do Banco do Brasil, uma das empresas citadas como referência pela Previdência Social na área de atendimento da dependência química.

“Um dos nossos focos de atuação é a reinserção do profissional encaminhado ao tratamento”, conta Netto.

“Ele é gerenciado por nossas equipes e, em alguns casos, realocado em outros setores, ficando mais próximo de casa. Entendemos que o trabalho é um mecanismo importante na recuperação, garante não só a renda mas a autoestima.”

Relação com a profissão
A dependência de álcool é uma doença de múltiplas causas, influenciada pela genética, pelos hábitos, pela história de vida e também pela ocupação prossifional. Os cientistas ainda não conseguem responder com plena certeza as razões concretas que levam uma pessoa ficar viciada, mas as pesquisas encontram cada vez mais um elo com a profissão exercida.

A última publicação que coloca luz nesta relação foi feita por médicos canadenses. Realizado com 10.155 trabalhadores, o estudo avaliou as contribuições da posição hierárquica dentro da empresa e das condições de trabalho, como salário, estresse e demandas físicas e psicológicas, para o consumo indevido do álcool no ambiente de trabalho.

De acordo com estudiosos do Centro de Informações sobre Álcool (Cisa) do Brasil – que avaliaram os resultados – “o cargo profissional é sugerido como um importante fator motivador para o uso e abuso do álcool, muito mais influente do que as condições de trabalho.”

Executivos, diretores e administradores de altas gerências (“upper managers”) formam um grupo com padrão de consumo de alto risco, com propensão de beber exageradamente (10 ou mais doses para mulheres, e 15 ou mais doses para homens) 139% maior do que a apresentada pelos trabalhadores abstêmios ou que não haviam bebido na semana anterior à pesquisa.

No Brasil, inquérito feito pelo Ministério da Saúde já havia constatado que as pessoas com maior escolaridade são as que mais exageram no consumo etílico. Os dados mostram que 20,1% dos adultos com mais de 12 anos de estudo bebem acima da média, índice que cai para 15,9% entre os menos instruídos (com até 8 anos de estudo).

Ainda que a dependência química tenha impacto crescente no ambiente de trabalho, esta doença não figura entre as 10 que mais afastam trabalhadores. No ranking, dor nas costas é a primeira entre os benefícios previdenciários concedidos. Conheça as outras:
  1. Dor nas costas ocupa o primeiro lugar
  2. Dor no joelho aparece como segundo motivo dos afastamentos
  3. Hérnia inguinal afasta 80 mil pessoas por ano e está em 3º lugar
  4. Depressão está em 4º lugar no ranking de afastamentos
  5. Mioma uterino aparece em 5º lugar entre os afastamentos
  6. Varizes também estão no ranking, na sexta posição
  7. Doença isquêmica do coração ocupa a 7ª posição
  8. Hemorragia na gravidez também afasta muitas mulheres do trabalho e está na oitava posição
  9. Câncer de mama está na 9ª posição da lista de afastamentos
  10. Na décima posição está a chamada bexiga caída
Fonte iG