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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Nova droga para o câncer de próstata traz resultados promissores

Medicamento reduziu mortalidade e adicionou qualidade de vida aos pacientes

Estudo publicado na revista científica New England Journal of Medicine revela resultados promissores de uma nova droga para o tratamento de câncer de próstata, denominada de Enzalutamida. O estudo conhecido como Affirm Trial incluiu 1.199 homens com câncer de próstata metastático que não responderam ao tratamento tradicional, conhecido como "castração", que significa a diminuição nos níveis de hormônio masculino no organismo (testosterona) através do uso de medicamentos ou pela remoção cirúrgica dos testículos, já tratados com quimioterapia.

Da amostra, 800 pacientes receberam a medicação Enzalutamida e 399 tomaram placebo. O grupo tratado com a nova droga obteve uma média de sobrevida de cinco meses a mais do que o grupo do placebo com uma redução de 37% no risco de morte.

Além disso, todos os escores referentes à qualidade de vida, incluindo a dor, revelaram melhoras para os pacientes tratados com a nova droga, bem como a maioria dos pacientes foram beneficiados nos primeiros três a seis meses de tratamento. A droga também revelou menos efeitos colaterais que outras existentes no mercado.

De acordo com o oncologista Luiz Bruno, do Instituto do Câncer Mãe de Deus, a Enzalutamida bloqueia os receptores da testosterona nas células cancerosas, gerando a sua morte.

— O mecanismo utilizado por essa droga é totalmente novo e sobrepassa a resistência do tumor aos tratamentos hormonais tradicionais — comenta.

O especialista acrescenta que a inovação que essa droga traz é adicionar tempo de vida com qualidade.

— Empregada em sequência ou combinada às demais drogas igualmente ativas, acena com a possibilidade de que o câncer de próstata possa ser uma doença crônica controlável com medicamentos no futuro, como já ocorre em outros tumores — conclui o médico.

Fonte Zero Hora

Pesquisa identifica lesões mais comuns entre praticantes de corrida

A corrida ganha cada vez mais adeptos e, com o aumento da sua popularidade, crescem também as incidências de lesões musculoesqueléticas. Joelhos, pés, pernas, tornozelo e coluna são as áreas do corpo mais afetadas, de acordo com pesquisa realizada por professores e alunos do Programa de Mestrado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo — Unicid.

A pesquisa descreve hábitos, características de treinamento, histórico de lesões e suas possíveis associações entre 200 corredores recreacionais. O levantamento foi realizado com pessoas que correm por lazer há pelo menos seis meses. A maioria era homem (73%), com idade média de 43 anos e volume de treino de 35 quilômetros semanais.

Os pesquisadores verificaram que quem corre há mais tempo tem menos lesões musculoesqueléticas.

— Esse resultado pode estar relacionado com pessoas que, com a experiência, se adaptaram ao esporte e agora entendem melhor o seu corpo e, com isso, criaram um fator de proteção — explica Alexandre Dias Lopes, professor da Unicid.

Dentre os avaliados, 55% relataram alguma lesão musculoesquelética ocorrida nos últimos 12 meses. Os problemas mais recorrentes foram tendinopatias e lesões musculares. Para o estudante Luiz C. Hespanhol Junior, que participou da pesquisa, esses dados indicam um alerta aos participantes do esporte.

— É importante que eles procurem o acompanhamento de um especialista da área da saúde para saber as consequências e soluções para os sintomas — afirma.

O projeto terá continuidade com novas análises que servirão como base de implementação de estratégias de prevenção para profissionais de saúde, permitindo ações efetivas para reduzir as lesões musculoesqueléticas.

Fonte Zero Hora

Tradicional na infância dos adultos, bicicleta perde espaço para tablets e videogames entre as crianças

Em vídeo, veja o que os pequenos e seus pais têm a dizer sobre o momento de tirar a rodinha
 

A infância de muito adulto foi de diversão sobre as duas rodas (às vezes, quatro) de uma bicicleta. Estima-se que a frota de bikes hoje no Brasil seja de 70 milhões de unidades — uma para cada três brasileiros. Ainda assim, há quem diga que a magrela não está mais entre as preferências da criançada. A culpa seria dos eletrônicos, que, de certa forma, estariam substituindo o passeio de bici na pracinha.
 
Com o sucesso de tablets, videogames e smartphones entre a gurizada, muitos pais têm deixado de estimular que seus filhos aprendam a pedalar. Agendas lotadas ou falta de segurança estão entre as principais justificativas.
 
 
Em algumas lojas da capital gaúcha, a queda nas vendas e os relatos dos consumidores sugerem que as crianças estão andando menos de bicicleta, afirma Fernando Barrionuevo, gerente de um estabelecimento na Avenida Ipiranga. Segundo ele, hoje em dia quem mais pedala são os adultos, para transporte e deslocamento até o trabalho.
 
— A maior parte das vendas de bicicletas de aros 16 e 20, voltadas a crianças de até 12 anos, é para pais que tentam tirar os filhos de casa — observa Barrionuevo.
 
Apesar da rotina dos adultos reservar pouco tempo aos passeios de bike com os filhos hoje em dia, há quem defenda que esse é um hábito que nunca sairá de moda. De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), José Eduardo Gonçalves, apesar do movimento pró-bike ter mobilizado mais os grandinhos, as crianças também acabam pegando carona nessa onda. Dados da entidade mostram que as vendas de produtos infantis representam, atualmente, 32% do total do consumo nacional.
 
A introdução das crianças no uso da bicicleta depende muito dos pais. Quando levadas nas cadeirinhas da bike dos adultos, as crianças são estimuladas desde cedo a gostar do hábito. Segundo a gerente de vendas de uma loja da Capital, Simone Santos, as crianças pegam gosto pelo pedal ao observar o hábito de seus responsáveis e de outros a sua volta. Mas concorda que a concorrência é grande:
 
— É muito mais cômodo para os pais colocar a criança na frente da TV. Mas a diversão sobre duas rodas é atemporal.
 
Mãe dos pequenos Rômulo Augusto, três anos, e Maria das Graças, cinco anos, Ana Cristina Figueiró presenteou os filhos com bicicletas em junho de 2011. O objetivo era estimular atividades de convívio social externo e evitar que os hábitos mais sedentários dominassem a rotina dos dois. Com apoio das rodinhas, eles se divertem entre uma ida à pracinha e outra. A mãe tem boas lembranças da época em que a bicicleta era sua principal diversão. E torce:
 
— Tomara que eles peguem gosto pela coisa.
 
O desafio de tirar as rodinhas da bicicleta: veja o que os pequenos têm a dizer



Fonte Zero Hora

Tomografia computadorizada é mais eficaz que cateterismo para o diagnóstico de doença coronária

São Paulo - Um estudo internacional, que conta com a participação do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e de instituições de outros sete países, apontou que o exame em tomografia computadorizada de 320 cortes (TC 320) pode diagnosticar com mais precisão quais as pessoas que apresentam um quadro de dor torácica, sem diagnóstico de infarto, que vão necessitar de tratamento invasivo tal como uma angioplastia cardíaca ou uma cirurgia, procedimentos utilizados para restaurar o fluxo normal de sangue para o coração comprometido por uma obstrução nas artérias do órgão.

Atualmente, segundo o Incor, esse diagnóstico é feito com a utilização de dois exames: o cateterismo, que serve para identificar a existência e grau de obstrução das artérias do coração e a cintilografia com stress, que avalia se a obstrução está impedindo a chegada de sangue ao músculo cardíaco. No entanto, esses dois exames expõe o paciente a um maior nível de exposição à radiação e a risco de complicações. A utilização da TC 320 reduz até a metade a radiação a que ele é exposto em comparação aos outros dois exames.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador da pesquisa no Incor e especialista em diagnóstico por imagem do hospital, Carlos Rochitte, disse que há outras vantagens na utilização da TC 320. “Com essa técnica, é um único exame, não invasivo, de 20 minutos”, falou.

Além disso, o custo do exame feito com a TC 320 é menor. De acordo com o Incor, o custo do cateterismo gira em torno de R$ 8 mil (R$ 6 mil pelo exame e mais R$ 2 mil de honorários médicos) e, da cintilografia com estresse, R$ 1,9 mil. O custo da tomografia computadorizada de 320 cortes fica em torno de R$ 3,3 mil.

Pessoas com dor no peito, mas não estão sofrendo um ataque cardíaco, formam o perfil do paciente que poderá se beneficiar do exame com a TC 320. “O paciente (indicado para o exame), basicamente, é aquele que tem suspeita forte de doença coronária, de meia idade, com colesterol alto, que fuma”, falou.

O estudo, que teve início no final de 2009, foi realizado em 16 hospitais de oito países e tem a coordenação da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos. “A importância do estudo é justamente o de poder identificar o paciente que realmente precisa ser tratado. Esperamos selecionar melhor os pacientes”, ressaltou o médico.

Rochitte não sabe estimar em quanto tempo esse exame poderá ser utilizado pelos hospitais brasileiros para diagnosticar uma doença coronária. “No Brasil, o InCor e o Einstein (Hospital Israelita Albert Einstein) têm esse equipamento e condições de fazer imediatamente. Os outros hospitais vão depender de se atualizarem ou de adotarem o protocolo para os equipamentos que contam no momento. Um dos projetos nossos para o futuro é de tentar expandir esse protocolo para os equipamentos que estão mais disponíveis como o TC 64 (que, segundo o Incor, trata-se de uma geração anterior do equipamento e está disponível praticamente em todos os hospitais de primeira linha públicos e privados do país)”, explicou.

O médico também vê uma possibilidade forte de que a realização desse exame possa ser coberta futuramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Esperamos poder colocar isso no SUS o mais rápido possível”, disse.

Os 381 pacientes que participaram do estudo, 99 deles do Incor, vão continuar sendo acompanhados pelos pesquisadores por um prazo de cinco anos.

Fonte Agência Brasil

Testamento vital pode ser feito mesmo por pessoas saudáveis

Brasília - O Conselho Federal de Medicina publicou na última sexta-feira (31) resolução considerada um avanço pelos médicos. É a diretiva antecipada de vontade. Isso quer dizer que qualquer pessoa maior de 18 anos ou emancipada poderá registrar sua opção por não receber determinados tratamentos, caso enfrente uma situação de doença terminal. O chamado testamento vital pode ser feito em qualquer momento da vida, por pessoas saudáveis ou não, mas que estejam com inteiro poder de suas faculdades mentais.

Os procedimentos a serem dispensados deverão ser discriminados no testamento vital, como por exemplo o uso de respirador artificial (ventilação mecânica), tratamentos com remédios, cirurgias dolorosas e extenuantes ou mesmo a reanimação em casos de parada cardiorrespiratória.

Esta decisão deve ser manifestada em conversa com o médico, que a registrará no prontuário do seu paciente. Não é necessário haver testemunhas e o testamento só poderá ser alterado por quem o fez. O interessado pode ainda procurar um cartório e eleger representante legal para garantir o cumprimento do seu desejo.

Este recurso poderá ser usado em casos de doenças crônicas, em pacientes terminais, mas a resolução do Conselho Federal de Medicina terá que ser discutida entre os médicos para que eles possam definir o que fazer em outros casos, como, por exemplo, acidentes.

De acordo com Herman Alexandre Von Tiesenhausen, médico especializado em atendimento nas unidades de tratamento intensivo e membro do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, de forma geral, os médicos priorizavam a vontade do paciente, porém, esta resolução traz a forma e os limites da dispensa de procedimentos. Ele ressalta que nada muda com relação à eutanásia, que continua ilegal no Brasil.

Anelise Buschken, médica e coordenadora da Enfermaria de Cuidados Paliativos do Hospital de Apoio do Distrito Federal, ressalta que a resolução é extremamente positiva, mas as pessoas precisam de muita informação. “Antes de o paciente tomar uma decisão, ele tem quer ser informado sobre as suas possibilidades, quais as consequências dos procedimentos e quais as consequências de abdicar deles”, afirma e acrescenta que o médico deve checar se o paciente está ciente dos efeitos que este testamento pode trazer.

Buschken destaca que, com o testamento, o doente não vai rejeitar cuidados paliativos. “Devemos cuidar até a última instância, não deixar o paciente jogado. Levar em conta a dor física e tratar emocionalmente, espiritualmente. Trabalhar com a qualidade de vida antes da morte”, disse.

Mesmo assim, se o tratamento necessário para diminuir ou curar a dor do paciente estiver entre os que ele optou por não receber, esta vontade será respeitada, lembrando que, caso o paciente esteja consciente, ele pode revogar a qualquer tempo sua manifestação de vontade.

No âmbito jurídico, Luciana Dadalto, advogada e autora do livro Testamento Vital (Lumen Juris, 2010), acredita que o Brasil tem muito o que avançar nessa área. Ela lembra que a resolução do Conselho Federal de Medicina não tem força de lei e, no caso de os parentes acusarem os hospitais de omissão, esses não estarão respaldados juridicamente: “Existem alguns entendimentos de que a gente tem instrumentos jurídicos contra esse tipo de acusação, porém vai variar de cada julgado” afirma a advogada.

O testamento vital faz parte das regras hospitalares em vários país. Em Portugal entrou em vigor em agosto uma lei federal que autoriza o registro das diretivas antecipadas de vontade, autorizando o que os portugueses chamam de “morte digna”. Na Argentina a legislação sobre este tema tem três anos. Holanda e Espanha também contam com esse dispositivo. Nos Estados Unidos, o testamento vital tem valor legal e existe desde 1970.

Fonte Agência Brasil