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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Herpes simples

Herpes simples
Definição
A herpes simples é uma infecção viral que afeta principalmente a área bucal ou genital.

Causas, incidência e fatores de risco
Existem dois grupos de vírus da herpes simples:
 
1.O vírus da herpes simples tipo 1 (HSV-1) é normalmente associado a infecções dos lábios, da boca e da face. Esse é o vírus mais comum de herpes simples e muitas pessoas o desenvolvem na infância. O HSV-1 frequentemente causa feridas (lesões) no interior da boca, como aftas, ou infecção do olho (principalmente na conjuntiva e na córnea). Também pode levar a uma infecção no revestimento do cérebro (meningoencefalite). É transmitido por meio de contato com a saliva infectada. Na vida adulta, cerca de 30-90% das pessoas já têm anticorpos contra o HSV-1.
 
2. O vírus da herpes simples 2 (HSV-2) é normalmente, mas não sempre, transmitido sexualmente. Os sintomas incluem úlceras ou feridas genitais. Entretanto, algumas pessoas com HSV-2 não apresentam sintomas. A infecção cruzada dos vírus do tipo 1 e 2 pode acontecer se houver contato oral-genital. Isto é, pode-se pegar herpes genital na boca ou herpes oral na área genital.

Uma infecção no dedo, chamada de panarício herpético, é outra forma de infecção do HSV. Geralmente atinge trabalhadores da área de saúde que foram expostos à saliva durante os procedimentos. Às vezes, crianças também podem pegar essa doença.

O HSV pode infectar um feto e causar anormalidades. A mãe infectada pode transmitir o vírus ao recém-nascido em partos vaginais, principalmente se ela tiver uma infecção ativa no momento do parto. Entretanto, 60-80% das infecções do HSV adquiridas por recém-nascidos ocorrem em mulheres que NÃO apresentam sintomas de infecção de HSV ou histórico de infecção de HSV genital.

É possível que o vírus seja transmitido mesmo quando não há sintomas ou feridas visíveis. Dois terços das pessoas com a infecção do HSV têm recorrências dos sintomas, e um terço têm três ou mais recorrências (surtos) por ano.

O HSV nunca é eliminado do organismo, mas permanece dormente e pode ser ativado, causando sintomas.

Sintomas
  • Aftas ou úlceras - geralmente na boca, nos lábios e nas gengivas, ou nas genitais
  • Nódulos linfáticos aumentados no pescoço ou na virilha (geralmente somente no momento inicial da infecção)
  • Herpes de boca
  • Febre - especialmente durante o primeiro episódio
  • Lesões genitais - podem começar com uma sensação de queimação ou formigamento
  • Aftas
 
Sinais e testes
Muitas vezes, os médicos conseguem detectar uma infecção de HSV simplesmente olhando as feridas. Entretanto, certos testes podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico.
 
Esses testes incluem:
  • Exames de sangue para anticorpos de HSV (sorologia)
  • Teste de anticorpo fluorescente direto das células extraídas de uma lesão
  • Cultura viral da lesão
 
Tratamento
Alguns casos não são graves e não precisam de tratamento.

Pessoas que têm surtos graves ou prolongados (principalmente se for o primeiro episódio), que têm problemas no sistema imunológico ou aquelas que têm recorrência frequente se beneficiam de medicamentos antivirais, como aciclovir, famciclovir e valaciclovir.

Pacientes com recorrências graves ou frequentes de herpes oral ou genital podem optar por continuar com os medicamentos antivirais para reduzir a frequência e a gravidade dessas recorrências.

Evolução (prognóstico)
As lesões orais ou genitais costumam curar sozinhas em 7-10 dias. A infecção pode se agravar e durar mais tempo em pessoas que sofrem de alguma doença que enfraquece o sistema imunológico.

Depois que a infecção ocorre, o vírus se espalha até as células nervosas e permanece no corpo pelo resto da vida. Pode ressurgir de tempos em tempos e causar sintomas ou surtos. As recorrências podem ser provocadas por excesso de luz solar, febre, estresse, doença aguda e medicamentos ou doenças que enfraqueçam o sistema imunológico (câncer, HIV/AIDS ou o uso de corticoesteroides, por exemplo).

Complicações
  • Dermatite herpetiforme (herpes espalhada pela pele)
  • Encefalite
  • Infecção do olho -- ceratoconjuntivite
  • Infecção da traqueia
  • Meningite
  • Pneumonia
  • Infecção prolongada grave em indivíduos imunossuprimidos
 
Ligando para o médico
Procure seu médico caso apresente sintomas que lembrem a infecção da herpes. Existem muitas doenças diferentes que podem causar lesões similares (principalmente na região genital).

Se você tiver um histórico de infecção de herpes e desenvolver lesões similares, informe seu médico caso elas não melhorem após 7-10 dias ou caso você sofra de alguma doença que enfraqueça o sistema imunológico.

Prevenção
É difícil de prevenir a infecção de HSV, pois o vírus pode ser espalhado mesmo por pessoas que não apresentam sintomas de um surto ativo.

Evitar contato direto com uma lesão aberta reduz o risco de infecção.

Pessoas com herpes genital devem evitar contato sexual enquanto houver lesões ativas. A prática de sexo seguro também pode reduzir o risco de infecção -- o que inclui o uso do preservativo.

As pessoas com lesões do HSV ativas devem evitar, ainda, contato com recém-nascidos, crianças com eczema ou pessoas com sistema imunológico suprimido, pois eles compõem grupos de risco para doenças mais graves.

Para minimizar o risco de infectar recém-nascidos, é recomendada a cesariana para gestantes que possuem uma infecção ativa de HSV no momento do parto.

Referências
Whitley RJ. Herpes simplex virus infections. In: Goldman L, Ausiello D, eds. Cecil Medicine. 23rd ed. Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier. 2007: chap 397.

Atualizado em 28/8/2009, por: David C. Dugdale, III, MD, Professor of Medicine, Division of General Medicine, Department of Medicine, University of Washington School of Medicine; and Jatin M. Vyas, MD, PhD, Assistant Professor in Medicine, Harvard Medical School, Assistant in Medicine, Division of Infectious Disease, Department of Medicine, Massachusetts General Hospital. Also reviewed by David Zieve, MD, MHA, Medical Director, A.D.A.M., Inc.

Fonte iG

Hamamélis

Nome científico
Hamamelis virginiana L.

Nomes alternativos
Hamamélide, hamamélia, castanha-de-bruxa, amieiro-castanho.

Descrição
Considerado um arbusto alto ou uma árvore de pequeno porte, o hamamélis é nativo da costa leste dos Estados Unidos e Canadá. Encontrada principalmente em bosques úmidos, é uma planta bem ramificada, com folhas de margem dentada.

Suas flores são amarelas e surgem depois da queda das folhas no outono, ao mesmo tempo em que os frutos do ano anterior finalmente amadurecem. As sementes brancas que a árvore produz são comestíveis. O tronco e as folhas produzem um óleo essencial usado em medicamentos e na indústria cosmética.

Parte utilizada
Casca e folhas.

Uso medicinal
Pequenas lesões e inflamações da pele e mucosas, hematomas, estiramentos, hemorroidas e varizes.

Modos de uso
Solução da planta fervida em água, banhos de assento, tintura, pomadas e na produção de fitoterápicos como Venovital, Hamamelis ec, Hamamelis Composto Cangeri, Hemofleb, Hemovirtus, Proctosan.

Cuidados e contraindicações
Não deve ser usada continuamente por mais de quatro semanas. Não recomendada para gestantes ou muilheres em período de amamentação sem supervisão médica.

Efeitos colaterais
Se ingerida pode provocar gastrite e vômitos. Inflamação da pele de contato em indivíduos muito sensíveis.

Fonte iG

Beleza e mérito acadêmico rendem até US$ 50 mil em mercado de óvulos

Material genético com características específicas permite às clínicas cobrar mais caro por "produto diferenciado" no polêmico mercado da reprodução assistida

Um anúncio em um site de classificados de Nova York promete US$ 50 mil para modelos que, além de serem altas e bonitas, como exige a profissão, também tenham "méritos acadêmicos".

Outro, oferece US$ 14.500 por ano para homens "saudáveis, com boa formação educacional e disposição para ajudar o próximo". E um terceiro grupo se dirige a integrantes de comunidades específicas, como orientais e judeus.

Mas as ofertas não são de trabalho. Os tais anúncios pedem doações de gametas – óvulos e espermatozoides – para clínicas de fertilização americanas. Se conseguirem doadores particularmente "bonitos", ou que sejam um prodígio nos estudos, por exemplo, essas clínicas podem cobrar mais caro de casais que precisam de tratamento para ter filhos e estariam interessados nesse "produto diferenciado".

Tais negócios são a expressão de um mercado polêmico que vem crescendo nos últimos anos em diversos países, impulsionado tanto por tendências sociais e demográficas – como o fenômeno da maternidade tardia e a oficialização de uniões civis homossexuais – quanto pelo desenvolvimento de novas técnicas de reprodução assistida.

Desde que o primeiro bebê de proveta foi gerado na Grã-Bretanha, em 1978, o aprimoramento das técnicas de reprodução assistida – da fertilização in vitro à inseminação artificial – tem ajudado um número crescente de casais com problema de fertilidade a terem bebês.

Mas há muita diversidade na forma como esse ramo da medicina vem se desenvolvendo em diversas regiões do globo. E alguns profissionais da área de saúde alertam que em alguns lugares, como a Índia e certos estados americanos, ele está sendo dominado por uma racionalidade muito comercial e adotando práticas controversas do ponto de vista ético, jurídico e médico, como explica Guido Pennings, professor de bioética da Universidade de Ghent, na Bélgica.

Além disso, justamente por terem essas regras menos restritivas, alguns desses lugares estão se tornando polos do que ficou conhecido no jargão popular por "turismo reprodutivo" ou "turismo da fertilidade" – embora especialistas prefiram referir-se ao fenômeno como "movimentos transfronteiriços em busca de tratamento reprodutivo".

Apesar de não haver uma estimativa confiável sobre quanto o turismo reprodutivo movimenta no mundo, clínicas e agências que prestam esse serviço dizem registrar crescimentos anuais de 10% até 50% no número de pacientes estrangeiros nos últimos anos. Muitos viajam atraídos por regras mais "liberais" para o setor em outros países, como Panamá, Israel, Ucrânia e na Europa, a Bélgica e Espanha, além dos já mencionados Estados Unidos e Índia. Mas em alguns casos a diferença de preços também é um atrativo.

"Os mercados de serviços ligados a essas novas técnicas de reprodução assistida estão crescendo bastante ao redor do globo, mas isso não quer dizer que todos os lugares eles sejam tão liberais ou influenciados por uma racionalidade mais comercial, como os Estados Unidos – cada país ou região tem sua própria realidade nessa área", acredita a socióloga Rene Almeling, professora da Universidade de Yale, que lançou no ano passado o livro "Sex Cells: The Medical Market for Eggs and Sperm" ("Células Sexuais: O Mercado Médico para Óvulos e Sêmen", na tradução livre).

Bebê globalizado
Hoje, um casal brasileiro pode contratar uma agência americana para implantar um óvulo de uma mexicana em uma mulher na Índia, Ucrânia ou Rússia por exemplo. Em alguns estados dos Estados Unidos, uma pessoa que precise de uma doação de gametas pode escolher um doador como quem escolhe um carro novo – avaliando desde a cor dos olhos até o QI dos jovens listados nos catálogos das dezenas de bancos de óvulos e sêmen que abastecem clínicas de reprodução assistida americanas. Casais com problemas de fertilidade também podem contratar uma americana – ou uma estrangeira – para um serviço de barriga de aluguel na Califórnia.

"Mas, se for para a Índia, os custos desse serviço podem cair para pouco mais da metade", explica Geoff Moss, vice-presidente da agência americana de turismo médico Planet Hospital, que, só nas últimas semanas, diz ter sido procurado por três brasileiros interessados nessa opção.

Os serviços de barriga de aluguel, que têm assistido a um crescimento expressivo em alguns países, estão entre os mais controversos do setor.

"Até porque é preciso pensar, por exemplo, nas consequências psicológicas para uma mulher que carrega o bebê de uma desconhecida", explica Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana

Proibida ou limitada em países europeus, no Brasil, a prática só é permitida se a mulher que aceitar receber o embrião for parente de primeiro ou segundo grau dos futuros pais da criança. Além disso, ela não pode receber compensação financeira em troca disso.

Os Estados Unidos, a Índia, a Ucrânia e Israel estão entre os poucos países que permitem ou pelo menos não proíbem o pagamento para a gestante. Nos Estados Unidos, a prática desenvolveu-se principalmente na Califórnia. Na Índia, começou em algumas poucas cidades como Anand, no início dos anos 2000, mas, hoje, a oferta desse serviço já pode ser encontrada praticamente em todos os grandes centros urbanos do país.

Índia
As mães de aluguel indianas são colocadas em pensões e sustentadas pela família que, em geral, as contrata por meio de agências.

"O que ganham na Índia pode não parecer muito para o padrão de alguns países ocidentais mas posso dizer que é o equivalente ao que seus maridos receberiam em três anos de trabalho", afirma Moss, sem especificar, contudo, qual seria esse valor.

Segundo Moss além do custo ser menor, a opção pela barriga de aluguel indiana também tem outras vantagens: "Por uma questão cultural, na Índia, as mulheres não bebem nem fumam. Também é improvável que no final da gravidez a indiana decida ficar com o bebê porque a criança terá o biotipo de outra pessoa e não seria aceita em sua comunidade."

Ele garante que a sua agência oferece todo o conforto e assistência necessários para que as indianas contratadas tenham uma gravidez tranquila. Mas acadêmicos como Amrita Pande, da Universidade de Cape Town, também descrevem o outro lado desse mercado em que mulheres de lugares pobres têm bebês para mulheres de países ricos. Indianas que aceitam o trabalho, muitas vezes, o fazem por desespero econômico e acabam estigmatizadas de forma semelhante ao que ocorre com a prosituição, por exemplo.

Mercado de gametas
Outra prática polêmica é justamente a venda de gametas. No Brasil e na Europa o comércio dessas células é vetado e a doação precisa ser "altruísta". Alguns países europeus, porém, driblam essa proibição permitindo o pagamento de "compensações" aos doadores – caso da Espanha e da Grã-Bretanha, por exemplo, nos quais tais compensações hoje são de cerca de 900 euros (R$ 2.290).

Nos Estados Unidos, não há restrições federais a esse setor – daí os anúncios procurando doadores em jornais universitários e sites de classificados. É claro que não é fácil tornar-se um "doador". Os candidatos precisam passar por testes genéticos e de saúde que apontam possíveis problemas congênitos e uma porcentagem de até 90% dos interessados pode ser rejeitada pelas clínicas.

"Em geral, os homens são tratados como empregados comuns nesse mercado enquanto o discurso para atrair as mulheres enfatiza que o lado altruísta da doação, ou seja, o fato de que ela vai ajudar um casal infértil a ter um filho", explica Almeling.

O princípio ético que motiva a proibição do comércio de gametas em muitos países é o de que a venda de qualquer parte do corpo poderia ferir a "dignidade humana", como explica Penning. Para o especialista, porém, permitir que a mulher tenha todas as informações sobre o doador e até possa selecioná-lo de acordo com as características que mais lhe interessarem, como ocorre nos Estados Unidos, não é necessariamente antiético.

"Não faz muito sentido imaginar que só porque precisa de um tratamento para ter um filho um casal tenha de receber uma doação tão importante para a vida e futuro de sua família às cegas", acredita Penning.

"Às vezes, oferecer opções para os pacientes não significa necessariamente impor uma mentalidade comercial ao setor."

Fonte iG

Embriões congelados aumentam chance de gravidez saudável, diz estudo

Pesquisa analisou 37 mil gestações de bebês de proveta documentadas em 11 estudos internacionais e concluiu que óvulos congelados são mais seguros do que os frescos

Um novo estudo sugere que congelar óvulos pode ser a melhor opção para os tratamentos de fertilização in vitro.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, analisou 37 mil gestações de bebês de proveta documentadas em 11 estudos internacionais sobre o tela. Eles afirmam que o procedimento oferece menos chances de hemorragia e de partos prematuros e menor risco de morte durante as primeiras semanas após o nascimento.

Na Grã-Bretanha, a maior parte dos óvulos utilizados no procedimento são "frescos". Eles são retirados da mãe e fertilizados e o embrião resultante é implantado de volta no útero. No entanto, cerca de um em cada cinco ciclos de fertilização in vitro no país usa embriões congelados - que "sobraram" de tentativas anteriores.

Os cientistas escoceses defendem que o congelamento de óvulos pode vir a ser a opção mais utilizada no futuro, mas outros especialistas em fertilidade argumentam que o número de gestações seria menor se isso acontecesse.

Debate
"Nossos resultados levantam a questão sobre se a pessoa deve congelar todos os seus embriões para transferí-los em outro momento, ao invés de transferir embriões frescos", disse a pesquisadora Abha Maheshwari, que conduziu o estudo. "É um debate que nós deveríamos realizar agora. Precisamos de mais estudos sobre o que faremos no futuro."

A razão de os embriões congelados possibilitarem melhores resultados ainda é desconhecida e os pesquisadores admitem que as conclusões "vão contra o esperado".

Uma das teorias levantadas é que o estímulo dos ovários para que eles liberem mais óvulos, parte do procedimento normal de fertilização, possa afetar a capacidade do útero de aceitar um embrião. De acordo com esta hipótese, congelar o embrião para um momento posterior permitiria que ele fosse implantado em um útero mais "natural".

Menos nascimentos

No entanto, o órgão regulador de fertilização humana e embriologia da Grã-Bretanha diz que em 2010 o uso de embriões congelados resultou em menos gestações. A taxa de sucesso do processo de fertilização in vitro com os embriões congelados foi de 23% e com embriões frescos, de 33%.

"É preocupante que tenha sido concluído, incorretamente, que deveríamos rotineiramente congelar todos os embriões e transferí-los em um ciclo menstrual futuro", disse o professor Alison Murdoch, chefe do centro de fertilidade da Universidade de Newcastle. "Há muitas evidências mostrando que isso resultaria em menos gestações, mesmo que os resultados destas gestações fossem melhores."

Abha Maheshwari diz, entretanto, que novas técnicas nos últimos anos aumentaram bastante a taxa de sucesso da fertilização com embriões congelados.

Fonte iG

Brasileiras vendem óvulos e barrigas de aluguel a estrangeiros na internet

Prática é proibida no País, mas mulheres entre 20 e 45 anos participam do mercado internacional por meio de serviços oferecidos na internet e vendem óvulos por até R$ 102 mil

A compra e a venda de óvulos e sêmen e a prática de barriga de aluguel remunerada são ilegais no Brasil, mas isso não tem impedido que as brasileiras participem deste mercado que está em crescimento no mundo.

Muitas brasileiras têm oferecido seus serviços em sites internacionais e se dizem dispostas a viajar para países em que a prática é permitida, e algumas já moram no exterior.

Para se ter uma ideia de como funciona o movimentado - e polêmico - mercado internacional de barrigas de aluguel e doação de óvulos, basta visitar o site surrogatefinder.com (na tradução livre algo como "buscador de barriga de aluguel") e dar uma espiada nos perfis das centenas de mulheres, entre elas dezenas de brasileiras, que oferecem seus serviços por ali.

O site é uma mistura de Facebook com a página de compra e vendas Ebay. Mulheres com idades que variam de 20 a 45 anos montam seus perfis e colocam fotos de si mesmas, dos filhos e da família. O objetivo da apresentação, porém, obviamente não é fazer amigos, mas dar aos casais ou solteiros interessados nos serviços oferecidos ali uma amostra de seu fenótipo, perfil genético e, dependendo do caso, capacidade de gestação.

Algumas se oferecem para doar óvulos para mulheres inférteis ou casais homossexuais que querem realizar o sonho de ter um filho - prática que pode lhes render de US$ 8 mil (R$ 16,4 mil) a US$ 50 mil (R$ 102 mil). Outras estão dispostas a carregar bebês de outras mulheres - serviço pelo qual pode-se ganhar até US$ 100 mil nos EUA (R$ 204 mil).

Uma estudante brasileira da Universidade de Edimburgo, por exemplo, se diz disposta a doar óvulos para pagar o curso de pós-graduação que começará em setembro. Uma professora de inglês de Santa Catarina diz que precisa do dinheiro da doação para ajudar a sustentar a filha. E uma estudante de psicologia do Espírito Santo se oferece para carregar o filho de outra mulher porque o marido ficou desempregado.

Todas mencionam também uma razão altruísta para a oferta: a vontade de ajudar casais com problemas de fertilidade a realizar o sonho de ter filhos.

O mercado de gametas e barrigas de aluguel vem crescendo nos últimos anos em diversos países, impulsionado, do lado da demanda, por tendências sociais e demográficas - como o fenômeno da maternidade tardia e a oficialização de uniões civis homossexuais.

Do lado da oferta, pelo desenvolvimento de novas técnicas de reprodução assistida.

Exemplo
O casal britânico formado pelos empresários milionários Barrie and Tony Drewitt-Barlow e seus cinco filhos são exemplo da "nova família" que essas novas tecnologias viabilizaram.

Em 1999, os dois viajaram para a Califórnia, onde a prática de barriga de aluguel e doação de óvulos remunerada é permitida e voltaram para casa, na Grã-Bretanha, com os gêmeos Saffron e Aspen. Depois disso, tiveram mais três filhos. E agora pensam em ter uma segunda menina (nos EUA é permitido escolher o sexo do bebê).

Barrie e Tony também têm uma clínica que ajuda outros casais a terem bebês com óvulos de estrangeiras e serviços de barriga de aluguel contratados no exterior - o British Surrogacy Centre.

Em entrevista à BBC Brasil, Barrie contou que as brasileiras são muito procuradas para as doações de gametas por terem "fama de bonitas" e porque, entre elas, é fácil encontrar um perfil procurado por casais inter-raciais estrangeiros.

Por isso, segundo o empresário, sua agência teria "olheiros" que buscam doadoras no Brasil. "Foi uma brasileira que doou o óvulo para que eu pudesse ter dois de meus filhos - o segundo casal de gêmeos", conta Barrie. "Nos últimos 12 meses, ajudamos 63 casais a terem filhos. Desses, 15 usaram doadoras brasileiras."

Para Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, porém, a prática é preocupante. "Um esquema em que as brasileiras são aliciadas para prestar esse serviço em outros países poderia estar explorando a miséria e a necessidade dessas mulheres", acredita.

Fonte iG