Revista O Malho de Dezembro de 1921
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Ministros da Saúde da Unasul se reúnem no Peru
Os ministros de 12 países da Unasul (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Suriname, Uruguai, Venezuela e Brasil) discutiram, entre outros assuntos, o Plano Quinquenal, de 2010 a 2015, do conselho, assinado em 2010. O plano tem o objetivo de nortear as ações da entidade.
A Unasul destina-se a alinhar as políticas dos países latinos em diversas áreas, entre elas a saúde. Para deliberar sobre o tema, foi criado, em 2008, o Conselho de Saúde, formado pelos ministros da área. O conselho é composto por um comitê coordenador, cinco grupos técnicos (o Brasil coordena a área de recursos humanos), cinco redes e pelo Instituto Sul-americano de Governo em Saúde.
Fonte Agência Brasil
Pneumonia mata um paulista a cada 41 minutos
São Paulo – No primeiro semestre deste ano, o estado de São Paulo registrou, em média, 35 mortes por dia, o equivalente a uma morte a cada 41 minutos, em razão de complicações por pneumonia, revelou levantamento da Secretaria de Estado da Saúde.
O balanço, que teve como base as notificações das unidades públicas de saúde, mostrou que, de janeiro a junho, 61,8 mil internações tiveram a pneumonia como causa.
Desse total, cerca de 6,3 mil pacientes morreram. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 11,4% no número de internações, mas a quantidade de mortes subiu 13,2%.
De acordo com Fábio Pereira Muchão, pneumologista do Ambulatório Médico de Especialidades, as pessoas mais atingidas pela doença foram as crianças, os idosos e os portadores de doenças crônicas.
Dos três, os mais velhos formaram o grupo etário com maior risco de a doença evoluir para a morte. Segundo o levantamento, dos 6,3 mil óbitos registrados no estado, cerca de 5 mil eram idosos.
“O idoso é mais frágil, porque geralmente tem outras doenças crônicas e a pneumonia pode funcionar como um complicador”, explica o médico.
Muchão conta que as principais complicações enfrentadas pelos pacientes com pneumonia são insuficiência respiratória e outros quadros respiratórios graves. O tratamento exige internação ou, eventualmente, de atendimento em unidade de terapia intensiva.
Com menor mortalidade, porém, com alto número de internações, o grupo das crianças menores de 2 anos de idade respondeu por cerca de 12 mil das internações no semestre. “Quanto mais jovem, mais vulnerável, principalmente abaixo de 2 anos”, disse Muchão.
Os pacientes portadores de doenças crônicas geralmente são acometidos por pneumonias causadas por fungos. “Elas atingem pessoas internadas por um longo período ou que tomaram vários tipos de antibióticos”, explica.
A forma de pneumonia mais comum é a causada por um vírus, que tende a ser menos grave. As pneumonias provocadas por bactérias são mais intensas e os médicos costumam prescrever tratamentos com antibiótico.
O médico explica ainda que o aumento de mortalidade e internações é, de certa forma, esperado, pois trata-se de uma tendência sazonal. “Ocorre no inverno, em decorrência das piores condições atmosféricas e da circulação maior de vírus respiratórios, que são vírus facilitadores de pneumonias”, disse.
A tendência para os próximos anos, segundo ele, é que o número de internações diminua em função do acesso à vacina pneumocócica 10-valente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde 2010, a vacina é aplicada em crianças de 1 mês a 1 ano e 11 meses de idade e imuniza contra sorotipos de pneumococos. “A vacina protege contra algumas formas graves de pneumonia”, explica Muchão.
Segundo o médico, a melhor maneira de se prevenir contra a pneumonia é manter o cuidado geral com a saúde, a boa alimentação, manter o calendário de vacinas em dia, além de fazer visitas regulares ao médico.
Fonte Agência Brasil
Mais de 80 mil brasileiros se declararam doadores de órgãos pelo Facebook
Segundo a pasta, 40 milhões de pessoas no país são usuárias da rede social. Os internautas podem adicionar em sua linha do tempo a opção de ser um doador de órgãos e compartilhar com parentes e amigos.
Em 2011, o Brasil bateu recorde ao registrar 2.207 doadores no Sistema Nacional de Órgãos – 63% a mais que em 2008, conforme dados do governo. Atualmente, 95% dos transplantes são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para expressar no Facebook o desejo de ser um doador de órgãos, basta ir na Linha do Tempo e clicar em Evento Cotidiano, escolher a opção Saúde e Bem-Estar e clicar em doador de órgãos. Ainda assim, a doação só poderá acontecer após autorização da família.
A supervisora de Marketing Lucinda Ulhoa, 33 anos, utilizou a ferramenta poucos dias após a parceria. “O que eu puder fazer para ajudar os outros a não sentirem a dor que senti quando perdi meu pai, vou fazer”, explicou. Ela também se cadastrou como doadora em um banco de medula óssea. “Ninguém merece perder um ente querido, mas é preciso ter cautela. Só divulguei no Facebook para ver se estimulo as pessoas a fazerem o mesmo”, completou.
Vivian Murbach, 33 anos, decidiu ser doadora de órgãos ainda na adolescência. Quando a ferramenta foi disponibilizada pelo Facebook, a servidora pública optou por compartilhar a informação. “Cheguei à essa decisão pelo simples fato de ajudar alguém que precisa muito com algo que é meu e que não vou precisar mais. É simples assim”, disse. Ela garante que amigos, o noivo e a família sabem do desejo dela de ser doadora. “Quando faço algum procedimento cirúrgico, aviso novamente a família e o médico.”
Já o estudante de antropologia Alexandre Branco, 23 anos, declarou-se doador de órgãos, mas não havia comunicado oficialmente a família e os amigos. “Apesar de as pessoas próximas a mim terem um conhecimento [sobre a vontade dele], achei que uma declaração explícita era o mais recomendável”, contou, ao se referir à ferramenta no Facebook.
“Além do fato de você poder ter uma comunicação expressa do seu desejo, acho que a publicidade dessa informação para as pessoas que não refletiram sistematicamente sobre o assunto pode permitir esse processo”, disse. “As pessoas, quando confrontadas com a informação de que outras pessoas próximas são potenciais doadoras, podem refletir e decidir a respeito”, concluiu.
Fonte Agência Brasil
"Prostitutas podem atuar em favor da saúde pública"
Por conta da paternidade recente, Roberto Domingues, 40 anos, até deu um tempo nas visitas aos bordéis, mas não conseguiu ficar afastado muito tempo.
Frequentador assíduo das zonas de prostituição de todo o Brasil há 23 anos, ele voltou a fazer peregrinações constantes pelas áreas marcadas pelo sexo pago e pela exclusão total dos programas de saúde pública.
Robertinho – assim ele é conhecido pelas “tias” e “primas” das esquinas brasileiras –, é psicólogo, casado e pai de uma menina de 2 anos. Advogado recém-formado, ele mora em Belo Horizonte (MG) e escolheu as prostitutas como bandeira pessoal.
Desde 1989 – quando foi contaminado pelo ativismo da luta contra aids – Robertinho defende os direitos deste grupo populacional, constantemente acusado de ter sido (e ainda ser) o grande transmissor do vírus HIV “aos homens de bem”.
“Quando você se aproxima delas, percebe que a realidade é totalmente diferente”, defende o psicólogo.
“As prostitutas sempre fizeram fila para pegar as camisinhas que distribuíamos, em uma época que ninguém sabia que precisava ou queria usar. Foram as grandes professoras dos homens sobre como colocar o preservativo que eles usariam depois com as namoradas.”
Apesar da cautela que as prostitutas sempre tiveram com o sexo, “elas ainda são vistas só como uma ‘grande vagina’ pelos serviços de saúde e pelos programas governamentais”, compara o psicólogo.
“Quando o sistema pensa nelas, lembra apenas das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Elas ficam à margem de qualquer outro programa de saúde. É isso que queremos mudar”.
Mulheres antes
Roberto Domingues afirma que as prostitutas, antes de qualquer julgamento sobre como ganham a vida, são mulheres. Por este motivo, “estão vulneráveis aos problemas que passaram a ameaçar o cenário feminino de forma global”.
Aaids está, de fato, mais presente no universo delas, em especial entre as que passaram dos 50 anos , mostrou o último levantamento do Programa Nacional de DST e Aids. Porém, o inquérito feito pelo Ministério da Saúde indica que os casos de hipertensão , colesterol alto , obesidade, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) estão mais numerosos entre as mulheres de todas as profissões e representam perigo ainda maior do que o HIV para a mortalidade.
Maria da Paz, conhecida por Diana, é prostituta no Rio Grande do Norte, e confirma a ameaça destes vilões da saúde às colegas de profissão. Ela assumiu a presidência da Associação das Profissionais do Sexo e Congeneres do RN depois que a antiga líder, Marinalva Ferreira, morreu em decorrência de um AVC com apenas 46 anos.
“Marinalva teve de lutar muito para conseguir um atendimento sem burocracia, para toda a classe. Mas nunca conseguimos ultrapassar a prevenção, diagnóstico e tratamento das Dst/Aids”, diz Diana.
“É como se o nosso corpo fosse constituído apenas por órgãos sexuais. O AVC, que tirou a vida dela, é doença muito comum entre nós.”
Por todos nós
O caso de Marinalva é emblemático, avalia Roberto, e não é único.
“O preconceito contra as prostitutas também faz parte do atendimento médico, elas enfretam dificuldades para fazer pré-natal, cuidar da alimentação ou ser encaminhadas ao cardiologista”, diz.
Por isso, no ano passado quando assumiu a presidência da Rede Brasileira de Prostitutas, o psicólogo estabeleceu como uma das metas mudar o olhar sobre a saúde destas brasileiras. Um benefício, acredita, que seria estendido à população em geral.
“Uma das nossas reivindicações é o funcionamento 24 horas das unidades básicas de saúde, que beneficiaria, além dos profissionais do sexo, todos os trabalhadores noturnos, como caminhoneiros, garçons e DJs, por exemplo”, cita o psicólogo.
Dos encontros para discutir a saúde das prostitutas, Roberto pinçou um dado curioso: 30% dos clientes procuram prostitutas só para conversar.
"Elas podem ser grandes disseminadoras de bons hábitos de saúde, caso recebam informações sobre isso. As políticas públicas não priorizam a saúde delas de forma integral, como deveriam – e como é direito delas – mas podiam ao menos levar isso em conta”, diz.
“Se lá no passado elas ensinaram os homens a colocar a camisinha. Podem muito bem informá-los sobre como controlar o colesterol ou prevenir a hipertensão”, questiona.
Fonte iG
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