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sábado, 15 de setembro de 2012

Dificuldade de lidar com diagnóstico de câncer pode gerar depressão grave

Acompanhamento psicológico é fundamental para manter o paciente motivado

Receber um diagnóstico de câncer não é fácil. Paciente e familiares experimentam uma série de sensações ao se deparar com um câncer. Angústia, desespero, tristeza, estresse e até mesmo revolta. Muitas vezes, todas essas variações podem desencadear um quadro depressivo.

De acordo com a psicóloga Mariana Lima, que atua em uma clínica oncológica em Belo Horizonte, cerca de 25% dos pacientes com câncer podem ter depressão.

— O quadro ocorre não só quando eles descobrem a existência da doença, mas também durante o tratamento. Por isso, o acompanhamento médico e psicoterápico é fundamental — alerta Mariana.

A psicóloga afirma também que as mudanças que surgem em função do tratamento podem afetar na aparência e na autoestima do paciente. Com o tratamento, acontece uma ruptura no curso normal da vida. Os hábitos e o cotidiano do paciente são modificados.

— A imagem corporal fica alterada e os medos são constantes devido ao estigma que ainda existe em torno da doença. Todos esses fatores acentuam o quadro depressivo. É importante trabalhar individualmente com o paciente para que ele aprenda a conviver com as dificuldades e com as questões emocionais — destaca.

Como diferenciar
A tristeza é uma reação considerada normal para quem enfrenta o diagnóstico, mas é necessário distinguir os níveis em que ela ocorre. Este processo é uma das partes mais importantes no cuidado de pacientes com câncer: saber identificar quando há necessidade de tratamento também para a depressão.

— Algumas pessoas têm mais dificuldades para aceitar o diagnóstico do câncer. A não adaptação a essa condição pode resultar em uma depressão grave. Nesse caso, já não se trata simplesmente de estar triste ou desanimado — explica Mariana.

Existem muitas ideias preconcebidas sobre o câncer e de como vivem os pacientes com câncer. O oncologista Amândio Soares desmistifica alguns pré-conceitos. A ideia de que todas as pessoas com câncer sofrem, obrigatoriamente, de depressão é uma delas. Ou ainda, a noção de que a depressão não pode ser tratada paralelamente ao tratamento do câncer. Há também os que imaginam que a doença é muito dolorosa.

— É fundamental que as pessoas tenham hábitos de vida saudáveis, façam exames periódicos, procurem o médico em caso de anormalidades e saibam que, quanto mais cedo descobrirem o câncer, maiores as chances de cura — enfatiza Soares.

Segundo o médico, recentes estudos mostram a relação das citocinas com quadros depressivos. Apesar disso, não há como descartar a singularidade do paciente e o seu repertório psíquico para lidar com situações novas.

— Cada indivíduo é único e reage de diferentes formas a instalação de qualquer patologia — finaliza o médico.

Pesquisas realizadas pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelaram que a depressão em pacientes com câncer está diretamente relacionada com os tumores.

Fonte Zero Hora

Psiquiatra desvenda mitos da loucura

 
Conheça os principais transtornos psicóticos e seus sintomas

Louco é aquele sujeito que perdeu a razão, que tem pensamentos e ações sem sentido, tem comportamentos distorcidos que fogem à regra: é a "alienação mental" de Philippe Pinel, o pai da psiquiatria moderna — cujo sobrenome virou sinônimo de loucura —, que atuou na França entre o final do século XVIII e o começo do século XIX.

— Hoje em dia, podemos dizer que os sintomas psicóticos são o equivalente à loucura empregada nos meios psiquiátricos no passado. Os sintomas psicóticos ocorrem na esquizofrenia e também costumam ocorrem no transtorno bipolar — afirma o psiquiatra Deyvis Rocha.

Muitas pessoas deixam de ir ao psiquiatra porque isso seria o mesmo que declarar-se louco ou obter um atestado de loucura. O indivíduo que já passou por essa fase crítica e vai ao psiquiatra por algum problema qualquer, como sintomas depressivos ou ansiosos, teme que o seu quadro clínico possa evoluir para um quadro de loucura.

— As pessoas têm medo de perder a razão, o controle sobre si mesmas, sobre os seus pensamentos e os seus atos e de se ver obrigadas a tomar um remédio para ficarem bem — explica o médico.

Em psiquiatria, há um velho ditado utilizado para tranquilizar os pacientes que diz que a pessoa que está ficando louca não sabe que está ficando louca, o que significa que a capacidade de alguém se preocupar com o fato de poder ficar louco é uma segurança de que isso não vai acontecer.

Sendo assim, um transtorno de pânico ou outro transtorno ansioso, como a ansiedade generalizada, as fobias, uma depressão, não vão evoluir para um estado de loucura e de perda da razão, mesmo que seja essa a sensação que se tem quando ocorre uma crise de pânico.

Pode até ser que a pessoa tenha mais de um diagnóstico, como depressão e esquizofrenia, ansiedade e transtorno bipolar, mas não é que uma doença levou a pessoa a ter a outra, mas é que são quadros diversos que, por genética ou por coisas da vida, atingem a mesma pessoa.

Além do tratamento com os remédios chamados antipsicóticos, a psicoterapia pode auxiliar o paciente a lidar com as dificuldades de realizar atividades do dia a dia impostas pelos sintomas.

Conheça os principais transtornos psicóticos que podem levar um indivíduo a loucura:

Esquizofrenia
É uma doença mental que afeta a zona central do "eu" e altera a estrutura vivencial. O portador de esquizofrenia, quando em surto, costuma agir em função dos seus delírios e alucinações, perdendo a liberdade de escapar a essas vivências fantásticas. Cerca de 1% da população é acometida pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos de idade.

— A esquizofrenia se caracteriza por distorções do pensamento, da percepção e por inadequação dos afetos. Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência — explica o psiquiatra Deyvis Rocha.

Transtorno delirante
É caracterizada pela ocorrência de ideias delirantes, em geral paranoide (de estar sendo perseguido, de estar sendo alvo de críticas, de as pessoas quererem prejudicá-lo intencionalmente). O delírio tende a ser persistente e algumas vezes crônico. Pode haver alucinações auditivas (ouve vozes que não existem na realidade) e visuais (vê imagens que não existem na realidade), embora alucinações sejam incomuns. O afeto tende a ser inexpressivo.

Transtorno esquizoafetivo
Manifesta-se pela ocorrência de episódios de humor intercalados por episódios psicóticos sem sintomas de humor. É importante salientar que dentro dos episódios de humor, quando graves, podem também ocorrer sintomas psicóticos. Existem dois tipos principais: depressivo, onde os episódios de humor são sempre depressivos, e misto, onde ocorrem episódios depressivos, maníacos, hipomaníacos e mistos.

Transtornos psicóticos agudos
Têm frequentemente um início repentino, desenvolvendo-se em geral rapidamente no espaço de poucos dias e desaparecendo também em geral rapidamente, sem recidivas. Quando os sintomas persistem, o diagnóstico deve ser modificado para esquizofrenia ou transtorno delirante persistente.

Transtorno Bipolar
É uma doença mental em que o paciente alterna estados de euforia e depressão, além de fases de "normalidade" intercaladas. A pessoa pode apresentar alguns sintomas de euforia e de depressão ao mesmo tempo, que são os estados mistos. A causa exata é desconhecida, mas os cientistas acreditam que esteja ligada à genética.

Fonte Zero Hora

Ligar para empregado na hora de descanso terá custo

Uso do celular fora do horário de serviço é confirmado como hora extra pelo TST

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) aprovou nesta sexta-feira uma mudança que concede ao empregado que estiver à disposição do patrão em sua hora de descanso, por meio de celulares, pagers ou bips, aguardando a qualquer momento um chamado para o serviço durante seu período de descanso, direito ao adicional de sobreaviso, correspondente a um terço do valor da hora normal.

A revisão, segundo informou a assessoria do tribunal em nota, foi o resultado das discussões da 2ª Semana do TST. "O TST realizou, ao longo desta semana, uma detida reflexão sobre sua jurisprudência visando o aperfeiçoamento da instituição", disse o presidente do tribunal, ministro João Oreste Dalazen.

O tema ganhou repercussão com a aprovação da Lei 12.551, sancionada em dezembro de 2011 pela presidenta Dilma Rousseff, que modificou o artigo 6º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A nova redação acrescenta ao artigo 6º o seguinte texto: "Parágrafo único: os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio."

Fonte Zero Hora

SUS perdeu quase 42 mil leitos nos últimos sete anos, diz Conselho Federal de Medicina

Brasília – Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) com base em dados do Ministério da Saúde aponta que quase 42 mil leitos de internação do Sistema Único de Saúde (SUS) foram desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012.

Entre as especialidades mais atingidas com o corte, de acordo com a análise, estão a psiquiatria (-9.297 leitos), a pediatria (-8.979), a obstetrícia (-5.862), a cirurgia-geral (-5.033) e a clínica-geral (-4.912).

Mato Grosso do Sul é apontado como o estado brasileiro que mais perdeu leitos (-26,6%), seguido pela Paraíba (-19,2%) e pelo Rio de Janeiro (-18%). Em números absolutos, São Paulo aparece na frente, com a redução de 10.278 leitos, seguido por Minas Gerais, com 5.177, e pelo Paraná, 3.057.

Já Roraima, segundo o levantamento, é o estado que registrou o maior aumento no número de leitos no mesmo período (33,5%), seguido por Rondônia (23,6%) e pelo Amapá (9,2%). Em números absolutos, o Pará aparece na frente, com 793 leitos criados, seguido por Rondônia, com 622, e pelo Amazonas, com 360.

Por meio de nota, o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila, avaliou que grande parte dos problemas enfrentados pelo SUS passa pelo subfinanciamento e pela falta de uma política eficaz de presença do Estado.

“Os gestores simplificaram a complexidade da assistência à máxima de que ‘faltam médicos no país’. Porém, não levam em consideração aspectos como a falta de infraestrutura física, de políticas de trabalho eficientes para profissionais da saúde, e, principalmente, de um financiamento comprometido com o futuro do SUS”, disse no comunicado.

O Ministério da Saúde apontou falhas no levantamento. De acordo com a pasta, o CFM não fez uma interpretação correta dos números, já que os dados não foram analisados ano a ano e os leitos remanejados não foram levados em consideração.

Fonte Agência Brasil

Expansão do emprego explica crescimento de gastos das famílias com saúde

Rio de Janeiro - O aumento da massa salarial e a expansão do emprego explicam, segundo o economista Ricardo Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, o maior comprometimento do orçamento das famílias brasileiras com saúde, conforme indica a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, divulgada  pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Especialista em orçamento familiar, Teixeira observou, porém, que comparado 2003 com 2009, o que se verifica é que os gastos com saúde no Brasil se mantiveram em torno de 7%. De acordo com a POF, as famílias gastavam 7% dos seus orçamentos em 2002 e 2003 e passaram a gastar 7,2% em 2008-2009.

“A diferença que houve foi que [os gastos com] remédios cresceram. Em compensação, consultas e internações caíram”, disse o economista à Agência Brasil. A POF revela que 48,6% dos orçamentos apresentarm gastos com remédios em 2008-2009, contra 44,9% em 2002-2003. Consultas e hospitalização, em contrapartida, que representavam um percentual reduzido nesse período (4,9% e 1,0%, respectivamente), caíram em 2008-2009 para 3,9% e 0,7%.

“O que a gente pode inferir do que está sendo apresentado aqui é que o aumento da renda da população pode ter levado as pessoas a gastar mais com remédio do que antes estariam gastando. Também esse aumento de renda permitiu, isso é fato, que um maior número de pessoas esteja associado a planos de saúde”. Por causa disso, analisou que os gastos das famílias com consultas e internações caíram.

“Então, você manteve um percentual, dentro da renda das famílias, em torno de 7% (com saúde), tanto em 2003 como agora, mas com uma composição diferente. E nessa composição, os remédios, por exemplo, cresceram em relação ao que era antes”.

O crescimento da renda disponível contribuiu para o aumento de pessoas com planos de saúde não só empresariais mas, também, individuais. Segundo Ricardo Teixeira, isso, de um lado, reduz o gasto das famílias com consultas e internações, mas permite também que elas tenham recursos disponíveis para gastar com remédios. Destacou, nesse sentido, a oferta de preços mais acessíveis de medicamentos genéricos, o que permite às famílias a gastarem mais nesse quesito.

A pesquisa do IBGE aponta que as famílias de menor renda, proporcionalmente, gastaram mais com remédios que as famílias de maior poder aquisitivo, da ordem de 74,2% e 33,6%, respectivamente. “Porque em números absolutos, os que têm maior renda gastaram bem mais”. Isso ocorre em função da composição do gasto, explicou. “Quanto mais pobre a pessoa, mais a habitação pesa no orçamento dela e mais a saúde também vai pesar”.

Fonte Agência Brasil