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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Modelo misto de previdência e plano de saúde é alternativa de financiamento

Durante a 10° edição do Saúde Business Forum, ex- ministro da Previdência José Cechin aborda as alternativas para sustentabilidade no setor
 
Diante da realidade do crescimento da população idosa nos próximos anos e o setor de saúde aquecido em razão do momento econômico brasileiro, a reflexão sobre a sustentabilidade da Saúde é inevitável, pois, se hoje, já se enfrenta grandes obstáculos como financiamento, falta de recursos e o acesso à saúde, como lidar com os desafios do futuro?
 
“O gasto em 2040 será 43% mais alto que em 2010, por conta do efeito em envelhecimento”, afirmou o ex-ministro da Previdência e diretor–executivo da Fenasaúde, José Cechin, durante a 10° edição Saúde Business Forum, na Praia do Forte (BA). O executivo conduziu o Intercâmbio de Ideias sobre financiamento da saúde nesta quinta-feira (20).
 
Para ele, o desafio está em promover a consciência do uso responsável e adequado dos recursos, estimular a adoção de hábitos saudáveis e desenvolver novos mecanismos de financiamento. Uma dessas alternativas, defendida por ele é o VGBL Saúde, modelo que une previdência privada e plano de saúde com o intuito de criar reserva de dinheiro para ser utilizada após os 60 anos.
 
A proposta do Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) na saúde ajudaria a equacionar o problema dos altos gastos com saúde. Por exemplo, um jovem no mercado de trabalho, paga R$ 100 por mês em um plano de saúde, muito menos do que um idoso paga por um plano de saúde. Se além do convênio médico, ele destinasse determinada quantia para uma previdência privada vinculada a um plano de saúde, teria uma reserva futura, para usar como recurso complementar para financiar seus gastos com saúde, justamente quando esses valores aumentam, o que ocorre com a população idosa.
 
Sustentabilidade e consolidação
Cechin também apresentou um cenário da saúde suplementar. Apesar da revisão de crescimento econômico no Brasil em 2012, o segmento não tem sofrido com a queda de beneficiários. Isso se deve ao setor de Serviços e as Pequenas e Médias Empresas (PMEs), que tem contratado profissionais e, assim, introduzido novos beneficiários ao mercado. Outro fator que impulsiona a entrada de usuários é a queda na taxa de desemprego e o aumento da renda do brasileiro.
 
“Há o desejo de ter plano de saúde e o crescimento do emprego formal. A taxa de desemprego é a mais baixa dos últimos 10 anos. Estamos quase no pleno emprego e isso leva a sensação de segurança às pessoas”, afirmou. Esse novo usuário está fora, segundo ele, é da região sudeste, vem do setor de comércio e serviços, sobretudo de PMEs, e há uma crescente participação feminina.
 
Em 2011, a receita das operadoras alcançou R$86 bilhões e 65 milhões de usuário, sendo 17 milhões apenas da áreas odontológica. Atualmente são 1371 operadoras com beneficiários, o número tem encolhido devido à consolidação do setor. Segundo Cechin, ao contrário do que se diz, não há uma concentração do mercado e uma ameaça à concorrência no nicho de operadoras. O que pode ocorrer é algum tipo de centralização em algumas cidades do País.
 
“Não dá para dizer que o setor de suplementar brasileiro está se concentrando, ele está se consolidando. Os Estados Unidos têm metade da quantidade de operadoras e 5 vezes mais beneficiários”, disse.
 
Fonte SaudeWeb

Intradermoterapia é alternativa para tratar calvície em casos iniciais

 
Método recupera folículos pilosos e estimula o crescimento de fios fortalecidos
 
Estima-se que entre 60 e 70% dos homens sofrerão com a calvície. A testosterona, hormônio presente em maior quantidade no corpo masculino, age através de uma enzima no couro cabeludo, afinando o fio e propiciando sua queda.
O uso de produtos que aumentam a circulação sanguínea no local é o método mais utilizado no combate. Em casos inicias, em que os chamados folículos pilosos ainda podem ser recuperados, a intradermoterapia pode ser uma alternativa que traga um ótimo resultado.
 
— O método consiste na aplicação de microagulhas com objetivo de permear o local com ingredientes ativos como biotina e pantenol. Eles estimulam o crescimento de cabelo e fortalecem os novos fios — explica a dermatologista Carolina Feijó.
 
Em alguns casos, a intradermoterapia pode causar um pouco de dor e leve sangramento no couro cabeludo.
 
Como prevenir
Confira cinco dicas da dermatologista Miriam Sabino para driblar esse problema e manter os fios saudáveis:
 
1. Descobrir o problema — observe fios soltos de cabelos no travesseiro, carro, chão e roupas. Se representar uma perda exagerada, procure um dermatologista.
 
2. Histórico genético — avalie se os seus pais já sofreram com a queda de cabelo ou são calvos. No caso de predisposição genética, a maior perda de cabelos acontece entre o final da adolescência e os 30 anos. Iniciando o tratamento nesse período, as chances de um resultado satisfatório e evitar a calvície são maiores.
 
3. Alimentação — mantenha uma dieta rica em proteínas, em ferros e outros minerais. Isso evita a queda de cabelo.
 
4. Antiqueda — use regularmente xampu antiqueda.
 
5. Estresse — o estresse psíquico pode aumentar a perda dos cabelos. Na maioria dos casos, essa condição pode ser passageira. Caso você note uma queda muito grande de fios, procure um dermatologista.
 
Fonte Zero Hora

Operadoras se preparam para incorporar quimioterapias orais

Debate no Hospital Mâe de Deus abordou mudanças que ocorrerão a apartir de 2013
 
Em 2013, os planos de saúde irão incorporar formalmente os quimioterapias orais. Para se preparar para o assunto e tratar sobre novas tecnologias médicas, gestores de operadoras de planos de saúde reuniram-se nessa semana no Instituto do Câncer Mãe de Deus.
 
O objetivo, segundo o oncologista e pesquisador do Instituto do Câncer Mãe de Deus Stephen Doral Stefani, é ampliar a discussão para saber como operacionalizar a questão e beneficiar os pacientes sem onerá-los.
 
De acordo com o médico, quimioterapia oral é uma realidade inequívoca na assistência médica atual: muitos tratamentos oncológicos só podem ser feitos desta forma. O problema, explica Stephen, é o alto custo, que pode chegar a R$ 20 mil mensais.
 
— Estes medicamentos são caros, de forma que seu uso é praticamente restrito a pessoas cujas operadoras já oferecem este benefício de forma espontânea ou via demandas judiciais.
 
Atualmente, está sendo aguardada a mudança da legislação que obriga os planos de saúde a incluírem o tratamento na sua cobertura. Já aprovado no Senado, o projeto de lei da senadora Ana Amélia Lemos aguarda análise na Câmara de Deputados e da presidente Dilma Rousseff.
 
Depois, as operadoras terão um prazo para se adaptar, período no qual a Agência Nacional de Saúde deve avaliar o impacto na população. São cerca de 40 milhões de usuários de plano de saúde que poderão ser beneficiados pela medida.
 
 
Fonte Zero Hora

'Matéria escura' do DNA é fundamental para a saúde, dizem os cientistas

Fruto de projeto financiado pelo governo dos Estados Unidos, descoberta é considerada uma grande reviravolta médica
 
O motivo pelo qual doenças complexas como diabetes, hipertensão arterial e transtornos psiquiátricos são difíceis de prever e, muitas vezes, de tratar, é um dos muitos mistérios da biologia humana. Outra dúvida igualmente intrigante diz respeito a por que, no caso de irmãos gêmeos idênticos, enquanto um deles tem uma doença como câncer ou depressão, o outro permanece perfeitamente saudável.

Agora, os cientistas descobriram uma pista fundamental para desvendar esses enigmas. O genoma humano é carregado de pelo menos quatro milhões de controladores genéticos que residem em pedaços de DNA que costumavam ser considerados "lixo", mas que, pelo que parece, têm um papel crítico em controlar o modo como as células, órgãos e outros tecidos se comportam. A descoberta, considerada uma grande reviravolta médica e científica, tem implicações cruciais para a saúde humana, porque muitas doenças complexas parecem ser causadas por alterações minúsculas em centenas de controladores genéticos.

As descobertas são fruto de um imenso projeto financiado pelo Governo dos Estados Unidos, que envolveu 440 cientistas de 32 laboratórios do mundo inteiro. Ele terá implicações imediatas sobre a nossa compreensão de como as alterações de partes do DNA que não são genes contribuem para a incidência de doenças humanas, o que pode, por sua vez, ajudar a desenvolver novos medicamentos. Eles também podem ajudar a explicar como o ambiente afeta o risco de doenças. No caso de gêmeos idênticos, pequenas mudanças na exposição ao ambiente podem alterar ligeiramente os controladores dos genes, de tal forma que um dos gêmeos desenvolva uma doença e o outro, não.

Ao mergulharem no "lixo" – partes de DNA que não são genes de verdade e que contêm instruções para a produção de proteínas –, os cientistas descobriram um sistema complexo que controla os genes. Pelo menos 80 por cento desse DNA são ativos e necessários.

O resultado da pesquisa é um mapa comentado de boa parte desse DNA, descrevendo o que ele faz e como. Ele inclui o sistema de controladores que, funcionando como dimmers, controlam quais genes são utilizados em uma célula e quando eles são utilizados, determinando, por exemplo, se uma célula se torna uma célula hepática ou um neurônio.

"É como o Google Maps", diz Eric Lander, presidente do Instituto Broad, que se originou de uma parceria entre a Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em contrapartida, Lander afirma que seu predecessor, o Projeto Genoma Humano, que mapeou toda a sequência do DNA humano, "foi como tirar uma foto da Terra vista do espaço", disse ele. "Ele não diz onde estão as estradas, não diz como está o trânsito em determinada hora do dia, não diz onde estão os bons restaurantes, nem os hospitais, as cidades e os rios".

Lander, que não participou da pesquisa (mas que trabalhou no Projeto do Genoma Humano) considera os novos resultados um "recurso impressionante". "Minha cabeça quase que explode com tantos dados."

As descobertas foram divulgadas recentemente em uma série de artigos científicos publicados pela revista Nature e em 24 artigos nos periódicos Genome Research e Genome Biology. O Journal of Biological Chemistry também está para publicar seis artigos comentando a descoberta, e a revista Science anunciou que publicará outra matéria.

"O DNA humano é muito mais ativo do que esperávamos, e há muito mais coisas acontecendo do que esperávamos", diz Ewan Birney, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular do Instituto Europeu de Bioinformática, um dos pesquisadores que lideram o projeto.

Em um dos artigos publicados na revista Nature sobre o tema, os pesquisadores ligaram os controladores genéticos a uma série de doenças humanas – esclerose múltipla, lúpus, artrite reumática, doença de Crohn, doença celíaca – e até a traços físicos, como altura. Em pesquisas de grande porte realizadas ao longo da última década, os cientistas descobriram que pequenas alterações nas sequências do DNA humano aumentam o risco de uma pessoa desenvolver essas doenças. Mas essas mudanças estavam no que se entendia como "lixo", agora chamado de matéria negra – não eram mudanças nos genes – e seu significado não estava claro. A nova análise revela que uma boa quantidade dessas mudanças altera os controladores genéticos e é muito significativa.

"A maioria das mudanças que afetam as doenças não reside nos genes em si; reside nos controladores", observa Michael Snyder, pesquisador da Universidade Stanford que trabalha no projeto ENCODE, ou Enciclopédia de Elementos do DNA, na sigla em inglês.

E isso, comenta Bradley Bernstein, pesquisador do ENCODE no Hospital Geral de Massachusetts, "é algo realmente importante". "Acho que ninguém previu que as coisas seriam assim", acrescentou.

O sistema, porém, é extremamente complexo e superabundante. Apenas saber que existem tantos controladores já é incompreensível por si só, disse Bernstein.

Também existe uma espécie de sistema de fiação de DNA tão intrincado que se torna praticamente incompreensível.

"É como abrir um armário de fiação e encontrar um emaranhado de cabos", diz Mark Gerstein, pesquisador do ENCODE que atua na Universidade Yale. "Nós tentamos desenrolar esse emaranhado e torná-lo interpretável."

Existe outro tipo de emaranhado: a complexa estrutura tridimensional do DNA. O DNA humano é uma fita tão longa – cerca de três metros de DNA que recheiam o microscópico núcleo de uma célula – que cabe nele somente porque fica bem enrolada em torno de si própria. Quando observavam a estrutura tridimensional – um emaranhado – os pesquisadores do ENCODE descobriram que pequenos segmentos de "matéria escura genética" frequentemente ficam muito próximos dos genes que eles controlam. No passado, quando eles analisaram apenas a extensão do DNA já "desenrolada", essas regiões de controle pareceram estar muito longe dos genes que elas afetam.

O projeto começou em 2003, quando os pesquisadores começaram a se dar conta do quão pouco sabiam sobre o DNA humano. Nos últimos anos, alguns começaram a encontrar controladores nos 99 por cento do DNA humano que não são genes, mas eles não conseguiram caracterizar ou explicar plenamente o que grande maioria dessa "matéria escura" fazia.

Antes do início do projeto, disse Thomas Gingeras, pesquisador do ENCODE que atua no Laboratório Cold Spring Harbor, achava-se que apenas 5 a 10 por cento do DNA de um ser humano realmente eram usados.

A grande surpresa foi não só que quase todo o DNA é usado, mas também que uma grande parte dele é composta por controladores de genes. Antes do ENCODE, disse o Dr. John Stamatoyannopoulos, cientista da Universidade de Washington que participou do projeto, "acho que ninguém acreditaria se alguém dissesse que metade do genoma, e talvez até mais do que isso, transmite instruções para ligar e desligar genes".

Quando o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, que integra os Institutos Nacionais de Saúde, embarcou no ENCODE, grandes avanços no sequenciamento de DNA e na biologia computacional já haviam tornado possível vislumbrar uma compreensão da matéria escura do DNA humano.

Mesmo assim, a análise dos dados se revelou impressionante – os pesquisadores geraram 15 trilhões de bytes de dados brutos. Analisar os dados demandou o equivalente a mais de 300 anos de atividade de um computador.

Organizar os pesquisadores e coordenar o trabalho foi, por si só, um grande empreendimento. Gerstein, um dos líderes do projeto, produziu um diagrama com as ligações dos pesquisadores entre si. Ele parece quase tão complicado quanto o esquema de ligações entre os controladores do DNA humano. Agora parte do trabalho está concluída, e centenas de pesquisadores escreveram artigos com base no estudo.

"Uma esquadrilha de artigos vem por aí, literalmente", anunciou Gerstein.

Contudo, acrescentou ele, ainda é preciso pesquisar mais – há partes do genoma que ainda não foram compreendidas.

Isso, porém, fica para a próxima etapa do ENCODE.
 
Fonte The New York Times News Service

Por Zero Hora

Jovens também correm risco de sofrer derrame cerebral

Diagnóstico errôneo de vertigem, enxaqueca, embriaguez, convulsão, labirintite ou outros problemas, faz com que jovens recebam alta sem o tratamento adequado e sofram complicações
 
Seis anos atrás, Todd McGee era um trabalhador do setor da construção civil, magro e atlético de 34 anos que morava com a esposa e a filha pequena em Martha's Vineyard, onde passava os fins de semana de verão surfando. Um derrame cerebral mudou sua vida para sempre.
 
Hoje, com um braço inutilizado e dificuldade para falar, McGee, agora com 40 anos, não pode trabalhar. Ele dedica a maior parte do tempo a se manter o mais saudável possível. Embora consiga dirigir e cuidar da filha, agora com sete anos, tudo demora mais, ele tem problemas para se concentrar até mesmo em atividades rotineiras que outros desempenham com facilidade, como fazer compras no supermercado.
 
— Sem sombra de dúvida, eu gostaria de ter a minha vida de volta, construir casas, barcos e surfar no tempo livre — diz.
 
Sua experiência, complicada por um atraso sério de diagnóstico, é um lembrete poderoso de que derrames podem e acontecer com gente jovem. O quanto antes o diagnóstico for feito, menor é a probabilidade de o resultado ser uma deficiência para o resto da vida.
 
Embora a grande maioria de derrames ocorra nas pessoas com mais de 65 anos (o risco é 30 a 50 por mil nesta faixa etária), de 10 a 15% dos casos afetam pessoas de até 45 anos (risco de um em mil). Um estudo realizado por médicos do Programa de Derrames do Centro Médico de Detroit, da Universidade Estadual Wayne, descobriu que entre 57 vítimas jovens de acidente vascular cerebral (AVC), uma em sete recebeu o diagnóstico errôneo de vertigem, enxaqueca, embriaguez, convulsão, labirintite ou outros problemas, recebendo alta sem o tratamento adequado.
 
— Embora as vítimas jovens de derrame se beneficiem mais do tratamento imediato, ele deve ser administrado dentro de quatro horas e meia — diz o neurologista Seemant Chaturvedi, da Wayne, que dirige o programa e efetuou o estudo.
 
Depois de 48 a 72 horas, não existem grandes intervenções disponíveis para melhorar o resultado do derrame, segundo o médico.
 
— Sintomas repentinos, mesmo parecendo triviais, justificam uma investigação meticulosa — acrescenta.
 
Análises posteriores do estudo de Detroit mostraram que os pacientes atendidos por um neurologista no pronto-socorro, bem como quem passou pelo exame de ressonância magnética como parte da investigação diagnóstica inicial, tinham uma probabilidade menor de receber um diagnóstico errado.

— Além disso, os pacientes deveriam estar cientes do risco de derrame independentemente da idade — afirma Chaturvedi.
 
Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças relataram um aumento abrupto dos casos de AVC entre pessoas na casa dos 30 e 40 anos. O aumento nos fatores de risco — obesidade, diabete, pressão alta e apneia do sono — e o aperfeiçoamento do diagnóstico explicam o crescimento.
 
Porém, os pacientes jovens não estão em melhor situação hoje em dia para o reconhecimento dos sintomas do derrame.
 
— Somente de 20 a 30% dos pacientes chegam ao pronto-socorro em até três horas do início dos sintomas. Eles costumam esperar para ver se os sintomas desaparecem por si só, aparecendo no PS de 12 a 24 horas depois — explica.
 
Moral da história
Depois de uma atividade intensa surfando no dia anterior, McGee acordou pela manhã com cor de cabeça e mal-humorado. Ele foi trabalhar, mas voltou para casa com náusea e arrepios. McGee supôs estar pegando a gripe enfrentada pelo resto da família.
 
Depois, no meio da noite, a dor de cabeça descrita por ele como "a pior dor da minha vida", o levou ao pronto-socorro. O médico que o atendeu imaginou ser uma dor de cabeça por tensão muscular, o tratou com analgésicos por via intravenosa, receitou remédios e o mandou para casa.
 
Envergonhado por ter ido ao hospital "somente por uma dor de cabeça", McGee tomou o remédio quando a dor voltou na tarde seguinte. Logo depois, surgiram o que ele pensou serem efeitos colaterais da medicação. Agora ele sabe o que realmente aconteceu: um ataque de isquemia transitória, uma espécie de miniderrame, que o deixou durante algum tempo incapaz de falar e com metade do corpo dormente.
 
Naquela noite, ele caiu da cama tentando ir ao banheiro e perdeu o controle da bexiga no caminho. McGee percebeu que um braço começou tremer de forma incontrolável. Ele voltou ao PS, onde dois médicos pediram uma tomografia computadorizada, que sugeriu uma enxaqueca severa ou AVC. À época, o hospital não possuía equipamento para ressonância magnética, o qual poderia ter revelado o verdadeiro problema: um derrame provocado por uma ruptura na artéria carótida, responsável por alimentar o cérebro.
 
Até a ambulância e a balsa levarem McGee a Boston, onde foi confirmado o diagnóstico de derrame, era tarde demais para o medicamento que destrói coágulos tPA atenuar os efeitos do derrame; a droga deve ser injetada por via intravenosa dentro de três a quatro horas. (Embora alguns médicos temam que o tPA possa causar uma hemorragia fatal numa pessoa com a carótida rompida, Chaturvedi disse que a medicação é "segura e eficaz" em tais pacientes.)
 
Quedas repetidas ao surfar, possivelmente combinadas a uma fraqueza arterial inerente, são a possível explicação para o AVC de McGee. Outras atividades que podem causar a ruptura da carótida são as que envolvem contrações repentinas no pescoço, como mergulho, golfe e tênis, além de manipulação quiroprática e dobrar a cabeça bastante para trás (o chamado derrame do salão de beleza).
 
Porém, a maioria dos derrames que afetam os adultos jovens resulta de coágulos precipitados pelos fatores de risco cardíacos usuais: obesidade, pressão alta, colesterol alto e tabagismo. Abuso de álcool e drogas também são fatores contribuintes; entre as mulheres, o uso de pílulas anticoncepcionais pode elevar o risco de derrame. Pessoas propensas a enxaquecas também têm um risco pouco maior de derrame.
 
Ao contrário do ataque cardíaco, a maioria dos derrames é indolor. Mesmo que os sintomas iniciais sumam, eles devem ser levados a sério.
 
— A tomografia não mostra derrames muito bem nas primeiras 24 horas — disse Chaturvedi.
 
No caso de diagnóstico incerto, deve ser efetuada uma ressonância e o neurologista precisa ser consultado no pronto-socorro.
 
— Os pacientes devem ser proativos, insistir em exames completos e pedir para serem atendidos por um neurologista. Os médicos do PS devem considerar a possibilidade de derrame independentemente da idade do paciente — conclui.
 
Quando agir rapidamente
A principal característica dos sintomas do AVC é seu aparecimento repentino. Assim, assegura Chaturvedi, não importa a idade da pessoa, o aparecimento repentino de qualquer um dos seguintes sintomas deve motivar uma passada no hospital o mais rapidamente possível:
 
— Dormência ou fraqueza da face, braço ou perna, principalmente num dos lados do corpo.
— Confusão, problemas para falar ou compreender a fala.
— Problemas para ver com um ou os dois olhos.
— Dificuldade para caminhar, tontura ou perda de equilíbrio ou coordenação.
— Dor de cabeça severa e repentina sem causa conhecida.
 
Fonte The New York Times
 
Por Zero Hora