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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Roupas-robôs ajudam paraplégicos a andar

Exoesqueletos motorizados fazem com que pessoas paralisadas voltem a ficar em pé e andar sozinhas
 
Quando Joey Abicca apoia a extremidade de uma muleta de metal no piso com o braço direito, minúsculos motores começam a rodar em torno de sua perna esquerda, levantando-a e movimentando-a para frente. Quando faz o mesmo com o braço esquerdo, os motores recomeçam a rodar e Joey consegue dar um passo com a perna direita. O som metálico do aparelho parece saído do filme RoboCop.
 
O que Abicca - de 17 anos, morador de San Diego, na Califórnia - está vestindo é essencialmente um robô. Sua roupa biônica consiste de dois aparelhos mecânicos presos às suas pernas e de músculos elétricos encarregados de grande parte do trabalho que lhe permite andar. O aparelho é controlado por um computador instalado em suas costas e por um par de muletas presas em seus braços, semelhantes a bastões de esqui futuristas.
 
Desde que se acidentou com um equipamento de terraplenagem, há três anos, danificando sua espinha dorsal, Abicca nunca mais conseguiu andar. A roupa especial que ele usa, fabricada pela companhia Ekso Bionics, é uma tentativa de tirá-lo desta situação. "É fantástico. Acho maravilhoso poder ficar em pé de novo", disse o jovem, antes de prender a peça nas pernas durante uma recente visita à sede da companhia na cidade. "O simples fato de estar ereto é maravilhoso."
 
A Ekso é uma de várias companhias e laboratórios de pesquisa que trabalham com robôs que podem ser usados como uma roupa, projetados para ajudar pessoas com deficiência física ou para tornar o corpo humano sobre-humano.
 
Em 2010, a Raytheon apresentou um traje para soldados que reduz os danos provocados ao levantar pesos. Em Israel, a companhia Argo Medical Technologies também produz uma roupa robótica para ajudar os paraplégicos a andar.
 
Pioneirismo
A Ekso afirma ter sido a primeira empresa a produzir uma roupa robótica, que não precisa ficar ligada por fios a uma fonte de energia. E embora sua roupa para paraplégicos hoje seja usada somente em centros de reabilitação, a empresa espera que um dia permita que as pessoas andem pela rua, pelos shoppings e até mesmo pelo mato.
 
 
O nome da Ekso, fundada há sete anos por engenheiros de Berkeley, também na Califórnia, deriva de exoesqueleto ou esqueleto exterior ao corpo. Financiada originalmente pelas Forças Armadas, a companhia colaborou com o câmpus de Berkeley da Universidade da Califórnia e com a empreiteira Lockheed Martin na fabricação de um aparelho chamado Hulc, que permite que os soldados carreguem até 100 quilos de equipamentos em terreno acidentado.
 
Em fevereiro, a Ekso começou a vender exoesqueletos utilizados em fisioterapia para que as pessoas consigam deixar a cadeira de rodas e usar os membros inferiores a fim de que os seus músculos não atrofiem.
 
Cerca de 15 centros de reabilitação dos EUA usam essa roupa; cada uma delas custa US$ 140 mil, juntamente com um contrato anual de serviços de US$ 10 mil.
A roupa biônica, composta de uma estrutura de alumínio e titânio, chamada Ekso, é movida a bateria e pesa cerca de 25 quilos.
 
Ela ainda não chegou ao estágio em que uma pessoa paraplégica possa usá-la independentemente. As baterias duram três horas e então precisam ser substituídas por um fisioterapeuta. Esse supervisor garante também que o paciente não caia; mas, segundo a companhia, centenas de pessoas já caminharam com esse traje e nenhuma caiu.
 
A roupa da Ekso não se limita a ajudar as pessoas a caminhar de novo. Sua versão mais recente, lançada no mês passado, permite andar em diferentes níveis de dificuldade a fim de estimular os pacientes a progredir em sua reabilitação.
 
Treinamento
O aprendizado compreende três modos. No primeiro, quando um paciente começa a aprender a andar com o traje, o fisioterapeuta programa o comprimento e a velocidade do passo e aperta uma tecla do computador para fazer a pessoa dar cada passo.
 
No segundo, o paciente pode dar o passo sem a ajuda das teclas instaladas nas muletas. No terceiro, o mais avançado, quando o paciente aprendeu a se manter em equilíbrio na roupa, ele pode dar um passo simplesmente deslocando o próprio peso.
 
Os pacientes aprendem a caminhar na roupa robótica com surpreendente rapidez, afirma Eythor Bender, diretor executivo da Ekso Bionics, que já trabalhou na Ossur, companhia que fabricava próteses. "As pessoas que nos procuram não caminham há muitos anos", conta Bender. "E em dois dias já estão andando sozinhas."
 
Yoki Matsuoka, ex-diretora de inovação do Google e hoje vice-presidente de tecnologia da Nest, que fabrica um termostato inteligente, disse que está na hora de os exoesqueletos serem promovidos da fase da ficção científica para a realidade comercial. A tecnologia das baterias foi aperfeiçoada de maneira significativa, materiais como plásticos e fibras de carbono hoje são mais leves e duráveis, e os sistemas robóticos são muito mais fáceis de controlar, diz ela.
 
"Nos últimos dez anos, a evolução de alguns desses materiais e de algumas tecnologias nos permite construir robôs que realmente protegem e ajudam o ser humano", afirma.
 
Fonte Estadão

Começou ontem no Brasil Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária

Rio de Janeiro - O Brasil recebeu na noite de ontem (23) o 18º Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária, que reunirá 2 mil cientistas de 59 países para debater os avanços registrados no combate às doenças tropicais negligenciadas, que afetam quase 1 bilhão de pessoas no mundo. Entre essas doenças, estão a malária, doença de Chagas e do sono, leishmaniose, esquistossomose, dengue.
 
O Brasil e a Holanda são, até o momento, os dois únicos países que organizaram e sediaram o evento em duas ocasiões, desde a primeira edição do congresso de medicina tropical, promovido em 1913, em Londres, na Inglaterra. Durante o encontro, que se estenderá até o dia 27, o chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Cláudio Tadeu Daniel Ribeiro, será o primeiro brasileiro a assumir a presidência da Federação Internacional de Medicina Tropical (FIMT).
 
Em entrevista à Agência Brasil, Cláudio Ribeiro salientou a importância do congresso, tendo em vista que as doenças tropicais negligenciadas acometem pessoas em áreas habitadas por populações pobres e com poucos recursos. “São doenças de países pobres e de gente pobre. Elas trazem poucos recursos para ações de controle, infelizmente, e para pesquisas. Por isso, são referenciadas como doenças negligenciadas”, disse o pesquisador do IOC, que preside a comissão científica do congresso.
 
Cerca de 40% da população mundial correm o risco de contrair uma doença tropical negligenciada. É o caso da malária, que registra 220 milhões de casos no mundo e mais de 600 mil mortes por ano, segundo o especialista. O quadro mundial apresenta uma estimativa de 2,5 milhões de pessoas com esquistossomose e cerca do mesmo número com doença de Chagas. Grande parte das pessoas infectadas está no Hemisfério Sul.
 
Ribeiro admitiu que esse cenário deveria preocupar as autoridades sanitárias. “E essa preocupação tem que ser traduzida em priorização de investimento para ações de controle”. Isso envolve tratamento e diagnóstico. Se tratadas adequadamente, doenças como a hanseníase e a doença de Chagas, que levam em média 20 anos e 30 anos para aparecerem os primeiros sintomas, têm chance de cura muito alta, informou. É preciso, segundo ele, que haja recursos para o diagnóstico, pois os casos de malária tratados nas primeiras 48 horas dificilmente vão evoluir para uma forma complicada.
 
Para o pesquisador, é necessário também incluir os jovens nesse processo, de modo a estimulá-los a estudar as doenças tropicais negligenciadas. Embora o Brasil venha investindo de forma crescente em pesquisa – atualmente, são 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) investidos em ciência e tecnologia, contra 1,54% da China e 2,8% dos Estados Unidos –, o país ocupa a 13ª posição do ranking mundial em artigos científicos publicados, apesar de aparecer como a 6ª potência econômica mundial.
 
“Você vê que há, de fato, uma decisão política de investir em ciência e tecnologia, e eu acho que é o que pode garantir um país moderno”, disse. “Acho que podia ir melhor. Mas a gente está indo bem”, completou.
 
Fonte Agência Brasil

Instituto Oswaldo Cruz deve começar a testar em 2013 vacina contra malária em humanos

Rio de Janeiro - O Instituto Oswaldo Cruz (IOC), vinculado ao Ministério da Saúde, já começou a fase de ensaios pré-clínicos em animais para verificar a eficiência da vacina contra a malária no Brasil. Essa é a etapa preliminar necessária para iniciar testes clínicos em voluntários, disse à Agência Brasil o chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do IOC, Cláudio Tadeu Daniel Ribeiro.
 
Ele estima que os ensaios clínicos em humanos poderão começar a ser feitos em 2013. O especialista salientou, porém, que esta fase de operação do projeto é complicada, porque requer uma infraestrutura específica. Entre os requisitos a serem cumpridos estão o consentimento dos voluntários, conhecimento dos riscos, além de questões como biossegurança. A ideia dos pesquisadores do IOC é chegar a uma vacina que possa, ao mesmo tempo, proteger contra a malária e a febre amarela.
 
Embora uma corrente de pesquisadores considere que não é necessário fazer ensaios pré-clínicos em primatas, Cláudio Ribeiro defendeu a necessidade desta etapa. “Estamos, de fato, pensando que seja possível vislumbrar simultaneamente testes em humanos, desde que eles tenham se mostrado promissores no modelo de primatas.”
 
As doenças tropicais negligenciadas, entre as quais está a malária, serão tema do 18º Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária, promovido pela Federação Internacional de Medicina Tropical (IFMT) e pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), em parceria com o IOC. O encontro começou ontem (23) à noite, no Rio de Janeiro.
 
A região Amazônica concentra 99,8% dos casos de malária registrados anualmente no Brasil. No ano passado, somente na Amazônia, o número de casos atingiu 263 mil, contra 320 mil, em 2010. “Na Amazônia, eu digo que não é mais o mosquito que invade as casas do homem, como o mosquito da dengue. É o homem que invade a casa do mosquito, porque dentro da floresta, você não pode pretender eliminar o mosquito”, explicou. A solução é reduzir a área de contato”, completou.
 
Segundo ele, de 807 municípios amazônicos, 57 respondem por 80% dos casos de malária do Brasil, o que equivale a 7% das cidades da região. Desse total, quatro municípios respondem por 25% dos casos. “Isso é um absurdo completo”, destacou. Essas cidades estão concentradas nos estados do Amazonas, Pará, de Rondônia e do Acre. “As prefeituras não investem como deveriam”, disse.
 
Um dos painéis do congresso debaterá o desafio do controle de doenças durante os eventos internacionais que ocorrerão no Brasil e no Rio de Janeiro nos próximos anos, como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O trabalho envolve, em primeiro lugar, a diminuição do contingente de pessoas doentes, sugeriu Ribeiro. “O ideal é conseguir diminuir a transmissão e a extensão da doença e a dimensão do problema no país. Todos vão ser beneficiados: a população local e os viajantes.”
 
Uma segunda operação envolve o mapeamento dessas doenças, para que os indivíduos saibam qual é o risco e para que as autoridades de outros países e organismos internacionais possam fazer recomendações de procedimentos preventivos. Os desafios são de ambas as partes, de acordo com Ribeiro, porque se trata também de evitar que doenças sejam trazidas pelos viajantes estrangeiros.
 
Fonte Agência Brasil

Envolvimento emocional com pacientes terminais pode ser enriquecedor

Brasília - O cotidiano de quem lida com pacientes terminais mostra que um certo envolvimento emocional dos profissionais é fundamental para um fim de vida tranquilo. E não é só para o paciente que esse envolvimento faz bem.
 
Anelise Pulschen, médica coordenadora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Apoio do Distrito Federal, conta que na sua unidade de trabalho há envolvimento com todos os pacientes. “Cada profissional do seu jeitinho. Podemos chorar com eles, rir com eles, comemorar, vibrar, ficar junto com a família. A gente fica muito junto da família, às vezes até mais do que com o próprio paciente”.
 
Ela recorda que certa vez houve uma “força-tarefa” dos profissionais da unidade para encontrar a família de uma paciente branca, de pouco mais de 30 anos, que havia uns anos tinha fugido de casa porque sua família não aceitou seu relacionamento com um rapaz negro. “Ele a colocou em cima de um cavalo e os dois fugiram juntos. Tempos depois, já com dois filhos, ela estava internada aqui, muito debilitada por um câncer que começou na mama, atingiu os ossos, sem conseguir andar, e triste por não mais ter visto sua família e não ter tido um casamento com tudo que a noiva tem direito”.
 
Anelise relembra: “Toda a equipe se envolveu muito com a organização do casamento dessa paciente, que teve direito a vestido de noiva, capela, padre, juíza, damas de honra e toda a família da noiva unida”. Como os profissionais já suspeitavam, pouco mais de uma semana depois do casamento, a paciente morreu.
 
Histórias como essa, de casamentos, aniversários, passeios, perdões e redenções são vividas diariamente pelos profissionais de cuidados paliativos, que têm a missão de trazer alento para os últimos dias dos seus pacientes. O enfermeiro Renato Rodrigues, da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Apoio do Distrito Federal, conta que esse envolvimento não significa um peso levado para casa.
 
”Existem aqueles pacientes que nos cativam. A gente leva 'pra' casa, mas não como um peso ou uma preocupação dolorosa. Você leva pra casa como a lembrança de uma pessoa que você quer bem e naquele momento está passando por dificuldades. Muitas vezes eu tenho insights em casa, às vezes à noite lembro do fulano e tenho alguma solução pra resolver determinada situação que, antes, eu não soube resolver”, conta Renato.
 
De fato é o que se pode ver na Unidade de Cuidados Paliativos do Distrito Federal. Na entrada do corredor que dá acesso aos quartos está exposto um mural com fotos de pacientes que tiveram seus últimos dias em paz e felizes. Lá não existem dietas ou restrições quanto a visitas, e as vontades dos pacientes são ouvidas e, sempre que possível, atendidas.
 
Fonte Agência Brasil

Publicação revela novo tipo de doença no Brasil

São Paulo – Pesquisa brasileira sobre um novo tipo de doença, a tireoidite química autoimune, foi aceita para publicação em um dos periódicos mais conceituados sobre imunologia, o Journal of Clinical Immunology. O estudo, da professora de endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), em Santo André (SP), Maria Angela Zaccarelli Marino, analisou, durante 15 anos, moradores da capital paulista e de quatro cidades do Grande ABC. Ao todo foram avaliados mais de 6 mil pacientes e o resultado sugere a descoberta do novo tipo de doença.
 
A pesquisa teve início após a constatação de muitos casos de tireoidite crônica autoimune na região da divisa entre Santo André, Mauá e São Paulo, onde estão instaladas indústrias do setor petroquímico. Os moradores estudados, de 1989 a 2004, foram acompanhados por consultas médicas e exames laboratoriais de sangue com dosagens dos hormônios tireoidianos.
 
Foram avaliadas 6.306 pessoas com idades de 5 a 78 anos. De acordo com a pesquisadora, os pacientes foram divididos em dois grupos segundo o local de moradia. Na região próxima ao parque industrial petroquímico estavam 3.356 pacientes do grupo 1. O grupo 2 foi composto por 2.950 de uma região afastada de área industrial.
 
Os resultados mostraram que, em 1992, somente 2,5% da população do grupo 1 sofriam de tireoidite crônica autoimune. Em 2001, o mesmo grupo já apresentava taxa de 57,6%. Já a população que vivia longe da área químico-industrial não teve aumento significativo no período. Na comparação geral dos 15 anos, o grupo 1 apresentou 905 pacientes com a doença, contra somente 173 do grupo 2. A região que concentra as indústrias petroquímicas tinha cinco vezes mais casos de tireoidite crônica autoimune na comparação com a área residencial estudada.
 
Os resultados levaram a pesquisadora a sugerir o novo tipo de doença: a tireoidite química autoimune, ligada a fatores ambientais, principalmente à poluição por agentes químicos. “A poluição pode ser o fator desencadeante para formação de anticorpos antitireoideanos, que são substâncias que agridem a glândula tireoide ocasionando a tireoidite crônica autoimune. Os poluentes funcionariam como gatilho para desencadear o problema”, detalha Dra. Maria Angela.
 
A pesquisadora alerta que a tireoidite crônica autoimune está relacionada com outras doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, artrite reumatoide, diabetes tipo 1, hepatite crônica autoimune, vitiligo e lúpus eritematoso sistêmico. “Em crianças, o aumento de casos de tireoidite crônica autoimune foi acima de 40% no período estudado. São dados preocupantes, visto que a doença é a maior causa de hipotireoidismo primário, que se não for tratado adequadamente pode levar a danos irreversíveis”.
 
Gilda Martins descobriu que estava com tireoidite crônica autoimune em 2004, por meio de um exame de rotina. Ela mora em Santo André, perto das indústrias petroquímicas, há 20 anos. “A doença atrapalha muito. Eu sempre fui uma pessoa ativa, não sou parada. Com essa doença eu subo uma ladeira e me sinto cansada, Não tenho mais um bom sono, é a noite toda acordando, fora os problemas respiratórios”.
 
Gilda terá de tomar um medicamente diariamente, até o fim da vida, para repor as substâncias que não são mais produzidas pela tireoide afetada pela doença. “Por não ter uma noite tranquila, fico muito irritada a ponto de explodir, e a pele muito seca, unhas quebradiças”, acrescenta.
 
Fonte Agência Brasil