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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Estudo mostra que ressuscitação prolongada traz benefícios

Estudo mostra que ressuscitação prolongada traz benefícios  T.C. Worley/NYTNS
Estudo aponta que médicos estão desistindo rápido demais da
ressuscitação cardiopulmonar (RCP) Foto: T.C. Worley / NYTNS
Pacientes têm uma chance melhor de sobreviver em hospitais que insistem na RCP por pelo menos nove minutos a mais
 
Quando um paciente hospitalizado sofre uma parada cardíaca, uma das questões mais difíceis com as quais a equipe médica se confronta é por quanto tempo continuar a ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Agora, uma nova pesquisa envolvendo centenas de hospitais sugere que muitos médicos podem estar desistindo rápido demais.
 
A pesquisa descobriu que os pacientes têm uma chance melhor de sobreviver em hospitais que insistem na RCP por pelo menos nove minutos a mais, em média, do que em hospitais onde as tentativas são interrompidas mais cedo.
 
Não existem diretrizes claras, baseadas em evidências, que indiquem por quanto tempo se deve continuar tentando a RCP.
 
Os resultados desafiam o pensamento médico convencional, para o qual prolongar a RCP em pacientes hospitalizados geralmente é inútil, alegando que quando os pacientes sobrevivem, geralmente sofrem danos neurológicos permanentes. Contrastando com essa visão, os pesquisadores descobriram que os pacientes que sobreviveram à RCP prolongada deixaram o hospital tão bem quanto aqueles que foram ressuscitados rapidamente.
 
A pesquisa, publicada recentemente na revista The Lancet, na Internet, é uma das maiores do gênero e uma das primeiras a relacionar a duração das tentativas de RCP às taxas de sobrevivência. Ela deve fazer com que os hospitais analisem suas práticas e considerem mudanças se estiverem insistindo pouco na ressuscitação, disseram vários especialistas.
 
A cada mil pacientes hospitalizados, de um a cinco sofrem uma parada cardíaca. Geralmente, eles são mais idosos e estão mais doentes do que os pacientes que sofrem parada cardíaca fora do hospital, e geralmente seu desfecho não é tão feliz: menos de 20 por cento sobrevivem até ter alta do hospital.
 
— Um dos desafios que enfrentamos quando um paciente hospitalizado tem uma parada cardíaca é identificar por quanto tempo devemos continuar a RCP se o paciente não estiver reagindo. Não existem regras nessa área — diz Zachary D. Goldberger, principal autor da nova pesquisa, que foi financiada pela Associação Americana de Hospitais, a Fundação Robert Wood Johnson e os Institutos Nacionais de Saúde.
 
Goldberger e sua equipe reuniram dados do maior cadastro de pacientes que sofreram parada cardíaca em hospitais do mundo, mantido pela Associação Cardiológica Americana, identificando 64.339 pacientes que tiveram parada cardíaca em 435 hospitais nos Estados Unidos entre 2000 e 2008.
 
Tentativas mais longas
Os pesquisadores examinaram os pacientes adultos em leitos hospitalares comuns ou unidades de tratamento intensivos, excluindo pacientes que estavam em prontos-socorros ou que sofreram parada durante os procedimentos. Eles calcularam a duração média das tentativas de RCP dos não sobreviventes, e não dos sobreviventes, a fim de medir a tendência que um hospital tem de insistir em tentativas de RCP por mais tempo.
 
Uma das primeiras surpresas foi a variação significativa na duração da RCP entre os hospitais, que vai de uma média de 16 minutos em hospitais que investem menos tempo na tentativa de reanimar pacientes até uma média de 25 minutos nos que investem mais — uma diferença de mais de 50%.
 
Inicialmente, os pesquisadores pensavam que iriam descobrir que alguns pacientes estavam sendo submetidos a tentativas mais longas de RCP em vão, diz Brahmajee Nallamothu, pesquisador sênior que trabalhou no estudo, professor associado da Universidade de Michigan e cardiologista da Centro Médico de Veteranos de Guerra de Ann Arbor.
 
Contudo, como se viu, os minutos extras representaram uma diferença evidente. Os pacientes de hospitais que dedicaram mais tempo às tentativas de RCP tiveram uma probabilidade 12% maior de sobreviver e voltar para casa do hospital do que aqueles internados em hospitais que dedicaram menos tempo às tentativas de RCP.
Nallamothu e sua equipe descobriram que a função neurológica dos pacientes não se alterou, independentemente da duração da RCP.
 
Resultados podem mudar prática
Os pacientes que mais se beneficiaram com o prolongamento da RCP foram aqueles que não reagiram à desfibrilação ou que foram submetidos a choques. Os minutos extras gastos na RCP prolongada podem possibilitar que os médicos tenham tempo para analisar a situação e experimentar diferentes intervenções.
 
— Às vezes, usando a RCP, é possível fazer com que o sangue e o oxigênio continuem circulando por mais de 30 minutos, e ainda conseguir que os pacientes sobrevivam e, o que é mais importante, que tenham uma boa sobrevivência neurológica — diz Jerry P. Nolan, consultor em anestesia e medicina intensiva do Hospital Real Unido do Sistema Nacional de Saúde, em Bath, Inglaterra, que escreveu um comentário que acompanha o artigo.
 
Stephen J. Green, diretor associado de cardiologia do Sistema Judaico de Saúde de North Shore-Long Island, que não esteve envolvido na pesquisa, disse que os hospitais podem ter de modificar suas práticas à luz da nova pesquisa.
 
— Ninguém quer ficar na parte de baixo desse gráfico. Os hospitais cujas estatísticas são insatisfatórias devem reavaliar o que estão fazendo e pensar em prolongar a duração de suas tentativas de RCP— diz Green.
 
Ainda assim, ele e outros especialistas temem que as novas descobertas possam motivar o prolongamento de tentativas de reanimar pacientes para os quais o procedimento não é apropriado, considerando que eles estão no final de vida, ou ainda por outras razões.
 
— Não teremos um número mágico. Se o procedimento estiver sendo realizado com duração de 10 a 15 minutos, é preciso intensificar a RCP, mas ao intensificarmos cada vez mais, talvez cheguemos a um ponto em que a ressuscitação será muito pouco provável.
 
Os autores da pesquisa reconhecem que o trabalho não indica que prolongar os procedimentos de RCP é a melhor opção para todos os pacientes.
 
— A última coisa que queremos é que a moral da história seja de que todas as pessoas devem ser submetidas a uma RCP mais longa. Nós não temos como identificar uma duração ideal do procedimento para todos os pacientes hospitalizados — diz Goldberger.
 
Fonte The New York Times
 
Por Zero Hora

Campanha em idioma indígena é lançada com foco na violência contra a mulher e na prevenção ao vírus HIV

Brasília – O aumento da contaminação com o vírus HIV nas comunidades indígenas fez com que pela primeira vez uma campanha de conscientização fosse lançada na língua tikuna, idioma falado por mais de 30 mil índios no Brasil. Além do tikuna, a segunda edição da campanha Mulheres e Direitos no Brasil também está disponível em português, inglês e espanhol e tem como foco a violência e a prevenção ao vírus da Aids.
 
Um estudo realizado pela Amazonaids, constatou uma taxa de prevalência de sífilis de 2,3% e de HIV de 0,13% nas comunidades do Alto Solimões e do Vale do Javari. O levantamento foi feito por iniciativa das Organizações das Nações Unidas (ONU) e do governo brasileiro e examinou mais de 20 mil índios dessas regiões.
 
A Amazonaids é um grupo gestor que inclui representantes dos governos federal, estadual do Amazonas, municipais e sociedade civil, incluindo parceiros como Unicef, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ Aids (Uniaids), Fundação Alfredo da Mata, Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas e Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV.
 
“Os povos indígenas devem ser cada vez mais objeto de respeito cultural e pleno exercício do direito à informação em seu próprio idioma. Materiais educativos sobre HIV também têm sido elaborados pela Unesco em outros idiomas de povos indígenas do Alto Solimões”, explicou o representante do Unaids no Brasil, Pedro Chequer.
 
Também estão na campanha a União Europeia, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres (Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres). O material a ser distribuído em todo o país inclui fôlders e cartazes com informações sobre os tipos de violência contra a mulher e como denunciá-las. Os vídeos para TV e spots para rádio foram inspirados em depoimentos reais.
 
A violência contra a mulher é uma das causas da contaminação pelo vírus HIV. Ainda segundo os organizadores da campanha, a cada cinco minutos uma mulher é agredida no país; a cada duas horas, uma mulher é assassinada. Em 80% dos casos, o agressor é o marido, companheiro ou namorado.
 
A embaixadora Ana Paula Zacarias, chefe da delegação da União Europeia no Brasil, destacou que, desta vez, a maior preocupação foi desenhar uma campanha que tivesse impacto local, chegando às comunidades mais afastadas e carentes, ressaltando os aspetos da violência contra a mulher, como as doenças sexualmente transmissíveis. “Este tipo de ação conjunta e direcionada se torna imprescindível no âmbito do combate à violência de gênero", disse.
 
“É no cotiano da vida das mulheres, dentro das casas , dentro dos municípios, dentro das comunidades onde a violência é mais brutal , onde a violência é mais violenta e onde a Lei Maria da Penha ainda não consegue chegar”, disse a ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci.
 
Eleonora disse que há dois meses foram abertas as duas primeiras delegacias dos direitos das mulheres em áreas de fronteiras e que agora, o governo tem como meta triplicar as linhas de fronteiras de Norte a Sul do país e transformar essas delegacias estaduais em federais. “ É nesse sentido que as delegacias tem um empoderamento maior”, disse a ministra.
 
Fonte Agência Brasil

76% dos brasileiros têm dieta que ameaça a saúde do coração

Pesquisa ouviu 2.002 pessoas de todas as regiões do País. Entre os fumantes, índice de alimentação ruim é ainda maior e chega a 81%
 
Brasileiros de todas as regiões do País, e de todas as classes sociais, negligenciam frutas e legumes da dieta e com isso colocam em risco a saúde cardíaca, revela pesquisa divulgada nesta terça-feira (9).
 
O estudo, feito pelo Ibope a pedido de uma indústria farmacêutica, ouviu 2.002 pessoas de todas as regiões e estratos econômicos.
 
Os dados apontam que, em geral, 76% dos estudados não comem a quantidade mínima de seis porções de alimentos in natura – preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o que aumenta a carga nociva ao sistema cardiovascular.
 
“Estamos perdendo a capacidade de comer frutas e vegetais e isso indica que estamos priorizando outros produtos (como carnes, laticínios e industrializados)”, afirma o médico nutrólogo, professor da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto, José Ernesto dos Santos.
 
A longo prazo, os resultados são mais infartos, acidentes vasculares cerebrais e aumento da taxa de colesterol inadequado e diabetes, as doenças que, não por coincidência, são as líderes de mortalidade no Brasil.
 
“O último garoto-propaganda que tivemos da alimentação saudável foi o Popeye, com a sua latinha de espinafre. De lá para cá, não há publicidade para enaltecer o tomate, a cenoura, o alface. Já os alimentos que fazem mal ao coração são amplamente divulgados”, completou Santos que estuda o impacto da dieta nas doenças cardiovasculares desde 1976.
 
Fumantes ainda pior
O mesmo levantamento indicou que 22% dos participantes da pesquisa são fumantes. Entre eles, a dieta inadequada é ainda mais presente e chega a 81% dos entrevistados, cinco pontos porcentuais a mais do que os não tabagistas. A explicação é de que a população já sabe quais são os hábitos de risco, mas ainda não conseguiu reverter a informação na prática.
 
Prova disso é que, apesar de sete em cada dez entrevistados não ter alimentação adequada, 87% dizem que se preocupam com o coração e estão dispostos a alterar a alimentação.
 
“É muito mais fácil mudar o conhecimento do que o comportamento. É nesta janela entre teoria e prática que nós precisamos atuar”, complementa o professor da USP.
 
“Óbvio que o fumante que tem uma dieta saudável corre menos risco do que aquele que fuma e ainda se alimenta mal. Quando há uma aglutinação de fatores nocivos, o coração é transformado em uma bomba-relógio."
 
Em declínio
A saúde cardíaca do brasileiro está em declínio, mostram dados do Ministério da Saúde. Há um aumento gradual de obesidade e a ciência mostra que as células gordurosas são os principais gatilhos de infarto.
 
Entre 2006 e 2011, 11 milhões de brasileiros entraram para as estatísticas de obesos mórbidos. Até os mais jovens ganharam peso e um levantamento feito pelo iG Saúde mostrou que isso fez crescer em 9% os casos de infarto entre os menores de 50 anos, idade considerada precoce.
 
Se os números da balança evidenciam a negligência com o peso, os índices que medem o colesterol não são sequer conhecido pelos brasileiros, mostra o mesmo estudo. Apesar desta informação também ser um marcador importante da saúde cardíaca, 73% dos entrevistados desconhecem os próprios índices.
 
Priorizar a alimentação rica em frutas e verduras também melhora os índices de colesterol.
 
Veja os alimentos que ajudam a diminuir as taxas nocivas do colesterol e, de quebra protegem o coração:
  • Abacate: rico em ácido oleico, substância que protege contra o acúmulo de LDL (o colesterol ruim) e ajuda a manter as taxas de HDL no sangue.
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  •  Alho: rico em uma substância chamada saponina, que reduz o colesterol ruim (LDL).
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  • Aveia: ela contém uma fibra que auxilia na redução do colesterol LDL. Consumir 3g dessa fibra pode reduzir em até 20% o colesterol total.
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  • Berinjela: ela contém (principalmente na casca) antocianinas, substâncias que reduzem colesterol total, frações e ainda os triglicérides.
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  • Cebola: além de reduzir o colesterol, ela tem ação anti-inflamatória, o que impede a formação de coágulos nos vasos sanguíneos.
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  • Cevada e outros grãos integrais: eles contêm bons níveis de fibras, selênio e beta-glucano, uma substância que ajuda a baixar o colesterol LDL, o mau colesterol.
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  • Chia: rica em fibras e ômega 3, uma dobradinha poderosa contra o colesterol.
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  • Feijão: rico em fibras solúveis, adicioná-lo à dieta proporciona reduções significativas do colesterol total e do LDL.
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  • Laranja, limão e outras frutas cítricas: são ricas em fibras solúveis e ainda contêm altas doses de vitamina C, uma dupla poderosa contra o colesterol alto
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  • Linhaça: fonte de ômega 3 e ácido linoleico, reduz o colesterol e a glicose no sangue.
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  • Maçã: ela é rica em fibras solúveis e contém altas doses de flavonoides e antioxidantes que reduzem o colesterol no sangue.
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  • Morango e frutas vermelhas: lotados de antioxidantes, que inibem a oxidação das partículas LDL (o colesterol ruim).
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  • Nozes em geral: ajudam na redução do colesterol porque são ricas em gorduras poli-insaturadas. Na circulação sanguínea, elas reduzem o LDL.
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  • Óleos vegetais de canola e girassol: são ricos em fitoesteróis, substâncias que barram a absorção de gordura da dieta, o que favorece a redução do colesterol.
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  • Peixes ricos em ômega 3 (salmão, atum, bacalhau, etc): essa substância auxilia no controle e na redução do colesterol e dos triglicérides.
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  • Quiabo: aqui, é a grande quantidade de fibras solúveis que ajuda a reduzir o colesterol no sangue.
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  • Quinua: além de alto teor de fibras, contém saponina, uma substância que reduz o colesterol produzido no fígado.
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  • Soja e derivados: rica em vitamina E, ela aumenta os níveis de HDL, o bom colesterol.
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  • Tomate: o licopeno presente nesta fruta não se limita a ajudar a prevenir o câncer de próstata, mas também reduz o colesterol na corrente sanguínea.
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  • Uva e suco de uva: aqui o dono do “milagre” se chama resveratrol, presente tanto na fruta quanto no suco integral dela.
 
Fonte iG

A depressão que se esconde no mau humor

Foto: Divulgação
Mau humor pode mascarar um forma leve de depressão
 conhecida como distimia
Cara fechada pode ser sinal de distimia, doença que antecede a depressão grave
 
Todo mundo tem seus dias de mau humor. Eles, em geral, são decorrentes de brigas familiares, conflitos profissionais, dificuldades financeiras, excesso de trânsito, calor, frio, sono... Motivos não faltam para perder a simpatia.
 
Até ai, tudo bem. Mas o mau humor é também um dos principais indicadores da distimia, uma forma leve de depressão prevalente em 5% da população mundial. Sem tratamento, ela evolui para depressão crônica em 80% dos casos, o que pode implicar no uso contínuo de medicamentos.
 
“O problema é que muitos ignoram a doença acreditando estar apenas com mau humor”, alerta Ricardo Moreno, psiquiatra do Hospital das Clínicas e diretor da unidade de disfunções do humor.
 
A distimia não “derruba” como a depressão nos níveis mais avançados. Ela é sutil. Aparece como um mau humor sem causa aparente, mas que facilmente encontra algum bode expiatório em meio à correria cotidiana.
 
“São sintomas de intensidade mais leve se comparados com episódios depressivos, mas que atormentam a pessoa por dezenas de dias seguidos”, explica Moreno.
 
Para o psiquiatra Kalil Duailibi, professor da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e ex-coordenador de saúde mental da Secretaria municipal de Saúde de São Paulo, estar com distimia é como andar com 70% das energias.
 
“A pessoa consegue trabalhar, mas é menos produtiva, consegue cumprir suas tarefas diárias, mas nunca está 100%”, explica.
 
Início gradual
Ter a cara fechada por 15 dias seguidos é um forte indício da doença, mas o diagnóstico requer avaliação clínica detalhada. “A maior incidência é no adulto jovem, entre 20 e 25 anos, pois além de ser o período mais produtivo da vida, a personalidade da pessoa já se formou”, observa Moreno.
 
Mas nem sempre o problema é percebido. “A doença surge lenta e gradualmente. É um processo contínuo, sem mudanças bruscas, por isso pode não ser notado”, esclarece Duailibi.
 
Além do mau humor, mais sintomas podem aparecer, embora muitos acabem se manifestando discretamente. São eles: baixa autoestima, baixa tolerância, excesso de melancolia, irritabilidade e alterações constantes de pensamento.
 
“Há uma certa tendência ao isolamento”, acrescenta o professor da UNISA. Nos adultos, a doença causa mau humor. “É como se tudo fosse uma grande dificuldade”, conta. Já nos adolescentes, a distimia costuma causar irritabilidade.
 
Ponte sob pressão
Duailib conta que a expressão estresse surgiu na engenharia civil. “É um termo relacionado ao quanto uma ponte pode suportar”, afirma. E isso passou a ser usado para identificar o desgaste emocional nos seres humanos.
 
Por uma combinação de fatores genéticos e de estrutura emocional, cada pessoa tem sua cota específica de desgaste. “Alguns aguentam mais, outros menos. Mas todos estão sujeitos a sofrer um estresse grande demais e entrar em depressão”, conta o psiquiatra.
 
Por conta desta variação individual, é difícil apontar situações nas quais a pessoas poderá estar sujeita a ter distimia. “Um adolescente pode ter o problema desencadeado porque não consegue entrar na faculdade que gostaria, enquanto outros encaram essa dificuldade sem sofrer”, compara Duailibi.
 
Além disso, nem sempre é preciso que exista um fator desencadeador da doença. A pessoa pode simplesmente ter uma predisposição e desenvolvê-la, sem aviso prévio.
 
Final de ano
Enquanto os comerciais de televisão retratam famílias sempre unidas e sorridentes no Natal, os consultórios psiquiátricos ficam com a agenda lotada. “Final de ano é uma época complicada. Tem quem sinta falta das pessoas que perdeu, há quem faça a contabilidade do ano e fique frustrado”, exemplifica o médico.
 
Os próprios encontros familiares representam algum perigo. “Pode haver algum problema mal resolvido entre os familiares”, afirma. E isso, somado à necessidade de estar bem, imposta pela época, colocam ainda mais pressão sobre a pessoa.
 
Controle constante
Como qualquer outro tipo de depressão, a distimia não tem uma cura definitiva. Ela deve ser controlada e monitorada. O tratamento é duradouro, feito com base em medicamentos e abordagens psicológicas e psicoterapêuticas.
 
“Mesmo que o indivíduo venha a ter uma melhora significante, é importante persistir no tratamento, para evitar o aparecimento de novos episódios”, esclarece Moreno.
 
Duailib reforça a importância do tratamento medicamentoso. “Dizem que é preciso só força de vontade para superar a doença, mas a verdade não é bem essa. É preciso o uso de medicamentos para evitar que a distimia se torne uma depressão crônica”, afirma.
 
Fonte iG

Mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo

Saiba mais sobre a doença
 
Mais de 350 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão ou problemas mentais, segundo as últimas cifras da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicadas por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, que será celebrado nesta quarta-feira (10).
 
Segundo estimativas da OMS, a depressão é comum em todas as regiões do mundo. Um estudo realizado com o apoio da OMS mostra que em torno de 5% de pessoas sofreram com a depressão no último ano.
 
"As mulheres são mais propensas a sofrer com a depressão do que os homens", explicou Shekhar Saxena, diretor do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias Psicoativas da OMS.
 
Entre elas, o número de casos é 50% mais elevado que nos homens. A maior prevalência nas mulheres, explicou Saxena, se deve principalmente à depressão pós-parto que afeta até uma em cada cinco.
 
A depressão, segundo a OMS, é diferente das mudanças de humor mais comuns. Ela se manifesta por um sentimento de tristeza que dura ao menos duas semanas e que impede a pessoa de levar uma vida normal.
 
É fruto da interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Em muitas ocasiões, está relacionada com a saúde física. Uma doença cardiovascular pode, por exemplo, desencadear a depressão.
 
Além disso, em circunstâncias particulares, como as dificuldades econômicas, o desemprego, as catástrofes naturais e os conflitos podem aumentar o risco.
 
Nos casos mais graves, a depressão pode levar ao suicídio. Cerca de um milhão se suicida a cada ano e uma grande porcentagem padece de depressão profunda.
 
Mais de 50% das pessoas que se matam sofriam de depressão, segundo Saxena. Quanto mais desenvolvido é o país, mais aumenta a incidência da doença entre a população, alertou o especialista.
 
Devido ao estigma associado à doença, muitos dos portadores de depressão não admitem que a têm. Além disso, segundo Saxena, a depressão muitas vezes está mal diagnostica em jovens e crianças.
 
A primeira etapa do tratamento consiste em admitir que se sofre com a doença e buscar ajuda, enfatiza a OMS. A entidade atestou em um comunicado que "quanto antes se coloca o tratamento em andamento, mais eficiente ele é". O tratamento da depressão em geral é feito com medicamentos e terapia.
 
"Existem tratamentos muito eficazes contra a depressão. Infelizmente, menos da metade das pessoas deprimidas recebe os cuidados de que necessita. Esta cifra é, inclusive, inferior a 10% em muitos países", conclui Saxena.
 
Fonte iG