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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Resultados do IMC podem indicar obesidade para pacientes em forma

O educador físico Alexandre Silva, de 25 anos, malha pelo menos uma hora por dia nos últimos 12 anos. Com um corpo atlético, pesa 85kg e mede 1,71m. Apesar de apenas 11% de sua massa corporal ser composta por gordura, o jovem seria considerado acima do peso, beirando o primeiro grau de obesidade, de acordo com o seu Índice de Massa Corporal (IMC) – cálculo usado para aferir a proporcionalidade entre peso e altura.
 
Apesar de ser uma popular ferramenta para controlar o aumento de peso, o IMC apresenta distorções, como é o caso do educador físico, e, para corrigir essas falhas, uma pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) propõe reformular a forma no cálculo passando a incluir a quantidade de gordura do paciente.

Atualmente, para se calcular o IMC é preciso dividir o peso pelo quadrado da altura. Mesmo simples, o cálculo abre brecha para os chamados falsos gordos, pessoas que, como Alexandre, embora estejam em forma, apresentam um IMC alto dado à grande quantidade de massa corporal; além dos falsos magros, que, no caminho inverso, apesar de pesar pouco, mantêm um alto percentual de gordura. “É importante ressaltar que o IMC é um índice universalmente aceito, porém ele foi desenvolvido no início do século 19, quando havia outro panorama epidemiológico mundial”, explica a autora do estudo, a nutricionista Mirele Savegnago Grecco, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

Assim, a ideia da pesquisadora foi elaborar um cálculo universal que se ajustasse mais à realidade atual, em que há cada vez mais pessoas obesas, “possibilitando uma detecção mais precoce da obesidade e, consequentemente, uma intervenção clínica mais rápida, que vai evitar ou minimizar o risco de desenvolvimento de doenças associadas à obesidade, como a hipertensão e o diabetes”, aponta a pesquisadora paulista. Por isso, na nova formulação foi incluído o percentual de massa gorda, que é a quantidade de gordura que o indivíduo tem no organismo. “Além disso, (com o novo índice) pode-se gerar uma redução importante nos custos para os serviços de saúde”, completa Grecco.

O modelo proposto tem, obviamente, diferente contagem: o peso multiplicado por três é somado a quatro vezes a massa gorda e o resultado dessa adição é dividido pela altura do indivíduo. No caso de Alexandre, o Índice Ajustado à Massa Gorda – como foi batizada a criação de Mirele Grecco – ficaria em 1,74, considerado normal pela tabela. “O IMC tradicional é suficiente para classificar apenas os indivíduos que se encontram nos extremos”, justifica a cientista. “Esse é o caso dos subnutridos, que têm baixos percentuais de gordura corporal, e dos obesos, que têm elevadas porcentagens de massa gorda”, explica a nutricionista. Ela testou o cálculo em 500 pacientes para criar uma fórmula simples que se ajustasse também às pessoas com outros biótipos, como alta massa e pouca gordura e baixa massa e muita gordura.

Precisão

O avaliador físico Flávio Bonora concorda com a eficácia do Índice Ajustado à Massa Gorda. “Realmente, ele corrige as distorções do IMC e ajuda o avaliador a fazer uma análise mais precisa da situação física dos pacientes”, opina. Acostumado a lidar com pessoas que estão iniciando atividade física ou buscando mais condicionamento, ele conta que é bastante comum clientes que usam o IMC se frustrar na hora de fazer uma análise mais detalhada.

“É muito comum com mulheres estar dentro do peso ideal e, portanto, com um bom IMC, mas, na hora em que é medido o percentual de gordura do corpo, elas descobrem que têm um perfil de sobrepeso ou mesmo de obesidade”, explica. Problemas como esse ocorrem em casos, inclusive, de pessoas que apresentam fisionomia de peso normal. “Como o percentual de gordura está alto, mesmo não aparentando estar gorda a pessoa corre os mesmos riscos relacionados à obesidade, como hipertensão e diabetes”, explica o avaliador físico Flávio Bonora.
 
“Para essas pessoas, o novo índice servirá como um referencial claro de que é preciso perder peso e melhorar o condicionamento físico. O mesmo vale para atletas que têm grande massa corporal e pouca gordura, mas, nesse caso, em geral a própria pessoa já conta com a orientação de um profissional”, completa. Segundo Bonora, contudo, a ampla implementação do Índice Ajustado à Massa Gorda esbarra em um problema. “O IMC só leva em consideração peso e altura. Se por um lado em alguns casos isso pode levar à distorção dos resultados, por outro é uma medida fácil de calcular, já que em geral todo mundo sabe o próprio peso e altura”, afirma.
Para calcular o novo índice, seria necessária a ajuda de um adipômetro, um pequeno aparelho semelhante a um alicate. Com ele, o educador físico mede a espessura da camada de pele e de gordura sob o músculo em sete partes do corpo. O resultado é comparado a uma tabela de referência que dá o percentual de gordura do paciente. “Não é uma medida tão simples de se obter. Talvez em um contexto médico seja possível de se obtê-la e aplicá-la, mas em casa, de maneira simples como é com o IMC, não é possível”, completa.
 
Mais estudos testam o índice
Duas pesquisas publicadas em setembro no European Heart Journal também colocaram em xeque a eficiência do Índice de Massa Corporal (IMC). Durante três anos, cientistas analisaram a mortalidade de 64 mil suecos com problemas cardíacos.
 
Os voluntários foram divididos em grupos de acordo com o IMC. Após a análise, o gráfico da mortalidade ficou em forma de U, indicando que as pessoas enquadradas nos extremos – as muito magras e muito gordas – tinham o mais alto risco de morrer do que as na condição intermediária, como sobrepeso e obesidade mórbida. Realizada na Universidade de Granada, em Espanha, a segunda pesquisa analisou a saúde de 43 mil americanos, divididos de acordo com o nível de obesidade.
 
Após 14 anos de avaliações, os cientistas chegaram à conclusão de que obesos saudáveis tiveram um risco 38% menor do que os não saudáveis de morrer por qualquer causa. A redução de morte por problema cardíaco ou câncer foi de 30% a 50%.
 
Fonte Correio Braziliense

França: Comissão rejeita estudo que vincula milho transgênico a câncer

Paris - Duas comissões científicas francesas rejeitaram nesta segunda-feira um polêmico estudo coordenado por pesquisadores do país segundo o qual ratos alimentados com milho transgênico sofrem câncer e morrem antes, e pediram um estudo "independente".

O Alto Conselho de Biotecnologia (ACB) e a Agência de Segurança sanitária se pronunciaram nesta segunda-feira contra o estudo realizado pela equipe do professor de Biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Eric Seralini, cujas conclusões alertavam para os riscos para a saúde dos organismos geneticamente modificados.

O primeiro a se pronunciar foi o ACB, que afirmou não ter encontrado uma relação de causa entre os tumores dos ratos e o consumo do milho transgênico, como assegurava o estudo publicado em setembro por cientistas da Universidade de Caen.

Os métodos utilizados na pesquisa, que concluiu que os ratos alimentados com milho transgênico produzido pela gigante americana de agroquímica Monsanto sofrem de tumores cancerígenos e morrem antes, são "inadequados", destacou o ACB, que examinou a pesquisa a pedido do governo francês. O ACB recomendou um "estudo a longo prazo, independente e transparente" sob a autoridade do poder público a respeito da segurança para a saúde do milho transgênico NK603.
 
Esta pesquisa deve levar em conta "visões contraditórias" para poder "responder às dúvidas da sociedade" sobre a toxidade ou inocuidade do milho transgênico, ressaltou o Comitê econômico, ético e social do Alto Conselho de Biotecnologia.

Após a decisão do ACB, Seralini declarou que o milho transgênico produzido pela Monsanto deve ser proibido, à espera de uma nova pesquisa.

O estudo dos cientistas da Universidade de Caen - que analisaram durante dois anos os efeitos em duzentos ratos do milho transgênico NK603 e do herbicida Roundup, o mais utilizado no mundo e produzido também pela Monsanto - reavivou a polêmica sobre os organismos geneticamente modificados (OGM).

O estudo da Universidade de Caen concluiu que nos ratos alimentados com transgênicos aparecem tumores até 600 dias antes que nos ratos 'indicador' (não alimentados com transgênicos), enquanto no caso das fêmeas aparecem na média 94 dias antes, o que aumentou os temores sobre os riscos para a saúde dos seres humanos dos alimentos geneticamente modificados.

A Agência de Segurança Sanitária francesa também rejeitou nesta segunda-feira as conclusões do estudo da equipe de Seralini, que, segundo ela, "não permitem questionar as avaliações regulamentares procedentes sobre o milho transgênico NK603 e o Roundup".

Esta agência também pediu "a mobilização das finanças públicas nacionais e europeias dedicadas à realização de estudos e pesquisas" sobre este tema.

O professor da Universidade de Caen considerou que a recomendação nesta segunda-feira do ACB de realizar um "estudo independente" constitui um "progresso", mas opinou que, enquanto isso, este milho produzido pela Monsanto deve ser "proibido".

A publicação, em setembro, da pesquisa da equipe de Seralini gerou muitos chamados pedindo a suspensão da autorização de cultivo destes produtos, e levou o governo francês a lançar um "procedimento rápido" para verificar a validade científica do mesmo.

A França também declarou que se for confirmado que os transgênicos agrícolas são perigosos para a saúde, pedirá sua proibição em nível europeu, e também apresentou o tema à Agência de Segurança Sanitária.

Ao anunciar nesta segunda-feira os resultados que invalidam o estudo dos cientistas da Universidade de Caen, o ACB ressaltou que a nova pesquisa independente deve oferecer respostas às dúvidas da sociedade sobre os transgênicos.

"A meta do novo estudo é tranquilizar a opinião pública, que não sabe mais em que acreditar", disse Christine Noiville, presidente do comitê econômico, ético e social do Conselho.
 
Fonte Correio Braziliense

Congresso apresentará anestésico inalatório que promete mais conforto

Belo Horizonte — Substâncias extraídas de plantas, gelo, neve, hipnose e até álcool para embriagar. Todos esses recursos já foram usados no passado para driblar a dor de quem era submetido a uma cirurgia. De lá para cá, os métodos anestésicos evoluíram muito.
 
Hoje, a anestesia é um procedimento médico de alta segurança. Contudo, mesmo com toda a evolução, os procedimentos exigem profissionais altamente capacitados e acesso a novos recursos tecnológicos para garantir ausência de dor e de riscos para o paciente.

Os avanços na área e temas como mortalidade em anestesia, dor crônica e complicações perioperatórias, entre outros, serão discutidos no 59º Congresso Brasileiro de Anestesiologia (CBA),que começou ontem em Belo Horizonte.
 
“Programamos temas que estão presentes no dia a dia dos médicos, com foco na experiência clínica e na reflexão dos dogmas que rondam a especialidade”, explica Jaci Custódio, presidente da Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais e um dos organizadores do evento.
 
Fonte Correio Braziliense

Homens são melhores que as mulheres em termos de multitarefas, diz estudo

Estocolmo - As mães que trabalham provavelmente realizam mais tarefas que os maridos, mas a crença de que as mulheres podem desempenhar muitas tarefas ao mesmo tempo melhor que os homens é um mito, segundo um estudo sueco.

"Pelo contrário, os resultados de nosso estudo mostram que os homens são melhores que as mulheres no que diz respeito a fazer muitas tarefas", afirma Timo Maentylae, professor de Psicologoa na Universidade de Estocolmo. Os homens, às vezes, são melhores do que as mulheres na administração de múltiplas tarefas ao mesmo tempo e a diferença de rendimento está relacionada com o ciclo menstrual feminino, de acordo com o estudo, que será publicado na revista americana Psychological Science.

De acordo com pesquisas anteriores, homens e mulheres que têm a chamada boa memória de trabalho mostraram um rendimento melhor no momento de executar múltiplas tarefas na comparação com os que não possuem a habilidade. Mas Maentylae descobriu que a capacidade de combinar várias tarefas diferentes ao mesmo tempo também está relacionada com a chamada capacidade espacial que, nas mulheres, está vinculada com a fase menstrual. "Estudos anteriores demonstraram que as habilidades espaciais das mulheres variam ao longo do ciclo menstrual, com maior capacidade perto da menstruação e muito menor perto da ovulação, quando os níveis de estrogênio são altos", explicou.

"Os resultados mostraram uma clara diferença entre homens e mulheres no que diz respeito à realização de múltiplas tarefas na fase de ovulação, enquanto o efeito fica eliminado nas mulheres na fase menstrual", completou. Os participantes no estudo, 160 homens e mulheres com idades entre 20 e 43 anos, foram instruídos para realizar um acompanhamento de três relógios digitais, que mostravam diferentes horas a diferentes velocidades.

Enquanto registravam determinados tempos mostrados pelos relógios, definidos por um conjunto simples de regras, eles também tinham que observar uma lista de nomes comuns suecos, apertando um botão quando um dos nomes era repetido. As diferenças na capacidade espacial e a memória de trabalho se basearam em testes separados.
 
Fonte Correio Braziliense

Remédio usado no tratamento a diabetes tipo 2 combate consumo da cocaína

Consumida mundialmente, a cocaína age no cérebro inibindo a remoção do excesso de dopamina para o interior da célula. Com a substância circulando em maiores quantidades, o usuário da droga tem uma sensação de prazer em grande escala.
 
Embora pareça inofensivo, o acúmulo do neurotransmissor no tecido cerebral provoca, com o tempo, a morte de neurônios, danificando o sistema nervoso central. Como se trata de uma substância viciante, combater seu uso se torna uma tarefa árdua que depende, principalmente, da força de vontade do usuário. Contudo, um medicamento utilizado no tratamento do diabetes melito tipo 2 pode ser um grande aliado no combate ao vício da cocaína.
 
Pesquisadores da Universidade de Vanderbilt, em Nashville, nos Estados Unidos, comprovaram que o remédio agiu no mecanismo de compensação da cocaína e os resultados foram publicados hoje na revista Molecular Psychiatry, do grupo de publicações da Nature.

A Exendina-4 (Ex-4) é utilizada no tratamento do diabetes por promover uma grande sensação de saciedade, além de reduzir os níveis de glicose no plasma e aumentar a produção de insulina após o consumo de alimentos.
 
No estudo norte-americano, ela foi escolhida por ser uma versão de longa duração do glucagon-like peptide-1(GLP-1) natural. Este é liberado em resposta à ingestão de alimentos para, por meio dos mecanismos centrais e periféricos, regular a homeostase energética. A Ex-4 tem ação semelhante a essa proteína natural, só que mais potente.

Fonte Correio Braziliense