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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Nova técnica traz precisão às cirurgias no fígado

O Inca (Instituto Nacional de Câncer) estreou neste mês uma nova técnica para a retirada de tumores no fígado.
 
Batizada de hepatonavegação, ela leva para a sala de cirurgia uma torre com rastreador infravermelho capaz de detectar os instrumentos médicos e mostrar sua localização exata em uma imagem em três dimensões do órgão.
 
Mauro Monteiro, da seção de cirurgia abdômino-pélvica do Inca, diz que foi a primeira vez que a inovação foi utilizada na América do Sul.
 
Segundo ele, a técnica ajuda a definir a parte do órgão que será retirada e a evitar o corte de vasos sanguíneos, diminuindo sangramentos e facilitando a recuperação.
 
"O fígado é um órgão muito vascularizado. Se o tumor é profundo, há o risco de atingir os vasos, já que a visualização é difícil", explica. "O cirurgião tem de se basear em tomografias, ultrassonografias e na sua experiência para definir o corte."
 
Na cirurgia deste mês, porém, as tomografias foram processados por um software que criou uma imagem em três dimensões do fígado da aposentada Júlia Cardoso, 67.
 
Uma "garra" com sensores foi acoplada aos instrumentos, comunicando-se com o rastreador infravermelho colocado ao lado do leito.
 
Após a abertura do abdômen, os médicos passaram um desses instrumentos sobre o fígado, estabelecendo uma relação espacial entre o órgão e a imagem 3D na tela.
 
A partir daí, a posição exata de bisturis e equipamentos passou a ser exibida, permitindo aos cirurgiões observar a proximidade com o tumor e com os vasos sanguíneos. "Isso dá muito mais precisão à cirurgia", diz Monteiro.
 
Segundo ele, o avanço foi resultado de uma parceria entre a Unigranrio, onde ele leciona, e os engenheiros Raul Queiroz Feitosa e Dario Oliveira, da pós-graduação da PUC-Rio. Foi isso que possibilitou o desenvolvimento do software 3D Liver, que gera as imagens do órgão. O programa é de domínio público.
 
Depois, entrou no projeto a empresa brasileira Artis, que cedeu o equipamento de navegação. A torre com rastreador e as "garras" com sensores já são usadas em cirurgias neurológicas.

Produção própria
"Em vez de importar, nossa ideia era desenvolver o aplicativo aqui", diz Monteiro. Segundo ele, existem apenas duas empresas no mundo que produzem sistemas para a hepatonavegação. Os preços por unidade variam de R$ 300 mil a R$ 570 mil.
 
Ele não soube informar quanto foi gasto no projeto brasileiro, mas vê vantagens no investimento. "É uma tecnologia que se paga, pois reduz o tempo de internação."
 
A boa recuperação da aposentada Júlia Cardoso parece confirmar a tese. Há sete anos, quando foi submetida à sua primeira cirurgia para a retirada de um tumor no fígado, ficou 11 dias internada, precisou de transfusão e teve várias complicações.
 
Desta vez, voltou para casa em cinco dias. O tumor, porém, era menor. "Fiquei com medo de que fosse começar tudo de novo, mas foi bem mais tranquilo", comemora.
 
Editoria de Arte/Folhapress
operacao de figado, 28/10
Fonte Folhaonline

Novo exame melhora diagnóstico de HIV em países pobres

Cientistas desenvolveram um novo exame para o vírus causador da Aids dez vezes mais sensível e que custa uma fração dos métodos existentes, oferecendo a promessa de um melhor diagnóstico e tratamento nos países em desenvolvimento.

O exame utiliza a nanotecnologia para dar um resultado que pode ser visto a olho nu, em que a amostra fica vermelha ou azul, de acordo com pesquisa de cientistas do Imperial College, em Londres, publicada na revista Nature Nanotechnology.

"Nossa abordagem oferece uma sensibilidade melhorada, não requer instrumentação sofisticada e é dez vezes mais barata", disse à Reuters Molly Stevens, que liderou a pesquisa.

Exames simples e rápidos para HIV que analisam a saliva já existem, mas eles podem apenas identificar o vírus quando atinge concentrações relativamente elevadas no corpo.

"Poderemos detectar a infecção até mesmo naqueles casos em que os métodos anteriores, como o teste de saliva, dão um 'falso negativo' porque a carga viral estava muito baixa para ser detectada", disse.

O exame também pode ser reconfigurado para detectar outras doenças, como septicemia, leishmaniose, tuberculose e malária, disse Stevens.

O exame não é fundamental apenas para detectar o HIV cedo, mas também para monitorar a eficácia de tratamentos.

"Infelizmente, os melhores métodos de detecção também podem ser muito caros para ser implementados em partes do mundo onde os recursos são escassos", disse Stevens.

De acordo com informações de 2010 da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 23 milhões de pessoas com HIV vivem na África Subsaariana, de um total de 34 milhões de pessoas infectadas no mundo.

O vírus também está se espalhando mais rápido e matando mais pessoas nessa parte do mundo. A África Subsaariana é responsável por 1,9 milhão de novos casos, de um total global de 2,7 milhões no mesmo ano, e de 1,2 milhão das 1,8 milhão de mortes.

O novo sensor funciona através do exame do soro, um fluído transparente e aquoso derivado de amostras de sangue, em um recipiente descartável, e busca a presença de um biomarcador de HIV, chamado p24.

Se o p24 estiver presente, mesmo em concentrações mínimas, ele faz com que as pequeníssimas nanopartículas douradas se aglutinem em um padrão irregular que torna a solução azul. Um resultado negativo as separa em forma de bolas, que geram a cor vermelha.

Os pesquisadores também utilizaram o exame para detectar o biomarcador para o câncer de próstata, chamado Antígeno Prostático Específico, que foi alvo de trabalhos anteriores que Stevens fez com colaboradores na Universidade de Vigo, na Espanha.

Stevens e seu colaborador no novo exame, Roberto de la Rica, disseram que pretendem procurar organizações globais de saúde sem fins lucrativos para ajuda-las a fabricar e distribuir o novo sensor em países de baixa renda.

Fonte Estadão

Depressão é principal motivo para paciente com HIV deixar tratamento

Estudo feito pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas com 201 soropositivos que interromperam a terapia mostrou que 53% falharam na adesão por estarem deprimidos
 
SÃO PAULO - A depressão é o principal motivo que leva pacientes com HIV a abandonar o tratamento. Um estudo feito pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas com 201 soropositivos que interromperam a terapia mostrou que 53% falharam na adesão por estarem deprimidos. A falta de tempo para comparecer às consultas e o medo de perder o emprego também apareceram como fatores importantes: 38% alegaram esses motivos para cessar o acompanhamento médico.
 
O levantamento envolveu pacientes que abandonaram as consultas por pelo menos seis meses sem justificativas. Com base nas conclusões do estudo, o Emílio Ribas criou um grupo de adesão semanal. Batizado de Tá Difícil de Engolir? - em referência à quantidade de pílulas que alguns dos pacientes têm de tomar diariamente -, o projeto funciona como uma terapia em grupo, na qual cada um relata suas próprias dificuldades em relação ao tratamento.
 
O grupo é acompanhado por uma equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais e psicólogos. "O objetivo é que o paciente fale sobre sua situação para, desta maneira, um estimular o outro. À medida que surge alguma dúvida, a gente interfere para explicar", diz o assistente social Claudemir Leite de Almeida.
 
Ele observa que é bastante comum que o paciente com doença crônica, como o HIV, em determinado momento, interrompa a terapia. O grupo de adesão, segundo ele, é apenas uma das estratégias para estimular o paciente, que também deve receber recomendações nas consultas de rotina e nos grupos de acolhimento.
 
Além da depressão e da falta de tempo para comparecer às consultas, outros motivos que também contribuem de forma importante para a falta de adesão são os efeitos colaterais do tratamento, o estigma da doença e a falta de autoestima.
Nas palavras de um paciente que compareceu ao grupo anteontem - e preferiu não ser identificado -, "tomar o remédio não é só um ato físico, mas principalmente um ato interno: para tomar o remédio, a pessoa tem de querer o melhor para si, tem de se gostar e estar disposta a lutar". A falta de amor próprio, alavancada pelo peso do estigma da doença, foi o que o levou a interromper a medicação durante um período de sua vida.
 
O aspecto simbólico vinculado às pílulas também está associado à dificuldade de aderir ao tratamento. Almeida observa que o remédio é a parte concreta que lembra o paciente de que ele tem um problema de saúde. "Os medicamentos têm essa carga psicológica. Fazem a pessoa entrar em contato com a doença todo dia."
 
Suscetibilidade
O médico Augusto Penalva, coordenador do Serviço de Neuropsiquiatria do Instituto Emílio Ribas, explica que os pacientes com HIV estão mais suscetíveis aos transtornos neuropsiquiátricos, que incluem depressão, ansiedade e problemas cognitivos. Essa suscetibilidade ocorre por duas razões: tanto pelos aspectos psicossociais associados à doença quanto pelos fatores orgânicos.
 
A própria doença viral ataca o sistema nervoso central, levando à ocorrência de algumas dessas enfermidades. São os chamados transtornos neurocognitivos associados ao HIV (Hand, na sigla em inglês).
 
A reação do organismo à interrupção do medicamento é muito variável, conforme Penalva. Ele observa que isso pode variar de acordo com a forma como se deu o tratamento inicial: soropositivos que começam a se tratar precocemente, quando interrompem a medicação, tendem a demorar mais tempo para sentir os efeitos negativos. Já os que começaram a se tratar quando a doença já estava avançada tendem a reagir à interrupção com uma rápida queda de imunidade.
 
Para Penalva, o levantamento mostra que o tratamento da aids é mais complexo que apenas colocar a medicação à disposição. "É preciso abordar o paciente de maneira mais profunda", diz o coordenador.
 
Fonte Estadão

Serviço em São Paulo acompanha albinos

Albinismo ocular
Piloto da Santa Casa oferece atendimento médico e psicológico; ideia é expandi-lo para todo o País
 
Ser albino não significa apenas ter pele e olhos bem mais claros que o resto da população. A falta de melanina no organismo torna mais comum a ocorrência de problemas de saúde na pele e nos olhos. A condição rara, que afeta em média 1 entre cada 17 mil habitantes na Europa (no Brasil, ainda não existe uma estimativa), demanda cuidados médicos especiais.
 
Foi com o objetivo de conhecer melhor as especificidades dos albinos no Brasil que médicos da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo criaram um serviço de atendimento especializado para essa população. Trata-se de um projeto piloto que, se tiver bons resultados, poderá ser levado para todos os serviços de saúde conveniados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), de acordo com o dermatologista Marcus Maia, que está à frente da iniciativa.
 
Hoje, o projeto Pró-Albino - como foi batizado - atende 56 albinos de São Paulo na Santa Casa. Eles são avaliados a cada três meses por Maia e pelo oftalmologista Roberto Yuiti Sano. Os especialistas cuidam para que problemas como câncer de pele, envelhecimento precoce e perda da visão não se estabeleçam nesses pacientes. Com base nos atendimentos, está sendo criado um cadastro para catalogar as principais doenças associadas à falta de pigmento.
 
Entre os pacientes, há desde crianças pequenas até idosos. "A ideia é pegar essa criança e oferecer a oportunidade para os pais cuidarem da forma mais adequada", observa Maia. Durante a infância, é comum que os albinos tenham dificuldades na escola por problemas de visão.
 
O oftalmologista Ronaldo Yuiti Sano, da Santa Casa, explica que a íris do olho do albino não tem pigmento e deixa que muita luz entre, o que faz com que eles não enxerguem corretamente. Além disso, existe uma alteração da percepção de cores, de contraste e de brilho. "O importante é fazer com que procurem cada vez mais cedo o tratamento. Hoje temos muita experiência com células-tronco que podem, futuramente, ajudar a melhorar essa falta da melanina", diz Sano.
 
No caso de Isabel Correia Lanzeloti, de 4 anos, os cuidados especiais começaram logo nos primeiros meses de vida. "Por causa de meu conhecimento como bióloga, entendi que tinha de buscar profissionais especializados: por isso procurei um dermatologista voltado para a prevenção contra o câncer de pele e ela recebe acompanhamento oftálmico desde que tinha 4 meses", diz a mãe, Renata Isabel Correia Lanzeloti, de 31 anos.
 
Renata conta que a chegada de um albino à família demanda uma estrutura especial. "Foi bastante difícil, entrei até em depressão. Não sabia como lidar com o preconceito", diz. Por causa do contraste entre a cor da pele do bebê e a dos pais, mais morenos, a família percebia insinuações de que a garota pudesse não ser filha do casal. "O preconceito, na nossa sociedade, ainda é forte. Hoje, aprendi a lidar bem com a situação."
 
A menina frequenta o projeto Pró-Albino e recentemente passou a receber atendimento psicológico na Santa Casa. Ela usa óculos desde os 6 meses e, a partir dos 2 anos, passou a usar lentes que escurecem ao contato com o sol. O protetor solar é repassado a cada duas horas, mesmo em dias chuvosos. Poucos minutos no sol sem a devida proteção são suficientes para o surgimento de pintas e manchas.
 
Para o analista de sistemas Paulo Henrique Prado Oliveira, de 29 anos, o que mais incomoda em ser albino é a visão prejudicada. "A visão é o que limita: o fato de não poder dirigir, por exemplo." Ele ficou sabendo sobre o projeto da Santa Casa nas redes sociais. Foi também pela internet que ele conheceu sua noiva, que é albina e mantém um blog informativo sobre a condição.
 
Na opinião da engenheira e estudante de Educação Física Andreza Cavalli, de 32 anos, o projeto Pró-Albino pode reverter o desconhecimento sobre o tema, que há mesmo na classe médica. "Muitos dermatologistas não sabem lidar com o albinismo, desconhecem a necessidade até do protetor solar."
 
Para sair de casa, um acessório imprescindível para Andreza é o boné, que ajuda a proteger contra a claridade. "Temos de lidar com isso, da mesma forma como o mundo não foi feito para canhotos."
 
De acordo com Maia, caso o projeto se expanda, vai ser mais fácil determinar a quantidade de albinos no Brasil e descobrir como se distribuem os genes relacionados à condição entre os brasileiros. "Com isso, é possível, por exemplo, exigir subsídio do governo para a fotoproteção."
 
Fonte Estadão

Primeiros Socorros: Estado de choque

O choque acontece quando o fluxo de oxigênio para as células do corpo diminui ou para por completo. Ele vai aumentando gradativamente e causando danos nos tecidos de acordo com sua extensão, até o momento em que o coração não recebe oxigênio suficiente e para de bater, causando a morte.
 
Esta emergência pode ter diversas causas: grande perda de sangue, infarto, aceleração do coração, queimaduras graves, traumatismos de crânio, tórax e abdômen, envenenamentos, afogamento, choque elétrico, picadas de animais venenosos, mudança brusca de temperatura e infecção.
 
Se a vítima apresentar algum dos sintomas abaixo, é necessário agir rapidamente, principalmente para tentar evitar que ela entre em choque.

Como reconhecer:
- Pele pálida, úmida, pegajosa e fria

- Orelhas, lábios e pontas dos dedos arroxeadas

- Suor na testa e nas palmas das mãos

- Fraqueza geral

- Pulso rápido e fraco

- Sensação de frio

- Respiração rápida, curta, irregular ou muito difícil

- Pupilas dilatadas, agitação, medo

- Muita sede

- Visão nublada

- Náuseas e vômitos

- Confusão mental

- Perda total ou parcial de consciência

- Aceleração dos batimentos
 
Como agir:
- Deite a vítima de costas. Afrouxe as roupas no pescoço, no peito e na cintura. Em seguida, verifique se há prótese dentária, objetos ou alimento na boca e retire-os.

- Eleve as pernas da vítima em relação ao restante do corpo com uma almofada ou qualquer outro objeto (se não houver fraturas ou ferimentos no tórax e na cabeça)

- Se ela estiver inconsciente, ou se estiver consciente, mas sangrando pela boca ou pelo nariz, deite-a de lado, apoiada sobre o lado esquerdo

- Caso a vítima pare de respirar, inicie a respiração boca a boca. Coloque a cabeça dela para trás, para que a língua não bloqueie a passagem de ar e tampe as narinas dela. Sopre dentro da boca da vítima até ver o peito se mexer. Repita o procedimento até a emergência chegar

- Se a pessoa estiver fria, agasalhe-a

- Mantenha-a calma e observe se ocorre alguma mudança grande no estado da vítima para informá-la à equipe de socorro
 
Fonte iG