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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Oncologista explica por que a obesidade aumenta o risco de câncer

Tecidos adiposos liberam variedade de fatores, dentre eles, a adiponectina, envolvida na carcinogênese

Hábitos alimentares não saudáveis associados com pouca atividade física, além da predisposição genética, tornaram a obesidade um problema global crescente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, no ano de 2015, existirão em torno de 2,3 bilhões de adultos com excesso de peso e 700 milhões de obesos no mundo.

Na evolução do ser humano, o corpo desenvolveu a capacidade de armazenar gordura nas células adiposas para se proteger de períodos de fome. Porém, quando essas células esgotam sua capacidade, a gordura começa a ser depositada em outros órgãos do corpo, principalmente nos músculos e no fígado, começando o processo de obesidade.

O oncologista e pesquisador Stephen Stefani, do Instituto do Câncer Mãe de Deus, menciona que a National Cancer Institute americano já assinala a obesidade como fator de risco para o câncer, principalmente de intestino grosso, mama após menopausa, esôfago, tireoide, endométrio e rim.

Entre os mecanismos mais recentes descritos para explicar a relação entre câncer e obesidade está o fato de que as células adiposas podem ser fontes de processos inflamatórios de baixo grau, mas sistêmicos. Os tecidos adiposos liberam uma variedade de fatores, dentre eles, a adiponectina, envolvida na carcinogênese.

A adiponectina é um hormônio segregado principalmente pelo tecido adiposo, com um efeito importante anti-inflamatório, ocorrendo uma menor produção quando há o acumulo de gordura. Assim, na obesidade, o organismo perde, em boa medida, o efeito protetor dessa substância.

A obesidade também desencadeia o estresse oxidativo, que ocasiona danos celulares, aumentando o risco de câncer. O estresse oxidativo ocorre quando a capacidade antioxidante celular é excedida, gerando um acúmulo de radicais livres. O organismo possui mecanismos para controlar a quantidade de radicais livres. Contudo, o desequilíbrio gerado pela obesidade faz com que haja um aumento desses componentes, ocasionando comprometimento celular.

A inflamação sistêmica em conjunto com o estresse oxidativo, consequentes da obesidade, geram prejuízos silenciosos ao organismo ao longo do tempo, tanto celulares como dos órgãos vitais, aumentando o risco de câncer.

Cuidados com a alimentação, exercícios físicos regulares e, em alguns casos, o uso de medicamentos e cirurgias são indicados para o tratamento da obesidade, mediante avaliação do estado de saúde por um médico.
 
Fonte Zero Hora

Comportamento adolescente online pode estar criando geração com distúrbios psicológicos

Saiba como reconhecer se o seu filho está com problemas na internet
 
Na sala de aula, Caroline*, 16 anos, é tímida. Não fala se não é questionada e, quando puxam conversa, limita-se a responder o estritamente necessário, desviando o olhar com as bochechas ruborizadas. No Twitter, ela tem uma conta anônima onde posta tudo o que realmente gostaria de dizer. Desfia palavrões, ameaças e confidências estou muito gorda, quero desaparecer, da próxima vez te dou um soco...
 
O tipo de comportamento mostrado pela adolescente preocupa parte das comunidades acadêmica e escolar.
 
– Atualmente, muitos jovens estão assumindo uma personalidade para cada perfil, cada situação. Na escola, são uma pessoa. Na internet, várias outras – alerta a pedagoga Rafaella Perrone Tubino, coordenadora pedagógica de Ensino Médio de uma escola particular de Porto Alegre.
 
Especialistas já projetam algumas consequências desse tipo de atitude.
 
– Alguns estudiosos acreditam que, a médio e longo prazo, esses jovens possam apresentar perturbações mentais – alerta a doutora em Educação Maria Luisa Merino Xavier.
 
Porém, não é preciso se desesperar: o fato de seu filho usar a internet não o torna necessariamente problemático. O problema maior é com quem passa a maior parte do tempo livre conectado, bem como aqueles que têm mais propensão psicológica, genética e social a apresentar distúrbios. Ainda assim, a professora-doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) Sueli Damergian ressalta que nenhum adolescente está imune aos perigos do mundo online:
 
– Eles estão em fase de transição, então, podem ser facilmente desencaminhados. Se nós, adultos, nos conhecemos pouco e não sabemos até onde somos capazes de ir, imagine eles. A internet tira o tempo de autoconhecimento. Aquele momento em que ele poderia estar voltado para dentro, se perguntando como poderia melhorar, na verdade está teclando, colocando tudo para fora, de forma automática.
 
Para o bem e para o mal
Gabriela*, 17 anos, culpa justamente o imediatismo pelos erros que já cometeu nas redes sociais. Algumas vezes, quando se perturba com alguém, desabafa publicando “indiretas” pelo Twitter.
 
– Já arrumei briga no colégio, e já arrumaram comigo, por causa de comentários nas redes sociais. Quando se está com cabeça quente, é complicado. Quando paro para pensar, já postei alguma coisa e, em um segundo, todo mundo já viu – reflete.
 
Por situações desse tipo, ela tem uma ou outra antipatia por alguém. Aconteceu situação pior com um grupo de alunos de uma escola particular de Porto Alegre. A turma do 2ª ano do Ensino Médio tinha um grupo fechado no Facebook, onde apenas os membros poderiam ver o conteúdo. Uma parte dos 28 integrantes começou a usar o grupo para caçoar de um outro menino da turma, conta uma das envolvidas, Marcela*, 15 anos. Os outros estudantes tiveram acesso ao material, e o caso chegou à vice-diretoria.
 
– Chegou-se a falar em entrar na Justiça, na época. E ainda ficou um clima muito chato nos corredores – lembra ela.
 
Do ocorrido, ficou o ensinamento de nunca mais falar mal de alguém na internet. Os comentários, no entanto, voltaram às rodinhas de amigos depois que o susto passou.
 
O caso ilustra bem a opinião do professor de Comunicação da UFRGS Alex Primo, pesquisador da cibercultura e mídias sociais. Segundo ele, a internet apenas potencializa qualquer comportamento – para o bem e para o mal –, pois, na internet, “não há filtro moral”, explica. Então, um comentário maldoso que ficaria apenas em um pequeno grupo de pessoas, acaba tendo uma divulgação muito maior do que a esperada. A boa notícia é que a ferramenta também pode ser usada para expandir boas ações. Incentive seu filho.
 
*Os nomes foram modificados para preservar a identidade dos adolescentes.

Reconheça se seu filho está com problemas na internet
Você sabe quais são os vários perigos da rede: pedófilos à espreita, incitação à violência, ao uso de drogas e encontro de todos os tipos de criminosos e práticas delinquentes.
 
Porém, por outro lado, há uma série de sites que incentivam o ensino, auxiliam no aprendizado e são ótimos para diversão. Portanto, o primeiro passo é orientar bem o seu filho ao tipo de material que ele acessa. Depois, sempre mantenha um diálogo aberto para que ele possa confiar em se abrir para você caso tenha um problema.
 
No entanto, alguns adolescentes têm mais dificuldade em falar. Por isso, você pode contar com uma pequena lista, elaborada pela professora-doutora do Instituto de Psicologia da USP Sueli Damergian. Nela, constam alguns sinais de que algo não está indo bem.
 
Principais sinais
  • Perda de interesse por assuntos que costumavam chamar atenção do adolescente
  • Declínio no desempenho escolar
  • Apresentação de comportamento estranho, alienado da realidade
  • Arruma compromissos toda hora
  • Passa muito tempo no computador
 
Fonte Zero Hora

O câncer não espera na fila

Por Cláudia Collucci
 
Há uma semana o Senado aprovou o projeto de lei que fixa um prazo máximo (60 dias) para início do tratamento de pacientes com câncer pelo SUS. Ainda falta a sanção da presidente Dilma Rousseff, que dificilmente vetaria um projeto dessa natureza.
 
Mas será que existe alguma chance de esse prazo ser respeitado pela rede pública? Tenho minhas dúvidas.
 
O tratamento do câncer é uma das áreas mais críticas do SUS. Segundo relatório do Tribunal de Contas da União, em 2010, só 34% dos pacientes de câncer conseguiram fazer radioterapia. Outros 53% demoraram muito para conseguir uma cirurgia.
 
O tempo médio de espera por uma quimioterapia foi de 76 dias. Apenas 35% dos pacientes foram atendidos em 30 dias, prazo que o próprio Ministério da Saúde recomenda e considerado o ideal pelos especialistas. Na radioterapia, são 113 dias de espera, em média.
 
Apenas 16% são atendidos no primeiro mês. Isso sem contar o tempo precioso perdido entre o cidadão perceber que tem algo errado, conseguir consulta com especialista e encontrar vaga em centro oncológico.
 
Estágio avançado
Essa espera faz com que muitos pacientes comecem o tratamento com o tumor em estágio mais avançado e, portanto, com menor chance de cura. Estudos mostram que enquanto em outros países os pacientes com câncer sobrevivem de 12 a 16 anos, em média, no Brasil esse tempo é reduzido para dois a quatro anos.
 
Diante desse cenário, fica difícil pensar que, num passe de mágica, as pessoas passarão a ser atendidas em até dois meses após o diagnóstico da doença --com medicamentos, quimioterapia, radioterapia e cirurgia.
 
O fato é que o país não se preparou para enfrentar a doença, que tem 500 mil novos casos por ano. Faltam leitos, equipamentos e profissionais qualificados. E não há solução a curto prazo. É preciso que se faça investimentos no desenvolvimento de uma infraestrutura que possa dar vazão à demanda, que só crescerá com o envelhecimento populacional.
 
O que acontece hoje no Estado de Rondônia (Norte) é um bom exemplo para entender o tamanho da complicação. Quase todos (97%) dos pacientes que têm câncer diagnosticado por lá viajam mais de 3.000 km para serem atendidos no Hospital de Câncer em Barretos, interior de SP, porque não existem centros especializados naquela região.
 
O próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reconhece a desigualdade de acesso ao tratamento oncológico, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, mas diz que o SUS tem ampliado o volume de recursos para tratamento contra o câncer. No ano passado, foram R$ 2,2 bilhões de investimentos --R$ 400 milhões a mais do que em 2010.
 
Padilha também já anunciou a compra de 80 aceleradores nucleares (ainda em processo licitatório) para a realização de radioterapia, o principal gargalo no serviço público. Mas isso, na melhor das hipóteses, só começará a funcionar em 2015.
 
Disparidade
Enquanto isso, milhares de brasileiros vão continuar morrendo porque não tiveram a mesma sorte de pessoas como a presidente Dilma e o ex-presidente Lula de estarem em um centro oncológico de excelência, onde puderam diagnosticar e tratar seus tumores precocemente.
 
Há três anos, uma pesquisa feita com mulheres que tiveram câncer de mama mostrou que a sobrevida das que são tratadas no SUS é 10% menor do que aquelas acompanhadas pelos serviços privados. Entre elas, o câncer também foi diagnosticado em estágios mais avançados (36% contra 16%).
 
A incorporação recente da droga trastuzumabe no SUS (usada por 25% das mulheres com câncer de mama), dez anos depois de a rede privada já oferecê-la, é outro exemplo da disparidade entre os mundos da saúde pública e da privada.
 
Portanto, garantir o atendimento integral aos doentes oncológicos em um menor período de tempo possível é a única chance de o país reduzir as mortes evitáveis pela doença. Não há números de quantas elas seriam, mas uma coisa é certa: o câncer não espera na fila.
 
Fonte Folhaonline

Descoberta abre caminho para diagnóstico de câncer antes de tumor 'aparecer'

Pesquisa em ratos detectou proteína que pode também permitir exame único para várias modalidades da doença
 
Cientistas britânicos descobriram uma proteína presente em muitos tipos de câncer, o que poderia, no futuro, levar a um exame único capaz de detectar várias modalidades diferentes da doença. O sistema também poderia ser usado para calcular doses precisas de radioterapia.

O grupo, baseado no Instituto Gray de Oncologia e Biologia da Radiação, relatou ao Instituto Nacional de Pesquisa de Câncer da Grã-Bretanha ter identificado câncer de mama em ratos semanas antes de um caroço inicial ser detectado.

A mesma proteína, chamada gamma-H2AX, é encontrada em tumores de pulmão, pele, rins e bexiga e é produzida como uma reação do organismo a DNA danificado.

De acordo com os cientistas, este é um dos primeiros indícios de que uma célula está se tornando cancerígena.

Formação de tumores
O estudo utilizou um anticorpo que é o "parceiro perfeito" para a gamma-H2AX e capaz de procurá-la no organismo.

O anticorpo recebeu então pequenas quantidades de material radioativo, servindo como "termômetro" para identificar a presença de câncer no organismo.

Caso os médicos identifiquem um acúmulo de radiação num determinado ponto do corpo, há grandes chances de que ali esteja o início da formação de um tumor.

Diagnóstico precoce
Além do benefício da criação de um exame único para várias modalidades de câncer, a nova técnica deve auxiliar no diagnóstico precoce da doença.

A professora Katherine Vallis diz que, nos ratos usados em laboratório, caroços só puderam ser sentidos quando as cobaias já tinham cerca de 120 dias de idade, mas "nós detectamos mudanças antes disso, entre 90 e cem dias - antes de um tumor ser clinicamente aparente".

Ela disse à BBC que a proteína gamma-H2AX era, em grande parte, um "fenômeno comum" e que "seria um sonho" desenvolver um exame único para vários tipos de câncer.

Estágio inicial
Embora a comunidade científica e os pacientes que lutam contra a doença tendam a ver os estudos em torno da nova técnica com muita esperança, eles ainda se encontram em um estágio bastante preliminar.

"Esta pesquisa inicial revela que rastrear essa molécula importante poderia nos permitir detectar danos no DNA em todo o organismo. Se estudos mais aprofundados comprovarem isso, a proteína poderia nos fornecer uma nova rota para detectar o câncer em sua fase muito inicial, quando ainda há mais chances de tratá-lo com sucesso", disse a cientista.

Julie Sharp, do instituto britânico Cancer Research UK, avalia o estudo como um avanço.

"Esta pesquisa importante revela que ter como alvo esta molécula-chave poderia nos fornecer uma rota animadora por novos caminhos para detectar o câncer em um estágio inicial e ajudar a aplicar radioterapia e monitorar seus efeitos sobre os tumores".
 
Fonte Estadão

ANS quer que planos enviem remédio para portadores de doenças crônicas

Com problemas de artrite e tendinite, a vendedora Janete Lopes, de 54 anos, começou um tratamento à base de cápsulas de ômega 3, que têm efeito anti-inflamatório. Mas não levou adiante. "Era muito caro. Só as cápsulas custavam R$ 300 para dois meses. Parei por conta própria", diz ela, que tomou os medicamentos por cinco meses. É esse tipo de problema que a resolução 310 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que entrou em vigor na última sexta-feira, quer contornar. A norma incentiva operadoras de saúde a oferecer medicamentos para doenças crônicas.

O objetivo, segundo a gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, Martha Oliveira, é reduzir o subtratamento de doenças como diabete, hipertensão, insuficiência coronariana e asma brônquica. "A continuidade do tratamento de doenças crônicas é determinante para o sucesso. E não basta distribuir o remédio. É preciso fazer o monitoramento do paciente", afirma. Caberá às operadoras definir como esse acompanhamento será feito.
 
As empresas poderão cobrar a mais por oferecer o serviço. Elas também receberão outros incentivos da ANS, que ainda serão definidos. A maior parte das operadoras ainda aguarda a publicação das regras pela agência para fazer os cálculos atuariais e definir se vão oferecer o benefício.
 
A oferta de medicamentos para grupos específicos já é praticada em alguns planos de autogestão (aqueles gerenciados sem fins lucrativos e que têm como beneficiários empregados e aposentados de uma empresa, como a Cassi, dos funcionários do Banco do Brasil).
 
"Na maior parte das nossas associadas, o medicamento é dado sem custeio adicional. O beneficiário precisa participar de programa de promoção de saúde e gestão de crônicos. Temos estudos e evidências dentro da própria autogestão que apontam que o paciente, quando tem a medicação e a disciplina do cuidado, passa por menos complicações e internações. E, a longo prazo, isso tem um impacto nos custos", afirma o presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), Denise Eloi.
 
Por outro lado, o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) analisou 60 artigos científicos publicados nos Estados Unidos, onde a oferta de medicamento já é comercializada, e chegou à conclusão de que os planos ficaram mais caros, sem evidências de que houve uma redução da internação.
 
"Os artigos não demonstraram que a população tem melhor estado de saúde ou menor taxa de internação. Mostra que teve algum efeito para as classes mais baixas e nenhum efeito para as rendas média e alta", afirma o presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin. A entidade representa 29 empresas, líderes de mercado.
 
Críticas
A portaria da ANS recebeu críticas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) por não contemplar planos antigos, anteriores a 1999, e por não determinar que o reajuste deve ser submetido à ANS. "Os planos individuais têm reajuste previamente aprovado pela ANS. Essa resolução não tem nenhuma cláusula dizendo que o reajuste dos planos individual e familiar serão autorizados pela agência. Ela está desregulando uma parte dos contratos que deveria regular", diz Claudio Thadeu de Oliveira, gerente técnico do Idec.
 
Renata Vilhena Silva, advogada especialista em direito à saúde, diz que os consumidores devem ficar atentos à cobrança pelo serviço. "É uma forma de burlar os valores dos reajustes. O que vai valer é a livre negociação." Ela lembra que alguns remédios já são distribuídos pela rede pública, como os para hipertensão e colesterol.
 
Fonte Estadão