Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vacina contra a malária fracassa em testes com bebês

O teste de uma das principais vacinas experimentais contra malária teve resultados decepcionantes, segundo artigo na revista especializada "New England Journal of Medicine".
 
Apesar de dados iniciais encorajadores, a imunização conseguiu diminuir em apenas 30% o risco de as crianças vacinas desenvolverem a doença.
 
O teste foi feito com cerca de 6.500 bebês, com idades entre seis e 12 semanas.
 
A maioria dos especialistas avalia que, com esse nível de sucesso, não vale a pena produzir a vacina para uso mais amplo.
 
A GSK, empresa que criou a imunização, disse que vai intensificar os estudos para entender o que aconteceu.
 
Fonte Folhaonline

Pesquisa revela remédios mais consumidos pelos brasileiros

O que tem na sua caixinha de remédios? Descongestionantes, vitaminas, analgésicos à base de dipirona, pílula anticoncepcional, antigripais e calmantes, ao menos de acordo com pesquisas de mercado feitas pela consultoria IMS Health e pela Associação Brasileira de Medicamentos Isentos de Prescrição, que mostram os medicamentos mais vendidos nas farmácias do país.
 
A pedido da reportagem, especialistas comentam os riscos e os benefícios de algumas das categorias de drogas entre as mais procuradas pelos brasileiros.
 
Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress
 
Analgésico
Medicamentos à base de dipirona sódica, como o Dorflex, estão entre os mais populares no país.
 
O mecanismo de ação da dipirona, introduzida no mercado em 1922, ainda não é conhecido, mas estudos mostram que a droga faz seu trabalho de forma similar a outros analgésicos, inibindo a formação de substâncias envolvidas na inflamação e na sensação de dor.
 
Segundo o médico Anthony Wong, diretor do Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica do HC de São Paulo), a dipirona baixa a febre com mais rapidez do que o paracetamol (Tylenol). Wong destaca que o paracetamol pode causar danos ao fígado e que a aspirina aumenta o risco de sangramentos e problemas no sistema digestivo.
 
"A aspirina, no entanto, é importante para quem tem problemas como trombose, infarto e artrite reumatoide, e estudos mostram que o uso preventivo pode evitar o surgimento de alguns tumores."
 
Nos EUA, a dipirona foi retirada do mercado, na década de 1970, após estudos ligarem o uso do remédio à agranulocitose (redução da produção de células do sangue pela medula). Anos depois, esses estudos foram questionados. Outro efeito colateral da dipirona e de outros analgésicos é a síndrome de Stevens-Johnson, caracterizada por erupções nas mucosas.
 
Calmante
O Rivotril ou clonazepam foi o sexto medicamento mais vendido no país entre 2011 e 2012, isso apesar de exigir receita controlada.
 
A substância é da classe dos benzodiazepínicos, drogas que agem no cérebro, aumentando a ação de um neurotransmissor que inibe a atividade e a conectividade dos neurônios. Isso causa o efeito sedativo. No entanto, ainda há pontos nebulosos no mecanismo de ação da droga, vendida desde os anos 60.
 
As indicações principais do Rivotril são para tratar convulsões, transtorno de ansiedade e depressão, mas ele tem se tornado cada vez mais uma "droga social", segundo o médico Anthony Wong, diretor do Ceatox do HC.
 
Para ele, a presença do medicamento entre os dez mais vendidos do país é "inadmissível". "Ele tem grande potencial de criar dependência."
 
Vitaminas
No ranking de remédios isentos de prescrição que mais geram volume de venda, aparecem dois multivitamínicos: o Gerovital, que contém ginseng, vitaminas A, C, D, E e as do complexo B, além de minerais como ferro, e o Targifor C.
 
O uso de vitaminas como complemento nutricional é controverso. Segundo o nutrólogo Celso Cukier, só pessoas com deficiências precisam de uma dose extra. "A maioria das dietas já atinge as necessidades diárias."
 
Entre os que podem precisar de suplementação estão os idosos. "Nesses casos, trabalhamos com vitaminas específicas em doses maiores."
 
A ingestão exagerada pode causar efeitos colaterais. O excesso de vitamina A, por exemplo, pode causar danos ao fígado. Mas, segundo Cukier, problemas graves só vão acontecer se a pessoa usar altas doses por um período prolongado.
 
Segundo o médico, muitos dos efeitos esperados pelo consumidor de vitaminas não são comprovados. "Não há evidência de que vitamina C previna doenças, a não ser em caso de atletas de alta performance."
 
Cukier afirma que o cansaço é um sintoma importante que leva à procura das pílulas. "O cansaço pode ser sintoma de uma cardiopatia, uma doença inflamatória. Tomar o polivitamínico pode retardar um diagnóstico."
 
Antigripal
O Neosoro, solução nasal contendo cloreto de sódio, cloreto de benzalcônio e cloridrato de nafazolina, foi o remédio mais vendido nas farmácias no último ano. Os "fãs" das gotinhas se reúnem em grupos no Facebook ("Neosoro" e "Clube dos viciados em Neosoro"), onde lamentam a rapidez com que dão cabo de um frasco.
 
Segundo o clínico Paulo Olzon, da Unifesp, o máximo que essa solução pode fazer é aumentar o conforto respiratório quando o ar está seco.
 
Além do sal, a fórmula tem um vasoconstritor e um antisséptico. Anthony Wong, do Ceatox, diz que o abuso da solução pode levar à hipertrofia da mucosa. "O nariz fica obstruído pela reação inflamatória, e não há remédio que vá desentupir." Para Wong, é melhor usar soluções só com cloreto de sódio, para evitar efeitos colaterais.
 
Fonte Folhaonline

Pesquisadores intensificam busca por vacina antigripe "universal"

Com a intensificação da temporada da gripe no hemisfério Norte, os médicos têm um novo arsenal de vacinas à sua disposição. Elas geralmente protegem bem, mas por pouco tempo.
 
"Na história da imunologia, é a única [vacina] que atualizamos a cada ano", diz Gary Nabel, diretor do Centro de Pesquisa de Vacinas do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.
 
É assim desde o advento da vacina antigripe, na década de 1950. No entanto, estudos recentes trazem esperanças de uma mudança.
 
Nabel e outros especialistas anteveem uma época em que as vacinas sazonais contra a gripe serão substituídas por uma imunização duradoura.
 
"Essa é a meta: duas doses quando você é jovem e depois reforços mais tarde", afirmou Nabel.
 
Essa vacina seria de grande valia na luta contra surtos sazonais de gripe, que matam cerca de 500 mil pessoas por ano. Mas Sarah Gilbert, da Universidade de Oxford, argumenta que ela poderia trazer um benefício ainda maior.
 
"A vacinação universal trará fim à ameaça de uma pandemia de influenza", escreveu ela em um recente estudo.
 
As vacinas melhoram a proteção imunológica natural do organismo. As atuais vacinas antigripe protegem as pessoas ao permitir a produção de anticorpos antes do contato com os vírus. Mas a incessante evolução dos vírus influenza obriga os cientistas a reconfigurar a vacina a cada ano.
 
Intuição
Meses antes da temporada de gripes, eles precisam intuir quais cepas serão dominantes. Os laboratórios então combinam fragmentos de proteínas dessas cepas para criar uma nova vacina.
 
Há muito tempo, os cientistas buscam formas de romper esse ciclo, desenvolvendo uma vacina que funcione contra qualquer tipo de influenza. Essa vacina universal contra a gripe precisaria atacar uma parte do vírus que mude pouco de ano para ano.
 
Gilbert e seus colegas estão tentando produzir uma vacina, baseada nos linfócitos T, que possa localizar esse alvo. Os cientistas já descobriram que, quando as células T aprendem a reconhecer proteínas de um tipo de vírus, elas conseguem atacar muitos outros tipos.
 
Enquanto os pesquisadores de Oxford se debruçam sobre as vacinas com linfócitos T, outros estão desenvolvendo vacinas capazes de gerar anticorpos que sejam eficazes contra muitos vírus da gripe -ou talvez contra todos.
 
A primeira dica de que tais anticorpos existem surgiu em 1993, quando pesquisadores japoneses contaminaram ratos com o vírus da gripe H1N1. Eles extraíram anticorpos dos animais e os injetaram em outros ratos. Os espécimes que receberam os anticorpos demonstraram estar protegidos contra outro tipo de gripe, a H2N2. Mas, na época, isso foi visto com estranheza, segundo Ian Wilson, do Instituto de Pesquisas Scripps, de San Diego. Os novos anticorpos atacam outras partes dos vírus que não os alvos das vacinas atuais.

"Todo o campo está estimulado", disse Wilson. "É uma ótima época."

Estimulação no cérebro faz pessoa ver "metamorfose de rosto"

"Você simplesmente se transformou em outra pessoa. Seu rosto sofreu uma metamorfose", reagiu, surpreso, Ron Blackwell, no exato momento em que uma área específica de seu cérebro foi estimulada por eletrodos.
 
O experimento, conduzido por pesquisadores da Universidade Stanford e publicado na revista científica "Journal of Neuroscience", conseguiu pela primeira vez estabelecer uma relação causal entre a região cerebral conhecida como giro fusiforme e o processamento de faces humanas.
 
"Estudos de ressonância magnética funcional já haviam mostrado que o giro fusiforme estava envolvido na percepção consciente de faces humanas", explica o neurocirurgião Fábio Godinho, que fez doutorado no Instituto de Neurociências de Lyon.
 
Editoria de Arte/Folhapress
 
"O que os cientistas conseguiram mostrar foi a existência de uma relação de causa e efeito entre essa região e o reconhecimento de rostos."
 
Blackwell, um homem de 45 anos que sofre de epilepsia, recebera os eletrodos para facilitar o mapeamento das áreas de seu cérebro que eram ativadas durante as crises epilépticas.
 
Como as áreas de origem da epilepsia no paciente eram as mesmas já associadas anteriormente ao reconhecimento de faces, os pesquisadores utilizaram os mesmos eletrodos para a experiência.
 
Um vídeo de Blackwell foi gravado no momento em que o giro fusiforme de seu cérebro recebia os estímulos. Ele relatou que os rostos não se transformavam em outros, mas ficavam distorcidos.
 
Uma viagem
"Foi uma viagem... É quase como se os traços de seu rosto tivessem ficado caídos", declarou. Outros objetos, porém, não sofreram distorção, disse Blackwell, falando com o médico responsável por seu tratamento e um dos autores do trabalho, Josef Parvizi.
 
Os pesquisadores utilizaram três técnicas diferentes para obter os achados. Duas serviram para achar áreas específicas do giro fusiforme relacionadas ao reconhecimento de rostos.
 
A terceira induziu uma distorção da percepção quando os eletrodos estavam exatamente nos lugares apontados pelas duas primeiras. "É como se uma técnica corroborasse a outra", diz Godinho.
 
O trabalho dos pesquisadores pode vir a ajudar no tratamento da prosopagnosia, espécie de "cegueira para feições", que impede as pessoas que sofrem desse distúrbio de distinguir rostos.
 
Também pode ajudar a entender porque algumas pessoas são muito melhores que outras em reconhecer faces.
 
Complicações
No século 19, era predominante a visão frenológica do cérebro. Cada pequena parte do órgão seria responsável por uma função específica.
 
Essa visão caiu por terra há tempos, em favor da ideia de redes neurais: uma mesma área pode estar envolvida em vários processos mentais, dependendo da conexão que ela guarda com outras áreas.
 
De acordo com Godinho, "uma das limitações do estudo, e os autores estão cientes disso, é que ele não consegue determinar com toda a precisão a circuitaria cerebral envolvida no reconhecimento de faces humanas".
 
"Os autores perturbaram o funcionamento de uma região que deve fazer parte de um circuito complexo, envolvendo principalmente regiões frontais do cérebro."
 
Para o neurocirurgião, o giro fusiforme provavelmente faz o processamento de formas e cores da face, enquanto outras áreas lidam com coisas como as associações emocionais que um rosto traz.
 
Fonte Folhaonline

Governo quer testar 500 mil contra HIV, sífilis e hepatite

Nos dez dias que antecedem o Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro, o governo federal pretende mobilizar Estados e municípios para uma grande campanha de testagem de HIV, sífilis e hepatites virais.
 
A expectativa é realizar 500 mil testes entre 22 de novembro e 1º de dezembro na mobilização, tida pelo Ministério da Saúde como inédita pela extensão da campanha.
 
Hoje, estima-se que de 200 mil a 250 mil brasileiros têm HIV e não estão diagnosticados. Outras 250 mil pessoas estão em tratamento contra a doença.
 
Segundo o departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, dez Estados já apresentaram um plano para a mobilização e solicitaram o envio de testes rápidos --que permitem a detecção em 30 minutos e devem ser acompanhados de aconselhamento do paciente por um profissional da saúde.
 
A expectativa, no entanto, é que a campanha esteja nas 27 capitais com unidades móveis de testagem.
 
Epidemia concentrada
O diretor do departamento de DST do ministério, Dirceu Greco, classifica a Aids no Brasil como uma "epidemia concentrada e heterogênea".
 
A prevalência da Aids chega a 10,5% no grupo HSH (homens que fazem sexo com homens) e a 14% entre as travestis. Na população geral de 15 a 49 anos está em 0,6%, entre profissionais do sexo é de 5% e entre usuários de drogas, 5,9%.
 
"A prioridade é o diagnóstico precoce. Cerca de 30% dos que chegam ao tratamento, no Brasil e em outros países, chegam em estágio moderado ou grave", disse Greco na quinta-feira, em apresentação ao Conselho Nacional de Saúde.
 
Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do ministério, respaldou a avaliação de Greco e disse que o ministério nunca afirmou que a doença estava em queda.
 
"Nenhum documento nosso diz que a Aids está declinando. Sempre falamos das variações, temos que olhar as várias epidemias, concentradas", disse ele.
 
Barbosa contestou um documento elaborado pela Fiocruz este ano, que faz críticas ao programa de Aids e descreve um cenário pessimista para 2030.
 
"Esse documento da Fiocruz é, em grande parte, uma aposta, não há nenhuma evidência de que aquilo pode acontecer. Procurem um dado do presente que respalde [o documento] que eu peço desculpas publicamente", afirmou o secretário.
 
Fonte Folhaonline