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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Demência em idoso pode ser hidrocefalia

Doença é responsável por 5% de todos os quadros demenciais e pode ser curada com cirurgia para drenar líquido do crânio
 
Quando o idoso começa a perder memória, é comum que a família fique em alerta para a possibilidade de Alzheimer. O que geralmente não se considera é a hipótese de os sintomas estarem ligados à hidrocefalia de pressão normal, doença responsável por 5% dos quadros de demência.
 
A boa notícia é que, diferentemente do Alzheimer, responsável por metade dos quadros demenciais, ou das demências vasculares, segunda maior causa do problema, a hidrocefalia dispõe de tratamento cirúrgico capaz de reverter os sintomas cognitivos e devolver ao paciente a capacidade de pensar e se comunicar.
 
De acordo com o neurocirurgião Fernando Campos Gomes Pinto, chefe do Grupo de Hidrodinâmica Cerebral do Hospital das Clínicas da USP, a doença, que atinge principalmente idosos, também pode vir acompanhada de alterações na marcha e incontinência urinária.
 
Os sintomas decorrem do acúmulo do líquido cefalorraquidiano, que banha o crânio e a medula espinhal. O excesso desse líquido afeta áreas importantes do cérebro, como lobos frontais, tálamos e gânglios da base.
 
“A pessoa tem uma vida normal e, aos poucos, começa a ter o quadro clínico que apresenta os três pontos principais: dificuldade para andar, incontinência urinária e perda da agilidade mental”, diz o neurocirurgião.
 
O diagnóstico é feito com tomografia de crânio e ressonância magnética. Segundo o neurocirurgião, existem dois tratamentos cirúrgicos possíveis, que têm o objetivo de drenar esse líquido excedente.
 
Antes da cirurgia, o paciente é submetido a um teste: sob anestesia local, são retirados 40 ml de líquido da medula espinhal. O procedimento reverte momentaneamente o excesso de líquido que banha o sistema nervoso. Caso os sintomas melhorem nas horas seguintes, existe 90% de chance de a cirurgia ser eficaz.
 
O bacharel em Direito Farid Abraão, de 73 anos, achava que fosse natural da idade ter declínio no raciocínio e dificuldade para andar. Por insistência dos filhos, marcou consulta com um neurologista. A hipótese de hidrocefalia só apareceu no segundo profissional que consultou.
 
Constatado o problema, submeteu-se à cirurgia em junho. “Comecei a ficar melhor imediatamente. Não tive mais problema de incontinência e minha marcha melhorou sensivelmente. Minha memória está boa.”
 
No caso da professora universitária Ana Maria, que preferiu não divulgar o sobrenome, a doença a manteve afastada do trabalho por um ano. Ela demorou alguns meses até se decidir por fazer a cirurgia, em abril. “Foi a melhor coisa que fiz. Continuo me recuperando. Se deixasse passar mais tempo, poderia ser irrecuperável.”

Fonte Estadão

ANS vai julgar cobrança de ‘taxa extra’ para médico acompanhar parto normal

Para CFM, medida não fere a ética e traz alternativa para baixa remuneração oferecida; gestantes reclamam que o tipo de parto passa a ser definido pelo bolso e não pelas suas condições de saúde
 
BRASÍLIA - Considerada um direito pelos médicos, um abuso pelos advogados e uma violência por algumas gestantes, a exigência de uma "taxa extra" por obstetras de planos de saúde para acompanhar o parto normal será julgada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A prática, que até agora permanecia na "informalidade", deverá ser discutida na próxima reunião da diretoria.
 
Entre os documentos analisados está o parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM), encomendado pela própria agência. Para o colegiado, a prática não fere a ética, traz uma alternativa para a baixa remuneração oferecida pelos planos de saúde e poderia ajudar o País a reduzir o número de cesarianas. Em 2011, 83% dos nascimentos feitos na assistência suplementar foram por meio de cesáreas.
 
Mulheres que gostariam de experimentar o parto normal hoje se queixam que o tipo de parto é definido pelo bolso e não pelas suas condições de saúde. Quando podem pagar a mais, o médico do plano se "dispõe" a acompanhar o parto natural. Se não têm dinheiro, a cesárea é marcada já nas primeiras consultas do pré-natal. Não importa a idade da paciente, se já teve filhos ou se ela reúne condições que permitem o parto normal.
 
"Eles argumentam que com cesárea tudo pode ser programado. Não perdem o fim de semana, não precisam desmarcar consultas de consultório nem ficar horas esperando um parto apenas", relata a chefe de cozinha Bruna Trieto.
 
Mãe de dois filhos - ambos por parto normal -, ela conta que preferiu não correr risco. "Procurei um profissional de confiança. A impressão que tenho é de que muitos médicos até dizem que fazem o parto normal, mas quando chega a hora arrumam qualquer desculpa para logo indicar a cesárea."
 
A desconfiança também acompanhou a servidora pública Bárbara Rangel, de 33 anos. A médica que a atendia dizia ser mais prudente fazer a cesárea, porque Bárbara é diabética. "Somente me convenci quando conversei com outros médicos, já no fim da gravidez", conta.
 
O parecer do CFM determina que o acordo por escrito entre gestante e médico seja feito ainda na primeira consulta. O trato garantiria à gestante o direito de ser acompanhada das primeiras contrações até o nascimento. Segundo o secretário do CFM, Gerson Zafalon, operadoras não pagam pelo acompanhamento, apenas pelo parto. Ele argumenta ainda que o valor extra poderia ser, num segundo momento, reembolsado pelas empresas de saúde. A proposta, no entanto, é criticada por sociedades estaduais.
 
"Impossível separar o acompanhamento do parto. É uma coisa só", afirma o presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp), Cesar Eduardo Fernandes. Ele defende, no entanto, a criação de uma alternativa para os baixos rendimentos do médico. "O obstetra é como um profissional qualquer: não pode trabalhar de graça. Se a paciente quer que seu médico faça o parto, pela sua disponibilidade, isso precisa ser ressarcido."
 
Ética
A gerente-geral de regulação assistencial da ANS, Martha Oliveira, conta que a agência decidiu analisar a cobrança da taxa extra depois de ser várias vezes questionada. "Não podemos falar sobre a ética, daí o pedido de parecer feito pelo CFM. A partir de agora, o que será visto é: a disponibilidade do médico, a presença no parto é coberta pelos serviços?" Martha diz que o plano é obrigado a garantir para a gestante o atendimento pré-natal, o acompanhamento e o parto. Não há, porém, nada explícito que garanta à paciente o direito de ser atendida pelo médico que acompanhou sua gestação. "A operadora tem de garantir a vaga, o profissional, mas não necessariamente o mesmo."
 
A diretora de atendimento da Fundação Procon São Paulo, Selma do Amaral, diz que nada garante à paciente que operadoras farão o reembolso do extra pago para o médico. "Não há nada que indique esse direito. Isso pode causar uma grande confusão e, pior, um grande prejuízo para os consumidores." A Federação de Saúde Suplementar, em nota, disse que reembolsos são feitos apenas para procedimentos previstos pela ANS.
 
Além de considerar a exigência abusiva, a advogada especialista na área de saúde Renata Vilhena diz ter dúvidas sobre a eficácia da medida para reduzir os indicadores de cesárea. "Pelo contrário, ‘oficializando’ a prática, somente gestantes com mais recursos poderiam fazer o parto normal", afirma.
 
Fonte Estadão

Efeito do riso lembra o de exercício intenso, sugere pesquisa

O riso é uma espécie de exercício físico? Essa pergunta está no centro de um estudo sobre o riso e a dor que salienta como nossos corpos e emoções podem estar entrelaçados.
 
Para o estudo, publicado na "Proceedings of the Royal Society B", pesquisadores da Universidade de Oxford recrutaram voluntários e tentaram fazê-los rir.
 
A maioria das pessoas pensa no riso como uma reação a algo engraçado, ou seja, como uma emoção. Mas o riso é fundamentalmente uma ação física.
 
"O riso envolve a exalação repetida e forçada de ar dos pulmões", diz Robin Dunbar, professor de psicologia evolutiva em Oxford, que chefiou o estudo.
 
"Os músculos do diafragma têm de trabalhar com força." Assim, o riso prolongado pode ser doloroso e exaustivo, como um exercício intenso.
 
Mas o riso provoca uma reação fisiológica semelhante à do exercício físico? Se sim, o que isso pode revelar sobre a natureza do esforço intenso?
 
Para descobrir, Dunbar e seus colegas fizeram os voluntários assistirem, tanto sozinhos quanto em grupo, a uma série de videoclipes que eram cômicos ou documentários factuais.
 
Antes disso, os voluntários se submeteram a testes que mediram seus limites de dor. Foi computado por quanto tempo eles conseguiam tolerar o aperto de um aparelho de pressão sanguínea ou o frio de um invólucro congelado.
 
A decisão de introduzir a dor deriva de um dos mais conhecidos efeitos do exercício intenso: ele faz o corpo liberar endorfinas.
 
As endorfinas são conhecidas por "seu papel crucial na administração da dor", escreveram os autores do estudo, e por induzir uma sensação de calma e bem-estar.
 
É difícil estudar diretamente a produção de endorfinas, já que grande parte da ação ocorre dentro do cérebro em funcionamento e exige uma punção lombar para ser monitorada, diz Dunbar. Por isso, ele e seus colegas recorreram aos limites de dor, um marcador indireto da produção de endorfina. Se o limite de dor de uma pessoa aumenta, ela deve estar com um alto nível de analgésicos naturais.
 
Nos experimentos do doutor Dunbar, os limites de dor aumentaram depois que as pessoas assistiram a vídeos engraçados, mas não depois que viram os documentários factuais.
 
A única diferença entre os dois experimentos foi que em um deles as pessoas riam, uma reação física que os cientistas quantificaram com monitores de áudio. Eles podiam ouvir os voluntários dando gargalhadas. Quando os músculos abdominais dos voluntários se contraíam, os níveis de endorfina aumentavam, e tanto seus limites de dor quanto sua sensação geral de prazer cresciam.
 
Em outras palavras, era o ato físico de rir que promovia, pelo menos em parte, o prazer de assistir à comédia.
 
Ou, como escreveram os autores do estudo, "a sensação aumentada nesse contexto provavelmente deriva do modo como o riso provoca a absorção de endorfina".
 
No estudo, as pessoas também riam com maior facilidade e gosto quando assistiam aos vídeos cômicos em grupo do que quando estavam sozinhas.
 
Também os limites de dor aumentavam mais depois das sessões em feitas em grupo.
 
Mas Dunbar diz que não espera que o riso forçado produza as mesmas sensações.
 
"Um riso forçado não envolve a série de exalações repetidas e desinibidas que são necessárias para produzir o efeito da endorfina", diz. Com o riso, assim como com o exercício, parece que realmente não há progresso sem um pouco de dor.
 
Fonte Folhaonline

Ecstasy ajuda veteranos de guerra a enfrentar trauma, indica pesquisa

Centenas de veteranos do Iraque e do Afeganistão com estresse pós-traumático procuraram recentemente um casal da Carolina do Sul pedindo ajuda. Muitos estavam desesperados, implorando por tratamento.
 
Os soldados não tinham interesse em terapias verbais ou em medicamentos que lhes davam pouco alívio.
 
Eles queriam experimentar uma alternativa: o MDMA, mais conhecido como ecstasy, uma droga usada em festas desde a década de 1980 capaz de induzir euforia e afeto.
 
A droga é proibida, mas as autoridades autorizaram um pequeno número de laboratórios a produzirem-na para fins de pesquisa.
 
Algumas experiências usando MDMA, LSD ou maconha também estão em andamento na Suíça, em Israel e no Reino Unido.
 
Escrevendo em novembro no site da revista "Journal of Psychopharmacology", Michael e Ann Mithoefer, o casal que oferece o tratamento -combinando a psicoterapia com uma dose de MDMA-, relataram que 15 de 21 pacientes que se recuperaram de estresse pós-traumático severo durante a terapia, no começo da década de 2000, apresentam hoje sintomas limitados ou praticamente nulos.
 
"Sinto-me culpado tanto por ter voltado vivo do Iraque quanto por agora ter a oportunidade de fazer essa terapia", disse Anthony, 25, que pediu para ter o sobrenome omitido, devido ao estigma associado ao uso da droga. "Sou uma pessoa diferente por causa dela."
 
O casal Mithoefer -ele é psiquiatra, ela é enfermeira- colaborou nesse estudo com pesquisadores da Universidade Médica da Carolina do Sul e com a ONG Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos.
 
Os pacientes desse grupo incluíam principalmente vítimas de estupro. Especialistas alertaram que o estudo era apenas preliminar e que sua aplicabilidade a traumas de guerra era inteiramente desconhecida.
 
Mas, dada a escassez de bons tratamentos, "há uma tremenda necessidade de estudar novos medicamentos", disse John Krystal, chefe do Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina de Yale.
 
Esse foi o primeiro teste de longo prazo com resultados animadores para o uso psiquiátrico de drogas recreativas. O casal Mithoefer irá tratar no máximo 24 veteranos com a terapia, conforme os protocolos governamentais para o teste de uma droga experimental.
 
Duas pessoas que passaram por essa terapia -Anthony, atualmente no estudo com os veteranos, e outra que recebeu a terapia de forma independente- disseram que o MDMA lhes permitiu sentir seu trauma e falar sobre ele sem ser dominado pelo assunto.
 
"Isso mudou minha perspectiva sobre a experiência inteira", disse Patrick, 46, morador de San Francisco, referindo-se ao seu trabalho nos escombro dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York.
 
"Às vezes eu sentia, lá no fundo, uma sensação bonita e pacífica de que eu tinha um propósito. Comecei a terapia para me identificar com aquilo e para não me sentir culpado ou triste."
 
A maioria descobre que seu resultado numa medição padronizada de sintomas -ansiedade geral, hiperexcitação sexual, depressão e pesadelos- cai cerca de 75%. Isso é mais do que o dobro do alívio sentido por pessoas que fazem psicoterapia sem o MDMA, disseram os pesquisadores.
 
Para muitos, a experiência no tratamento é emocionalmente vívida, disse Michael Mithoefer. A droga não produz um "barato", mas geralmente traz tranquilidade.
 
Estudos sugerem que a droga induz à liberação de um hormônio chamado oxitocina, que supostamente aumenta as sensações de confiança e afeto. A droga também parece conter a atividade numa região cerebral que é ativada durante situações de medo ou de ameaça.

Se os resultados forem duradouros, disseram os pesquisadores, é provável que o governo esteja disposto a bancar um teste mais amplo.
 
"É isso que queremos", disse Rick Doblin, diretor-executivo da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos, que financiou o estudo com o MDMA.
 
"Após toda essa turbulência cultural, a divisão entre os militares e a comunidade psicodélica, seria realmente importante conseguirmos nos unir e usar algumas dessas drogas para ajudar as pessoas", disse Doblin.
 
Fonte Folhaonline

Novos robôs podem possibilitar cirurgia sem nenhuma cicatriz

Os cirurgiões antes faziam grandes incisões para poderem alcançar a vesícula biliar, ou outros órgãos, usando instrumentos convencionais que seguravam nas mãos. Hoje, muitos se sentam diante de um console de computador, manipulando braços robóticos que entram no corpo do paciente através de pequenas aberturas não muito maiores do que buracos de fechaduras.
 
Mesmo que essas cirurgias sejam, em geral, minimamente invasivas, elas exigem diversas incisões: uma para o sistema de câmera que mostra o caminho para o cirurgião no console e outras para cada braço robótico que corta e costura.
 
Hoje já existem sistemas robóticos -no mercado ou em desenvolvimento- que são ainda menos invasivos. Eles exigem apenas uma pequena incisão através da qual entram os braços robóticos e a câmera.
 
"Isso poderá permitir uma recuperação mais rápida do paciente", diz o doutor Michael Hsieh, professor na Universidade Stanford, na Califórnia, e urologista. "Só há um ferimento para curar com esse procedimento, em vez de três."
 
O doutor Hsieh, que realiza cirurgias abdominais, usa técnicas minimamente invasivas que hoje costumam exigir três incisões. Seus pacientes geralmente voltam para casa um ou dois dias depois da cirurgia. "Acho que eles vão se recuperar mais rapidamente se eu puder reduzir as incisões para apenas uma". Ele acrescentou: "Haverá menos cicatrizes, ou nenhuma, se eu entrar pelo umbigo".
 
Em breve, ele terá a oportunidade de experimentar o novo método em seus pacientes. O Hospital Stanford está comprando um sistema da Intuitive Surgical chamado Single-Site, que exige uma incisão de cerca de 2,5 cm. O sistema, aprovado pela FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos dos EUA) só para a remoção da vesícula, é usado como um acréscimo a um sistema robótico básico da Intuitive, conhecido como Da Vinci Si.
 
O Da Vinci Si custa entre US$ 1,3 milhão e US$ 2,2 milhões, segundo a empresa. O Single-Site pode custar em torno de US$ 60 mil a mais.
 
Outro sistema robótico cirúrgico, atualmente em desenvolvimento, usa uma incisão de 1,5 cm.
 
O robô foi desenhado por Dennis Fowler e Peter Allen, da Universidade Columbia, e Nabil Simaan, da Universidade Vanderbilt, em Nashville, no Tennessee. Uma vez dentro do corpo, o robô se desdobra e revela um sistema de câmera e dois braços semelhantes a cobras que efetuam a cirurgia. O sistema é licenciado para a Titan Medical em Toronto, no Canadá.
 
A cirurgia minimamente invasiva feita através de uma única incisão também pode ser realizada com instrumentos laparoscópicos longos e finos, que os cirurgiões manipulam enquanto veem um monitor de vídeo.
 
O doutor Hsieh imagina um benefício com o qual ele sonha há muito tempo. "Poderemos chegar ao ponto de fazer cirurgia robótica sem cicatrizes ou internações."
 
Fonte Folhaonline