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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Redes sociais podem ser nova ferramenta no combate a doenças infecciosas

É fato que as mídias sociais já estão presentes no dia-a-dia da maior parte das pessoas. Compartilhamento de fotos, eventos, campanhas de solidariedade, tudo isso está nas redes. Agora, pesquisadores Kansas State University acreditam que as redes sociais podem funcionar como armas no combate a doenças.
 
Segundo a equipe de pesquisa - que envolve médicos, psicólogos, engenheiros e especialistas em computação - um post bem estruturado de uma autoridade de saúde pública, ou órgão do tipo, pode surtir efeitos positivos sobre doenças infecciosas, desde as mais comuns, como as gripes, até as mais letais, como a AIDS.
 
Faryad Sahneh, um dos integrantes da equipe de pesquisa, diz que as doenças infecciosas são um problema sério para a sociedade, já que, historicamente, têm sido uma das principais causas de morte. "Durante as últimas décadas tem havido um avanço enorme na medicação e vacinação, o que tem ajudado a salvar vidas de muitas pessoas. Mas, agora, há também uma revolução na comunicação e na tecnologia da informação que nós acreditamos que pode ser usada para desenvolver técnicas preventivas contra doenças infecciosas", argumenta.
 
As pesquisas realizadas indicaram que a maioria dos participantes utiliza o Facebook e outras redes sociais como fonte de informação, e que eles estão dispostos a adotar comportamentos de prevenção caso saibam o que fazer. Entretanto, os participantes não se mostraram dispostos a se afastarem de familiares e amigos que estejam com doenças cuja infecção ocorra pelo ar, como as gripes, por exemplo.
 
Os pesquisadores ressaltam a necessidade de atingir determinados públicos, especialmente indivíduos que interagem com grande número de pessoas, como professores e funcionários públicos.
 
Os cientistas também estão avaliando o que é o mais eficaz e influente na distribuição de informação através da mídia social: receber recomendações de amigos e familiares, que são pessoas conhecidas e nas quais a pessoa confia; ou de órgãos como o CDC, que são autoridades no assunto, mas não têm ligação pessoal com os indivíduos.
 
Estudo anterior da equipe concluiu que se os indivíduos adotam rapidamente o comportamento de prevenção adequado, uma infecção crescente pode ser contido. O estudo atual será apresentado na 2012 IEEE 51st Annual Conference on Decision and Control (CDC), que ocorre em Grand Wailea, Maui, nos Estados Unidos, de 10 a 13 de dezembro.
 
Fonte: EurekAlert!, 27 de novembro de 2012

Cresce exposição de jovens na internet

Pesquisa com 4 mil adolescentes revela que eles passam mais horas na rede e muitos mostram desejo de expor o corpo até para desconhecidos
 
Maria Rita Nunes até ganhou uma cadeira mais confortável do pai para não sofrer de dores nas costas durante as cerca de seis horas diárias que fica em frente ao computador de casa. Isso sem contar as espiadas na internet do celular durante o intervalo das aulas no Colégio Santa Maria. Não raro, ela troca o tempo de sono da madrugada para assistir a algum vídeo publicado por um amigo ou para postar no Twitter. Afinal, foi por essa ferramenta que ela conheceu uma de suas melhores amigas.

Aos 15 anos, a adolescente é o retrato do que mostra a pesquisa Nós, Jovens Brasileiros, realizada pelo Portal Educacional, que mapeou o comportamento de 4 mil estudantes de 13 a 17 anos, alunos de 60 escolas particulares de todo o País. Neste ano, foram os próprios jovens que sugeriram as questões que, depois de selecionadas, compuseram o corpo do questionário.
 
E, quando o assunto é internet, as descobertas revelam desde questões mais objetivas - como o tempo de uso, que cresce ano após ano - até temas bem mais delicados, como a disposição a se expor na rede.
 
Um dos dados mais preocupantes é o que mostra que, do total de entrevistados, 6% deles já apareceram nus ou seminus em fotos na rede e o mesmo porcentual já mostrou partes íntimas de seu corpo para desconhecidos por meio de webcam. Além desses, outros 3% já pensaram em se exibir dessa forma, mas não puseram isso em prática.
 
Destemidos
"Isso reforça a nossa percepção de que o jovem acredita que a tela e a distância relativizam o risco do perigo", diz o psiquiatra Jairo Bouer, parceiro do Portal Educacional. "Ou ele quer se diferenciar e ganhar fama a qualquer preço, e para isso avalia que vale a pena até mostrar o corpo, ou ele é inocente e acha que não é tão grave."
 
O caso narrado por Caio Cardoso Fossati, de 15 anos, aluno do Colégio 12 de Outubro, foi de completa ingenuidade, acredita ele. Caio conta que um de seus amigos recebeu de uma paquera uma foto dela nua. "A garota gostava dele e achava que era uma forma de atraí-lo." A estratégia deu errado. Além de não se seduzir, o adolescente mostrou a imagem a um grupo de amigos que a conheciam e o assunto virou piada. "Só não ficou pior porque ela não sabe que todos nós a vimos daquele jeito."
 
Ivanna Castelli, de 13 anos e estudante do 8.º ano do ensino fundamental, diz que várias de suas amigas se expuseram dessa forma. "Algumas queriam aparecer e outras atenderam ao pedido do namorado. O problema é que isso sempre espalha, e elas acabam se arrependendo."
 
Para Carmen Neme, professora do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), essa exposição é resultado da falta de controle dos impulsos sexuais, própria da adolescência, com o imaginário, também típico da idade, de que estão acima de qualquer risco. "O adolescente acha que nada vai acontecer, porque ele é muito esperto."
 
O único antídoto a isso, explica, é a presença mais atuante dos pais. Uma intervenção que não se limite a um código de conduta com sites proibidos e permitidos, mas que subentenda mais tempo de convivência. "O problema não é a internet. A questão é que os adolescentes estão sozinhos. Nunca se viveu de maneira tão solitária como agora. Os pais estão longe, e a internet parece suprir a ausência", diz Carmen.
 
Sem orientação, somem os limites. "Uma certa rebeldia é tolerável, porque o adolescente que não se rebela não sai da dependência familiar. Mas a rebelião tem de ser dentro de certos limites. Ele pode questionar valores, confrontar, mas não pode perder o controle de impulsos, destruir os vínculos."
 
Descuido
Se a questão não for cuidada em tempo, pode ser tarde para que essa intermediação aconteça. O diretor do Colégio Mary, Cesar Marconi, conta que com frequência chama os pais à escola para discutir os limites dos filhos frente à internet.
 
O maior problema, por ali, é a queda do rendimento por conta do cansaço. "Tem aluno que chega morrendo de sono, não consegue se concentrar e, ao ser questionado, diz que não dormiu porque ficou na internet a noite toda." Ao serem convocados, diz Marconi, oito em cada dez pais dizem conhecer essa rotina. "Mas admitem que não conseguem mais controlar."
 
Uma outra pesquisa divulgada nesta semana pela Fundação Telefônica - o estudo mapeou o comportamento de crianças e jovens frente às telas de computador, celular e televisão - mostrou que 58,6% das crianças e 76,5% dos jovens acessam a rede sozinhos. O computador, revelou a pesquisa, se localiza preferencialmente no quarto da criança (37,6%) ou do adolescente (39,3%). Quanto à orientação, 31,7% dos jovens declararam que seus pais não costumam fazer nada em relação às atividades que desenvolvem na internet.

Fonte Estadão

Demência em idoso pode ser hidrocefalia

Doença é responsável por 5% de todos os quadros demenciais e pode ser curada com cirurgia para drenar líquido do crânio
 
Quando o idoso começa a perder memória, é comum que a família fique em alerta para a possibilidade de Alzheimer. O que geralmente não se considera é a hipótese de os sintomas estarem ligados à hidrocefalia de pressão normal, doença responsável por 5% dos quadros de demência.
 
A boa notícia é que, diferentemente do Alzheimer, responsável por metade dos quadros demenciais, ou das demências vasculares, segunda maior causa do problema, a hidrocefalia dispõe de tratamento cirúrgico capaz de reverter os sintomas cognitivos e devolver ao paciente a capacidade de pensar e se comunicar.
 
De acordo com o neurocirurgião Fernando Campos Gomes Pinto, chefe do Grupo de Hidrodinâmica Cerebral do Hospital das Clínicas da USP, a doença, que atinge principalmente idosos, também pode vir acompanhada de alterações na marcha e incontinência urinária.
 
Os sintomas decorrem do acúmulo do líquido cefalorraquidiano, que banha o crânio e a medula espinhal. O excesso desse líquido afeta áreas importantes do cérebro, como lobos frontais, tálamos e gânglios da base.
 
“A pessoa tem uma vida normal e, aos poucos, começa a ter o quadro clínico que apresenta os três pontos principais: dificuldade para andar, incontinência urinária e perda da agilidade mental”, diz o neurocirurgião.
 
O diagnóstico é feito com tomografia de crânio e ressonância magnética. Segundo o neurocirurgião, existem dois tratamentos cirúrgicos possíveis, que têm o objetivo de drenar esse líquido excedente.
 
Antes da cirurgia, o paciente é submetido a um teste: sob anestesia local, são retirados 40 ml de líquido da medula espinhal. O procedimento reverte momentaneamente o excesso de líquido que banha o sistema nervoso. Caso os sintomas melhorem nas horas seguintes, existe 90% de chance de a cirurgia ser eficaz.
 
O bacharel em Direito Farid Abraão, de 73 anos, achava que fosse natural da idade ter declínio no raciocínio e dificuldade para andar. Por insistência dos filhos, marcou consulta com um neurologista. A hipótese de hidrocefalia só apareceu no segundo profissional que consultou.
 
Constatado o problema, submeteu-se à cirurgia em junho. “Comecei a ficar melhor imediatamente. Não tive mais problema de incontinência e minha marcha melhorou sensivelmente. Minha memória está boa.”
 
No caso da professora universitária Ana Maria, que preferiu não divulgar o sobrenome, a doença a manteve afastada do trabalho por um ano. Ela demorou alguns meses até se decidir por fazer a cirurgia, em abril. “Foi a melhor coisa que fiz. Continuo me recuperando. Se deixasse passar mais tempo, poderia ser irrecuperável.”

Fonte Estadão

ANS vai julgar cobrança de ‘taxa extra’ para médico acompanhar parto normal

Para CFM, medida não fere a ética e traz alternativa para baixa remuneração oferecida; gestantes reclamam que o tipo de parto passa a ser definido pelo bolso e não pelas suas condições de saúde
 
BRASÍLIA - Considerada um direito pelos médicos, um abuso pelos advogados e uma violência por algumas gestantes, a exigência de uma "taxa extra" por obstetras de planos de saúde para acompanhar o parto normal será julgada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A prática, que até agora permanecia na "informalidade", deverá ser discutida na próxima reunião da diretoria.
 
Entre os documentos analisados está o parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM), encomendado pela própria agência. Para o colegiado, a prática não fere a ética, traz uma alternativa para a baixa remuneração oferecida pelos planos de saúde e poderia ajudar o País a reduzir o número de cesarianas. Em 2011, 83% dos nascimentos feitos na assistência suplementar foram por meio de cesáreas.
 
Mulheres que gostariam de experimentar o parto normal hoje se queixam que o tipo de parto é definido pelo bolso e não pelas suas condições de saúde. Quando podem pagar a mais, o médico do plano se "dispõe" a acompanhar o parto natural. Se não têm dinheiro, a cesárea é marcada já nas primeiras consultas do pré-natal. Não importa a idade da paciente, se já teve filhos ou se ela reúne condições que permitem o parto normal.
 
"Eles argumentam que com cesárea tudo pode ser programado. Não perdem o fim de semana, não precisam desmarcar consultas de consultório nem ficar horas esperando um parto apenas", relata a chefe de cozinha Bruna Trieto.
 
Mãe de dois filhos - ambos por parto normal -, ela conta que preferiu não correr risco. "Procurei um profissional de confiança. A impressão que tenho é de que muitos médicos até dizem que fazem o parto normal, mas quando chega a hora arrumam qualquer desculpa para logo indicar a cesárea."
 
A desconfiança também acompanhou a servidora pública Bárbara Rangel, de 33 anos. A médica que a atendia dizia ser mais prudente fazer a cesárea, porque Bárbara é diabética. "Somente me convenci quando conversei com outros médicos, já no fim da gravidez", conta.
 
O parecer do CFM determina que o acordo por escrito entre gestante e médico seja feito ainda na primeira consulta. O trato garantiria à gestante o direito de ser acompanhada das primeiras contrações até o nascimento. Segundo o secretário do CFM, Gerson Zafalon, operadoras não pagam pelo acompanhamento, apenas pelo parto. Ele argumenta ainda que o valor extra poderia ser, num segundo momento, reembolsado pelas empresas de saúde. A proposta, no entanto, é criticada por sociedades estaduais.
 
"Impossível separar o acompanhamento do parto. É uma coisa só", afirma o presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp), Cesar Eduardo Fernandes. Ele defende, no entanto, a criação de uma alternativa para os baixos rendimentos do médico. "O obstetra é como um profissional qualquer: não pode trabalhar de graça. Se a paciente quer que seu médico faça o parto, pela sua disponibilidade, isso precisa ser ressarcido."
 
Ética
A gerente-geral de regulação assistencial da ANS, Martha Oliveira, conta que a agência decidiu analisar a cobrança da taxa extra depois de ser várias vezes questionada. "Não podemos falar sobre a ética, daí o pedido de parecer feito pelo CFM. A partir de agora, o que será visto é: a disponibilidade do médico, a presença no parto é coberta pelos serviços?" Martha diz que o plano é obrigado a garantir para a gestante o atendimento pré-natal, o acompanhamento e o parto. Não há, porém, nada explícito que garanta à paciente o direito de ser atendida pelo médico que acompanhou sua gestação. "A operadora tem de garantir a vaga, o profissional, mas não necessariamente o mesmo."
 
A diretora de atendimento da Fundação Procon São Paulo, Selma do Amaral, diz que nada garante à paciente que operadoras farão o reembolso do extra pago para o médico. "Não há nada que indique esse direito. Isso pode causar uma grande confusão e, pior, um grande prejuízo para os consumidores." A Federação de Saúde Suplementar, em nota, disse que reembolsos são feitos apenas para procedimentos previstos pela ANS.
 
Além de considerar a exigência abusiva, a advogada especialista na área de saúde Renata Vilhena diz ter dúvidas sobre a eficácia da medida para reduzir os indicadores de cesárea. "Pelo contrário, ‘oficializando’ a prática, somente gestantes com mais recursos poderiam fazer o parto normal", afirma.
 
Fonte Estadão

Efeito do riso lembra o de exercício intenso, sugere pesquisa

O riso é uma espécie de exercício físico? Essa pergunta está no centro de um estudo sobre o riso e a dor que salienta como nossos corpos e emoções podem estar entrelaçados.
 
Para o estudo, publicado na "Proceedings of the Royal Society B", pesquisadores da Universidade de Oxford recrutaram voluntários e tentaram fazê-los rir.
 
A maioria das pessoas pensa no riso como uma reação a algo engraçado, ou seja, como uma emoção. Mas o riso é fundamentalmente uma ação física.
 
"O riso envolve a exalação repetida e forçada de ar dos pulmões", diz Robin Dunbar, professor de psicologia evolutiva em Oxford, que chefiou o estudo.
 
"Os músculos do diafragma têm de trabalhar com força." Assim, o riso prolongado pode ser doloroso e exaustivo, como um exercício intenso.
 
Mas o riso provoca uma reação fisiológica semelhante à do exercício físico? Se sim, o que isso pode revelar sobre a natureza do esforço intenso?
 
Para descobrir, Dunbar e seus colegas fizeram os voluntários assistirem, tanto sozinhos quanto em grupo, a uma série de videoclipes que eram cômicos ou documentários factuais.
 
Antes disso, os voluntários se submeteram a testes que mediram seus limites de dor. Foi computado por quanto tempo eles conseguiam tolerar o aperto de um aparelho de pressão sanguínea ou o frio de um invólucro congelado.
 
A decisão de introduzir a dor deriva de um dos mais conhecidos efeitos do exercício intenso: ele faz o corpo liberar endorfinas.
 
As endorfinas são conhecidas por "seu papel crucial na administração da dor", escreveram os autores do estudo, e por induzir uma sensação de calma e bem-estar.
 
É difícil estudar diretamente a produção de endorfinas, já que grande parte da ação ocorre dentro do cérebro em funcionamento e exige uma punção lombar para ser monitorada, diz Dunbar. Por isso, ele e seus colegas recorreram aos limites de dor, um marcador indireto da produção de endorfina. Se o limite de dor de uma pessoa aumenta, ela deve estar com um alto nível de analgésicos naturais.
 
Nos experimentos do doutor Dunbar, os limites de dor aumentaram depois que as pessoas assistiram a vídeos engraçados, mas não depois que viram os documentários factuais.
 
A única diferença entre os dois experimentos foi que em um deles as pessoas riam, uma reação física que os cientistas quantificaram com monitores de áudio. Eles podiam ouvir os voluntários dando gargalhadas. Quando os músculos abdominais dos voluntários se contraíam, os níveis de endorfina aumentavam, e tanto seus limites de dor quanto sua sensação geral de prazer cresciam.
 
Em outras palavras, era o ato físico de rir que promovia, pelo menos em parte, o prazer de assistir à comédia.
 
Ou, como escreveram os autores do estudo, "a sensação aumentada nesse contexto provavelmente deriva do modo como o riso provoca a absorção de endorfina".
 
No estudo, as pessoas também riam com maior facilidade e gosto quando assistiam aos vídeos cômicos em grupo do que quando estavam sozinhas.
 
Também os limites de dor aumentavam mais depois das sessões em feitas em grupo.
 
Mas Dunbar diz que não espera que o riso forçado produza as mesmas sensações.
 
"Um riso forçado não envolve a série de exalações repetidas e desinibidas que são necessárias para produzir o efeito da endorfina", diz. Com o riso, assim como com o exercício, parece que realmente não há progresso sem um pouco de dor.
 
Fonte Folhaonline