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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Raiva e ansiedade: dois lados da mesma moeda?

A raiva é ruim para todos. Pode levar a problemas de saúde, violência e sofrimento para o próprio indivíduo e para a família. Esse sentimento é ainda pior para quem sofre com algum tipo de transtorno ansioso. De acordo com pesquisadores a raiva, nesses indivíduos, está relacionada com a piora da condição.
 
“Pouco sabíamos sobre a irritabilidade, a raiva e os transtornos ansiosos”, explica Michel Dugas, líder do time de pesquisadores e principal autor do estudo. De acordo com Dugas, os transtornos ansiosos têm em comum o excessivo e incontrolável sentimento de preocupação com quase todos as tarefas rotineiras. As pessoas com transtornos ansiosos também antecipam acidentes, desastres, se preocupam demais com a saúde, dinheiro e têm pensamentos negativos sobre quase tudo, incluindo os relacionamentos.
 
No estudo, Dugas e Sonya Dechênes – outra autora do artigo publicado no periódico Cognitive Behaviour Therapy – analisaram mais de 380 pacientes com o chamado Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Os resultados demonstraram que os indivíduos que sofriam de TAG e que enfrentavam situações de hostilidade, internalizavam os sentimentos e ficavam ainda mais ansiosos.
 
“Nesse ponto, quando enfrentam uma situação ambígua – que poderia ser boa ou má – eles assumem que só o pior poderá acontecer. É um crescente no transtorno ansioso, e por isso nossa hipótese é que ambos os problemas, raiva e ansiedade, são parte do mesmo processo que ainda não descobrimos totalmente”, diz Deschênes.
 
A dica, portanto, é que esses indivíduos comecem a agir sobre as causas da raiva excessiva. Se o problema são os estressores no trabalho, é preciso procurar ajuda para aprender a lidar com essas questões, por exemplo. “Ao entender melhor essa correlação entre raiva e o Transtorno de Ansiedade Generalizado esperamos contribuir para melhorar a forma como esses indivíduos são tratados e que eles melhorem suas respostas ao tratamento também”, dizem os pesquisadores.
 
Fonte O que eu tenho

Dependência de celular é similar à compulsão por compras, diz pesquisa

A dependência de celular, um comportamento que pode ser considerado o transtorno mental da década, tem características similares à de outros transtornos clássicos, como o de compras compulsivas. É o que diz uma pesquisa feita pela Universidade de Baylor, nos EUA, e publicada no periódico Journal of Behavioral Addictions.
 
“Os celulares são parte da nossa cultura de consumo”, explica James Roberts, o principal autor do estudo, “E não é apenas uma ferramenta, mas um símbolo de status. Além disso permeia diversas questões em nossos relacionamentos interpessoais ou mesmo românticos”, completa. Exatamente por isso, diz o autor, o celular deixou de ser apenas um objeto de uso e passou a ter outras percepções associadas a ele.
 
“Esses aparelhos de celular funcionam da mesma maneira que chupetas para crianças mais velhas: amenizam a sensação de necessidade causada por um comportamento compulsivo e ritualístico, ou seja, não são realmente necessários, mas trazem alívio para algo que não se tem controle”, diz Stephen Pirog, outro dos autores envolvidos no estudo. “É importante lembrar que a impulsividade e compulsão estão associados a outros comportamentos de adição ou vício”.
 
Os dados colhidos pelos pesquisadores apontam que um adulto envia, em média, até 110 mensagens de texto por dia, recebem quase o mesmo número (113 mensagens) e costuma checar seu celular, sem nenhum motivo aparente, até 60 vezes durante o dia. Dados como número de ligações e tempo gasto na internet, foram deixados de lado, pois poderiam compor outros tipos de transtornos (como ansiedade e síndrome de burnout no primeiro caso, ou vício em internet, no segundo caso).
 
“Costumamos pensar que esses comportamentos são apenas parte do uso do objeto, mas há um excesso em todos esses números. Os sentimentos envolvidos, como afirmar ‘não conseguir deixar de chegar os celulares durante uma refeição’ ou ‘ficar irritado por alguém não responder uma mensagem’ é algo um pouco além da resposta normal esperada. O celular está se tornando algo que suplanta diversas outras questões e interações sociais”, dizem os autores.
 
O hábito, analisado mais a fundo, tem semelhanças com diversos outros vícios ou dependências. “Quando algo vai além da sua utilidade, se tornando uma necessidade constante, da qual não se consegue parar de pensar – como checar o aparelho mais de 60 vezes sem necessidade alguma, como apontam nossos dados -, nesse ponto temos uma dependência. E a dependência do celular tem se mostrado tão danoso quanto outras compulsões, como aquela por compras, já que envolve um consumo e o total descontrole nesse hábito”, aponta Roberts.
 
Fonte O que eu tenho

Terapia usa forma inativa do HIV para combater leucemia

Emma Whitehead, 7, recuperada de leucemia, com a mãe, Kari, na Pensilvânia, EUA
Jeff Swensen/The New York Times
Emma Whitehead, 7, recuperada de leucemia, com a mãe,
Kari, na Pensilvânia, EUA
Emma Whitehead vem saltitando pela casa ultimamente. É difícil acreditar, mas no início do ano, Emma, então com seis anos, estava prestes a morrer de leucemia. Ela tinha sofrido duas recaídas após fazer quimioterapia.
 
Seus pais procuraram um tratamento experimental no Children's Hospital da Filadélfia, nos EUA. O procedimento nunca tinha sido testado em uma criança nem em qualquer pessoa com o tipo de leucemia de Emma.
 
Realizado em abril, o experimento usou uma forma desativada do HIV para reprogramar o sistema imunológico de Emma, de modo a matar as células cancerígenas.
 
O tratamento quase a matou. Mas agora, sete meses depois, ela está em remissão completa. Os pais de Emma, Kari e Tom, disseram que sua filha sofria de leucemia linfoblástica aguda desde 2010.
 
Ela faz parte de um grupo de uma dúzia de pacientes com leucemia avançada a terem recebido o tratamento experimental, desenvolvido na Universidade da Pensilvânia.
 
Abordagens semelhantes estão em teste no Instituto Nacional do Câncer dos EUA e no Memorial Sloan-Kettering, em Nova York.
 
"Nossa meta é a cura, mas não podemos proferir essa palavra", disse o médico Carl June, da Universidade da Pensilvânia.
 
Ele espera que o novo tratamento possa substituir o transplante de medula, um procedimento mais árduo, arriscado e caro e que hoje é o último recurso contra leucemias e doenças relacionadas.
 
Três adultos com leucemia crônica tratados na Universidade da Pensilvânia estão sem sinal da doença; dois estão bem há mais de dois anos.
 
Quatro adultos melhoraram mas não tiveram remissão completa e um foi tratado recentemente demais para ser avaliado. Uma criança tratada melhorou, mas depois sofreu recaída. Em dois adultos, o tratamento não funcionou. Os pesquisadores apresentaram os resultados em reunião da Sociedade Americana de Hematologia.
 
Uma grande empresa farmacêutica, a Novartis, está apostando na equipe da Pensilvânia e já destinou US$ 20 milhões para a construção de um centro de pesquisas na universidade.
 
Cientistas dizem que a mesma abordagem -a reprogramação do sistema imunológico do paciente- pode ser empregada contra tumores como de mama e próstata.
 
Para realizar o tratamento, médicos removem linfócitos T do paciente -um tipo de célula de defesa- e inserem genes que os capacitam a matar as células cancerígenas.
 
A técnica usa uma forma desativada de HIV, que leva material genético para dentro dos linfócitos. Os novos genes programam os linfócitos T para atacar as células B, uma parte normal do sistema imunológico que se torna maligna na leucemia.
 
Um sinal de que o tratamento está funcionando é que o paciente fica extremamente doente, com febres e calafrios, além de apresentar queda da pressão -efeitos que quase mataram Emma.
 
A pesquisa se encontra em fase inicial. Ainda não se saber por que o tratamento às vezes não funciona. Não está claro também se o o paciente precisa das células modificadas para sempre. Como elas matam as células B saudáveis, além das cancerosas, os doentes ficam vulneráveis a infecções e precisam usar imunoglobulinas para prevenir doenças.
 
Os pais de Emma dizem que a menina parece estar levando tudo muito bem. Ela voltou à escola e ao convívio com os colegas.
 
"Agora é hora de Emma recuperar sua infância", disse seu pai.
 
Fonte Folhaonline

Novos treinos para os abdominais têm poucas repetições e menos flexões da coluna

O verão é a deixa para que academias anunciem novidades e atalhos no caminho até um corpo sarado. Desta vez, o mercado de fitness fala em "quebra de paradigmas" no exercício abdominal.
 
As novas orientações para os treinos de abdome incluem menos repetições que as usadas nos exercícios tradicionais, estabilização da postura e ginástica funcional (que trabalha vários grupos musculares ao mesmo tempo, em movimentos similares aos das atividades cotidianas).
 
Editoria de Arte/Folhapress
 
Funcionam, mas não podem ser chamadas de "novas orientações", afirma o fisiologista Turíbio Leite de Barros, professor da Unifesp: "Os benefícios de um treino que trabalha tanto os músculos abdominais quanto os lombares são consenso na comunidade científica", diz.
 
O que é apresentado como um novo jeito de malhar essa área do corpo incorpora elementos do pilates e da ioga (como aquelas "sucções" da barriga) para tentar ganhar eficácia e reduzir o risco de lesões na lombar.
 
Uma aula tradicional de abdominais, de 30 minutos, é baseada em flexões da coluna e exige em média 200 repetições. "A coluna foi feita para aguentar um número limitado de flexões. Flexionar o tronco 500 vezes a mais por semana desgasta a articulação e acaba machucando", diz Eduardo Neto, diretor técnico da rede Bodytech.
 
No lugar dos antigos exercícios, a estratégia é usar bases instáveis (como bolas), que fazem a pessoa acionar os vários grupos musculares responsáveis pela postura: abdominais superficiais e profundos, glúteos e músculos da região lombar, segundo o educador físico Luciano D'Elia, de São Paulo.
 
"Fortalecer os músculos mais profundos ajuda a sustentar os órgãos, e aquela barriguinha saltada some", diz a educadora física Juliana Romantini, da Cia. Athletica.
 
O efeito é questionado pelo fisioterapeuta carioca Leonardo Machado. "Os músculos abdominais precisam mais de flexibilidade do que de força. Contração demais comprime os órgãos e dificulta o trânsito intestinal, o que deixa a barriga inchada."
 
"Novo paradigma" mesmo, na visão dele, seria ficar longe do visual "tanquinho" (abdome hipertrofiado) para ganhar uma barriga saudável de uma forma mais relaxada.
 
Editoria de Arte/Folhapress
 
Fonte Folhaonline

Conheça mitos e verdades sobre exercícios abdominais

Receita "infalível" para perder a barriga, todo mundo tem. Para entender o que faz sentido e pode dar resultado em um programa para fortalecer o abdome, a Folha perguntou a educadores físicos, treinadores, fisiologista e fisioterapeuta o que há de mito e de verdade nas orientações para esses exercícios.
 
Tire suas dúvidas a seguir.
 
Exercício localizado faz perder barriga?
Não. "O que faz perder barriga é uma boa dieta", afirma o fisioterapeuta Leonardo Machado. Atividade aeróbica também ajuda, porque aumenta o gasto calórico.
 
"No treino aeróbico a pessoa perde gordura no corpo todo, não apenas na barriga", diz Saturno de Souza, diretor técnico da rede Bio Ritmo. E os exercícios localizados não fazem com que a perda de gordura ocorra em uma região específica.
 
"O gasto calórico dos abdominais é irrisório, não serve para emagrecer", diz Turíbio Leite de Barros, da Unifesp.
 
É melhor fazer os exercícios todos os dias ou deixar o músculo descansar?
O aumento da massa muscular não acontece durante o exercício, mas sim no período de repouso, explica o fisiologista do exercício Turíbio Leite de Barros, professor da Unifesp.
 
"É preciso pelo menos 24 horas de descanso para o músculo recuperar o estoque de energia gasto durante o exercício e se refazer dos microtraumas provocados pelo esforço. É esse processo que cria volume e definição muscular", diz.
 
Quem não tem como objetivo uma barriga hipertrofiada pode fazer os exercícios abdominais diariamente, desde que não sejam muito intensos e que trabalhem diferentes músculos a cada dia --por exemplo, alternando exercícios para os retos do abdome e para os transversos--, sugere Saturno de Souza, diretor técnico da rede Bio Ritmo.
 
Aparelhos resolvem ou é melhor usar o peso do próprio corpo?
Para acionar vários grupos musculares na execução de um exercício, o melhor é usar o peso do próprio corpo, diz Luciano D'Elia, especializado em treino funcional.
 
No aparelho, os músculos são trabalhados de forma isolada, algo que não acontece quando a pessoa se movimenta normalmente para realizar atividades cotidianas.
 
Estudos realizados no departamento de cinesiologia da faculdade de Los Angeles com aparelhos que medem com eletrodos a atividade muscular mostraram que, sem aparelhos, o trabalho dos músculos é um pouco maior, conta Eduardo Neto, diretor técnico das academias Bodytech.
 
Mas os aparelhos podem ser vantajosos para o iniciante, porque evita que a pessoa force outras partes do corpo, como o pescoço, durante a execução do exercício, diz o educador físico Saturno de Souza.
 
Quais são as principais características dos novos abdominais?
Para começar, os exercícios abdominais do momento não são feitos com a pessoa deitada no chão ou sentada, como nos treinos de abdome convencionais. Alguns desses movimentos nem mesmo parecem abdominais.
 
"Fazemos, por exemplo, exercícios de agachamento, parece que são para a perna. Mas o aluno tem que fazer o movimento contraindo o abdome, para manter a postura, e assim ele também exercita os músculos dos glúteos e da região lombar", conta o professor Luciano D'Elia, que é especializado em treino funcional.
 
Os "novos" abdominais incluem exercícios isométricos -- caracterizados pela contração muscular sustentada por algum tempo, sem que aconteça o movimento das articulações.
 
Esses exercícios substituem aquelas numerosas repetições das flexões tradicionalmente usadas para o fortalecimento da barriga. Já há um consenso na área acadêmica que esse tipo de abdominal não é tão eficiente e acaba aumentando o risco de lesão na coluna, especialmente na lombar.
 
Agora, "a pessoa é deixada por alguns segundos em uma posição que exija a contração do abdome e dos glúteos, como acontece em algumas posturas invertidas da ioga", exemplifica a educadora física Juliana Romantini, professora da academia Cia. Athletica.
 
Gerar instabilidade, fazendo a pessoa subir em uma bola ou ficar de pé em uma prancha, é outra estratégia utilizada nas novas aulas de abdominais para trabalhar a musculatura mais profunda da região.
 
Quanto maior o número de repetições, melhor é o resultado do treino para fortalecer o abdome?
Não é verdade. Os abdominais são músculos naturalmente solicitados o tempo todo: você os usa para manter a postura ereta, caminhar e levantar objetos. "Não é preciso muitas repetições em aula para tonificar a barriga", diz Juliana Romantini, professora da Cia. Athletica.
 
E para quem quer resultados mais visíveis, como uma barriga tanquinho? "Muita repetição não é o mais indicado para ganhar definição muscular. Esse resultado pode ser obtido com uma combinação de treino, alimentação e repouso", afirma o educador físico Luciano D'Elia, especialista em treino funcional.
 
Dá para ganhar uma barriga 'chapada' em um mês de treino?
Até dá, mas vai perder rápido também. O corpo funciona em ciclos: ao atingir o condicionamento máximo passa a perder o que ganhou. "Muitos tentam reverter isso se enchendo de suplementos e anabolizantes", diz Saturno de Souza. Resultados visíveis e duradouros só surgem depois de 10 a 12 semanas de treinos.
 
Os resultados dos abdominais são iguais para homens e mulheres?
O metabolismo masculino favorece o ganho de massa muscular, que é bem maior e mais rápido neles, afirma o fisiologista do esporte Turíbio Leite de Barros, da Unifesp. Mas, em compensação, os homens têm mais facilidade de acumular gordura apenas na região da barriga (enquanto nas mulheres o acúmulo maior costuma acontecer na região do quadril).
 
Os exercícios abdominais podem ser os mesmos para homens e mulheres. "O que vai mudar é a intensidade do treino e a carga, que são maiores para os homens", afirma o educador físico Luciano D'Elia
 
Abdominais devem ser os últimos exercícios da sessão de musculação?
É controverso. "É mais seguro deixar os abdominais para o final. Se esses músculos já estiverem cansados, o aluno não conseguirá segurar a postura nos outros exercícios, o que elevará o risco de lesão", defende o professor Saturno de Souza.
 
O treino funcional prega o oposto, mostra o professor Luciano D'Elia: "O centro do corpo é a parte mais importante do treino, precisa ser exercitada no momento de maior pique, logo após o aquecimento".
 
Fazer apenas exercícios aeróbicos é suficiente para acabar com a barriga?
Aeróbicos são a melhor forma para acabar com o excesso de gordura abdominal, afirma Turíbio Leite de Barros. Mas esses treinos não dão resultados sem uma reeducação alimentar, lembra o fisioterapeuta Leonardo Machado.
 
Para a professora de educação física Juliana Romantini, da academia Cia. Athletica, não adianta só perder gordura. "Se a pessoa tem hábitos posturais que fazem a barriga saltar, precisa de exercícios para corrigir isso."
 
É bom manter a barriga sempre contraída?
Nenhum grupo muscular foi feito para trabalhar o dia todo, responde o fisioterapeuta Leonardo Machado. "Só os músculos do coração e do diafragma fazem isso, mas de forma alternada", diz ele.
 
Manter o abdome sempre contraído inverte a curvatura lombar, aumentando a pressão nos discos intervertebrais. A contração também faz pressão sobre os órgãos e dificulta o trânsito intestinal, o que pode causar de gases a hérnias, segundo Machado.
 
Fonte Folhaonline