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sexta-feira, 1 de março de 2013

Pacientes aguardam até 8h atendimento no Hospital do Servidor em São Paulo

Governo do Estado diz que vai ampliar o Pronto Socorro e nega falta de médicos

Sentado em uma cadeira de rodas, o aposentado Lúcio Paulo de Almeida equilibra um balde entre os joelhos com a recomendação médica para vomitar dentro dele caso a pressão alta volte a lhe embrulhar o estômago. Aos 75 anos, "seu Lúcio", como é chamado, aguarda no corredor do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (Iamspe), no bairro do Ibirapuera, zona sul. Na última segunda-feira (25), ele se juntou a outros 500 pacientes que receberam atendimento no Pronto Socorro.

Com dificuldade para se comunicar, seu Lúcio delegou o desabafo aos filhos Raquel (36) e Enos de Almeida (39), que, sem lugar para sentar, lhe faziam companhia de pé. “Lá dentro o cuidado é bom, o problema é ser atendido”, lamentou Raquel. Eles comentavam, surpresos, as condições do prédio: “A gente é atendido aqui desde os 6, 7 anos, e nada mudou. Acho que o Pronto Socorro nunca viu uma reforma”, lembra Enos. “Falta estrutura e comunicação: a gente sempre fica na dúvida se vai ser recebido.”

O aposentado Benedito Vicente Alves, de 90 anos, também não sabia como seria o atendimento. Diabético, ele só foi recebido no consultório para tratar as feridas pelo corpo duas horas depois de chegar ao PS, embora a pulseira laranja que ele carregava no pulso recomendasse atendimento em 15 minutos.
 
“Falta médico”
Presidente da Comissão Consultiva Mista (CCM) do Iamspe, Sylvio Micelli diz que o PS passou por uma pequena reforma nos anos 1980, e que por isso uma "nova ampliação é necessária". "É preciso aumentar o espaço do Pronto Socorro e, principalmente, o número de médicos e consultórios de emergência."
 
Endocrinologista há 40 anos no Hospital do Servidor, o presidente da Associação Médica do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Amiamspe), Otelo Chino Júnior, diz que a falta de doutores não é problema apenas do PS.
 
“Precisamos de, pelo menos, 100 médicos de diversas especialidades, principalmente geriatras”, diz ele, que atribui a “alta rotatividade de médicos” aos baixos salários. A remuneração média no hospital é de R$ 3.800, bem abaixo dos R$ 9.813 reivindicados pela categoria.
 
De acordo com o hospital, 60% dos pacientes têm mais de 60 anos. É por isso que Chino Júnior pede não apenas mais geriatras, mas a criação de outros 30 leitos para esses pacientes. “Na Unidade de Terapia Intensiva [UTI] também faltam 30 camas.”
 
À reportagem, a assessoria do hospital respondeu que “o corpo clínico é formado por aproximadamente 1.400 médicos que atendem 43 especialidades”, mas não soube informar o número de médicos que dão plantão no PS.
 
"Falta verba"
Para reestruturar o Pronto Socorro, contratar médicos e aumentar os convênios, Micelli e Chino Júnior defendem um novo sistema de arrecadação. Em dezembro do ano passado, o presidente da CCM se encontrou com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Palácio dos Bandeirantes para fazer um pedido: ele espera que o governo do Estado repasse ao hospital o equivalente a R$ 500 milhões por ano. Hoje, esse valor é de R$ 100 milhões. “O que a gente quer é que o governo contribua com o mesmo valor arrecadado anualmente com a contribuição de 2% descontados do salário dos servidores.”
 
Embora não exista nenhuma lei que obrigue esse repasse, Micelli e Chino Júnior fazem uma comparação com o sistema de arrecadação dos planos de saúde privados. “Normalmente, a empresa paga ao convênio médico até mais do que o funcionário”, lembra Micelli.
 
O advogado trabalhista Andrei Fernandes de Oliveira explica ao iG que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não obriga a concessão de plano de saúde por parte das empresas, mas que essa já é uma prática consolidada no Brasil. “Nos anos 1990, a maioria das empresas não cobrava participação do empregado, mas como houve um aumento desproporcional da utilização, as companhias estipularam uma participação simbólica do empregado, que costuma arcar com até 20% do plano, enquanto as empresas desembolsam os outros 80%.”
 
“Com a melhora no Hospital do Servidor, o Sistema Único de Saúde (SUS) receberá menos servidores, que darão lugar aos pacientes que não têm convênio”, avalia o presidente da Amiamspe.
 
Questionado pela reportagem sobre a possibilidade de aumentar os repasses, o governo do Estado afirma que “investe sistematicamente no Iamspe”. Além do desembolso anual de R$ 100 milhões, ele “está destinando R$ 150 milhões à reforma do hospital” ainda em 2013. “Uma das primeiras obras a serem concluídas é o Pronto Socorro [...] Todas as obras de reforma e ampliação do complexo hospitalar começam este ano”, informa a assessoria do governo.
 
É o que espera a aposentada Carmen Viana, de 59 anos. Depois de ficar um mês internada no Hospital do Servidor em razão de uma trombose na perna esquerda, ela recebeu alta no último dia 20, mas precisou correr para o Pronto Socorro cinco dias depois porque o remédio receitado lhe causou alergia pelo corpo todo. A filha, Priscila Viana, conta que a mãe aguardava atendimento havia oito horas.
“Ela chegou às 10h, recebeu soro e injeção às 13h30, mas, por falta de médico, aguarda para ser atendida de novo”, conta ao iG no fim da tarde de segunda-feira.

Convênios
A direção do Hospital do Servidor cancelou, no ano passado, convênio com algumas Santas Casas de Misericórdia, deixando sem atendimento servidores do interior e litoral de São Paulo.

Segundo a unidade de Santa Cruz do Rio Pardo, o contrato rompido em 2012 só foi retomado “parcialmente” no começo deste mês. Já a Santa Casa de Lorena volta a atender servidores estaduais a partir de segunda-feira (4), enquanto a de Santos ainda não teve o convênio renovado. “O Iamspe tem todo interesse – e dispõe de recursos próprios – para credenciar um hospital na cidade”, informou a assessoria de imprensa.

Fonte iG

Vacinas contra a gripe A devem estar disponíveis na rede particular de Porto Alegre na próxima semana

Uma boa notícia para quem deseja se proteger antecipadamente neste inverno: as clínicas particulares de Porto Alegre devem receber as vacinas contra a gripe já na próxima semana. A previsão é que a imunização comece a ser realizada nestes locais ainda no início de março.

A vacina, que foi modificada em relação à do ano passado, oferece proteção contra três vírus - Influenza A do grupo H1N1, Influenza A do grupo H3N2 e Influenza do tipo B - todos causantes das gripes sazonais. A dose ainda não tem um preço fixo, mas a estimativa é que o valor da seja semelhante ao do ano passado - em torno de 80 reais.

Qualquer pessoa a partir dos seis meses pode tomar a vacina nas clínicas particulares. A Chefe da divisão de vigilância epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde, Marilina Bercini, alerta para a importância da imunização precoce:

— Observamos que as pessoas procuram se vacinar quando começam as notícias tristes. Queremos o contrário este ano. Nosso objetivo é que a população seja imunizada o quanto antes para evitar uma grande circulação do vírus.

Mas o enfrentamento da gripe não se dá só pela vacinação, alerta Bercini. As medidas preventiva também são fundamentais para evitar a propagação dos vírus. É importante evitar ambientes fechados, lavar frequentemente as mãos, usar lenços descartáveis, evitar contato com pessoas que apresentem sinais de gripe e manter uma alimentação saudável. Esses cuidados, associados a uma boa orientação médica, ajudam a reduzir a chance de contágio.

Imunização para grupo de risco começará em Abril
Para reduzir o número de mortes registradas pela doença em 2012, que chegou a quase 70 casos, a Secretaria da Saúde também decidiu antecipar a Campanha de vacinação gratuita no Rio Grande do Sul. Este ano, ela iniciará no dia 15 de abril - duas semanas mais cedo que o período de 2012, quando as doses começaram a ser aplicadas no início de maio.

Além de um maior investimento em campanhas educativas e que estimulem a imunização, a Secretaria da Saúde promoverá este ano um grande seminário para discutir a questão da gripe com profissionais de saúde.

Outra alteração em relação aos anos anteriores é a inclusão de portadores de determinadas doenças crônicas ao grupo de risco. Em janeiro, o Ministério da Saúde elaborou uma lista de grupos de doenças cujos portadores devem ser vacinados em 2013. A expectativa é que, com essas medidas, um maior número de pessoas seja vacinado.

Fonte Zero Hora

Insônia pode afetar o sistema imunológico

Quando não pode dormir, corpo liga uma espécie de
 "sinal de alerta" no sistema de defesa
Um estudo do Instituto do Sono de São Paulo (SP) constatou que quem dorme pouco pode ter o sistema imunológico prejudicado. O resultado é de uma pesquisa feita durante uma semana com 30 pacientes com idades entre 18 a 20 anos.
 
A investigação verificou que os prejuízos dependem do grau de privação do sono. Para tanto, os pesquisadores montaram três grupos e os submeteram a tipos diferentes de privação do sono: de controle, privação seletiva e privação total do sono. O monitoramento foi feito por exame de polissonografia.
 
De acordo com os resultados, o grupo que dormiu normalmente não apresentou alterações na imunidade. Os pacientes que tiveram privação seletiva, ou seja, eram acordados quando estavam próximos da fase mais profunda do sono, a REM, houve redução da imunoglobulina (IgA), que atua na proteção do organismo contra a invasão por patógenos. A redução permaneceu após três noites de recuperação do sono.
 
Já o grupo que teve privação total ficou 48 horas ininterruptas sem dormir. Os resultados mostraram que, neste grupo, o número de leucócitos e linfócitos TCD4 aumentaram consideravelmente nos pacientes. Para os responsáveis pela pesquisa, o aumento dos glóbulos brancos e linfócitos, que servem para combater infecções e adaptar a defesa para cada doença, respectivamente, é um sinal de alerta enviado pelo sistema de defesa para o corpo com privação de sono.
 
Os cientistas constaram que o corpo ligou uma espécie de "sinal de alerta" no sistema de defesa quando estava sem poder dormir, como se reagindo a algum tipo de agressão. E pior: após um período de 24 horas de recuperação, o número de linfócitos ainda não havia voltado ao normal.
 
Para ter uma boa noite de sono
A insônia é um problema que afeta 40% dos brasileiros, segundo dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Deste total, apenas 5% procuram o especialista. Cerca de 30% dos pacientes com transtorno de insônia apresentam o que os médicos chamam de "má higiene" do sono, ou seja, medidas que atrapalham a qualidade de vida e causam problemas de saúde.
 
Dicas para evitar a insônia:
 
— Mantenha um horário para ir dormir e para se levantar
 
— Faça do quarto um ambiente limpo, organizado, silencioso, escuro e propício para relaxar e dormir
 
— Tome um banho quente duas horas antes de deitar
 
— Mantenha os pés aquecidos antes e durante o sono
 
— Faça um lanche leve com leite e/ou derivados e carboidratos antes de dormir
 
— Faça exercícios físicos, de preferência no período da manhã
 
— Procure exposição à luz solar logo após levantar e no final da tarde
 
— Evite excesso de líquidos no período da noite
 
— Evite refeições pesadas à noite e próximas do horário de dormir
 
— Evite cafeínas (café, chá, refrigerante de cola, chocolate...) à noite
 
— Evite bebidas alcoólicas até quatro horas antes de ir dormir
 
— Evitar fumar pelo menos seis horas antes de dormir
 
— Evite cochilos longos (maiores que 40 minutos) durante o dia
 
— Não se alimente, não leia, não trabalhe e não assista TV na cama

Fonte Zero Hora

Um mês depois, Santa Maria pode ter deixado 20 mil com doença mental, diz psiquiatra

Agora é o momento de ajudar de fato a população atingida pelo incêndio em Santa Maria (RS), segundo o psiquiatra paulistano José Toufic Thomé, 66.
 
De acordo com ele, sem acompanhamento, até 20 mil habitantes da cidade podem ter doenças psiquiatricas em consequência da tragédia --que hoje faz um mês.
 
Vice-presidente do grupo de intervenção em desastres e crises da Associação Mundial de Psiquiatria, Thomé preside a unidade Brasil da Rede Ibero-Americana de Ecobioética.
 
A rede criou um modelo de intervenção de longo prazo para os familiares das vítimas do incêndio na boate República Cromañon, em Buenos Aires, que matou 194 pessoas em 2004. Também deu assistência à população atingida pelas enchentes de 2008 no Vale do Itajaí, Santa Catarina.
 
Em entrevista à Folha, o psiquiatra diz que a população precisa de três anos de assistência médica e psicológica.
 
Folha - Por que sr. diz que o verdadeiro trabalho de assistência às vítimas do incêndio de Santa Maria ainda não começou?
José Toufic Tomé - Todos os voluntários foram para lá num momento de comoção, para ações pontuais, não coordenadas umas às outras. Um mês depois, a comoção passa, as notícias são outras e todos os danificados pela tragédia, que precisam de ajuda, ficam abandonados.
 
Há alguma estimativa de quantas pessoas foram atingidas pela tragédia?
Estatísticas da Unesco e da Associação Mundial de Psiquiatria mostram que cada danificado físico projeta o dano para 400 pessoas ligadas direta ou indiretamente a eles. Se temos 239 mortos em Santa Maria, são quase 100 mil pessoas.
 
Todas elas precisam de algum tipo de intervenção?
Um aspecto é: a cidade inteira precisa. Santa Maria tem 300 mil habitantes e funciona em torno de uma universidade --onde está a maioria dos atingidos. Mas há um outro aspecto. Estudos também mostram que, de todos os atingidos, 20% pode desenvolver algum tipo de patologia. Então são pelo menos 20 mil pessoas com sério risco de ter doenças.
 
Quais doenças?
Em alguns casos, a pessoa vai direto para a depressão e não sai. Mas muitas têm o que chamo de depressões mascaradas: síndrome do pânico, fobias, compulsões, adições, doenças psicossomáticas como gastrites, enxaquecas.
 
Isso é o chamado estresse pós-traumático?
Estresse pós-traumático é um diagnóstico muito genérico, foi fabricado por necessidade jurídica, para justificar indenizações. Mas a condição aparece com uma série de doenças simultâneas, que têm de ser tratadas. No caso de desastres e crises, é preciso um modelo especial de tratamento.
 
Como é esse modelo?
Envolve assistência em diferentes áreas: médica, psicológica, jurídica, educacional, por um período longo, idealmente três anos. E a capacitação dos profissionais envolvidos. Quando há um desastre, os cuidadores têm que lidar com outra concepção de trauma. Classicamente, o trauma é psíquico, está no campo da fantasia. Não é o caso. O trauma é real, se a pessoa fica com medo de ambientes fechados cheios de gente não é paranoia, não dá para patologizar.
 
Quando vira doença?
Quando a pessoa não enterra o morto --não elabora o luto, em linguagem psicanalítica. O luto demora no mínimo um ano para ser elaborado, porque a pessoa tem que passar por todas as datas significativas (início das aulas, aniversários, comemorações familiares) para fazer esse ciclo e se despedir. A intervenção que propomos é uma forma de ajudar essas pessoas a enterrarem seus mortos e a viverem suas vidas.
 
Como isso foi feito com as famílias atingidas pelo incêndio na boate Cromañon, em Buenos Aires?
Primeiro, fizemos um banco de dados de cada envolvido, com dados médicos, profissionais, familiares, situação jurídica. A questão das indenizações no caso da Argentina causa problemas até hoje.
 
As pessoas não foram indenizadas?
Não é só isso. Elas tem que receber apoio jurídico, mas não podem assumir o papel de vítimas, virar os representantes da catástrofe. Pode ser de interesse jurídico manter a tragédia viva, mas a pessoa vitimizada vira refém da situação, passa a viver só em função do desastre.
 
O modelo de intervenção usado no caso argentino pode ser usado aqui?
O que funcionou muito e deveria ser feito no Brasil é a criação do banco de dados. O que não funcionou foi uma ação mais integrada com o governo. Não dá para trabalhar sem ele. Aqui, a proposta é fazer um acordo de trabalho para durar três anos, em que o poder público se responsabilize por sustentar as ações necessárias. Também aprendemos, na atuação em vários desastres e crises, que é preciso conscientizar as equipes das diversas áreas de que ninguém é dono da tragédia. O psicólogo não vai tirar o trabalho do médico, ou vice-versa, mas todos precisam conversar e criar uma malha interligada de apoio.
 
Fonte Folhaonline

Médicos criam técnica para operar nervos microscópicos usando robô

Após sofrer um corte aparentemente banal enquanto abria uma lata para cozinhar, a advogada paulistana Regiane Tedesco descobriu que havia perdido toda a sensibilidade em um dedo da mão ao ter um importante nervo cortado.

Ela procurou a ajuda de médicos brasileiros e acabou se tornando uma das primeiras pessoas do mundo a ser submetida a uma microcirurgia de nervo realizada por meio de um robô.

A pesquisa médica que possibilitou sua cirurgia foi realizada por um grupo de cirurgiões brasileiros, franceses e americanos. Eles formam a Sociedade Ramses (sigla em inglês da Sociedade de Microcirurgia e Endoscopia Assistidas por Robôs), criada há dois anos para estudar o assunto.

A técnica é nova e pode abrir as portas para a realização de cirurgias robóticas complexas em praticamente todos os nervos do corpo, até mesmo no cérebro. Outra possível utilização é para o reimplante de membros amputados.
 
O acidente de Tedesco ocorreu no segundo semestre de 2012. Ela cozinhava em casa para o marido, quando pegou uma lata defeituosa de alcachofras.
 
"Eu tentei abrir a lata, mas estava difícil e eu cortei meu dedo na lâmina. Imediatamente parei de sentir o dedo. Estava sangrando muito, eu enrolei minha mão em uma toalha e corri para o hospital", disse.
 
No primeiro atendimento, ela teve o corte suturado, mas a sensibilidade não voltava e o dedo ficava cada vez pior.
 
O problema era que o nervo lesionado não havia sido reconectado. Ela foi então encaminhada para um grupo de especialistas e concordou em ser submetida a uma nova técnica de microcirurgia para religar o nervo.
 
A diferença de um procedimento tradicional é que seria realizada por meio de um robô.
 
Robôs na medicina
A ideia de usar robôs médicos em cirurgias surgiu pela primeira vez na década de 1990. Os primeiros protótipos surgiram no exterior com o objetivo de operar, de forma remota, astronautas em missões no espaço ou militares no campo de batalha.
 
Entretanto, imperfeições na transmissão de dados entre a estação onde estava o médico e a sala de cirurgia com o robô --por vezes distantes centenas de quilômetros-- tornaram a ideia inviável.
 
Porém, os pesquisadores perceberam que, se médico e robô estivessem no mesmo ambiente, não haveria problemas de transmissão de dados, segundo o cirurgião Gustavo Mantovani, co-fundador da Ramses e médico no hospital Oswaldo Cruz, de São Paulo.
 
Embora fosse perdida a vantagem do tratamento remoto, os robôs se revelam capazes de aumentar a destreza e a precisão do cirurgião em até cinco vezes.
 
"Controlando os braços robóticos você tem uma filtragem do tremor fisiológico do ser humano. Isso aumenta também a qualidade da sua sutura, do seu procedimento", disse Mantovani.
 
O médico afirmou ainda que o robô possui um sistema computadorizado para permitir que suas pinças façam movimentos milimétricos --que o cirurgião consegue visualizar por meio de uma câmera que funciona como um microscópio tridimensional.
 
Todo o sistema é controlado pelo médico, que fica sentado em um console equipado com visor e controles. Diferente do que acontece em uma cirurgia tradicional, quando o cirurgião tem que operar em uma posição desconfortável, o equipamento facilita procedimentos longos.
 
"A cirurgia começa a avançar e a partir de duas a três horas você começa a ficar muito cansado. O robô evita isso porque você está em uma posição muito mais ergonômica de se trabalhar e muito menos cansativa", afirmou o cirurgião ortopedista Leonardo Mendonça, que também participa da pesquisa.
 
Pesquisa
Esses robôs já são usados rotineiramente desde os anos 2000 em alguns tipos de cirurgia, especialmente as urológicas.
 
Médicos de diversas especialidades se esforçam agora para criar novas técnicas para integrar os robôs aos mais diversos tipos de procedimentos.
 
A inovação criada pelo grupo de ortopedistas associados a Mantovani é adaptar o uso do robô a cirurgias de nervo.
 
Algumas operações usando a nova técnica já foram realizadas na França e no Brasil desde o ano passado. Tedesco foi a primeira paciente brasileira a passar por uma microcirurgia robótica de mão.
 
A cirurgia robótica ainda é uma procedimento limitado e caro no Brasil. Mas a pesquisa desses cirurgiões deve contribuir para popularizá-la e possibilitar, no futuro, cirurgias complexas no sistema nervoso central, especialmente no cérebro.
 
"O robô é uma forma de ampliar as habilidades do cirurgião. Eu vejo no futuro eles sendo usados em cirurgias minimamente invasivas com alta qualidade. Poderemos fazer procedimentos que nem imaginamos serem possíveis hoje", disse Mantovani.

Fonte Folhaonline