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terça-feira, 5 de março de 2013

Delegada deve usar prazo final para entrega de inquérito sobre médica

A partir da entrega, MP terá cinco dias para oferecer a denúncia, pedir novas diligências ou arquivar o caso
 
O inquérito que investiga a médica e ex-chefe da UTI do Hospital Evangélico, em Curitiba, Virgínia Soares de Souza, presa desde o dia 19 de fevereiro sob a acusação de homicídio qualificado, não havia sido entregue para a promotora Fernanda Nagl Garcez, do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Saúde Pública (Caop), até as 18h45 desta segunda-feira, prazo final para a conclusão da primeira fase do processo que investiga a morte de pacientes na UTI que tiveram, supostamente, seus aparelhos desligados pela médica.
 
 
A delegada do Núcleo de Repressão a Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), Paula Brisola, porém, informou por meio da assessoria da Polícia Civil que iria entregá-lo (inquérito) a algum representante do Ministério Público, não divulgado, antes de meia-noite, e respeitaria a data limite. A promotora Fernanda Garcez não quis comentar os procedimentos, assim como o inquérito. "Só posso falar quando estiver com os documentos em mãos, é algo de muita complexidade para falar agora", disse.
 
 
A partir desta entrega, o Ministério Público terá cinco dias corridos para oferecer a denúncia, pedir novas diligências ou arquivar o caso. Segundo a assessoria da Promotoria, existe a possibilidade dessa definição acontecer somente na segunda-feira (11), pois quando o prazo final coincide com final de semana ele é estendido ao primeiro dia útil.
 
Fonte Estadão

Com quase 2 mil casos, Barretos vai à Justiça para conter dengue

Liminares garantem entrada nas casas onde os agentes são barrados pelos moradores
 
Barretos vive uma epidemia de dengue com exatos 1.995 casos positivos confirmados somente neste ano. Mas, mesmo assim, muitos moradores se negam a receber os agentes de saúde. Diante disso, a prefeitura tem ido à Justiça e com liminares para entrar nos imóveis. Já foram emitidas seis autorizações do tipo, das quais três já foram cumpridas.
 
Sem contar os casos confirmados, a cidade contabiliza ainda 3.272 notificações da doença. Para se ter ideia da dimensão desse número, durante todo o ano passado foram 741 casos suspeitos e somente 296 positivos. Por isso o trabalho de fiscalização nos bairros foi ampliado, inclusive, com a contratação emergencial de mais pessoas que analisam se existe água para em quintais, nos vasos, garrafas e outros recipientes.
 
Quando ocorre a recusa, antes de ir à Justiça o Setor de Controle de Vetores ainda tenta convencer o morador da necessidade de vistoria através do supervisor da área. Mesmo assim, mantido o impedimento, é feito então o caminho jurídico. E, se até mesmo com o oficial de Justiça não for possível entrar no imóvel -talvez até pela ausência do morador, é providenciado o arrombamento e o proprietário pode ser multado em até R$ 100 mil.
 
A diretora da Vigilância em Saúde de Barretos, Sueli Vieira Martins, lamenta a necessidade de uso da Justiça para enfrentar a dengue. Ela diz ser preciso que os moradores se conscientizem do problema para que a cidade consiga reduzir o número de casos. Atualmente são em média 40 casos suspeitos da doença diariamente e até algumas semanas atrás eram 80. Na cidade, todos os pacientes com suspeita de dengue são encaminhados para o Posto de Saúde Central, que coleta material para que seja realizado o exame capaz de confirmar a contaminação.

Fonte Estadão

Pai vê inseto em tubo de respiração da filha na UTI no interior de SP

 - DivulgaçãoDiretor do hospital disse que não havia perigo para a criança porque o aparelho estava desligado
 
Familiares de uma criança internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), mantido pelo governo estadual, encontraram um inseto no tubo de oxigênio da criança. O pai da menina de dois anos, internada há seis meses com síndrome de atrofia muscular, fotografou o inseto, conhecido popularmente como 'tesourinha'.
 
Alertada, a equipe de enfermagem trocou o tubo do aparelho de respiração. De acordo com o pai da paciente, o inseto entrou na UTI porque o aparelho de ar condicionado está quebrado e as janelas são mantidas abertas. O diretor do CHS, Luis Cláudio de Azevedo, disse nesta segunda-feira (4) que o respirador estava desligado, por isso foi "invadido" pelo inseto.
"Embora a imagem seja forte, o risco para a criança não existia", afirmou. "Se o respirador estivesse em uso, o inseto não conseguiria entrar." De acordo com o diretor, o aparelho de ar condicionado da UTI permaneceu quebrado durante dois meses e foi necessário deixar as janelas abertas para arejar o ambiente. O problema com o inseto poderia ter acontecido em qualquer hospital, segundo ele. Ele informou que o aparelho já foi consertado.

Fonte Estadão

Cientistas pedem cautela com bebê supostamente curado por HIV

A médica Deborah Persaud, virologista do Centro Infantil Johns Hopkins, que diz ter curado bebê com HIV
A médica Deborah Persaud, virologista do Centro Infantil
Johns Hopkins, que diz ter curado bebê com HIV
Apesar de ter recebido com entusiasmo a notícia de que médicos americanos teriam conseguido curar um bebê infectado pelo HIV, cientistas de todo o mundo estão pedindo cautela antes de comemorar os resultados.
 
O trabalho ainda não foi publicado em nenhuma revista especializada e não passou pela chamada revisão por pares, quando os dados de um estudos são esmiuçados por cientistas independentes.]
 
No Brasil, os cientistas também pedem detalhes mais aprofundados sobre o caso.
 
"Se esse resultado for confirmado, vai ser realmente uma coisa incrível. Mas ainda é cedo para tirar qualquer conclusão. Só o tempo é que vai dizer, com essa criança vai reagir, se ela vai ficar indefinidamente sem manifestação laboratorial e clínica do HIV", avalia o infectologista Caio Rosenthal, do Hospital Emílio Ribas.
 
"O problema é que a gente não tem um segmento a longo prazo do caso", completa o médico.
 
A cura
Médicos americanos disseram, neste domingo, que conseguiram pela primeira vez curar um bebê com HIV.
 
O trabalho será apresentado nesta segunda-feira em um congresso especializado em Atlanta, nos EUA, mas os detalhes foram antecipados ao "New York Times".
 
A criança, que nasceu em uma zona rural do Mississippi, foi tratada com remédios antirretrovirais 30 horas de seu nascimento, um procedimento que não é o normalmente adotado nesses casos.
 
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o tratamento com o AZT, uma droga antirretroviral de uso consagrado no coquetel de combate ao vírus.
 
A criança, que tem agora com dois anos e meio, está cerca de há um ano sem tomar medicamentos e não apresenta sinais do vírus.
 
Se estudos futuros comprovarem o resultado e indicarem que o método funciona com outros bebês, o tratamento de recém-nascidos infectados em todo o mundo deve mudar, dizem especialistas.
 
De acordo com a Organização das Nações Unidas, há mais de 3 milhões de crianças vivendo com vírus da Aids.
 
Mãe desconhecia doença
Quando chegou a um hospital na zona rural, em 2010, a mãe da criança já estava em trabalho de parto. Ela deu à luz prematuramente.
 
Como a mãe não havia feito nenhum exame pré-natal, ela não sabia que era portadora do HIV. Quando um exame mostrou que ela estava infectada, o hospital transferiu a criança para o Centro Médico da Universidade do Mississippi, onde chegou com cerca de 30 horas de vida.
 
A médica responsável pelo caso, em entrevista ao "New York Times", disse que solicitou duas amostras de sangue com uma hora de intervalo para testar a presença o HIV no RNA e no DNA do bebê.
 
Os exames identificaram 20 mil cópias do vírus por milímetro de sangue, índice baixo para bebês.
 
Sem esperar os exames que confirmariam a infecção, a médica deu à criança três drogas usadas para tratamento, e não para a profilaxia. Com esse tratamento, os níveis do vírus diminuíram rapidamente, e ficaram indetectáveis quando o bebê completou um mês de vida.
 
Foi assim foi até que a criança completasse 18 meses, quando a mãe parou de levá-la ao hospital.
 
Quando elas retornaram, os testes deram negativo. Suspeitando de erro nos exames, ela pediu mais testes.
 
"Foi uma surpresa", disse a pediatra Hanna Gay.
 
Uma quantidade praticamente desprezível de material genético viral foi encontrado, mas sem vírus que pudesse se replicar. Por isso, segundo o grupo, foi uma cura funcional da infecção.
 
Após do início do tratamento, os níveis do vírus no sangue do bebê foram reduzidos em um padrão de pacientes infectados.
 
Mais testes ainda são necessários para verificar se o tratamento teria o mesmo efeito em outras crianças, mas os responsáveis pelo caso já comemoram.
 
Em todo caso, os pesquisadores não acreditam que o tratamento poderia ser usado em adultos.
 
Americano já se curou
O americano Timothy Brown, que acabou ficando conhecido como "o paciente de Berlim", é considerado o primeiro caso de cura do HIV.
 
O método usado, no entanto, foi completamente diferente, o que ficou conhecido como cura por esterilização.
 
Soropositivo, ele tomava o coquetel contra o HIV quando foi diagnosticado com leucemia.
 
Ele passou por uma agressiva quimioterapia que "matou" sua medula antiga. No lugar, ele recebeu um um transplante com células-tronco de um doador com uma mutação genética que o tornava naturalmente resistente à contaminação pelo HIV.
 
Depois da cirurgia, realizada na capital alemã, o vírus não voltou a se replicar.
 
Fonte Folhaonline

Pesquisas já registram 24 casos de 'cura funcional' de HIV

O relato sobre o controle do HIV por longo prazo feito pelos médicos americanos é o primeiro caso em uma criança mas já é o terceiro trabalho a sugerir que estratégias mais agressivas no uso dos antirretrovirais podem tomar lugar de destaque no combate à infecção.
 
De dois anos para cá, a busca da erradicação da doença tem sido não só uma meta de estudos com vacinas, mas também daqueles com drogas terapêuticas.
 
"Alguns anos atrás, as pessoas estavam entusiasmadas com o que ocorria na pesquisa da vacina e acreditavam que ela estivesse ao alcance, mas as falhas em testes nos colocaram diante de uma perspectiva mais realista", diz Daria Hazuda, chefe de pesquisa em doenças infecciosas do laboratório MSD e participante do congresso nos EUA onde a "cura funcional" do bebê foi anunciada.
 
Hazuda trabalhou, no ano passado, em um teste clínico que conseguiu despertar as reservas de HIV que ficavam escondidas no corpo de pacientes após o tratamento e que impediam uma limpeza definitiva da infecção.
 
Uma vez "acordado", o HIV latente pode ser localizado pelas drogas dentro do organismo e, depois, aniquilado. No teste, feito em colaboração com a Universidade da Carolina do Norte, oito pacientes podem ter sido "curados" da infecção, apesar de um tempo maior de observação ser necessário para confirmar a descoberta.
 
O Instituto Pasteur, da França, também anunciou, no ano passado, ter identificado 14 soropositivos que estão sem sinais do HIV há sete anos, apesar de terem parado de tomar os medicamentos. Conhecido como "coorte Visconti", esse grupo havia passado por três anos de terapia antirretroviral intensa antes de cessar o tratamento, monitorado por médicos.
 
Juntos de Timothy Brown, conhecido como o "paciente de Berlim", e a criança, os relatos de "cura funcional" agora já somam 24 pacientes.
 
Brown, porém, foi submetido a um processo singular. Ele tinha leucemia e passou por um transplante de medula. O doador tinha uma mutação que o tornava imune à infecção. O tratamento foi realizado em 2007, e começou-se a falar em "cura" em 2010.
 
"Agora já temos múltiplos exemplos de como o controle da infecção pode ocorrer", diz Hazuda.
 
Fonte Folhaonline