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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Reversão da alta da mortalidade cardíaca no Norte e Nordeste requer ação preventiva

Médicos consultados pela reportagem apontam o aprimoramento da rede de saúde pública nos Estados do Norte e Nordeste e o investimento em prevenção como ações fundamentais para reduzir a taxa de mortalidade por doenças cardíacas nessas regiões.
 
"O Brasil tem bons programas, como a oferta de medicamentos gratuitos para diabéticos e hipertensos, mas a coisa tinha que ser mais embaixo", diz o cardiologista José Rocha Neto. "Educar o povo a comer, por exemplo."
 
Para Carlos Alberto Machado, diretor de promoção da saúde cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o maior problema no Norte e Nordeste é o acesso ao serviço público de saúde, onde faltam estrutura e médicos, segundo ele.
 
"Se a gente está distribuindo remédio de graça para hipertensão e diabetes e ainda está morrendo gente por isso, qual é o sinal? De que não há eficácia", afirma.
 
Programas
Diante dos resultados da pesquisa, o Ministério da Saúde listou ações de controle e prevenção de doenças cardíacas que tem adotado, como o recente acordo entre o governo e a indústria de alimentos para a redução progressiva do teor de sódio e o incentivo a lanches menos calóricos nas escolas.
 
O governo federal também tem um plano de enfrentamento de doenças crônicas, iniciado em 2011.
 
A instalação de academias de ginástica em postos de saúde, por exemplo, é uma das medidas previstas pelo documento.
 
O Ministério da Saúde também diz estimular governos estaduais a desenvolverem suas próprias estratégias, com foco nas necessidades regionais.
 
Pelo menos cinco Estados (Tocantins, Goiás, Piauí, Espírito Santo e Pernambuco) já estão desenvolvendo programas de prevenção, com verbas repassadas pelo governo federal.

Fonte Folhaonline

Mortalidade por doenças cardíacas aumenta no Norte e no Nordeste e cai no Sul e Sudeste

O aumento da renda nas regiões Norte e Nordeste na última década veio acompanhado de um "ônus" do crescimento econômico: o aumento do número de mortes por doenças cardíacas.
 
É o que aponta estudo desenvolvido por um grupo de pesquisadores da PUC do Paraná, que analisou os óbitos por infarto e angina ocorridos entre 2000 e 2010 no Brasil --cerca de 1 milhão de casos.
 
Essas doenças são hoje a segunda maior causa de mortes naturais no país, perdendo apenas para os AVCs (acidentes vasculares cerebrais).
 
Segundo a pesquisa, enquanto a taxa de mortalidade por essas doenças se manteve estável no Brasil todo, o índice caiu até 25% no Sul e Sudeste e aumentou no Norte e Nordeste. Entre homens nordestinos, por exemplo, a alta foi de 34% no número de mortes por 100 mil habitantes (veja quadro abaixo).

Alimentação
O aumento da renda nesses Estados, associado ao consumo de alimentos industrializados, hipercalóricos e ricos em sódio --que agravam os fatores de risco cardíaco, como hipertensão, colesterol e obesidade-- é uma das explicações para o fenômeno.
 
"As pessoas estão deixando de morrer por doenças infectocontagiosas e passando a morrer de infarto", diz o pesquisador José Rocha Faria Neto, cardiologista e professor da PUC-PR.
 
O médico coordenou o estudo, em parceria com a estudante de doutorado Cristina Baena e a bioestatística Márcia Olandoski.
 
Os dados foram corrigidos levando em conta as subnotificações de óbitos, que são causas mal preenchidas ou não informadas de morte e que, em 2000, chegavam a atingir até 25% dos atestados do Norte e Nordeste.
 
"Ainda que tenha melhorado o preenchimento do atestado, esse aumento de mortes é verdadeiro."
 
Faria Neto compara a tendência à observada no leste europeu após a queda do Muro de Berlim, em 1989, quando a mortalidade por doenças cardíacas também aumentou, assim como a obesidade, a hipertensão, o diabetes e o sedentarismo.
 
"É um reflexo do que acontece quando começa a entrar dinheiro no país."
 
Tendências
Para os pesquisadores, é ilusório pensar que os índices de mortalidade por infarto estão estagnados, como indicam os dados nacionais.
 
Em 2000, por exemplo, a taxa de mortes cardíacas entre homens foi de 108 por 100 mil habitantes. Em 2010, foram 103 mortes por 100 mil habitantes no país. "Há uma disparidade enorme entre as regiões", diz Faria Neto.
 
Segundo a pesquisa, se a tendência atual se mantiver, em 2015 o Brasil vai assistir ao crescimento da taxa de mortalidade nacional por doenças cardíacas, mesmo com a queda dos óbitos no Sul e Sudeste, creditada ao maior acesso a serviços de saúde. Isso não acontece desde a década de 1980.
 
O Norte e o Nordeste, então, terão os mesmos índices que o Sul e o Sudeste tiveram em 2000 --cerca de 110 mortes por 100 mil habitantes.
 
"São mortes que poderiam ser evitadas", diz Baena, uma das autoras do estudo. "Os principais fatores de risco cardíaco são controláveis."
 
Fonte Folhaonline

Hospital encontra excesso na indicação de cirurgia de coluna

Por Cláudia Collucci

Um programa do hospital Albert Einstein está reavaliando indicações de cirurgias de coluna. Em dois anos, dos 1.679 pacientes que chegaram com pedido médico para a operação, só 683 (41%) foram confirmados como realmente necessários.
 
Os resultados foram apresentados anteontem em fórum internacional de qualidade e segurança do paciente, em Londres.
 
O programa atende pacientes particulares e de planos de saúde (Bradesco, Marítima e SulAmérica), que são encaminhados pelo próprio convênio para uma segunda opinião médica.
 
Além do diagnóstico, o acordo entre o hospital e os planos prevê reabilitação para os casos não cirúrgicos.
 
A iniciativa está causando polêmica entre os cirurgiões cujos diagnósticos foram questionados. O caso foi discutido na câmara técnica de implantes da AMB (Associação Médica Brasileira), que o encaminhou ao Conselho Federal de Medicina.
 
"Isso fere um preceito básico da ética médica que é um médico interferir ou mudar a conduta de outro. A indicação de cirurgia é prerrogativa do médico do paciente", afirma o neurocirurgião Marcelo Mudo, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.
 
O excesso de cirurgias de coluna e as sequelas (perda da mobilidade, por exemplo) que ocorrem quando ela é mal indicada são largamente documentados em estudos. Os procedimentos custam até R$ 200 mil e mais da metade desse valor se refere a dispositivos (pinos, parafusos etc).
 
Nos EUA, o número e os custos dessas cirurgias dispararam na última década e elas estão agora na mira do governo federal. Há a suspeita de que os médicos estejam indicando mais porque ganham benefícios da indústria.
 
Segundo o médico Claudio Lottenberg, presidente do Einstein, o projeto é uma tentativa de evitar esses conflitos e padronizar procedimentos. "Queremos o melhor para o paciente e para o sistema de saúde como um todo, não para a fábrica de implantes."
 
Os planos de saúde que participam da iniciativa economizaram R$ 54 milhões com as cirurgias não realizadas. Lottenberg diz que o grupo segue estritamente protocolos clínicos e não há intenção de favorecer convênios.
 
O médico Mario Ferretti, gerente de ortopedia do Einstein, afirma que a maioria das indicações cirúrgicas desnecessárias era relativa a diagnósticos associados a outras doenças não detectadas.
 
"O paciente pode até ter uma hérnia de disco, mas pode ser que outras patologias, como fibromialgia ou esclerose múltipla, sejam a real causa da dor na coluna."
 
No hospital, a equipe de atendimento tem ortopedistas, fisiatras e fisioterapeutas. "Não colocamos cirurgiões de propósito, para não ter viés. Os clínicos estão capacitados a fazer o diagnóstico. Se há dúvida, acionamos os cirurgiões", diz Ferretti.
 
Segundo dados do projeto, pacientes que adotaram tratamentos não invasivos, como fisioterapia, tiveram redução da dor e relataram melhoria de qualidade de vida.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte Folhaonline

Nobel de Medicina vincula tamanho de trechos de DNA à prevenção de doenças

Elizabeth H. Blackburn, ganhadora do Nobel de Medicina
Thor Swift/The New York Times
Elizabeth H. Blackburn, ganhadora do Nobel de Medicina
Elizabeth H. Blackburn se considera cética. Mas admite que às vezes se impacienta com as dúvidas levantadas por alguns cientistas em relação aos seus empreendimentos.
 
O que está em discussão é um exame laboratorial que mede os telômeros, trechos de DNA nas extremidades dos cromossomos que impedem o envelhecimento precoce das células.
 
Telômeros anormalmente curtos podem assinalar uma predisposição a doenças.
 
Blackburn, Nobel de Medicina em 2009 por seu trabalho sobre telômeros, acha que a medição dos telômeros traz a oportunidade de intervenção precoce ou até mesmo de prevenção de doenças. Uma empresa que ela cofundou prevê oferecer os exames de medição de telômeros ainda neste ano.
 
Mas outros cientistas questionaram a utilidade da medição, que não diagnostica doenças específicas. Apesar disso, Blackburn, 64, professora de biologia e fisiologia na Universidade da Califórnia em San Francisco, diz estar convencida.
 
Uma década de dados obtidos por sua equipe e outros pesquisadores indica um vínculo entre telômeros curtos e doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outros males, incluindo estresse crônico e transtorno de estresse pós-traumático. Blackburn também pesquisou as ligações entre estresse emocional, saúde e telômeros curtos.
 
Os telômeros frequentemente são comparados às pontas de plástico dos cordões de sapatos, que não deixam os cordões se esfiaparem. Há muito tempo, cientistas já imaginavam que os telômeros protegessem as extremidades dos cromossomos, mas ninguém sabia como.
 
Cada vez que uma célula se divide, seus telômeros se encurtam. Se eles ficam curtos demais, a célula não pode mais se dividir. Mas, nas células saudáveis, os telômeros são reconstruídos.
 
Na Universidade Yale, no final dos anos 1970, Blackburn descobriu que os telômeros são feitos de seis unidades de DNA repetidas muitas vezes. Ela e um pesquisador da Universidade Harvard, Jack W. Szostak, determinaram que uma enzima deve restaurar os telômeros. Em 1978, Blackburn foi para a Universidade da Califórnia em Berkeley, e, em 1984, Carol W. Greider, estudante de pós-graduação em seu laboratório, identificou a enzima: a telomerase.
 
Blackburn, Szostak e Greider dividiram o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2009.
Dez anos atrás, Blackburn iniciou uma colaboração com Elissa Epel, psicóloga da Universidade da Califórnia em San Francisco que estuda o estresse crônico. Um dos projetos delas envolveu mães que eram as cuidadoras principais de filhos com doenças crônicas.
 
"Com as mães, o tema realmente me tocou", disse Blackburn. "Senti muito por essas mulheres. "
 
Comparadas às mães de filhos saudáveis, as mães de filhos doentes apresentavam telômeros mais curtos e menos telomerase. Quanto mais tempo elas vinham cuidando de seus filhos, mais curtos eram seus telômeros. O mesmo fenômeno foi constatado com pessoas que cuidavam de cônjuges com demência. Outros estudos sugeriram que acontecimentos traumáticos da infância podem ter efeitos que persistem por décadas sobre os telômeros e a saúde.
 
Pessoas começaram a indagar se seus telômeros poderiam ser medidos. Blackburn achou que seria razoável oferecer ao público um exame de medição de telômeros, e, em maio de 2010, cofundou uma empresa, a Telome Health.
 
O plano consiste em começar a oferecer neste ano os exames de telômeros, que terão que ser receitados por um médico. De acordo com o presidente e executivo-chefe científico da empresa, Calvin Harley, o preço será competitivo. Outras companhias que fornecem exames semelhantes cobram entre US$ 300 e US$ 700.
 
O exame não diagnostica doenças específicas. Harley o compara a uma "luz de aviso" de um carro --o indicativo de um problema possível que necessitará de mais exames. "Não é uma bola de cristal que dirá quantos anos de vida nos restam", comentou Blackburn.
 
Segundo ela, existem maneiras de proteger os telômeros e possivelmente de alongar os telômeros curtos. Exercícios físicos, uma dieta nutritiva, perder peso em excesso e reduzir o estresse emocional podem ajudar.
 
Alguns pesquisadores são céticos, argumentando que as ligações entre telômeros curtos e doenças não constituem prova de causa e efeito. Entre os que questionam o exame está Carol Greider, que dividiu o Nobel com Blackburn.
 
Mas a esperança de Blackburn é que a medição de telômeros faça parte de uma nova direção na medicina, voltada a interceptar doenças. Telômeros anormalmente curtos podem indicar um problema de saúde, segundo ela. "Se você estiver entre o percentual mais baixo para a sua faixa etária, pode se interessar em saber a razão disso."
 
Fonte The New York Times
 
Por iG

Gripe: 5,5 milhões foram vacinados no Brasil; campanha segue até sexta-feira

Brasília – Balanço parcial do Ministério da Saúde indica que 5.585.779 de pessoas foram vacinadas contra a gripe até as 12h de sábado(20), quando foi feito um dia de mobilização nacional contra a doença. O número representa 17,5% do público-alvo de 39,2 milhões de pessoas.
 
A meta do governo é imunizar 80% dos chamados grupos prioritários, que incluem idosos com mais de 60 anos, gestantes, mulheres no período de até 45 dias após o parto (período de puerpério), crianças de 6 meses a 2 anos, índios, profissionais de saúde e doentes crônicos. A população carcerária também vai receber a dose.
 
Foram vacinadas 599 mil de crianças (13,71%); mais de 432 mil trabalhadores de saúde (12,67%); 301 mil gestantes (13,81 %); 3,5 milhões de idosos (16,8%); 59,8 mil índios (9,94%); 68,8 mil mulheres em período de puerpério (19,18%); 665 mil doentes crônicos e 14 mil pessoas privadas de liberdade.
 
A campanha segue até a próxima sexta-feira (26) em todo o país. Por meio de nota, o ministério reforçou que a vacina é segura e constitui a principal arma na tentativa de reduzir complicações, casos graves e mortes provocadas pela gripe.
 
De acordo com a pasta, estudos demonstram que a vacina pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade global. Entre os idosos, a dose pode reduzir o risco de pneumonia em aproximadamente 60% e o risco global de hospitalização e morte em cerca de 50% a 68%, respectivamente.
 
“A escolha dos grupos prioritários segue recomendação da OMS [Organização Mundial da Saúde] e é respaldada por estudos epidemiológicos e na observação do comportamento das infecções respiratórias, que têm como principal agente os vírus da gripe. São priorizados os grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias”, informou a nota.
 
Fonte Agência Brasil