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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Silicone dificulta diagnóstico de câncer de mama, diz estudo

Implantes de silicone podem provocar câncer de mama.
Mito. Ninguém comprovou a relação
Pesquisa canadense afirma que as próteses não são as causadoras dos tumores mas dificultam a detecção da doença em fase inicial
 
Mulheres com implantes de silicone nos seios e que desenvolvem câncer de mama têm mais chances de morrer da doença, sugere uma pesquisa canadense.
           
Segundo o estudo, divulgado na publicação britânica British Medical Journal, as próteses não são as causadoras dos tumores, mas dificultam o diagnóstico do câncer em estágios iniciais.
           
Os autores da pesquisa, o epidemiologista Eric Lavigne e o professor Jacques Brisson, ambos da Universidade de Quebec, analisaram os resultados de 12 estudos publicados desde 1993 nos Estados Unidos, Canadá e no Norte da Europa.
 
Eles concluíram que mulheres com silicone tem 26% mais chances de serem diagnosticadas com câncer nos estágios avançados da doença - justamente porque a prótese impediu o diagnóstico no estágio inicial.
 
Uma análise de cinco estudos mostrou que a chance de morte entre pacientes com prótese aumenta 38%.
 
Cautela
O estudo afirma que a presença do silicone dificulta a identificação do câncer por exames de raio-X e mamografias. Em contrapartida, o implante pode facilitar a detecção manual dos tumores porque fornece uma superfície contra a qual o nódulo se apoia.
 
"A pesquisa sugere que a cirurgia cosmética para aumento dos seios pode prejudicar o índice de sobrevivência entre mulheres que posteriormente são diagnosticadas com câncer de mama", afirmaram os pesquisadores.
           
No entanto, eles ponderam que os resultados devem ser interpretados com cautela, porque os dados de alguns estudos não se encaixam nos critérios da meta-análise, um método de pesquisa que tenta combinar resultados de estudos independentes sobre um único tema.
 
Os canadenses defendem a necessidade de mais estudos para investigar os efeitos a longo prazo dos implantes cosméticos de mama na identificação e prognóstico de câncer.
 
Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, em 2011 foram realizadas quase 149 mil cirurgias de aumento dos seios no Brasil, colocando o país atrás somente dos Estados Unidos no ranking do número de mulheres que realizam a cirurgia. Em todo o mundo, foram 1,2 milhão de cirurgias.
 
Fonte iG

'Cigarro causa mais câncer em mulheres'

BBC
Mulheres fumantes têm mais câncer de intestino do que
 homens que fumam
As fumantes têm mais risco de desenvolver câncer de intestino do que homens que fumam, mostra novo estudo que analisou registros médicos de 600 mil pacientes
 
Uma pesquisa feita por cientistas noruegueses sugere que mulheres fumantes têm mais risco de desenvolver câncer de intestino que homens fumantes.
 
Os pesquisadores, da Universidade de Tromso, analisaram os registros médicos de 600 mil pacientes e concluíram que a incidência da doença é duas vezes maior entre mulheres que fumam.
           
O estudo, divulgado na publicação especializada Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention, mostra que as mulheres fumantes têm 19% mais risco de desenvolver esse tipo de câncer que as não fumantes, enquanto entre os homens o cigarro aumenta esse risco em 9%.
 
Durante o período analisado, cerca de 4 mil pacientes tiveram câncer no intestino. O risco de desenvolver a doença mostrou-se especialmente alto entre mulheres que começaram a fumar aos 16 anos ou mais jovens e aquelas que fumaram durante décadas.
 
Segundo os cientistas noruegueses, esse é o primeiro estudo a mostrar que até mulheres que fumam menos do que homens têm risco maior de desenvolver câncer no intestino grosso - um indicativo de que elas seriam mais vulneráveis aos efeitos tóxicos do cigarro.
            
Mas eles fizeram a ressalva de que a pesquisa não conseguiu levar em conta outros fatores que poderiam afetar a incidência da doença, como o consumo de álcool e a dieta dos pacientes.
 
Doenças cardíacas
Especialistas também já haviam mostrado que mulheres fumantes têm mais chances de sofrer um ataque cardíaco do que homens fumantes, mas não sabiam muito bem o motivo dessa diferença. Outra pesquisa recente, publicada por uma equipe da Universidade do Oeste da Austrália na revista médica Journal of Clinical Endrocrinology and Metabolism, apresenta uma possível explicação para isso.
 
De acordo com ela, adolescentes expostas ao fumo passivo apresentariam baixos níveis do colesterol "bom" (HDL), que ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas. Já entre meninos, o fumo passivo não teria o mesmo impacto negativo - ou seja, os níveis de colesterol "bom" não seriam afetados pela exposição à fumaça de cigarro.
 
O estudo analisou mais de mil adolescentes na região de Perth, na Austrália.
 
"Levando em conta que doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no mundo ocidental, essa é uma preocupação importante", afirmou Chi Le-Ha, que coordenou a pesquisa.
           
De acordo com um terceiro estudo, que acompanhou a trajetória de mais de um milhão de mulheres, aquelas que abandonaram o cigarro aos 30 anos evitaram quase completamente o risco de uma morte prematura devido a doenças relacionadas ao fumo.
 
"Já se sabe que fumar causa pelo menos 14 tipos diferentes de câncer", diz Sara Williams, da organização britânica Cancer Research do Reino Unido. "Para homens e mulheres, as provas são incontestáveis: não fumantes têm menos chances de desenvolver câncer, problemas cardíacos, deficiências pulmonares e muitas outras doenças graves."
 
Fonte iG

Saiba mais sobre: Gravidez

O que é
A gravidez é o estado de desenvolvimento de um embrião ou feto dentro do corpo feminino. Para que uma mulher engravide, é necessário primeiro que ocorra a fecundação, ou seja, o encontro bem sucedido entre espermatozoide e óvulo e a união dos cromossomos, criando uma célula chamada zigoto. Apenas quando o zigoto – após divisões sucessivas – alcança o endométrio (o revestimento interno do útero) é que ocorre a gravidez.
 
Implantado no útero, o zigoto passa a se chamar embrião, começando a produzir gonadotrofina coriônica humana (hCG) – o “hormônio da gravidez”, responsável por impedir a destruição do revestimento uterino que levaria ao aborto. É o começo de uma longa etapa, marcada por muitas mudanças no corpo da gestante e do pequeno ser que está dentro dela.
 
Uma gravidez normal dura em média 40 semanas. No primeiro trimestre, os seios da mulher ficam maiores e mais sensíveis. Ela fica mais cansada, sente mais sono e urina com mais frequência. Placenta e saco amniótico se formam nas primeiras oito semanas, respectivamente nutrindo o embrião com sangue materno por meio do cordão umbilical e evitando impactos perigosos ao desenvolvimento do bebê. No fim do primeiro mês, todos os órgãos já estão formados. No fim do segundo mês, com ouvidos, olhos, genitais, dedos das mãos e dos pés formados, o embrião começa a se mexer.
 
No segundo trimestre, o futuro bebê é chamado de feto. Tem aproximadamente 10 centímetros e 250 gramas, apresentando organização dos órgãos internos. O organismo se adapta à nova condição, e os níveis de hCG diminuem, causando menos cansaço e enjoos. É a fase em que o bebê começa a crescer, chutar a barriga da mãe, chupar o dedo e abrir os olhos. No mesmo período as cartilagens são substituídas por ossos.
 
O feto está com cerca de 30 centímetros e 1.300 gramas no começo do terceiro trimestre. A partir deste ponto o feto cresce rapidamente, pois há depósitos de gordura sob a pele, e os sistemas devem se desenvolver completamente. No último mês de gravidez, o feto, com aproximadamente 50 centímetros e 3,5 quilos, se prepara para o nascimento: vira de cabeça para baixo e se encaixa na parte inferior da pelve. O parto encerra a gravidez.

Tipos
A gravidez gemelar é a condição em que a gestante carrega dois ou mais fetos simultaneamente. As crianças que dividem a barriga materna são chamadas de gêmeos. Gêmeos bivitelineos são formados a partir de dois óvulos fecundados que se desenvolvem na maioria das vezes em placentas distintas. Têm características físicas diferentes e podem ser de sexos diferentes.
 
A gravidez de gêmeos idênticos acontece quando um óvulo é fecundado e se divide nos primeiros dias após a fecundação, geralmente dividindo a mesma placenta. Gêmeos xifópagos (siameses) são formados a partir de um mesmo zigoto que não se divide por completo ou embriões que se “colam” nos primeiros estágios da gravidez.
 
Quando um óvulo fecundado é implantado fora do útero, trata-se de uma gravidez ectópica. Geralmente estabelecido na trompa uterina, podendo também estar localizado no colo do útero ou no ovário, o zigoto é incapaz de se desenvolver, pois não há espaço suficiente para crescer. É uma condição perigosa que obriga médicos a remover o embrião.
 
A gravidez psicológica, ou fantasma, conhecida pelos médicos como pseudogestação, é uma condição psicológica e biológica manifestada pelo aumento do volume do abdome e outros sintomas de gravidez, como enjoo, sem que tenha ocorrido a fecundação ou a gestação propriamente dita. É uma gravidez falsa, que pode ser detectada precocemente pela ausência de hCG.

Curiosidades
A duração da gravidez varia de acordo com as espécies. Em geral, animais maiores têm gestações mais longas, já que ocorrem mais divisões celulares. O tempo de gestação nos elefantes, por exemplo, pode chegar a 24 meses, e o filhote pode nascer com quase 100 quilos. O menor tempo de gestação fica por conta dos musaranhos, cujos filhotes nascem entre 18 e 28 dias após a fecundação pesando pouco mais de dois gramas e sendo menores do que uma abelha.
 
Na gestação humana, o feto já começa a perceber os sons externos desde a 20ª semana. O conhecimento da experiência auditiva no meio intrauterino sugere que haja estimulação acústica, pois o bebê já é capaz de ouvir a mãe – incrementando a futura relação entre os dois, a habilidade linguística e o exercício da memória.
 
Além disso, muitos estudos indicam que a música é capaz de fazer com que o bebê se sinta mais calmo. Sons agudos chegam mais fortes aos ouvidos do feto, devido a vibrações que provocam no líquido amniótico. Dentro da barriga, os fetos são capazes também de diferenciar vozes, distinguir sons, intensidade e altura, sons familiares ou não e até mesmo a direção do som.
 

Doenças relacionadas

 
- Aborto espontâneo
 
- Anemia
 
- Asma
 
- Depressão
 
- Depressão pós-parto
 
- Diabetes gestacional
 
- Distúrbios da tireoide
 
- Endometriose
 
- Escoliose
 
- Flatulência
 
- Gengivite
 
- Gravidez ectópica
 
- Hemorroidas
 
- Hepatite C
 
- Incontinência urinária
 
- Infecção do trato urinário
 
- Infertilidade
 
- Mastite (infecção da mama)
 
- Pneumonia
 
- Pré-eclampsia
 
- Sarampo
 
- Trombose
 
- Sífilis
 
- Vaginite
 
- Varizes
 
- Câncer do endométrio
 
Fonte iG

10 perguntas respondidas sobre congelamento de óvulos

Técnica dá esperança a quem tem problemas de fertilidade,
mas não deve ser usada para postergar maternidade
Saiba quando esse procedimento é indicado, quais os riscos e as chances de sucesso
 
- Existe uma idade limite para congelar os óvulos?
Não existe uma idade máxima para que a mulher opte pelo congelamento de óvulos. No entanto, ela precisa estar ciente de que passar pelo procedimento depois dos 40 anos vai resultar no congelamento de um óvulo mais velho, que pode não se tornar um embrião.
 
- Por quantos anos esse óvulo pode ficar congelado?
Não existe um tempo limite. O congelamento, quando bem-feito, preserva as características do óvulo, que pode ser utilizado anos mais tarde. Assim que passou pelo procedimento, o óvulo não envelhece mais e suas características são mantidas.
 
- Se não utilizar o óvulo e não quiser mantê-lo mais, o que posso fazer?
Nesse caso é possível descartar o óvulo, já que ele é apenas um gameta, como aquele descartado pela mulher todo mês. Se ela quiser, pode doar para pesquisa, mas terá de preencher um termo dizendo que abre mão daquele óvulo.
 
- Quais são os métodos de congelamento mais usados?
Existem dois principais métodos: o congelamento lento e o congelamento rápido ou a vitrificação. O primeiro vai diminuindo a temperatura gradualmente, depois da inclusão do frio protetor, substância que entra na célula e não permite que sejam criados cristais – eles poderiam romper os óvulos. Já na vitrificação, o processo de congelamento é rápido, o óvulo é submetido a baixa temperatura de forma abrupta. Assim, as chances de formação de cristais é bem menor e o resultado da recuperação desse óvulo é bem maior.
 
- Quando o congelamento de óvulos é indicado?
O congelamento do óvulo é indicado em algumas situações. São elas:

- para casais que obtiveram óvulos em excesso durante um processo de fertilização in vitro

- no caso de mulheres que passarão por quimioterapia ou radioterapia

- mulheres com histórico de menopausa precoce entre os familiares

 - mulheres com 35 anos, sem parceiro, que desejem conservar sua fertilidade
 
- Existem riscos no processo?
A mulher passa por uma estimulação hormonal, na qual recebe uma carga alta de hormônios para produzir mais óvulos em um mesmo ciclo. Esse processo pode gerar complicações: pode haver reação ao uso de hormônios ou ainda a produção exagerada de óvulos, chamada de síndrome do hiperestímulo ovariano. Com isso, pode ocorrer um distúrbio metabólico pelo acúmulo de líquido no abdome, um dos sintomas é a dor  abdominal. No entanto, todas essas complicações podem ser contornadas pelo médico que acompanha a mulher.
 
Se o início do procedimento transcorrer sem problemas, é realizada a captura dos óvulos, via vaginal, com anestesia. Um ultrassom guia a agulha, que é introduzida na vagina até os ovários, onde os óvulos são aspirados. Os riscos nessas punções são: a agulha atingir um vaso importante da pelve ou o sangramento ovariano não cessar. Nesses casos, a mulher é submetida a uma laparospocia diagnóstica para contenção do sangramento.
 
- Quantos óvulos devo congelar?
Um número bom, uma reserva suficiente, é de 20 óvulos. Dependendo do motivo que leve o casal a uma fertilização, esse número pode até ser pequeno.
 
- Há diferenças na gravidez de um óvulo fresco e de um óvulo congelado?
Não há diferença na gravidez  em si. Depois de descongelado, o óvulo fertilizado se torna igual ao óvulo fresco.
 
- Não vou usar meus óvulos congelados. Posso doá-los para alguém da minha família?
Não, isso não pode ser feito. A doadora não pode escolher para quem doar, porque essa doação deve ser sigilosa. Quem doa não sabe quem será a receptora e vice e versa.
 
* Fontes consultasas para a elaboração: Karla Giusti Zacharias, especialista em reprodução humana da clínica Huntington Medicina Reprodutiva; Arnaldo Cambiaghi, especialista em reprodução humana do IPGO; Rosa Maria Neme, ginecologista e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo.
 
Por iG

A geração dos bebês nascidos para curar

A seleção de embriões evita que os bebês nasçam com
 doenças genéticas
Eles são geneticamente selecionados para nascerem sadios e serem doadores de medula e tecidos aos irmãos. Brasil já tem 20 casos em andamento
 
Maria Clara acaba de completar um ano e dois meses de idade. A curta vida da menina simboliza o início de uma geração de bebês brasileiros que nascem com o propósito de curar.
 
Elaborados sob medida em laboratórios, eles são concebidos via fertilização assistida com seleção prévia de embriões. Seus tecidos (sangue do cordão umbilical ou parte da medula óssea) são usados, tempos depois do nascimento, em transplantes para tratar ou curar irmãos mais velhos portadores de doenças genéticas.
 
Além da garantia de que as crianças nasçam saudáveis e não herdem os genes vindos do pai e da mãe associados à doença familiar – como aconteceu com os outros filhos gerados naturalmente – o processo seleciona gametas para que o bebê seja um doador de tecidos 100% compatível com o irmão. Sem a técnica, chamada de diagnóstico pré-implantacional, as chances naturais de estar apto à doação seriam de 25%.
 
Maria Clara , nascida e programada no Brasil, foi a primeira da América Latina e já mudou o curso da doença sanguínea da irmã mais velha, a Maria Vitória, com 6 anos. Atualmente, são ao menos 20 casais brasileiros que estão passando por este processo com o intuito de gerar um filho para salvar o outro.
           
Adelino Amaral, consultor do Conselho Federal de Medicina (CFM) e presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, enxerga nestes casos um novo marco das técnicas de reprodução humana.
 
“Ninguém quer um filho doente. O diagnóstico prévio evita 200 doenças genéticas no bebê. Atrelar esta prevenção à viabilidade de transplante de um irmão é extremamente positivo”, considera o médico.
 
O início
O país pioneiro na aplicação deste tipo de fertilização foi a Inglaterra, em 2001. Poucos casos surgiram depois. Alguns acabaram na Justiça por conta das questões éticas que cercam o assunto.
 
Por parte dos médicos e geneticistas, só é preciso cautela para que estes bebês não sejam planejados com o único propósito de servir como “medicamentos” para os familiares.
 
“Não há uma normativa definida e nem uma discussão intensa sobre o assunto porque ainda são raros os casos de um filho gerado para salvar o outro”, afirma a presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), Mariangela Badalotti.
 
“Na Inglaterra, pioneira no processo, antes era necessário que cada procedimento fosse aprovado por um órgão regulamentador da fertilização. Agora, esta aprovação prévia foi abolida.”
           
“A questão que envolve este assunto, na minha avaliação, é: um bebê programado exclusivamente para servir como meio não é desejável”, acrescenta a presidente.
 
“Mas é importante ressaltar que, nos casos em que os bebês são pensados como possibilidade para doar tecidos aos irmãos, os pais sempre dizem que já desejavam ter outros filhos quando são entrevistados. Além disso, há o ganho para o bebê, que não nascerá com genes associados à doença.”
 
“Bebês do amor”
Para a mãe de Maria Clara, Jênyce Cunha, a alegria da segunda filha configurou não só o sonho de ampliar a família – algo planejado desde sempre – como o fim das sessões constantes de transfusão de sangue a que a mais velha, Maria Vitória, era submetida enquanto filha única.
 
O nascimento da caçula possibilitou o transplante de medula óssea à Maria Vitória no último dia 27 de março e o fim da talessemia, doença que altera a produção de glóbulos vermelhos do sangue e resulta em anemias severas.
 
“Ter um filho é uma dádiva de Deus, não basta só querer, tem que desejar”, diz Jênyce, que já pensa em um terceiro filho para a família.
 
“Quando, além da vontade divina, a medicina possibilita que este bebê possa, por meio de procedimento tranquilo e nada traumatizante, fazer com que a irmã se livre de uma doença que ela iria enfrentar pelo resto da vida, isso é algo mágico”, diz ela, que refuta o termo “bebê medicamento” e prefere chamá-los de “bebês do amor”.
 
Maria Clara ficou internada apenas algumas horas para doar um pedacinho da medula, retirado após anestesia e via sucção por seringa. No dia seguinte, recebeu alta hospitalar. A irmã receptora, Maria Vitória, ficou hospitalizada mais tempo pois teve de fazer quimioterapia para eliminar a medula antiga e se adaptar à nova doada pela caçula.
           
“Elas estão ótimas”, diz Jênyce. “Ter duas Marias sempre foi um desejo, acho irmão a coisa mais deliciosa do mundo”.
 
Vitória parece concordar. Ela para o que estiver fazendo para brincar com Clara, com abraços “esmagadores de bochechas” e beijos em sequência.
 
Propósitos
O geneticista Ciro Martinhago, responsável pela concepção da segunda Maria da família Cunha, diz que a experiência bem-sucedida com a garota abriu caminhos.
 
“O caso das Marias foi o primeiro e eu agora tenho 20 outros pacientes com casos semelhantes que já estão com o processo de reprodução de embriões selecionados em curso”, afirma o especialista, que trabalha em um dos dois únicos centros do Brasil a realizar o procedimento.
 
A análise prévia dos embriões - indicadas só para grupos
 de risco - identifica doenças que só seriam vistas no ultrassom
 ou após o nascimento
“Em geral, são casais que já têm filhos com talessimia e anemia falciforme (outra doença do sangue que pode ser letal), mas o procedimento também é um caminho que desponta para tratar leucemias”, diz.
 
Segundo Martinhago, de fato, é preciso atenção aos propósitos dos pais que recorrerem à seleção de embriões programados.
 
“Para mim, a sentença mágica é quando o casal diz que teria um segundo ou terceiro filho independentemente da compatibilidade de doação ao irmão.”
 
“Mas se é para falar em gravidez por motivos questionáveis ou no peso disso para criança, eu cito o exemplo das muitas mulheres que chegaram até a minha clínica querendo engravidar só por vaidade, porque todas as amigas já eram mães”, diz ele.
 
Regulação
Por ora, não há nenhuma legislação nacional que regulamente a seleção prévia dos embriões e nem o que fazer com os materiais genéticos gerados que não são usados por não serem compatíveis ao transplante ou portadores do gene associado à doença (descartar, congelar e doar para pesquisa são três possibilidades).
 
Cláudia Gomes, especialista em reprodução humana do grupo Huntington, avalia que para todo procedimento que mexe com vidas é válida uma regulamentação.
 
“Mas antes de regular, é preciso o debate com a sociedade e com as entidades envolvidas”, diz.
 
Para ela, evitar doenças genéticas, já sabidamente existentes na família, é “maravilhoso”.
 
“E isso já é possível. Acho válido selecionar um embrião para salvar um irmão. Mas acho melhor ainda evitar que um primeiro filho nasça com uma doença, que aumenta o risco de vida e traz riscos biológicos.”
 
Fonte iG