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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Teste brasileiro para hanseníase custa 'menos que um sorvete'

BBC Brasil
O Brasil é o segundo no mundo em pacientes com hanseníase
Desenvolvido no Brasil e nos Estados Unidos, novo teste para diagnosticar a doença traz esperança na luta contra a doença no mundo todo
 
Desenvolvido no Brasil e nos Estados Unidos, um novo teste para diagnosticar a hanseníase traz esperança na luta contra a doença no mundo todo.
 
Fabricado pelo laboratório Orangelife, no Rio de Janeiro, o teste pode detectar a doença em dez minutos e vai custar menos de US$ 1 – "menos que um sorvete", segundo o presidente do laboratório, Marco Collovati.


O Ministério da Saúde planeja usar o teste em dois Estados do Nordeste no segundo semestre, em uma fase piloto antes de adotá-lo no restante do País.
 
Segundo Collovati, a vantagem do teste, além do baixo custo, é que "ele é fácil de transportar e de armazenar e pode ser aplicado por agentes de saúde com treinamento muito básico".
 
Precisão
A hanseníase é uma doença bacteriana que hoje tem cura, mas diagnosticar a infecção precoce, antes dela avançar, é um desafio, principalmente em regiões mais pobres e remotas. A doença pode causar lesões permanentes na pele e nos olhos e deformidades nos membros. Quanto mais tempo se leva para fazer o diagnóstico, mais graves são as sequelas.
 
Depois da Índia, o Brasil tem o segundo maior número de pacientes com hanseníase no mundo, com cerca de 30 mil novas infecções a cada ano. O exame reconhece a presença de anticorpos no sangue que reagem contra proteínas existentes nas bactérias, indicando um resultado positivo ou negativo para a doença.
 
Collovati diz que a precisão é de cerca de 90% – em cerca de 10% dos casos, os pacientes não produzem anticorpos suficientes para serem detectados. A doença é transmitida pela respiração, pela tosse e microgotas de saliva, mas somente quando há contato prolongado com uma pessoa infectada – por isso é comum a transmissão entre pessoas da mesma família.
 
"A hanseníase é uma doença simples de tratar, desde que seja diagnosticada precocemente. Caso contrário, ela é tratada, mas o paciente permanece com as deformações para sempre", diz Collovati.
 
"O teste é muito importante para acabar com o estigma que cerca essa doença há três mil anos."
 
Fonte iG

Yacon: a batata boa para diabéticos

Assessoria de Comunicação do Ceasa
Batata yacon ajuda a controlar a taxa de açúcar no sangue,
 preocupação de diabéticos
Ela controla a glicemia e ajuda a diminuir o colesterol. Conheça mais benefícios do alimento que tem apenas 22 calorias a cada 100 gramas
 
A batata yacon é ótima para diabéticos, afirma a nutricionista funcional Érika Almeida, da consultoria VitaleNutri . Apesar de ainda ser pouco popular, ela traz muitos benefícios à saúde.
 
Com o formato parecido com o da já conhecida batata-doce, a yacon é um tubérculo originário dos Andes e tem um sabor adocicado, que muitos associam ao da pera. Segundo o Centro Internacional da Batata (CIP), no Peru, 100 gramas de yacon contêm apenas 22 calorias, contra 64 da mesma quantidade de batata inglesa.
            
O diferencial da yacon é que ela é aliada de quem tem diabetes do tipo 2, distúrbio desencadeado por alimentação muito açucarada e sem origem genética, como o diabetes tipo 1.
 
“Diferente de outros alimentos, essa batata tem o fruto-oligossacarídeos (FOS), um tipo de açúcar que o organismo é praticamente incapaz de absorver”, explica Érika.
 
“O diabético tem resistência à insulina, então, se ele come alimentos de alto índice glicêmico como o macarrão e a batata comum, isso eleva a taxa de açúcar no sangue. A yacon não eleva esse nível, assim como a abóbora, a cará e outras raízes”, ensina a especialista.
           
Os benefícios da yacon não param por aí. Segundo o nutricionista clínico e funcional Fábio Bicalho, estudos sugerem que o tipo de açúcar contido nela também ajuda a reduzir o colesterol.
 
A yacon ainda é rica em prebióticos, substâncias que favorecem a saúde da flora intestinal e combatem a prisão de ventre, e tem inulina, uma fibra alimentar solúvel presente também em vegetais como a alcachofra, aspargo e alho-poró, entre outros.
 
Bicalho acrescenta que a batata aumenta a absorção de minerais no organismo, por ser fonte de ferro, fósforo, sódio, potássio e cálcio.
 
“Ela melhora o ambiente e a permeabilidade da mucosa intestinal ajudando na absorção de nutrientes”, esclarece.
 
Como a batata tem um sabor adocicado, a nutricionista Érika recomenda que ela seja utilizada em preparos doces, como bolos ou sucos.
 
“A yacon pode ser substituída pela cenoura em um bolo, adicionada em sucos verdes ou até mesmo consumida cozida. Se for para usar em sopas, é ideal que a base da sopa seja feita com outros ingredientes”, aconselha Érika, que costuma indicar o alimento para pacientes que buscam uma alimentação mais equilibrada, crianças e idosos.
 
Por ter baixo valor calórico, a batata pode ser uma aliada a quem está fazendo dieta. Érika esclarece que nenhum alimento, claro, faz efeito sozinho.
 
“A yacon tem que ser utilizada numa dieta equilibrada e associada nas receitas, como em um bolo que não eleva as taxas de açúcar no sangue”, exemplifica. A nutricionista orienta: a batata é mais facilmente encontrada em feiras livres do que em supermercados.
 
Fonte iG

Um voluntário contra as desigualdades dos sorrisos

Foto: Edu Cesar
A chegada do terceiro filho mostrou a Paulo Mayon que
 o Brasil tem desigualdade de sorrisos
A chegada do terceiro filho mostrou a Paulo que lábio leporino é mais do que um ‘probleminha na boca’. Hoje ele organiza mutirões de cirurgias no País e no mundo
 
Um ‘problemão na boca’ que isola, impede o sorriso pleno, o desenvolvimento da fala e da audição, mina o convívio social e ainda reduz as chances de trabalho. Um ‘probleminha no lábio’ corrigido por uma cirurgia simples, de duração de 40 minutos, que deixa como resquício uma cicatriz singela logo abaixo do nariz.
 
Lábio leporino é o nome que antecede as duas descrições acima e afeta uma criança em cada 650 nascimentos, segundo os dados nacionais. O que determina quem faz parte do grupo “problemão” ou do “probleminha” é o acesso.
 
Com a chegada do terceiro filho, Paulo Mayon, 49 anos, engenheiro especializado em energia, conheceu os dois mundos dos portadores desta malformação congênita.
 
Bebês atendidos por médicos capacitados no tratamento deste problema da face, causado por motivos ainda não muito bem esclarecidos nas pesquisas científicas, convivem por seis meses com a cavidade bucal incompleta que faz a boca ficar constantemente aberta. Após o processo cirúrgico – complementado por sessões posteriores de fonoaudiologia – quase não sobram marcas e sequelas.
 
Já quem está em locais onde faltam bisturi, profissionais e técnicas cirúrgicas para a correção do lábio leporino pode passar a vida toda sem conseguir se alimentar direito, com vergonha e sem a sensação de beijar e sentir um sabor, entre outros impactos sociais e fisiológicos que vão muito além da estética.
 
Há cinco anos, Paulo Mayon resolveu fazer disso a sua causa. Está na coordenação de uma entidade que realiza mutirões de cirurgias reparadoras de lábio leporino gratuitas – no Brasil e no mundo. O tempo no cargo é o mesmo de vida de Pedro, o filho caçula do engenheiro.
 
O menino, apesar de fazer parte das estatísticas desta malformação facial, nunca teve problemas para mamar, gargalhar e se desenvolver plenamente (o garoto faz parte da turma do probleminha).
 
Na ONG Operação Sorriso, Mayon também ajudou a melhorar a vida de um senhor de 70 anos que só foi operado após sete décadas de solidão e sorrisos pela metade, sempre envergonhados (um dos exemplares do grupo ‘problemão’).
           
Mayon, no tempo livre, virou um voluntário para melhorar a igualdade dos sorrisos.
 
O começo
Em 2008, Paulo Mayon tinha poucas informações sobre o tal lábio leporino. Assim como a maior parte das pessoas, nas raras vezes em que ouvia falar sobre esta condição, não imaginava que um dia o problema bateria na sua porta. Até que, no quinto mês de gestação do caçula – o primeiro menino entre os filhos – veio o laudo do exame de ultrassom .
 
“Minha mulher estava grávida pela primeira vez, mas o Pedro era o meu terceiro filho. No exame de rotina para saber se estava tudo bem, o médico nos contou que a criança se desenvolvia com saúde mas nasceria com a fenda palatina (outro nome dado ao lábio leporino)”, lembra Mayon, hoje com 49 anos.
 
“Meu conhecimento sobre aquela situação era zero. Procurei informações na internet e também não tive muito sucesso. Nas pesquisas, o único direcionamento veio pelo site de uma ONG internacional que fazia mutirões cirúrgicos sobre o assunto”, lembra.
 
“Para minha surpresa, descobri que o ‘Smile’ (nome da ONG), que atuava com crianças carentes do mundo todo em locais sem centro especializados, tinha um braço brasileiro, a  Operação Sorriso.”
 
Foi por meio da Operação Sorriso brasileira que Paulo Mayon acessou informações importantes para que o lábio leporino do filho se tornasse, de fato, só uma alteraçãozinha na boca e não um problemão para a vida toda.
 
“Eles me indicaram médicos capacitados e alentaram que uma cirurgia iria corrigir o lábio do Pedro em pouco tempo após o nascimento. Mas até o procedimento cirúrgico, era preciso tomar alguns cuidados”, lembra ele.
 
Edu Cesar
Paulo Mayon teve como incentivo a experiência com o terceiro
 filho e hoje virou presidente da ONG Operação Sorriso
“Nos primeiros dias de vida, por exemplo, colocar um esparadrapo na fenda ajudaria meu filho a mamar no peito, sem a necessidade de ser entubado ou receber alimentação artificial. O mais curioso é que fui eu quem alertou o pessoal da maternidade sobre essas providências. Percebi que não só os pais não sabiam lidar com a fenda palatina, como faltavam informações aos profissionais de saúde em geral, dos serviços públicos e particulares.”
 
Conta de luz
As hipóteses para as causas do lábio leporino são influências genéticas e também deficiências nutricionais da mãe durante a gestação. Sabe-se que o ácido fólico é a suplementação mais indicada para a tentativa de prevenção, explicam os especialistas.
 
O número preciso dos que convivem com a cavidade bucal malformada é comprometido pela falta de registros. Paulo Mayon, por causa da Operação Sorriso, soube que existia uma demanda enorme de crianças que precisavam ser operadas. E a experiência pessoal mostrou ainda que a estatística da ONG provavelmente estava subestimada. Isso porque, o código “lábio leporino” só foi colocado na ficha médica de nascimento de Pedro após a insistência do pai.
 
“Na maternidade, disseram que, caso eu preferisse, não era necessário deixar isso escrito. Não entendia o motivo, para mim não era vergonha nenhuma e, imediatamente, decidi que queria fazer algo, ajudar quem não podia pagar médicos capacitados e mostrar que este é um problema que existe, é numeroso e tem solução.”
 
Mayon se cadastrou como voluntário da Operação Sorriso logo após a cirurgia realizada em Pedro ainda recém-nascido. Três semanas depois ajudava a organizar o primeiro mutirão de cirurgias da vida dele e o décimo da entidade.
 
O endereço escolhido foi o Rio de Janeiro, cidade onde ele morava na época (hoje está em São Paulo). Uma das primeiras contribuições do engenheiro voluntário – entre os mais de 5 mil médicos que também atuam no atendimento gratuito – foi de tentar uma parceria mais efetiva para convocar os pacientes em potencial. Ele aproveitou a proximidade com o setor elétrico e articulou a parceria para que a informação sobre o mutirão viesse na conta de luz.
 
“Todo mundo recebe esta carta em casa”, pensou.
 
A primeira Operação Sorriso de Paulo operou 800 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos. Na fila que se formou em frente ao hospital, ele viu de perto o que a falta de acesso a um procedimento simples pode provocar.
 
“Os médicos me contavam que algumas crianças, em especial do Norte e Nordeste, são abandonadas e até sacrificadas por existir o mito de que são amaldiçoadas. Vi adultos fracos, franzinos, que nem conseguiam andar, porque os músculos da face são importantes para gestos que nem imaginamos”, diz, emendando um exemplo: “Tente abrir uma garrafa, bem fechada, sem apertar os lábios. É quase impossível. Nossa força depende da boca”, pontuou.
 
“Encontrei mulheres que sonhavam dar um beijo, passar batom. Crianças que nem nos olhavam nos olhos por serem excluídas.”
 
Desde a primeira operação, em que organizou filas, carregou material e ouviu histórias, Paulo Mayon não parou mais. O envolvimento foi tanto que, em 2010, virou o presidente da Operação Sorriso no Brasil, mesmo não sendo médico. Para a ONG, reserva os horários pós-expediente e também os finais de semana, com ajuda do Skype – para reuniões – e da compressão familiar, que entende as ausências.

O engenheiro atua buscando patrocínio e doações para tentar ampliar o número de operados (que hoje somam 200 mil). Também quer aumentar a capacitação de médicos e profissionais de saúde que trabalham nos locais contemplados pelos mutirões.
 
“Depois que a gente vai embora, os pacientes precisam ser reavaliados e continuar o tratamento. Por isso, é importante deixá-los com assistência”, diz
 
Senha
A chegada do Pedro, avalia Mayon, foi a que lhe apresentou a realidade do lábio leporino do País. Mas, para a continuidade do trabalho, ele sempre cita como inspiração a postura de um senhor desconhecido de 70 anos, cujo nome ele não recorda.
 
“Antes, as cirurgias eram feitas por ordem de chegada. As senhas eram distribuídas logo cedo, a demanda era organizada e à tarde as operações começavam. No primeiro dia de mutirão, um senhor de 70 anos foi o primeiro da fila. Mas na hora de ser operado não o encontramos”, relata.
 
“A mesma coisa se repetiu no segundo e no terceiro dia. No quarto, penúltimo do mutirão, as voluntárias decidiram ficar atentas e não deixar o paciente escapar. Pensávamos que ele desistia, provavelmente, por estar com medo da cirurgia.”
 
“Pois bem. O dia começou e aquele senhor novamente, madrugou. Pegou a senha número um.
 
Quando se preparava para escapulir, foi abordado pela equipe. As enfermeiras perguntaram porque ele nunca aparecia e ele disse: ‘tenho 70 anos e sei a dificuldade que é carregar um rosto assim. Pego a senha, a primeira, e dou para uma criança com o lábio igual ao meu.”
 
O caso do idoso foi na Finlândia, lembra Mayon. E o senhor foi operado.
 
Fonte iG

Especialistas alertam contra corrida para testes de câncer

BBC
Chance de portador de mutação no BRCA1 desenvolver
 câncer varia de 50% a 95%
Caso de Angelina é importante para informar a sobre a existência do exame, mas análise do histórico familiar é sempre o primeiro passo, ressaltam médicos
 
O exame genético ao qual a atriz Angelina Jolie se submeteu antes de decidir fazer uma mastectomia dupla (retirada dos dois seios) está ajudando milhares de outras pessoas a prevenir a doença ao redor do mundo.
           
O teste, que pode ser feito a partir de amostras de sangue ou de saliva, detecta a presença de mutações genéticas bastante raras que, segundo especialistas, estariam fortemente associadas a casos hereditários de câncer de mama e de ovário – em especial, falhas nos genes conhecidos como BRCA1 e BRCA2.
 
Segundo Julie Sharp, da organização Câncer Research UK, em geral, o teste é indicado para pessoas que têm um histórico familiar considerado de alto risco. E em alguns países, como a Grã-Bretanha, é oferecido gratuitamente pelo sistema de saúde público para indivíduos desse grupo.
 
"E por pacientes com 'histórico familiar de risco' entendemos pessoas que têm um número significativo de parentes próximos que tiveram câncer cedo, antes dos 50 anos", explicou Sharp à BBC Brasil.
            
Era esse o caso de Angelina, cuja mãe desenvolveu câncer por volta de 46 anos. No Brasil, a rede pública não oferece esse exame genético "preventivo" – realiza apenas a mamografia, o exame clínico mais indicado para o diagnóstico do câncer de mama. No entanto, ele está disponível em clínicas e hospitais privados, onde o valor pode variar de R$ 3 mil a R$ 8 mil e é coberto por alguns planos de saúde.
 
Entre os locais que oferecem o exame estão, por exemplo, o laboratório Fleury e o Gene. A empresa americana InterGenetics também tem um convênio com médicos brasileiros que lhes permite enviar amostras para serem analisadas em seus laboratórios nos Estados Unidos.
 
Evitar o 'pânico'
Médicos brasileiros acreditam que a decisão de Angelina é importante para informar a população sobre a existência desse exame, mas também ressaltam o fato de que a análise do histórico familiar é sempre o primeiro passo.
 
"A estratégia que ela tomou (de fazer o exame e a cirurgia) já existe há alguns anos e é válido que seja divulgada. Mas o mais importante é que ela não seja uma estratégia que cause pânico, levando muito gente a fazer o teste sem indicação médica apropriada", afirma o oncologista e pesquisador do INCA (Instituto Nacional do Câncer), José Bines.
 
"Antes de mais nada, é preciso conversar com o médico para ver se há possibilidade um câncer hereditário. A discussão sobre o histórico da família é a base para todo o diagnóstico", diz.
O geneticista Sérgio Pena, do laboratório Gene, também acredita que ninguém deve fazer o teste automaticamente, sem antes consultar um geneticista.
 
"Há um conjunto de indicações que, se reunidas, justificariam um teste desses, como a presença na família do pai ou da mãe de vários casos de câncer de mama, especialmente os precoces (antes dos 50 anos), parentes com esse tipo de tumor nas duas mamas e predisposição familiar para câncer de ovário", afirma Pena.
 
Segundo Sharp, o paciente pode pedir a um parente com um diagnóstico confirmado de câncer que submeta seu material genético para exames com o objetivo de ajudar os médicos a entenderem onde exatamente está a mutação que poderia ser transmitida hereditariamente.
 
Pena diz que o mesmo procedimento é adotado no Brasil. Segundo especialistas, nos casos em que uma falha é detectada no gene BRCA1, por exemplo, o risco de seu portador desenvolver câncer varia de 50% a 95% dependendo de uma série de outros fatores – como seu histórico familiar. Para Angelina Jolie, tal risco seria de 87%.
 
Risco
De acordo com a médica do Câncer Research UK, as mutações genéticas hereditárias conhecidas seriam responsáveis por apenas 2% dos casos de câncer de mama registrados. Isso ajuda a entender por que um teste negativo em um exame genético não é garantia de que o paciente não desenvolverá a doença. Além disso, especialistas estão apenas começando a mapear as mutações genéticas hereditárias que estariam associadas ao câncer.
 
Caso o teste de uma paciente indique um alto risco de desenvolver um tumor, ela tem três opções segundo Sharp. A primeira, e mais extrema, é a retirada dos seios, pela qual Angelina optou. A segunda seria a realização frequente de exames como ressonâncias e mamografias. Por fim, ela também poderia optar por tomar uma substância que especialistas acreditam reduzir significativamente as chances de desenvolvimento da doença (o tamoxifeno), embora tal tratamento ainda esteja em fase de testes.
 
Nenhum desses métodos, porém, elimina totalmente o risco de câncer de mama e ovários. Mesmo na mastectomia, tal risco é reduzido em cerca de 90%, mas ainda existe – até porque os médicos dificilmente conseguem extrair absolutamente todas as células da mama. Além disso, esse risco remanescente também pode variar dependendo, por exemplo, da decisão da paciente de retirar ou manter o mamilo.
 
Fonte BBC

Brasil tem rede para investigar câncer passado de pais para filhos

Reuters
Como a medicina genética pode mudar o tratamento do câncer
18 instituições brasileiras pesquisam novos caminhos e condutas para o câncer hereditário. “Estamos avançando no SUS”, diz pesquisador do Inca
 
O caso da atriz Angelina Jolie – que declarou ter retirado as mamas para tentar se proteger do desenvolvimento de um câncer na região – é só um dos exemplos de como a medicina genética pode revolucionar os tratamentos de saúde e as condutas preventivas, em especial na área oncológica.
           
Jolie foi submetida a um mapeamento dos genes pelo fato da mãe ter morrido aos 56 anos em decorrência da doença. A análise mostrou mutações nos dois genes (BRCA1 e BRCA2) que a ciência já descobriu estarem associados a um risco aumentado de até 85% de chance ter a doença.
 
Esta possibilidade de prever riscos – e mensurar em números a probabilidade das doenças – é um dos caminhos apontados por uma área da medicina conhecida como oncogenética. Atualmente, o Brasil já tem uma rede composta por 18 centros de referência e assistência, espalhados pelo País, que investigam as condutas terapêuticas para estes casos hereditários, transmitidos de pai para filho.
 
Ligada ao Instituto Nacional do Câncer (Inca) e apoiada pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a rede tem como objetivos principais o aconselhamento genético de pacientes considerados de alto risco (que têm parentes próximos, como pais e irmãos, com a doença), a realização de exames em laboratório, o desenvolvimento de pesquisas e a manutenção de um banco de tumores hereditários.
            
“Estamos avançando nas pesquisas no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde) para caminhar nesta direção da medicina personalizada contra o câncer”, afirma o médico e pesquisador do Inca, José Bines. O pesquisador ressalta que a maior parte dos cânceres é provocada por fatores de risco externos, como tabagismo, obesidade e o sedentarismo, entre outros.
 
“No câncer de mama, por exemplo, apenas 5% dos casos são hereditários. O restante, 95%, é provocado por múltiplas causas e, por vezes, as razões são associadas”, diz Bines.
 
“A neoplasia mamária é diferente do câncer de pulmão, por exemplo. Sabemos que, se o tabagismo desaparecesse do mundo, os tumores malignos neste órgão respiratório se tornariam uma doença rara. Para o câncer de mama, não há como falar em causa principal.”
           
Mesmo em situações em que a causa do câncer não é muito bem estabelecida, afirma Bines, a oncogenética também é importante. Isso porque os ensaios científicos buscam encontrar tratamentos mais individualizados. A proposta não é somente traçar condutas preventivas, mas também terapêuticas.
 
Como exemplo, os cientistas citam a busca por medicamentos mais certeiros, que ataquem a região doente, com menos danos colaterais e menos comprometimento do organismo, prescritos com base nas características individuais de cada paciente.
 
Não é regra
Os especialistas reforçam: o fato de ter casos de câncer na família não significa probabilidade de 100% de ter a doença. Mas o histórico familiar deve ser discutido com o médico para, nas situações indicadas, fazer o aconselhamento genético, ponderar a periodicidade de exames e, por vezes, até indicar cirurgias para diminuir riscos.
 
Ainda são muitos desafios para a medicina genética virar realidade no Brasil, aplicada de forma universal. Uma das fronteiras, diz Marcelo Sampaio, cirurgião plástico do hospital Sírio Libanês, unidade privada que é referência na área, é o preço.
            
“A própria Angelina Jolie disse em entrevista que pagou algo como 3 mil dólares para fazer a avaliação genética”, diz Sampaio.
 
“No Brasil, alguns centros de excelência já fazem este procedimento, como é o caso do Sírio, mas os altos valores ainda são um entrave para o acesso”, complementa.
 
Por ora, a recomendação universal para prevenir o câncer, de qualquer tipo, é manter uma rotina saudável e fazer exames de rotina, que ampliam as chances de detecção precoce da doença e aumentam a possibilidade de cura do câncer.
 
Para quem tem na árvore genealógica parentes próximos com tumores malignos, os cuidados são ainda mais imprescindíveis. A medicina ainda não consegue, no entanto, garantir o “risco zero” de câncer.
 
Fonte iG