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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Portugal: Enfermeiros contestam reutilização de material médico

A Associação de Enfermeiros diz que a decisão do Ministério da Saúde que decretou a prática da reutilização de dispositivos médicos como forma de poupar nos custos é um “atentado à saúde dos doentes”
 
A Associação dos Enfermeiros de Sala de Operações Portugueses (AESOP) contesta o reaproveitamento de Dispositivos Médicos de Uso Único, aprovada pelo ministério da Saúde.
 
Para a AESOP, o reprocessamento dos dispositivos médicos é um "verdadeiro atentado à saúde pública". A associação exige a divulgação dos estudos de custo/benefício que fundamentam a decisão do Ministério da Saúde.
 
"Não existiu qualquer divulgação de estudos de custo/benefício que fundamentem esta decisão", critica, em comunicado, a AESOP.
 
A associação considera que "esta atividade continua envolta numa informação contraditória, sem transparência, não sendo conhecida evidência científica que assuma a segurança dos doentes".
 
Reaproveitamento consoante avaliação de custos e impacto ambiental
O Ministério da Saúde fez publicar em Diário da República, a 30 de maio, o despacho sobre os dispositivos médicos de uso único reprocessados, "com o objetivo de estabelecer as condições de adequada segurança que permitam alcançar poupanças indispensáveis para continuar a disponibilizar terapias e tecnologias inovadoras".
 
O despacho só exclui o reaproveitamento de dispositivos implantáveis, permitindo desta forma a recuperação de material cirúrgico que, até agora, tinha o caixote do lixo como destino após ser usado em operação.
 
Segundo pode ler-se no documento, assinado pelo secretário de Estado da Saúde, "a decisão sobre a utilização de dispositivos médicos de uso único reprocessados deve avaliar o custo-efetividade dessa prática, quando realizada em condições adequadas de qualidade e segurança, bem como ter em conta os custos diretos e indiretos e o seu impacto ambiental".
 
Para Manuel Valente, o "reprocessamento dos Dispositivos Médicos de Uso Único representa um verdadeiro atentado à saúde dos doentes". E alerta que "os dispositivos médicos invasivos, pelas suas características de desenho, fabrico e utilização no procedimento cirúrgico – são introduzidos no interior do corpo – são os que determinam riscos incontroláveis para os doentes".
 
O vice-presidente da AESOP teme ainda que as consequências desta prática possam ser "desastrosas" para os doentes e "com total prejuízo para o processo de cuidados", pelo que "os enfermeiros de sala de operações reservam-se o direito de preservar a segurança e de não colaborar em processos que visem o reprocessamento" dos dispositivos.
 
Fonte Correio da Manhã

Portugal: Médicos saúdam reaproveitamento de dispositivos de uso único

Foto Luís Vieira
Médicos e administradores hospitalares saúdam o reaproveitamento
 de dispositivos cirúrgicos de uso único
Em contraste com a opinião dos enfermeiros, médicos e administradores hospitalares concordam com a decisão do Ministério da Saúde em reaproveitar dispositivos cirúrgicos
 
Médicos e administradores hospitalares saúdam o reaproveitamento de dispositivos cirúrgicos de uso único, que dizem ter elevada segurança para doentes e profissionais de saúde e classificam como uma prática corrente em países desenvolvidos.
 
António Ferreira, administrador do Hospital de São João, no Porto, considera que o reprocessamento destes dispositivos garante até "menos acidentes e mais segurança" do que os próprios dispositivos originais.
 
"Só por ignorância ou má-fé se pode contestar este processo", afirmou António Ferreira à agência Lusa, num comentário à posição da Associação dos Enfermeiros de Sala de Operações em Portugal, que contestou este reaproveitamento dos dispositivos, considerando-o um "atentado à saúde pública".
 
Também Vítor Herdeiro, presidente da Unidade de Saúde Local de Matosinhos, disse que o reprocessamento dos dispositivos médicos cirúrgicos é "altamente seguro" e "equivalente a usar um dispositivo novo", afirmando ainda que o reprocessamento permite ao SNS poupar 50% em cada reutilização.
 
Segundo os dois responsáveis, depois de uma utilização, estes dispositivos são enviados para reprocessamento numa fábrica, que tem de estar certificada.
 
O método usado garante que são retirados todos os contaminantes dos dispositivos (como máquinas de sutura ou tesouras de corte), que são totalmente limpos, esterilizados, selados e passíveis de rastreabilidade.
 
De acordo com António Ferreira, esta prática é já seguida no Hospital de São João, unidade que envia os dispositivos para reprocessamento para uma fábrica alemã, tendo o acordo e apoio de médicos e enfermeiros.
 
Para o cardiologista João Queirós e Mello, o reprocessamento dos dispositivos é um "processo sólido, sério e muito testado no mundo, sendo praticado há cerca de 30 anos nos EUA e há 16 no Norte e Centro da Europa.
 
Este processo de reutilização surgiu no mundo quando a comunidade hospitalar começou a considerar abusivo que fosse a indústria fabricante a única a poder definir quais os dispositivos que seriam de uso único.
 
Fonte Correio da Manhã

Portugal: Bernardo Vilas Boas: "Prejudica doentes e paralisa as unidades"

Presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiares sobre bloqueios informáticos
 
Correio da Manhã – Há centros de saúde com problemas nos sistemas informáticos. Qual a dimensão do problema?
Bernardo Vilas Boas – Desde meados de maio que se está a proceder à atualização tecnológica do software e a uma tentativa de centralização de base de dados na região Norte. As bases de dados localizadas nos servidores dos diferentes centros de saúde estavam desatualizadas e estão a ser transferidas para um servidor central na Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte).
 
– Esse problema ocorre no resto do País?
– Só ocorre no Norte.
 
– Porque é que ocorrem esses problemas informáticos?
– Nem os técnicos que procederam a essa operação sabiam o que estava a acontecer. Esse problema fez, e ainda faz, com que haja lentidão e bloqueios sistemáticos dos sistemas de informação.
 
– Os médicos não conseguem aceder aos dados clínicos?
– Muitas vezes, não. O acesso é muito lento, o sistema bloqueia, o que impede muitas vezes que se aceda aos dados clínicos dos utentes.
 
– Prejudica os doentes?
– O problema perturba gravemente o atendimento ao doente e quase paralisa algumas unidades de saúde.
 
– A ARS Norte já disse que os constrangimentos nos sistemas informáticos ficam resolvidos na próxima semana...
– Já deviam de estar resolvidos.
 
– Têm tido problemas com a prescrição eletrónica?
– Aí há outro problema. O sistema não permite dar ao utente o valor do preço mínimo do genérico quando se imprime a receita, só surge o preço mais caro.
 
– O doente compra o remédio mais caro sem saber que há mais barato?
– O farmacêutico vende mais barato se quiser.
 
Fonte Correio da Manhã

Portugal: Cateter trata hipertensos resistentes

Foto Nuno Fernandes Veiga
A desnervação renal é feita com recurso a anestesia geral
e demora trinta minutos
Técnica cirúrgica para hipertensos vai ser usada para insuficiência renal e cardíaca e apneia do sono
 
É uma técnica minimamente invasiva onde se usa um cateter para tratar a hipertensão arterial resistente – pacientes que apesar do tratamento com três ou mais medicamentos anti-hipertensivos continuam com níveis elevados de pressão arterial. Chama-se desnervação simpática renal e visa baixar os valores da tensão arterial. Este procedimento vai passar a ser usado para tratar também a insuficiência renal e cardíaca, e até a apneia do sono.
 
A experiência já está a ser feita no Hospital de Santo António, no Porto, precisamente um dos centros no País a realizar esta técnica há ano e meio. Mas para compreender este avanço há que perceber, em primeiro lugar, o procedimento.
 
"O cateter é introduzido na artéria femoral (na virilha), que em movimentos helicoidais (circulares), liberta um sinal de radiofrequência que provoca pequenas cicatrizes na artéria renal e aquece o suficiente nos nervos simpáticos", explica Henrique Cyrne Carvalho, responsável pelo laboratório de hemodinâmica e pela Unidade de Cuidados Intensivos Coronários no Hospital de Santo António.
 
Este cateterismo desativa, assim, os nervos simpáticos localizados nas paredes da artéria renal. Isto permite uma diminuição progressiva dos valores da tensão arterial, mas não só.
 
"Pode ser usada para tratar todas as doenças que são dominadas pelo tónus simpático. O Santo António, com um grupo de Homburg, está a desenvolver a técnica para a insuficiência renal moderada, evitando que progrida para grave. Também pode ter utilização nos diabetes muito mal controlados, atuando sobre o controlo da glicemia e insulina, e na insuficiência cardíaca muito grave e na apneia do sono", exemplificou.
 
Para já só estão a ser tratados doentes hipertensos resistentes. "Nesta fase só tratamos os intratáveis: controlamos os valores tensionais (tensão arterial) e podemos diminuir o número de medicamentos que está a tomar. Depois podem nem vir a precisar de qualquer medicamento. É um procedimento com taxa de complicações muito baixas e muito pequenas", diz Henrique Cyrne Carvalho.
 
Fonte Correio da Manhã

Saiba quais os cuidados para praticar exercícios físicos depois da gravidez

Musculação, caminhadas leves a moderadas e alongamento
de braços e pernas são as práticas mais recomendadas
Com alimentação e atividades adequadas, é possível recuperar a forma
 
Muitas mães podem ter dificuldade em recuperar as medidas após a gravidez. Mas com uma alimentação saudável e os exercícios físicos corretos, é possível perder os quilos a mais que vieram com a gestação.
 
De acordo com o clínico geral e fisiologista do exercício João Pinheiro, se a mulher já fazia atividade física durante a gravidez, as chances de ela retomar aos exercícios mais rápido são maiores.
 
— Após o parto normal, que tem recuperação rápida, a mulher pode voltar às atividades físicas em 15 dias, mas é importante que ela converse com o seu médico antes. Já para quem fez cesariana, a recuperação tende ser mais lenta, o ideal é que espere até um mês depois da cirurgia para começar a fazer atividades físicas leves que não forcem muito a musculatura abdominal — explica.
 
Musculação, caminhadas leves a moderadas e alongamento de braços e pernas são as práticas mais recomendadas. Atividades aeróbicas e exercícios de alongamento que tonifiquem a musculatura abdominal são recomendáveis, para trabalhar a barriga e evitar que ela fique flácida.
 
Quanto tempo depois do parto a mãe pode voltar a malhar?
Com os devidos cuidados e exercícios físicos adequados, é possível adaptar a atividade física à nova rotina. Mas, antes de iniciar qualquer prática, é importante que a mãe consulte o seu médico.
 
— Após a liberação do médico, a mulher deve escolher uma atividade moderada para não atrapalhar a produção de leite. O ideal é praticar um exercício aeróbio leve, alongamento, fazer um fortalecimento para a região pélvica, tonificar os abdominais e realizar movimentos específicos para a reorganização postural — aconselha o especialista.
 
Veja as recomendações do médico para que você recupere a forma com segurança:
 
— Exercite-se pelo menos três vezes por semana
 
— Inicie devagar e avance gradualmente no programa, sempre com o acompanhamento de um profissional
 
— Não prenda a respiração durante os exercícios
 
— Retorne gradativamente a sua rotina de exercícios, um mês após o parto
 
— Use roupas adequadas, que não apertem a barriga e outras que reforcem os seios
 
— Em dias de sol quente, exercite-se em horários mais frescos
 
— Beba muita água
 
— Monitore o seu pulso, de acordo com a orientação do profissional
 
— Não deite sobre a sua barriga após os três primeiros meses
 
— Não faça exercícios de alto impacto
 
Fonte Zero Hora