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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Na semana do Dia Mundial do Orgulho Autista, associação alerta para importância do diagnóstico precoce

Brasília - Para lembrar o Dia Mundial do Orgulho Autista, que será comemorado na próxima terça-feira (18), a Associação Brasileira de Autismo, Comportamento e Intervenção do Distrito Federal (Abraci-DF) organizou ontem (16) em Brasília uma atividade para esclarecer o que é o transtorno e conscientizar as famílias da importância do diagnóstico precoce.
 
O autismo é caracterizado pela dificuldade de socialização. Em geral, os primeiros sinais, como isolamento, dificuldade para falar e repetição de movimentos aparecem por volta dos 2 ou 3 anos de idade. De acordo com a presidenta da Abraci-DF, Lucinete Andrade, quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores as possibilidades de estimulação.
 
“Quando se fala de autismo, não se trata de uma só realidade. Por essa diversidade, o diagnóstico é problemático. Às vezes, o diagnóstico fica errado e isso compromete o desenvolvimento e a estimulação dessas crianças”, avaliou.
 
O autismo não tem cura, mas o desenvolvimento dos pacientes pode ser estimulado, além do uso de medicação. Como o transtorno é pouco conhecido, segundo Lucinete, muitos autistas não recebem a estimulação e o tratamento adequados. “Nosso objetivo é chamar a sociedade para dizer que não apenas o diagnóstico é importante, a estimulação também, é ela que vai fazer a diferença entre o diagnóstico e o desenvolvimento desse indivíduo. Hoje, no Brasil, só os pais que podem pagar, com situação financeira melhor é que oferecem a estimulação adequada. E isso tem que ser independente da questão social da família”.
 
Mãe de um menino de 2 anos e 10 meses diagnosticado com autismo, a dona de casa Luísa Silva diz que iniciativas como essa são importantes para desmistificar o autismo, ampliar o conhecimento sobre a doença e ajudar os pais a identificar os primeiros sintomas.
 
“O primeiro sintoma do Davi foi um atraso na fala, ele falava algumas palavras e de repente parou. Eu percebi que não estava normal. Um amigo da família notou também e perguntou se a gente conhecia um pouco sobre autismo. Na primeira leitura que fiz, vi que muita coisa que eu já vinha observando no Davi estava acontecendo. No dia seguinte, fui ao pediatra. Ele fez testes com o Davi e me deu encaminhamento para o neurologista”, contou.
 
Segundo Luísa, além do apoio aos pacientes autistas, as famílias também precisam ser acompanhadas para lidar com realidades tão particulares. “ É muito importante esse trabalho de dar apoio aos pais. Tenho certeza que há muitas crianças sem falar, tendo gestos mal interpretados como manha ou birra e não é. E isso é muito sofrimento tanto para os pais quanto para as crianças”.
 
Não há estimativas oficiais sobre o número de autistas no Brasil, mas organizações não governamentais calculam que o total pode chegar a mais de 1 milhão de pessoas.
 
Fonte Agência Brasil

Moradores de São Gonçalo, no Rio, ganham centro hospitalar para pacientes com traumas graves

Rio de Janeiro – O Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, ganhou nesta sexta-feira, o primeiro núcleo de atendimento a pacientes com traumas graves. Antes, eles eram transferidos para um hospital próximo. O núcleo tem capacidade de fazer 200 cirurgias por mês.
 
De acordo com o coordenador de Trauma e Núcleos especializados da Secretaria Estadual de Saúde, Rogério Casemiro, evitar a transferência de um paciente grave é importante para diminuir o risco de morte. “Os estudos mostram que as vítimas precisam ser socorridas em até uma hora, a chamada hora de ouro, após a ocorrência de trauma. Depois disso, o risco de morte tende a aumentar.
 
A unidade terá uma equipe médica formada por ortopedista, cirurgião geral e vascular, anestesista, neurocirurgião, cirurgião pediátrico com formação em trauma e cirurgião torácico. No total, serão 55 médicos, 26 enfermeiros e 102 técnicos de enfermagem.
 
O núcleo de atendimento tem três salas cirúrgicas, uma sala de tomografia exclusiva com cinco leitos de recuperação pós-anestésica, 35 leitos para tratamento intensivo, quatro leitos de observação e um heliponto para receber casos urgentes.
 
Fonte Agência Brasil
Brasília - O Ministério da Saúde vai financiar a organização de farmácias em unidades básicas de Saúde de 453 municípios considerados de extrema pobreza. Os gestores interessados em receber o apoio devem se inscrever até o dia 27 de junho no Eixo Estrutura do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica (QualifarSUS).
 
Inicialmente, cada município vai receber R$ 17 milhões destinados à compra de equipamentos e mobiliário e à contratação de pessoal das centrais de Abastecimento Farmacêutico e das farmácias nas unidades básicas de Saúde. Em seguida, os municípios selecionados vão receber mais R$ 24 mil por ano para o custeio e a manutenção dos serviços.
 
Além disso, o governo vai destinar R$ 1,2 bilhão à aquisição de medicamentos e insumos para o abastecimento das farmácias básicas de todos os municípios brasileiros.
 
Municípios que fazem parte do Programa Brasil sem Miséria, com até 100 mil habitantes ou que participam de outros programas da atenção básica, como o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (Pmaq), o Programa de Requalificação das Unidades Básicas de Saúde (Requalifica UBS) e os que utilizarem o sistema Hórus ou sistemas próprios de gerenciamento de estoques terão prioridade na seleção.

Fonte Agência Brasil

Baixa na produção e pesquisa de antibióticos aumenta preocupação com disseminação de superbactérias

São Paulo – Dois anos após a publicação do manifesto sobre disseminação de superbactérias no mundo, na revista médica The Lancet, o cenário não é animador, apesar de alguns avanços, segundo especialistas entrevistados pela Agência Brasil.
 
O manifesto feito por profissionais e institutos de medicina, em 2011, chamava a atenção para o uso indiscriminado de antibióticos, o que pode levar a um quadro em que os medicamentos existentes tornem-se obsoletos.
 
"Nós estamos perdendo essas drogas", declarou a médica Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Comitê de Imunização do Ministério da Saúde.
 
Richtmann destaca que basta pouco tempo para que se tenham relatos de resistência mesmo a antibióticos mais novos. "Eles [mecanismos de resistência] estão cada vez mais rápidos. Falo de questão de seis meses a um ano", informou. Ela explica que, com isso, os investimentos industriais estão mais voltados para doenças crônicas, como hipertensão. "Mesmo em relação a doenças infecciosas, desenvolver drogas contra hepatite ou fungos parece ser mais interessante, porque não tem o mesmo mecanismo de resistência da bactéria", avaliou.
 
O último caso registrado no país ocorreu em maio deste ano, quando foi identificada a presença do gene tipo Carbapenemase New Delhi metallobetalactamase (NDM) em cinco pacientes do Hospital Conceição, em Porto Alegre. Em 2010, foram pelo menos 35 casos de contaminação pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) no Recife. A médica infectologista destaca, no entanto, que para a grande maioria das bactérias existentes no Brasil os antibióticos existentes são eficientes.
 
Essa característica faz com que algumas infecções comuns, como a urinária, exijam drogas mais potentes das que eram utilizadas anteriormente. "É uma infecção banal, principalmente entre mulheres, mas a gente está vendo que bactérias que eram sensíveis a antibióticos básicos já não dá mais para usar, tem um grau de ineficiência avançado", explicou Richtmann. Outro exemplo destacado pela médica são as infecções provocadas pelo pneumococo, como meningite e pneumonia. "A gente sempre tratou com penicilina e agora estamos vendo que têm tipos menos sensíveis".
 
Richtmann considerou que o primeiro passo para conter o avanço das superbactérias começa por ações simples. "Todos os hospitais tem que ter hoje comissão de controle de infecção hospitalar. Antes de pensar em incentivar a indústria, novos fármacos, porque isso tem um custo elevado, é mais factível começar com o que nós temos", avaliou.
 
Se por um lado aumentou o controle nos hospitais e o nível de exigência para compra de antibióticos, por outro a indústria farmacêutica mundial reduziu a pesquisa de novos medicamentos que seriam capazes de conter essas bactérias multirresistentes. "[Produzir antibióticos] não tem sido um bom negócio. Gasta-se, por exemplo, R$ 1 bilhão de dólares para pesquisar 10 mil novos compostos e chegar a um. Quando ele chega no mercado, a bactéria ficou resistente", explicou o médico Marcos Antonio Cyrillo, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia. Em 2008, por exemplo, nenhum novo antibiótico chegou ao mercado, informou o infectologista.
 
A resistência das bactérias ocorre porque elas, diferentemente de outras doenças, são microorganismos vivos capazes de transmitir o gene de resistência. "Se temos dez bactérias no corpo, por exemplo, e nove são sensíveis ao antibiótico e uma é resistente, você toma o remédio e uma ficou. De 20 em 20 minutos ela se multiplica e vai transmitindo gene de resistência às filhas", explicou Cyrillo. Por isso é fundamental que os pacientes fazem uso do remédio no período e na dosagem prescrita pelo médico.
 
Fonte Agência Brasil

E-cigarros: na moda e polêmicos

Corentin Fohlen/International Herald Tribune
Olivia Foiret, gerente da ClopiNette: butique parisiense
 vende o e-cigarro em vários sabores
Popularização de dispositivo eletrônico que oferta nicotina sem a fumaça do tabaco acende disputa entre fabricantes e autoridades de saúde na Europa e nos EUA
 
Sob a sombra do Arco do Triunfo, uma fila de 20 pessoas tomava a calçada em frente a uma nova butique da moda, todas ansiosas para provar uma nova linha de produtos gourmet. Uma placa na janela promovia o sabor piña colada. Uma mulher com um casaco Chanel comentava que queria provar o de pêssego.
 
Mas não se trata de um templo da gastronomia e sim de uma das lojas de cigarros eletrônicos que proliferaram recentemente em Paris, assim como em várias outras cidades da Europa e EUA. Dentro da ClopiNette, os clientes podem escolher entre mais de 60 sabores de nicotina líquida, com várias intensidades e arrumados nas prateleiras em filas coloridas.
 
“É como visitar uma loja da Nespresso”, disse Anne Stephan, uma advogada que trabalha por perto. O que a leva à loja é o desejo compartilhado por muitos: eles querem parar de fumar tabaco sem largar o hábito de fumar.
                           
Depois de fumar 20 cigarros por dia durante quase 25 anos, Anne diz ter reduzido para um por dia desde que começou a usar o chamado cigarro eletrônico, ou e-cigarro. Usando uma tecnologia que transforma a nicotina infundida em propilenoglicol num vapor inalável, fumar o e-cigarro parece quase fumar o cigarro real, mas sem o cheiro da fumaça.
 
Apesar de eles ainda serem uma pequena fração do mercado de US$ 80 bilhões por ano nos EUA, a crescente popularidade desse produto acendeu uma briga na Europa entre os vendedores e os reguladores de tais produtos.
 
Esta semana, o governo britânico anunciou que tratará os cigarros eletrônicos como remédios. Mas eles só receberão licença a partir de 2016, dando um prazo para que os fabricantes se enquadrem em todos os padrões exigidos de remédios.
 
Nos EUA, a agência que controla alimentos e remédios, a FDA, tentou barrar a venda dos e-cigarros, alegando que eles são uma combinação não testada de droga e aparelho. Os fabricantes conseguiram mudar a posição da agência, mas em 2010 um tribunal federal determinou que eles devem ser tratados como os demais produtos de tabaco.
 
“Ainda são necessárias mais pesquisas para sabermos os potenciais benefícios e riscos para a saúde”, disse a porta-voz da FDA, Stephanie Yao. A agência está preparando novas regras para regular o produto.
           
Corentin Fohlen/International Herald Tribune
Sabores de cigarro eletrônico dispostos na prateleira da loja:
estudos sobre a segurança à saúde ainda são inconclusivos
Autoridades de saúde dizem que a segurança do produto ainda não foi comprovada e que o aparelho pode encorajar crianças e jovens a começar a fumar. Alguns ativistas antitabaco, incomodados com o destaque dos e-cigarros em restaurantes e bares, pedem que a propaganda deles siga as mesmas regras dos demais produtos de tabaco.
 
“O cigarro eletrônico pode ultrapassar o consumo de cigarro tradicional na próxima década. O crescimento é exponencial e não dá sinais de desaceleração”, diz Katherine Devlin, presidente de uma associação da indústria de e-cigarros.
 
Os cigarros eletrônicos são distribuídos por mais de 100 pequenas e médias empresas, como NJOY e White Cloud. A maioria deles é fabricada na China, pela Ruyan, que inventou o aparelho que aquece a solução com nicotina e solta um vapor como se fosse a fumaça. O cigarro, que também pode vir como uma luz de LED que imita a brasa, foi patenteado em mais de 50 países.
 
Mas agora, fabricantes como Malboro e outras grandes marcas estão correndo atrás para lucrar com a ideia – especialmente para compensar a redução das vendas em países ocidentais.
 
No ano passado, a Lorillard investiu US$ 135 milhões para criar o cigarro eletrônico Blu. British American Tobacco, RJ Reynolds e Japan Tobacco International também querem uma fatia dessa nova indústria. Este mês, a British American anunciou que lançará uma marca de e-cigarro, com uma campanha publicitária que incluirá comerciais de TV, algo proibido para cigarros convencionais.
 
Certamente há sinais de crescimento. Em 2011, mais de 20% dos fumantes adultos dizem ter experimentado os e-cigarros, o dobro da taxa de 2010 nos EUA. Os cigarros eletrônicos podem chegar a 5% das vendas de produtos de tabaco nas próximas duas décadas, segundo o Euromonitor Internacional.
 
Analistas dizem que tal tendência também repercutirá na indústria farmacêutica; produtos para parar de fumar como adesivos e chicletes de nicotina faturaram US$ 2,4 bilhões em 2011, sem contar os tratamentos com prescrição médica.
 
“Está na moda. As pessoas querem parar de fumar, então elas experimentam um desses e são fisgadas”, diz Olivia Foiret, gerente da loja na Avenue de la Grande Armée, em Paris, com a fila de clientes para fora.
 
Em dezembro, autoridades de União Europeia propuseram regular os cigarros eletrônicos e líquidos de nicotina como produtos médicos. Isso iria limitar a quantidade de nicotina a 4 miligramas por mililitro – menos do que contém os mais “light” dos cigarros – ou forçar os fabricantes a realizarem testes clínicos. A medida também aumentaria o quanto os governos recolhem de impostos sobre o produto – os líquidos de refil não são taxados na maioria dos países da Europa.
 
Os defensores do e-cigarro dizem que as autoridades europeias estão tendo uma reação apressada ao não reconhecer o aparelho como uma alternativa “mais segura”. Eles citam que o Royal College of Physicians no Reino Unido declarou que o e-cigarro pode tirar as pessoas do fumo tradicional, assim como um estudo de 2011 publicado no American Journal of Preventive Medicine, que conclui que os aparelhos “prometem ser um método para se parar de fumar”.
 
Mas os órgãos de regulação europeus citam a falta de estudos sobre a segurança de inalar rotineiramente o propilenoglicol. Eles também expressam preocupação de que com tantos sabores e cores, os cigarros eletrônicos podem ser uma porta de entrada para os jovens no hábito de fumar. Na França, onde as vendas de tabaco caíram no ano passado para os níveis mais baixos em uma década, uma pesquisa com estudantes parisienses de 12 a 17 anos mostrou que 8% deles já havia experimentado o cigarro eletrônico.
 
Fonte iG