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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Preste atenção nos sinais que a boca dá para a saúde do organismo

Autoexame da boca ajuda a levantar suspeitas
Fazendo um autoexame, você pode prevenir doenças mais graves como o câncer bucal
 
A saúde bucal não pode e nem deve ser separada da saúde geral do organismo. Nossa boca é continuamente desafiada por infecções causadas por bactérias, vírus e fungos. "Qualquer lesão na mucosa da boca pode ser contaminada por micro-organismos presentes na boca ou adquiridos de outras pessoas, aumentando o risco de doenças, desde uma DST até problemas circulatórios", explica a dentista Amália Rodrigues Martins. Afta, herpes, excesso de saburra e outros problemas de saúde, que começam na boca, podem denunciar que seu corpo pede cuidados.

A boca abriga uma grande quantidade de micro-organismos que residem na superfície dos dentes, nas próteses ou na própria mucosa, formando um ecossistema chamado biofilme, que nada mais é do que a conhecida placa bacteriana. As bactérias podem causar doenças locais, como a cárie, a gengivite e a periodontite. Mas também podem desencadear problemas em outras partes do corpo. "Elas podem penetrar nos tecidos e na corrente sanguínea, liberando substâncias tóxicas e estimulando uma inflamação e até uma infecção grave", diz ela. A seguir, a especialista mostra quais os alertas que sua boca dá e como preveni-los.  
 
Sinais na língua
A saburra é uma placa esbranquiçada ou amarelada, composta por células descamadas, restos alimentares e bactérias, que fica no dorso da língua. A formação de saburra é mais intensa nas pessoas que estão com o fluxo salivar diminuído, o que pode acontecer em situações de estresse, ingestão de certos medicamentos e determinadas doenças. "Entre as bactérias presentes na saburra lingual estão algumas espécies capazes de causar doenças como a gastrite, pneumonia, endocardite bacteriana, parada cardíaca, acidente vascular cerebral e a doença periodontal", explica Amália. Além disso, as bactérias presentes na saburra vão degradar proteínas, produzindo compostos sulfurados, responsáveis pelo mau hálito. Por isso, a escovação dos dentes e a limpeza diária da língua é importante para a eliminação dos micro-organismos. A higienização deve ser feita com a escova de dente, além de raspadores ou limpadores de língua com arestas ou cerdas. 
 
Herpes labial ou bucal
Basta passar por uma situação estressante para as feridinhas, que evoluem para pequenas bolhas, aparecerem na boca. Causada por variações do vírus Herpesvirus hominis (HVH), a herpes é uma doença contagiosa, cuja transmissão ocorre geralmente na infância. O que acontece é que, após o contágio inicial, o vírus fica latente no organismo, podendo se manifestar em intervalos variáveis, principalmente na puberdade e vida adulta. "Entre os fatores relacionados com as recorrências de herpes podemos citar a exposição excessiva ao sol ou a radiação ultravioleta, temperaturas baixas, febre, infecções, estresse físico ou mental, distúrbios gastrointestinais, gripes, resfriados, menstruação, gravidez e uso de corticóides", explica Amália. Sendo que nas pessoas com deficiências imunológicas, a doença pode causar sérias complicações, pois o organismo tem a resistência muito baixa, ficando mais vulnerável a infecções.

O tratamento precoce pode inibir a manifestação clínica ou diminuir o tempo de duração e tamanho das lesões, que podem afetar a boca por até sete dias. O ideal é procurar atendimento assim que aparecerem os primeiros sinais (coceira, irritação, inflamação). As principais formas de tratamento são a prescrição de medicamentos antivirais, que atuam impedindo ou diminuindo a replicação dos vírus, e a terapia com aplicação de laser de baixa potência. "No caso de surtos muito frequentes, com mais de uma manifestação por mês, é possível recomendar antivirais por períodos mais prolongados de tempo", diz a dentista. A aplicação de laser atua diminuindo a dor e biomodulando a região, isto é, aumentando a resistência das células. O procedimento pode ser realizado em qualquer fase da doença, sendo que, assim como o uso dos medicamentos, apresenta melhores resultados na primeira fase da doença, que são as 24 horas iniciais. "Em alguns casos, as lesões são infectadas por bactérias, o que pode causar marcas definitivas na região, sendo necessária à prescrição de antibióticos e pomadas locais", explica Amália. 
 
Cuidados essenciais
  • Não toque na ferida, evitando o contágio. O vírus pode sobreviver por horas ou dias no meio externo e pode ser transmitido para outras pessoas através do beijo, relações sexuais, objetos contaminados (como copos, garrafas e roupas)
  • Se tocar nas feridas, lavar as mãos imediatamente com água e sabão. A manipulação das lesões pode levar à contaminação de outras regiões como pele ulcerada, olhos e região genital
  • As bolhas rompidas liberam líquido altamente infectante. É preciso secar a região com gaze ou lenços descartáveis. As lesões também podem ser lavadas com água e sabão
  • Procure um especialista assim que aparecerem os primeiros sinais de herpes labial ou bucal para diagnóstico, orientação e tratamento.
 
Aftas
As feridas branco-amareladas com contorno avermelhado que aparecem na língua, lábios, parte interna das bochechas e garganta são lesões extremamente dolorosas e desaparecem em 1 a 2 semanas sem deixar cicatriz. Algumas pessoas apresentam aftas grandes, que demoram até 6 semanas para cicatrizarem. As aftas não são contagiosas, sendo muito comuns em pré-adolescentes, adolescentes e adultos jovens. "As causas para a sua formação não são completamente conhecidas e podem estar ligadas à reação exagerada do sistema imunológico", explica Amália. Fatores como o estresse, alterações hormonais, alergias a alimentos, traumas físicos causado por mordidas, alimentos pontiagudos, mudanças hormonais, certos tratamentos de quimioterapia, medicações, hérnia de hiato com refluxo esofagiano e consumo de alimentos ácidos podem levar ao surgimento das feridas. "Não existe nenhum tratamento definitivo para aftas, pois nenhuma substância cura a úlcera de um dia para outro. Podem ser usadas pomadas anestésicas, corticóides e anti-inflamatórios, além da aplicação de laser de baixa potência para alívio da dor e aceleração da cicatrização", diz Amália. 
 
Câncer bucal
O câncer bucal pode afetar a mucosa bucal, gengivas, o céu da boca, língua, assoalho da boca, o céu da boca e os lábios. A doença manifesta-se pelo aparecimento de feridas, que não cicatrizam após alguns dias. Podem surgir lesões superficiais e indolores, que sangram ou não, e manchas esbranquiçadas nos lábios ou na mucosa bucal. Em seu estágio avançado, a doença caracteriza-se pela dificuldade no falar, mastigar e engolir e até o emagrecimento acentuado, dor e presença de caroço no pescoço. Entre os fatores de risco para a doença estão o tabagismo, o uso do álcool, exposição solar exagerada, má higiene bucal e uso de próteses dentárias mal ajustadas. "Além do controle dos fatores de risco, o autoexame e controle profissional realizado por um dentista são fundamentais na prevenção da doença", alerta a dentista. 
 
Faça o autoexame da boca
A finalidade do exame é identificar anormalidades existentes na mucosa bucal, que alertem a pessoa que o organismo não anda bem e a façam procurar um dentista ou um medico.
 
O que procurar:
  • Mudanças na aparência dos lábios e parte interna da boca
  • Endurecimentos
  • Caroços
  • Ferida
  • Sangramento
  • Inchações
  • Áreas dormentes
  • Dentes amolecidos ou quebrado.
 Siga o passo a passo para fazer o autoexame da boca:

1. Lave bem a boca e remova as próteses dentarias, se for o caso.
 
 2. De frente para o espelho, observe a pele do rosto e do pescoço. Veja se encontra algum sinal que não tenha notado antes. Toque suavemente, com a ponta dos dedos, todo o rosto.
 
 3. Puxe com os dedos o lábio inferior para baixo, expondo a sua parte interna (mucosa). Em seguida, apalpe todo o lábio. Puxe o lábio superior para cima e repita a palpação.
 
4. Com a ponta de um dedo indicador, afaste a bochecha para examinar a parte interna da mesma. Faça isso nos dois lados.
 
5. Com a ponta de um dedo indicador, percorra toda a gengiva superior e inferior.         
      
6. Introduza o dedo indicador por baixo da língua e o polegar da mesma mão por baixo do queixo e procure palpar todo o soalho da boca.
 
7. Incline a cabeça para trás, e abrindo a boca o máximo possível examine atentamente o céu da boca. Apalpe com um dedo indicador todo o céu da boca, em seguida diga AAAA ... e observe o fundo da garganta.
 
 8. Ponha a língua para fora e observe a sua parte de cima. Repita a observação com a língua levantada até o céu da boca. Em seguida, puxando a língua para a esquerda, observe o lado direito da mesma. Repita o procedimento para o lado esquerdo, puxando a língua para a direita.
 
9. Estique a língua para fora, segurando-a com um pedaço de gaze ou pano, e apalpe toda a sua extensão com os dedos indicadores e polegar da outra mão.
 
 10. Examine o pescoço. Compare os lados direito e esquerdo e veja se a diferença entre eles. Depois, apalpe o lado esquerdo do pescoço com a mão direita. Repita o procedimento para o lado direito, apalpando-o com a mão esquerda. Veja se existem caroços ou áreas endurecidas.
 
11. Finalmente, introduza um dos polegares por debaixo do queixo e apalpe suavemente todo o seu contorno inferior.  
 
Fonte Minha Vida 

Pré-diabetes é alerta para diabetes tipo 2, diz médico

Obesidade é um dos fatores de risco para o pré-diabetes
Mudança de hábitos e medicação ajudam a prevenir ou retardar o aparecimento da doença
 
Como o próprio nome sugere, o pré-diabetes é um termo usado para alertar que a pessoa tem grandes chances de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. Mas, segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, pesquisador da equipe de Transplante de Células-Tronco da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto, é possível prevenir ou retardar o aparecimento da doença.
 
— Mudar hábitos de vida é o primeiro passo para driblar o surgimento do diabetes tipo 2, mas é importante destacar que não é possível reverter o quadro.
 
Entre as principais medidas para fugir do diagnóstico de diabetes, o médico recomenda prática regular de exercício físico, alimentação balanceada, manutenção do peso e medicação.
 
— Alguns especialistas subestimam o pré-diabetes, mas as principais associações médicas do mundo orientam a prescrição de metformina, um dos remédios fornecidos gratuitamente pelo SUS. E ainda há a possibilidade de se incluir outras drogas nesta fase para combater de forma agressiva a doença.
 
O tratamento do pré-diabetes, explica Couri, tem como objetivo retardar o surgimento do diabetes no futuro e prevenir suas complicações, como problemas cardiovasculares, cegueira e neuropatias.
 
— As mulheres pré-diabéticas têm duas vezes mais chances de doença cardiovascular do que o homem na mesma condição.
 
De acordo com os últimos dados divulgados pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), no Brasil 4,5% dos adultos possuem pré-diabetes e, nos Estados Unidos, esta prevalência é de 10,5%.
 
Por ser uma doença assintomática, a melhor maneira de diagnosticar o pré-diabetes é por meio de exame de sangue. Segundo Couri, se a glicemia de jejum (mínimo oito horas) ficar entre 100 mg/dl e 125 mg/dl o sinal vermelho deve acender.
 
— Para confirmar o diagnóstico, também recomendamos realizar o teste oral de glicose, que mede o valor da glicemia após duas horas da ingestão de um líquido com 75 g de açúcar. Neste caso, se o valor da glicemia ficar entre 140 mg/dl e 199 mg/dl o pré-diabetes existe.
 
Grupo de risco
O médico explica que não são apenas as pessoas com histórico familiar de diabetes que podem desenvolver o pré-diabetes. Outros fatores de risco contribuem para o surgimento da doença, como estar acima de 45 anos, excesso de peso, sedentarismo, hipertensão e alterações nas taxas de colesterol e triglicérides.
 
— Além disso, mulheres que deram à luz bebês com mais de 4 kg ou que sejam portadoras de Síndrome dos Ovários Policísticos também têm risco aumentado.
 
Segundo o especialista, crianças e adolescentes também podem apresentar pré-diabetes. Entre os principais vilões desta faixa etária, Couri cita o sedentarismo provocado pelo videogame, computador e televisão associado a uma alimentação baseada em fast food.
 
— Prevenir a doença é sempre melhor do que tratá-la.

Fonte R7

Pessoas que vão passar férias fora do Brasil devem tomar vacina contra o sarampo

Turista deve tomar vacina contra o sarampo antes de viajar
Em 2012 foram registrados cerca de 7.000 casos da doença em território europeu
 
O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, faz um alerta às pessoas que farão viagens internacionais nas férias de julho, especialmente aos que irão à Europa, para que tomem a vacina contra o sarampo. O ideal é que a imunização ocorra 15 dias antes da viagem.
 
Ao longo de 2012 foram registrados cerca de 7.000 casos de sarampo em território europeu, segundo boletim do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo.
 
A vacina tríplice viral, que está disponível gratuitamente no SUS (Sistema Único de Saúde), é a medida de prevenção mais segura e eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba.
 
Em 2013, a doença continua presente em diferentes regiões do mundo, resultando em óbitos no Paquistão e Nigéria, e milhares de casos na China, Turquia, Rússia, Georgia, Gabão, e no Reino Unido. Os Estados Unidos registraram surtos em três estados, relacionados à importação do vírus da Índia e Reino Unido.
 
No Estado de São Paulo foram registrados cinco casos de sarampo neste ano, todos vinculados à importação de outros países. Mas desde 2000 o Estado não registra circulação endêmica do vírus.
 
Segundo o infectologista Ralcyon Teixeira, do Emílio Ribas, os casos de sarampo são mais comuns durante a infância, mas na idade adulta e em crianças menores de um ano de vida os riscos de complicações pelo vírus costumam ser maiores. A vacina ainda é a forma mais segura de prevenção.
 
Pelo calendário do SUS a primeira dose da vacina deve ser aplicada aos 12 meses de idade e a segunda, entre quatro e seis anos. Para os adultos não imunizados, a vacina também está disponível e é indicada para os nascidos a partir de 1960.
 
Dados do CVE apontam que, dos casos registrados na Europa em 2012, 94% ocorreram em países como a França, Itália, Romênia, Espanha e Reino Unido. Metade dos casos acometeram crianças menores de um ano de idade. A circulação endêmica do vírus se manteve na África, Ásia e Oceania.
 
Espera-se que em 2013 ocorra uma circulação maior do vírus do sarampo no Reino Unido. Neste ano, um caso importado da doença foi notificado no hospital Emílio Ribas. Trata-se de brasileira, com 60 anos de idade, recém-chegada da Itália.
 
O sarampo é uma doença de natureza viral altamente contagiosa. Sua transmissão ocorre através do contato com uma pessoa infectada ao falar, tossir ou espirrar. Também têm sido observados alguns casos de contagio por dispersão de gotículas em ambientes fechados, como por exemplo, escolas, clínicas médicas e creches. As pessoas que viajaram ao exterior nos últimos 30 dias ou tiveram contato no mesmo período com alguém que viajou devem ficar atentas quanto aos sintomas da doença.
 
De acordo com o infectologista, a doença geralmente se manifesta de forma mais acentuada nos primeiros dias após o contágio.
 
— Os principais indícios do vírus são febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e aparecimento inflamações avermelhadas na pele. Ao perceber os sintomas, o indivíduo deve procurar imediatamente atendimento médico.
 
Fonte R7

Médicos prometem grande paralisação nacional contra "caos na saúde pública"

Representantes criticaram mais uma vez importação de médicos cubanos para o Brasil
 
Entidades médicas prometem paralisar as atividades na próxima quarta-feira (3) a partir das 10h em todo o País. O objetivo dos profissionais é mobilizar e chamar atenção da população para o projeto do Governo Federal de importar médicos cubanos, além da precariedade dos atendimentos e infraestrutura nos hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) e da falta de incentivo de carreira.
 
Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (26), o presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Roberto D´Ávila, afirmou que a paralisação não tem como objetivo “prejudicar a população”.  
 
— Vai ser muito pacífica. Será um ato público com passeata da prefeitura até a sede do governo. Vamos poupar os pacientes de transtorno porque são vítimas. Não podemos penalizar estas pessoas, mas precisamos protestar e esclarecer as pessoas — que a vinda de médicos, por exemplo, não vai resolver problema da saúde do País.
 
O presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), Florentino Cardoso, diz que por meio da mobilização será possível “mostrar o caos e as verdades da saúde pública do Brasil”. Segundo ele, a área médica enfrenta diversos “grandes problemas”, entre eles a falta de financiamento.
 
— Os médicos não suportam mais atender as pessoas com paredes caindo, com posto sem água há dois meses. Vamos aproveitar este momento histórico para reconstruir o País. Sobre a importação de médicos, não somos contra médicos estrangeiros, desde que eles sejam avaliados [por meio do Revalida, concurso federal que atesta os conhecimentos médicos]. É preciso ver se eles têm conhecimento, habilidade e atitude para trabalhar aqui. Sabemos que há escolas que não formam médicos com qualidade.
 
Se as reivindicações não forem atendidas, Geraldo Ferreira, presidente da ANM (Associação Nacional dos Médicos), afirma que “não está descartado uma greve”. Segundo ele, entre as alternativas para melhoria do setor está a aprovação da PEC 454, pacote de emenda constitucional que cria a carreira de Estado para os médicos, assim como acontece com o Judiciário.
 
— Além disso, queremos também que 10% do recurso público bruto seja destinado à saúde. Não adianta colocarmos mais médicos, sem ter infraestrutura suficiente.
 
Ato em SP acontece na avenida Paulista
Entidades de classe, acadêmicos de medicina e residentes médicos tomarão a avenida Paulista, a partir das 16h para uma passeata de protesto. O ponto de encontro será na Associação Médica Brasileira, de onde a passeata sairá rumo ao gabinete de representação da presidência da República, na avenida Paulista.
 
Fonte R7

Médicos estrangeiros relatam experiência negativa com "importação" de cubanos

Representantes de entidades da Venezuela e Bolívia vivenciaram experiência há poucos anos
 
A intenção do Governo Federal de trazer médicos de outros países para atuarem em regiões mais carentes brasileiras é alvo de crítica pelas entidades médicas. Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (26), em São Paulo, representantes brasileiros trouxeram representantes das classes médicas da Bolívia e Venezuela para contar a experiência de importação de cubanos aos seus países. Ambos criticaram fortemente a medida.
 
Foi em 2003 que o governo da Venezuela levou médicos de Cuba, de acordo com o médico Douglas Natera. Segundo ele, os profissionais não tinham “ao menos um título” que mostravam que eram médicos.
 
— Nós só sabíamos que eram cubanos, mas não demonstraram que eram médicos. Quando entraram de maneira oficial, eles já tinham supostamente quatro anos de exercício da profissão, mas não tinham título. O diploma parecia um papel feito por criança. Foram depois então expulsos do país. Na verdade, eles usurparam a função de médicos. Eram em sua maioria taxistas, veterinários, carpinteiros.
 
Por causa das mesmas condições enfrentadas na Venezuela, o representante médico Aníbal Cruz explica que na Bolívia o projeto também fracassou. A importação aconteceu em 2006.
 
— Me lembro de um homem de 36 anos que caiu de uma árvore e sofreu um trauma renal. Ele foi atendido por um médico cubano que lhe arrancou os dois rins. Os médicos bolivianos fizeram uma denúncia e iríamos fazer o transplante. Nós lutamos para que ele não fosse levado ara Cuba. Mas ele foi e nunca mais tivemos notícias.
 
Trabalho escravo
Para o presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Roberto d´Ávila, a intenção de trazer médicos sem revalidação do diploma é ilegal, uma vez que a “lei da educação prevê a revalidação do diploma no estrangeiro”, além do registro no conselho regional de medicina.
 
Além da falta de revalidação do diploma, Geraldo Ferreira, presidente da ANM (Associação Nacional dos Médicos), afirma que trazer médicos de fora e obrigá-los a se fixar em determinada região pode ser considerado “trabalho escravo”.
 
— Enquadraremos isso e entregaremos a OMT (Organização Mundial do Trabalho). Além disso, eles não podem trabalhar se não for por concurso. Se isso acontecer, vamos levar ao Judiciário. O importante é promover a valorização do trabalhador brasileiro para que ele tenha uma carreira decente.

Paralisação para melhoria na saúde
Entidades médicas prometem paralisar as atividades na próxima quarta-feira (3) a partir das 10h em todo o País. O objetivo dos profissionais é mobilizar e chamar atenção da população para o projeto do Governo Federal de importar médicos cubanos, além da precariedade dos atendimentos e infraestrutura nos hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) e da falta de incentivo de carreira.
 
O presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), Florentino Cardoso, diz que por meio da mobilização será possível “mostrar o caos e as verdades da saúde pública do Brasil”. Segundo ele, a área médica enfrenta diversos “grandes problemas”, entre eles a falta de financiamento.
 
— Os médicos não suportam mais atender as pessoas com paredes caindo, com posto sem água há dois meses. Vamos aproveitar este momento histórico para reconstruir o País.
 
Governo quer médico este ano
Governo Federal quer trazer ao Brasil já neste ano os médicos estrangeiros para atuarem na rede pública de saúde. O edital de chamamento dará prioridade aos médicos brasileiros, mas as vagas que não forem ocupadas serão destinadas a médicos de outros países. A medida faz parte do Pacto da Saúde, assinado entre a  presidente, Dilma Rousseff e governadores nesta segunda-feira (24). A data para a publicação do edital ainda não foi definida, mas segundo o ministro da saúde, Alexandre Padilha, há pressa:
 
Segundo o Ministério da Saúde, ao chegar no Brasil os médicos passarão três semanas em avaliação em uma universidade brasileira e com permanente acompanhamento para garantir a qualidade do atendimento ao paciente antes de irem para os hospitais. Eles deverão também ter capacidade de se comunicar bem, quem estiver fora dos padrões não poderá exercer a função e terá que voltar ao país de origem.

Para Alexandre Padilha, a medida é a mais acertada, no momento, para atender a carência de médicos.    
 
Fonte R7