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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Remédios para bloquear vírus da Aids

Foto Divulgação
Os medicamentos são normalmente utilizados para o tratamento
 de quem já é portador do vírus da Aids
Técnica inédita no país será testada com 400 homens homossexuais: o uso de antirretrovirais de forma contínua como método de prevenção à infecção por HIV
 
Rio - Pesquisa inédita no Brasil vai verificar a eficácia do uso de antirretrovirais na proteção contra a Aids. O estudo vai envolver 400 homens homossexuais sem a doença que farão uso contínuo do medicamento, mantendo a sua rotina de relações sexuais.             
 
O levantamento, em agosto e setembro, vai ser feito pelo Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec), da Fiocruz; pelo Centro de Referência e Treinamento DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo; e pela Universidade de São Paulo. Os homens homossexuais serão o público-alvo por integrarem grupo em que cresce a incidência da Aids. A Fiocruz divulgou telefone para voluntários que queiram se inscrever: (21) 3865-9623.
            
O estudo vai recorrer à técnica da profilaxia pré-exposição, forma de prevenção da infecção pelo HIV a partir do uso dos medicamentos normalmente utilizados no tratamento da Aids. Uma pesquisa norte-americana semelhante verificou redução de transmissão do HIV que variou entre 45% e 92%, dependendo da quantidade de remédios consumida.
            
A ingestão de antirretrovirais por pessoas não infectadas pode ser incluído no SUS. Em entrevista à Agência Estado, o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, disse que pretende debater a inclusão da profilaxia pré-exposição na rede pública. “A terapia ainda não está preconizada, mas não há dúvidas de sua eficácia”, disse.
            
Segundo ele, o mecanismo será utilizado pelo governo como instrumento adicional. “Quero analisar o potencial de sermos mais incisivos na aplicação da ciência para nos tornarmos um dos primeros países do mundo livres do HIV.”
 
Distribuição de medicamento será ampliada
Além da profilaxia pré-exposição, o Ministério da Saúde estuda a oferta de antirretrovirais para portadores de HIV independentemente da carga viral. Hoje, a entrega gratuita do remédio pelo SUS é condicionada à taxa de células CD4 (responsáveis pela defesa) no organismo do paciente. A ideia do ministério é distribuir a medicação às populações de maior vulnerabilidade, como homens que se relacionam com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas.
 
Fonte iG Rio

Brasil estuda o uso preventivo de antirretroviral

Na estratégia conhecida como pré-exposição, o remédio funciona como uma proteção, reduzindo o risco de a pessoa se contaminar pelo vírus
 
O novo diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, afirmou que está disposto a discutir o uso de antirretrovirais por pessoas que não estão infectadas pelo HIV, como forma de prevenção da doença.
 
A estratégia é conhecida como pré-exposição. Nesses casos, o remédio funciona como uma proteção, reduzindo o risco de a pessoa se contaminar pelo vírus.
           
Embora estudos já tenham demonstrado a eficácia dessa política, ainda há dúvidas sobre como a estratégia poderia ser adotada em maior escala.
 
"A terapia pré-exposição ainda não está preconizada, mas não há dúvidas de sua eficácia em todas as populações vulneráveis", disse o diretor.
 
Mesquita adiantou que o assunto será considerado pelo governo como um instrumento adicional.
 
"Quero analisar o potencial de sermos mais incisivos na aplicação da ciência para nos tornarmos um dos primeiros países do mundo livre do HIV em um futuro que espero não tão longe."
 
Outra medida
O governo brasileiro se prepara também para liberar o uso de antirretrovirais para portadores de HIV, independentemente da carga viral, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
 
A ideia é ofertar o medicamento para pacientes de populações de maior vulnerabilidade para a doença, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas.
 
Em outubro do ano passado, a medida já foi liberada para portadores de HIV com vida sexual ativa.
 
"A recomendação é que todos continuem usando preservativos em suas relações. Essa será uma proteção a mais", afirmou Padilha ao Estado.
 
O tratamento precoce de aids está entre as ferramentas de prevenção adotadas por alguns países.
 
"Estudos mostram que, ao reduzir de forma significativa a carga viral com os medicamentos, o risco de transmissão para o parceiro cai expressivamente", disse Padilha.
 
O uso antecipado do remédio, porém, ficará a critério do paciente. Não há evidências científicas se a antecipação do tratamento traz benefícios para o soropositivo. Mesquita também demonstrou interesse em ampliar o uso de antirretrovirais no País como uma forma de prevenção.
 
"O Brasil já faz isso e talvez possamos ampliar ainda mais. De todas as medidas adotadas atualmente para prevenir o HIV, essa é a que tem maior taxa de efetividade", disse.
 
Mesquita foi responsável pelo tratamento como prevenção no Vietnã, quando comandava o programa de aids naquele país.
 
"Na época, as pessoas ainda tinham muita timidez em assumir esta posição. Hoje há um claro consenso sobre o tema."
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Humor: Saúde no Brasil

Cidade gaúcha paga faculdade e mesmo assim não consegue atrair médico

Projeto busca candidato que aceite trabalhar cinco anos no posto de saúde, em troca prefeitura pagaria os seis anos da faculdade de medicina
 
A cidade de Camargo, no Rio Grande do Sul, está tentando resolver seu problema da falta de médicos. Com base no projeto de lei de crédito educativo, que auxilia outras formações superiores, a prefeitura criou um programa que paga o curso de medicina e em troca os médicos formados devem trabalhar no posto de saúde da cidade por cinco anos, recebendo dois salários mínimos. O programa, lançado em dezembro de 2011, ainda não teve nenhum participante.         
                          
“Tínhamos um problema todo o fim de ano quando os médicos que trabalhavam no nosso posto de saúde passavam na prova de residência e saíam para fazer residência em outras cidades. Um pouco antes desta época já tínhamos que começar a procurar outro médicos”, disse ao iG  Marilene Sioravanço, secretária municipal de saúde.
 
A cidade de 2.600 habitantes fica a 50 quilômetros de Passo Fundo, município que tem uma universidade com curso de medicina, mas mesmo assim, de acordo com Marilene, a rotatividade de médicos no posto de Saúde de Camargo sempre foi alta.       
           
Ela acredita que o problema de o programa não ter tido nenhum candidato ainda está na vontade dos médicos jovens de logo se especializarem. “Os médicos de hoje gostam de estar numa cidade grande, com shopping e cinema. Eles querem continuar a se especializar logo que saem da faculdade. Não querem ser clínicos gerais”, disse.       
           
Marilene afirma que no momento só podem participar do programa residentes da própria Camargo, mas que está sendo estudada a possibilidade de moradores de outras cidades próximas também participarem. “Após ter a faculdade custeada, o médico recém-formado precisa trabalhar no posto de Camargo por cinco anos. São 32 horas semanais e a bonificação são de dois salários mínimos”, disse. Caso o médico queira fazer especialização, o programa pode ser suspenso por um período e após o curso ele voltaria para Camargo para completar o período de atendimento no posto de saúde.       
           
“Com este programa queremos criar um fruto, pois o que vemos aqui é que quando o médico começa a conhecer os moradores e eles começam a confiar no profissional, ele vai embora da cidade”, disse.
 
Atualmente a cidade conta com dois médicos fixos no posto de saúde. Além dos dois clínicos gerais, um pediatra e um ginecologista fazem dois turnos por semana cada para atender a população. O médico que trabalha 40 horas semanais recebe R$ 20 mil e o que faz 20 horas semanais, R$ 9 mil. Para se ter uma ideia o prefeito de Camargo recebe salário de R$4.800.
 
“Por isso que quando fazemos concurso na cidade não aparece médico. O salário maior do município deve ser o do prefeito. Os médicos que trabalham em Camargo vêm a partir de empresas licitadas que prestam serviço”, disse.
 
Marilena explica que o cálculo para o projeto foi simples: “Como a mensalidade das faculdades de medicina estão em torno de R$ 5 mil, com R$ 20 mil a gente consegue manter quatro estudantes. Estamos esperando os candidatos”.
 
Fonte Último Segundo

'Saúde não depende só de médico', diz vice-prefeita de cidade campeã do SUS

Posto de Saúde de Arco Iris - Arco Iris - SP - Março 2013
Foto Gal dos Anjos
Posto de Saúde de Arco-Íris
Arco-Íris, a 500 quilômetros da capital paulista, encontrou soluções simples para atender sua população e ficou em primeiro lugar no IDSUS
 
“Dá para trabalhar muito bem com saúde, mesmo com pouco dinheiro”, garante Maria Benedita Fernandes a vice-prefeita de Arco-Íris, cidade a 500 quilômetros de São Paulo. O discurso, muito diferente do que se ouve país afora, é dito com orgulho por quem foi por 11 anos secretária de saúde da cidade que ficou em primeiro lugar no Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde de 2012, o IDSUS. Maria Benedita afirma que as soluções encontradas para dar atendimento de primeira e sem demora em Arco-Íris podem ser aplicadas em qualquer município do Brasil.              
 
A cidade de 1.925 habitantes tem um posto de saúde com um médico e nenhum hospital. “A cidade é muito pequena, então temos três boas ambulâncias e uma parceria com cinco hospitais da região”, diz. Outras duas ambulâncias serão entregues este ano. A partir de uma parceria intermunicipal (chamada Programação Pactuada Integrada), moradores do município podem ser mandados para hospitais públicos de Marília, Tupã, São José do Rio Preto ou Jaú. “Saúde não depende só de médico, depende de organização”, diz.             
 
Organização também ajuda na hora de receber verbas federais. Maria Benedita conta que no ano passado a cidade se inscreveu em um projeto do Ministério da Saúde de estímulo à atividade física, que repassaria 40 mil reais para municípios participantes. Quando chegou o documento aprovando o projeto de Arco-Íris, em invés de 40 mil reais veio o dobro. “Achamos que tinha acontecido algum erro. Quando ligamos para o ministério, nos disseram que como houve baixa participação entre os municípios, eles fizeram uma nova divisão do montante e o repasse foi de 80 mil reais”, ri.              
 
Embora a cidade tenha apenas um posto de saúde, ele conta com uma médica clínica-geral – que recebe 17 mil reais, por 40 horas semanais -, duas enfermeiras, duas dentistas, dois fisioterapeutas, um psicólogo, uma nutricionista e um profissional de educação física. Além da equipe multidisciplinar no posto, há ainda o trabalho de cinco agentes comunitários que integram o programa Saúde da Família. “Eles conhecem todo mundo, seja da zona rural ou da cidade e trabalham na prevenção de doenças”, conta.
 
As ideias simples e que funcionam de Arco-Íris não param por aí. Para driblar o baixo orçamento para investir em equipamentos de exames sofisticados, a cidade se juntou a outros seis municípios da região. No Consórcio Regional Intermunicipal de Saúde, as prefeituras de Tupã, Arco-Íris, Hercolândia, Parapuã, Vinópolis, Matos e Queiroz conseguem que pacientes sejam atendidos em laboratórios particulares da região. “É como um plano de saúde, exames que custariam R$ 350 saem por R$ 40, em muitos casos. É um baita quebra-galho, não daria para investir em tanto equipamento caro e é bom para as empresas que ganham por causa de um maior fluxo de pacientes”.
 
Fonte Último Segundo