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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Estudo da USP comprova efeitos nocivos do trabalho noturno para saúde

A atividade, a longo prazo, traz prejuízos aos processos imunológicos, sendo ligada ao surgimento do câncer de mama e próstata
 
Quem trabalha no período noturno e precisa descansar durante o dia dorme menos e pior. Além disto, os hormônios melatonina e cortisol, bem como as citocinas inflamatórias salivares sofrem uma desregulação em sua produção, o que pode ser um indicador para diversas doenças, incluindo o câncer. Estes são alguns dos apontamentos da bióloga Érica Lui Reinhardt, em sua tese de doutorado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Ela afirma que, para diminuir estes problemas, as empresas devem implantar turnos alternantes, já que o trabalho noturno é necessário a alguns setores profissionais.

Devido à exposição à luz durante a noite, o organismo destes trabalhadores diariamente secreta menos o hormônio melatonina, que participa do controle dos ritmos biológicos, incluindo o que regula o sono. Ou seja, a mudança na quantidade de melatonina no organismo também altera o "relógio" pelo qual o corpo diz a hora de dormir. Quanto mais escuro e calmo um ambiente, mais melatonina tende a ser secretada e com mais sono a pessoa fica. A secreção de cortisol nesses trabalhadores, por sua vez, perdeu seu ritmo natural. Este hormônio prepara para situações de estresse, podendo prejudicar esta função. Além disto, melatonina e cortisol ajudam no controle das respostas aos agentes que invadem o corpo, como microrganismos, com destaque para o papel do cortisol.

A tese de doutorado de Érica foi defendida em abril deste ano na área de Saúde Ambiental da FSP. A pesquisadora constatou que os horários de produção de citocinas salivares durante o dia se alterou, o que talvez possa, a longo prazo, acarretar prejuízos aos processos imunológicos. Mesmo não tendo como foco as doenças ocasionadas quando estas alterações ocorrem, a bióloga explica que a mudança no ciclo da melatonina "tem sido relacionada com surgimento do câncer de mama em mulheres e de próstata em homens".

Alterações no sono
Além dos resultados relativos à melatonina, ao cortisol e às citocinas salivares, o trabalho noturno também é responsável por alterações no sono, que tiveram impacto negativo nos resultados da avaliação feita nos trabalhadores. Érica conta que "o trabalhador poderia dormir 7, 8 horas, mas ele acaba acordando antes porque o organismo dele diz 'não é para você estar dormindo'. Então ele dorme menos. A qualidade deste sono provavelmente também é pior". A solução recomendada pela bióloga é a alternância de horários de trabalho durante a semana. Um exemplo seria a pessoa trabalhar dois dias de manhã, dois dias de tarde e dois dias de noite, depois ter dois dias de folga, "com isso você reduz esses efeitos".

O estudo foi realizado com a comparação entre dois grupos de trabalhadores de uma mesma indústria: aqueles cujo turno ia das 21 às 6 horas e outros que trabalhavam das 7 às 17 horas. A todos os pesquisados foi aplicado um questionário sócio-demográfico e de condições de trabalho e de vida, medindo, entre outras coisas o estresse, a sonolência e a fadiga. Além disto, a avaliação da atividade e do repouso foi feita por actímetros, medidores de movimento colocado no punho dos empregados, com o aspecto de um relógio, que permitem estimar a quantidade e a qualidade do sono. A secreção de cortisol e de melatonina e a produção das citocinas salivares, por sua vez, foi estudada com três coletas de saliva diárias que, depois eram analisadas pela técnica conhecida por ELISA, um tipo de imunoensaio que permitiu detectar e quantificar os dois hormônios e as citocinas nas amostras.

Qualidade de vida
O resultado dos questionários reforçou que o ambiente de trabalho influencia na avaliação que o funcionário tem de diferentes aspectos em seu trabalho e também fora dele. Isto porque dois grupos do turno noturno, de setores diferentes na indústria estudada, tiveram grande divergência nas percepções relacionadas ao ambiente de trabalho e a efeitos do trabalho sobre sua saúde e qualidade de vida. Érica explica que em um desses setores, inclusive, os trabalhadores noturnos relatavam que dormiam pior, apesar de esta diferença não ter sido identificada nos dados dos actímetros. "Atribuímos isso ao fato de esse setor ser pior em termos de trabalho. São tarefas mais agressivas, com um ambiente de trabalho pior, mais calor, mais ruído, mau cheiro e isso acaba contaminando toda a percepção sobre qualidade de vida do trabalhador."

Érica foi motivada a iniciar o estudo devido a sua atuação na Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro). A instituição é ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, do Governo Federal e tem como objetivo pesquisar aspectos da saúde, segurança e integridade do empregado em seu ambiente de trabalho. Atualmente, ela atua na Diretoria Executiva e realiza pesquisas neste campo.
 
Fonte isaude.net

Uso de ressonância em tempo real auxilia entrega de drogas no câncer cerebral

Clark Chen, usando a navegação MRI, injetou uma terapia genética experimental diretamente em um tumor no cérebro.
Foto: University of California/San Diego
Clark Chen, usando a navegação MRI, injetou uma terapia genética experimental
diretamente em um tumor no cérebro
Com tecnologia de navegação por MRI, neurocirurgiões injetaram terapia genética experimental diretamente nas células doentes
 
Neurocirurgiões da Universidade da Califórnia e do UC San Diego Moores Cancer Center estão entre os primeiros no mundo a utilizar a Ressonância Magnética (MRI) em tempo real para entrega de terapia genética em tratamentos de tumores cerebrais.
 
Usando a tecnologia de navegação de ressonância magnética, os neurocirurgiões conseguiram injetar o Toca 511 (vocimagene amiretrorepvec), uma nova terapia genética experimental, diretamente em um tumor maligno no cérebro. Esta nova abordagem oferece uma maneira precisa para entregar um vírus terapêutico projetado para tornar o tumor suscetíveis às drogas que matam o câncer.
 
"Com quimioterapia cada célula humana é exposta a potenciais efeitos colaterais das drogas. Usando a abordagem de injeção direta, acreditamos poder limitar a presença da droga ativa apenas ao tumor no cérebro e em nenhuma outra parte do corpo. Com o MRI, podemos ver a luz do tumor em tempo real durante a infusão da droga. O resto do cérebro não é afetado de modo que o risco do processo é minimizado," disse o cientista Clark Chen.
 
O Toca 511 é um retrovírus projetado para se replicar seletivamente nas células cancerosas, como glioblastomas. Ele produz uma enzima que converte um medicamento antifúngico, flucitosina (5-FC), na droga anti-câncer 5-fluorouracil (5-FU). Após a injeção da Toca 511, os pacientes são tratados com uma formulação oral de libertação prolongada de 5-FC chamado Toca FC. A morte da célular acontece somente quando o 5-FC entra em contacto com as células infectadas com Toca 511.
"Hoje, quase todos os tratamentos para pacientes com glioblastoma acabam falhando. O desafio, em parte, é saber se as drogas atuais são realmente capazes de penetrar no tumor. Esta abordagem por MRI nos ajudará a guiar o fármaco diretamente no tumor para ver se o medicamento está funcionando," afirmou Santosh Kesari, do Moores Cancer Center.
 
Esforços anteriores utilizando terapia genética para o tratamento do câncer cerebral foram limitados pela incapacidade de entregar a droga. Sob condições normais, o cérebro é protegido pela barreira sangue-cérebro, mecanismo de defesa natural que também impede as drogas de atingirem as células cancerosas em tumores cerebrais. O 5-FC atravessa a barreira sangue-cérebro.
 
Para garantir que a quantidade adequada de Toca 511 é entregue à região do tumor, os cientistas utilizaram um processo chamado Clear Point. O processo guiado por MRI fornece confirmação visual de que a quantidade desejada de droga é entregue para o tumor e fornece aos médicos a capacidade de fazer ajustes para otimizar a localização de entrega da droga.
 
Os participantes do estudo clínico tinham mais de 18 anos, um único grau de recorrência de glioma e uma cirurgia prévia, radioterapia e quimioterapia. O procedimento baseado em MRI é minimamente invasivo e todos os participantes do estudo tiveram alta do hospital um dia depois do procedimento, retornando à sua atividade diária normal.
 

Fonte isaude.net

Cientistas querem criar supervírus para estudar nova gripe aviária

Um grupo de 24 cientistas anunciou hoje a intenção de conduzir um experimento que pode criar um supervírus de gripe do tipo H7N9. Apesar de apresentar certo risco de segurança, um estudo de manipulação genética é necessário aos planos de prevenção contra uma eventual pandemia, dizem os biólogos.
 
Em carta divulgada pelas revistas "Science" e "Nature", o grupo --liderado por Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, de Roterdã, e Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA)-- lista características do vírus que o tornam preocupante.
 
O H7N9, que surgiu na China em março após saltar de aves para humanos, matou 43 pessoas e infectou mais 91.
 

Apesar de existir apenas um caso confirmado de transmissão de pessoa para pessoa, o vírus preocupa, pois se adapta bem ao organismo humano quando consegue penetrá-lo. O patógeno, além disso, apresentou resistência a antivirais nos pacientes tratados na China e parece ser assintomático em aves, o que acelera sua disseminação.
 
O teste proposto agora busca avaliar o risco de uma mutação natural tornar o vírus um organismo capaz de gerar uma pandemia humana. "É crítico realizar experimentos que podem resultar em ganho de função [do vírus] para levantar informações que podem ajudar em atividades de vigilância", escreveram os biólogos.
 
Em 2011, Fouchier sofreu censura nos EUA e na Holanda ao tentar publicar estudo similar. Ele tinha criado uma versão turbinada do H5N1 --outro vírus de gripe-- para entender o risco de uma mutação natural fortalecê-lo. Os governos demoraram a liberar a publicação do trabalho com receio de ajudar terroristas a criar armas biológicas.
 
O Departamento de Saúde dos EUA criou novos critérios para avaliar pedidos de liberação de experimentos, e deve analisar agora a nova proposta de Fouchier e Kawaoka.
 
Fonte Folhaonline

Como aumentar o potencial dos benefícios anticancerígenos do brócolis

Como aumentar o potencial dos benefícios anticancerígenos do brócolis reprodução/reprodução
Consumir de três a cinco porções de brócolis por semana
ajuda a prevenir o câncer
Pesquisa aponta que variedade da verdura congelada não tem as propriedades contra a doença no alimento
 
Se você quiser aproveitar todos os benefícios do brócolis à saúde, ignore colocá-lo no freezer, já que uma nova pesquisa sugere que a variedade da verdura congelada não tem as propriedades anticancerígenas contidas no alimento.
 
Mesmo que as famílias muito ocupadas muitas vezes recorram aos sacos de brócolis congelados por conta da conveniência, uma equipe de cientistas norte-americanos descobriu que escaldar ou cozinhar os vegetais no calor muito elevado, parte do processo para o congelamento, tira a mirosinase do brócolis. Ela nada mais é do que uma enzima-chave necessária para produzir o sulforafano, o composto poderoso que previne o câncer.
 
O sulforafano é formado quando o brócolis fresco é cortado ou mastigado, um processo que coloca glucoraphanin e mirosinase em contato uma com a outra. Depois da realização de uma série de experimentos, no entanto, os cientistas da Universidade de Illinois observaram que escaldar os legumes em uma temperatura um pouco mais baixa do que o padrão da indústria atual poderia ajudar a preservar a maior parte das enzimas mirosinase, sem comprometer a segurança e qualidade alimentar. Em vez de 86ºC, os cientistas recomendam aquecer o brócolis a 76ºC.
 
Mas nem tudo está perdido quando se trata de brócolis congelado. O composto contra o câncer pode ser desbloqueado tanto no estado congelado, como no cozido, quando combinado com outros alimentos que contenham a mirosinase.
 
Por exemplo, o brócolis congelado com rabanetes crus, repolho, rúcula, agrião, raiz forte, mostarda picante ou wasabi pode receber uma ativação dos compostos bioativos, dizem os cientistas. E consumir de três a cinco porções de brócolis por semana tem apresentado benefícios quanto à prevenção do câncer.
 
O estudo completo foi publicado no Journal of Food Science.
 
Fonte AFP/Zero Hora

Conheça a Síndrome do Túnel do Carpo, doença que atinge milhões de pessoas

Problema afeta os nervos das mãos, normalmente causando dormência, dor e desconforto
 
Formigamento e dores nas mãos, dificuldade em segurar objetos ou abotoar botões, fraqueza ou dor nos punhos, são sintomas que podem passar despercebidos quando nos acostumamos aos movimentos repetidos diariamente no computador. Entretanto, se constantes, eles podem ser os primeiros sinais de uma das doenças mais frequentes nas mãos: a Síndrome do Túnel do Carpo.
 
O nome pode parecer estranho, mas a doença é cada vez mais comum. A neuropatia que causa dormência, dor e desconforto na mão afeta cerca de 75 milhões de pessoas em todo o mundo. O neurocirurgião Paulo Porto de Melo garante que os tratamentos de STC geralmente têm sucesso. Um dos fatores mais importantes para isso, entretanto, continua sendo o diagnóstico precoce.
 
O especialista, que também é colaborador do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Saint Louis e introdutor da neurocirurgia robótica no Brasil, explica que muitas doenças ocupacionais e inflamatórias no membro superior podem simular os sintomas da Síndrome do Túnel do Carpo, podendo até gerar alterações no exame.
 
— Uma consulta médica detalhada com um exame clínico específico é fundamental para o diagnóstico correto e, consequentemente, um tratamento adequado — complementa.

Conhecendo a doença
No centro do punho há um espaço denominado túnel do carpo, onde um nervo importante — o nervo mediano — e nove tendões estendem-se do antebraço até a mão.

A parte superior desse túnel é formada por um forte ligamento, denominado ligamento transverso do carpo. Quando há edema no túnel do carpo, a pressão se acumula no nervo mediano, que fornece a maior parte da sensibilidade e do movimento aos dedos e ao polegar. Se essa pressão for forte o suficiente para comprimir o nervo mediano, pode ocorrer a STC.
 
Melo explica que a doença é comum em músicos, digitadores, escritores, pessoas que trabalham no computador e costureiras, justamente por serem atividades manuais ou que forçam uma mesma posição das mãos. E aí que está uma das principais causas da doença, a Lesão por Esforço Repetitivo (LER).
 
A síndrome, no entanto, também tem relação com alterações hormonais, como doenças da tireoide, diabetes e menopausa. Os sintomas são mais comuns à noite ou pela manhã, devido a diminuição do estrógeno, o que causa o acúmulo de líquido na membrana dos tendões. Isso explica o porquê da doença ser mais frequente em mulheres, especialmente após os 40 anos.
 
Exame clínico é fundamental para diagnóstico correto
O diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo é fundamentalmente clínico, baseado em testes simples feitos no consultório. O exame complementar mais indicado é a Eletroneuromiografia, que mede a velocidade de condução elétrica dos nervos através de pequenas ondas elétricas emitidas por agulhas.
 
Durante o exame, o médico pode encontrar uma série de sintomas que indicam se você sofre da doença. Entre eles, estão:
 
— Dormência da palma, polegar, dedo indicador, dedo médio e do lado do dedo anular mais próximo do polegar
 
— Movimento débil de pinça
 
— Percussões leves sobre nervo mediano no punho, que podem provocar dor (chamado de teste de Tinel)
 
— Dormência, formigamento ou fraqueza ao dobrar o punho totalmente para frente por 60 segundos, o que é chamado de teste de Phalen
 
Melo explica que os tratamentos não-cirúrgicos podem abranger mudança de hábitos, como redução ou eliminação de movimentos repetitivos das mãos, uso de talas imobilizadoras no pulso durante a noite ou a administração de medicamentos anti-inflamatórios por via oral ou em injeções no túnel do carpo.
 
Os tratamentos cirúrgicos variam, mas os dois mais comuns são a cirurgia aberta e a cirurgia endoscópica. Ambos os procedimentos têm o objetivo de liberar a pressão no nervo mediano por meio do corte cirúrgico do ligamento transverso e, assim, alargar o túnel do carpo para oferecer mais espaço ao nervo.
 
O médico alerta que, embora os procedimentos sejam eficazes para a correção do problema, a cirurgia endoscópica tem o benefício de proporcionar um tempo de recuperação mais rápido, menos dor no pós-operatório e uma cicatriz menor e menos perceptível.

Fonte Zero Hora