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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Novo estudo questiona proteção da finasterida contra câncer de próstata

Getty Images
Célula de câncer de próstata: proteção da finasterida é relativa,
mas pode ser benéfica
Novos estudos mostram que remédio contra calvície pode não prevenir totalmente o câncer, mas diminui o risco de tumores de baixo risco
 
Um novo estudo alimentou o debate sobre se os homens deveriam usar uma droga contra a calvície para prevenir o câncer de próstata . O remédio, finasterida, é uma droga genérica hoje amplamente usada por homens para encolher próstatas aumentadas, assim como para o tratamento contra a calvície. Em 2003, um estudo com 18 mil homens mostrou que a droga diminuía em 30% o risco de câncer de próstata.
 
Mas a agência reguladora FDA nunca aprovou o finasterida para evitar o câncer de próstata. Apesar de a droga claramente reduzir o risco total, um número ligeiramente maior de homens que usaram o remédio desenvolveram tumores de crescimento rápido em comparação aos que tomaram o placebo.           
                          
Na quarta-feira (14), um estudo publicado no New England Journal of Medicine reabriu o debate sobre os potenciais benefícios da droga. Ele mostrou que 14 a 17 anos depois, a taxa de sobrevivência foi a mesma entre os homens que tomaram o finasterida e os que receberam o placebo. A descoberta sugere que a droga não estava causando os tumores agressivos. Em vez disso, ao reduzir o tamanho da próstata ela tornou mais fácil que esses tumores fossem identificados.           
           
Os resultados mostram que a droga pode ser usada com segurança para tratar próstatas aumentadas, mas também levanta questões sobre se ela serve para prevenir câncer de próstata.
 
Os autores estimam que o amplo uso pode ter poupado 70 mil homens de um ano de trauma emocional e físico pelo diagnóstico e tratamento de câncer de próstata. Usar a droga não prolonga suas vidas ou os protege do câncer agressivo, mas diminui o risco de câncer de próstata menos agressivos. Como resultado, menos homens receberam tratamentos desnecessários contra o câncer.           
         
Ian Thompson, diretor do centro de terapia e pesquisa de câncer na Universidade do Texas em San Antônio e autor do estudo, disse que grande número de homens com tumores de baixo risco são tratados sem necessidade, com terapias que frequentemente deixam os homens impotentes ou incontinentes, e aí está o beneficio de se prevenir cânceres não letais.
 
“A droga não reduz risco de cânceres que ameaçam a vida dos homens, mas de tumores de baixo risco que levam a imensas quantidades de exames frequentes e tratamentos”, afirmou Thompson.             
 
Peter Scardino, chefe do programa de câncer de próstata no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, diz que ele não espera que a pesquisa leve os médicos a prescrever a droga para prevenir o câncer. No entanto, pode levar homens com alto risco de câncer de próstata, como aqueles com histórico familiar que fazem exames frequentes, a tomar a droga. O estudo também pode abrir caminho para novas pesquisas sobre prevenção e tratamento de cânceres em estágio inicial.           
           
“Temos de investigar mais o assunto. Possuímos um mecanismo biológico que pode prevenir esses tumores de baixo risco, o que deixa uma porta aberta para novas pesquisas”, afirmou Scardino.             
iG

Fotos de celebridades ajudam diagnóstico de forma de demência

Divulgação
Cientistas pediram que pacientes identificassem fotos de famosos,
 como Elvis Presley
Pessoas que apresentaram sinais iniciais de uma demência rara tiveram dificuldades para reconhecer rostos de pessoas famosas
 
Pedir a pacientes que identifiquem fotos de pessoas famosas - como Elvis Presley ou a princesa Diana, por exemplo - pode ajudar médicos a identificar traços precoces de um tipo de demência , dizem pesquisadores.
 
Atualmente, médicos usam testes de agilidade mental para tentar diagnosticar a doença. Especialistas dos EUA acreditam que um teste adicional de reconhecimento facial pode ajudar esse diagnóstico.
 
Segundo um pequeno estudo publicado no periódico Neurology , o método do reconhecimento facial ajudou a identificar sinais de um tipo de demência em 30 pacientes.
 
Mas novos estudos são necessários para saber se a iniciativa serve também para notar outras variações da doença.
           
Pontos para rostos
A pesquisa, da Universidade Northwestern, em Chicago, descobriu que pessoas com afasia primária progressiva (APP) - uma forma rara de demência - em fase inicial tiveram dificuldades em identificar fotos em preto e branco de pessoas famosas, como John F. Kennedy, Albert Einstein e Martin Luther King.
 
Os participantes receberam pontos para cada rosto que conseguiam reconhecer. Se eles não conseguissem lembrar o nome da pessoa famosa, podiam tentar identificá-la descrevendo-a.
 
Comparados com 27 voluntários sem sinais de demência, 30 pacientes pontuaram muito pouco no teste facial.
 
Ainda que seja normal que qualquer pessoa esqueça nomes e rostos ocasionalmente, o fato de esquecer-se de famosos como Elvis Presley pode ser indicativo de problemas mais sérios.
 
Após o teste, os pacientes foram submetidos a exames médicos, que revelaram perda de tecido cerebral em áreas que lidam com o reconhecimento facial.
           
Nuances
Para Tamar Gefen, líder da pesquisa, o teste pode ser útil se somado a outros já usados por médicos para detectar a demência.
 
"Há muitas nuances e diferenças (nos diagnósticos de) demência, então é bom usar diferentes testes", disse ela.
 
O teste de celebridades, porém, teria de ser adaptado para cada indivíduo. Alguém de 45 anos pode não reconhecer, por exemplo, estrelas de Hollywood dos anos 30; e um paciente de 80 anos talvez não identifique famosos atuais.
 
"É importante dar um diagnóstico preciso para portadores de demência, para que eles possam buscar o cuidado e o tratamento adequados", diz a médica Marie Janson, do grupo Alzheimer's Research UK, ressaltando que são necessários novos estudos.
 
"Diferentes formas de demência podem ser difíceis de se identificar. Estudos como este podem ampliar nosso entendimento sobre como o cérebro é afetado, mas precisamos investir em mais pesquisas para que esses resultados possam ser usadas para um melhor diagnóstico."
 
Para a Sociedade de Alzheimer britânica, o teste pode ajudar a identificar formas raras de demência "que poderiam passar despercebidas". Mas a entidade ressalta que "problemas de reconhecimento facial não são sintomas de todos os tipos de demência, então precisamos de mais estudos para saber se adaptações desta abordagem podem ter uma aplicação mais ampla".
 
iG

PT e parte do PMDB vão manter vetos ao Ato Médico, diz líder

Brasília – Na véspera da apreciação de 127 vetos presidenciais pelo Congresso Nacional, o líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (CE), disse que parlamentares de várias bancadas acenaram a favor da manutenção dos vetos ao Ato Médico, lei que regulamenta a prática da medicina.
 
"Não é que todas as bancadas sejam favoráveis [à manutenção dos vetos], mas nós do PT, boa parte do PMDB e outras bancadas vamos manter o veto", relatou o líder. Profissionais de diversas categorias da área da saúde, como enfermagem, psicologia e fisioterapia, foram ao Congresso para pedir aos parlamentares que mantenham os vetos da presidenta Dilma Rousseff à lei.
 
Para o secretário executivo do Conselho Nacional de Saúde, Márcio Florentino, a manutenção dos vetos é importante para a continuidade do modelo multiprofissional adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele adianta que cerca de 10 mil profissionais de saúde irão ao Congresso hoje (20) para tentar impedir a derrubada dos vetos. Os profissionais alegam que se a lei for aprovada sem os vetos, haverá uma hierarquização da saúde e todos os profissionais ficarão submetidos ao diagnóstico dos médicos.
 
O presidente do Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria, Ricardo Bretas, argumenta que todas as categorias atuam para que o paciente tenha o melhor atendimento. "Os médicos estudaram para trabalhar na alta complexidade, mas os outros profissionais atuam para evitar que o paciente chegue a esse ponto", ressaltou.
 
Um dos trechos vetados pela presidenta Dilma Rousseff foi o Inciso 1 do Artigo 4º que estabelecia ser privativo aos médicos o diagnóstico e a prescrição terapêutica (tratamento) de doenças. Ao justificar o veto, a Presidência da República alegou que a medida iria afetar programas da rede pública de saúde, que funcionam com atuação de diversos profissionais de saúde. O inciso motivou protestos de diversas categorias, como fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos. O veto foi contestado pelas entidades representativas dos médicos.
 
Atualmente, protocolos do Ministério da Saúde autoriza enfermeiros diagnosticar e iniciar o tratamento de doenças, como malária, tuberculose e dengue para posterior atendimento pelos médicos.
 
O projeto tramitou por quase 11 anos no Congresso Nacional e o texto, sancionado com vetos parciais pela presidenta no último dia 11 de julho, assegura atribuições específicas aos médicos. Entre elas estão: indicação de internação e alta médica nos serviços de saúde, indicação e execução da intervenção cirúrgica, emissão de laudo dos exames endoscópicos e de imagens, perícia médica, atestação médica de condições de saúde, perícia e auditoria médicas, ensino de disciplinas especificamente médicas e coordenação dos cursos de graduação em medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.
 
Foram vetados os dispositivos que impedem a atuação de outros profissionais na indicação de órteses e próteses, como oftalmológicas, calçados ortopédicos, cadeiras de rodas, andadores e próteses auditivas.
 
Houve veto ainda no trecho que permitia somente ao médico procedimento de invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação e enxertia. De acordo com o governo, caso a redação fosse mantida, a prática da acupuntura teria de ser privativa de médicos, restringindo a atenção à saúde e o funcionamento do SUS. Foi vetada também que direção e a chefia de serviços médicos sejam exercidas exclusivamente por médicos.
 
Os médicos consideraram os vetos "agressão e traição" à categoria. “Na nossa visão [o Ato Médico] não significa mais nada. O veto fere de morte o projeto”,  avaliou o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto d´Ávila, na época da divulgação dos vetos. Ele defende que a categoria é a mais preparada para fazer diagnósticos e indicar tratamento.
 
“A votação dos vetos é mais um momento histórico para a medicina brasileira. A derrubada das mudanças traz ganhos para a sociedade, que poderá exigir dos gestores e empresas o acesso ao melhor tratamento e médicos qualificados que atendam em sintonia com uma equipe multiprofissional”, avalia d’Ávila, em nota divulgada ontem (19).
 
Agência Brasil

Doenças do século 19 ainda são desafios para a saúde pública

Brasília - O mesmo Sistema Único de Saúde (SUS) que fez mais de 22 mil cirurgias de transplantes de órgão e lida diariamente com doenças relacionadas a um novo estilo de vida imposto pela modernidade do século 21 - corrido e ao mesmo tempo sedentário -, ainda precisa prestar atendimento a pessoas com enfermidades que se expandiram desde o século 19. De acordo com a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Tânia Araújo Jorge, as chamadas “doenças negligenciadas” têm um determinante social muito forte e suas sequelas alimentam o círculo da pobreza.
 
“Renda, condições de educação, de saneamento e água influenciam bastante na permanência dessas doenças, por isso são consideradas doenças relacionadas à pobreza”, explica Tânia. As doenças negligenciadas consideradas prioritárias pelo governo federal são dengue, doença de Chagas, leishmaniose, malária, esquistossomose, hanseníase e tuberculose. A pesquisadora destaca que outra característica desses males é que, de forma geral, são negligenciados pela indústria farmacêutica global. “Não tem interesse em investimento de pesquisa para geração de vacina, de medicamentos, porque é um mercado pobre, a atividade econômica não dá sustentação para um mercado global” avaliou.
 
Tânia Araújo acrescenta ainda que outro componente que contribui para a permanência dessas doenças na agenda do governo é a omissão da rede pública de saúde na atenção a essas populações. “Muitas vezes você tem o medicamento, mas o serviço de saúde não propicia o acesso às soluções já conhecidas”, diz.
 
A pesquisadora ressaltou que não adianta ter apenas um planejamento do governo federal, “tem que haver ação na ponta. A articulação entre os entes federal, estaduais e municipais é muito importante”. Para ela, as políticas voltadas para a as doenças negligenciadas são tratadas como política de governo e não de Estado, e por isso é muito comum que sejam suspensas a cada troca de governo.
 
“Esse tema não deve sair da agenda política, ele está muito presente na agenda dos cientistas, mas isso por si só não é o suficiente. Os resultados das pesquisas têm que ser colocado na agenda política do país” frisou Tânia, acrescentando que o investimento em educação é fundamental.
 
De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2012 foram registrados mais de 33 mil novos casos de hanseníase, considerada uma das doenças mais antigas que acometem o homem e que tem cura.
 
Os estados de Mato Grosso, Maranhão e do Tocantins apresentaram em 2012 alta incidência da doença, enquanto todos os estados da Região Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, na Região Sudeste, somados ao Rio Grande do Norte, no Nordeste, alcançaram a meta de eliminação da hanseníase como problema de saúde pública.
 
A pesquisadora explicou que com o avanço das pesquisas na saúde a letalidade das doenças negligenciadas diminuiu em relação à do século 19, porém, a convivência prolongada com elas traz mais morbidades. “A mortalidade hoje no Brasil é muito mais causada por doenças cardiovasculares, câncer, doenças crônicas. Essas doenças infecciosas da pobreza conseguem ser controladas, menos de 5% da população morrem em consequência delas. No entanto, elas são muito frequentes, em crianças atrapalham o rendimento escolar, atrapalham o crescimento, em adultos atrapalham a inserção no mercado de trabalho, de forma que sustenta um círculo que mantém a pobreza” diz a especialista.
 
 
Ao mesmo tempo em que o SUS precisa lidar com essas doenças, aumenta o número de pessoas acometidas por males intimamente relacionados ao ritmo de vida mais acelerado, às cobranças e ao sedentarismo, cada vez mais comuns na vida de quem vive nas metrópoles. “Obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, depressão, problemas de tireoide, dor nas costas, doenças ocupacionais, são as doenças que mais atormentam a sociedade moderna”, avalia Samira Layaun, médica especialista em medicina preventiva e consultora de saúde e qualidade de vida.
 
Na avaliação da especialista, falta estrutura e investimento em saúde pública para atender à demanda ocasionada por essas doenças. Mesmo figurando em agendas de saúde tão distintas, tanto as doenças negligenciadas como as ditas “da vida moderna” precisam de investimento maciço em educação.
 
“O governo deveria investir mais em campanhas educativas e ações que estimulem as pessoas a adotar bons hábitos alimentares, de sono, exercícios, entre outros. De outro lado, as pessoas deveriam aderir a esses bons hábitos. Procurar alimentar-se e hidratar-se corretamente, dormir, no mínimo, oito horas por noite, praticar exercícios com regularidade, manter o peso e o estresse sob controle, ficar longe do cigarro, do álcool, das drogas, praticar boas ações e nutrir bons sentimentos. São práticas que colaboram tanto na prevenção como no tratamento das doenças da vida moderna”, reforçou Samira à Agência Brasil.
 
Doença
Descrição do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inovação em Doenças Negligenciadas – Ligada à Fundação Oswaldo Cruz
Incidência de acordo com o Ministério da Saúde
Esquistossomose:
A esquistossomose, também conhecida como bilharzíase ou "febre do caramujo", é uma doença parasitária, transmitida por caramujos infectados com uma das cinco variedades do parasita Schistosoma. A infecção tem ampla distribuição no hemisfério sul, com uma relativa baixa taxa de mortalidade, e alta morbidade, que debilita milhões de pessoas ao redor do mundo.
O maior registro da doença está na Região Nordeste, especificamente em Pernambuco. Em seguida, aparece a Região Sudeste, com maior índice em Minas Gerais. Já a Região Norte não apresentou registro da doença em 2012. Os registros do Ministério da Saúde apontavam 31.744 casos esquistossomose em 2012.
Hanseníase:
Doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae que afeta os nervos e a pele e que provoca danos severos. É transmitida por gotículas de saliva. É endêmica em certos países do Hemisfério Sul, principalmente na Ásia.
Os estados de Mato Grosso, Maranhão e do Tocantins apresentaram, em 2012, coeficientes de prevalência altos - entre 5 e 9,99 casos por 10 mil habitantes -, enquanto todos os da Região Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, na Região Sudeste, somados ao Rio Grande do Norte, no Nordeste, alcançaram a meta de eliminação da hanseníase como problema de saúde pública.
Em 2012, o registros do Ministério da Saúde apontavam 33.303 casos de hanseníase.
Dengue:
Dengue e a febre hemorrágica da dengue (FHD) são causadas por quatro sorotipos do vírus. A infecção é mais comum nas Américas e na Ásia e em outras regiões tropicais e é transmitida ao homem pela picada de mosquitos infectados. Os sintomas incluem dores de cabeça, febre, dores nas juntas e músculos
A transmissão de dengue foi mais intensa na Região Sudeste com 875.457, seguida pela Região Centro-Oeste com 261.541 (os números são referentes ao período de 30/12/2012 a 6/7/2013).Em 2012 houve mais de 590 mil casos de dengue no Brasil.
Doença de Chagas:
A doença de Chagas só é encontrada na América Latina. É a infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Muitas vezes na fase inicial a doença não apresenta sintomas, mas quando aparecem podem ser febre, mal-estar, falta de apetite, dor ganglionar, inchaço ocular e aumento do fígado e baço, entre outros.
Atualmente, os casos têm ocorrido principalmente na região amazônica, em especial no estado do Pará, devido à ingestão de alimentos contaminados com o Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença. Nas outras regiões, a principal forma de transmissão era a vetorial, quando o inseto transmissor, o barbeiro, infestava e colonizava o interior dos domicílios. Hoje, essa forma de transmissão está interrompida, ocorrendo casos de maneira esporádica, principalmente devido à proximidade com o ciclo silvestre da doença. A estimativa é que no Brasil há entre 2 e 3 milhões de pessoas com a doença.
Malária
A malária é considerada uma das mais graves infecções parasitárias da humanidade. Presente em 110 países, a doença ameaça metade da população mundial. A cada ano surgem de 350 a 500 mil casos, principalmente no Continente Africano. Causada pelo parasita Plasmodium, a malária é transmitida de pessoa a pessoa por meio da picada de mosquitos Anopheles.
Amazonas e Amapá são os estados que apresentam maior número de casos.
Tuberculose:
Doença infectocontagiosa causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, mas, também pode ocorrer em outros órgãos, como os rins, e tecidos, como os ossos. É causado pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch (BK). Aproximadamente um terço da população do mundo está infectada com o bacilo da tuberculose, que é a principal causa de morte de pessoas que estão infectadas pelo HIV, devido ao enfraquecimento das defesas imunológicas.
Os estados de maior incidência são Amazonas e Rio de Janeiro com 67,3 casos por 100 mil habitantes. Já os locais com menor incidência são o Tocantins e o Distrito Federal com 13, 5 casos por 100 mil habitantes. No momento, Cuiabá é a capital com maior incidência, com 100 casos por 100 mil habitantes. A capital com menor índice é Palmas, com 9,5 casos por 100 mil habitantes. Números de 2012 mostram o registro de 71.230 pessoas com tuberculose.
Leishmaniose:
Doença causada por protozoários parasitas do gênero Leishmania transmitida por meio da picada de certas espécies de flebotomíneos. Os sintomas da infecção incluem feridas na pele, febre, anemia e danos ao fígado e baço. A forma mais grave da doença, a leishmaniose visceral, ocorre quando os parasitas migram para os órgãos vitais. Atualmente, cerca de 90% dos casos de leishmaniose na América Latina ocorrem no Brasil.
A Região Norte apresenta a maior incidência, sendo o Tocantins o estado com maior concentração da doença. Em seguida, aparece a Região Nordeste, com casos registrados no Maranhão, Piauí e Ceará, respectivamente. Números de 2012 mostram o registro de 3.043 pessoas com tuberculose.

Agência Brasil

“O SUS é o melhor projeto de saúde do mundo, só falta ser implantado”, diz Sinmed do Rio

Rio de Janeiro – Passados 25 anos da criação do modelo de estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS), feito a partir da Constituição Federal de 1988, o projeto não saiu do papel. A opinião é do presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), Jorge Darze.
 
“No Rio de Janeiro o que está faltando é implantar o SUS. Na verdade o que nós temos é um arremedo de SUS, nós ainda temos no Rio de Janeiro as três esferas de governo fazendo a gestão de suas próprias unidades, cada uma olhando para o seu umbigo, esquecendo que o sistema é único”, disse o sindicalista.
 
A subsecretária de Unidades Próprias da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ana Lucia Eiras das Neves, admite que ainda falta muito para o sistema funcionar perfeitamente, mas destaca que o atendimento melhorou muito nesses 25 anos. “Houve um avanço, a estruturação lógica de rede, de regulação, de organização de serviços, de oferta. No momento temos um cenário em que os serviços estão sendo oferecidos, os municípios estão investindo em atenção básica. As demandas ainda continuam muitas, mas já houve um avanço”.
 
Para ela, a principal melhoria foi a universalização do atendimento. “O sistema agora é único, ou seja, toda a população pode utilizar, o que é um avanço em relação ao modelo anterior e até em relação a muitos países mais desenvolvidos. Nós temos que continuar investindo, a parcela precisa aumentar, as demandas são crescentes, há um envelhecimento da população, há um avanço de tecnologia, com custos crescentes e a gente precisa melhorar na questão do financiamento”, admite a subsecretária.
 
Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mostram que a rede de atenção básica na cidade passa por uma reestruturação. Nos últimos anos, foram inauguradas 70 clínicas da família, que cobrem agora 41% da população; os hospitais Evandro Freire, na Ilha do Governador; e Pedro II, em Santa Cruz; além de duas maternidades, o Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro; e o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu. Também estão já em atividade sete novos centros de Atenção Psicossocial (CAPs).
 
A SMS oferece os serviços em 200 centros municipais de Saúde (CMS), para o atendimento básico; nove policlínicas de atenção secundária e ambulatorial especializada; 13 centros de Atenção Psicossocial para saúde mental; 14 unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), que fazem cerca de 100 mil atendimentos mensais cada; e cinco coordenações regionais de Emergência (CER),que ficam ao lado de grandes emergências de hospitais, para atender casos menos graves. A rede pública da cidade do Rio conta, ainda, com seis hospitais de emergência e dois de pronto-atendimento; seis hospitais especializados, três unidades psiquiátricas, três hospitais pediátricos e um de geriatria, que atendem encaminhamentos da atenção básica; dez maternidades e uma casa de parto.
 
A SMS destaca que as clínicas da família em toda a cidade fizeram, no ano passado, mais de 25,6 milhões de procedimentos ambulatoriais e as UPAs e CERs contribuíram para a redução pela metade dos atendimentos de emergência nos grandes hospitais da rede. Desde 2009, as UPAs do município fizeram mais de 3,6 milhões de atendimentos, com taxa de resolubilidade de 98% dos casos.
 
Na rede estadual de assistência à saúde, são 52 unidades de Pronto-Atendimento ; 21 hospitais, sendo seis com maternidade, e oito na capital; seis institutos estaduais, especializados em hematologia, cardiologia, dermatologia, diabetes, endocrinologia, doenças do tórax e infectologia; dois postos de Atendimento Médico (PAM); o Centro de Diagnóstico por Imagem (Rio Imagem); e o Centro de Tratamento Psiquiátrico e de Adictos, para dependentes químicos.
 
A SES também mantém o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), na capital; o Instituto Vital Brasil, que faz pesquisa e produz soros e medicamentos; centros de hidratação contra a dengue e 18 farmácias populares, sendo seis no município do Rio. A assessoria da secretaria estadual destaca o aumento do número de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) mantidos pelo estado, que passou de 269, em 2006, para 992, em 2013; os partos passaram de 15,2 mil para 23,4 mil; e o número de exames de imagem subiu de 25,3 mil, em 2007, para 595,3 mil, em 2012.
 
Agência Brasil