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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Saiba por que a vontade sexual diminui após a gravidez

Saiba por que a vontade sexual diminui após a gravidez Simona Balint/Stock photo
Foto: Simona Balint / Stock photo
Libido da mãe e do pai pode ser modificada devido à nova
 rotina da casa
Pouca lubrificação, o que causa dor e desconforto, é um dos motivos para a falta de interesse
 
Toda mulher sabe que a gravidez mexe com o humor e com seus desejos. A constante oscilação hormonal pode causar insônia, mudanças de temperatura corpórea e inclusive a diminuição da libido, principalmente depois do parto.

Se nessa fase você não tem vontade de manter uma relação sexual ativa com o seu marido, não precisa se preocupar, pois isso é normal. Mas como explicar essa falta de interesse?

Segundo a ginecologista e obstetra Erica Mantelli, a placenta é uma das fontes de produção de hormônio na gravidez e quando ela é expelida acontece uma queda nos níveis hormonais e, assim, começa o processo de amamentação.

É nessa fase que pode ocorrer uma leve atrofia dos órgãos que dependem de estrogênio, como é o caso da vagina, que apresenta diminuição de suas mucosas e também da lubrificação, causando desconfortos durante a relação. A culpa, entretanto, não é só da mudança fisiológica.

O fato da mulher se tornar mãe também pode influenciar na falta de interesse pelo sexo, já que ela coloca o bebê como prioridade, principalmente porque ele é recém-nascido, deixando de lado as vontades do companheiro.

A primeira vez após o parto
Erica destaca que o casal deve esperar um tempo até ter a primeira relação, normalmente até o médico liberar a mulher para as relações sexuais. A ginecologista explica que o ideal é aguardar entre 40 e 60 dias após o parto pois, logo depois dele, a mulher libera uma secreção vaginal chamada loquiação e, caso haja um contato sexual com o homem, ambos podem sofrer infecções.

Nessa fase a penetração também pode ser dolorosa, além de aumentar o risco de a mulher desenvolver algum tipo de contaminação no útero, pois o colo muitas vezes não está completamente fechado.

— O casal deve ter consciência que o fato de não ter penetração não significa que eles precisam evitar qualquer tipo de contato. Tanto a mulher como homem podem fazer carícias, o que faz bem para a relação — aconselha.

Outra preocupação do casal é se o sexo vai ser menos prazeroso com a chegada do filho. A libido da mãe e do pai pode ser modificada devido à nova rotina da casa e, além disso, choros do bebê e preocupações podem afetar o desejo sexual. Mas isso não precisa interferir na relação do casal, principalmente se tiverem o hábito sempre de conversar a respeito de como eles podem preservar a vida a dois, sugere a ginecologista.

É normal sentir dor nas primeiras relações?
A falta de lubrificação pode dificultar o sexo e causar dor e desconforto. Mas, com o retorno da menstruação, os hormônios se estabilizam, e o sexo pode voltar a ser prazeroso.

Além disso, outros fatores como noites mal dormidas, cansaço e baixa autoestima devido à insatisfação com o corpo também podem dificultar a relação.

Agora, se você percebeu que o seu prazer reduziu — e muito —, vale a pena procurar ajuda de um especialista.

— O ideal é esperar até os hormônios se estabilizarem, mas, enquanto esse momento não chega, o casal pode lançar mão de produtos lubrificantes vaginais e técnicas de relaxamentos, grandes aliados da libido — recomenda a ginecologista.

Vá devagar, encontre uma posição confortável e se acostume com as interrupções que poderão acontecer daqui pra frente quando o bebê chorar. A dica é relaxar e aproveitar o momento a dois, finaliza Erica.
 
Zero Hora

Conselho Federal de Medicina classificou de eleitoreira a importação de médicos

Para entidade, medida agride direitos individuais e humanos, além de expor a saúde da população
 
Em nota, o Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou como "eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso" o anúncio de importação de médicos cubanos feito nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. Para a entidade, a medida agride direitos individuais, humanos, do trabalhador e ainda expõe a saúde da população a situações de risco.
 
— É uma irresponsabilidade trazer médicos de fora, sejam cubanos, sejam brasileiro formados no Exterior, sem a devida verificação da competência técnica — avaliou Roberto d'Ávila, presidente do CFM.
 
"O Conselho Federal de Medicina condena de forma veemente a decisão irresponsável do Ministério da Saúde que, ao promover a vinda de médicos cubanos sem a devida revalidação de seus diplomas e sem comprovar domínio do idioma português, desrespeita a legislação, fere os direitos humanos e coloca em risco a saúde dos brasileiros, especialmente os moradores das áreas mais pobres e distantes", diz a entidade em nota.
 
Em maio deste ano, antes do lançamento do Programa Mais Médicos, o governo brasileiro anunciou que estava fazendo um acordo com o governo cubano, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, para a vinda de 6 mil médicos cubanos que trabalhariam nas regiões brasileiras mais carentes. Porém, em julho o governo lançou o Programa Mais Médicos, que inicialmente só aceitava inscrições individuais.
 
Na coletiva à imprensa sobre o balanço final da primeira etapa do Mais Médicos, que teve apenas 10% da demanda atendida, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltou a cogitar a busca de acordos com outros países e universidades para a vinda de médicos para regiões que não atraíram inscrições individuais. "Trata-se de uma medida que nada tem de improvisada, mas que foi planejada nos bastidores da cortina de fumaça do malfadado Programa Mais Médicos', defende o CFM sobre a vinda dos médicos cubanos.
 
Para a entidade, o Mais Médicos divide a população em cidadãos de primeira e de segunda categoria. O conselho adianta que, "serão envidados esforços, inclusive as medidas jurídicas cabíveis, para assegurar o Estado Democrático de Direito no país, com base na dignidade humana".
 
O ministro Padilha ressaltou na tarde desta quarta-feira que, entre os dias 26 de agosto e 13 de setembro, os médicos cubanos, assim como os inscritos individualmente no Programa Mais Médicos e que têm diploma estrangeiro, vão participar de aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa, totalizando carga horária de 120 horas. Os médicos que forem aprovados começam a atender a população na segunda quinzena de setembro.
 
Apesar de os conselhos regionais de Medicina (CRM) ameaçarem não dar o registro provisório para os profissionais sem revalidação do diploma, o Ministério da Saúde diz que a concessão de registro profissional segue a regra fixada na medida provisória que instituiu o Programa Mais Médicos, ou seja, os médicos terão autorização especial para trabalhar por três anos exclusivamente nos serviços de atenção básico em que forem lotados no âmbito do programa e o registro terá que ser concedido pelos CRMs.
 
Zero Hora/Agência Brasil

Conheça os dez erros mais comuns na hora de cuidar da beleza

Conheça os dez erros mais comuns na hora de cuidar da beleza Inmagine Free/Reprodução
Foto: Inmagine Free / Reprodução
A falta de proteção solar e a desatenção a problemas
de pele hereditários, como acne, podem ocasionar
sérios problemas futuros
Pequenos cuidados podem fazer a diferença para a saúde da pele
 
O mercado da estética oferece cada vez mais opções para quem quer cuidar da beleza. Entretanto, com tantos produtos disponíveis, ocorre uma confusão entre o que é certo e errado para manter a vaidade.
 
Segundo a dermatologista Miriam Sabino, simples hábitos que as mulheres acham que são corretos podem fazer mal à pele.
 
— A falta de proteção solar e a desatenção a problemas de pele hereditários, como acne, podem ocasionar sérios problemas futuros. Sem a hidratação diária correta a pele fica mais suscetível a rugas precoces, manchas de todos os tipos, câncer de pele e aumento de incidência de doenças virais, como herpes — explica.
 
A melhor forma de prevenir as rugas, marcas de expressão, bigode chinês e manchas na pele é usar o protetor solar diariamente, mesmo que o dia esteja nublado.
 
— É um grande erro achar que, por estarmos no inverno, a pele não precisa de proteção contra o sol. Os raios solares atingem a pele da mesma forma. Portanto, bloqueie esse risco todos os dias — aconselha a especialista.
 
A dermatologista Miriam Sabino alerta para dez erros que costumam ser cometidos pelas mulheres:
 
1) Não lavar o rosto à noite
As mulheres tendem a passar o dia todo maquiadas e deixar os resquícios da maquiagem junto com o acúmulo de sujeira do dia só contribui para a obstrução dos poros, o que pode causar a acne. É importante, portanto, lavar o rosto toda a noite, antes de deitar.
 
2) Diversos produtos ao mesmo tempo
BB Cream, protetor solar, creme anti-idade, cosmético para prevenir acne e cravos. Aplicar todos esses produtos um atrás do outro só prejudica a pele. Muitos cremes fornecem os mesmos ativos ou então ingredientes que são compatíveis. O ativo de um produto pode acabar cancelando o efeito do outro, o que pode causar irritação na pele. O ideal é tratar um problema de cada vez.
 
3) Usar condicionador da mesma forma que o shampoo
Passar o condicionador no cabelo é outro erro. Dessa forma, você vai estar só desperdiçando o produto, além de tornar a raiz do seu cabelo oleosa. A dica é aplicar o produto a partir da altura das orelhas até as pontas.
 
4) Banho prolongado
Permanecer muito tempo no chuveiro só atrapalha. A água remove os óleos naturais e os hidrolipídicos que são os responsáveis por zelar pela umidade que protege a sua pele e o cabelo, causando o ressecamento. A dermatologista indica que a água esteja morna, que o banho não passe de 20 minutos e, se possível, usar sabonetes neutros e também hidratantes. Mas, se você não dispensa um banho quente, procure usar óleos para banho para que sua pele não fique ressecada.
 
5) Exagerar no tratamento contra as manchas
O uso excessivo dos ácidos que são utilizados nos tratamentos para manchas podem provocar queimaduras, irritação, descamação e vermelhidão. Siga todas as orientações do seu médico e evite aplicá-los mais de três vezes por dia.
 
6) Usar hidratante para driblar o inchaço no rosto
Uma bolsa pode se formar ao redor dos olhos devido à retenção de líquido, o que costuma acontecer também em períodos menstruais. Para diminuir esse inchaço não é recomendado aplicar cremes e hidrantes. O que pode ser feito é colocar uma compressa fria ou uma bolsa de gelo por 10 a 15 minutos.
 
7) Não hidratar o pescoço
Para ter uma pele bonita e saudável não basta só se preocupar com o rosto. A região do queixo e pescoço também deve ser hidratada diariamente. A pele do pescoço é mais fina e sensível. Além disso, essa região fica mais exposta a agressões de fatores externos como sol, vento, frio e até a luz de lâmpadas. A fórmula para cuidar do pescoço é simples: hidratação e protetor solar.
 
8) Cosméticos vencidos
Não importa se é hidratante, sombra, pó, batom ou blush. Aplicar produtos vencidos na pele aumenta a proliferação de micro-organismos e pode causar alergias ao entrar em contato com a pele.
 
9) Depilar e tomar sol
A depilação também exige atenção e cuidados, principalmente se for com a cera, que retira as células superficiais que protegem a pele. Evite tomar sol após a depilação, pois a pele está muito sensível e ainda pode provocar manchas.
 
10) Não ter cuidado com as unhas postiças
As unhas postiças podem agredir a unha por causa da cola que é utilizada para fixação. Quem usa esse tipo de unha precisa manter um cuidado redobrado na hora de colocar e retirar. Retirá-las arrancando pode levar junto a camada de proteção superficial da sua unha e enfraquecê-la.
 
Zero Hora

Em Brasília, uma das principais deficiências do SUS é a falta de leitos

Brasília – O Distrito Federal tem um déficit de atendimento de 1,5 milhão de pessoas no sistema público de saúde, segundo estimativas da Secretaria de Saúde (SES) do governo do Distrito Federal (GDF).
 
Em 2012, foram mais de 7 milhões de atendimentos de urgência e emergência em Brasília e no Entorno – região que inclui cidades do Distrito Federal, de Goiás e de Minas Gerais -, nas 59 unidades da secretaria; entre hospitais, unidades mistas, centros de referência e centros de Atenção Psicossocial (Caps). Nos três primeiros meses deste ano, os atendimentos já ultrapassaram 2,4 milhões, de acordo com dados do resumo dos serviços médico-hospitalares da SES.
 
Uma das principais deficiências da saúde no DF está na falta de leitos. Hoje, há menos leitos disponíveis que no ano passado. Dos atuais 4.375, 188 estão bloqueados, o que anula os 29 leitos abertos entre 2012 e 2013.

Em 2013, foram, do total de atendimentos entre janeiro e março, 44,6 mil internações, 18,2 mil cirurgias, 418,2 mil exames radiológicos, 4,3 milhões exames patológicos e 418,2 mil exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética.
 
Para observar as condições do sistema de saúde no DF, a Agência Brasil visitou cinco dos principais hospitais públicos na região: o Hospital de Base, no Plano Piloto e principal instituição hospitalar da região; e os hospitais regionais de Taguatinga (HRT), de Ceilândia (HRC), do Gama (HRG) e de Planaltina (HRP), nas respectivas regiões administrativas.

Somados, esses cinco hospitais fizeram 25% de todos os atendimentos na rede pública da capital federal nos três primeiros meses de 2013 (603,6 mil). O de Taguatinga foi o que recebeu mais pacientes no período (136,5 mil), seguido pelo de Ceilândia (134,8 mil) e pelo Hospital de Base (129,2 mil).
 
No caso do Hospital Regional de Taguatinga, que atendeu o maior número de pessoas, a expectativa para o atendimento de um paciente que chega por volta das 8h da manhã, sentindo dores, mas sem risco iminente de morte, é na madrugada do dia seguinte, informaram atendentes que pediram para não ser identificados.

No dia da visita da Agência Brasil , havia cerca de 200 pessoas aguardando na emergência, e apenas um médico e dois profissionais para fazer triagem, segundo as atendentes. Elas, dependendo do caso, orientam o paciente a ir à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) para ser examinado mais rapidamente, em vez de esperar no hospital.
 
“Eu não gosto de vir aqui, só venho em último caso porque o atendimento demora muito”, disse Edalina da Silva, 43 anos, que acompanhava o filho de 7 anos. O coordenador-geral de Saúde de Taguatinga, Otavio Rodrigues, explicou que há, em média, três ou quatro médicos na Emergência, dependendo da especialidade e do turno. Em relação à demora para o atendimento, ele informou que as consultas são feitas de acordo com a classificação de risco. Além disso, destacou que a quantidade de pacientes que precisam de atendimento primário é muito grande.
 
Sobre as condições do hospital, também há reclamações a respeito de falta de médicos, leitos e materiais hospitalares básicos – como filme para revelar exames de raio X. Em enfermarias de doenças infectocontagiosas, onde os pacientes deveriam ficar em isolamento, chegam a ser colocadas seis pessoas em um mesmo espaço físico. O coordenador da unidade de Taguatinga disse que estão sendo feitos investimentos na manutenção e na troca de equipamentos, o que permitirá exames mais especializados.
 
No Hospital da Ceilândia, a situação também é precária. Na entrada, muitos pacientes estavam irritados com a falta de informações sobre os horários dos médicos e com a demora para triagem e atendimento. No local desde às 7h da manhã, Rosa Guedes, 33 anos, foi informada somente por volta das 11h que o dentista que estava aguardando só chegaria às 14h. Nos corredores da emergência, os pacientes ficam deitados em macas sujas, sem lençóis, em meio ao mau cheiro, aguardando atendimento por horas. Os leitos dos casos de urgência se confundem com os de pacientes internados, cujas macas são separadas por divisórias de tecido presas em estruturas metálicas enferrujadas.
 
Maria das Graças Mendonça, 65 anos, acompanhante da mãe, de 90 anos, internada há oito dias, é resignada. “Eu não tenho do que reclamar. Eles [os médicos e enfermeiros] fazem o que podem. Eu chamo quando preciso e eles vêm. A comida é boa. Para nós também não faltou remédio”, explicou.
 
A coordenadora-geral de Saúde do hospital de Ceilândia, Lucimar Costa Zero, informou que a Secretaria de Saúde está trabalhando para a ampliação e a modernização das unidades, com investimentos em camas eletrônicas, macas novas e modernas. Ela informou que há previsão de reforma do pronto-socorro. Em relação à demora de atendimento, a coordenadora explicou que o hospital já conta com a ajuda de recepcionistas para auxiliar na prestação de informações aos pacientes. Segundo Lucimar, espera-se que o fluxo para o hospital diminua com a inauguração de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) na cidade, até o final do ano, e de três clínicas da família. Em Ceilândia, são recebidas cerca de 850 pessoas por dia.
 
No Hospital de Planaltina, o panorama é o mesmo. Filas, salas de espera lotadas, corredores lotados de pacientes. A unidade de saúde, a cerca de 40 quilômetros do Plano Piloto, não tem médicos de todas as especialidades. Casos mais graves, como os relacionados a neurologia, cardiologia e cirurgia vascular, são encaminhados ao Hospital de Base. Duas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) transportam os pacientes ao centro de Brasília para que aguardem atendimento, tenham diagnóstico e recebam receituário de medicação. Caso não seja uma situação de extrema urgência que mereça permanência no Base, o paciente volta a Planaltina para a continuação do atendimento.
 
“Eu faço entre dois e três transportes por dia. A falta de médicos é tamanha que há casos em que são encaminhados ao [Hospital de] Base pacientes de oftalmologia, com praticamente um cisco no olho, porque não há especialista aqui [Planaltina]”, disse à Agência Brasil o motorista do Samu Francisco Brandão. Segundo a coordenadora-geral de Saúde da unidade, Mônica Rodrigues, casos de especialidades de maior complexidade não são atendidos em Planaltina porque o hospital é de atendimento primário. Para atender casos mais graves, segundo ela, há outros hospitais da rede pública.
 
Na sala de espera do ambulatório do Hospital de Base, as reclamações, em geral, focaram no tempo de espera para a marcação de consultas e de procedimentos. A aposentada Dodina Pereira do Santos, 59 anos, ficou um ano com um catéter no rim esperando cirurgia. "Aqui é muito difícil ser atendido. Vou confessar uma coisa: só consegui porque conheço um enfermeiro”, disse a dona de casa Juciane Oliveira, 24 anos. A passadeira Marta Pereira, 62 anos, informou que, depois de sete horas em um outro hospital da rede, foi encaminhada ao [Hospital de] Base, onde teve de entrar novamente na fila de espera por atendimento.
 
No Hospital do Gama, assim como em vários outros, faltam médicos de diversas especialidades e equipamentos, o que aumenta a demora no atendimento e na análise de exames, já que os pacientes têm de ir a uma outra unidade de saúde e depois retornar, o que depende de uma série de pedidos e justificativas dos médicos, aumentando a burocracia. Um exemplo é a inexistência de uma unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal, sendo que são feitos mais de 5 mil partos anualmente no local.
 
Assim, gestantes em situação de risco têm de ser encaminhadas a outros hospitais, de última hora, para dar à luz. Caso contrário, se o bebê precisar de internação na UTI, tem de entrar em uma fila de distribuição, que determina onde há vaga disponível que pode, ou não, ser encontrada a tempo de salvar a vida da criança. “Essa burocracia é um descaso com a saúde das pessoas. Peço a Deus todos os dias para não adoecer e precisar vir ao hospital", disse a manicure Teresinha dos Anjos, 48 anos.
 
Agência Brasil

No Rio de Janeiro, ainda falta médico apesar do crescimento da rede SUS

Rio de Janeiro – Mesmo com os números apresentados pelas secretarias Municipal e Estadual de Saúde mostrando crescimento do atendimento à população, faltam médicos nas clínicas e hospitais para cuidar efetivamente dos pacientes. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), Jorge Darze.
 
“Essa história de dizer que se ampliou o projeto Saúde da Família com as clínicas da Família é uma balela. Isso por si só não é suficiente, porque na verdade uma boa parte dessas clínicas não tem médicos, então é uma assistência capenga, uma assistência que não contribui.

Não basta dizer que tem clínicas da Família, que aumentou a cobertura, porque na verdade isso não funciona dessa maneira”, diz o médico.
 
A costureira Doralice Ribeiro Neves, de 52 anos, diz que há um ano não tem médico no posto de saúde perto da sua casa, em Campo Grande, na zona oeste do Rio, para tratar da hipertensão.

“Está uma bagunça no Mendanha [posto de saúde], não tem médico, já tem um ano que foi retirado. Ginecologista também, tem mais de dez anos que só tem para grávida. A saúde, verdadeiramente, está um caos”.
 
A dona de casa Sonaike Chaves de Souza, de 25 anos, explica que levava os três filhos para acompanhamento regular com pediatra no Posto de Saúde Francisco de Assis, perto de sua casa, no Morro São Carlos, na zona norte, mas a médica saiu. “A consulta deles devia ter sido ontem, mas não teve porque a médica saiu. Agora eu estou precisando de atendimento para eles e me mandaram ir na UPA [Unidade de Pronto-Atendimento]”, disse Sonaike.
 
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa que contratou 18 mil profissionais entre 2009 e 2012, sendo 4,5 mil médicos. Além disso, um concurso está em andamento para contratar 1.247 médicos. Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES), informa que sua rede conta com 7.113 médicos e que 12,7% das vagas não estão preenchidos, principalmente nas especialidades de pediatria, neurocirurgia, ortopedia, terapia intensiva e anestesia.
 
O piso salarial dos médicos concursados da SES é R$ 5,5 mil para estatutários atuantes em emergências, R$ 5 mil para temporários atuantes em emergências e R$ 6 mil para profissionais da Fundação Saúde. Já os contratados por organizações sociais recebem em média R$7 mil.

Agência Brasil