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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mitos e fatos sobre crianças autistas

Arquivo pessoal
Após o diagnóstico de autismo do filho Theo, Andréa criou um
blog para ajudar a acabar com os mitos em torno do transtorno
Quem tem autismo entende o que falam ao seu redor? Pode estudar em escolas regulares? É mais “birrento” que outras crianças? Saiba o que é verdade e o que é mentira nesse universo
 
“Nossa, mas ele não parece autista!”. Dos vários enganos que Andréa Werner ouve em comentários sobre seu filho Theo, de cinco anos, este é um dos mais frequentes. “Na cabeça de algumas pessoas, o autismo traz características físicas que o tornam visualmente identificável, o que está longe de ser verdade. O Theo tem autismo e é um menino lindo, de desenvolvimento físico igual ao de outras crianças da idade dele”, afirma a blogueira, responsável pelo “Lagarta Vira Pupa”.
           
A diferença aparece nas ações do garoto, e daí surgem outros equívocos por parte de quem não tem proximidade com a família. “Quando ele não consegue expressar o que quer ou o que o incomoda, faz barulhos que para os outros podem parecer um ataque descontrolado de birra. Chegam a falar que ele é muito mal-educado, mas emitir esses sons é a reação natural do autista diante da frustração de não conseguir se comunicar”, explica.
 
Foi para desabafar sobre tais acontecimentos do dia a dia com o filho que Andréa criou o blog. Ela achava que só a família e os amigos leriam, mas logo outras mães de autistas começaram a conhecer e compartilhar seus posts pela internet. Hoje, ela usa o espaço para dar uma luz a quem vive uma realidade parecida com a sua e também para ajudar a acabar com os mitos em torno desse transtorno do neurodesenvolvimento.
 
Fato ou mito?
Por falta de informação ou por confiar cegamente nos estereótipos apresentados em produções para o cinema e para a TV, muitas pessoas têm ideias equivocadas sobre a realidade do autismo e do autista. Selecionamos as 11 mais comuns para esclarecer o que é fato e o que é mito no universo desse transtorno.
 
É fácil diagnosticar o autismo, porque os sintomas são iguais em todas as crianças.
Mito. “O autismo pode se manifestar por meio de diversos sintomas combinados de maneiras únicas e complexas. O diagnóstico é artesanal, não existe um exame clínico que o determine”, esclarece o neuropediatra Rudimar Riesgo, professor do curso de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e chefe da neuropediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A neuropediatra Mônica Scattolin complementa: “Baseia-se no histórico do paciente, na observação e avaliação do comportamento. Existem instrumentos que auxiliam o diagnóstico, como a escala CARS (sigla em inglês para Escala de Avaliação de Autismo Infantil) e a entrevista ADI-R (sigla em inglês para Diagnóstico de Autismo Validado por Entrevista)”.
 
A manifestação de algumas características pode chamar a atenção de pais ou professores para a possibilidade de a criança ser autista, mas o simples fato de ter uma ou duas (ou mesmo três) delas não significa que o autismo esteja de fato presente. Isso entendido, são elas:
 
- Atraso ou ausência da fala

 - Isolamento

- Prejuízo no contato ocular (não olhar nos olhos)

- Baixa tolerância a sons altos

- Baixa tolerância a toques

- Não responder ao ser chamado pelo nome

- Não apontar o que quer

- Dificuldade na atenção compartilhada (chamar a atenção do outro para algo interessante)

- Movimentos estereotipados e não funcionais das mãos e dos braços

 - Inabilidade para entrar em brincadeiras de faz de conta

- Fascínio por brinquedos que rodam ou por rodinhas dos brinquedos

- Dificuldades exageradas com as mudanças de rotina                          

O autismo sempre se manifesta nos primeiros meses de vida da criança.              
Mito. As características de autismo costumam surgir a partir do sexto mês do bebê. Mas há casos mais complexos, como o autismo regressivo – que se manifesta tardiamente, depois que a criança faz um ano de idade. Foi assim com Theo, filho de Andréa. “Nos primeiros meses de vida, ele sorria, balbuciava palavras, compartilhava o que via e sentia. Nada indicava que seria autista. Daí ele começou a ficar diferente, parou de olhar quando era chamado, pegou mania com rodinhas de carrinhos de brinquedo, foi perdendo as habilidades sociais”, lembra a mãe.
 
Portanto, se os pais suspeitarem que o filho é autista, qualquer que seja a fase da infância em que ele esteja, devem procurar médicos especializados para um diagnóstico seguro e, se necessário, um tratamento multidisciplinar (com neuropediatra, psiquiatra, fonoaudiólogo e educador). “Quanto mais rápido o diagnóstico, melhor a evolução, pois se trabalha o potencial da criança, criando melhores condições de sociabilização”, assegura Mônica.
 
Fascínio por brinquedos que rodam ou por rodinhas dos
brinquedos é uma das características observadas em
 crianças autistas
Todas as crianças autistas têm o transtorno na mesma intensidade.
Mito. Nunca é demais ressaltar: cada caso é um caso. “Como em qualquer outra característica humana, existem diversos níveis de autismo. Há pessoas mais magras e mais gordas, mais altas e mais baixas, e ocorrências de autismo mais leves e mais graves”, diz Riesgo.
 
As causas do autismo ainda não são conhecidas pela ciência.
Fato. Estudos indicam que ele possa ser o resultado da combinação de fatores genéticos, ocorrências durante a gestação e fatores externos. Algumas pesquisas recentes também apontam para alterações cerebrais.
 
É impossível se comunicar com uma criança autista.
Mito. Embora tenham, como Riesgo define, “baixa inteligência social”, os autistas encontram meios de se comunicar com as pessoas mais próximas e assimilam atalhos criados pelos pais ou terapeutas para facilitar a troca de informações. Na casa de Andréa, por exemplo, Theo mostra para os pais o que quer comer ou beber pegando cartões com desenhos de alimentos e bebidas que ficam na porta da geladeira. “Ele não fala, mas isso não impede a comunicação. E ele entende tudo que falamos para ele“, relata a blogueira.
 
Quando a criança não consegue falar, cartões com desenhos de
comidas e objetos facilitam a comunicação
Não se deve encostar em uma criança autista, pois ela terá um ataque histérico.  
Um pouco fato, um pouco mito. Se para crianças sem autismo já pode ser difícil ir para o colo de parentes e amigos dos pais, para as autistas isso é quase missão impossível. “De forma geral, elas não toleram o toque. Sentem-se desconfortáveis, ameaçadas, porque têm dificuldade neurológica para interpretar manifestações de sentimentos e filtrar os estímulos externos, e podem demonstrar isso gritando”, explica Riesgo. Isso não significa, de maneira alguma, que elas devam ser “poupadas” do convívio social, como diz Mônica: “As pessoas podem e devem interagir com crianças com autismo. O contato visual deve ser estimulado. Como em toda relação, é preciso cuidado para não ser intrusivo. Perceber o que incomoda o outro e respeitar esses limites”.
 
Crianças autistas são mais “birrentas” que a média.
Mito. Há que se entender que as “birras” dos autistas não representam falta de educação ou de controle por parte dos pais. Os estouros em gritos são a expressão da frustração dos autistas por não conseguirem colocar em palavras o que querem, o que sentem. O desabafo exagerado também pode ser um descontrole causado por uma sobrecarga sensorial, por causa da baixa tolerância a sons altos. “Esse mecanismo é tão forte que a sensação é de que ninguém está no controle. A criança atinge um nível de desorganização que, mesmo que saia daquele ambiente, terá dificuldades para ser acalmada”, afirma Mônica.
 
Crianças autistas gostam de ficar sozinhas, fazendo movimentos repetitivos.
Fato. Uma das características mais recorrentes entre os autistas é a tendência ao isolamento. Quando sozinhos, eles podem ficar minutos, às vezes horas, brincando da mesma maneira com um carrinho, uma boneca ou outro objeto. Também mexem mãos e braços de maneira exagerada e sem sentido.              
                          
As escolas não podem colocar crianças autistas em salas regulares.
Mito. Isolar as crianças autistas em salas “especiais” não é bom, e inclusão é a recomendação corrente. Riesgo aconselha: “É interessante que elas estejam em contato com colegas da mesma idade o mais cedo possível. Como qualquer criança, as que têm autismo aprendem; umas mais, outras menos, mas elas retêm as informações”.
 
Crianças autistas precisam de apoio pedagógico durante a idade escolar.
Fato. As metodologias de auxílio extracurricular oferecidas pelas escolas preparadas para incluir os autistas, segundo Mônica, “servem para potencializar as habilidades e minimizar as dificuldades. Seu uso é definido de acordo com o funcionamento que a criança apresenta. É importante que a estratégia educacional leve em consideração a singularidade de cada aluno”.
 
Os pais de crianças autistas também precisam de apoio.
Fato. Esse apoio pode vir da família, de amigos, de desconhecidos em páginas na internet que passem pela mesma situação, de livros sobre o assunto, de terapia. O importante é os pais estarem abertos para encarar a situação. Quando recebeu o diagnóstico de autismo de Theo, Andréa sentiu “que o chão tinha sido tirado dos pés”. Ela justifica: “Você tem um filho, planeja a vida dele, e nesses planos não estão incluídos obstáculos. É a morte do filho idealizado, um processo que exige um período de luto”. Superada essa fase, ela mergulhou de cabeça na nova realidade. Varou noites lendo livros e buscando informações na internet e, principalmente, redescobriu o filho. “Me reergui vendo que esta criança que está na minha frente é uma fonte de amor infinito, por quem tenho um amor maior que o mundo”, declara.

Delas

'Não podemos premiar infrator', diz chefe da ANS sobre punição a plano de saúde

Wilson Dias/ABr
Longo: 'a alegação das operadoras não procede'
Longo sugere que operadoras usam 'subterfúgio' para driblar bloqueio e confundem Justiça
 
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que reúne as grandes operadoras de planos de saúde do País, foi à Justiça para bloquear a punição de suas afiliadas, que foram alvo de elevado número de reclamações dos beneficiários à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
 
A decisão, de 20 de agosto, levou a ANS a suspender as punições a todas as operadoras que seriam alvo de uma proibição temporária de comercialização de um conjunto de 246 planos de saúde, dos quais 34 já estavam com as vendas bloqueadas.
 
No processo, a Fenasaúde argumentou que as operadoras não estavam tendo respeitado o direito à defesa. Um dos motivos era que a ANS estaria computando, no cálculo que leva às suspensões, reclamações sobre as quais as operadoras não se pronunciaram.
 
Mas, segundo o diretor da ANS, André Longo, nos últimos tempos as operadoras têm deixado de responder aos questionamentos da agência relativos a algumas reclamações.
 
"Eu não tenho como afirmar que foi um comportamento deliberado [ para derrubar o sistema de monitoramento ]. O que nós observamos é que há um crescimento nesta prática [ de não responde r] e a gente não pode premiar o infrator por isso", afirma Longo, em entrevista ao iG.
 
Apesar da negativa sobre a intencionalidade das operadoras, o diretor da ANS sugere que elas tentaram "confundir" o Judiciário na ação ao alegar que não puderam se defender.
 
Leia abaixo trechos da entrevista, concedida depois que a decisão judicial foi revertida, na tarde desta quarta-feira (28).
 
A ANS deixou de notificar as operadoras sobre as reclamações e mesmo assim as computou para fazer as suspensões?
Essa alegação das operadoras não procede. Todas as demandas de consumidores que chegam à agência automaticamente nós notificamos a operadoras e elas têm cinco dias úteis para se posiconar. Esse procedimento vem sendo utilizado desde o início. As operadoras sabem disso. O que nós notamos foi um aumento do número de demandas [ e ] uma diminuição da capacidade de resposta das operadoras.
 
Por quê?
A gente acredita que [ as operadoras ] não se prepararam adequadamente, em particular essas 26 operadoras, que foram responsáveis por 37% das reclamações [ recebidas pela ANS de março a junho ] . O que a gente não pode permitir é que a falta de resposta ou a resposta incompleta, sem os documentos comprobatórios para afirmar que [ a reclamação ] é improcedente, possa permitir que ela [ a operadora ] possa ser beneficiada pelo fato de não estar prestando o atendimento e estar se utilizando de um subterfúgio de não apresentar a defesa ou apresentar essa defesa de forma incorreta. Nessas duas questões, a agência encaminha as demandas para diligência e esse foi o foco do debate com o desembargador. Só que as diligências acontecem quando a operadora não apresentou a resposta. 
 
Isso acabou dando para elas um argumento jurídico de que notificações que precisam de diligência foram usadas para punir...
A gente respeita o direito das pessoas de irem ao Judiciário, mas não para confundir. A gente não pode permitir que o comportamento das operadoras de não responder ou não responder adequadamente seja contado a favor de quem está cometendo a infração. A gente não pode beneficiar infrator por não proceder como manda a norma. Elas estão descumprindo o prazo ou estão respondendo de forma incompleta e, por vezes, de forma bastante abstrata ou simplesmente com frases que não têm a ver com a reclamação do consumidor. 
 
O senhora acredita que as operadoras não estavam respondendo deliberadamente, para alegar que não tinham direito de defesa e assim derrubar o programa da ANS?
Eu não tenho como afirmar que foi um comportamento deliberado. O que nós observamos é que há um crescimento nesta prática [ de não responder ] e a gente não pode premiar o infrator por isso. 

As operadoras também estão se negando a responder as reclamações do beneficiário?              
A ideia de mediação de conflito é que o consumidor procure incialmente a operadora e só venha par a agência quando teve negado acesso ou não foi efetivamente atendido. O que por vezes os clientes relatam é que não conseguiram contatar operadora. Outros trazem o protocolo da operadora, dizendo que tiveram negada a assistência. A agência processa todas e conclui pela procedência ou improcedência daquela reclamação, e nós só computamos aquelas que foram avaliadas tecnicamente como procedentes.
 
[ O questionamento judicial ] tem a ver com o fato de que as empresas apanhadas pelo programa [ de punição ] são gigantes do setor?
O monitoramento é para pequenas, médias e grandes. Ele vale para todas as operadoras. Não é porque neste ciclo de monitoramento as operadoras maiores foram atingidas que o monitoramento pode ser descaracterizado. 
 
Era necessário suspender o programa como um todo? Não dava para fazer o recálculo [ como determinou a Justiça ]?
Sim, porque o programa é comparativo. Ele compara operadoras e com isso você mexe com as medianas e teria uma dificuldade. Não teria um tratamento equânime. A eventual necessidade de recalcular poderia ter impacto em todas as operadoras. Era um dever nosso fazer isso. Felizmente não foi necessário pelo entendimento que temos da reconsideração do juiz [ desembargador ].
 
iG

Anonymous invade site de sindicato após médicos brasileiros xingarem cubanos

Profissionais brasileiros fizeram corredor humano para chamar médicos de Cuba de "escravos e "incompetentes"

Reprodução
Anonymous invade site d emédicos

O grupo de hackers Anonymous invadiu nesta quinta-feira (29) o site do Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará. A razão foi o protesto organizado pela entidade contra os médicos cubanos na segunda (26). Na ocasião, os profissionais importados pelo governo federal tiveram que passar por um corredor humano, onde foram chamados de "escravos" e "incompetentes". Os médicos do Ceará gritaram ainda palavras de ordem como "revalida” e “voltem para a senzala”.
        
No recado deixado pelos hackers na home do site, está escrito: “Mais médicos ou menos médicos? Não podemos é ter mais racismo”. Há também um texto e um vídeo em que usam para afirmar que “cor, raça ou procedência não definem capacidade de ninguém”.
 
“Independentemente de quaisquer discussões que por ventura possam surgir na sociedade, não podemos retroceder e nos deixar levar por sentimentos racistas que nada contribuem com o desenvolvimento do nosso País.
 
A cor, raça ou procedência não definem capacidade de ninguém. Todos são iguais!
 
Estamos de olho e sempre nos manifestaremos perante qualquer tipo de injustiça, independentemente do fato que a gere!
 
O governo federal deve investir corretamente na saúde e fiscalizar quem é responsável pelo uso dessas verbas, para que tenhamos hospitais com estrutura e tratamento humano para todos!
 
Um médico brasileiro não é melhor nem pior do que outro qualquer, afinal todos estão juntos para salvar vidas, contanto que tenham meios possíveis e viáveis para isso!
 
O Brasil quer saber por qual motivo se fazem programas e manobras de "tapar buracos" e por que não resolver logo a raiz do problema?”
 
Último Segundo

Pode vir médico até da China que a gente recebe de braços abertos, diz prefeito

Divulgação/Prefeitura
Cidade de Outro Branco (AL) está entre as que devem recebem
 profissionais de outros países
Municípios rejeitados por brasileiros dizem aguardar com ansiedade a chegada dos profissionais de outros países
 
Os prefeitos dos municípios que foram rejeitados pelos profissionais brasileiros que aderiram ao programa Mais Médicos aguardam com ansiedade a chegada dos estrangeiros para prestar atendimento à população. Na lista do Ministério da Saúde constam 701 municípios em que nenhum médico se candidatou a ocupar as vagas disponíveis, muitos localizados em regiões distantes dos grandes centros e, geralmente, com baixíssimo índice de desenvolvimento humano (IDH).
           
É para esses municípios que o governo pretende enviar os médicos estrangeiros que chegaram ao País no fim de semana, entre eles, 400 cubanos. O Ministério da Saúde previu para esta quinta-feira a divulgação da lista das cidades que receberão os médicos estrangeiros.
 
Diante da precariedade do atendimento de saúde, o prefeito de Ouro Branco (AL) pediu, pelo menos, cinco médicos para atender à demanda diária de 200 consultas somente na área urbana. Para ele, a resistência à vinda dos médicos estrangeiros se restringe a algumas entidades médicas.
 
“Não se trata de uma resistência da população. Para Ouro Branco, pode vir médico até da China que a gente recebe de braços abertos”, diz o prefeito Atevaldo Cabral da Silva (PMDB), que já mantém no município uma casa específica para abrigar os médicos.
 
Ouro Branco fica a 240 quilômetros de Maceió, em pleno sertão alagoano. Com uma população de quase 11 mil habitantes, os três médicos atualmente contratados pela prefeitura pelo Programa Saúde da Família (PSF) não conseguem dar conta da demanda urbana e nem de realizar as visitas às famílias que moram na área rural. “Um médico, com muito boa vontade, consegue dar conta de atender 40 pessoas por dia. Precisamos de ajuda”, afirma Silva.
 
“Estou falando de carência. Não temos médico para atender aos problemas cotidianos, rotineiros, como aquelas febres, gripes, viroses. Os casos mais graves a gente manda para o hospital de Santana do Ipanema, a 35 quilômetros, mas sem a garantia de atendimento, já que faltam médicos lá também. Se conseguirmos esses cinco médicos, eles serão recebidos com festa”, garante o prefeito.
 
Marilene Palhares, chefe da representação em Manaus do município de Anamã (AM), demonstra a decepção na voz de não ter nenhum candidato para trabalhar na cidade. Com 10,3 mil habitantes, Anamã possui quatro equipes do programa Saúde da Família e paga mais três médicos para atuarem no hospital de baixa complexidade do município. Os sete médicos não trabalham todos os dias. Hoje, o esforço é para garantir um médico por dia.
 
“É muito pouco perto do que a gente precisa”, garante Marilene. Ela conta que a casa para abrigar os médicos de fora já está pronta e o município garantirá todo o apoio aos profissionais. Marilene entende as reclamações da classe médica por causa da falta de infraestrutura e defende mais investimentos na área. Mas diz que os médicos são necessários.
 
Em Anamã, quando alguém precisa realizar um procedimento de maior complexidade, como cirurgias, tem de procurar outra cidade. O encaminhamento, segundo ela, é feito para Manacapuru (cidade-polo da região) ou Manaus, capital do estado. Para chegar à primeira cidade, os pacientes levam de duas a três horas de barco. Para Manaus, o tempo aumenta para cinco horas de lancha rápida ou oito horas de barco.
           
Cronograma
O cronograma do governo prevê que os estrangeiros comecem a trabalhar no dia 16 de setembro. Até lá, os médicos passam por uma capacitação de três semanas nas universidades federais das capitais. No treinamento, os profissionais também vão se familiarizar com a língua portuguesa. Os médicos brasileiros inscritos no programa começam a trabalhar no dia 2 de setembro.
 
Outro caso típico das dificuldades enfrentadas em relação ao acesso à saúde é de Rio Grande do Piauí, município com 6,4 mil habitantes em pleno semiárido nordestino. O prefeito diz que o município já mantém a casa para abrigar os médicos e que não acredita que haverá resistência aos estrangeiros. “O que as pessoas querem é ser atendidas”, diz o prefeito Gilmar Siqueira Martins (PSB).
 
Atualmente o município conta com três médicos que não conseguem atender a maior parte da população moradora da área rural. Por não ter médicos suficientes na cidade, a solução é mandar de ambulância os casos mais graves para serem tratados em Floriano, município onde se tem hospital, localizado a 136 quilômetros.
 
“Quando conseguimos contratar um médico, ele fica cerca de três meses, só enquanto não consegue um município mais perto do mar ou de alguma cidade mais desenvolvida. O último foi embora para trabalhar em Parnaíba”, reclama o prefeito.
 
“Temos apenas uma ambulância com sete anos de uso e que, às vezes não tem condições de ser usada. Neste caso, a gente até recorre a carros particulares para levar as pessoas doentes. Ontem, por exemplo, a ambulância fez duas viagens a Floriano para levar doentes”, conta.
 
Além disso, há situações que o hospital de Floriano também não consegue resolver. “Aí a gente manda seguir viagem até Teresina. Neste caso são 370 quilômetros”, disse o prefeito. Segundo Gilmar Martins, o município também já mantém uma casa para que os médicos estrangeiros possam morar e aguarda uma ambulância nova.
 
Último Segundo

Câmara aplaude movimento do deputado Carlão Pignatari por mais recursos à saúde

O deputado Carlão Pignatari
A Câmara Municipal de Laranjal Paulista aprovou Moção de Apoio do vereador José Francisco de Moura Campos ao movimento "Tabela SUS, Reajuste Já", que teve seu lançamento em Votuporanga e região Noroeste Paulista, pelo deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB).

A Moção de Apoio do vereador José Francisco foi aprovada na sessão ordinária do último dia 12. O vereador explica que ?o Brasil conta com 2.100 hospitais, santas casas e entidades filantrópicas que prestam serviços ao SUS (Sistema Único de Saúde) e são responsáveis por 480 mil empregos diretos e 166,3 mil leitos?.

Acrescenta que "é do conhecimento de todos a situação de colapso pela qual essas entidades vêm passando; a cada 100 reais gastos por eles, o governo federal remunera apenas 65 reais, levando os hospitais a uma situação de endividamento com fornecedores e instituições financeiras".

O vereador de Laranjal Paulista comenta ainda que "segundo a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas " CMB, anualmente a receita originada pelo SUS mal chega aos R$ 9,3 bilhões, sendo que os custos dos serviços são de R$ 14,3 bilhões. O montante das dívidas dos hospitais ultrapassa os R$ 11,2 bilhões, sendo R$ 4,9 bilhões com instituições financeiras, R$ 2,7 bilhões com fornecedores e R$ 2,8 bilhões com impostos e contribuições?.

De acordo com José Francisco, o movimento resultou na elaboração de um documento em prol de mais recursos para a saúde. Com as assinaturas do deputado Carlão Pignatari e do presidente da Fehosp , Edson Rogatti, "o documento requer a interferência da Presidente Dilma Rousseff para uma solução definitiva".

Para encerrar, o vereador diz que ?após esse relato, conclui-se que é inteiramente justa esta propositura, com o objetivo de reconhecer o legítimo movimento "Tabela SUS, Reajuste Já", pois assim que suas reivindicações forem atendidas, toda a população se beneficiará, em especial a de baixa de renda?.

?O vereador José Francisco, de Laranjal Paulista, tem o mesmo pensamento nosso, que é de destinar mais recursos para a saúde, para que a população tenha um atendimento digno e os hospitais e santas casas não tenham que arcar com a maior parte das despesas. O governo federal precisa parar com essa demagogia de trazer mais médicos do exterior e injetar mais recursos nos hospitais e santas casas. Só assim encontraremos a solução. Não adianta ter mais médicos se os hospitais não têm como atender a população?, conclui o deputado Carlão Pignatari.

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