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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Medicamentos para calvície não são indicados para prevenir câncer de próstata

Finasterida e duasterida podem inclusive mascarar o problema alterando exame de PSA
 
Há alguns anos, a finasterida foi lançada como substância que inibiria o processo de crescimento da próstata (hiperplasia benigna da próstata - HBP). É bom lembrar que a HBP ocorre ao longo do envelhecimento do homem, sendo que na faixa etária de 80 a 90 anos, 90% dos homens têm o problema, mas somente 40% apresentam algum tipo de dificuldade para urinar devido a isto, vindo a necessitar de algum tipo de tratamento para aliviar os problemas miccionais.
 
A finasterida age inibindo uma enzima, a 5-a-redutase, que transforma a testosterona em di hidrotestosterona, esta última envolvida no processo de estímulo do aparecimento da hiperplasia prostática benigna. Como a finasterida inibe apenas o sub tipo 2 desta enzima, sua ação não era considerada tão boa quanto se esperava. Nesse cenário, uma outra medicação foi desenvolvida, a dutasterida, que tem como vantagem atuar inibindo as duas iso enzimas, tipo 1 e tipo 2. Nesse cenário, a finasterida passou a ser indicada como medicamento para o tratamento da calvície, já que o excesso de di-hidrotestosterona pode ocasionar o problema.
 
Durante o processo de observação do efeito dessas medicações em um grande número de pacientes, pensou-se na possibilidade delas, e principalmente da dutasterida, serem eficazes na prevenção do câncer de próstata. O estudo que avaliou o aspecto específico da prevenção do câncer de próstata com essa medicação teve o nome de REDUCE.
 
Inicialmente o laboratório divulgou que a dutasterida poderia ser usada para a prevenção do câncer de próstata - isso em 2010. Porém logo após, devido às fracas evidências nesse sentido, o Food and Drug Administration determinou que na bula dessa medicação fosse incluída a informação de que a dutasterida não estaria indicada para a prevenção do câncer de próstata.
 
Atualmente o próprio laboratório reconhece este fato, e inclusive estabeleceu diretrizes para acompanhamento de homens que usam regularmente a medicação para tratamento de hiperplasia prostática benigna, pois como a dutasterida provoca a diminuição dos níveis sanguíneos do PSA (que é um marcador para diagnóstico precoce do câncer de próstata), a análise da dosagem deste marcador para rastreamento e diagnóstico precoce do câncer deve ser interpretada de forma diferente daquela que normalmente se usa em homens que não tomam a medicação.
 
Os estudos realizados com os inibidores da 5-a-redutase, tanto finasterida quanto duasterisa, mostraram que este grupo de fármacos não é eficaz para a prevenção do câncer de próstata. Por outro lado, a diminuição do PSA nos homens que fazem uso deste tipo de medicação pode camuflar o aparecimento deste câncer. Portanto, a interpretação dos níveis de PSA nos pacientes que usam finasterida ou dutasterida deve ser feita com especial atenção pelo urologista, seguindo critérios diferentes aos aplicados naqueles que não usam este tipo de remédio.
 
Em relação aos riscos do uso desses remédios, é bom lembrar que qualquer medicação pode ter efeitos colaterais e riscos, de maior ou menor gravidade, e que seu uso deve ser feito única e exclusivamente com a orientação e o acompanhamento de um médico.
 
Minha Vida

Médicos reduzem ainda mais o limite aceitável de colesterol ruim no sangue

O maior impacto das mudanças será para as mulheres. Uma nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia baixa de 100 para 70 o nível ideal de colesterol LDL em pacientes de alto risco
 
Os índices de tolerância do chamado colesterol ruim, um dos vilões da saúde, vão ficar mais rígidos para os brasileiros. E o maior impacto das mudanças será para as mulheres.
 
Cristina contra o colesterol: uma batalha que já dura 20 anos. “Basta eu relaxar um pouquinho que ele dispara”, diz uma mulher.
 
A partir de agora, ela tem de se concentrar ainda mais. Uma nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia baixa de 100 para 70 o nível ideal de colesterol LDL em pacientes de alto risco.
 
O LDL, conhecido como colesterol ruim, se acumula e forma placas de gorduras nas paredes das artérias de todo o corpo. Quando as placas se rompem, formam coágulos que podem entupir as artérias. Quando isso acontece no coração, ocorre o chamado infarto do miocárdio.
 
Ela sabe que está mais do que na hora de cuidar desse assunto. Seguindo a orientação do médico, ela mudou o estilo de vida. Com caminhadas, dieta e tomando remédio. Hoje em dia, os fatores de risco são cada vez mais comuns na população feminina. Por isso, a mudança na diretriz é ainda mais rigorosa para as mulheres.
 
Os homens só são considerados pacientes de risco quando têm mais de 20% de possibilidade de infarto nos próximos 10 anos. A partir de agora, as mulheres com mais de 10% na tabela já são consideradas de alto risco.
 
“Para você ter uma ideia, há 25 anos, de cada quatro infartos para homem , era um pra mulher. Hoje, nas grandes cidades, nós temos praticamente proporção de um pra um”, explica Hermes Xavier, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
 
Mas os cardiologistas alertam: a nova meta não deve ser atingida simplesmente com maior consumo de remédios. “Sempre medidas de mudanças de hábito de vida vão ter grande impacto na redução do colesterol dessas pessoas. Até porque o medicamento sozinho não faz milagre”, destaca Cynthia Magalhães, do Instituto Nacional de Cardiologia.
 
Os principais fatores que aumentam o risco de doenças coronárias são o cigarro, a obesidade, a diabetes, o histórico familiar e a vida sedentária. Por isso, a importância dos exercícios é ainda maior.

Jornal Nacional - TV / Online

Farmacêuticos podem prescrever remédios, atesta resolução federal

A classe farmacêutica alcançou recentemente duas grandes conquistas no sentido de valorizar ainda mais a atividade profissional na assistência à saúde da população, com a aprovação do Plenário do Conselho Federal de Farmácia (CFF) da proposta de resolução que dispõe sobre a prescrição farmacêutica e a alteração da Lei 5.991/1993, que determina a obrigatoriedade da permanência do farmacêutico responsável técnico nos estabelecimentos do setor.
 
O Estado do Maranhão

A formação médica e os hospitais universitários

Em 1910 Abraham Flexner publicou o seu famoso relatório analisando e tornando público o estado caótico das escolas de medicina então existentes nos Estados Unidos. Em decorrência, um grande número de escolas foi fechada devido ao clamor do público, temeroso da ação eventualmente perversa de profissionais tão mal formados.

Influenciado pela universidade alemã, Flexner propunha a criação de hospitais universitários, com professores em tempo integral e dedicados essencialmente ao ensino e à pesquisa.

Dizia que um professor deveria atender apenas a um pequeno número de pacientes, necessários para realizar as suas atividades de docência e pesquisa médica. Celebrava-se aí o conceito do hospital universitário fechado e o conceito do "teacher-researcher", em vez do "teacher-practitioner".

A Universidade de Johns Hopkins foi criada seguindo esses ditames e influenciou a criação de novas escolas nos EUA e, sobretudo, na América Latina.

Não se deve pensar na tecnologia mais moderna e sim na mais apropriada à situação do serviço de saúde

Estudos posteriores de Kerr White mostravam o problema de se desenvolver o ensino médico em hospitais universitários, de regra, atendendo a uma parcela de pacientes com doenças mais raras e que requeriam o uso de exames complementares por vezes muito sofisticados. Esses estudos foram corroborados na Colômbia, mostrando o problema da adoção do Hospital Universitário como o local principal da formação geral de médicos.

Quando em 1966 criamos a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, além de adotar um ensino pré-clínico integrando ciências básicas, clínicas e sociais em módulos de sistemas orgânicos, dando desde logo ao aluno uma visão do homem em relação ao seu meio físico, biológico e social, adotamos um hospital comunitário - Unidade Integrada de Saúde de Sobradinho - UISS - para abrigar o ciclo clínico do curso médico.

Aceitando a responsabilidade integral na cobertura dos serviços visando atender às demandas e necessidades da população da cidade satélite de Sobradinho, os alunos iniciavam o seu ciclo clínico estudando a comunidade e sua população e avaliando os problemas que deveriam encontrar em relação à sua saúde. Habitação, saneamento, alimentação (propunha-se hortas nas quadras), educação e condição econômica eram estudadas e discutidas (obteve-se, por exemplo, a ligação de casas provisórias à rede de esgotos que era inoperante).

O curso oferecido era igualmente integrado, comportando módulos de medicina comunitária, medicina integral do adulto, medicina integral da criança, saúde materno-infantil.

O aluno era envolvido, sob supervisão, em todas as atividades da UISS e Unidades de Saúde Periféricas, de atenção domiciliar, ao ambulatório, enfermarias e emergência, sempre apoiados por um corpo docente trabalhando em tempo integral e dedicação exclusiva. Desenvolvia-se o aprendizado em serviço (a teoria emergia da prática), em regime de "clerkship", ou seja o internato era ao longo do curso clínico. Os alunos não tinham férias longas e sim escalas de serviço e aprendiam e atingiam os objetivos cognitivos, afetivos e psico-motores definidos para cada módulo com ritmos diferentes, de acordo com sua aptidão, conhecimentos prévios e motivação.

Discutiam-se os problemas da comunidade, propondo-se soluções a todo o tempo, sempre com a participação ativa de alunos, professores, técnicos, funcionários e da própria população.

Na formatura, o orador do primeira turma de alunos dizia: "Nessa escola não tivemos obstáculos a transpor. Nosso estudo não foi a prova da memória, mas o aprendizado do entender. Nossos mestres estiveram a nosso lado sem a distância do título e o vazio da cadeira. Não fizemos um curso: vivemos ciência, criamos um método, tornamo-nos médicos".

Infelizmente os tempos difíceis que macularam nossa história nos impediu de continuar esse projeto tão auspicioso.

No momento em que se pensa em ampliar o ensino médico no país, continua-se pensando em criar novos hospitais universitários (muitos dos que existem não são sequer integrados à rede de serviços de sua região) preservando uma formação fora da realidade e das necessidades comuns de uma população. Cultivamos o diagnosticar difícil, auxiliado por uma série de exames complementares de laboratório e de imagens, protegido por médicos especialistas e por procedimentos sofisticados, por vezes. Não se deve pensar na tecnologia mais moderna e sim na mais apropriada à situação do serviço de saúde.

As pessoas são avaliadas ao longo de sua vida, por tudo e por todos, pais, filhos, companheiros, amigos, chefes, e moldam sua vida para se ajustar a essas avaliações. Ninguém quer perder amor e reconhecimento. E as universidades não avaliam os seus docentes por todas as suas atividades. Importa, sobretudo, a sua atividade de pesquisa, sobretudo para se conformar com avaliação de órgãos como a Capes/MEC, instituição de grandes méritos, mas que certamente introduz um efeito perverso que é avaliar só uma faceta do trabalho docente, esquecendo de sua atividade como professor e no serviço de saúde.

Quando quis instituir cursos de autoinstrução em ciências básicas no Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde - Nutes/ UFRJ, ouvia repetidamente frases como "vou lhe dedicar um mês de meu tempo fora do laboratório para desenvolver materiais instrucionais, ou criar questões de avaliação formativa, porque a universidade só reconhece o que pesquiso e publico".

Se quisermos formar médicos com uma formação básica integral, temos que sair do hospital universitário e caminhar para hospitais comunitários e unidades de atenção básica, sempre aceitando a responsabilidade social de prestar serviços visando atender às demandas e necessidades da população de um território definido e sempre contando com a participação plena (como membro da equipe de saúde) dos alunos.

Carlos Chagas dizia em 1918 que na escola médica devia-se "aprender fazendo e ensinar praticando". E assim deve ser. Hospital Universitário deverá ser considerado como hospital de referência, integrado a uma rede de serviços e reservado à formação especializada e pós-graduada dos profissionais de saúde.

Luiz Carlos Lobo, consultor da UNA-SUS/Fiocruz, é professor aposentado da UFRJ e foi o fundador do curso médico da UNB, em 1966.
 
Valor Econômico

Saúde confirma caso de elefantíase

Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou a doença em julho,
mas manteve o caso em sigilo
A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá confirmou que uma haitiana de 30 anos é portadora de filariose, doença infecciosa também conhecida por elefantíase. A paciente, que já apresenta inchaço nos membros, chegou em Cuiabá há oito meses e passa por tratamento.

Informações dadas ao DIÁRIO apontam que outros dois casos, também em haitianas, foram identificados. Porém, os órgãos da saúde pública alegaram desconhecê-los.

De acordo com a SMS, por se tratar de uma doença transmissível e sem registros de notificações no Estado, 45 pessoas que conviveram com a haitiana estão passando por investigação laboratorial. Haitianos e brasileiros, que entraram em contato com a doente no período que ela esteve abrigada na Casa do Migrante, tiveram amostras de sangue coletadas e enviadas para um laboratório em Minas Gerais.

A filariose ou elefantíase não é transmitida entre seres humanos. O transmissor é o mosquito conhecido popularmente como pernilongo, comum no país e que tem outras denominações como aedes, palha, tatuquira, asa branca, cangalinha.

O inseto pica a pessoa infectada e hospeda o verme causador da doença, podendo contaminar a próxima pessoa que picar. A infecção atinge o sistema linfático, bloqueando os vasos e fazendo com que as pessoas acometidas passem a apresentar sinais deformidade nos membros.

Se descoberta na fase inicial, a maioria não chega a desenvolver a elefantíase, forma mais grave da doença, caracterizada pelo inchaço e ferida de membros como pernas. Nos homens, também pode causar deformações nos testículos.

Em ambos, mulher e homem, chegam a causar incapacidade definitiva para o trabalho e outras atividades cotidianas. Também provoca febre, dor de cabeça e mal-estar. No caso específico da haitiana, o diagnóstico aconteceu quando ela já apresentava inchaços, mas ela está em tratamento, não com internação, mas assistida pelo Hospital Universitário Júlio Muller(HGU).

A assessoria da SMS informou que o caso da haitiana foi diagnosticado em julho, mas a secretaria, HUJM e técnicos decidiram que o manteria em sigilo como forma de evitar que os haitianos fossem vítimas de preconceito ou até que deixasse de buscar assistência médica-hospital por medo de serem hostilizados.

De acordo com a OMS, há no mundo cerca de 120 milhões de pessoas infectadas e 40 milhões que desenvolveram elefantíase. A Índia e o continente africano registram o maior número de casos. No Brasil, existem cerca de 49 mil. As cidades de Recife, Belém e Manaus contabilizavam mais casos. 
 
Diário de Cuiabá