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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Teste do pezinho detectará duas novas doenças

Fundamental na detecção precoce de doenças congênitas, permitindo o tratamento de início e evitando sequelas, a Triagem Neonatal ou Teste do Pezinho detectará duas novas doenças a partir de novembro em todo Estado de São Paulo.

Atualmente, o Teste do Pezinho oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) identifica quatro doenças: hipotireoidismo congênito, anemia falciforme, fibrose cística e fenilcetonúria, uma doença caracterizada pela falta de uma enzima. Com o avanço, serão realizados novos exames que permitem o diagnóstico de outras duas doenças graves: a deficiência de biotinidase e hiperplasia adrenal congênita.

Para que tais doenças sejam detectadas de forma precoce e permita o tratamento antes da apresentação dos primeiros sintomas, as amostras de sangue por punção do calcanhar da criança devem ser colhidas na primeira semana de vida ? após 48 horas do nascimento.

Teste rápido

O teste leva menos que cinco minutos e consiste no preenchimento de três círculos de um papel especial com amostras de sangue do calcanhar do bebê para análise laboratorial. Apesar da aparente simplicidade, o exame requer cuidados na coleta, conservação e envio para que o resultado não seja alterado. O preenchimento da ficha também deve ser exato em todos os campos, de forma legível.

Quando não detectada precocemente, a fenilcetonúria provoca atraso, comprometimento mental e convulsões, entre outros problemas. Já o hipotireodismo congênito pode levar a dificuldades respiratórias, icterícia prolongada e anemia, comprometendo crescimento e desenvolvimento intelectual.

A enfermeira Gabriella Ribeiro Almeida, do Laboratório da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Paulo, afirma que a perspectiva de desenvolvimento da criança depende da agilidade no tratamento ? ou seja, quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o resultado do tratamento. ?A criança pode não apresentar sequelas graças ao profissional que fez a coleta e o preenchimento da ficha de forma correta e no tempo certo.?

Mais informações podem ser obtidas no site www.apaesp.org.br.
 
A Tribuna - Baixada Santista

Vereador de Fortaleza quer proibir letra garrancho em receita médica

O vereador de Fortaleza Joaquim Rocha (PV) apresentou na Câmara Municipal de Fortaleza um projeto de lei para evitar letra de médico ilegível em receitas médicas.
 
De acordo com o projeto, as receitas devem ser feitas em computador, com fonte arial, tamanho 12. Segundo o vereador, o objetivo da proposta é facilitar o entendimento do paciente e farmacêutico na hora de ler a prescrição médica no momento de obter os medicamentos.
 
O parlamentar diz em sua justificativa que o entendimento da caligrafia do médico é, muitas vezes, uma "tarefa árdua" para farmacêuticos e pacientes na hora da compra ou aquisição de remédios. "A legibilidade das receitas é um direito do cidadão. Os 'garranchos' dos médicos ainda são motivos de dor de cabeça entre farmacêuticos e pacientes", explica Joaquim Rocha.
 
Segundo o documento, fica vedado ao médico receitar ou atestar, de forma secreta ou ilegível, quaisquer documentos médicos em posto de saúde no Município. Caso o médico não cumpra as regras, a proposta prevê que ele pode ser denunciado ao Conselho Regional de Medicina (CRM), e poderá sofrer algum tipo de penalidade, como advertência, censura e até a cassação do registro.
 
G1

Farmacêuticos apresentam dúvidas sobre a prescrição de medicamentos

Imagem ilustrativa
No mês de agosto, foi aprovada uma resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que permite que alguns medicamentos sejam prescritos diretamente pelo farmacêutico. A medida pode garantir mais agilidade nos atendimentos de prescrição de medicamentos, cuja dispensação exija prescrição médica e que esteja condicionada à existência de diagnóstico prévio.
 
A classe ainda não está prescrevendo, já que a resolução ainda não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). Segundo os farmacêuticos existem muitas dúvidas sobre o assunto. O texto aprovado pontua que o farmacêutico realize a prescrição de medicamentos e produtos com finalidade terapêutica que não exijam prescrição médica.
 
"Ainda não foi definido com clareza quais as classes de medicamentos poderão ser prescritas. Os remédios controlados, aqueles utilizados para tratamento cardíaco, entre outras doenças precisam de diagnóstico apurado para ser prescrito. Com base nisso, acredito que apenas os medicamentos mais básicos serão comercializados no balcão sem receita médica", explica a farmacêutica, Veridiana Lazarin.
 
Segundo a profissional a resolução irá exigir mais responsabilidade dos farmacêuticos. "Caberá ao profissional usar da ética e dos conhecimentos práticos para prescrever os medicamentos previstos. Ou seja, por mais que o profissional irá recomendar um paracetamol, por exemplo, precisa realizar uma anamnese cuidadosa. Vale lembrar que somente o farmacêutico poderá prescrever, a resolução não serve para balconista ou proprietário de estabelecimento", salienta.

Benefício
Para a farmacêutica a medida irá facilitar nos casos mais simples. "Às vezes o paciente tem uma dor de dente, por exemplo, ou outros problemas de saúde que são fáceis de diagnosticar, mas que para medicar é preciso enfrentar uma fila na Unidade Básica de Saúde ou no consultório. Se o farmacêutico puder prescrever irá facilitar para o paciente", pontua.
 
Jornal do Oeste - Toledo

Medicamentos vencidos de hospital particular de Esperantina são encontrados às margens de rodovia

Lixo foi descartado às margens da PI-213(Imagem:Revista AZ)
Imagem: Revista AZ
"O que me garante que esse lixo não foi transportado por pessoas de má índole para prejudicar nossa Clínica?", disse o coordenador do hospital.  
 
Moradores do município de Esperantina encontraram uma grande quantidade de medicamentos jogados às margens da PI 213 a cerca de 6 km da cidade.

A maioria dos medicamentos é de uso pediátrico adulto e de uso ginecológico e todos estão com a data de validade vencida.

Entre os medicamentos descartados foi encontrado uma folha de evolução de prescrição médica no nome do Hospital das Clínicas de Esperantina.
 
Medicamentos encontrados estão vencidos(Imagem:Revista AZ)
Imagem: Revista AZ
Segundo o Coordenador da Vigilância Sanitária do município, Carlitos Barros, todo lixo hospitalar das clínicas particulares devem ser encaminhadas pela próprias clínicas ao setor de Vigilância Sanitária do município. Carlitos disse ainda não ter conhecimento desse descarte de medicamentos às margens da estrada.
 
Medicamentos de uso adulto e infantil também foram encontrados(Imagem:Revista AZ)
Imagem: Revista AZ
Medicamentos de uso adulto e infantil também foram encontrados    
Carlitos Barros Carlitos Barros explicou que para que a vigilância sanitária recolha o lixo hospitalar, é necessário que o hospital, posto de saúde, ou qualquer clínica conveniada com a prefeitura, comunique com antecedência à Vigilância Sanitária para que se desloque ao local e recolha o lixo que deve ser depositado em um local especial no "Lixão Controlado", que fica situado na localidade Furna da Onça, a cerca de 4 km da sede do município. 
 
Folha de prescrição médica do Hospital das Clínicas de Esperantina(Imagem:Revista AZ)
Imagem: Revista AZ
Folha de prescrição médica do Hospital das Clínicas de Esperantina
 
"Se uma clínica não tiver convênio com a prefeitura, que é o caso da clínica citada na matéria, é de obrigação dela enviar para a vigilância sanitária, o lixo ou medicamentos vencidos, aonde é feito um laudo constatando a entrega e o recebimento do lixo e neste caso, não temos esse laudo, ou seja, não fomos informados e não temos conhecimento desse descarte de lixo na estrada", explicou o coordenador.

O coordenador do Hospital das Clínicas de Esperantina, Carlos Afonso, disse também desconhecer esse descarte de medicamentos vencidos. "O que me garante que esse lixo não foi transportado por pessoas de má índole só para prejudicar nossa Clínica? Até porque o atual local que também é chamado de lixão não tem segurança e qualquer pessoa pode entrar e sair. Há muito tempo que não temos internação e nem farmácia e só estamos funcionando com a parte ambulatória. Quando entregamos o lixo, não recebemos nenhum laudo", relatou.

GP1

Erro médico ou jornalístico?

Já discuti neste Observatório o que chamo de "agenda antimédicos" na imprensa, algo que, diga-se, ficou bastante evidente no imbróglio do programa federal "Mais Médicos". À época dei alguns exemplos de erros jornalísticos grosseiros e escolhas editoriais que não poderiam ser creditadas apenas à leviandade. Minha tese é de que são coisas deliberadas e servem a uma agenda de poder.
 
Por Flávio Paranhos em 17/09/2013 na edição 764
 
Citei, por exemplo, o caso de uma matéria que deu grande destaque de primeira página, numa edição de domingo, à denúncia de que médicos não estavam cumprindo a carga horária num hospital público de Goiânia, para, dois dias depois, escondido no meio do jornal, informar que na verdade todos os profissionais da saúde faziam o mesmo. Também o de um articulista que criticou o projeto de lei do ato médico, dizendo: "Na mesma linha vai o art. 5º, que proíbe os-não médicos de chefiar serviços médicos ou lecionar disciplinas médicas. Isso numa época em que, na ciência, as fronteiras entre medicina, biologia, química, física etc. são cada vez mais difusas."
 
O viésde interpretação aqui não pode ser creditado a um analfabetismo funcional. "Serviços médicos" não significam "serviços de saúde" e, para não deixar dúvidas, isso é dito no projeto. Ou seja, faz-se aqui o mesmo que se faz no dos enfermeiros, onde está escrito que somente enfermeiros podem chefiar serviços de enfermagem. E, no que diz respeito a "disciplinas médicas" o projeto deixa claro que se refere a disciplinas exclusivamente médicas, por exemplo, as especialidades médicas (oftalmologia etc.). Afinal, assim como um filósofo pode dar aula de Filosofia do Direito, mas não de Direito Penal, também um filósofo pode dar aula de Bioética, mas não de Oftalmologia, por motivos constrangedoramente óbvios.
 
Onde está o "erro médico"?
O que me traz à banalização do termo "médico". Estampada na página principal do UOL do dia 12 de setembro, a seguinte manchete: "Polícia investiga morte de idoso por suposta negligência médica em hospital do Rio". Ao ler a matéria, não fiquei nem um pouco surpreso por notar que, não só não fornece elementos para justificar a manchete, como fornece elementos contrários. Vejamos, por exemplo, o depoimento do filho do paciente: "Minha mãe chegou com sua acompanhante no horário marcado e foi até a UTI. Lá, ficou sabendo que meu pai se encontrava no quarto 619. Quando chegaram ao quarto, localizado no final do corredor e com as portas fechadas, encontraram meu pai sozinho, sem máscara de oxigênio e sem qualquer monitoramento, suspirando e com os olhos fechados. (...) Neste momento, a enfermeira informou que tinha ministrado o remédio prescrito e que era normal que ele estivesse em sono pesado."
 
Mais adiante, a matéria cita uma anotação do prontuário médico (atenção: médico mesmo): "Atentar para alteração clínica, respiratória." E também determinava que "deveria haver controle de 1 em 1 hora ou mais frequente".
 
Não é preciso ser médico para notar que orientação e prescrição foram feitas para os demais membros da equipe de saúde, que podem, ou não, ter sido seguidas, mas, de toda forma, foram feitas. Onde está, pelos dados fornecidos na reportagem, o "erro médico"? Em nenhum lugar. Há várias possibilidades. Pode não ter havido propriamente erro (estenose aórtica em paciente de 85 anos tem prognóstico reservado). Pode ter havido erro da rotina do hospital. Pode ter havido erro da enfermagem, por não monitorar, ou, ao monitorar, cometer erro de julgamento do estado do paciente (portanto um erro de diagnóstico). Pode, claro, ter havido até erro médico mesmo, por exemplo, por dar alta da UTI precocemente, quem sabe.
 
"Café com leite"
Mas a questão é: a matéria não justifica a manchete. E não adianta o jornalista responsável (Gustavo Maia, do UOL) dizer que o termo "médico" está em seu sentido lato, pois os comentários postados no site dão bem o termômetro de como o leitor leigo apreendeu a mensagem: "Os médicos não prestam", "Os médicos são mercantilistas", "Que venham os médicos estrangeiros para salvar o Brasil". Ninguém interpretou como se tratando de um erro de equipe.
 
O que, por sua vez, me traz ao paradoxo esquizofrênico do cuidado em saúde. A tendência nos discursos oficiais de hoje é dar valor à equipe multiprofissional. O que, diga-se, está certíssimo. Não faz sentido desconsiderar o papel de toda a equipe, nas várias profissões da saúde, com um objetivo comum: o melhor para o paciente. Mas essa consideração tem de ser em todos os campos, inclusive o da responsabilidade. Não é produtivo, nem justo, que haja uma valorização de todos quando o assunto é cuidar, e uma valorização exclusiva da responsabilidade do médico, quando algo dá errado. Não se trata de "limpar a barra" do médico. Mas nem de considerar os demais como "café com leite", como fez o ator Dennis Quaid, ao processar a indústria farmacêutica fabricante de heparina. O médico prescreveu 10 unidades para seus gêmeos, mas o enfermeiro aplicou 10 mil e as crianças quase morreram. A justificativa de Quaid foi que a embalagem era muito parecida e confundia. Tudo bem. Mas e quem aplicou, não tem qualquer tipo de responsabilidade? É café com leite?
 
* Flávio Paranhos é médico e research fellow (Harvard) em Oftalmologia, mestre (UFG) e visiting fellow (Tufts) em Filosofia, doutorando (UnB) em Bioética e professor do Departamento de Medicina da PUC Goiás
 
Observatório da Imprensa