Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Projeto de Recuperação transforma produtos sanguíneos não utilizados de doações de sangue canadenses em medicamento para hemofilia nos países em desenvolvimento

MONTREAL, 26 de setembro de 2013 /PRNewswire/ -- Algo aclamado por acontecer pela primeira vez no mundo, proteínas preciosas que sobraram da fabricação de produtos de plasma de doadores de sangue canadenses estão sendo transformadas em tratamentos que salvam vidas e membros de milhares de pessoas que vivem com hemofilia em países em desenvolvimento.
 
Doença hemorrágica hereditária vitalícia, a hemofilia, afeta cerca de 1 em cada 10.000 pessoas em todo o mundo. Quase setenta e cinco por cento delas recebem pouco ou nenhum tratamento. A hemofilia é uma de uma série de tais distúrbios que impedem a coagulação sanguínea adequada. Pessoas com hemofilia experimentam hemorragia interna prolongada, que pode resultar de uma lesão aparentemente menor. A hemorragia nas articulações e nos músculos causa dor severa e incapacidade, enquanto o sangramento nos principais órgãos, como o cérebro, pode causar a morte. A hemofilia A (falta do fator VIII) é tratada com o fator VIII, uma proteína necessária para a coagulação do sangue.
 
A Federação Mundial de Hemofilia (FMH), em parceria com a Canadian Blood Services (CBS) e duas fabricantes de produtos de plasma, BIOTEST AG e GRIFOLS, vai anunciar oficialmente o lançamento do Projeto de Recuperação durante o Fórum Global da FMH sobre segurança e distribuição de produtos de tratamento para distúrbios hemorrágicos em Montreal, Canadá, em 26 de setembro. Este projeto de ajuda humanitária, o primeiro concebido pela Sociedade Canadense de Hemofilia (CHS), torna-se agora uma realidade depois de doze anos de esforços.
 
O Projeto de Recuperação irá transformar crioprecipitado anteriormente rejeitado de doadores de sangue canadenses em concentrado de fator VIII da BIOTEST, chamado de Haemoctin®, para o tratamento de pessoas com hemofilia. Ele será canalizado através do Programa de Ajuda Humanitária da FMH, que se concentra em abastecer os pacientes dos países em desenvolvimento que têm pouco ou nenhum acesso a estes medicamentos que salvam vidas e membros e, caso contrário, correriam o risco de morte ou de grave incapacidade.
 
"O Projeto de Recuperação tem o potencial de melhorar a vida de milhares de pessoas com hemofilia em todo o mundo", disse Alain Weill, presidente da FMH. "Ele também permite que a FMH planeje cuidadosamente onde e quando esses medicamentos essenciais serão distribuídos, maximizando assim os benefícios deste maravilhoso esforço humanitário."
 
Estima-se que em cada ano do projeto, pelo menos cinco milhões de unidades internacionais de fator VIII serão doadas. Isso permitirá o tratamento anual de cerca de 5.000 hemorragias articulares, o sintoma mais comum da hemofilia em crianças e adultos. Sem esses tratamentos, as pessoas com estas hemorragias teriam que suportar semanas de dor excruciante e, com o passar do tempo, graves danos articulares levando à incapacidade. Além disso, o tratamento precoce ou a prevenção destas hemorragias significa que os cuidadores: pais, cônjuges, irmãos, não terão que faltar ao trabalho ou à escola para cuidar da pessoa imobilizada em casa ou no hospital.
 
Esta é a primeira vez no mundo que essa parceria foi criada para transformar crioprecipitado excedente em fator VIII para fins humanitários. Os contratos para essa cooperação internacional foram assinados em julho de 2013 e as primeiras etapas da produção já começaram. A FMH receberá as primeiras entregas deste fator VIII em 2014.
 
"A CHS estava na origem do Projeto de Recuperação há mais de uma década", disse Craig Upshaw, presidente da Sociedade Canadense de Hemofilia. "Realmente apreciamos como os parceiros foram capazes de passar pelas várias barreiras legais, técnicas, comerciais e regulamentares até obterem sucesso, e espero que outros países sigam o exemplo do Canadá."
 
O fator VIII, uma proteína essencial para a coagulação do sangue, está contido no crioprecipitado, um dos componentes do plasma. Nem todo o crioprecipitado contido no plasma de doadores da Canadian Blood Services é necessário para formar o fator VIII para os pacientes canadenses e, até agora, o excesso era descartado. Com o Projeto de Recuperação, o crioprecipitado será colhido pela GRIFOLS em sua fábrica nos EUA e transportado pela BIOTEST para a Alemanha para a fabricação. Este produto farmacêutico acabado vai ser fabricado e distribuído sob a licença da BIOTEST e com a marca registrada Haemoctin, um produto de fator VIII de elevado grau de pureza e vírus duplamente inativado para o tratamento de hemofilia A. Uma parte será comercializada pela BIOTEST e o restante destinado à CBS para doação à FMH. A BIOTEST também apoiará a FMH na distribuição do Haemoctin doado aos países beneficiários. A parceria é neutra em termos de custos para todas as partes.
 
"Somos um parceiro orgulhoso no Projeto de Recuperação", disse Ian Mumford, diretor geral de operações da Canadian Blood Services. "Além de maximizar a generosa doação que recebemos de nossos doadores, a persistência e as relações fortes com as partes interessadas que nos trouxeram até aqui ajudarão milhares de pacientes merecedores."
 
Esta doação de Haemoctin será um marco para a FMH. Este projeto vai permitir à FMH expandir seu programa de ajuda humanitária, como parte de suas atividades abrangentes para conseguir tratamento para todas as pessoas com distúrbios hemorrágicos.
Sobre a hemofilia e outros distúrbios hemorrágicos

Hemofilia, mal de von Willebrand, distúrbios hemorrágicos hereditários e outras deficiências de fatores são distúrbios hemorrágicos vitalícios que impedem que o sangue coagule corretamente. Pessoas com distúrbios hemorrágicos não têm o suficiente de um determinado fator de coagulação, uma proteína no sangue que controla o sangramento, ou então ele não funciona corretamente. A gravidade do distúrbio hemorrágico de uma pessoa geralmente depende da quantidade do fator de coagulação que está faltando ou não funcionando. As pessoas com hemofilia podem experimentar sangramento descontrolado, que pode resultar de uma lesão aparentemente menor. O sangramento em articulações e músculos provoca dor intensa e paralisia, enquanto a hemorragia em órgãos importantes, como o cérebro, pode causar a morte.
 
Sobre a BIOTEST AG
A BIOTEST é especialista em hematologia e imunologia inovadoras com a abordagem integrada de um grupo de produtos farmacêuticos e bioterapêuticos, operando em todo o mundo e desenvolve, produz e comercializa medicamentos para o tratamento de doenças do sangue e imunológicas. O material de partida principal para os produtos farmacêuticos da BIOTEST é o plasma humano, que é transformado em produtos medicinais e utilizado no tratamento de doenças que ameaçam a vida, tais como distúrbios da coagulação (hemofilia), infecções graves ou distúrbios do sistema imunológico. Visite a BIOTEST on-line em biotest.com.
 
Sobre a Canadian Blood Services
A Canadian Blood Services é uma organização nacional sem fins lucrativos e beneficente que administra o fornecimento de sangue e hemoderivados em todas as províncias e territórios fora de Quebec. A Canadian Blood Services também supervisiona a OneMatch Stem Cell e a Marrow Network, e fornece a liderança nacional para a doação de órgãos e tecidos e transplantes. A Canadian Blood Services opera 42 postos de coleta permanentes e mais de 20 mil postos de doadores anualmente. Os Ministérios provinciais e territoriais da Saúde financiam as operações para a Canadian Blood Services. O governo federal, através da Health Canada, é responsável pela regulação do sistema de sangue.
 
Sobre a Sociedade Canadense de Hemofilia
Fundada em 1953, a Sociedade Canadense de Hemofilia (CHS) é uma instituição voluntária de caridade nacional de saúde. Sua missão é melhorar a saúde e a qualidade de vida de todas as pessoas com distúrbios hemorrágicos hereditários e, por fim, encontrar uma cura. Sua visão é a de um mundo livre da dor e do sofrimento de distúrbios hemorrágicos hereditários. A CHS é membro fundador da Federação Mundial de Hemofilia. Visite a CHS on-line em www.hemophilia.ca.
 
Sobre a GRIFOLS
A GRIFOLS melhora a vida das pessoas com produtos hospitalares de alta qualidade e serviços inovadores. As terapias derivadas de plasma têm registros notáveis de eficácia e segurança e a GRIFOLS também é fabricante líder mundial de dispositivos médicos, analisadores e reagentes utilizados por bancos de sangue, centros de transfusão e laboratórios clínicos. A GRIFOLS é uma das duas fracionadoras personalizadas de plasma para a Canadian Blood Services.
 
Sobre a Federação Mundial de Hemofilia
Há 50 anos a Federação Mundial de Hemofilia (FMH), uma organização internacional, sem fins lucrativos, vem trabalhando para melhorar a vida de pessoas com hemofilia e outras desordens hemorrágicas hereditárias. Fundada em 1963, é uma rede mundial de organizações de pacientes de 122 países e tem reconhecimento oficial da Organização Mundial de Saúde. Visite a FMH online em www.wfh.org.
 
Para mais informações:
Federação Mundial de Hemofilia

Sarah Ford

+1 514 266-7764

sford@wfh.org

www.wfh.org
 
Sociedade Canadense de Hemofilia

Chantal Raymond

+1 514 848-0503 #226

craymond@hemophilia.ca

www.hemophilia.ca
 
FONTE  World Federation of Hemophilia
 
FONTE World Federation of Hemophilia

DCI

Pílula anticoncepcional pode aumentar risco de trombose, mas protege mulher contra o câncer

Pílulas anticoncepcionais são um dos métodos contraceptivos que evitam a gravidez não planejada. No entanto é preciso ter cuidado, pois ela aumenta o risco de trombose além de não ser recomendada para mulheres com problemas de circulação.
 
O ginecologista e obstetra José Bento, dos hospitais Albert Einstein e Maternidade São Luiz, explica essas e outras dúvidas sobre o remédio.
 
Qualquer pessoa pode tomar pílula anticoncepcional?
Não. A mulher, antes de tomar pílula, precisa passar por uma consulta com o ginecologista para saber se ela pode ou não tomar o medicamento. Existem algumas contraindicações que só um médico pode avaliar.
 
Como é feita a escolha do melhor contraceptivo para a mulher?
A mulher sempre deve escolher o contraceptivo junto com seu médico. Somente um profissional pode indicar uma pílula que tenha menos efeitos colaterais, com menor taxa de hormônios e que seja mais adequada para aquela paciente específica.

Por exemplo, para uma paciente que tenha a pele oleosa, o médico vai escolher uma pílula que vai ajudar a melhorar a pele; para aquela que tenha fluxo muito aumentado, ele vai indicar uma pílula que vá diminuir o fluxo; e assim por diante.
 
Pessoas que sofrem com problemas de circulação podem utilizar a pílula?
As pílulas anticoncepcionais não são recomendadas para pessoas com problemas de circulação. No entanto, é necessário que a mulher converse com um ginecologista para avaliar o caso. Normalmente, os médicos recomendam as pílulas de baixa dosagem, que contêm menos hormônios e têm menos efeitos sobre a circulação.
 
Existe alguma pílula no mercado que ofereça maior risco para a saúde, como aumentar as chances de desenvolver trombose ou outras doenças?
Não. Todas as pílulas, independente do fabricante, podem aumentar o risco de trombose, dependendo do perfil da mulher, ou seja, se ela é obesa, tem histórico familiar ou é fumante. Vale lembrar que também existe risco de trombose para quem engravida ou anda de avião por longos períodos. Portanto, somente um médico pode indicar qual a melhor pílula ou método anticoncepcional que cada mulher deve utilizar.
 
Tomar anticoncepcional por muito tempo pode causar infertilidade?
Não, pelo contrário. A pílula anticoncepcional preserva a fertilidade da mulher e diminui os riscos de desenvolver endometriose, cisto no ovário e o aparecimento de mioma e pólipo uterino.
 
Existem evidências de que o uso contínuo da pílula pode causar câncer? Existe algum malefício no uso contínuo de contraceptivo, como maior incidência de tumores de mama, infecções uterinas, miomas etc.?
Não, não existe nenhuma evidência até hoje de que a pílula cause qualquer tipo de câncer. O que existe é uma evidência muito bem estabelecida de que a pílula protege a mulher contra o câncer do ovário e câncer de endométrio. Ao tomar a pílula, a mulher fica protegida também contra o aparecimento de miomas, endometriose, pólipos, cistos no ovário, alguns tipos de infecção e alterações benignas das mamas.
 
A pílula pode interromper o crescimento de pelos pelo corpo e rosto?
Pode. Existem algumas pílulas que têm este efeito: diminuem a quantidade de pelos, principalmente aqueles anormais, que crescem em locais em que a mulher não está acostumada, como na face, abdômen etc. Não são todas as pílulas que têm este efeito, mas algumas foram desenvolvidas para este fim. Inclusive, existem pílulas que melhoram também a acne e a oleosidade da pele.
 
Existe algum horário ideal para tomar o anticoncepcional?
Existe, à noite. É a melhor hora para tomar, é mais difícil de esquecer e, quando absorver aquele conteúdo hormonal pelo estômago, a mulher estará dormindo e, portanto, terá menos chances de efeito colateral.
 
Pílulas anticoncepcionais podem causar dependência?
Não, não causam dependência. Se a mulher se sente mal quando interrompe o uso da pílula é devido à queda hormonal. Quando ela faz a pausa de 4 ou 7 dias, há uma queda hormonal e esse mal estar é devido a essa queda. Isso não é dependência, mas ela pode conversar com o seu médico para saber quais os métodos contraceptivos mais indicados para o seu caso.
 
R7

O contrato de seu plano é regulamentado?

A regulamentação foi o foco da coluna de saúde desta quinta-feira do jornal Correio Braziliense
 
O contrato de seu plano é regulamentado?
 Muitas pessoas mantêm uma relação de longa data com seu plano de saúde e, por meio dele, com aquele médico ou dentista que cuida de toda a família, com a clínica a caminho do trabalho, o laboratório de confiança. Mas é preciso estar atento à atualização do contrato.
 
Cerca de 11%dos beneficiários ainda possuem os chamados planos antigos, adquiridos antes de janeiro de 1999, portanto, não regulamentados pela legislação que rege o setor da saúde suplementar, a Lei nº 9.656/98.
 
Mais cobertura
Mais que organizar todas as relações entre operadoras, governo e beneficiários, a Lei nº 9.656/98 traz uma conquista importante para o consumidor, a garantia de uma cobertura mais completa, incluindo itens que um dia foram opcionais, como cirurgias de alta complexidade, quimioterapia, diálise e até transplantes de rim e tratamento para Aids. Por isso, é importante que se faça a migração ou adaptação do contrato antigo para o regulamentado.
 
Como migrar
Para atualizar seu contrato por meio da migração, o beneficiário precisa ter plano individual ou familiar ou coletivo por adesão contratado antes de 1/1/1999 e não adaptado à Lei nº 9.656/98. Ao decidir migrar, é preciso que o beneficiário opte por um plano regulamentado compatível com seu plano de origem. É importante consultar o guia informativo que a ANS disponibiliza em seu portal na internet, devendo ter em mãos o número de registro de seu plano antigo e o número de registro da operadora junto à ANS (http://portabilidade.ans.gov.br/guiadeplanos/home.xhtml).

Tem carência?
Se o beneficiário migrar para um plano compatível e a faixa de preço for igual ou menor que a do plano de origem, ele não precisa cumprir novas carências. Caso o consumidor se decida por um plano diferente, precisará cumprir as carências. As operadoras e a ANS estão prontas para explicar este procedimento.
 
Migração x adaptação
Na migração, firma-se um novo contrato. Já na adaptação, o contrato antigo é complementado por um termo aditivo contemplando as normas da lei de 1998. Não ocorrem reduções nas coberturas já oferecidas nos contratos anteriores, mesmo que não obrigatórias por lei. Para a maioria dos contratos, a adaptação mantém as coberturas já existentes e acrescenta as regulamentadas. Como as operadoras passarão a oferecer mais serviços, as mensalidades poderão sofrer um ajuste, previsto em norma, de até 20,59%.
 
Conteúdo de responsabilidade da Federação Nacional da Saúde Suplementar www.planodesaudeoquesaber.com.br
 
Viver Seguro

Médicos adoecem sob pressão do trabalho

No último domingo,  uma médica do Hospital Geral de Vila Penteado, na Zona Norte de São Paulo, protagonizou uma cena de total descontrole emocional durante o atendimento a uma paciente de apenas quatro anos de idade.
 
O pai da criança, o limpador de vidros Edinei Brandão de Sousa, de 36 anos, filmou toda a ação, que logo foi colocada no YouTube, gerando revolta entre os internautas.

 

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo, Cid Carvalhaes, a cena aparentemente foi um “surto psicótico” da profissional.
 
Estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP indicou que mais da metade dos pediatras participantes da pesquisa apresentou síndrome de Burnout, uma condição de sofrimento psíquico ocupacional que resulta em estresse, cansaço excessivo, desânimo para realizar tarefas, sensação de que o que faz não tem propósito e frustração com o trabalho que tem de desempenhar. A  síndrome pode causar deterioração da relação médico-paciente.
 
Para a psiquiatra Alexandrina Meleiro, da Associação Brasileira de Psiquiatria, o estresse é a principal causa de morte e doença entre os médicos. “Os índices de enfarte são enormes entre os funcionários da saúde. Doenças associadas ao cortisol, o hormônio do estresse, como o câncer de intestino, acometem mulheres médicas muito mais do que a população feminina geral”, explica.
 
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, somente em agosto deste ano, 14 médicos foram afastados por licença médica, mas os motivos são confidenciais.
 
A carga excessiva de trabalho por falta de profissionais na rede pública e  a pressão podem ter consequências trágicas.
 
Pesquisa divulgada no ano passado pelo  Conselho Regional de Medicina de São Paulo aponta que as principais causas de morte entre médicos no estado entre  2000 e 2009 foram acidentes automobilísticos e suicídio. “A falta de descanso e o estresse são fatores que contribuem para que os médicos morram nestas situações”, diz a psiquiatra Alexandrina.
 
Entrevista com Mayara Francisca dos Santos_ agredida pela pediatra no Hospital Vila Penteado: ‘Eu implorei para ela atender minha filha’
 
Quando o casal Mayara e Edinei saíram de casa, na madrugada de sábado,  para levar a filha Karini, de 4 anos, ao médico não imaginou que além do transtorno para encontrar atendimento, seria agredido pela pediatra, que deveria cuidar da sua  filha. 

DIÁRIO_ Por que vocês levaram a Karini ao hospital?
MAYARA FRANCISCA DOS SANTOS_ Ela estava com dor de garganta e febre. Ela tem convulsão quando está com febre. A gente estava com medo dela convulsionar. Antes de ir lá, já tínhamos ido nos hospitais de Pirituba e de Taipas e não fomos atendidos.
 
Por que a médica foi hostil com vocês?
Ela estava nervosa com outra mãe e entrou gritando na sala onde estávamos. Meu marido pediu para ela parar porque estava assustando a Karini e estava sendo filmada. Então, ela quis pegar o celular.
 
A pediatra já havia atendido sua filha?
Tinha atendido e passado uma injeção de benzetacil. Como ela rasgou a ficha, o remédio não podia ser aplicado.
 
Ela saiu sem ser medicada?
Depois da confusão, eu entrei na sala dela e implorei para que atendesse a minha filha. Ela estava conversando com outro médico. Disse que só medicaria a Karini se meu marido apagasse o vídeo. Depois que eu chorei, o outro médico aceitou atender.
 
Pediatra tem ficha limpa e atua em outros hospitais do interior
A pediatra Miriam Gameiro de Carvalho, de 48 anos, que teve uma crise nervosa durante o atendimento a uma criança de quatro anos no Hospital Geral de Vila Penteado, na Zona Norte, não tem antecedentes criminais no estado de Minas Gerais, onde  residia na cidade de Uberaba. Não há também processos envolvendo o nome da pediatra na cidade de São Paulo.
 
Segundo dados do Ministério da Saúde, a médica atua em outros hospitais do interior do estado: Santa Casa de Franca, Santa Casa de Pedregulho e Hospital São Francisco de Sertãozinho, cidades na região de Ribeirão Preto.
 
A Santa Casa de Franca confirma que Miriam faz parte do quadro de funcionários e fala em  analisar o vídeo antes de tomar uma decisão sobre possíveis punições contra a profissional. O Hospital São Francisco afirma que Miriam não trabalha no local e  vai solicitar uma atualização dos dados ao Ministério da Saúde. O responsável pela Santa Casa de Pedregulho não foi encontrado.
 
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a médica foi afastada das atividades no Hospital Geral de Vila Penteado e uma sindicância foi aberta para apurar as circunstâncias do atendimento, que poderá resultar na exoneração da profissional.  O Conselho Regional de Medicina de São Paulo também abriu uma sindicância  após ter tido conhecimento do fato e acesso às imagens na internet. Caso perca o registro, ela não poderá mais atuar como médica.
 
Queixas sobre conduta médica caem 10%
A Secretaria Municipal de Saúde afirma que, entre janeiro e junho deste ano, foram feitas 2.992 reclamações sobre condutas de profissionais médicos na ouvidoria. No mesmo período,  o órgão recebeu 17.452 queixas, ou seja, 17% das reclamações feitas são contra médicos.
 
Em 2012, no mesmo período, foram 3.622 protestos de  um total de 13.923 reclamações (26%). No caso de má conduta de profissionais do município, a pasta orienta o paciente a procurar o gerente da  unidade. Caso não tenha o resultado esperado, é possível formalizar  a reclamação pelo site www.saude.sp.gov.br.
 
‘Eu trabalho doze horas por dia’
Segundo profissionais ouvidos ontem pelo DIÁRIO, carga horária de mais de dez horas diárias influencia na saúde dos médicos. Para sindicato, pressão sobre a categoria é a causa do problema
 
“Os médicos estão na moda!” Essa foi a única frase dita por uma médica, ontem, na saída do Hospital Municipal do Tatuapé, na Zona Leste, quando questionada pelo DIÁRIO se a profissão vive um quadro de  estresse.
 
Outro profissional,  residente, que preferiu não ter o nome divulgado, aceitou conversar com a reportagem. Ele culpou  as jornadas exaustivas dos médicos para justificar “explosões” como a que aconteceu no  Hospital Geral de Vila Penteado. “Eu trabalho 12 horas por dia, de segunda a sexta. Nas outras profissões, a carga horária é de  oito horas.”
 
A jornada de 60 horas semanais citada pelo residente é desconhecida pelo Simesp (Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo). O presidente, Cid Carvalhaes, afirma que os contratos da Secretaria Municipal de Saúde variam  de 12 a 40 horas semanais. No estado, a jornada pode chegar a 30 horas. “Isso, geralmente, não existe. Se tivermos conhecimento, vamos   denunciar. Se alguém faz isso, faz por conta própria”, afirma. Ele não acredita que a categoria esteja sob efeito de estresse.
 
Para  ele, casos de surto psicótico estão relacionados à pressão sofrida pelos médicos. “O trabalho é de grande complexidade e de muita tensão. Isso intensifica quando a jornada é exaustiva.”
 
Segundo o diretor de defesa profissional da APM (Associação Paulista de Medicina), Marun Davi Cury,  os médicos sofrem pela falta de estrutura nas regiões periféricas. “A população desconta no médico. Se rebela contra eles. O fato (da pediatra) foi excepcional. O mais comum é o médico ser agredido pelos pacientes.”
 
Diário de São Paulo

Medicamentos podem comprometer a saúde do trânsito

Crédito: Abramet
Dirigir sob influência de medicamentos psicoativos pode ser enquadrado
como crime de trânsito, mas a legislação precisa melhorar o detalhamento
 sobre a abordagem e constatação policial
Não há no Brasil estatísticas que demonstrem a quantidade de acidentes de trânsito que são causados pelo uso de medicamentos pelos motoristas.
 
Segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, o Brasil está entre maiores consumidores de remédios do mundo. Mas, além dos malefícios que o uso indiscriminado de medicamentos traz para a saúde, outro aspecto deve ser levado em consideração: um simples analgésico ou um antigripal pode prejudicar o desempenho do motorista na direção segura.

"Todo medicamento altera alguma coisa no organismo. Por isso, deve-se estar atento para o que é alterado mais frequentemente. Nos casos de remédios mais comuns, como analgésicos, antialérgicos e antigripais, se há chance de sonolência, isso deve ser avisado pelos médicos aos pacientes. A partir daí, o paciente deve ficar atento a como seu organismo irá reagir, pois nem sempre será proibido dirigir" explica David de Barros, médico do Instituto de Psiquiatria da USP e consultor do programa Bem Estar, da Rede Globo.

No caso da publicitária Ana Maria Silva,(nome fictício) a falta de aviso do médico foi quase fatal. "Uso há muito anos remédios antidepressivos, mas mudei de medicamento recentemente e não sabia que isso alteraria minha coordenação. Um dia estava dirigindo, me senti fraca, tonta e não lembro de mais nada. Meu carro deu perda total! Hoje, só circulo de ônibus ou táxis pra me deslocar", conta.

"O médico deve sempre alertar sobre as consequências mais prováveis ou mais perigosas de um medicamento que está prescrevendo. Claro que o paciente tem responsabilidade por seu próprio tratamento também, mas isso não exclui o papel do médico nas orientações", destaca Barros.

A situação vivida pela publicitária, infelizmente, não é tão rara. Segundo Dirceu Rodrigues Alves Junior,, médico e  diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o número excessivo de pacientes atendidos pelos médicos diariamente e o tempo reduzido das consultas acaba restringindo a quantidade de informações que são repassadas em uma primeira prescrição. "O médico acaba orientando o paciente somente quanto à posologia do medicamento, como ele deve ser usado e por quanto tempo. Informações como reações adversas ou esperadas e possíveis restrições passam sem ser pontuadas, restando ao paciente buscar a informação na bula mesmo", lamenta Alves Junior.

Ainda que as bulas apresentem todas as informações, Alves Junior alerta para os remédios que não restringem especificamente a direção de veículos ou o uso de outros equipamentos, mas que, mesmo assim, podem alterar a rapidez do raciocínio em tempo de resposta, visão, audição e outros sentidos necessários para condução de um automóvel. "Muitas vezes uma simples dipirona em um organismo sensível a este componente pode causar problemas de concentração e moleza no corpo. É preciso que seja feito um acompanhamento muito próximo do médico e que o próprio paciente analise sua situação antes de pegar um carro e dirigir", complementa.
 
Há cinco anos, a Abramet desenvolveu uma proposta de projeto de lei que obrigaria as indústrias farmacêuticas a inserir na caixa do medicamento o símbolo de proibido dirigir. Mas, de acordo com seu diretor, mesmo depois de aprovado, o projeto nunca saiu do papel. Além da sinalização nos remédios, a Abramet defende um banco de dados nacional com informações atualizadas sobre as causas dos acidentes de trânsito que acontecem no Brasil.
 
"Somente com dados consistentes é que poderemos desenvolver projetos mais focados na prevenção de acidentes de trânsito resultantes de uso de medicamentos. Temos estatísticas muito desatualizadas, um dos últimos dados é de 2005, em que verificamos mais de 35 mil mortes por acidentes de trânsito no país, os números atuais devem ser ainda maiores e destes não fazemos ideia de quantos são os causados por uso de remédios", preocupa-se.
 
Melhoria na Legislação
O atual Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não dispõe especificamente sobre a utilização de medicamentos relacionados à direção de veículos. Eles são enquadrados como substâncias psicoativas que causam dependência e, desta forma, proibidos assim como o álcool, o que dificulta a fiscalização.
 
"O conceito que o CTB traz é absolutamente amplo e é necessário estabelecer quais são efetivamente as substâncias proibidas e qual a forma adequada de sua constatação quando houver uma abordagem policial dos condutores sob suspeita. Este aspecto precisa melhorar", ressalta Julyver Modesto, comentarista sobre direito de trânsito no site CTB Digital. O artigo 165 do CTB, alterado em 2008, diz ser  infração de trânsito a direção sob efeito das substâncias psicoativas. "Mas ainda é preciso que se estabeleça a forma de fiscalização e especialmente a constatação na abordagem policial", diz Modesto.
 
Acesse:

Facebook:
 
Acontece Curitiba