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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Filhos de diabéticos devem fazer controle rigoroso da glicose

Divulgação
Especialista explica que a doença tem forte influência hereditária. Por isso, familiares devem fazer a dosagem da glicemia com mais frequência, para um diagnóstico precoce
 
Em 14 de novembro é comemorado o Dia Mundial do Diabetes. As estatísticas de incidência da doença são alarmantes. De acordo com o Ministério da Saúde, o diabetes afeta cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo. Já no Brasil, 5,2%, da população adulta (acima de 18 anos), mais de seis milhões de pessoas, são diagnosticadas com a enfermidade.
 
Muitas pessoas ainda não sabem ao certo o que é o diabetes e quais são os tipos da doença. Prova disso é a pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), realizada com 1.106 pessoas, de 18 a 60 anos, nas capitais Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. O estudo revelou que 34% dos entrevistados não sabiam que tipo de diabetes tinham.
 
O endocrinologista Sérgio Vencio, explica que a doença é decorrente da falta de insulina produzida pelo pâncreas, ou de uma dificuldade na sua ação, o que causa o aumento da glicose (açúcar) no sangue. Ele acrescenta que existem dois tipos de diabetes. "No diabetes tipo 1, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina, devido a um defeito do sistema imunológico, fazendo com que os anticorpos ataquem as células que produzem esse hormônio. Não se sabe exatamente a causa do início deste processo, mas pesquisas indicam fatores genéticos, vírus, dentre outros", esclarece.
 
O diabetes tipo 2 é resultado de um mecanismo duplo, pois existe tanto uma resistência à ação da insulina nas células do organismo quanto uma redução progressiva da produção de insulina pelo pâncreas. "Este é o tipo mais comum do diabetes, representando cerca de 90 a 95% dos casos. Além disso, o início é mais frequente na idade adulta, porém com a epidemia de obesidade em todo o mundo, a incidência em crianças é cada vez mais comum", ressalta Dr. Sérgio.
 
O médico acrescenta que o diabetes tipo 2 está associado ao excesso de peso, à vida sedentária, idade avançada, além de ter forte influência hereditária. Ou seja, filhos de pais diabéticos devem fazer a dosagem da glicose no sangue com mais frequência, a fim de diagnosticar a doença precocemente.
 
Diagnóstico e tratamento
O diabetes pode ocasionar vários sinais e sintomas, entre eles: sede excessiva; vontade de urinar diversas vezes; perda de peso (mesmo sentindo mais fome e comendo mais do que o habitual); visão embaçada; infecções repetidas na pele ou mucosas; machucados que demoram a cicatrizar; cansaço inexplicável; e dores nas pernas.
 
"Em muitos casos, não há sintomas importantes até que a pessoa apresente um quadro grave. O paciente pode passar muito tempo, às vezes anos, para descobrir a doença. Isto ocorre com maior frequência no diabetes tipo 2. Portanto, é importante pesquisar diabetes em todas as pessoas com mais de 40 anos de idade", comenta o endocrinologista
 
O médico conta que o diagnóstico do diabetes é fácil. "Podemos identificar se um paciente é diabético apenas pelo exame de glicemia em jejum. Este exame mede o nível de açúcar no sangue naquele momento e dependendo do resultado é possível saber o tipo da doença", destaca o especialista.
 
Existem ainda dois exames que auxiliam na detecção da enfermidade. Um deles é o de hemoglobina glicada, que mostra a concentração de hemoglobina nos últimos três meses, sendo um procedimento fundamental para fazer o monitoramento do diabetes. Além deste, o exame de curva glicêmica, que mede a velocidade com que seu corpo absorve a glicose após a ingestão, também ajuda a detectar a doença. Neste caso, resultados de altas concentrações de glicose no sangue indicam um paciente com diabetes.
 
De acordo com a pesquisa do IBOPE, 87% dos entrevistados acreditam que apenas evitar o consumo de açúcar é suficiente para evitar o diabetes tipo 2. O endocrinologista alerta que só esta medida não é o bastante. "É preciso manter uma vida saudável com atividades físicas, controle da alimentação, monitoração da glicemia, entre outros. Além disso, tabaco e álcool devem ser evitados. O fator mais importante é a manutenção do peso, não engordar é a principal forma de evitar o diabetes", conclui Dr. Sérgio.
 
Dia D
Para conscientizar a população de Cuiabá sobre a importância de prevenir o diabetes, o laboratório Cedic Cedilab, em parceria com a Associação Matogrossense das pessoas com Diabetes e seus Familiares (Amped/MT), promove no sábado (16) uma caminhada no Parque Mãe Bonifácia. O evento, que acontece a partir das 7h, terá ainda testes gratuitos de glicemia. (Ascom Cedic Cedilab).
 
Gazeta Digital

Dieta rica em proteínas animais aumenta risco de diabetes, aponta estudo

Dieta rica em proteínas animais aumenta risco de diabetes, aponta estudo Marcelo Camargo/ABr
Foto: Marcelo Camargo / ABr
Acidez do nosso organismo depende diretamente daquilo
que comemos
Carnes, especialmente as processadas, aumentariam a acidez do organismo
 
Alimentos ricos em proteínas animais e, portanto, acidificantes, aumentariam sensivelmente o risco de diabetes tipo 2, a mais comum, revelou um estudo publicado esta terça-feira por cientistas do Inserm.
 
— Este é o primeiro estudo a estabelecer um vínculo entre a carga ácida da alimentação e um aumento significativo do risco de diabetes tipo 2 — comentou Guy Fagherazzi, um dos autores do estudo publicado na revista Diabetologia, da Associação Europeia de Estudo do Diabetes.
 
A acidez do nosso organismo depende diretamente daquilo que comemos e alguns alimentos teriam um efeito acidificante, enquanto outros teriam um efeito basificante ou alcalinizante, uma vez absorvidos pelo nosso organismo. Esta acidez é medida pela escala PRAL (sigla em inglês para carga ácida renal potencial), que permite classificar os alimentos em função de sua carga ácida ou básica.

Segundo Fagherazzi, as carnes, sobretudo aquelas processadas industrialmente, assim como os queijos e os produtos derivados de leite, fazem parte dos alimentos mais acidificantes, enquanto as frutas e os legumes são alcalinizantes.
 
Os cientistas do Inserm (Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica francês) estudaram a alimentação de umas 66 mil mulheres filiadas ao plano de saúde MGEN (Mutuelle Générale de l'Education nationale) durante um período de 14 anos, durante o qual 1.372 das estudadas desenvolveram diabetes tipo 2.
 
Ao comparar a composição de sua alimentação e ao ajustar os resultados para eliminar outros fatores de risco (especialmente obesidade, sedentarismo e tabagismo), eles descobriram que 25% que seguiam a dieta mais acidificante apresentavam um risco 56% maior de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com as 25% de mulheres que seguiam uma alimentação mais alcalinizante.
 
O risco aumentou 96% em mulheres de constituição física normal e que ingeriam alimentos com carga ácida maior, enquanto a alta foi claramente menor (28%) nas obesas ou com sobrepeso, o que leva a crer que "nas mulheres que já apresentam riscos, o efeito da alimentação seria menor", revelou o doutor Fagherazzi.
 
Para explicar o fenômeno, o cientista levantou uma hipótese:
 
— A dieta acidificante ocasionaria um aumento do risco de resistência à insulina, ou seja, a incapacidade do corpo de secretar insulina quando precisa para regular a glicemia.
 
Ele admitiu, contudo, que outros trabalhos serão necessários para confirmar os resultados deste primeiro estudo sobre o tema. Uma pesquisa anterior, publicada em 2011, já tinha evocado a existência de um vínculo entre a resistência à insulina e a carga ácida da alimentação.
 
AFP/Zero Hora

Cuidados especiais ajudam na prevenção do câncer de pele

Cuidados especiais ajudam na prevenção do câncer de pele Elena Shchipkova/Deposit Photos
Para os momentos de exposição intensa ao sol, são indicados
protetores com o fator de proteção mínimo de 30
O diagnóstico precoce da doença aumenta as opções com chance total de cura
 
Até pouco tempo atrás algumas pessoas normalmente encaravam o câncer de pele como apenas mais uma pinta ou um simples distúrbio dermatológico. No entanto, com a divulgação constante da necessidade de proteção solar, assim como o alerta para prevenção, as pessoas vêm se preocupando mais com as causas e riscos da doença. Apesar de existirem alguns grupos de risco como pessoas de pele e olhos claros, assim como aqueles que tem cabelos loiros ou ruivos, o sol ainda é o maior vilão do câncer de pele. Cuidados essenciais como o uso de protetor solar ajudam na prevenção da doença.
 
— O câncer de pele quando não tratado pode, até mesmo, se espalhar pelo corpo e atingir outros órgãos — afirma a dermatologista Helua Mussa Gazi.
 
São basicamente dois os tipos de câncer de pele: melanoma e não melanoma. O mais perigoso deles é o melanoma que se inicia justamente nas células responsáveis pela produção de pigmento, os melanócitos.
 
— O câncer de pele do tipo melanoma não é a forma mais comum de câncer de pele, no entanto é o tipo mais perigoso e se não for tratado a tempo, sofre metástase e pode levar a óbito — alerta Helua.
 
Já o câncer de pele do tipo não-melanoma representa cerca de 95% dos casos, sendo o carcinoma basocelular o mais comum, e se apresenta preferencialmente no terço superior da face, incluindo nariz. Sua causa é o desenvolvimento desordenado das células da camada mais profunda da epiderme. O carcinoma espinocelular, outra modalidade do tipo não melanoma, também ocorre na face, principalmente nos lábios, testa, couro cabeludo de pessoas com alopecia e também dorso das mãos e orelha. Ambos, apesar de menos perigoso, são igualmente sérios e precisam ser tratado assim que identificados.
 
Existem alguns fatores de risco, ou seja, alguns grupos que têm maior propensão a desenvolver o câncer de pele, entre eles estão as pessoas de pele e olhos claros, assim como aqueles que tem cabelos loiros ou ruivos. Da mesma forma as pessoas que se queimam com muita facilidade e nunca se bronzeiam ou que já apresentaram queimaduras solares antes dos quinze anos de idade e também tem casos de câncer de pele na família representam o grupo de risco.
 
— O sol ainda é considerado o principal vilão do câncer de pele em função da radiação UVB. Mas quem não faz parte dos grupos de risco também deve tomar cuidado, principalmente com lesões de pele que levam mais de 4 semanas sem cicatrizar, ou que sangram com facilidade. Outra dica importante é sempre observar a planta dos pés — ressalta a dermatologista.
 
Já existem tratamentos possíveis e eficazes na luta contra o câncer de pele: a extração cirúrgica do tumor, a aplicação de nitrogênio líquido ou a eletrocauterização com curetagem.
 
— É fundamental o diagnóstico precoce, pois assim as opções terapêuticas aumentam, com chance total de cura — salienta Helua.
 
Contudo é melhor não facilitar, cuidar da pele com as informações já existentes é fundamental.
 
Confira algumas dicas da dermatologista:
> Proteja a pele do sol: os raios UVA e UVB são extremamente nocivos.
 
> O sol fica mais perigoso entre 10h e 16h, então vamos evitá-lo nesse período. Se for necessária à exposição é sempre bom usar chapéu e protetor solar.
 
> O protetor solar deve ser usado todos os dias, em todas as áreas expostas ao sol. Para os momentos de exposição intensa ao sol — praia, piscina — escolha protetores com o fator de proteção mínimo de 30.
 
— E passe antes de sair de casa, para que a pele vá absorvendo o creme no caminho e a proteção se intensifique, e não se esqueça de reaplicar a cada 3 horas, se mergulhar ou suar demais — finaliza Helua.
 
Zero Hora

Alerta: Anvisa determina recolhimento de produto para hemofílicos

 O lote THL11273AA do medicamento HEMOFIL M concentrado
 de fator 8 250UI deve ser recolhido
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou, nesta quarta-feira (13), o recolhimento de um lote de fator 8 plasmático, usado por pessoas com hemofilia.
 
Segundo a agência, o lote THL11273AA do medicamento HEMOFIL M concentrado de fator 8 250UI, da empresa Baxter, com validade até fevereiro de 2014, apresentou "resultado insatisfatório no ensaio de inspeção visual".
 
A Baxter informa que o lote indicado do produto, vendido ao governo brasileiro, não apresenta risco para os pacientes, e que a qualidade do produto não é afetada.
 
Em nota, a Baxter afirma que recebeu uma notificação do Ministério da Saúde, em julho de 2013, apontando a ocorrência da fragmentação da tampa de borracha quando o produto era usado.
 
"As partículas geradas são eficazmente retidas pelo filtro da agulha utilizada para aspirar o produto para a seringa, agulha esta que é fornecida no kit dos produtos envolvidos e deve ser utilizada conforme instruções de uso descritas em bula (...) A inspeção visual do produto reconstituído deveria ser realizada pós-filtro e antes do uso, conforme padrão internacional adotado em diversos países como os Estados Unidos e União Européia", diz a Baxter.
 
Apesar de entender que não há riscos envolvidos, a empresa afirmou que fará o recolhimento e a troca do produto para o governo.
 
No ano passado, a Baxter e o Ministério da Saúde firmaram uma parceria para a transferência de tecnologia de um outro produto usado por hemofílicos: o fator 8 recombinante, que não é derivado do sangue e é tido como mais seguro.
 
A Baxter reforçou, na nota, que o produto alvo da transferência de tecnologia "não tem relação com essa solicitação de recolhimento do produto Hemofil e que ele utiliza um sistema diferenciado de preparação".
 
Folhaonline

Crença na cura não depende de religião e reduz gasto público, mostra pesquisa

Estudos mostram que reza e pensamento positivo podem ajudar
 o sistema imunológico a combater doenças
Pesquisadora, que analisou 27 trabalhos científicos sobre a autocura, explica como a oração e outras práticas podem ajudar o paciente a lidar e até se livrar de uma doença
 
A cura de doenças pode estar além do tratamento convencional que abrange diagnóstico e o combate de sintomas por remédios. A chamada autocura ainda luta por legitimidade na saúde pública, mas pesquisas científicas mostram bons resultados referentes a práticas de meditação, reiki, acupuntura, quiropraxia, massagem, homeopatia e também a oração.
 
Um estudo realizado nos Estados Unidos comparou 2 mil pessoas que meditavam com 600 mil que não meditavam. Observou-se uma redução de 63% dos gastos com saúde no grupo que meditava, havendo 11,4 vezes menos internações hospitalares por doenças cardiovasculares , 3,3 vezes por câncer.
 
A fisioterapeuta e acupunturista Fernanda Catarucci defendeu recentemente sua dissertação de mestrado na Faculdade de Medicina de Botucatu (SP) sobre as práticas chamadas como autocura. No estudo, ela analisou 27 pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais de 2000 a 2012.
 
Leia entrevista abaixo:
 
Arquivo pessoal
Estudo de Fernanda Catarucci mostrou que prática de autocura
 reduz gastos da saúde pública e a incidência de doenças graves
iG: Por que mesmo apresentando resultados e reduzindo custos na saúde pública a autocura é tão pouco difundida ou utilizada?
Fernanda: Existe uma questão histórica. As chamadas práticas complementares integrativas só passaram a ser aceitas pela OMS a partir de 2004. É muito recente, embora estas práticas sejam muito mais antigas que a nossa medicina tradicional. A ayuveda e a medicina tradicional chinesa têm mais de cinco mil anos. Aqui no Brasil, estas práticas só começaram a serem vistas como possibilidade de estudo a partir de 2006, quando nasceu a política nacional de práticas integrativas e complementares. Esta foi a primeira vez que se criou uma política para tentar estudar e compreender como estas práticas estavam atuando já nos postos de saúde.
 
iG: Práticas como meditação, yoga, quiropraxia contribuem na manutenção da saúde em pessoas já saudáveis. Elas atuam também em doentes?
Fernanda: As práticas de autocura se diferenciam da medicina tradicional. Enquanto a medicina tenta resolver o sintoma da doença, as práticas de autocura trabalham tentando fortalecer o terreno biológico para que o próprio corpo possa combater a patologia. É uma atuação no sistema imunológico. Uma mente mais tranquila e com menos pensamento negativo, faz com que as células trabalhem num metabolismo mais equilibrado e produzindo hormônios e enzimas de forma mais adequada. No final, a pessoa acaba tendo um sistema imunológico mais forte.
 
iG: Como isso acontece cientificamente?Fernanda: O nosso sistema nervoso atua com receptores periféricos e receptores musculares. A maior parte do nosso corpo é formada por células musculares. A gente têm órgãos como coração, fígado, intestino, mas basicamente todos estes sistemas são uns amontoados de células musculares. Então funciona assim: quando a pessoa tem um pensamento positivo, ou visualiza algo bom, cheira algo que traz uma lembrança positiva, ela traz uma resposta motora para todas estas células que tem na musculatura. Isso faz com a musculatura trabalhe em relaxamento (e não numa situação de estresse em que precisa se proteger) e aí o corpo não precisa gastar tanta energia. Ele consegue usar a energia que tem para exercer as próprias funções, como o batimento cardíaco, a digestão... Quando estamos com pensamento muito negativo, o corpo fica preparado para se proteger de algo. Ele gasta muita energia e muito tempo para fazer esta proteção e acaba não conseguindo executar a função dele. Desta forma, o sistema imunológico cai.
 
iG: Isso vale também para as orações?
Fernanda: Sim. Na oração e na religião, além de toda essa questão da esperança que faz com que as células trabalhem de forma mais equilibrada, ainda tem a questão da identificação com o grupo, com essas pessoas que lhe darão forças para que o paciente combata esta patologia. Mas não é preciso ter uma religião para desenvolver a espiritualidade ou para buscar estímulos positivos na sua vida. As pessoas confundem muito. A oração e a religião são apenas mais uma forma de conseguir isso. O ateu pode ter uma vida equilibrada em um ambiente que se sinta acolhido e que não seja necessariamente uma igreja.
 
iG: O que os estudos científicos mostram a respeito da prática da meditação?
Fernanda: Temos vários estudos sobre a ação da meditação e as áreas do cérebro que ela consegue ativar e também a relação da meditação com os hormônios. O sistema hormonal é totalmente dependente do nosso estado de ânimo. Isso acontece porque a célula que coordena todo o nosso sistema hormonal, que é a hipófise, recebe mensagem do hipotálamo que é uma região no cérebro que controla as nossas emoções. Existe uma área da medicina, chamada de epigenética, que estuda quanto o ambiente externo influencia na ativação dos genes. Na nossa carga genética, trazemos as tendências que serão ativadas de acordo com o ambiente que vivemos. Logo, se estou num ambiente agradável vou ativar alguns genes, se estou num ambiente com muito estresse, vou ativar genes ligados a doenças.
 
iG: Esta relação da mente com o sistema hormonal e a epigenética explicariam o aumento percentual das doenças crônicas?
Fernanda: As pessoas hoje não morrem mais de infecções por vírus e bactéria. O nosso problema nos dias de hoje são as doenças crônicas como câncer, diabetes, doença cardiovasculares e hipertensão. A gente vai precisar descobrir o que causa esse desconforto para o corpo para que ele possa se reestruturar e se autocurar. Os tratamentos que temos hoje no ocidente são baseados em medicamentos que nem sempre a gente consegue uma resposta e, se consegue uma resposta, o paciente fica dependente do medicamento para sempre.
 
iG: O seu estudo mostrou que mulheres com mais de 50 anos e de alta escolaridade são as que mais utilizam a autocura. Você sabe identificar o motivo?
Fernanda: As pessoas tinham a ideia de que quem procurava a autocura eram pacientes com baixa escolaridade e que não tinham conhecimento do assunto. O meu estudo quebrou isso. Quem busca a autocura lê muito, entende muito sobre o assunto e está buscando conscientemente estes tratamentos alternativos. Sobre o fato de serem mais mulheres, eu acredito o motivo esteja no fato de as mulheres serem mais abertas que os homens para este tipo de discussão. Os homens precisam mostrar que são muito fortes e estas terapias trabalham muito com a questão da sensibilidade, uma coisa que, em nossa cultura, os homens ainda precisam caminhar mais.
 
iG: Tem um ditado africano que diz "Reze, mas mexa os pés". Qual é o equilíbrio entre a fé e o tratamento?
Fernanda: Quando a gente fala em autocura, as pessoas pensam que é só ir lá orar e acabou. Mas, não é simplesmente assim, é preciso trabalhar todos os campos da mente e do corpo também. A saúde está alicerçada em vários pilares. A oração ajuda muito, mas sozinha não consegue trabalhar isto tudo. O que adianta um diabético rezar, rezar e rezar se, quando chega em casa, toma uma garrafa de refrigerante? Se a pessoa tem um problema cardíaco, o reike vai funcionar para acalmar a mente, mas se o corpo não é trabalhado, vai ficar tudo desequilibrado. O equilíbrio está em observar, compreender os alimentos e ambientes que fazem mal. A mesma coisa vale para a medicina tradicional. Observar quais são os tratamentos que estão me fazendo bem e quais são aqueles que estão me trazendo mais efeitos colaterais que benefícios.
 
iG