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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Diabetes X Câncer

Diabetes e câncer são doenças de elevada incidência e apresentam grande impacto na saúde da população mundial.
 
A Organização Mundial da Saúdeestima que, até 2030, são esperados 27 milhões de casos incidentes de câncer, 17 milhões de mortes em função da doença e 75 milhões de pessoas vivas, anualmente, com câncer. O maior efeito desse aumento vai incidir em países de baixa e média rendas. Já o Diabetes, segundo informações da International Diabetes Federation (IDF), publicadas em dezembro de 2012, há no mundo, 371 milhões de pessoas portadoras de diabetes com idades entre 20 e 79 anos, sendo que 50% delas desconhecem essa condição. O Brasil ocupa a 4ª posição entre os países com maior prevalência de diabetes: 13,4 milhões de pessoas portadoras de diabetes. Isto corresponde a aproximadamente 6,5% da população entre 20 e 79 anos de idade.
 
"Há mais de 50 anos, tem-se registrado a ocorrência das duas doenças em um mesmo indivíduo. Mais recentemente, os resultados de diversos estudos têm indicado que alguns tipos de câncer ocorrem mais comumente em pacientes com diabetes (predominantemente no paciente com diabetes tipo 2), enquanto câncer de próstata é menos frequente nesses pacientes", afirma Dr. Amândio Soares, oncologista e diretor da Oncomed BH.

O médico explica que os tipos de câncer associados à diabetes são fígado, pâncreas, intestino e endométrio em pelo menos duas vezes e, em menor grau, câncer de cólon e reto, mama e bexiga.

Entretanto, a causa ou mecanismo biológico dessa associação ainda não está esclarecido. "Existem dúvidas se a associação do câncer e diabetes é direta (devido à elevação da glicemia), se a diabetes é um fator biológico que altera o risco de desenvolver câncer ou se a associação de câncer e diabetes é indireta e devido a fatores de risco comuns às duas doenças, como a idade, o sexo, o sobrepeso, a obesidade, o sedentarismo, a dieta inadequada, o álcool e o tabagismo", pontua Dr. Amândio.

O uso da metformina, um medicamento oral comumente indicado no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2, parece reduzir a incidência e mortalidade por câncer em pacientes diabéticos. "Alguns pesquisadores observaram, recentemente, que pacientes com diagnóstico de câncer de mama e diabetes que usavam metformina apresentavam maior chance de desaparecimento tumoral da mama (resposta patológica completa) do que as mulheres com diabetes que não usavam este medicamento ou até mesmo em relação às mulheres não diabéticas, sugerindo um efeito antineoplásico desta medicação", explica.

Como método preventivo, tanto para o câncer, quanto para a diabetes, recomenda-se visitas regulares ao médico, a prática regular de atividades físicas, uma dieta balanceada, que se evite o ganho de peso, bem como bebidas alcoólicas e o tabagismo. Neoplasias como câncer do colo do útero, câncer de mama, câncer do cólon e do reto e câncer de próstata, têm procedimentos de prevenção e/ou diagnóstico precoce bem estabelecido.

* O Dia Mundial do Diabetes foi criado em 1991 pela International Diabetes Federation (IDF) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em resposta ao aumento do interesse em torno do diabetes no mundo.
 
SEGS

Enfermeira contaminada com seringa com vírus HIV será indenizada em R$ 500 mil

A OPS Planos de  Saúde S.A. e a Unidade de Serviços Especializados (USE) foram condenadas pela 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho após acidente de trabalho que resultou na contaminação, pelo vírus HIV, de uma técnica de enfermagem. Os ministros restabeleceram a decisão do juízo de primeiro grau, que arbitrou a indenização no valor de R$ 500 mil, sendo R$ 200 mil por danos morais e R$ 300 mil por danos materiais.
 
Em 8 de fevereiro de 2008, a enfermeira tentava desobstruir a veia de uma paciente quando, por acidente, furou o dedo com uma seringa, resultando em sangramento. No mesmo dia foi realizado exame para o vírus, dando negativo. Porém, ao repetir o exame em 22 de setembro do mesmo ano, o mesmo deu positivo para HIV.
 
Como se não bastasse, o coordenador de enfermagem violou o documento contendo o resultado e revelou o resultado não só para a vítima, mas para todos os colegas do quadro de empregados. No dia 31 de julho de 2009, o mesmo coordenador telefonou para a enfermeira e comunicou sua dispensa. Alegou que a nova empresa, que substituiu a então empregadora, não tinha interesse em manter empregados doentes.
 
Ação
Inconformada, a enfermeira ajuizou ação trabalhista contra as duas pessoas jurídicas. O juízo de primeiro grau, considerando a gravidade da doença, a dificuldade na obtenção de nova colocação no mercado de trabalho, o sofrimento decorrente do preconceito e a necessidade de tratamento com medicamentos diversos além do 'coquetel' fornecido pelo SUS, deferiu indenização de R$ 500 mil em substituição à pensão vitalícia e obrigatoriedade de custear assistência médica.
 
TRT-6
Não satisfeitas, as empresas recorreram sob a argumentação de que não ficou provado que a autora contraiu o vírus HIV em decorrência do acidente em suas dependências e, muito menos, que as empresas teriam concorrido com culpa para o evento.
 
O Regional afastou a condenação por dano moral e material por entender que não houve nexo e nem efetivo dano e que "o simples fato de o acidente ter ocorrido nas dependências do hospital não é suficiente para concluir que tenha ocorrido com culpa, sobretudo em se tratando de profissional habilitada na área de enfermagem, que, logicamente, é treinada para evitar esse tipo de incidente", destacou o acórdão Regional.
 
TST
No entanto, para o ministro relator, Hugo Carlos Scheuermann, a decisão se baseia no parágrafo único do artigo 927 do Código Civil, que atribui a "obrigação de reparação quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem".
 
Na decisão, o ministro Scheuermann entendeu que, como a empregada era técnica em enfermagem, o fato dela ter perfurado o dedo e o dano da contaminação são incontestáveis. O relator reformou a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (PE), que julgou não haver nexo causal para a condenação. A decisão foi unânime.
 
(Bruno Romeo/FL)
Processo: AIRR-124900-50.2009.5.06.0001
 
O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).
 
Esta matéria tem caráter informativo, sem cunho oficial.

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Universo Jurídico

Obesidade está ligada à invalidez em mulheres

Condição eleva de três a seis vezes as chances de dificuldade de locomoção
 
As mulheres afetadas pela obesidade têm um maior risco de sofrer com invalidez por conta de deficiências e dificuldades na locomoção. Essas foram as descobertas dos pesquisadores da Fred Hutchinson Cancer Research Center (EUA), em um estudo publicado online em 11 de novembro no JAMA Internal Medicine.

A equipe examinou os registros médicos de quase 37 mil mulheres idosas que participam da Iniciativa da Saúde da Mulher, um estudo de longo prazo patrocinado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA. Os pesquisadores descobriram que 12% das mulheres com peso saudável sofriam com algum tipo de incapacidade motora na faixa dos 85 anos, necessitando de um andador ou algum outro tipo de assistência para se locomover. Por comparação, entre 25% e 34% das mulheres com obesidade eram deficientes, com incidência crescente conforme o aumento do índice de massa corporal (IMC) da paciente.

No geral, a circunferência da cintura acima de 89 cm foi associada a um maior risco de morte prematura, junto com uma maior incidência de doenças durante o período de estudo e incapacidade funcional. Segundo os pesquisadores, mulheres obesas são de três a seis vezes mais propensas a sofrer uma deficiência motora no final da vida, tornando a locomoção mais difícil. Além disso, as chances de um problema aumentam conforme o nível de obesidade.

Os autores explicam que as novas descobertas não são tão surpreendentes, mas servem de alerta. A obesidade mesmo em idades mais avançadas, afirmam, é um fator de risco para vários problemas de saúde, sendo necessárias intervenções para incentivar a perda de peso. O estudo enfatiza a importância de manter um peso saudável e evitar o ganho excessivo após a menopausa ou no fim da meia-idade. Segundo os estudiosos, ao fazer isso, você irá melhorar suas chances não apenas de viver mais tempo, mas de ser o mais saudável possível com o passar da idade.

Obesidade favorece desde enxaqueca até câncer
Pela primeira vez, o percentual de pessoas com excesso de peso supera mais da metade da população brasileira. A pesquisa Vigitel 2012 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostra que 51% da população com mais de 18 anos está acima do peso ideal.
 
O estudo também revela que a obesidade cresceu no país, atingindo o percentual de 17% da população. Se compararmos com o ano de 2006, no qual o índice era de 11%, perceberemos que o aumento foi significativo. Mais do que uma doença grave, a obesidade é um problema que pode favorecer diversas outras condições em nosso organismo. "O quadro pode prejudicar a saúde de uma forma global e em vários sistemas no corpo", afirma o endocrinologista Isaac Benchimol, do Conselho Empresarial de Medicina e Saúde da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Ainda não está convencido? Veja como essa doença pode afetar todo o funcionamento do seu corpo:
 
coração partido - Foto: Getty ImagesCoração em alerta!
Quanto mais elevado é o nosso peso, mais esforço o coração precisa fazer para bombear sangue e deixar tudo funcionando plenamente. Isso sobrecarrega o órgão, que terá que bater mais rápido do que o ideal. "O tecido adiposo é um grande produtor de substâncias inflamatórias - e os adipócitos (células de estoque da gordura) aumentam em número e volume com a obesidade", afirma o endocrinologista Isaac Benchimol, do Conselho Empresarial de Medicina e Saúde da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Ele explica que o organismo se cansa de corrigir o erro alimentar e o sedentarismo, e vai progressivamente lançando de volta na circulação o colesterol e os triglicerídeos que não conseguiu armazenar no fígado e tecido adiposo. Essa gordura em excesso no sangue pode formar placas e entupir as artérias, causando um infarto ou AVC. Esse estado inflamatório também pode favorecer a oxidação do colesterol bom (HDL), que se transformará em colesterol ruim (LDL). Todo esse cenário favorece doenças como hipertensão, angina, insuficiência cardíaca, entre outros.
 
pessoa verificando a glicemia - Foto: Getty ImagesMetabolismo alterado
Quando ganhamos peso, há o aumento do tecido adiposo em dois compartimentos importantes: o visceral (abdominal) e o subcutâneo. "Quando o adipócito está cheio de gordura, existe a produção de substâncias inflamatórias que geram uma cadeia de desequilíbrio no nosso corpo", afirma a endocrinologista Andressa Heimbecher, de São Paulo. Isso causa o aumento dos níveis de colesterol ruim e triglicerídeos, aumento de gordura no fígado, diabetes tipo 2, elevação da pressão arterial, do risco de aterosclerose e consequentemente de doenças cardíacas e cerebrovasculares. "O acúmulo de gordura abdominal é o mais danoso, porque estimula mais a produção dessas substâncias inflamatórias."

Quando o adipócito está com sua capacidade de estoque cheia, ocorre também um depósito de gordura no fígado, conhecido como a esteatose hepática. "Neste contexto, há aumento dos níveis de ácidos graxos livres circulantes, que geram um efeito no pâncreas chamado de lipotoxicidade - a gordura circulante é tóxica ao funcionamento das células beta do pâncreas", diz Andressa. Ocorre também um excesso de ácidos graxos circulantes nas células musculares, impedindo a entrada de glicose estimulada pela insulina, gerando a resistência insulínica. "Nesse cenário, vai ficando cada vez mais difícil para as células absorverem glicose, acarretando no aumento de ácidos graxos livres e substâncias inflamatórias, gerando um ciclo vicioso." Esse mau funcionamento das células beta do pâncreas, que causa a resistência insulínica, pode agravar e se transformas em diabetes tipo 2.

Quanto mais a pessoa ganha peso, maior é o depósito de gordura acontecendo no tecido adiposo e no fígado. O fígado é o nosso órgão de processamento do colesterol, e se ele não funciona de maneira adequada nossos níveis de colesterol e triglicérides aumentam. "Além disso, quando existe a resistência insulínica, as células dos músculos e tecido adiposo passam a não absorver glicose e a usar gordura quando precisam de energia", afirma a endocrinologista Andressa. Apesar de isso parecer bom, a quebra de gordura em vez de glicose na obesidade aumenta mais ainda a liberação de ácidos graxos no sangue e consequentemente de colesterol ruim e triglicérides.
 
homem com dor de estômago - Foto: Getty ImagesDigestão prejudicada
"A doença do refluxo gastroesofágico tem, em muitos casos, uma ligação direta com a obesidade", alerta a gastroenterologista Fernanda de Oliveira, do Hospital Santa Luzia, em Brasília. Ela explica que o aumento da gordura abdominal causa a elevação da pressão dentro do estômago, o que leva ao retorno do conteúdo gástrico para o esôfago - causando assim o refluxo. "Os pacientes com obesidade também têm uma incidência maior de Hérnia de Hiato (deslocamento do estômago para o tórax), que também é uma alteração anatômica que pode levar à Doença do Refluxo", afirma.

A obesidade também aumenta o risco de pedras na vesícula devido ao desequilíbrio de alguns elementos no sangue que influenciam na formação da bile. "A bile é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula, e consiste em uma mistura de várias substâncias, dentre elas o colesterol, que é responsável pela maioria dos casos de formação de cálculos na vesícula", conta a especialista. Desta forma, quando o colesterol ruim (LDL) está alto e o colesterol bom (HDL) está baixo temos um maior risco de aparecimento de pedras na vesícula, justamente pela alteração deste elemento na bile.

A obesidade também é um fator de risco para pancreatite. Os casos de pancreatite relacionados à obesidade ocorrem principalmente pela formação de cálculos na vesícula que migram para o pâncreas - mas também podem acontecer pela elevação dos triglicerídeos. A maioria dos pacientes com obesidade também tem um acúmulo de gordura no fígado. "O grande risco da gordura no fígado é o aparecimento da esteatose hepatite, que é destruição das células do fígado pela presença de gordura", explica a gastroenterologista. A persistência deste quadro por muitos anos pode levar a cirrose hepática e por isso deve ser acompanhada. "O emagrecimento é fundamental nesses casos."
 
teste de gravidez - Foto: Getty ImagesFertilidade em perigo
Quanto maior é o tecido adiposo, maior é a concentração de estrona, um tipo de estrógeno, no sangue. "Isso irá estimular o endométrio (parte de dentro do útero, que descama nas menstruações) e aumentar o fluxo menstrual", demonstra a ginecologista Renata Di Sessa, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Ao mesmo tempo, com o aumento do estrógeno, o estímulo para os ovários irá diminuir, não havendo ovulação, o que impede a menstruação. Assim, a mulher demora a menstruar e, quando acontece, é em grande quantidade. "A dificuldade de obter a ovulação também pode favorecer um quadro de infertilidade", alerta a especialista. Já o aumento dos triglicerídeos e a instalação do quadro inflamatório no organismo pode favorecer a infecção urinária de repetição e a candidíase de repetição, ou seja, que sempre voltam a aparecer. "Essas últimas também estão fortemente associadas ao diabetes e pré-diabetes, que tem como fator de risco a obesidade."

No homem, a obesidade com IMC acima de 40 pode interferir na produção de uma enzima chamada aromatase, responsável por transformar a testosterona em estradiol, um hormônio feminino que, quando em grande quantidade no homem, pode interferir na produção de espermatozoide e diminuir sua contagem. Com o aumento acentuado de peso, a aromatase passa a ser produzida em maior quantidade, transformando mais testosterona em estradiol e interferindo na fertilidade.  
 
mulher no banheiro - Foto: Getty ImagesMais visitas ao banheiro
A obesidade é, atualmente, um reconhecido fator de risco para a incontinência urinária. "O excesso de peso provoca um aumento da pressão sobre a bexiga e assoalho pélvico, favorecendo as perdas urinárias", explica a fisioterapeuta especializada em uroginecologia Luciana Lopes, da Clínica Da Matta Fisio, em Belo Horizonte. A obesidade também pode ocasionar o enfraquecimento da musculatura da pelve e dos ligamentos que sustentam a uretra, levando à perda involuntária da urina quando são feitos esforços físicos, como tossir. 
 
mulher se olhando no espelho - Foto Getty ImagesEfeitos visíveis na pele
Nossa pele também não fica livre dos efeitos da obesidade. "O ganho de peso altera a função da barreira cutânea, o funcionamentos das glândulas sebáceas e sudoríparas, a estrutura e função do colágeno, a cicatrização de feridas, vasos sanguíneos e gordura subcutânea", explica a dermatologista Carolina Marçon, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Segundo a especialista, a função de barreira nada mais é do que regular a perda de água por meio da pele. "Em pacientes com obesidade a pele apresenta-se extremamente ressecada, sem água, e a cicatrização de feridas fica comprometida", diz. Em contrapartida, na obesidade também ocorre uma superprodução de sebos e suor, resultado de uma alteração nos níveis de insulina e hormônio do crescimento. "Essas duas substância passam a ser produzidas em maior quantidade no obeso, o que leva a um aumento secundário da secreção sebácea, já que receptores celulares relacionados à produção de sebo são estimulados por esses hormônios, com consequente piora do quadro de acne", alerta a dermatologista. Os quilos extras causam, ainda, a diminuição de uma substância chamada globulina, essa responsável por transportar esteroides sexuais (hormônios sexuais) - seu nome específico é SHGB. "Essa globulina é recrutada perifericamente pela gordura acumulada no corpo, levando a um aumento da testosterona livre, que estimula o aumento da oleosidade da pele, agravando a acne e o hirsutismo (aumento dos pelos no corpo) ", completa a especialista. Esse aumento da testosterona circulante no corpo e conjunto com a resistência à insulina também pode causar a acantose nigricante, que é o problema de pele mais comum na obesidade. "O excesso do hormônio leva ao escurecimento das axilas, virilhas e de outras áreas onde existam dobras."

Além do aumento da produção de sebo, que favorece a acne, a pessoa com obesidade tem um aumento da secreção de suor pelas glândulas sudoríparas. "Como consequência dessa produção de suor exacerbada temos a hiperidrose", afirma a dermatologista Carolina. A obesidade também está associada com mudanças na estrutura do colágeno, que é responsável pela sustentação e firmeza da pele, além de participar do processo de cicatrização. "No entanto, flacidez e rugas não são tão evidentes nos obesos, pois existe aumento da gordura subcutânea, que 'preenche' os sulcos e linhas de expressão."

Outro problema comum da obesidade são as estrias, causadas pelo estiramento excessivo da pele provocado pelo aumento de peso. "Esse tipo de estria se localiza principalmente nas mamas, coxas, nádegas e abdome", lembra a dermatologista. Foda essas manifestações mais comuns, a obesidade também pode causar o aparecimento de lesões de pele na região do pescoço e axilas semelhantes a verrugas, chamadas fibromas moles ou acrocórdons, e também a queratose pilar, que são pequenas "bolinhas ásperas" que se localizam na superfície externa dos braços. "Algumas doenças de pele não são causadas pela obesidade, mas podem ser agravadas por ela, como psoríase, insuficiência venosa crônica, celulite, infecções fúngicas e bacterianas, hiperceratose relativa da planta do pé (espessamento plantar), hidradenite supurativa, tofo gotoso e intertrigo."
 
mulher massageando a perna - Foto: Getty ImagesSistema linfático e vascular
A obesidade impede ou retarda o fluxo linfático, o que conduz à retenção de líquido no subcutâneo, alteração chamada de linfedema. Outro ponto causado pela obesidade é a dilatação dos vasos sanguíneos, principalmente nas pernas, fazendo com que a circulação sanguínea na pele fique aumentada. Há também um maior risco de obstrução vascular ocasionando pela deposição de gordura na parede das artérias. "Essas alterações levam ao aparecimento de varizes, e, eventualmente, tromboses", afirma a dermatologista Carolina.
 
olho - Foto: Getty ImagesNão se esqueça do oftalmologista
A obesidade pode influenciar - e muito! - na saúde dos nossos olhos. Pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard (EUA) acompanharam mais de 130 mil pessoas e descobriram que um IMC igual ou superior a 30 estava relacionado com o desenvolvimento de catarata. Segundo o estudo, a obesidade aumentava em 36% o risco do problema ocular. O risco de desenvolver uma catarata subcapsular posterior - tipo mais grave - aumentou em 68% com o excesso de peso. Isso acontece porque a obesidade é um fator de risco para o surgimento de diabetes, colesterol alto e hipertensão, que são as principais causas de problemas da visão como catarata, glaucoma e retinopatia diabética. Outras doenças oculares decorrentes dessas alterações são degeneração macular, oclusão da veia central da retina ou de seus ramos e retinopatia por hipertensão arterial. 
 
mulher pensando - Foto: Getty ImagesCérebro afetado
As pessoas com obesidade geralmente sofrem problemas cerebrais devido às complicações clínicas da obesidade, como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia e apneia do sono - todas doenças que favorecem o aparecimento de acidentes vasculares cerebrais, por exemplo. "Mas, por outro lado, observa-se que indivíduos com obesidade e nenhuma comorbidade mostram uma queda do desempenho cognitiva em testes psicológicos, principalmente em idosos", explica o neurologista Antonio Cezar Galvão, do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho. O especialista afirma que o cérebro da pessoa acima do peso e com mais idade tende a ser mais atrofiado que o normal, mas ainda não se sabe exatamente o porquê. "Especula-se que a obesidade poderia lesionar uma série de tecidos neurológicos. " Nesse cenário, explica o neurologista, a obesidade também pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer e as demências vasculares.

Além dessas relações, a obesidade é comprovadamente um fator de risco para a cronificação da enxaqueca, podendo tornar a dor de cabeça diária. "Sugere-se que o tecido gorduroso libere substâncias que favoreçam a inflamação dos vasos sanguíneos, além de interferir na produção de neurotransmissores responsáveis pela dor", afirma o neurologista. Outros problemas neurológicos que aparecem em pessoas com obesidade, segundo o especialista, geralmente estão relacionados a outras comorbidades, como síndrome metabólica, diabetes, hipertensão arterial e apneia do sono.  
 
criança dormindo no sofá - Foto: Getty ImagesSeu sistema respiratório também sofre
O sobrepeso, ao dificultar a respiração, favorece casos de apneia do sono. A apneia do sono é o estágio mais avançado do ronco e acontece quando a passagem do ar pela garganta está totalmente obstruída e há interrupção da respiração. "Há uma espécie de campainha na garganta, chamada úvula, e a vibração dela provoca o ronco - e isso não necessariamente acontece em pessoas com obesidade", explica o odontologista especializado em distúrbios do sono Fausto Ito, da Associação Brasileira do Sono. Entretanto, a apneia está fortemente ligada com o aumento de peso. "O tecido gorduroso acumulado ao redor do pescoço, no tórax e no abdômen dificultam a respiração, causando apneia", explica o especialista. Ele afirma que apneia e obesidade andam juntas, uma vez que a qualidade ruim do sono desorganiza o metabolismo e prejudica a síntese de vários hormônios, agravando a obesidade.

Outro problema respiratório causado pela obesidade é a hipoventilação alveolar, que acontece quando nosso organismo não respira o suficiente, ou seja, não ventila o suficiente para que seja realizada a troca de gases nos pulmões. A relação entre hipoventilação alveolar e obesidade se dá uma vez que o excesso de peso sobrecarrega o aparelho respiratório. 
 
homem com dor nas costas - Foto: Getty ImagesMúsculos e ossos mais fracos
Segundo o médico do esporte Pablius Braga, do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho, a obesidade causa mudança de postura e alteração de nosso centro de gravidade - que fica projetado para frente devido ao aumento da circunferência abdominal. "Desta forma, a coluna lombar é projetada a frente aumentando a curva das costas e a bacia tende a se projetar também frente, fazendo a coxa girar para dentro e os joelhos formarem um 'X'", explica o especialista. De acordo com Pablius, todas essas mudanças acontecem para compensar o aumento anormal de massa corporal. "O corpo precisa deste ajuste senão as quedas e tombos seriam frequentes devido ao desequilíbrio."

A queixa mais comum dos pacientes com obesidade é a dor nas costas, ou lombalgia. "Ela acontece pela mudança da posição da coluna que ao projetada para frente leva a um aumento da tensão nos músculos que acompanham a coluna e das articulações que a sustentam", conta o médico do esporte. Com o passar de meses e anos, sustentar esta posição por conta da obesidade irá resultar em dor. "Uma das recomendações para diminuir a lombalgia é a perda de peso e o fortalecimento muscular." Outro problema comum em pessoas com a doença é um quadro de gota, que segundo o especialista não é uma relação direta. "Pessoas com excesso de peso e uma predisposição a sofrer com o acúmulo de ácido úrico no sangue, causador da gota, sofrem mais com o controle do problema devido à limitação para ação de medicamentos e a dificuldade de movimentação física", declara o especialista.

A obesidade também é uma emissária da osteoartrite, também conhecida como artrose, e se dá por um desgaste crônico das articulações, causando dores generalizadas. "Existem evidências científicas que mostram a relação entre o aumento de IMC (entre 30 e 35) com o aparecimento da osteoartrite", afirma o médico do esporte Pablius. Ele explica que as articulações possuem algumas forças que possibilitam ao órgão absorver impacto tanto em repouso como em movimento e, ao absorver estas cargas, transformá-las em energia e movimento. Exemplo: ao caminhar existe a carga suportada pelos joelhos ao "chocar" ou colocar o pé no solo. Essa carga é transformada em energia, que impulsiona o pé para frente e executa o passo. "A sobrecarga de peso ou obesidade pode transformar esses movimentos em traumas minúsculos, mas repetitivos, levando as alterações das cartilagens e, consequentemente, um desgaste das estruturas da articulação, formando áreas de inflamação", descreve o especialista.  
 
câncer - Foto: Getty ImagesCâncer em evidência
"As pessoas com obesidade parecem ter mais predisposição a vários tipos de tumores", declara o oncologista Anderson Silvestrini, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Ele explica que a obesidade leva a uma desregulação do sistema endócrino do paciente, culminando na secreção de várias substâncias como fatores estimulantes e inflamatórios. "Isso leva a alterações celulares que podem evoluir para neoplasias", diz. Os cânceres comprovadamente relacionados com a obesidade são os de esôfago, cólon e reto, pâncreas, vesícula, próstata, mama, útero, colo do útero e rim.

"A obesidade aumenta a incidência do câncer de cólon e reto por conta da inflamação crônica que ocorre na obesidade, levando a um hiperestímulo celular e o surgimento da neoplasia", afirma o oncologista. Já no câncer de esôfago, a obesidade está relacionada principalmente com o do tipo adenocarcinoma, que tem como outros fatores de risco o refluxo gastroesofágico e o tabagismo. "Para o câncer de vesícula suspeita-se que a relação aconteça devido às alterações hormonais da obesidade", declara Anderson. Segundo o médico, a obesidade não só aumenta o risco de câncer de vesícula como eleva as chances de morte pelo problema.

O câncer de mama e o câncer de colo do útero apresentam uma relação importante com a obesidade. "As mulheres com a doença têm 1,5 vezes mais chance de desenvolver câncer de mama", explica o oncologista Anderson. Isso acontece porque o hormônio estrógeno, fortemente ligado ao aparecimento do câncer, é produzido em nosso tecido adiposo. Com o excesso de gordura corporal, esse hormônio pode começar a ser produzido em maior quantidade, aumentando o risco de mutação. "O câncer de colo de útero, por sua vez, está mais relacionado ao ganho de peso acelerado e aumento da circunferência abdominal, principalmente em mulheres na menopausa." No caso do câncer renal, afirma o oncologista Anderson, a obesidade aumenta o risco em 70%, comparável até ao hábito de fumar, que eleva a chance em 50%. "Esse câncer também parece estar relacionado à produção de hormônios em níveis aumentados." 
 
Minha Vida

Área da saúde busca competitividade com gestão profissional

Simplesmente trocar os jalecos brancos por ternos bem alinhados não tem sido mais a estratégia usual das instituições de saúde para compor seu quadro de administrativo. Em um cenário de competitividade empresarial, essas organizações perceberam que precisam profissionalizar a administração e já buscam talentos em outros setores de negócio.
 
"Não é mais possível fazer a gestão de forma amadora. As instituições se tornaram maiores e mais complexas", afirma Haino Burmester, professor da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas).

Pelo viés de mercado, em que recursos são disputados e o paciente é renomeado como usuário, a saúde do negócio passa a ser estratégica no planejamento de quem atua segmento. Nesse contexto, diz Burmester, temas como liderança, resultados, gestão de informação e de pessoas ganham destaque no dia a dia de hospitais e laboratórios.   
 
Mas, segundo o professor, nesses locais, existem grandes particularidades no gerenciamento dos processos e das atividades realizadas. No que tange aos recursos humanos, é preciso lidar com uma quantidade significativa e variada de especialistas como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, além de suas subespecialidades - cada grupo em defesa de seus interesses em ambientes de pesada carga emocional. Intensiva também é a tecnologia, sofisticada no conjunto de equipamentos usados nas operações.   
 
Especificamente na linha do tempo da evolução dos hospitais de ponta brasileiros, conforme traça George Schahin, diretor-presidente do Hospital Santa Paula, à excelência do corpo clínico exigida nos anos 1980 e ao foco no aparelhamento tecnológico da década de 1990 somou-se, nos anos 2000, a necessidade de ser um bom prestador de serviços de hotelaria.    
 
As múltiplas estruturações satisfazem não só às demandas de pacientes e seus acompanhantes, mas também dos próprios médicos, que são os que encaminham um bom número desses pacientes e requerem um contingencial humano de alta qualidade em áreas de apoio, além de "uma acreditação nacional e internacional" da instituição.  
 
Tudo isso sem esquecer das operadoras de saúde, importantes fontes pagadoras que pressionam para que os atendimentos sejam realizados a custos menores. "Gerir tudo isso não é uma equação fácil", diz Schahin.    
 
Resolvê-la passa, em primeiro lugar, pela capacidade de equilibrar o assistencial e o gerencial, afirma Libânia Alvarenga Paes, coordenadora do CEAHS (Curso de Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde) da FGV-Eaesp. Isso significa detectar problemas e prover soluções "sempre lembrando do cobertor curto: se enxugo um processo, posso prejudicar o paciente", diz.

"O gestor tem de saber, por exemplo, contratar um consultor de TI e se o resultado que ele trouxe é bom. É preciso desenvolver uma visão mais estratégica em relação ao negócio, conciliando uma assistência segundo princípios éticos com a preocupação de que o hospital precisa sobreviver economicamente".   
 
Na procura por esse administrador híbrido, surgem duas possibilidades. Uma é capacitar o profissional da saúde em técnicas de gerenciamento, e esse ainda é o caminho predominante, diz Libânia. A outra é importar gestores "puros" de outros ramos de negócio.  
 
No caso da primeira opção, as próprias instituições têm se preocupado em fomentar a qualificação de seus administradores, seja promovendo cursos internos, seja mandando-os para escolas específicas de formação e eventualmente ajudando a custear os estudos.    
 
No Hospital Sírio-Libanês, todos os 180 líderes, desde supervisores até superintendentes corporativos, passam por programas de especialização, informa Fábio Patrus, superintendente de gestão de pessoas e qualidade do hospital e coordenador do Grupo de Gestão de Pessoas da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados).    
 
O próprio Sírio desenvolveu, em parceria com a Fundação Dom Cabral, um MBA lato sensu para a formação de gestores em saúde com duração de dois anos, e que está em seu quinto ano, e um mestrado profissional em tecnologias e gestão de saúde, em sua segunda edição. Patrus destaca que dá prioridade ao recrutamento interno no momento de eleger seus gestores - entre 60% e 70%, são oriundos dos quadros da instituição.    
 
Quando há busca no mercado, ela se concentra em profissionais que atuam ou atuaram na área da saúde. No caso daqueles que chegam de outros setores, é preciso que sejam assessorados para um rápido aprendizado das particularidades da administração hospitalar. "Ainda tendemos a privilegiar alguém que seja muito bom tecnicamente em saúde em relação a quem possui mais o arrojo gerencial", diz Patrus.    
 
No Hospital Israelita Albert Einstein, 77% das posições de liderança foram preenchidas internamente em 2012 - um salto em relação a 2011, ano em que 29% dessas vagas foram ocupadas por pratas da casa, e 2010, quando a porcentagem foi de 11%, contabiliza Miriam Branco, diretora de recursos humanos.    
 
Ela explica que, para conseguir os maiores índices de aproveitamento dos funcionários do próprio hospital em cargos de gestão, existe um PDO - Plano de Desenvolvimento da Organização - que mapeia futuros líderes e prepara essas pessoas para funções gerenciais em um MBA em parceria com o Insper. Com duração de um ano e meio, o programas está em sua oitava turma. Anualmente o Einstein banca 12 bolsistas que seleciona em seu quadro.    
 
Executivos provenientes de outros negócios, contudo, também ganham espaço entre os postos de comando da organização, especialmente em diretorias como as de TI e financeira. Para atraí-los, é preciso oferecer remunerações compatíveis com as do mercado empresarial e desafios de carreira que podem ser até maiores que os de outras searas.    
 
O superintendente corporativo Henrique Sutton de Sousa Neves é um dos que chegaram, há seis anos, para consolidar a profissionalização da gestão do Einstein, iniciada em 2002. O executivo já havia construído uma carreira em companhias de diversos setores da economia como a Shell, onde ficou por 22 anos e chegou a vice-presidente de varejo, e a Brasil Telecom.    
 
Formado em direito e com uma especialização em gestão em Harvard no currículo, seu primeiro contato com os meandros da área da saúde foi como consultor do próprio Einstein, entre 2004 e 2005. "O mundo da medicina é muito complexo. Raramente é um mesmo profissional que entenderá todos os aspectos do assunto tratado", enfatiza.    
 
Segundo ele, o papel do gestor não é ter um conhecimento técnico e científico na área, mas saber como o processo de gestão deve agir sobre esse conhecimento. Desse modo, Neves afirma que sua experiência em grandes organizações atende a determinadas necessidades do Einstein. "A diferença é que, como somos uma instituição sem fins lucrativos, o resultado financeiro não é a nossa missão, mas um meio para realizá-la. Cerca de 60% da minha avaliação de desempenho se referem a resultados qualitativos", afirma.    
 
Nos cursos de especialização em gestão hospitalar em geral, a maioria dos matriculados já possui familiaridade com esse segmento. "Eles mesmos percebem a necessidade de fazer o curso, ou os próprios chefes recomendaram", afirma Cristina de Araújo Lasevicius, coordenadora do curso de graduação em tecnologia em gestão hospitalar do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).    
 
O programa do Senac dura três anos e inclui disciplinas relativas a políticas de saúde, gestão de finanças, operação de cadeia de suprimentos, gestão da tecnologia de informação em saúde, ética, marketing, hotelaria, arquitetura hospitalar entre outras.    
 
A predominância entre os estudantes da pós em administração hospitalar do Centro Universitário São Camilo também é de "profissionais que atuam no setor da saúde e que tiveram um crescimento de função", informa Claudio Colucci, coordenador geral da pós-graduação lato sensu. O São Camilo oferece também um curso de graduação em administração voltado para a atuação em hospitais, de quatro anos, e busca credenciamento para ministrar, a partir do ano que vem, um programa a distância de tecnólogo em gestão hospitalar, com duração de três anos.    
 
Se cresce a tendência de os médicos se especializarem em práticas de gestão, tornam-se mais raros os que conseguem conciliar funções clínicas e administrativas. "Os que fazem carreira de gestor começam a abandonar suas carreiras médicas", considera Enrico de Vetori, sócio da área de 'life science e healthcare' da consultoria Deloitte. "Não dá mais para administrar em tempo parcial, a jornada tem de ser exclusiva", corrobora Burmester.

Fonte: Valor Econômico Enviada por JC Edição: F.C. 12.11.2013
 
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Acordo entre Merck Serono e Bionovis

O Ministério da Saúde liderou novo processo de atração de investimentos de empresas multinacionais no setor de Saúde do País.

Acordo entre a multinacional Merck Serono e a Bionovis intermediado pelo Ministério da Saúde vai impulsionar as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) em andamento com o governo federal para a produção nacional de biofármacos. A entrada da Merck Serono na parceria viabiliza a construção da fábrica que produzirá seis medicamentos biológicos a partir de 2014.

A parceria atual prevê investimento de R$ 500 milhões para construção, desenvolvimento de produtos e transferências tecnológicas. 

A Bionovis pretende investir R$ 1 bilhão na produção de medicamentos biológicos no Brasil nos próximos cinco anos.

É importante destacar que este acordo traz diversos resultados positivos. Primeira amplia a capacidade nacional dos laboratórios públicos e empresas privadas nacionais gerarem conhecimento, inovação tecnológica, pesquisa aqui no Brasil, além de garantir segurança aos pacientes permite também uma economia importante para o Ministério da Saúde”, destaca o ministro Alexandre Padilha.
 
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