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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Dentistas recomendam uso de pasta de dente com flúor desde a infância

Dentistas recomendam uso de pasta de dente com flúor desde a infância Stock.xchng/Divulgação
Quantidade de pasta de dentes deve ser equivalente a um grão de arroz
Segundo estudo, muitas crianças brasileiras são acometidas por cárie na primeira infância, o que pode ser evitado com o uso de creme dental fluoretado
 
Crianças de todas as idades devem usar pastas de dente com flúor para prevenir cáries. Pode parecer óbvio, mas a utilização de creme dental fluoretado nem sempre foi recomendada por dentistas e médicos pediatras. A associação do flúor com a fluorose, uma condição responsável por manchinhas brancas nos dentes permanentes, fazia com que a prática fosse questionada no passado.

Mas uma recomendação da Associação Brasileira de Odontologia, do Ministério da Saúde e de órgãos da classe, como a Associação Brasileira de Odontopediatria e a Sociedade Brasileira de Pediatria, baseada em pesquisas internacionais, fez com que o uso de creme dental convencional com flúor a partir da erupção dos primeiros dentes, na quantidade equivalente a um grão de arroz, se tornasse uma regra no país.

Por falta de atualização, explica o dentista e professor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) Carlos Alberto Feldens, ainda hoje há muitos dentistas e pediatras orientando de forma errada seus pacientes. Além de serem mais caras (custo aproximado de R$ 12, enquanto a comum custa ao redor de R$ 3), as pastas sem flúor deixam os dentes desprotegidos:

— Isso seria especialmente um desastre considerando que crianças de menor nível socioeconômico seriam as mais prejudicadas.

Estudo publicado para orientar pediatras
Professora da Faculdade de Odontologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a pesquisadora Branca Heloisa de Oliveira publicou no ano passado um estudo para proporcionar informação a médicos pediatras sobre o uso de pastas de dente fluoretadas.

Baseado em evidências científicas, o estudo concluiu que muitas crianças brasileiras são acometidas por cárie na primeira infância e que o uso regular de flúor pela pasta de dente tem papel fundamental no controle dessa doença.

A publicação do Guia de Recomendações para Uso de Fluoretos no Brasil, em 2009, pelo Ministério da Saúde, trouxe a nova orientação. Entretanto, a Caderneta de Saúde da Criança distribuída atualmente nas unidades da rede básica de saúde ainda contém a recomendação antiga de que, antes dos quatro anos, não se deve usar pasta de dente com flúor.

— Acredito que isso possa estar confundindo as pessoas e, especialmente, os pediatras. Em um contato com o Ministério da Saúde, fui informada de que na próxima edição da caderneta da criança essa recomendação vai ser atualizada — explica Branca.

A orientação da comunidade científica mundial, incluindo a Organização Mundial da Saúde, é de que a introdução de creme dental fluoretado contendo pelo menos 1.000 ppm (concentração de flúor em partes por milhão) representa um dos fatores mais importantes para combater esse problema de saúde pública.

Zero Hora

Flora intestinal pode ajudar no combate a tumores, afirmam cientistas

Flora intestinal pode ajudar no combate a tumores, afirmam cientistas Stock.Xchng/Divulgação
Espécies de bactéria que compõem a flora intestinal variam de
 pessoa para pessoa
Ao deslocar certas bactérias do intestino para outros órgãos, quimioterapia estimularia o sistema imunológico para enfrentar o câncer
 
Um estudo publicado recentemente na revista Science apresenta uma descoberta surpreendente: a quimioterapia atua de forma mais eficaz com a ajuda da flora intestinal de pacientes com câncer. A pesquisa, conduzida por cientistas franceses dos institutos Gustave Roussy, Pasteur, Inserm (Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica) e INRA (Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas), demonstra que a eficácia de um dos medicamentos mais usados em tratamentos quimioterápicos se deve à sua capacidade de deslocar certas bactérias do intestino para a corrente sanguínea e os linfonodos. Quando no interior destes últimos, os micro-organismos estimulam o funcionamento do sistema imunológico que, por sua vez, aumenta a capacidade do paciente de combater tumores malignos.
 
A flora intestinal é composta por cerca de 100 trilhões de bactérias, que funcionam praticamente como um órgão do corpo humano, já que desempenham funções cruciais para a nossa saúde, como a eliminação de substâncias estranhas ao organismo (e potencialmente tóxicas) e de agentes patogênicos. Elas ainda garantem a decomposição dos alimentos ingeridos, o que permite uma melhor absorção dos nutrientes, otimizando o metabolismo. Estas trilhões de bactérias colonizam o intestino desde nosso nascimento, e desempenham um papel-chave no amadurecimento de nosso sistema imunológico.
 
No entanto, as espécies de bactéria que compõem a flora intestinal variam de pessoa para pessoa, e a presença ou a ausência de uma ou de outra parece influenciar na ocorrência ou não de certas doenças.
 
Uma equipe de pesquisadores franceses comandada por Laurence Zitvogel, do Instituto Gustave Roussy, em colaboração com Ivo Gomperts Boneca, do Instituto Pasteur, e Patricia Lepage e Joël Doré, do INRA, apresentou evidências de que a flora intestinal estimula as respostas imunológicas de um indivíduo para combater o câncer durante a quimioterapia.
 
Efeito colateral benéfico
A ciclofosfamida é uma das drogas mais utilizadas na quimioterapia. Entretanto, como qualquer outro tratamento, ela causa efeitos colaterais (como a inflamação da mucosa) e perturba o equilíbrio natural da flora intestinal. Em decorrência disto, certas bactérias (especificamente aquelas que fazem parte do chamado grupo Gram+) podem acabar passando pela barreira do intestino e entrando na corrente sanguínea e nos linfonodos.
 
Essas bactérias, quando circulam em outras partes do organismo, podem ser consideraras prejudiciais, fazendo com que o corpo gere uma resposta imunológica.
 
— Essa reação em cadeia, um efeito colateral do tratamento, acaba por se tornar muito útil. Surpreendentemente, as defesas imunológicas direcionadas contra essas bactérias ajudam o paciente a melhor combater seu tumor, já que estimulam novos mecanismos de imunodefesa — explica Zitvogel.
 
Mais especificamente, a imunização contra estas bactérias leva ao uso de linfócitos efetores diferentes daqueles mobilizados pela quimioterapia. Seu papel consiste em ajudar linfócitos anticancerígenos a conter o crescimento de tumores.
 
Para testar estas observações, os pesquisadores retiraram todas as bactérias do grupo Gram+ das floras intestinais de camundongos. Os resultados demonstraram que a eficácia da quimioterapia foi reduzida. Os cientistas também sugerem que alguns antibióticos usados durante a quimioterapia podem matar estas bactérias Gram+, anulando dessa forma seu efeito benéfico.
 
— Agora que esta bactéria "benéfica" que potencializa a imunodefesa anticancerígena foi identificada, em breve nós devemos passar a administrá-la mais para os pacientes, especificamente por meio de medicamentos pró ou prebióticos, ou ainda de uma dieta específica — conclui o pesquisador.
 
Zero Hora

Manual da Associação Americana do Coração dá dicas para a vida sexual pós-infarto

Um manual com recomendações sobre a volta à vida sexual após uma doença cardiovascular foi lançado pela primeira vez por uma associação médica para incentivar cardiologistas a tocar no assunto com seus pacientes.
 
Sim, o tema ainda é tabu --tanto para médicos como para pacientes. Estudos já mostraram que os cardiologistas reconhecem a importância e necessidade de falar a respeito, mas muitos não sabem que conselhos dar ou se sentem constrangidos.
 
kama sutra velhinhos
Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress
 
A vergonha também pode tomar conta de pacientes e seus parceiros, que nessas situações costumam ter uma lista de medos e ansiedade. com potencial de causar impactos negativos nos relacionamentos.
 
Uma das principais preocupações é sobre um eventual infarto durante o ato sexual -coisa rara, que só acontece em 0,9% dos casos.
 
É o tipo de informação que poderia ser repassada aos pacientes para tranquilizá-los, segundo as diretrizes baseadas em evidências publicadas recentemente na revista "Circulation" pela Associação Americana do Coração e pelo Conselho de Enfermagem Cardiovascular e Profissões Aliadas da Sociedade Europeia de Cardiologia.
 
"Por incrível que pareça, no século 21 esse é um tema difícil de abordar", diz Abrão Cury Jr, supervisor de clínica médica do HCor (Hospital do Coração). "A publicação tira o assunto da penumbra. Tem médico que não sabe se fala sobre sexo com o paciente, mas o manual incentiva e facilita essa abordagem."
 
Segundo o manual, é o próprio profissional que deve tomar a dianteira.
 
"Se o médico toca no assunto, facilita muito porque ele abre um canal de comunicação. Claro que isso também pode gerar um constrangimento, mas o médico deve sempre perguntar se o paciente tem dúvidas, dizer quando a atividade sexual poderá ser feita. Todos querem saber, mas poucos questionam", diz Carlos Costa Magalhães, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo).
 
Quando o bancário aposentado Edson Saraiva, 63, teve um infarto e precisou colocar três pontes de safena aos 39 anos, foi dele a iniciativa de falar sobre sexo.
 
"No início, nem pensava no assunto, mas, passado o perigo, queria retomar a vida de antes e perguntei se podia. Depois de uma cirurgia dessa a gente fica com medo de tudo e, se o médico não disser que pode, não vai fazer."
 
No primeiro retorno, um mês depois, ouviu do médico que estava liberado, mas que no começo precisaria fazer menos esforço físico e ser mais passivo.
 
Isso significa ficar em posições confortáveis que requerem menor gasto de energia, de preferência com a pessoa que sofreu o problema cardíaco deitada.
 
O documento da Associação Americana do Coração também recomenda que os casais avancem aos poucos, começando por beijos e carícias, para que o paciente vá ganhando confiança e perca o medo.
 
Sexo em lugares familiares com o parceiro usual também gera menos estresse para o coração.
 
Outra preocupação é em relação aos remédios prescritos para pacientes cardíacos. Alguns deles, como os betabloqueadores e diuréticos, podem causar perda de libido e disfunção sexual, e o ideal é conversar com o médico a respeito para que ele considere trocar a classe das drogas ou reduzir as doses.
 
Já os remédios para disfunção erétil são contraindicados para os homens que tomam drogas vasodilatadoras à base de nitrato.
 
As recomendações, é claro, devem ser individualizadas e dependem das condições clínicas de cada paciente. E, se o médico não falar no retorno à vida sexual, o paciente deve tocar no assunto e também relatar quaisquer sintomas que possam aparecer durante a relação sexual.
 
"A pessoa não pode sair do consultório com dúvidas. E o médico tem que mostrar que existe, sim, vida sexual após um infarto. Do que adianta manter o paciente vivo sem qualidade de vida?", questiona Carlos Alberto Machado, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
 
Folhaonline

Hospital de SP abre centro de tratamento da obesidade infantil

Daniel dos Santos, 15, que passou por reeducação alimentar
Alessandro Shinoda/Folhapress
Daniel dos Santos, 15, que passou por reeducação alimentar
O Hospital Infantil Sabará, de São Paulo, inaugurou ontem um centro de tratamento de obesidade infantil, o primeiro do gênero em instituições privadas do país.
 
No Brasil, uma em cada três crianças está obesa, segundo o IBGE. Com isso, apresentam problemas antes restritos ao mundo adulto, como hipertensão e diabetes tipo 2.
 
Levantamento do ambulatório de obesidade infantil do HC de São Paulo mostra que 30% das crianças atendidas têm triglicérides elevados e 21% apresentam hipertensão.
 
O ambulatório atende 50 crianças por mês e há uma fila de 300 à espera de vaga.
 
"No SUS praticamente não há nada, nem para adulto nem para criança. O tratamento é esperar que a pessoa vire obesa mórbida e seja operada", diz a médica do HC Maria Edna de Melo.
 
A proposta do Sabará é concentrar profissionais como endocrinologista, nutricionista, psicóloga e educador físico, para que cuidem da criança em conjunto.
 
Segundo Paulina Basch, diretora médica do hospital, na primeira consulta, os profissionais propõem um "plano de cuidado", que pode ser intensivo, moderado e leve.
 
O diferencial de cada um está no número de consultas com cada especialista.
 
O tratamento dura três meses, com consultas semanais. "É o tempo mínimo para qualquer resultado na mudança de hábitos", diz Basch.
 
Atingida a meta, o paciente passa por uma manutenção, com consultas uma vez a cada três ou seis meses.
 
O hospital negocia com operadoras de saúde para que o tratamento seja coberto. O custo para três meses vai de R$ 1.440 a R$ 2.040.
 
Abordagem lúdica
A nutricionista Alessandra Coelho, do Sabará, lembra que a adesão da criança às dietas não é tarefa simples.
 
"A abordagem deve ser lúdica. Ela aprende que pode comer de tudo, ao fazer escolhas e trocas. Assim, cai o peso de ter que fazer dieta."
 
O engajamento da família é fundamental. Foi o que aconteceu na casa de Daniel dos Santos. Há dois anos, com 13 anos, ele estava com sobrepeso. Tinha 27% de gordura corporal. Após a reeducação alimentar, reduziu esse índice para 18%.
 
"Trocamos o leite integral pelo semidesnatado, o queijo amarelo pelo branco e o pão branco pelo integral. Toda a família ganhou", conta a mãe, Sandra Caron.
 
Daniel passou a comer de três em três horas, intensificou a natação e reduziu guloseimas como pães de queijo.
 
"Antes, ele comia uns seis ou sete. Agora, come dois."
 
Folhaonline

São Paulo 'exporta' sêmen para mais de 200 clínicas do país; mercado cresceu 528%

Chico Ferreira/Folhapress
Amostras de sêmen são resfriadas em botijões de nitrogênio e
enviadas a mais de 200 clínicas em todo o país
"Procura-se espermatozoide em bom estado de pai loiro, alto, atlético e bem-humorado. Paga-se bem."
 
Este anúncio é fictício, mas não tem uma gota de sensacionalismo: no mercado brasileiro de sêmen, que aumentou 528% em 18 anos e ultrapassou a 1.300 amostras comercializadas em 2012, a demanda que mais cresce é a por doadores com pinta de viking.
 
Esse "baby boom" foi impulsionado por mulheres solteiras (adeptas a "produções independentes") e casais de lésbicas, que respondem por um em cada três procedimentos de gravidez artificial --em 2005, eram 5%.
 
Diferentemente dos casais inférteis, que buscam doadores parecidos com os futuros pais, as meninas querem filhos no "estilo David Beckham".
 
Segundo o Pro-Seed, maior e mais antigo banco de sêmen do Brasil, o crescimento da renda e o acesso à informação fazem a procura por espermatozoides congelados bater recordes a cada ano. O laboratório privado, no térreo de um prédio de escritórios na Bela Vista, já vendeu 11 mil amostras de esperma paulistano para mais de 200 clínicas espalhadas pelo país.
 
A partir das doações dos voluntários (que não podem ser pagos, segundo a lei brasileira), o banco cria uma espécie de "cardápio" com as características físicas dos doadores. Entre elas estão cor da pele, cabelo, olhos, tipo físico, profissão e hobbies.
 
Por falta de demanda, orientais e negros são mais raros, com 5% e 10% das amostras. "Mas a procura por negros tem aumentado", afirma Vera Feher, diretora do Pro-Seed.
 
Mesmo num país de 200 milhões de habitantes, teme-se a chance de que filhos do mesmo doador se apaixonem. Para evitar o risco, o Conselho Federal de Medicina e a Anvisa determinam que cada voluntário só possa gerar uma criança de cada sexo em uma mesma região.
 
O fotógrafo Adriano Oliveira, 28, é um dos veteranos, com mais de dez contribuições. "Perdi um filho recém-nascido por erro médico. Sempre tive vontade de ser pai. Por isso me preocupo com quem não consegue."
 
No Brasil, tanto os doadores quanto os casais são anônimos. Adriano torce para que sua contribuição "vá para as mãos certas, para quem realmente ame e cuide com carinho".
 
Além de amor, quem decide engravidar em laboratório tem que estar disposto a pagar de R$ 1.600 a R$ 2.200, dependendo do processo escolhido --fertilização in vitro (embrião gerado fora do corpo e depois inserido no ventre da mulher) ou inseminação artificial (espermatozoides introduzidos diretamente no útero da paciente).
 
Já o doador não recebe nada, ao contrário de países como Estados Unidos, onde ganha-se em média US$ 50. Mas Vera aponta vantagens para o doador: "Além de ajudar outras famílias, quem doa faz vários exames gratuitamente".
 
Arte revista sãopaulo
 
'Você tem bolas?'
O "vestibular" da doação elimina 90% do material. O candidato deve ter de 18 a 45 anos e manter abstinência sexual (masturbação inclusa) de três a sete dias antes da coleta.
 
Na análise do esperma, boa parte do estoque é limada.
 
"Em 20 anos, percebemos que a concentração média de espermatozoides por miligrama de sêmen caiu pela metade", conta Vera.
 
"As causas são ligadas a estresse, poluição, alimentos com agrotóxicos e sedentarismo", ela afirma.
 
Após o espermograma, o material passa por exames sorológicos (Aids, Hepatite B e C, sífilis e outros). Se tudo correr bem, o homem faz ao menos seis coletas (a cada sete ou 15 dias).
 
Na Inglaterra, onde um em cada seis casais tem problemas para engravidar, uma campanha de doação espalhou pôsteres em estádios: "Do you have balls?" ("você tem bolas?" --a palavra "balls" também pode significar "coragem" em inglês).
 
Por aqui, as campanhas são menos enfáticas, e o número de "contribuintes" também é tímido. "São oito ou dez por mês. O ideal seriam 50", diz Vera.
 
Repórter relata experiência na "salinha de coleta"
Acordar cedo para conseguir chegar ao laboratório, cumprimentar a recepcionista, conversar com a médica, fingir estar tranquilo e enfim entrar na salinha de coleta de sêmen já seria tarefa difícil. Com gravador na mão, crachá do jornal e fotógrafo a tiracolo, a missão se torna especialmente ingrata.
 
Ok, pensei, são ossos do ofício.
 
Quando me dei conta, já estava na saleta iluminada por luz branca, em frente a uma enorme TV de plasma e uma pilha de revistas e DVDs eróticos maior ainda.
 
Dava para ouvir a risada do fotógrafo: "Nesse momento, o Ricardo já tá mandando ver..."
 
Não, não estava. Quando o barulho lá fora diminuiu, arrisquei folhear a coleção de "Playboys": Luma de Oliveira posando, em 1987, aos 20 aninhos. Sheila Carvalho, no auge do É o Tchan (e antes do silicone). Catarina, a menina que desistiu de leiloar a virgindade.
 
Eu nunca tinha visto uma lista tão grande de DVDs: "Ninfetas Viciadas em Sexo", "Todas Querem Jack" e "Três Horas de Luxúria" eram alguns.
 
Escolhi "Amigas à Procura de Cowboys" --vale ressaltar que todas as revistas e DVDs eram focadas no público heterossexual. Fiquei sentado no sofá de couro branco da saleta por uns 20 minutos. Aos menos, pensei, não dava para ouvir nenhum barulho lá de fora.
 
Depois de cumprir minha missão, abri a janelinha quadrada dos fundos da sala. Ali, sobre uma placa aquecida a 37°C, deixei o potinho de coleta.
 
Amigos perguntaram o que eu acharia se a experiência resultasse filhos (seriam meus primeiros). Nunca vou saber. A doação é anônima. Então, estou tranquilo.
 
Folhaonline