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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Uruguai aprova projeto de lei que regula venda de maconha

Senadores debatem a criação do primeiro mercado nacional de maconha (Foto: Matilde Campodonico/AP)
Foto: Matilde Campodonico/AP
Senadores debatem a criação do primeiro mercado nacional de maconha
Com 16 votos a favor e 13 contra, projeto passa pelo Senado. Proposta ainda tem de ser sancionada pelo presidente José Mujica

O Senado uruguaio aprovou nesta terça-feira (10), por 16 votos a favor e 13 contra, um projeto de lei que regulará a produção e a venda de maconha no país, uma experiência ainda inédita no mundo. Agora a proposta deve ser sancionada pelo presidente José Mujica em dez dias e ser implementada depois de outros 120 dias.

O texto, aprovado em julho pela Câmara dos Deputados do país, foi proposto pelo governo, cuja coalizão esquerdista Frente Ampla controla as duas Casas.

O projeto dá ao governo uruguaio o controle e a regulamentação da importação, do cultivo, da colheita, da distribuição e da comercialização da maconha. Não haverá restrição para o consumo. Para plantar, os residentes maiores de 18 anos terão que se cadastrar e poderão cultivar até seis plantas. O acesso ao produto poderá ser feito em clubes de usuários ou em farmácias, com limite de 40 gramas.

Após mais de dez horas de discussão, os 29 senadores iniciaram a votação nominal, e alguns pediram para justificar seus votos. O oposicionista Pedro Bordaberry, contrário ao projeto, afirmou que “não se pode fazer experiência com isto, são coisas sérias demais. Como não posso combater o narcotráfico, o legalizo. Parece-me que este não é o caminho”. 

Já o senador Ernesto Agazzi, um dos que votaram a favor, expressou opinião diferente. “Creio que esta lei não é uma lei de legalização, é uma lei que regula, não é branda como dizem aqui”, disse. “Se o consumo está permitido, por que criminalizar o usuário?”, questionou ainda. 

A aprovação no Senado do Uruguai do projeto que legaliza a produção e a venda da erva promoverá o apoio da opinião pública latino-americana neste sentido, estimou a ONG Drug Policy Alliance (DPA). 

"Acredito que há uma boa possibilidade de que a iniciativa do Uruguai tenha um impacto similar na opinião pública da América Latina", disse Ethan Nadelmann, fundador e diretor-executivo da DPA. 

A iniciativa foi apresentada há um ano e meio pelo governo do presidente José Mujica junto a uma série de medidas para frear o aumento da insegurança pública e desencorajar a violência associada ao narcotráfico. 

"Este é um experimento", admitiu Mujica em agosto passado, em entrevista à AFP. "Podemos fazer uma verdadeira contribuição à humanidade", disse.

G1

Médicos criticam política nacional de combate ao HIV

Apesar de verem avanço na nova estratégia de enfrentamento à Aids lançada pelo governo federal, médicos fazem críticas à política nacional de combate à doença.

A maior preocupação é com a forma como o governo lida com a epidemia entre jovens gays e prostitutas. O tema mobiliza a bancada evangélica do Congresso, que pressiona contra campanhas que vê como inadequadas.

No dia 1º, o Ministério da Saúde anunciou que vai oferecer antirretrovirais a todas as pessoas infectadas com o vírus, independentemente do estágio da doença. O governo também vai testar, no Rio Grande do Sul, a oferta dos antivirais para pessoas que não têm HIV mas pertencem a grupos de risco --como prostitutas e gays. 

Alexandre Grangeiro, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, vê a política de ampliar a testagem e a oferta de tratamento como adequada, mas critica a abordagem feita à população.

"Como a gente levaria [mais pessoas] a realizarem o teste? Com políticas de afirmação, de direitos humanos. E o governo interrompe essas políticas, suspendendo a propaganda do Carnaval [de 2012, focada nos jovens gays] e a das prostitutas [em 2013]."

Caio Rosenthal, infectologista do hospital Emílio Ribas, diz que é preciso mais investimento. "Faltam mais especialistas, fazer mais campanhas. A questão dos homossexuais é gravíssima."

Outro ponto controverso é a proposta de fazer a rede de atenção básica do SUS participar do atendimento a pacientes com HIV --hoje feito em centros especializados.

Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do ministério, diz que a ideia é aproveitar a rede básica para ampliar a realização dos testes de HIV. A proposta, diz, não prevê acabar com os centros de especialidade, mas integrar os dois serviços.

Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo, diz que há pacientes preocupados com a eventual migração, diante da falta de estrutura da rede básica, e com a ampliação do tratamento. "[É preciso] discutir se os serviços estão preparados para essa demanda. O diagnóstico que temos é que não."

O ministério afirma que há estrutura para absorver a nova demanda e que há campanhas focadas em segmentos vulneráveis.

Folhaonline

Fabricante de implantes de silicone PIP é condenado à prisão na França

O fundador da fábrica de prótese mamária, Jean-Claude Mas; silicone adulterado continua aditivo de combustível
Eric Estrade/France Presse
O fundador da fábrica de prótese mamária, Jean-Claude Mas; silicone
adulterado continua aditivo de combustível
O fundador da marca de implantes de silicone PIP (Poly Implant Prothèse), Jean-Claude Mas, 74, foi condenado a quatro anos de prisão por esconder informações sobre a natureza do material de baixa qualidade usado nos implantes vendidos a 300 mil mulheres no mundo todo.

No Brasil, segundo a Anvisa, 25 mil dessas próteses foram usadas.

Ele foi condenado depois do escândalo mundial ocorrido em 2011, quando a França recomendou que mulheres com silicone PIP removessem os implantes por causa de uma taxa maior de ruptura. Autoridades francesas interditaram a fábrica, que posteriormente faliu.

No julgamento, ocorrido em Marselha, Jean-Claude Mas também foi condenado a pagar uma multa de 75 mil euros por fraude. O advogado dele, Yves Haddad, disse que apelaria da decisão.

O silicone usado pela marca PIP nunca foi aprovado por autoridades regulatórias e custavam um sétimo do preço de silicones autorizados para uso médico.

O fundador da marca, porém, insistiu em dizer que o gel usado na empresa desde 1991 não era tóxico. Ele disse ainda que as mulheres que reclamaram de seus implantes PIP eram "pessoas frágeis ou que estavam em busca de dinheiro".

Outros quatro executivos da empresa foram condenados a penas que variam de um ano e meio a três anos na prisão.

A presidente de um grupo de vítimas dos implantes PIP, Alexandra Blachere, chamou a sentença de "simbólica".

O julgamento durou dois meses e foi feito em um centro de exibições para acomodar 7.400 pessoas (a maioria mulheres francesas que processaram a empresa) e 300 advogados. O evento foi transmitido em telões, e Mas foi vaiado quando sua imagem foi exibida.

Folhaonline

Exercício físico reduz risco de demência, diz estudo

Os cientistas, que analisaram mais de 2.000 homens do Sul de Gales, concluíram que a prática de esporte, acompanhada de uma dieta equilibrada, não ser fumante e não ingerir álcool também têm impacto importante na prevenção desta doença.

Esses quatro fatores foram analisados durante mais de três décadas nas pessoas e o estudo determinou que o mais influente deles para diminuir o risco de demência é o exercício físico.

"A redução dos casos de demência a partir desses passos simples e saudáveis realmente nos surpreendeu e é de enorme importância no envelhecimento da população", disse Peter Elrood, professor da Escola de Medicina de Cardiff e um dos autores do estudo.

Para Elrood, esta é uma "evidência que muita gente não segue um estilo de vida saudável".

O trabalho, publicado na mais recente edição da revista científica "PLOS One", mostra que, embora o número de fumantes tenha diminuído nos últimos 35 anos, os cidadãos que seguem um estilo de vida saudável se mantém em "níveis estagnados".

As pessoas participantes do estudo, submetidas a um nível de vida saudável durante mais de três décadas, estiveram expostas a 60% menos de possibilidades de ter demência e a 70% menos de ter diabetes ou ataques ao coração, se comparado aos que não seguem esses princípios saudáveis.

"Esse estudo, essencial para compreender como se pode prevenir a demência, é evidência de que a vida saudável poderia reduzir significativamente as probabilidades de desenvolvê-la", destacou Doug Brown, da Sociedade do Alzheimer do Reino Unido.

Enquanto isso, um grupo de médicos e especialistas em saúde atestou em carta dirigida hoje ao ministro da Saúde britânico, Jeremy Hunt, que uma dieta mediterrânea saudável poderia prevenir a doença.

Na carta foi ressaltado que conscientizar os cidadãos a consumir alimentos saudáveis é "possivelmente, a melhor estratégia que há atualmente disponível" para combater esta doença. A previsão é que em 2050 135 milhões de pessoas no mundo sejam afetados por ela.

Londres recebe amanhã a primeira Cúpula sobre a Demência do G8, organizada pela presidência britânica. 

EFE

Dieta restritiva não emagrece a longo prazo e traz riscos, diz especialista

Varejão irá vender por unidade frutas e verduras na Ceasa em Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)
Foto: Reprodução/ EPTV
Mesmo o consumpo de apenas frutas pode causar problemas
 à saúde; ideal é comer todos os grupos de alimentos
Eliminar grupos de alimentos traz série de sintomas, segundo nutricionista. Conheça outros exemplos de dietas radicais que seguem essa ideia
 
Restringir a dieta a um só tipo ou grupo de alimentos pode levar à perda rápida de peso, mas causa complicações à saúde e produz o efeito “sanfona”. É o que comentam especialistas sobre adotar regimes muito restritivos com o objetivo de emagrecer rapidamente, prática muito comum com a chegada do verão.
 
Em entrevista ao Fantástico de domingo, Padre Marcelo Rossi revelou que adotou dieta em que ingeria apenas alface, cebola e hambúrgueres. Os riscos de eliminar completamente a ingestão de carboidratos, segundo a nutricionista Simone Martens, são fraqueza, mal estar e alterações na pressão, que podem levar a taquicardia e alterações de hormônios.
 
“Qualquer dieta que restringe a ingestão energética vai levar à perda de peso. Mas essa não é a maneira correta de emagrecer, especialmente se a pessoa precisa perder grande quantidade e não tem interesse em ganhar novamente”, diz ao G1 Daiana Quintiliano Dourado, nutricionista doutoranda da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Ela explica que a baixa ingestão de energia causa perda de massa muscular e não de gordura, quando o objetivo das dietas deveria ser o contrário.
 
“Não podemos perder massa magra porque ela nos confere o tônus muscular. Você tem mais saúde e mais força para fazer as atividades com a massa muscular preservada”, afirma Daiana.
 
Sintomas típicos da falta de grupos de alimentos nas refeições, segundo a nutricionista, seriam pele ressecada, queda de cabelo, fragilidade nas unhas, mau humor (porque faltam nutrientes importantes para o funcionamento do cérebro), mau hálito, insônia, dores de cabeça e desidratação. “De maneira geral, a alimentação correta deve conter todos os grupos de alimentos. Essas dietas não priorizam a mudança de hábito alimentar, que é você aprender a comer adequadamente para o resto da vida”.
 
Veja abaixo outras dietas radicais que ganharam popularidade, inclusive entre celebridades, e foram motivo de alerta de especialistas para potenciais perigos que representam à saúde:
 
Dukan
Seguida por celebridades como a duquesa de Cambridge Kate Middleton e a cantora Jennifer Lopez, o regime proposto pelo nutricionista francês Pierre Dukan, autor de best-sellers sobre dietas, também privilegia o consumo de proteínas. A proposta é começar pela alimentação exclusiva de carne e, em outras fases, acrescentar o consumo de legumes, frutas e pequenas porções de pães e massas integrais.
 
Bolinhas de algodão
Com muita popularidade nos Estados Unidos, a febre da ingerir bolas de algodão mergulhadas em suco é a mais recente moda entre jovens. A ideia é obter saciedade e perder o apetite para refeições.
 
“Essa prática é a mais absurda. Primeiro que algodão não é um alimento. Naturalmente o nosso organismo não foi preparado para digerir o algodão. Ele chega ao estômago e produz saciedade, mas também existem alimentos que produzem a mesma sensação”, afirma Daiana, que também é mestre em Saúde Pública pela USP. “Existe até um risco de intoxicação por algum produto tóxico que as empresas podem colocar no algodão e que é totalmente permitido em sua fabricação. Também pode levar a uma constipação intestinal e o intestino pode ficar obstruído”, diz.
 
Papinha de bebê
Comer apenas papinhas de bebê industrializadas também chegou a conquistar adeptos do emagrecimento rápido. A dieta é totalmente restrita a esse alimento com a "promessa" de que a pessoa volte a ter um estômago de criança. Mas as proporções de nutrientes não estão de acordo com a recomendada para adultos, como alerta Daiana, e pode haver falta de minerais e vitaminas.
 
“Essa regressão fisiológica (do organismo) não vai acontecer. Por isso as pessoas têm que parar de buscar um milagre e saber que o caminho para perda de peso adequada é comer todos os alimentos de forma controlada. Não devem restringir a um alimento nem consistência.”
 
A mudança da consistência dos alimentos é outro problema da dieta das papinhas. “Nessa você não estimula a mastigação, que é totalmente associada com saciedade e digestão. Quanto mais você mastiga, mais o organismo libera ácidos e enzimas para a digestão do alimento”, afirma a nutricionista.
 
Frutas e vegetais
Steve Jobs, por exemplo, chegou a passar um ano comendo apenas frutas. Para filmar a história do empresário da Apple, o ator Ashton Kutcher seguiu a dieta de Jobs, mas foi parar na emergência de um hospital. "Eu não recomendo essa dieta para ninguém. Eu queria seguir a mesma disciplina com a alimentação que ele seguiu, mas eu tive um problema sério no pâncreas e senti muita dor”, disse o ator em entrevista ao Fantástico, em setembro.
 
Daiana Dourado explica que fruta é um alimento saudável, mas apenas se associado a outros grupos. “Todo mundo deveria comer em média três frutas ao dia. Contudo quando você pega algo que é saudável, mas tira do contexto de todos os alimentos, ela não fica saudável. São saudáveis desde que fazem parte de dieta que inclui carne, cereais, laticínios”, diz.
 
A falta desses grupos de alimentos podem causar muita perda de massa muscular, de micronutrientes e levar à anemia, explica.
 
Jejum
Daiana conta que alguns pacientes chegam para uma consulta se dizendo dispostas a adotar períodos de jejum para perder peso de forma rápida. O regime consiste em escolher dois dias na semana para ficar em jejum absoluto. “Na 'dieta zero' as pessoas utilizam essa ideia em moda agora do 'zero'.  O jejum prolongado vai levar à maior degradação de massa muscular e a pessoa pode ter tontura, cansaço e chegar a desmaiar”, diz.

G1