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domingo, 15 de dezembro de 2013

Consumo de tabaco no RS tem queda de 33% em seis anos, indica pesquisa

Consumo de tabaco no Estado tem queda de 33% em seis anos, indica pesquisa Adriana Franciosi/Agencia RBS
Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS
Em 2012, 17,4% dos gaúchos eram fumantes
Apesar da diminuição, índice de gaúchos fumantes ainda é maior que a média nacional
 
O consumo de tabaco caiu 33% no Rio Grande do Sul nos últimos seis anos, de acordo com o segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) divulgado nesta quarta-feira pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A queda é maior que a média nacional, de 20%, mas os gaúchos ainda fumam mais que os outros brasileiros: somos 17,4% de fumantes, contra 15,6% em todo o país.
 
O índice do primeiro levantamento, realizado em 2006, foi de 25,9% de fumantes no Estado. No Brasil, 15,6% declararam-se fumantes em 2012, contra 19,3% em 2006.
 
A pesquisa estima que 20 milhões de brasileiros consumiam tabaco em 2012, o que somava 16,9% da população. Em 2006, eram 20,8%. Embora o número de fumantes tenha diminuído, o hábito de fumar ficou mais intenso no período. A média de consumo passou de 12,9 cigarros por dia para 14,1 nos últimos seis anos.
 
O consumo de tabaco é maior entre os homens. Eles somaram 19,2% de fumantes em 2012, enquanto 15,7% das mulheres declararam fumar. Entretanto, o número de homens que deixou de fumar foi maior em 2012 (22%) do que a diminuição do tabagismo entre as mulheres (13%). Segundo a coordenadora do Lenad Clarice Sandi Madruga, a tendência é de pareamento entre os gêneros, com homens e mulheres fumando na mesma proporção. Isso já pode ser visto nas faixas etárias mais jovens, onde a diferença de gênero é menor ou sequer existe mais.
 
A queda no números de fumantes não é considerada satisfatória pelos pesquisadores. De acordo com Clarice, os índices poderiam ser menores.
 
— Quem está ainda fumando são pessoas que têm uma dependência mais severa e precisam de tratamento. A população não tem acesso ou não conhece os tratamentos especializados — argumenta.
 
Facilidade no acesso é fundamental
Um dos pontos de maior destaque na pesquisa diz respeito ao consumo de tabaco entre as classes sociais. O Lenad detectou uma diminuição em todas elas, exceto na classe A. Entre a parcela mais rica da sociedade o que se viu foi o contrário: um aumento de 110% no consumo nos últimos seis anos. Para Clarice, o dado confirma que ter dinheiro para comprar cigarro é fundamental para manter o hábito de fumar.
 
— Embora a classe mais alta tenha mais acesso a informação e educação, o fato de ter mais facilidade na compra tem maior impacto no consumo — declara.
 
O Lenad apontou que 90% dos fumantes afirmaram que estão dispostos a parar de fumar. No entanto, apenas 7% deles realmente têm planos para deixar o cigarro. Segundo Clarice, a hipótese para é que aqueles que tinham mais facilidade ou motivação para parar já conseguiram.
 
— Os fumantes restantes têm dependência mais severa e já tiveram muitas tentativas de parada mal sucedidas. Cabe salientar que o tabagismo é a dependência com menos sucesso de tratamento e com maiores taxas de recaídas — afirma.
 
A pesquisa também mostrou que 62% dos menores de idade no Brasil declararam não encontrar nenhuma dificuldade para comprar cigarros. A idade média de experimentação de cigarros foi de 16,2 anos em 2012, variando pouco da média de 15.9 anos de 2006. A idade média do começo de consumo regular é de 17,4 anos.
 
Dicas para parar de fumar
 
O Instituto Nacional de Câncer indica que você pode escolher duas formas para deixar de fumar:
 
Parada imediata
Deve ser sempre a primeira opção. Você deixa de fumar de uma só vez, cessando totalmente de uma hora para outra.
 
Parada gradual
 
Você pode usar esse método de duas maneiras:
— Reduzindo o número de cigarros. Para isso, é só contar o número de cigarros fumados por dia e passar a fumar um número menor a cada dia
 
— Adiando a hora em que fuma o primeiro cigarro do dia. Você vai adiando o primeiro cigarro por um número de horas predeterminado a cada dia até chegar o dia em que você não fumará nenhum cigarro.
 
Se você escolher a parada gradual não deve gastar mais de duas semanas no processo.
 
Repense sua rotina: pense no que seria possível fazer para mudar sua rotina. Buscar atividades diferentes pode ajudar quando se está parando de fumar.
 
Invista em seu preparo físico: procure iniciar caminhadas, de preferência em lugares agradáveis. Se não gosta de caminhar, procure outro exercício ou esporte que o agrade.
 
Se sentir muita vontade de fumar: para ajudar, você poderá chupar gelo, escovar os dentes a toda hora, beber água gelada ou comer uma fruta. Mantenha as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabisque alguma coisa ou manuseie objetos pequenos. Não fique parado: converse com um amigo, faça algo diferente, distraia sua atenção. Saiba que a vontade de fumar não dura mais que alguns minutos.
 
Fonte: Inca

Veja mais dados da pesquisa:
 
 
Zero Hora

Conheça mitos e verdades sobre a infecção urinária

Conheça mitos e verdades sobre a infecção urinária Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução
Beber muita água é fundamental para prevenir a infecção urinária
Problema é bastante comum entre as mulheres
 
A infecção urinária é uma das doenças mais recorrentes entre as mulheres. De acordo com o urologista membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia João Afif Abdo, cerca de dois terços delas experimentam, no mínimo, um episódio do problema ao longo da vida, sendo que 23% dessas mulheres têm dois episódios e 5% têm recorrências.
 
O especialista listou os principais mitos e verdades sobre o problema. Veja:
 
A infecção urinária é causada apenas por fungos: mito
A infecção do trato urinário pode ser causada por fungos, porém a maioria delas é provocada por bactérias que podem se alojar no aparelho urinário. A infecção pode se alojar apenas na bexiga (cistites) ou atingir os rins (pielonefrites). As cistites são mais frequentes e geralmente provocam dor ao urinar, frequência urinária muito aumentada e às vezes até sangramento às micções. Já as pielonefrites provocam os mesmos sintomas da cistite, mas comprometem o estado geral das pessoas com febre alta, mal estar geral e fraqueza. As bactérias mais comuns nas infecções do aparelho urinário coexistem normalmente nos intestinos, mas quando entram em contato com o sistema urinário, tornam-se nocivos e causam grande desconforto ao paciente.
 
A doença só acomete as mulheres: mito
A infecção pode acontecer com os homens também, mas é muito mais frequente nas mulheres. A própria anatomia feminina é uma das causas que facilitam o aparecimento das infecções urinárias nas mulheres. A uretra feminina é bastante curta e desemboca no genital ao lado da vagina. Por outro lado, ela está muito próxima da região anal, área contaminada até mesmo em pessoas com boa higiene, fato este que facilita o aparecimento de infecções ginecológicas e que a partir daí podem contaminar o aparelho urinário.
 
A infecção acontece mais frequentemente em certas épocas do ano: verdade
No inverno as chances de contrair a infecção aumentam. Em épocas mais frias, as pessoas costumam ingerir menos líquidos e sentem menos necessidade de ir ao banheiro. O ato de urinar auxilia na limpeza do canal da uretra e, quando isso não acontece, há um aumento da possibilidade de reter bactérias no local. Já no verão, período normalmente de férias, é natural que as mulheres mudem seus hábitos diários, como alimentação e atividades do cotidiano, causando uma oscilação no funcionamento do organismo. Este fato aumenta o risco de contrair a infecção urinária.
 
Um dos sintomas da infecção urinária é a urina ficar rosada: verdade
Entre os sintomas da infecção do trato urinário estão: necessidade frequente de urinar acompanhada de dor, modificação na cor da urina, que passa a ser turva ou rosada (pela presença de sangue), alteração no cheiro, que se intensifica, além de febres e dores na região lombar, dependendo da gravidade do caso.
 
Ardor e dor para urinar são sempre sintomas de infecção urinária: mito
A queixa pode também estar relacionada a infecções ginecológicas, traumatismo local e alergias.
 
A única maneira de prevenir a infecção é adquirir o costume de ingerir muita água: mito
Cuidados simples podem ser tomados para evitar o problema. Beber muita água é fundamental, assim como urinar logo após a relação sexual e tomar cuidado durante uma atividade sexual para evitar a contaminação da área genital. Não segurar a vontade de ir ao banheiro também é importante. No longo prazo, essa prática pode enfraquecer a bexiga, que passa a não conseguir eliminar totalmente a urina e essa sobra é prejudicial.
 
Zero Hora

Quando o leite de fórmula é necessário?

A mãe só deve incluir o leite de fórmula na alimentação
do bebê após a orientação do pediatra
Apenas o pediatra deve dizer se o aleitamento materno pode ser complementado ou substituído. Saiba por que não é recomendável dar leite de fórmula livremente para o bebê
 
Nas prateleiras dos supermercados, o acesso a variados tipos e marcas de leites de fórmula para bebês é livre. Um cartaz lembra as mães que a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam a amamentação exclusiva pelo menos até o sexto mês de vida do filho, mas as latas podem ser levadas para casa e substituir o aleitamento antes disso, se a mãe assim o quiser.
 
Embora não haja necessidade de prescrição médica para a compra de leite de fórmula, a atitude mais responsável por parte de uma mãe é inclui-lo na alimentação do bebê apenas sob a orientação e supervisão do pediatra. É ele o profissional que, a partir de análises na criança e na própria mãe (se for o caso), sabe identificar a necessidade do complemento ou da substituição do leite materno por produtos de laboratório.
 
Em princípio, muito poucas mães precisarão fazer mamadeiras de leite de fórmula para seus filhos. “Se a criança está bem, mamando normalmente, não há nenhuma necessidade de usar fórmulas. Mesmo que a mãe volte ao trabalho quatro meses depois de dar à luz, pode continuar dando o próprio leite para o bebê até ele completar um ano. Basta amamentar de manhã e à noite e, ao longo do dia, tirar o leite do peito com bombas apropriadas para esse fim. Esse leite pode ser armazenado na geladeira e aquecido em banho-maria para ser dado ao bebê posteriormente”, aconselha o pediatra Roberto Issler, professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), consultor internacional em lactação e representante no Brasil do International Board of Lactation Consultant Examiners (IBLCE).
 
Exceções
A hipogalactia, ou baixa produção de leite pela mãe, é um dos poucos casos em que o leite de fórmula se faz necessário. “A condição é rara, mas existe e precisa ser diagnosticada depois da checagem de todas as eventuais dificuldades de amamentação, como a demora na pega ou lesões no bico do seio”, diz Maurício Magalhães, pediatra e neo-natologista do Hospital Israelita Albert Einstein.
 
Uma confusão que muitas mães fazem, ele conta, é acharem que não estão produzindo leite suficiente logo nos três primeiros dias de vida do bebê, e então já quererem partir para a fórmula. “Essa é a fase do colostro, em que o leite realmente pode sair com mais dificuldade. Mas logo em seguida o leite será produzido em abundância para nutrir o filho”, esclarece.
 
Outra circunstância que pode requerer o uso de leite de fórmula é quando o bebê apresenta alguma reação adversa ao longo da amamentação. “Se ele manifesta alergias, refluxos ou problemas de digestão, por exemplo, pode precisar de uma fórmula desenvolvida especialmente para o quadro manifestado”, explica Sérgio Furuta, pediatra pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
 
Furuta ressalta que os sintomas clínicos do bebê são os indicadores mais fortes e seguros para detectar a necessidade do leite de fórmula. “O que chama a atenção no consultório é quando o bebê, mesmo mamando no peito, não ganha peso, não consegue ficar dentro das tabelas de peso e altura seguidas pela pediatria. Também são sinais de alerta os casos em que ele está constantemente irritadiço, não evacua ou não dorme bem. Não existe leite materno fraco, isso é um mito, mas a mãe pode não estar produzindo leite suficiente para nutrir o filho”, afirma.
 
Perigos
Há mães que decidem não ouvir os médicos e preferem seguir conselhos de uma amiga ou parente para que deem leite de fórmula para seus bebês. Os riscos dessa atitude são sérios e podem criar consequências que acompanharão esses filhos ao longo da vida.
 
O principal é o desenvolvimento de uma alergia à proteína do leite de vaca. “Todas as fórmulas contêm proteína de leite de vaca, e o intestino do bebê ainda não está preparado para recebê-la. Com isso, o organismo em formação pode reagir de modo a criar uma alergia que não terá cura”, diz Furuta.
 
Outro problema que pode se manifestar no futuro em decorrência do uso inapropriado do leite de fórmula é a obesidade, de acordo com Issler: “O soro do leite da vaca presente nas fórmulas poderá causar o sobrepeso desse bebê já na infância, e essa tendência se agrava na vida adulta”.
 
Mas nada de pânico se o pediatra recomendar o uso do leite de fórmula para seu filho. “Tais riscos existem, mas a prioridade é que o bebê cresça, se desenvolva. O bom pediatra só vai receitar se for extremamente necessário”, assegura Furuta.

Delas

Plano de saúde: Justiça é "última esperança" de cliente, diz desembargador

Divulgação/TJ-SP
Herbert: operadoras fazem cálculo para ver se vale a pena negar
 atendimento a consumidor
Para Ronnie Herbert, agências reguladoras como a ANS criam regras que servem de escudo para as operadoras, em vez de beneficiar usuários
 
A Justiça se tornou a última esperança que os clientes de planos de saúde têm de usarem aquilo pelo que pagam, avalia juiz Ronnie Herbert, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Isso porque os órgãos reguladores – no caso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – acabam por criar regras que protegem não os consumidores, mas as empresas.
 
"Como raramente esses órgãos administrativos conseguem resolver o problema, a regulação do atendimento acabou sendo transferida para o Poder Judiciário", afirma o magistrado, em entrevista ao iG.
 
Mesmo assim, nem sempre a tarefa é fácil. Como o iG mostrou nesta sexta-feira (13), em muitos casos as operadoras brigam na Justiça para não prestar um atendimento que, para os desembargadores, é devido. A conduta tem levado a multas que, em um processo, chegou a R$ 1 milhão.
 
"Os planos de saúde muitas vezes fazem essa análise de custo de negar ou não negar atendimento e ver quem é que vai reclamar em juízo. Eu imagino que o percentual dos que reclamam não seja tão grande", diz Herbert.
 
Em nota, a ANS afirmou que a cada cinco reclamações recebidas, quatro são solucionadas pela mediação de conflitos, com rápida resolução e sem abertura de processos. 
 
"Tal índice demonstra que o interesse do beneficiário é prioridade para a ANS", informa a agência.
 
Leia abaixo os trechos da entrevista.
 
iG São Paulo: Há um acompanhamento do número das demandas envolvendo planos de saúde que chegam ao Tribunal de Justiça de São Paulo?
Ronnie Herbert: Neste ano nós não temos dados disponíveis. No ano passado e no anterior, o Conselho Nacional de Justiça fez alguns levantamentos. A percepção é que tem aumentado o número de ações. Até porque nós tínhamos um universo restrito de planos de saúde. De uns anos para cá, houve aumento. Antes a pessoa não tinha condição de ter um plano, e hoje há alguns de valores mais baixos que permitem as pessoas aderirem. O problema é que as pessoas, quando vão precisar do atendimento desses planos de valores mais baixos, acabam não tendo a cobertura que precisavam ter, as coberturas são mais restritas, há uma série de exclusões e muitas vezes o consumidor não é nem informado a respeito disso.
 
Quais são os principais temas dos questionamentos?
A maior parte é negativa de cobertura, principalmente procedimentos de alto custo. Quando você tem quimioterapia e radioterapia para tratamento de câncer, doenças cardíacas, cirurgia para obesidade mórbida ou procedimentos de investigação por imagem, como tomografia, ressonância magnética, pet-scan, esses são normalmente negados. E, numa outra vertente, as próteses de fêmur, de quadril – implantação de stent [dispositivo para evitar entupimento das artérias], que são caras [também são negadas].
 
Outras questões como reajustes...
Há também uma outra parte que é a questão da cobrança por faixa etária. O que nós tínhamos até um tempo atrás é que o sujeito completava 60 anos, havia reajuste que chegava a 300%, 400%. Como Estatuto do Idoso [de 2003] trouxe uma limitação, e as regras da ANS também, os planos têm dado esses aumentos aos 58 anos, 59 anos. Fogem do termo cronológico, mas acabam dando reajustes também muito altos para pessoas que não têm renda para fazer muitas vezes frente a esse pagamento.
 
Os reajustes por sinistralidade são muito comuns ou são mais raros?
São bastante comuns. Em primeiro lugar [está] a negativa de cobertura. Em segundo lugar está [a demanda] relativa aos valores cobrados nos reajustes que eles aplicam. Em terceiro lugar está o descredenciamento de profissionais. As pessoas contratam o plano e têm previsão de cobertura de uma determinada rede de profissionais, hospitais e laboratórios. Com o passar do tempo, para reduzir custos, o plano substitui os profissionais, hospitais e laboratórios. E, com isso, muitas vezes o serviço que é prestado, embora para o plano de saúde seja menos custoso, não atende a expectativa que ele [consumidor] tinha quando contratou o plano.
 
Há muitos casos de ações coletivas, elas têm se tornado mais comum ou não?
Acho que são poucas. Eu fiquei na 14ª Vara do Fórum João Mendes de 2007 a 2013 e nunca julguei nenhuma ação coletiva envolvendo planos de saúde. Nem do Ministério Público nem de associações de defesa do consumidor.
 
As súmulas do Tribunal de Justiça (veja lista) têm ajudado a reduzir a demanda ou a agilizar o julgamento dos processos?
Elas, de uma certa forma, agilizam o julgamento porque, como as teses são sedimentadas no Tribunal, as sentença dos juízes de 1º grau e também os acórdãos [decisões coletivas de 2º grau] têm uma balisa. Mas os planos de saúde, muitas vezes, fazem essa análise de custo de negar ou não negar atendimento e ver quem é que vai reclamar em juízo. Eu imagino que o percentual dos que reclamam não seja tão grande. [Então,] mesmo com entendimento já sedimentado no Tribunal, os planos continuam com o mesmo procedimento de não dar atendimento. Tanto que tem um acórdão do desembargador Carlos Teixeira Leite, em que ele aplicou uma multa de R$ 1 milhão por dano social contra uma das operadoras que reiteradamente vinha negando procedimento que o TJ-SP já sumulou que deve ser coberto pelo plano.
 
Existem súmulas que são mais ou menos descumpridas?
Uma coisa que não pode fazer é regulação de procedimento. Quem faz o diagnóstico, quem indica o tratamento que deve ser feito é o médico. Nem a operadora nem o plano podem interferir na terapêutica para dizer se o médico deve aplicar esse ou aquele procedimento. E as operadoras, com base nesta análise econômica que fazem do procedimento, elas reiteradamente negam [o atendimento].
 
Com o argumento de que que não está previsto nas normas da ANS…
As normas da ANS são meramente exemplificativas. Elas não servem como um limitador do direito do consumidor de plano de saúde. Elas trazem apenas um rol de procedimentos mínimos que devem ser atendidos, mas nenhuma norma da ANS determina a exclusão de procedimentos. Nem poderia fazer. Seria inconstitucional se o fizesse.
 
Quem deve escolher tratamento é o médico, e não o plano
 ou a ANS, afirma Herbert
Existe previsão de alguma nova súmula sobre plano de saúde?
Que eu tenha conhecimento não há previsão de novas súmulas.
 
Há algum assunto que na opinião do senhor deveria ser sumulado?
Quando foram feitas essas súmulas, foram levantados os principais assuntos. Talvez o que pudesse ser é a questão do reajuste [pouco antes dos 60 anos].
 
O senhor já comentou numa reportagem que a Justiça se tornou um serviço de atendimento ao consumidor dos planos de saúde. O consumidor, quando vai para a Justiça...
É a última esperança dele. O que nós deveríamos ter é uma agência reguladora dos planos de saúde que tivesse uma atuação mais eficaz. Nós deveríamos ter a possibilidade de os Procons imporem multas a essas operadoras, deveríamos ter uma fiscalização administrativa que fosse eficiente. Como raramente esses órgãos administrativos conseguem resolver o problema, a regulação do atendimento acabou sendo transferida para o Poder Judiciário. Isso não deveria ser assim.
 
As agências reguladoras, ao invés de atenderem ao interesse da coletividade, acabam sendo utilizada como escudo pelas próprias operadoras, porque essas agências, e isso eu falo de uma forma geral, baixam regulamentações que, ao invés de servirem a coletividade são utilizadas para excluir direitos. Se tivessem uma ação efetiva dessas agência com força, certamente o número de demandas envolvendo essas questões não seria expressivo como é.
 
Como o senhor classificaria a atuação da ANS quando ela entra, mesmo não sendo parte, em processos que opõem operadora e beneficiários?
A ANS deveria ter decidido antes de chegar ao Judiciário. Se chegou até o juiz para decidir, a ANS não tem que ser ouvida em mais absolutamente nada. Cabe ao juiz decidir quem é que tem razão.
 
iG

15 maneiras práticas para escapar do estresse de fim de ano

Correr é uma atividade simples e eficaz
Oito em cada dez brasileiros ficam estressados nesta época. Delegar atividades, escolher os eventos e até descobrir um roteiro de compras no bairro são dicas para evitar ser um deles
 
Finalizar projetos e relatórios no trabalho, comprar presentes em shoppings e ruas lotados, enfrentar filas nos supermercados para adquirir os itens da ceia, participar de inúmeras confraternizações: são tantas atividades a cumprir que oito em cada dez brasileiros ficam estressados e com altos níveis de tensão entre a segunda quinzena de novembro até o início de janeiro, segundo um levantamento da Associação Internacional do Gerenciamento do Estresse (International Stress Management Association - ISMA-BR).
 
De acordo com o estudo, o motivo que mais causa incômodo neste período ainda é o trabalho. A sobrecarga de tarefas pode levar a uma síndrome conhecida como burnout, reação ao estresse crônico provocado pela vida profissional que causa esgotamento emocional e físico. “Em meio a tantos compromissos, é essencial ter momentos de escape, para dar uma desafogada de toda essa pressão e cuidar de si próprio”, destaca o consultor Rodrigo Fonseca, fundador da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.
 
Mas nem sempre é fácil parar para relaxar com tantas tarefas a serem concluídas. É preciso se policiar para não deixar o estresse tomar conta. Entre as orientações estão, por exemplo, planejar de forma minuciosa o tempo livre, aceitar somente os convites essenciais para eventos e até fazer você mesmo as lembrancinhas para os familiares. Veja na galeria cima (e no texto a seguir) 15 dicas práticas de especialistas para evitar o esgotamento típico desta época do ano.
 
1. Escreva tudo que tem para fazer
Encomendar a ceia de Natal, comprar o presente do afilhado, ir ao amigo secreto da academia, finalizar o balancete de fim de ano no trabalho. Seja qual for a tarefa a ser cumprida, é importante listá-la para ter uma visão de tudo o que ainda é preciso fazer para fechar bem o ano. “A pessoa escreve todas as atividades e depois analisa quais pode delegar para o marido ou para o colega de trabalho e quais realmente precisam ser executadas por ela”, indica Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo e autor do livro “60 Estratégias Práticas Para Ganhar Mais Tempo” (editora Sextante, 2013). Com tudo definido, é só distribuir as ações durante a semana.
 
2. Aproveite as brechas de tempo
Se você trabalha perto do shopping ou de uma área comercial, aproveite o tempo livre no almoço ou no final do expediente para fazer aquela comprinha que falta. Sem ter que se preocupar com estacionamento, por exemplo, você já ganha alguns preciosos minutos. Outra dica é enfrentar lugares movimentados, como os supermercados, logo no horário de abertura, quando costumam ficar mais vazios.
 
3. Não comprometa toda a agenda do dia
Organizar o tempo ajuda a não deixar o dia mais tenso. Planeje tarefas e horários, mas deixe espaço na agenda para urgências e pausas durante o expediente. Aquela reunião de fechamento pode demorar mais do que o previsto, e você terá que abortar o compromisso assumido no fim do dia, por exemplo.
 
4. Tente “zerar” seus e-mails
Se você tem um grande volume de e-mails que sempre deixa para resolver depois, reserve um tempo do dia para esvaziar a caixa de entrada, para não ficar com a sensação de ter deixado coisas importantes pendentes. “Tente não começar o ano com prioridades antigas”, sugere Christian Barbosa. Com paciência, comece respondendo um a um, nem que seja para dizer que vai retomar o assunto em 2014.
 
Economizar tempo não requer mudanças drásticas na rotina,
mas pequenos ajustes em tarefas diárias
5. Faça pausas de um minuto por hora
Apesar de parecer difícil parar em meio a tanta correria, fazer pausas durante o dia é extremamente necessário para evitar o estresse. Segundo Juliana Vilarinho, professora de meditação da organização Brahma Kumaris, o ideal seria interromper as atividades por pelo menos um minuto a cada hora trabalhada. “Tome um suco, dê uma alongada e procure intercalar tarefas manuais e intelectuais, para dar mais equilíbrio”, aconselha a profissional. Uma dica que pode ajudar a lembrar das pausas é colocar o alarme do celular para tocar a cada uma hora.
 
6. Ouça sua intuição
Nos momentos de extrema tensão, quando parece impossível organizar os pensamentos, tente ficar sozinho por alguns minutos. “Fique quieto e escute os seus pensamentos. Eles sempre querem nos dizer algo”, recomenda Rodrigo Fonseca. Muitas vezes, é nesse período de pausa que surge a resolução de um problema ou a ideia para finalizar um trabalho importante. “Nosso inconsciente sempre fica conectado com tudo, mas é preciso parar para ouvi-lo”, diz.
 
7. Não abra mão de comer corretamente
Quando se está na correria, o lanche ou o almoço acaba sendo devorado entre um relatório e outro. É primordial se alimentar de forma saudável e com regularidade para que o corpo funcione bem, conforme indica a professora de meditação Juliana Vilarinho. “Temos de estar presentes em tudo que realizamos. Quando comemos fazendo outra coisa, parece que estamos ganhando tempo, mas na verdade estamos acelerando nossa mente. Por isso, é importante dispensar pelo menos 15 minutos de quietude para a digestão”, recomenda.
 
8. Priorize os eventos a que realmente precisa comparecer ou quer ir
Não participe do amigo secreto da escola de inglês se não está com vontade, nem vá a 15ª happy hour do departamento se está fazendo isso apenas por obrigação ou para cumprir tabela. “Agenda de fim de ano é curta. Se você não cuidar, fica ainda mais apertada. É importante ter coragem de dizer não. Saber selecionar é essencial”, afirma o consultor Christian Barbosa.
 
9. Liste as pessoas a serem presenteadas e separe-as em ‘blocos’
Para otimizar o tempo na compra das lembranças de Natal sem se esquecer de ninguém, a consultora de imagem e personal shopper Sabina Donadelli indica fazer uma lista de todas as pessoas a serem presenteadas e separá-las em “blocos”, para facilitar a logística. “Geralmente, mãe, sogra e tias, por exemplo, vão ganhar coisas parecidas. Então, em um único local consegue-se adquirir todos os mimos para este grupo”, ensina.
 
10. Compre o presente de Natal pela internet
Pesquise em sites de e-commerce confiáveis e efetue as compras de presentes e itens de ceia com alguns cliques. Mas a personal shopper Sabina Donadelli recomenda calcular com folga o prazo de entrega para não correr o risco de seu amigo secreto ficar sem presente.
 
11. Faça as compras no bairro
Muitas vezes, não é preciso ir ao shopping lotado para comprar as lembrancinhas de Natal. Uma voltinha rápida pelas redondezas pode revelar uma lojinha de artesanato, um comércio de bijuterias ou um brechó com roupas bacanas para presentear sem ter de enfrentar uma multidão. “É preciso desmitificar a loja de bairro. Investigue o que tem de bom perto de casa e aproveite a vantagem de deixar o carro na garagem e fazer as compras com mais rapidez”, indica Sabina Donadelli.
 
12. Faça você mesmo o presente
Não deu tempo de comprar nada para aquele familiar ou amigo querido? Faça você mesmo o presente: pode ser um cartão caprichado com fotos de momentos legais ou até mesmo o prato preferido do avô, por exemplo. “Não existe nada mais charmoso. Pode ser um bolo, uma compota, um artesanato. É superelegante e mostra que a pessoa é realmente especial”, aconselha a personal shopper Sabina Donadelli.
 
13. Separe um tempo para fazer exercícios
Em meio a tantos compromissos, é preciso ter momentos de “escape”. Praticar uma atividade física, como a corrida, pode ajudar muito. “Muitas vezes, quando o organismo não descarrega toda essa adrenalina, as pessoas desenvolvem úlceras, gastrites, dores de cabeça”, acredita Rodrigo Fonseca. Além da corrida, natação e artes marciais também costumam ser relaxantes depois de um dia intenso de atividades.
 
14. Estabeleça um horário limite para dormir
Quando estamos com agenda cheia, a tendência é estender as atividades do dia até mais tarde. Mas deitar-se muito além do horário a que se está acostumado não é aconselhável. “Às vezes, é melhor fazer uma pausa, ir dormir e, no outro dia, com a cuca fresca, continuar os trabalhos”, recomenda a professora de meditação Juliana Vilarinho.
 
15. Comece e termine o dia com um pensamento positivo
De acordo com Juliana, a meditação envolve a criatividade na hora de conduzir a mente. Por isso, a dica é “espalhar” pensamentos positivos pela casa e pelo trabalho. Coloque mensagens de bom-humor na porta da geladeira e escreva na agenda frases que elevem o ânimo. “Também é bacana começar e terminar o dia com entusiasmo, mesmo que ainda haja pendências a resolver. É melhor pensar: por hoje, foi isso que eu consegui fazer, amanhã tudo continua e vou me preparar”, recomenda.
 
Delas