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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

"Superbactéria" está disseminada em frangos dos EUA, diz ONG

Segundo ONG, pode ser difícil tratar pessoas que adoecerem após comerem alimento
 
Cerca de metade dos peitos de frango crus examinados em uma amostra nacional nos Estados Unidos continham uma "superbactéria" resistente a antibióticos, disse uma entidade de defesa do consumidor na quinta-feira (19), defendendo limites mais rigorosos para o uso de medicamentos na criação de animais.
 
Segundo a ONG Consumer Reports, que se apresenta como a maior organização mundial independente dedicada a testar produtos, pode ser difícil tratar pessoas que adoecerem após comerem frango contaminado com bactérias resistentes a antibióticos.
 
A entidade disse ter feito exames para seis tipos de bactérias em 316 peças de peito de frango cru, comprados no varejo em vários lugares dos EUA durante julho. Quase todas as amostras continham bactérias potencialmente nocivas.
 
Em 49,7% da amostra havia uma bactéria resistente a três ou mais antibióticos, segundo a ONG. Em 11 por cento havia dois tipos de bactérias resistentes múltiplos antibióticos. A resistência era mais comum para os antibióticos usados para estimular o crescimento e tratar doenças das aves.
 
A Consumer Reports propôs que seja aprovada uma lei para restringir o uso de oito classes de antibióticos, que ficariam limitados a humanos ou a animais efetivamente doentes. A lei seria mais eficaz, disse o grupo, do que o plano da Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês), anunciado na semana passada, para a redução gradual nos próximos três anos do uso de antibióticos não medicamentosos em criações animais.
 
Além disso, o relatório propõe que o Departamento de Agricultura estipule níveis toleráveis das bactérias salmonela e campylobacter nos frangos e que autorize seus inspetores a proibirem a venda de carne de frango que contenha a bactéria salmonela resistente a múltiplos antibióticos.
 
O Consumer Reports recomenda cozinhar o frango a 734ºC para matar as bactérias, e usar uma tábua específica para cortar a carne crua, evitando assim a contaminação de outros alimentos.

Implantes são aperfeiçoados para se adaptar melhor ao osso

Trabalho do grupo de estudos de biomateriais do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) conseguiu produzir métodos avançados de fazer implantes eficazes.
 
Os experimentos da equipe dirigida pela física Ana Helena de Almeida Bressiani, bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), apresentaram uma sequência de aperfeiçoamentos em materiais utilizados hoje nos implantes.

Os biomateriais são qualquer material, de natureza diversa (metal, cerâmica, etc.), cujas características o tornam apto a ser usado na composição de prótese. O Ipen é uma autarquia associada à Universidade de São Paulo (USP) e gerenciada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

De acordo com a Agência Universitária de Notícias (AUN), da USP, o avanço de biomateriais é de grande valor para que sejam feitos implantes de dentes e próteses de ossos, por exemplo. O Serviço Único de Saúde (SUS), por exemplo, usa aço inoxidável em extensa parcela dos procedimentos. Já no serviço privado, tem-se por costume utilizar material feito de titânio ou uma liga composta por titânio, alumínio e vanádio.

Os estudos organizados por Ana Helena mostram que as ligas de titânio-nióbio-zircônio, processadas por metalurgia do pó (fabricação que produz peças tendo como matéria-prima pó metálico ou não), são melhores para a elaboração de pinos e implantes. Esse método de elaboração usa temperaturas menores que a de fusão dos materiais, torna possível exercer o controle sobre as propriedades da peça e ainda impede perdas, uma vez que consegue obter implantes com tamanho e feitio esperados, poupando ou diminuindo a fase de usinagem.

Estadão

Ministro defende debate sobre descriminalização da maconha

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou nesta quinta-feira, 19, em julgamento, que a maconha é uma droga que não transforma os usuários em "pessoas antissociais" e defendeu o debate sobre sua descriminalização. "Eu não vou entrar na discussão sobre aos malefícios maiores ou menores que a maconha efetivamente causa, mas é fora de dúvida que essa é uma droga que não torna as pessoas antissociais", afirmou durante a última sessão do ano do STF.

Em julgamento estavam dois habeas corpus que contestavam a definição de penas para duas pessoas presas portando entorpecentes. Em um dos casos, um homem de 28 anos foi preso com 70 pedras de crack. No outro, o homem preso portava 0,6 grama da mesma droga.

Barroso afirmou que, ao analisar os processos que chegam ao Supremo sobre tráfico de drogas, constatou que "boa parte das pessoas" presas são pobres que foram enquadradas como traficantes "por portar quantidades não significantes de maconha".

"E minha constatação pior é que jovens, negros e pobres entram nos presídios por possuírem quantidades não tão significativas de maconha e saem de presídios escolados no crime", afirmou o ministro. "Por esta razão que, em relação à maconha e nesse tópico penso que o debate público sobre descriminalização é menos discutir opção filosófica e mais se fazer escolha pragmática", argumentou.

Barroso disse que sua preocupação central relaciona-se o poder que a criminalização da droga garante aos traficantes em comunidades pobres e à prisão de jovens sem antecedentes criminais que, depois de cumprida a pena, terminam por praticar outros crimes. "Tenho essa compreensão de que boa parte dos presos do País incriminados com quantidades de maconha são pessoas não perigosas."
 
R7

Imunoterapia anticâncer é eleita o "avanço científico do ano" pela "Science"

A imunoterapia contra o câncer, um método que foi elaborado durante décadas, liderou a lista dos dez avanços científicos mais importantes de 2013, anunciou nesta quinta-feira a revista "Science".
 
O método, que representa uma mudança de enfoque no tratamento do câncer, condiciona o sistema de imunidade do corpo para combater os tumores em vez de atacá-los diretamente com compostos químicos ou radiação.
 
"Os novos tratamentos impulsionam às células T e outras células imunológicas a combater o câncer, e os editores da "Science" acham que as estratégias são suficientemente promissoras para liderar a lista dos descobrimentos científicos mais importantes do ano", afirmou um comunicado da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), publicado pela revista.
 
"Neste ano já não ficam dúvidas sobre a imensa promessa da imunoterapia contra o câncer," disse o editor-chefe da revista, Tim Appenzeller. Mesmo assim, Appenzeller advertiu que, até o momento, este método "só funciona contra alguns tipos de câncer e em alguns pacientes, por isso que é importante não exagerar os benefícios imediatos". "Mas, vários especialistas em câncer estão convencidos que presenciam o nascimento de um importante novo paradigma para o tratamento do câncer", acrescentou.
 
A lista da "Science" com as outras conquistas científicas mais inovadoras de 2013 incluiu a técnica de modificação de genes CRISPR, descoberta em bactérias, mas que agora os pesquisadores empregam como um escalpelo para cirurgia em genes individuais. Mais de uma dúzia de equipes de pesquisadores usaram a técnica para manipular os genomas de várias células vegetais, animais e humanas.
 
Outra conquista destacada pela "Science" são as células fotovoltaicas feitas com o mineral Perovskita. Elas constituem uma nova geração de materiais de células solares, mais baratas e fáceis de produzir do que as células de silício tradicionais. A revista também ressaltou os avanços na biologia estrutural como guia no projeto das vacinas.
 
Neste ano, os pesquisadores usaram a estrutura de um anticorpo para desenhar um imunógeno, o ingrediente principal de uma vacina capaz de evitar a hospitalização de milhões de pessoas a cada ano. Além disso, a técnica de imagem intitulada 'CLARITY' que torna transparente os tecidos cerebrais e põe os neurônios e a outras células cerebrais visíveis permitindo explorar o cérebro de uma maneira nunca antes conseguida, segundo a "Science", "mudou a maneira com que os pesquisadores veem o delicado órgão em 2013".
 
Os pesquisadores também alcançaram progressos notáveis no cultivo de mini-órgãos humanos 'in vitro', que incluíram botões de flor de fígado, mini-rins e pequenos cérebros. "Tais mini-órgãos humanos poderiam resultar em melhores modelos para doenças humanas do que os animais", explicou a "Science". Do mesmo modo, a publicação destacou o rastreamento de raios cósmicos nos vestígios das supernovas, forma como são conhecidas as estrelas que explodiram.
 
"Embora detectadas originalmente há cem anos, os cientistas não têm certeza de onde saem as partículas de alta energia do espaço exterior conhecidas como raios cósmicos. Neste ano, finalmente, vincularam os raios às nuvens de entulho deixadas para atrás pelas supernovas ou estrelas fazendo explosão", ressaltou.
 
Os pesquisadores puderam, além disso, derivar células-tronco de embriões humanos clonados, após descobrir que a cafeína tem um papel importante no processo, ao estabilizar moléculas-chave em delicadas células de óvulos humanos.
 
A oitava conquista destacada pela "Science" refere-se aos estudos com ratos darem resposta a uma pergunta que intrigava os cientistas há um longo tempo: por que dormimos? A pesquisa mostrou que o cérebro limpa a si mesmo mediante a expansão de canais entre neurônios que permitem o movimento de mais fluído cerebrospinal durante o sono. Finalmente, a pesquisa das bilhões de células bacterianas alojadas no corpo humano demonstrou a contribuição que esses seres apresentam à saúde humana.

EFE

Cientistas de Austrália e EUA conseguem reverter envelhecimento em ratos

Cientistas australianos e americanos conseguiram reverter o envelhecimento muscular nos ratos e esperam poder realizar testes clínicos com seres humanos no final de 2014, informou nesta sexta-feira a imprensa australiana.
 
A equipe liderada por David Sinclair, da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália) e que realizou esta pesquisa na Faculdade de Medicina de Harvard (EUA), desenvolveu um composto que poderia, eventualmente, conseguir que um ser humano de 60 anos se sinta como um de 20. No laboratório, este composto químico forneceu uma maior energia aos ratos, deu tonicidade aos músculos dos roedores, reduziu suas inflamações e melhorou significativamente sua resistência à insulina.
 
"Estudei o envelhecimento em nível molecular por quase 20 anos e nunca pensei que veria que o envelhecimento pudesse ser revertido. Pensava que teria sorte se o desacelerasse um pouco", disse Sinclair à emissora australiana "ABC".
 
Os pesquisadores também analisaram em ratos idosos doenças como o diabetes, a atrofia e enfraquecimento muscular, e inflamações que podem ser o estopim de doenças como a artrite. O estudo abre caminho para novos tratamentos contra doenças vinculadas ao envelhecimento como o câncer, o diabetes tipo 2, assim como doenças inflamatórias e deterioração dos músculos.
 
"Todos esses aspectos do envelhecimento foram revertidos em uma semana e isso representa um resultado arrasador", disse o especialista, explicando que sua equipe conseguiu identificar uma nova causa do envelhecimento particularmente prevalente nos músculos, entre eles o coração. Na pesquisa publicada na revista "Cell", Sinclair e sua equipe localizaram esta causa na comunicação entre os cromossomos do DNA do núcleo da célula e os do DNA das mitocôndrias, encarregadas de fornecer a maior parte da energia necessária para a atividade celular.
 
"O que descobrimos é que no processo de envelhecimento estes cromossomos não se comunicam entre si", disse Sinclair.
 
Os pesquisadores combateram este efeito com uma molécula que elevou nos ratos os níveis de nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD). A NAD, que se mantém em níveis altos em idade jovem com uma dieta adequada e exercícios, diminui com o envelhecimento, como foi o caso dos ratos, em até 50%.
 
A equipe de Sinclair espera realizar testes clínicos em humanos no final do próximo ano, mas desconhecem quando este componente poderia estar à disposição do público.
 
EFE