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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Pelo menos 15% das mulheres fumam durante a gravidez

A nicotina atravessa a placenta da mãe fumante e circula no
feto em níveis 15% maiores do que o sangue materno
Permanência do hábito durante gestação pode prejudicar gravemente o desenvolvimento do feto

O consumo de tabaco durante a gestação é uma das principais causas passíveis de prevenção de complicações na gravidez, tanto para a mãe quanto para o feto. Este é um problema de saúde pública, já que o fumo é uma das drogas mais frequentes usadas por gestantes e a associação entre o hábito e complicações na gravidez e formação fetal está documentada na literatura médica há mais de 50 anos. De acordo com a Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (Sogirgs), pelo menos 15% das mulheres insistem no uso da droga enquanto grávidas.

— O motivo para esta insistência é, principalmente, a falta de informação sobre os malefícios do cigarro durante a gestação. Resumidamente, a droga restringe o crescimento fetal e aumenta o risco de algumas intercorrências graves, como o descolamento de placenta, por exemplo — alerta a ginecologista e obstetra Janete Vetorazzi.

A nicotina atravessa a placenta da mãe fumante e circula no feto em níveis 15% maiores do que o sangue materno. O cigarro possui 4 mil componentes químicos, cuja repercussão na gravidez não é conhecida. Substâncias como o monóxido de carbono e a cianida, respectivamente, reduzem o aporte de oxigênio para o bebê em formação e a concentração de vitamina B12, fundamental para o crescimento saudável.

Além de abortos espontâneos e concepção de natimortos, o peso baixo e a prematuridade são desfechos cotidianos entre as gestações de mães fumantes. De acordo com o número de cigarros consumidos por dia, o feto corre riscos de sofrer redução da circunferência craniana, más-formações craniofaciais, síndrome da morte súbita infantil, asma brônquica, infecções respiratórias repetidas, distúrbios do comportamento, atraso no desenvolvimento neurológico, transtorno do déficit de atenção, hiperatividade e cardiopatias.

Zero Hora

Queda na taxa de tabagismo no mundo é maior entre as mulheres, aponta estudo

Queda na taxa de tabagismo no mundo é maior entre as mulheres, aponta estudo Adriana Franciosi/Agencia RBS
Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS
Pesquisa realizada em 187 países mostra que fumo entre elas caiu 42% em 32 anos

O mundo passou a fumar menos nos últimos 32 anos. É o que aponta um estudo publicado nesta terça-feira na revista científica da Associação Médica Americana (JAMA) e que avaliou a prevalência do fumo em 187 países entre os anos de 1980 e 2012.

A taxa mundial de tabagismo entre os homens era de 41% em 1980, mas caiu para 31% em 2012, uma queda de 24%. Entre as mulheres, a prevalência estimada de consumo diário de tabaco era de 10,6% em 1980 e em 2012 este percentual havia caído para 6,2%, o que representa uma queda de 42%.

O estudo, realizado pelo Instituto de Métrica e Avaliação para a Saúde da Universidade de Washington, identificou três fases na redução do tabagismo: um modesto progresso entre 1980 e 1996, uma aceleração nos dez anos seguintes e uma queda mais lentamente 2006 e 2012, com uma aparente alta da fatia de fumantes homens a partir de 2010.

"Esta desaceleração na tendência global (de redução do tabagismo) se deveu, em parte, ao aumento do número de fumantes desde 2006 em muitos grandes países, incluindo Bangladesh, China, Indonésia e Rússia", destacou o estudo.

No Brasil, a pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2012, do Ministério da Saúde, registrou queda de 20% na parcela da população brasileira fumante entre 2006 e 2012. Em Porto Alegre, a pesquisa apontou que o número de fumantes reduziu 10%, passando de 20%, em 2006, para 18%, em 2012.

Apesar da queda nas taxas, a pesquisa norte-americana mostra que o aumento da população com mais de 15 anos de idade fez o número absoluto de homens e mulheres que fumam diariamente crescer.

Em todo o mundo, 721 milhões de pessoas fumavam em 1980, índice que aumentou para 967 milhões em 2012. O número de cigarros fumados anualmente também subiu 26% nesses 32 anos. De acordo com o estudo, essa alta é explicada também pelo crescente aumento da popularidade do cigarro em países emergentes como China, Índia e Rússia.

"Uma vez que o cigarro permanece uma ameaça à saúde da população mundial, são necessários esforços intensificados para controlar seu uso", conclui o estudo.

Zero Hora e AFP

Entenda a importância de exames de visão em crianças

70% das crianças com idade entre 7 e 10 anos nunca foi ao oftalmologista
Os maiores riscos são as doenças congênitas diagnosticadas pelo teste do olhinho ou fotos e o estrabismo que pode ser checado em casa

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que no Brasil 33 mil crianças são cegas e 40% das perdas de visão na infância poderiam ser evitadas ou tratadas. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, o olho se desenvolve até a idade de 6 anos. Por isso, qualquer obstáculo neste período pode causar danos irreparáveis. O problema é que um levantamento com 37 mil crianças mostra que 70% das crianças com idade entre 7 e 10 anos nunca foi ao oftalmologista.

O médico afirma que uma das principais causas da cegueira infantil é a falta de diagnóstico de doenças sistêmicas contraídas pela mãe durante a gravidez. Outras são o estrabismo e grande diferença de grau entre os olhos conhecida como anisometropia.

Ele ressalta que contrair na gestação rubéola, sífilis ou toxoplasmose pode desencadear no bebê doenças oculares congênitas. As principais são: catarata, glaucoma, retinoblastoma (tumor na retina). Vacinas e orientação às gestantes sobre a descontaminação de alimentos ainda são as melhores formas de prevenir.

Teste do olhinho e fotos
O especialista destaca que as doenças oculares congênitas podem ser diagnosticadas logo que o bebê nasce pelo teste do olhinho. O exame, embora rápido e barato, é obrigatório em poucos estados. Consiste em focalizar a luz de um oftalmoscópio, espécie de lanterna, em cada olho do bebê a uma distância de 30 cm. Se a luz for contínua indica que o olho é sadio. Se for descontínua sinaliza doença congênita.

Queiroz Neto explica que a catarata em crianças é uma emergência médica porque a opacificação do cristalino em crianças impede o bom desenvolvimento do olho. Pelo mesmo motivo o glaucoma infantil também deve ser operado antes que cause danos irreparáveis ao nervo óptico. Já o retinoblastoma, pode colocar a vida do bebê em risco caso não seja tratado logo no início.

A dica do médico é tirar fotos do bebê com flash para confirmar o resultado do teste do olhinho. Caso o reflexo do flash no olho for vermelho indica ausência de doença. Se não tiver reflexo sinaliza alguma doença congênita e necessidade de consultar um oftalmologista imediatamente.

Estrabismo
O estrabismo, desalinhamento dos olhos pode ser diagnosticado a partir dos seis primeiros meses de vida.

— Em crianças com desvio ocular, o cérebro anula a visão do olho desalinhado e só o outro olho se desenvolve. Por isso, o estrabismo é uma importante causa da ambliopia ou olho preguiçoso, maior causa de cegueira monocular em crianças — afirma Neto.

O desvio do olho pode ser causado por miopia, hipermetropia ou musculatura ocular assimétrica. O médico diz que o tratamento pode incluir a oclusão do olho de melhor visão para forçar o desenvolvimento do outro, uso de óculos, exercícios ortópticos ou cirurgia. Algumas crianças, comenta, não permanecem com o olho torto o tempo todo.

Para checar o estrabismo em casa a dica do médico é fazer o teste de Hirschberg. Consiste em acender uma lanterna e dirigir um facho suave de luz para os olhos da criança. Se o reflexo da luz da lanterna cair simultaneamente bem no centro da pupila dos dois olhos significa que a criança não é estrábica. Caso contrário, deve consultar um oftalmologista.

Sinais de problemas de visão
Queiroz Neto afirma que os sinais de problemas visuais variam conforme a faixa etária. Os principais são:

Nos dois primeiros anos de vida:

- Lacrimejamento.

-  Desinteresse pelo ambiente.

-  Olhos desviados para o nariz ou para fora.

- "Menina dos olhos" muito grande, com reflexo luminoso, acinzentada ou opaca

-  Olhos constantemente vermelhos e com secreção.

-  Tremor constante dos olhos.

-  Esbarra com freqüência nos objetos e móveis.

Dos três aos seis anos de vida:

-  Desvio nos olhos.

-  Cai com freqüência.

-  Assiste à televisão de uma distância muito pequena (miopia)

-  Inclina a cabeça para um dos lados (ambliopia)

-  Vira um dos olhos para fora quando está distraída (estrabismo)

-  Fecha um dos olhos (ambliopia)

-  Faz "careta" ou franze a testa para enxergar.

-  Queixa-se de dor nos olhos ou dor de cabeça.

-  Coça muito os olhos

-  Queixa-se de visão dupla ou embaralhada

-  Olhos vermelhos quando esforça a visão.

Dos seis aos sete anos (início da fase escolar):

-  Faz "careta" ou franze a testa para enxergar.

-  Queixa-se de dor ou cansaço nos olhos e dor de cabeça.

-  Coça muito os olhos

-  Olhos vermelhos após esforço.

-  Dificuldade em ver o que está escrito na lousa. (miopia)

-  Chega o rosto muito próximo ao caderno ou livro. (hipermetropia)

-  Apresenta baixo rendimento escolar.

-  Desinteresse na sala de aula.

-  É excessivamente tímida.

-  Recusa-se em participar de atividades esportivas (miopia).

-  Tem dificuldade em distinguir ou combinar cores (daltonismo).

Zero Hora

Uso prolongado de pílulas anticoncepcionais dobra o risco de glaucoma, aponta estudo

Tomar pílulas anticoncepcionais por três anos ou mais aumenta
 a probabilidade de ter um diagnóstico de glaucoma
Componente chave do contraceptivo, o hormônio estrogênio, pode ser o causador do aumento do risco

O uso prolongado da pílula anticoncepcional dobra o risco de uma das principais causas de cegueira: o glaucoma. Segundo informações do site Huffingtonpost, os cientistas envolvidos no estudo que fez a descoberta advertiram que a pílula pode desempenhar um papel na doença e alertou as mulheres sobre o risco que o uso prolongado dos contraceptivos.

O glaucoma é causado por uma acumulação da pressão do fluido no olho, o que resulta em danos irreversíveis para o nervo óptico. A forma mais comum e crônica da doença afeta cerca de 480 mil pessoas na Inglaterra.

Estudos anteriores sugeriram que a hormônio estrogênio, um componente chave da pílula, pode estar envolvido no desenvolvimento do glaucoma.

A nova descoberta, apresentado na reunião anual da Academia Americana de Oftalmologia em Nova Orleans, é resultado de um estudo com 3.406 mulheres com 40 anos ou mais. As mulheres foram questionadas sobre sua história reprodutiva e passaram por exames oftalmológicos .

Os pesquisadores descobriram que as mulheres que usaram contraceptivos orais de três anos ou mais tinham duas vezes mais probabilidade de ter tido um diagnóstico de glaucoma. Não fazia diferença que tipo de contraceptivo oral as mulheres vinham utilizando.

Os cientistas disseram que tomar a pílula a longo prazo pode ser um fator de risco para glaucoma que também inclui o histórico familiar da doença, ascendência africana, miopia, aumento da pressão no olho e diabetes.

Segundo o líder do estudo, professor Shan Lin da Universidade da Califórnia em San Francisco, o estudo deve servir de impulso para futuras pesquisas para comprovar a causa e o efeito dos contraceptivos orais e glaucoma.

— Neste momento, as mulheres que tomaram contraceptivos orais por três anos ou mais devem ser rastreada e seguidas de perto por um oftalmologista, especialmente se eles têm outros fatores de risco já existentes — ressaltou.

Existem quatro tipos principais de glaucoma, o mais comum é o glaucoma de ângulo aberto crônico, que se desenvolve lentamente.

Já o glaucoma de ângulo fechado é uma forma rara que pode ocorrer lentamente ou se desenvolver rapidamente, conduzindo a perda de visão rápida em um ou ambos os olhos.

O glaucoma secundário é o resultado de uma lesão ou outra condição ocular do olho, tais como a inflamação. Já o glaucoma congênito é uma outra versão rara da doença causada por um defeito de nascença.

Zero Hora

Oftalmologista explica como identificar sinais de problemas oculares nas crianças

Oftalmologista explica como identificar sinais de problemas oculares nas crianças Salmo Duarte/Agencia RBS
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Pais e professores devem estar atentos aos sintomas dos pequenos

O diagnóstico de doenças oculares na infância é muito difícil, pois é preciso que pais e professores observem qualquer queixa da criança. Para evitar que doenças graves se desenvolvam o ideal é realizar a primeira consulta até os três anos de idade e a segunda visita, entre cinco e seis anos.

De acordo com a oftalmologista Erika Silvino Rodrigues, a primeira avaliação é feita logo após o nascimento, o chamado "teste do olhinho". Com ele, é possível ver se há algum obstáculo ou alguma opacidade que impeça a entrada de luz no olho. O teste do olhinho pode identificar problemas como catarata congênita, cicatriz na córnea e até mesmo tumores.

— Crianças prematuras com peso inferior a 1500g ou que necessitaram de oxigênio após o nascimento e filhos de mães que tiveram problemas de infecção durante a gestação, precisam fazer exame detalhado da retina (mapeamento de retina), pois há risco de comprometimento da visão durante a formação — explica a especialista.

Como identificar os problemas nas crianças?
Até os seis meses, é comum o olho da criança tremer esporadicamente, assim como entortar. Isso porque, nessa idade, a criança não tem a musculatura do olho bem desenvolvida.

— No entanto, se o tremor for constante ou olhinho ficar sempre torto, os pais devem procurar um especialista — afirma Erika.

Além disso, dores de cabeça, vermelhidão nos olhos e o ato de franzir a testa podem ser outros sintomas para sinalizar anormalidades na visão de crianças. Ainda de acordo com a oftalmologista, a falta de interesse dos pequenos por algumas atividades pode ser sinal de algum distúrbio visual. Ao detectar esses sintomas, é possível evitar problemas no desempenho escolar da criança.

As soluções mais indicadas
A redução da visão em um dos olhos dificilmente é notada por pais ou professores. Esta precisa ser diagnosticada precocemente para que possa ser feito estímulo na visão fraca.

— Essa estimulação é realizada por meio da oclusão (tampão) do olho saudável, para que a criança force a outra visão, estimulando a área responsável pela formação da imagem.

Entretanto, crianças acima de cinco anos já apresentam a área responsável pela imagem desenvolvida e por isso é preciso consultar um médico antes dessa idade.

Pais e professores devem ficar atentos. Os principais problemas visuais em idade escolar são a miopia, hipermetropia e astigmatismo, conhecidos como erros de refração que podem ser corrigidos com o uso de óculos. Caso o pequeno necessite do uso de óculos, as visitas ao oftalmologista devem ser feitas entre seis e 12 meses, seguindo sempre a orientação médica.

Zero Hora