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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Vacina terapêutica pode tratar lesões cervicais

Foto: Reprodução
Depois do arsenal preventivo contra o câncer de colo do útero (exame papanicolaou e da vacina que previne o HPV), desponta agora uma vacina terapêutica que pretende evitar que células pré-cancerígenas se transformem em tumor de colo uterino.
 
Os resultados ainda são preliminares –apenas 12 mulheres com lesões cervicais ligadas ao vírus HPV foram testadas. O estudo foi publicado ontem na revista científica "Science Translational Medicine".
 
O tratamento potencializou a ação do sistema imunológico contra as células pré-cancerígenas presentes na lesão cervical. As mulheres receberam três injeções da vacina no braço durante oito semanas. Não houve recidiva.
 
Leonel Maldonado, um dos pesquisadores do estudo e professor do Johns Hopkins Medical Institutions, afirma que o tratamento acelera a reação dos linfócitos T, que combatem a reprodução desordenada de células.
 
Após a aplicação da vacina, os pesquisadores compararam as respostas autoimunes. Foi observado que as células T se manifestaram em níveis antes não vistos. Espera-se que, com isso, as respostas imunes geradas pela vacina tenham o potencial de induzir a regressão completa da lesão cervical.
 
No futuro, a expectativa é que essas vacinas evitem as cirurgias para a retirada de lesões do colo do útero. Hoje, parte do colo é removida, o que pode causar infertilidade e partos prematuros.
 
Folhaonline

Anvisa vai agilizar a liberação de cosméticos

Foto: Reprodução
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) lançou ontem uma ferramenta eletrônica que deve diminuir o tempo de espera para a aprovação de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal.
 
A análise dos processos passará a ser feita de forma eletrônica. Com base na composição, aplicação e outros critérios, em muitos casos poderá haver uma liberação automática do produto.
 
Segundo Dirceu Barbano, diretor da Anvisa, a medida permitirá que o corpo técnico da agência se concentre nos produtos que poderiam ter maior impacto na saúde, como protetores solares e alisantes de cabelo.
 
Cerca de 2.000 processos físicos que estão na fila de espera já devem ser beneficiados pela digitalização, se cumprirem os requisitos exigidos pela nova ferramenta.
 
O setor é um dos que mais crescem no Brasil, o terceiro maior mercado desses produtos no mundo–atrás dos EUA e do Japão. Em 2012, a Anvisa recebeu mais de 95 mil petições relativas eles.
 
Para representantes da indústria, a burocracia na liberação de produtos prejudica a competitividade brasileira.
 
"Esse é um momento muito especial", comemorou o presidente da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), João Carlos Basílio. "Agora, a indústria vai poder se preparar para os lançamentos."

Folhaonline

Crianças obesas têm mais chances de continuarem obesas, diz estudo

Um estudo publicado no "New England Journal of Medicine" com mais de 7.000 crianças dos EUA revelou que um terço das crianças que estavam acima do peso adequado no jardim de infância eram obesas quando chegaram à oitava série.
 
Além disso, uma criança que é obesa no jardim de infância tem risco quatro vezes maior de ser obesa na adolescência do que uma criança com peso normal.
 
"A mensagem principal é que a obesidade se estabelece muito cedo na vida e continua na adolescência e na idade adulta", afirma Ruth Loos, professora de medicina preventiva da Icahn School of Medicine, em Nova York, que não esteve envolvida com a pesquisa.
 
O resultado surgiu a partir da análise de um estudo que acompanhou crianças dos 5 aos 14 anos.
Segundo os autores do estudo, os dados podem ajudar a reformular iniciativas de combate à obesidade infantil e sugerem que os esforços devem começar mais cedo.
 
Os resultados não explicam por que isso acontece. Predisposições genéticas e ambientes que estimulem as crianças a comerem mais são algumas das razões apontadas por especialistas.
 
O estudo, porém, ajuda a explicar por que muitos dos esforços feitos para que as crianças percam peso muitas vezes não surtem efeitos. A resposta pode estar no fato de que muitas campanhas de combate à obesidade hoje têm como foco crianças em idade escolar, em vez de começarem antes, em crianças do jardim de infância e já com problemas de peso.
 
Luciano Veronezi/Editoria de Arte/Folhapress
 
Estudos anteriores já relacionavam a obesidade à idade de crianças, mas não mostravam se e como o peso delas mudava com o tempo. Embora importantes para entender a obesidade infantil, as pesquisas não indicavam como a doença se desenvolve.
 
"É quase como se o estudo dissesse que, caso você consiga chegar ao jardim de infância sem aumento de peso, as chances de você não se tornar obeso são maiores", explica Jeffrey P. Koplan, vice-presidente do Emory Global Health Institute, em Atlanta.
 
O levantamento acompanhou 7.738 crianças americanas. Pesquisadores mediram a altura e o peso dos participantes sete vezes, do jardim de infância à oitava série.
 
Quando as crianças entraram no jardim de infância, 12,4% eram obesas. Na oitava série, esse índice era de 20,8%. Metade da crianças que eram obesas aos cinco anos permaneceu obesa quando chegou à oitava série e grande parte das crianças que eram muito obesas continuaram assim aos 14 anos.
 
Etnia e renda familiar foram variáveis importantes –crianças hispânicas e com renda menor tinham risco mais alto de serem obesas.
 
Folhaonline

Instituto Butantan inicia testes da vacina da dengue em humanos

Foto: Reprodução
O Instituto Butantan já vacinou 34 voluntários da primeira fase dos testes em humanos da vacina contra a dengue. O teste tem como finalidade analisar a eficácia e segurança da vacina, que vem sendo desenvolvida em parceria com os NIH (National Institutes of Health), dos EUA.
 
A ideia é reproduzir aqui um estudo americano com vacina semelhante à do Butantan. A imunização é tetravalente e deve proteger contra os quatro tipos de vírus da dengue.
 
Mais 16 voluntários serão vacinados em breve –esses 50 primeiros participantes nunca tiveram dengue. Outras 200 pessoas, com ou sem infecção prévia pelo vírus, receberão a vacina em outra etapa.
 
Os resultados dessa fase devem ficar prontos no fim do ano, mas mais estudos serão necessários até que a vacina seja usada na população.
 
Folhaonline

Você leva sua ética para dentro da empresa?

Getty Images
Durante teste, as pessoas se esqueceram da ética até na
hora do cara ou coroa
Pesquisadores estudam como as pessoas se comportam sobre a ética no ambiente corporativo
 
Diversas resoluções de Ano Novo foram feitas – e sem dúvida ignoradas. Entretanto, existe uma que provavelmente nem mesmo consta em muitas listas, e deveria: agir mais eticamente.
 
A maioria das pessoas, se pressionadas, reconheceriam que precisam ajustar sua ética. Pode ser que no ano passado, tenha manipulado alguns números no trabalho, amassado um carro e não deixado um bilhete e permanecido em silêncio quando um amigo fez uma brincadeira racista.
 
O problema, segundo uma pesquisa, é que geralmente existe uma incongruência entre como pensamos que agiremos quando enfrentarmos uma decisão moral e o que de fato acontece.
 
Aqui está apenas um dos muitos exemplos de uma experiência da Universidade Northeastern: os participantes foram instruídos a jogar cara ou coroa para ver quem deveria fazer certas tarefas. Uma tarefa é demorada e trabalhosa; a outra é rápida e divertida.
 
O participante joga a moeda sozinho (embora secretamente observado por câmeras de vídeo), relata David DeSteno, professor de Psicologia da Northeastern que conduziu a experiência. Apenas 10% agiram honestamente. O restante nem jogou a moeda, ou continuou jogando até que a moeda caísse na posição desejada.
 
Tentar se tornar mais ético – ou ensinar as pessoas a como se tornar – parece fadado ao fracasso então. Na verdade, não é bem assim. O problema é que a forma como ensinamos ética tem de parear o que já sabemos sobre o funcionamento da mente humana.
 
Grupo cria site sobre ética empresarial
Uma área que claramente precisa de atenção é a ética empresarial, especialmente considerando as transgressões no mundo financeiro nos últimos anos. Alguns dos maiores pesquisadores dos Estados Unidos concordam. Um grupo deles – a maioria sendo das universidades americanas – criou um novo site, o EthicalSystems.org, em janeiro.
 
O site é o primeiro a unir esforços em pesquisas e recursos extensivos no assunto da ética empresarial objetivando disponibilizar o vasto acervo às escolas, ao governo e às empresas – especialmente aos responsáveis pela conformidade.
 
"Antigamente, a ética empresarial nascia da filosofia, com o foco em fazer o que é certo", afirma Jonathan Haidt, professor de Ética e Liderança da Faculdade de Administração Leonard N. Stern da Universidade de Nova York. Nos últimos dez anos houve uma explosão de pesquisa da economia comportamental" e das razões subjacentes pelas quais as pessoas agem como agem.
 
Parte da pesquisa foi atualizada pelos escândalos da Enron e da WorldCom se desdobrando na época, assim como a crise financeira mundial. Esses eventos, em parte, "inspiraram um pequeno grupo de pesquisadores a desenvolver uma abordagem da ética empresarial mais realista psicologicamente", diz Haidt, que encabeçou o site.
 
Esta abordagem – que se aplica à ética em geral, e não apenas à ética empresarial – incorpora o que agora sabemos sobre como as pessoas reagem quando confrontam dilemas morais e quais ferramentas podem ser usadas para levá-las a fazer a coisa certa.
 
Lembre-se de quando você se engana
Primeiramente, precisamos ter mais consciência das maneiras como enganamos a nós mesmos.
 
Temos de aprender e subconscientemente evitar dar as costas quando confrontamos um dilema moral. E depois devemos aprender a como desafiar as pessoas adequadamente nessas situações.
 
"Quando as pessoas predizem como irão agir em uma dada situação, o dever predomina – devemos ser justos, devemos ser generosos, devemos impor os nossos valores", analisa Ann E. Tenbrunsel, professora de Ética Empresarial da Universidade de Notre Dame que está envolvida com o site EthicalSystems. "Porém, quando chega o momento de agir, o 'querer' predomina" – não quero parecer um tolo e não quero ser punido.
 
"O nosso instinto de sobrevivência é o de querer ser amado e aceito", afirma Brooke Deterline, diretora executiva da Courageous Leadership, uma empresa de consultoria que oferece oficinas e programas em como lidar com situações éticas. "Não fazemos coisas ruins intencionalmente, contudo, quando estamos sob ameaça, o nosso instinto inicial é minimizar ou ignorar situações problemáticas".
 
A maioria das pessoas conhece a sensação: algo acontece que sabemos que é errado e intencionamos nos manifestar ou consertar. Todavia, não sabemos bem como fazê-lo e o momento passa, justificando posteriormente, que foi certo agir como agimos. Assim, como mudar isso?
 
Medo de falar o que pensa
Usando a psicologia comportamental social e cognitiva assim como a neurociência, o primeiro passo é nos conscientizarmos das nossas inclinações naturais, afirma Brooke Deterline.

"Pense em retrospecto: quando você fica vulnerável a não falar aquilo que pensa e não dizer o que precisa ser dito?", pergunta. É quando uma autoridade está presente? Quando isso poderia afastá-lo dos amigos? Quando isso poderia fazer com que seus subordinados o desprezem?
 
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A ansiedade pode levar as pessoas a não falarem o que pensam
Segundo Brooke, "todos temos pensamentos automáticos quando estamos ansiosos: 'Vou ser demitido, vou parecer um idiota'". A questão é não ouvir esses pensamentos, mas ter consciência deles e ignorá-los. Em seus programas, ela tem funcionários performáticos que iniciam conversas potencialmente desafiadoras.
 
"Quando a maioria de nós se sente constrangida, calamos a boca. Porém, precisamos usar o desconforto para saber que esse é o sinal para sermos corajosos e uma dica para agirmos em vez de ficarmos parados."
 
O foco no motivo das pessoas agirem ou não eticamente, é claro, não é limitado ao mundo dos negócios. Afinal, são necessários bons cidadãos para termos bons funcionários.
 
Philip G. Zimbardo, professor emérito de Psicologia da Universidade de Stanford, é pioneiro no estudo do poder social – por bem e por mal – e deu início a um programa, em 2007, chamado Projeto Imaginação Heroica. O seu interesse na ética é antigo; em 1971 ele criou o notório Experimento Prisão de Stanford, onde os alunos universitários "guardas" diminuíam e humilhavam os alunos "prisioneiros". O experimento teve de ser interrompido antecipadamente porque se tornou muito abusivo.
 
Após estudar a degradação moral há décadas, Philip começou a se questionar sobre os aproximadamente 10% a 20% das pessoas em cada situação que resistiram. Quem eram essas pessoas que ele chamou de heróis, e podemos ensinar alguém a ser um?
 
Por meio do Projeto Imaginação Heroica – para o qual Brooke já trabalhou – alunos do ensino fundamental, do ensino médio e da faculdade aprendem sobre dinâmicas de grupo, tal como o efeito espectador, no qual quanto mais pessoas houver em uma cena, menor a probabilidade de alguém ajudar.
 
Utilizando videoclips e situações reais, os professores explicam como os alunos podem resistir a tal comportamento, e os ajudam a explorar o motivo pelo qual agiram – ou deixaram de agir – em situações específicas.
 
Embora os alunos sejam instruídos a não serem "heróis burros" e se arriscarem à toa, Zimbardo afirma, "lhes ensinamos que o conhecimento nos obriga a fazer alguma coisa – agir heroicamente".
 
O seu programa sem fins lucrativos disponibilizou muitos dos seus recursos de graça e está nos estágios finais de receber fundos para treinar um grupo de professores em Flint, Michigan, começando na primavera. Graduados da Universidade de Michigan auxiliarão no programa e, certamente, desenvolverão descobertas longitudinais da sua efetividade, explica.
 
Kristen Renwick Monroe, professora de Ciências Políticas da Universidade da Califórnia, Irvine, há muito estuda porque algumas pessoas agem corretamente e outras não. A professora descobriu em sua pesquisa que os "salvadores dizem, 'O que mais eu poderia fazer?'", afirma. "O expectador diz, 'eu era apenas uma pessoa? o que eu podia fazer?'"
 
"Temos de pensar, 'Quem sou eu, e como as minhas ações criam quem eu sou?'", acrescenta Kristen.
 
A professora relata ter entrevistado uma holandesa que assistia enquanto judeus eram jogados em um caminhão e levados embora durante a Segunda Guerra Mundial e que posteriormente salvou mais de 12 outros. Ela lembra que a mulher lhe disse: "Todos nós temos lembranças de quando deveríamos ter feito algo, e levamos isso para o resto de nossas vidas".

iG