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sábado, 1 de março de 2014

A primeira pessoa do mundo a ter dentes no cérebro é um bebê

Não é todo dia que a gente ouve falar que uma pessoa desenvolveu dentes na cabeça. Na verdade, essa notícia foi uma novidade inclusive para a comunidade médica.
 
Um médico percebeu que um bebê de 4 meses de idade, de Maryland (Estados Unidos), tinha um crescimento anormal na sua cabeça. Suspeitando de um tipo extremamente raro de tumor no cérebro, resolveu fazer uma tomografia da criança, e lá estava uma massa que se parecia muito com dentes (que, na idade do bebê, normalmente é encontrada no maxilar inferior).
 
O menino, então, foi submetido à cirurgia cerebral para a remoção da massa. Durante o procedimento, os médicos retiraram não um, nem dois, mas vários pequenos dentes. Depois de analisar o tecido do tumor, o diagnóstico foi revelado.
 
Diagnóstico
Os exames mostraram que a criança desenvolveu um craniofaringioma, uma forma de tumor benigno extremamente rara que pode crescer até o tamanho de uma bola de golfe. Esses tumores são mais diagnosticados em crianças de 5 a 14 anos, e são raríssimos em crianças com menos de 2 anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.
 
Segundo a Dra. Narlin Beaty, neurocirurgiã da Universidade de Maryland, uma das responsáveis pela cirurgia feita neste bebê, pesquisadores sempre suspeitaram que esse tipo de tumor se forma a partir das mesmas células envolvidas no processo de formação dos dentes. Mas, até então, os médicos nunca tinham ouvido falar em dentes de verdade nesses tumores.
 
Dentes já haviam sido encontrados em cabeças em outros casos, mas apenas em tumores conhecidos como teratomas, porque contém os três tipos de tecido encontrados em um embrião, acrescentou Dr. Beaty. Em contraste, o craniofaringioma possui apenas uma camada de tecido, o que justifica a raridade da ocorrência.
 
Pós-operatório
Apesar da cirurgia ter sido um sucesso e o menino estar se recuperando bem, o procedimento deixará sequelas. Isso porque, no caso dele, o tumor destruiu algumas conexões do cérebro que seriam as responsáveis por liberar certos hormônios. De acordo com a Dra. Beaty, ele terá que receber tratamentos hormonais para o resto da vida.
 
Live Science

Pesquisadores trabalham para desenvolver bebida hidratante à base de leite

Foto: Reprodução da internet
O resíduo que costuma ser lançado na natureza após a
fabricação do queijo     
O resíduo que costuma ser lançado na natureza após a fabricação do queijo    
     
Belo Horizonte — Reposição de água e sais minerais. Esse é o poder dos isotônicos, bebidas que proporcionam mais hidratação que a água comum e oferecem recuperação mais rápida dos nutrientes perdidos durante uma atividade física. Por isso, esses produtos têm como público-alvo os atletas.
 
De olho nesse mercado, uma pesquisa vem sendo desenvolvida na Universidade Federal de Viçosa (UFV) desde 2010, sob coordenação da engenheira de alimentos Edimar Aparecida Filomeno Fontes, professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos.
 
O objetivo é colocar no mercado um isotônico feito à base de soro do leite.
 
A ideia inovadora já está a caminho do pedido de patente. Ao lado dos colegas Antônio Fernandes de Carvalho, especialista em tecnologia de membrana, e Paulo César Stringheta, perito em corantes naturais e compostos bioativos, Edimar Fontes procura aproveitar parte do soro descartado pela indústria de laticínios e alimentícia para produzir a bebida natural.

O projeto quer aproveitar integralmente esse material, fruto da produção de queijos, e eliminar, por consequência, os impactos ambientais gerados pelo descarte dos resíduos orgânicos em redes fluviais de saneamento.
 
Fontes explica que, décadas atrás, todo o soro era descartado por indisponibilidade de recursos tecnológicos para aproveitamento dos seus ricos componentes.
 
Hoje, aproveita-se sua parte proteica, mas ainda restam os permeados, ricos em vitaminas hidrossolúveis e sais minerais, que não encontram aproveitamento pela indústria alimentícia.

Correio Braziliense

Pesquisadores criam método capaz de prever como o vírus da gripe evolui

 (Valdo Virgo/CB?DA Press)A informação é determinante para a formulação da vacina que será usada 
      
O desenvolvimento de vacinas contra a influenza é considerado por muitos pesquisadores um tiro no escuro.
 
Levantamentos das linhagens virais que atacam de tempos em tempos ajudam na produção de terapias de imunização que conseguem, em parte, amenizar o impacto da gripe sazonal. No entanto, as alterações que o vírus sofre de um ano para outro podem trazer surpresas desagradáveis, como a pandemia do H1N1 em 2009.
 
Apesar da dificuldade de prever o futuro, uma equipe de pesquisadores da Alemanha desenvolveu um método capaz de antever como o micro-organismo evolui de um ano para outro. Esse tipo de projeção pode contribuir para pesquisas de vacinas mais eficientes contra a doença.

Certos aspectos da dinâmica evolucionária da gripe, se não são previsíveis, são altamente repetitivos. Como o vírus infecta até 15% da população humana a cada ano, a maioria dos indivíduos tem algum grau de imunidade contra ele. No entanto, novas cepas portadoras de mutações nos epítopos (regiões de proteínas que são reconhecidas por anticorpos humanos) surgem regularmente.
 
Inicialmente, elas têm uma vantagem física sobre as anteriores porque podem escapar melhor da resposta imunológica do hospedeiro.
 
Como resultado, essas novas cepas aparecem mais vezes ao longo dos anos. Os hospedeiros suscetíveis à infecção, no entanto, adquirem imunidade. Surge, então, a necessidade de o vírus renovar seus subtipos, criando versões mais resistentes aos anticorpos.
 
Esse processo contínuo de evolução, chamado de mudança antigênica, resulta na rotatividade da população viral. Por isso a necessidade da renovação constante da composição de vacinas contra a influenza sazonal.
 
Correio Braziliense

Campanha pede que rótulos informem sobre presença de alérgenos nos alimento


Em dez dias, a campanha  #poenorotulo já tem mais de 11,3 mil curtidas (Reprodução/ Divulgação )
Em dez dias, a campanha #poenorotulo já tem mais
de 11,3 mil curtidas
Um estudo da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostrou que 39,5% das reações alérgicas a leite de vaca estavam relacionadas a erros na leitura de rótulos
 
Para tornar obrigatória a inclusão de informações claras sobre a presença de alimentos alérgenos ou de traços desses alimentos nos rótulos dos produtos, um grupo de mães se uniu e criou a campanha "Põe no Rótulo" no Facebook.

A ideia da campanha surgiu a partir da troca de informações online de mais de 700 famílias cujos filhos têm alergia alimentar. O grupo resolveu criar o movimento com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os riscos que a falta de informações nos rótulos podem trazer para as pessoas que têm alergia. Dependendo do grau de sensibilidade, o alérgico pode ter choque anafilático, fechamento da glote, além de outras reações graves que podem levar à morte. Em dez dias de campanha, o #poenorotulo já tem mais de 11,3 mil curtidas.

Motivada pelas dificuldades encontradas no dia a dia para comprar produtos seguros para seu filho Rafael, de 2 anos, a advogada paulista Maria Cecília Cury Chaddad fez um doutorado em Direito Constitucional abordando a rotulagem de alérgenos nos alimentos. Rafael tem alergia a leite e a soja e nunca consumiu amendoim, oleaginosas e crustáceos, por serem altamente alérgenos.
 
“Comecei a tirar vários alimentos da dieta da família e fiquei impressionada por não achar uma norma sobre o tema”, disse. Ela dá o exemplo de um creme de chantilly que não contém no rótulo o ingrediente leite, e sim, caseinato de sódio, uma proteína do leite. “Quantas pessoas sabem disso e conhecem esses nomes difíceis? A pessoa acha que não tem leite”, comentou.

Um estudo conduzido em 2009 pela Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostrou que 39,5% das reações alérgicas a leite de vaca estavam relacionadas a erros na leitura de rótulos.

Maria Cecília conta que recai sobre as famílias a responsabilidade da leitura atenta de cada rótulo com uma grande lista de ingredientes, muitas vezes, com letra pequena e termos desconhecidos, para descobrir se aquele alimento pode fazer mal.

As mães defendem que a informação sobre a presença dos principais alimentos alérgenos ou traços desses alimentos – leite, soja, ovo, trigo, amendoim, oleaginosas, frutos secos e peixes – esteja clara e em destaque nos rótulos, a exemplo do que já ocorre com o glúten, substância que não pode ser ingerida por quem tem a doença celíaca. A Lei 10.674/2003 tornou obrigatória as inscrições “contém glúten” ou “não contém glúten” nas embalagens dos alimentos industrializados.

A jornalista carioca Mariana Claudino, mãe de Mateus, de 4 anos, que tem alergia severa a três proteínas de leite, entre elas, a caseína, e a ovo, conta que os serviços de atendimento ao consumidor (SAC) da indústria alimentícia e as escolas estão, em geral, despreparados para lidar com a alergia alimentar.

“Os SACs não sabem a importância da informação clara sobre o maquinário que produz vários alimentos e pode acontecer a contaminação cruzada dos produtos. E como não é lei, isso não vem explícito. As pessoas acham que alergia alimentar é frescura, é uma coceirinha, mas pode ser fatal para quem tem alergia severa”, disse Mariana.

A jornalista conta que a última crise de seu filho ocorreu quando ele brincava com giz branco na escola. “A gente descobriu que a marca de giz tinha caseína. Não é somente no que a gente ingere, a proteína do leite existe em vários produtos que nem poderíamos ter ideia, como colchões, cremes para o corpo, filtros solares.”

Por causa da alergia severa de Mateus, Mariana toma cuidados redobrados como almoçar fora apenas em lugares onde sabe que a cozinha é confiável. Outra medida é deixar uma ampola de adrenalina injetável na escola e outra em casa para o caso de haver um choque anafilático.

A campanha "Põe no Rótulo" propõe a criação de uma legislação específica sobre o tema ou o estabelecimento de uma norma pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que obrigue a indústria alimentícia a fazer a correta rotulagem de alérgenos.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a Anvisa que informou que há, no âmbito do Mercosul, uma discussão sobre a obrigatoriedade de se prestar informações sobre alergênicos nos rótulos. A proposta, entretanto, depende de consenso entre os países-membros. O tema vai para o quarto ano de discussão, segundo a agência. Nos Estados Unidos, as indústrias são obrigadas a prestar esse tipo de informação desde 2006, na União Europeia, Austrália e Nova Zelândia, desde 2003, e no Canadá, desde 2011.

Correio Braziliense

Polêmica: informações genéticas que os pais podem obter sobre os fetos

Foto: Reprodução
Especialistas dividem-se sobre a pertinência de os pais realizarem exames que decifrem toda a genética do feto em busca de futuros problemas de saúde, de traços físicos e de predisposições estéticas
 
Há menos de dois anos, cientistas relataram o sequenciamento genômico completo de um feto a partir das células do bebê recolhidas no sangue materno.
 
A novidade foi descrita na revista científica Nature e tornou tangível a possibilidade de decifrar completamente os genes de uma criança ainda no primeiro trimestre de gestação.
 
O procedimento levou a discussão sobre testes pré-natais a um nível ainda mais elevado de complexidade. Hoje, a comunidade médica mundial se debruça sobre questões éticas e políticas em torno das informações genéticas que os pais podem obter não só sobre o desenvolvimento de doenças graves congênitas, mas sobre possíveis traços físicos, como se o filho ser careca ao se tornar adulto.
 
A discussão foi levantada recentemente por professores da Escola de Medicina de Harvard e do Centro de Bioética do Brigham and Women’s Hospital, ambas instituições dos EUA, na respeitada publicação científica New England Journal of Medicine.
 
Atualmente, esse tipo de teste é feito com maior frequência por meio de procedimentos invasivos, realizados apenas se há uma indicação médica importante, quando a mãe está em uma idade avançada ou se há risco de alguma anomalia cromossômica, por exemplo. Isso se houver uma suspeita que justifique o exame, que, além de caro, traz risco à gestação.

A relutância em prover aos pais acesso a outros tipos de informação genética, incluindo testes para doenças incuráveis que só se instalarão na vida adulta, tem como base a percepção de que pode trazer alguns perigos à criança.
 
Preocupações comuns são a carga psicológica da informação sobre os pais e a criança, os efeitos negativos na autoestima, a alteração na forma de a família perceber a criança e a discriminação.
 
O sequenciamento genômico completo pode levar até mesmo a descobertas inesperadas, como atribuição incorreta de paternidade ou de condições sem relevância clínica.
 
Correio Braziliense