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terça-feira, 25 de março de 2014

Cuidado com as calorias líquidas

Uma dose de uísque de 100ml contém 240 Kcal
Uma lata de refrigerante por dia acresce 1050 calorias à semana, o equivalente a quatro hambúrgueres
 
Quem gosta de controlar a alimentação, precisa tomar cuidado com o que os especialistas chamam de calorias invisíveis. Concentradas naquilo que você bebe, ganharam esse nome porque são frequentemente ignoradas por quem está fazendo dieta.
 
“As pessoas se preocupam com aquilo que comem e não atentam ao que estão colocando no copo. Daí a dieta não dá certo e elas não sabem por quê”, diz a nutricionista funcional Maria Angelina Souza, de Santa Catarina.
 
Uma lata de refrigerante contém, em média, 150 calorias. Se uma pessoa tomar uma por dia, na hora do almoço, por exemplo, terá acrescido 1050 calorias à semana, o equivalente a quatro hambúrgueres. “Dependendo do que a pessoa consome, a bebida pode representar até 50% do valor calórico de toda a refeição”, alerta a nutricionista Denise da Motta, de São Paulo.
 
Confira quantas calorias você está ingerindo a mais por dia, sem perceber
 
Água de coco verde - 1 copo de 240 ml - 62 kcal
 
Aguardente - ½ copo - 120 ml - 277 kcal
 
Aguardente - ½ copo - 120 ml - 277 kcal
 
Café com açúcar - 1 xícara de 50 ml - 33 kcal
 
Café sem açúcar 1 xícara de 40 ml - 3 kcal
 
Caldo de cana - 1 copo de 240 ml - 202 kcal
 
Champanhe - 1 taça de 125 ml - 85 kcal
 
Cerveja - 1 lata de 350 ml - 147 kcal
 
Chope - 1 tulipa de 300 ml - 180 kcal
 
Energético - 1 frasco de 473 ml - 109 kcal
 
Refrigerante - 1 lata de 350 ml - 137 kcal
 
Refrigerante Light - 1 lata de 350 ml - 1,5 kcal
 
Suco de abacaxi natural - 1 copo de 240 ml - 100 kcal
 
Suco de acerola natural - 1 copo de 240 ml - 36 kcal
 
Suco de maçã natural - 1 copo de 240 ml - 154 kcal
 
Suco de manga natural - 1 copo de 240 ml - 109 kcal
 
Vinho branco doce - 1 taça de 125 ml - 178 kcal
 
Vinho branco seco - 1 taça de 125 ml - 107 kcal
 
Vinho tinto seco - 1 taça de 125 ml - 107 kcal
 
Uísque - 1 dose de 100 ml - 240 kcal
 
Vodka - 1 cálice de 20 ml - 48 kcal
 
E os refrigerantes não são os únicos vilões. Suco de frutas em excesso, principalmente os de caixinha, além de serem ricos em conservantes, têm muitas calorias. Um copo de suco de laranja de caixinha, por exemplo, tem em média 140 calorias.
 
“No entanto, o natural têm fibras, que reduzem o valor calórico e são benéficas ao organismo”, afirma Angelina. “O melhor mesmo é comer uma laranja. Assim é possível aproveitar todas as fibras e reduzir a ingestão calórica”, recomenda Denise.A opção totalmente saudável e light e indicada pelas especialistas é a água, que pode até ser com gás. Para quem acha a escolha sem graça, Denise dá outras duas opções: suco de limão ou de maracujá. 
 
Mais eficiente
Quando o assunto é perda de peso, cortar os líquidos pode ser mais eficaz do que diminuir a quantidade de alimento. É o que diz um estudo realizado pelo Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos. Os pesquisadores descobriram que reduzir apenas uma porção do consumo de bebidas açucaradas, como refrigerante ou sucos artificiais, pode emagrecer meio quilo em seis meses. Ao reduzirem as mesmas calorias em alimentos, o emagrecimento foi cinco vezes menor no mesmo período.
 
iG

Doe Órgãos, doe Vida!

47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral

Foto: Reprodução
Falta de conhecimento sobre irreversibilidade da morte encefálica é principal causa de recusa de doação de órgãos
 
Não é a falta de estrutura, mas a negativa familiar o principal motivo para que um órgão não seja doado no Brasil. De todas as mortes encefálicas e que, portanto, os órgãos poderiam ser transferidos para pacientes que correm risco de morte, pouco mais da metade se transforma em doação. O número é alto e cresceu de 41%, em 2012, para 47% em 2013, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
 
De acordo com o nefrologista José Medina Pestana, a principal justificativa das famílias para não doar órgãos é o fato de nunca terem conversado sobre o desejo de doar. “Por isso, insistimos que isso tem que ser assunto de família”, diz o integrante da ABTO.
 
Quando isso não é um assunto resolvido, cabe a uma equipe do hospital responsável pela captação de órgãos explicar à família que a morte encefálica já é a morte. Quando ela é decretada é porque ocorreu a parada definitiva e irreversível do cérebro e do tronco cerebral, o que provoca em poucos minutos a falência de todo o organismo.
 
No Hospital Bandeirantes, coube a uma integrante desta equipe conversar com a professora de língua portuguesa Gizele Caparroz de Almeida, 50 anos. Na festa de Ano Novo, seu marido, Varlei de Almeida, sentiu uma forte dor de cabeça. Era mais uma vítima de um AVC hemorrágico.
 
Na segunda-feira do dia 6 de janeiro deste ano, menos de uma semana após o AVC, Varlei morreu. “A gente não sabia o que era morte cerebral. A gente nunca tinha falado sobre doação de órgãos. Se tem um mito em família é o mito da morte. Ninguém está preparado para isto. Eu não estava”, lembra Gizele. 
 
Gizele conta que a atuação da enfermeira captadora de órgãos foi fundamental não só para que os órgãos fossem doados, mas também para que a família entendesse o que estava acontecendo e trabalhasse o luto. Além de explicar que a morte cerebral é irreversível, a profissional explicou que tinham sido feitos testes neurológicos e clínicos que atestavam a morte.
 
“A enfermeira Tamires fez  muito mais que uma captação de órgãos. Foi um apoio psicológico para todos nós. Explicou o que estava acontecendo, o que era morte cerebral, respondeu nossas perguntas. É uma situação irreversível, mas não sabíamos disso e ainda tínhamos esperança que ele se recuperasse de uma espécie de coma. Principalmente minha filha mais nova ainda tinha muitas esperanças de que o pai sobrevivesse", lembra Gizele. 
 
Após a conversa - em que participaram Gizele, as duas filhas (de 14 e 20 anos), o sogro e a cunhada - o fígado, os rins e a pele de Varlei foram doados. A família não pode doar o coração, pois os remédios durante a internação de cinco dias comprometeu a doação do órgão.
 
“A doação é uma forma de transformar a dor em algo bom. As pessoas podem fazer algo bom de uma situação de extrema tristeza como esta que estou vivendo. Eu sei que é uma visão romântica, mas a doação ajuda a pensar que ele continua”, diz Gizele. “Estávamos casados há 25 anos, no ano passado fomos viajar, trocamos aliança. É uma dor imensa. A morte foi de uma hora para outra. A gente tem – e eu não vou falar tinha – uma família linda. Mas não tem ruptura quando se tem amor”, completa.
 
No início de março, Gizele voltou a dar aula. “Acho que é melhor não parar, né?”. Na primeira semana de aula os alunos fizeram um projeto sobre o acidente de Santa Maria, onde mais de 200 pessoas morreram. “Os meus alunos escreveram crônicas lindas sobre o que aconteceu e um dos temas abordados foi a necessidade de muitos receberem doação de pele. Não tinha banco suficiente no Brasil”, lembra.
 
iG

Tuberculose: teste mais preciso com 90% de exatidão

Foto: Reprodução
Oito cidades do Rio terão aparelho para diagnosticar doença com rapidez e 90% de exatidão
 
Rio - Estado com maior incidência de tuberculose no país — são 72 casos para cada 100 mil habitantes —, o Rio de Janeiro vai receber novos equipamentos para diagnosticar a doença de forma mais precisa. O Ministério da Saúde começa a distribuir, esta semana, os testes rápidos, que serão destinados a sete municípios da Baixada e Grande Rio, além da capital.
 
O anúncio foi feito ontem, Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose. Com o ‘Gene Xpert’, o diagnóstico da doença sairá em duas horas. Mas a grande vantagem não está no tempo e sim na precisão, segundo Jorge Pio, gerente de Pneumologia Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde. Ele explica que o nível de acerto do exame usado atualmente (baciloscopia) é de cerca de 70%. Com o ‘Gene Xpert’, o índice sobe para mais de 90%.
                      
“O novo teste é o maior avanço do diagnóstico da tuberculose. Ele usa engenharia genética e consegue detectar, pelo DNA, até mesmo fragmentos do bacilo no escarro da pessoa”, disse, acrescentando que o método atual de baciloscopia foi descoberto no século 19 e é feito por microscópio. “O resultado depende da mão e do olho de quem o faz, mas o tempo é praticamente o mesmo”, conclui.
                      
Resistência ao tratamento                     
Pio lembra ainda que, junto com o diagnóstico, o novo teste revela se o doente tem resistência a um dos principais antibióticos usados no tratamento, o rifampicina. Atualmente, só após dois meses é possível saber se o remédio faz ou não efeito no paciente.
                      
Com o slogan ‘O tratamento foi o maior sucesso da minha vida’, o Ministério da Saúde lançou ontem a campanha, protagonizada pelo cantor de pagode Thiaguinho. Ele foi diagnosticado em julho de 2013 e, em fevereiro deste ano, anunciou que estava curado após o tratamento de seis meses.
 
Segundo o ministério, 50 equipamentos serão distribuídos a Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal. Até maio, o teste será ofertado em 92 cidades. Ao todo, serão 160 máquinas, que farão 640 mil testes ao ano.
 
Saiba que cidades vão ter o exame
No Estado do Rio, vão receber os testes os municípios de Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Duque de Caxias, Belford Roxo e Campos dos Goytacazes. Na capital, os hospitais universitários Clementino Fraga Filho (Fundão) e Pedro Ernesto, além do Hospital Santa Maria (Jacarepaguá), vão ganhar as máquinas. Em 2012, a capital participou de projeto piloto de implantação do ‘Gene Xpert’, que durou nove meses. Por isso, a cidade já conta com 11 aparelhos, distribuídos por laboratórios que cobrem a capital. Agora, o município aguarda novos cartuchos da máquina para recomeçar os testes.

O Dia

Só 35% dos salões esterilizam adequadamente os alicates

Juliana Garbaccio / Divulgacao
Juliana Ladeira, da UFMG, pesquisou 235 salões de BH
Clientes correm risco de pegar doenças graves como hepatite e até mesmo a Aids
 
A proprietária de um pequeno salão no bairro Sagrada Família, na região Leste de Belo Horizonte, é criteriosa na higienização dos instrumentos que usa para fazer as unhas das clientes. Todos eles são lavados com água e sabão, banhados em álcool a 70% e depois passam por horas de calor intenso dentro da estufa. Ela ainda garante nunca usar o mesmo instrumento – alicate, palito de limpeza ou espátula – sem passar pelo ritual.
 
Todo o cuidado, porém, pode não garantir que os apetrechos fiquem esterilizados. “Qualquer pessoa consegue abrir a estufa em qualquer momento, e o processo de esterilização deve ser contínuo. Outro problema é o fato de o equipamento não atingir a mesma temperatura em todo o seu interior”, explica a doutora em enfermagem pela UFMG Juliana Ladeira Garbaccio, que pesquisou os riscos de contaminação nos salões de beleza da capital em sua tese.
 
Em visitas a 235 estabelecimentos dos 600 cadastrados na Prefeitura de Belo Horizonte, ela descobriu que somente 35% deles possuem autoclave, equipamento mais seguro para a higienização de instrumentos. “Nas áreas da saúde, o uso de autoclave já é obrigatório. Nos salões, não”, explica. O aparelho utiliza o método de calor úmido, muito mais eficiente do que o calor seco. “A autoclave também trava a porta e só abre ao final do ciclo”, explica a pesquisadora.
 
“Sei que o ideal é a autoclave e já penso em comprá-la há muito tempo. Mas é um investimento muito alto”, diz a proprietária do salão, que preferiu não ter a identidade revelada. O espaço foi aberto há 13 anos, recebe visitas periódicas da Vigilância Sanitária e tem autorização para funcionar.
 
A pesquisa de Juliana descobriu também que somente 38% das manicures têm vacinação completa contra a hepatite B – doença que apresenta 40% de chance de contágio quando há contato com o sangue contaminado. “As manicures sabem que têm que tomar as vacinas, mas alegam esquecimento ou falta de tempo de ir a uma unidade de saúde”, afirma a pesquisadora.
 
As visitas aos salões mostraram que 98% das manicures admitiram já ter “tirado um bife” de alguma cliente, e 60% delas disseram utilizar os instrumentos do salão – usados em clientes – para cuidar das próprias unhas. Somente 28,5% das profissionais utilizam algum equipamento de segurança, como luvas, nos atendimentos.
 
Riscos
Fazendo as unhas em um salão, os clientes correm risco de entrar em contato com fungos – responsáveis pelas micoses –, bactérias e vírus, principalmente os das hepatites B e C e até o vírus HIV. “(Este último) é mais frágil. As chances de contaminação pela hepatite são bem maiores”, assegura a pesquisadora.
 
A prevenção a todas essas possíveis doenças pode estar em uma atitude simples: levar seu próprio kit de manicure quando for ao salão. É o que faz a massoterapeuta Magali Marques Satlher. Uma vez por semana, ela vai ao salão fazer as unhas e leva tudo: alicate, palitinho, tolha e esmalte. “Meu kit normalmente já fica dentro do carro, vou variando só o esmalte e a toalha, que preciso lavar. Acho que todo mundo deveria fazer isso”, ensina ela, que diz “morrer” de medo de contaminação.
 
Magali já reparou que a maioria dos salões normalmente esteriliza o alicate, mas não se preocupa em trocar outros acessórios para cada cliente. “Mas, e a lixa, o palito e a toalha? Morro de nojo daquela toalha úmida e suja de esmalte”. (Com Aline Reskalla)
 
“As manicures sabem que têm que tomar as vacinas, mas esquecem ou alegam falta.
 
Juliana Ladeira Garbaccio - Doutora em enfermagem e pesquisadora da UFMG  
 
Vacinação Gratuita
As vacinas contra a hepatite B são disponibilizadas gratuitamente na rede pública de saúde para os profissionais de saúde e também para as manicures, sempre expostas ao risco da doença.
 
O Tempo