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terça-feira, 25 de março de 2014

Dados e cenário econômico são os desafios da TI na saúde

Intersystems aposta em Health Informatics Platform (HIP) e espera que tecnologia simplifique os complexos banco de dados no setor
 
A área de saúde passa por um momento delicado. Em um negócio onde o principal ativo são as vidas dos pacientes, a tecnologia é aliada para realizar diagnósticos mais precisos. Por isso, não é de se espantar que as bases de dados desempenham papel fundamental nas mais diversas organizações do setor – desde operadoras até laboratórios e hospitais.
 
O primeiro obstáculo é o cenário econômico, que de certa forma impacta investimentos. “O mercado de saúde está sofrendo em todo o mundo com os problemas financeiros dos governos, mas mesmo assim vemos crescimento”, reconhece o vice-presidente de planejamento estratégico da Intersystems, Paul Grabscheid. O resultado se traduz em números – foram US$ 463 milhões de receita no ano passado, com expectativa de superar a marca dos US$ 500 milhões neste ano.
 
Para não ter que se submeter às regras de mercado, a Intersystems pretende se manter como uma companhia de capital privado. “Assim, direcionamos nosso foco no longo prazo, sem nos preocupar com investidores e Wall Street. Apenas com clientes”, esclareceu o fundador e CEO da empresa, Terry Ragon, na abertura do Intersystems Global Summit 2014, em Orlando, nos Estados Unidos*.
 
O segundo desafio é lidar com a complexidade existente no armazenamento e processamento de dados. A empresa frisa que, apesar de ser conhecida pelos sistemas de Health Informatics Exchange (HIE), o foco é se estabelecer com a plataforma mais abrangente, a Health Informatics Platform (HIP). A diferença, explica Grabscheid, é que, enquanto a primeira apenas extrai e compartilha as informações – seja ela dados de pacientes, diagnóstico, sintomas, etc –, com a segunda é possível ir além da informação puramente compartilhada, entendendo o que os dados dizem a fim de agir. Trocando em miúdos, a plataforma de processamento de dados dá insights e relatórios mais simples, porém enriquecidos ao usuário final.
 
Na prática, nada mais é do que o desafio de se ligar com big data, dentro do nicho de saúde. Um exemplo fácil de entender reside na área de pesquisa. “São publicados 1,1 milhão artigos médicos ao ano. Se você pensar que 1% deles pode ser relevante para um médico de uma única especialidade, ainda assim é muita informação”, elucida o executivo.
 
O vice-presidente de plataformas de base de dados, Robert Nagle, apresentou os resultados alcançados com a última versão das tecnologias Intersystems. Com o mesmo servidor 32x, foi possível chegar a 24 vezes mais capacidade de trabalhar com cargas de trabalho – e essa tecnologia começa a ser distribuída neste ano. “Entre nossos clientes, temos alguns grandes hospitais e instituições que trabalham com muitos médicos e por isso têm muitos dados, e eles devem ser os primeiros a contratar essa solução”, espera.
 
O objetivo, segundo ele, é permitir redução substancial de custos de manutenção e gestão de servidores e aumentar ao máximo a capacidade de processamento – qualquer que seja a tecnologia envolvida. “Há muitos aspectos tecnológicos nos quais os fornecedores focam seus produtos. Meu ponto vai além – isso não é importante, o que vale é o resultado alcançado, como o sistema atua e até onde ele pode ir”, enfatiza.
 
Dentre os segmentos de atuação da Intersystems, a área de saúde representa aproximadamente dois terços do faturamento. Além da HIP, a reorganização das áreas internas estabeleceu outras duas áreas-chave de investimento nos próximos anos: tecnologia avançada de dados e prontuário eletrônico do paciente (PEP).
 
* a jornalista viajou para Orlando a convite da Intersystems

SaudeWeb

Computador Watson será empregado no combate ao câncer

Colaboração entre IBM e o Centro de Genoma de Nova York utiliza o supercomputador para combinar mutações e potenciais tratamentos
 
A IBM e o Centro de Genoma de Nova York (NYGC) querem provar que o supercomputador Watson pode reduzir drasticamente o tempo necessário para identificar os tratamentos mais eficazes contra o câncer, baseado na análise de mutações genéticas específicas em pacientes.
 
Em parceria com hospitais regionais, o NYGC planeja avaliar a habilidade do Watson para ajudar oncologistas a desenvolverem atendimento mais personalizado a pacientes com glioblastoma, uma forma de câncer de cérebro agressiva e maligna que matou mais de 13 mil pessoas somente nos Estados Unidos, no ano passado. O NYGC é um consórcio sem fins lucrativos entre líderes de academia, médicos e universidades que trabalham no avanço de aplicações de genômica, ramo da genética que estuda sequências de DNA completas, ao invés de genes individuais.
 
Técnicas médicas precisas baseadas em análises genômicas possuem um potencial favorável ao combate ao câncer, afirmou Ajay Royyuru, biologista computacional da IBM Research.
 
“A diferença entre um indivíduo e outro para um mesmo diagnóstico de câncer é enorme – será possível descobrir qual é o tratamento certo pra você e qual não é”, explicou Royyuru. “Por que isso? Porque o câncer é uma doença do genoma.” As anormalidades causadoras do câncer não são diferentes de um indivíduo para o outro apenas, mas elas também mudam com o tempo, tornando-se mais e mais anormais.
 
Isso torna o Watson particularmente importante na condução dessas análises, já que o computador consegue proporcionar uma recomendação de tratamento o mais rápido possível, antes que o genoma se altere novamente.
 
A colaboração entre IBM e NYGC, anunciada esta semana, utiliza uma versão customizada do sistema de computação cognitiva do Watson, que tornou-se famoso por vencer um humano no jogo de perguntas e respostas do programa americano do Jeopardy, em 2011. Desde então, a IBM tem feito a saúde a principal indústria para comercialização da tecnologia, além de trabalhar com outras instituições para aplicar o supercomputador no suporte à decisão durante o tratamento de câncer.
 
O estudo usará um novo protótipo do Watson, que foi treinado para compreender os dados genômicos, aceitando análises de mutações de câncer como entrada. A partir das mesmas habilidades que lhe permitiram extrair diversas notícias e fontes de referência no jogo do Jeopardy, o Watson pesquisará a literatura científica na combinação de anormalidades genéticas com medicamentos associados ao tratamento dessas mutações.
 
O diretor adjunto de ciência informática do NYGC, Toby Bloom, afirmou que o processo atual para realizar essas pesquisas bibliográficas é relativamente manual e leva cerca de semanas ou meses. “Podemos sequenciar genomas de forma relativamente rápida, mas depois há este grande atraso na forma como se associa isso com as drogas.”
 
O Watson promete reduzir esse processo de semanas ou meses para minutos ou horas, revela o especialista. A realidade dessa afirmação, que se baseia em testes da IBM com dados de referência do Atlas Genômico do Câncer, conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA, continuará a ser comprovada através de ensaios clínicos que a empresa de tecnologia e o NYGC estão planejando.
 
A promessa não está relacionada ao fato do Watson produzir curas mágicas ou mesmo identificar a droga perfeita para cada caso. No entanto, ao acelerar o processo de identificação das opções mais promissoras em meio a uma lista de medicamentos, a tecnologia faz com que seja mais provável entregar um tratamento a tempo de fazer a diferença.
 
“Como um primeiro passo, nós estamos apenas fazendo o possível para selecionar drogas com rapidez suficiente, que serão direcionadas para pacientes específicos”, disse Bloom. “Assumindo que podemos encontrar qualquer melhoria em pelo menos um pequeno número de pacientes iremos estender esse estudo.” Além disso, se o projeto começar a obter resultados positivos, pode ser possível alimentar esses resultados de volta para Watson”, de modo que a parte de aprendizagem dinâmica do sistema encontre associações que não seriam encontradas tão rapidamente.”
 
* por David F. Carr, da InformationWeek Healthcare EUA

SaudeWeb

Tuberculose afeta um milhão de crianças por ano, aponta estudo

Tuberculose afeta um milhão de crianças por ano, aponta estudo Morguefile/Divulgação
Foto: Morguefile / Divulgação
Cientistas destacam a necessidade de melhorar os métodos
de diagnóstico nas crianças
Estimativas são duas vezes maiores que as da Organização Mundial da Saúde
 
Quase um milhão de menores de 15 anos desenvolvem tuberculose a cada ano no mundo, duas vezes mais do que se pensava até agora, segundo um estudo publicado pela revista médica britânica The Lancet, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, celebrado ontem (segunda-feira).
 
Cientistas americanos calculam que pelo menos 999.800 menores de idade são afetados a cada ano pela tuberculose. Deles, 32.000 desenvolvem uma tuberculose multirresistente (TB-MR) aos medicamentos.
 
— Nossas estimativas são duas vezes maiores que as da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2011 e três vezes a mais que o número de casos notificados entre crianças a cada ano — disse Ted Cohen, um dos coautores do documento e professor na Harvard School of Public Health de Boston.
 
Segundo os dados mais recentes da OMS, 530 mil menores de idade contraíram tuberculose em 2012.
 
Esta é a primeira vez que os especialistas avaliam o número de casos de tuberculose multirresistente (TB-MR) em menores de 15 anos, que representam 25% da população mundial. A TB-MR é uma forma de tuberculose provocada por um bacilo que resiste à Isoniaziada e à Rifampicina, os dois medicamentes mais eficazes para combater a doença pulmonar.
 
Segundo o estudo, a Ásia meridional e oriental é a região mais afetada pelo fenômeno, com 400 mil casos a cada ano, sendo 10 mil de TB-MR, à frente da África (280 mil casos anuais, sendo 4,7 mil de TB-MR).
 
Os cientistas destacam a necessidade de melhorar os métodos de diagnóstico nas crianças e, em particular, nos menores de cinco anos que correm mais riscos de desenvolver formas severas de tuberculose.
 
De acordo com a OMS, 450mil pessoas desenvolveram TB-MR no mundo e 170mil morreram em 2012, mas apenas 20% receberam tratamento adequado, o que favorece a propagação da doença.
 
AFP / Zero Hora

Campanha busca prevenir afogamentos de crianças e adolescentes

Campanha busca prevenir afogamentos de crianças e adolescentes Diego Vara/Agencia RBS
Foto: Diego Vara / Agencia RBS
Os afogamentos ocupam o segundo lugar no ranking de mortes
de crianças até 14 anos por acidentes no Brasil
ONG Criança Segura indica como evitar os acidentes
 
Os afogamentos ocupam o segundo lugar no ranking de mortes de crianças até 14 anos por acidentes no Brasil, perdendo apenas para o trânsito, com 2 mil mortes por ano, incluindo os atropelamentos.
 
Para alertar a sociedade sobre esse risco, a ONG Criança Segura lançou uma campanha de prevenção afogamentos de crianças e adolescentes.
 
A cada ano, mais de 1,1 mil crianças morrem afogadas, segundo dados do Ministério da Saúde. A maior incidência ocorre com crianças entre um e qutro anos — 422 casos, o que representa 37% do total. Em segundo lugar, vêm as mortes de crianças com idades entre 10 e 14 anos — 407 registros e 36% dos casos.
 
— O objetivo da campanha é gerar um alerta para a população de que a prevenção é simples, mas precisa entrar no dia a dia das famílias. O adulto deve estar sempre com a criança quando ela estiver na água. Noventa por cento dos acidentes podem ser evitados — disse a coordenadora nacional da ONG, Alessandra Françoia.
 
Ela explica que o elevado número de mortes ocorre porque o afogamento é um acidente silencioso e muito rápido.
 
— A gente tem quatro minutos para salvar a vida da criança depois que ela perde a consciência. Um balde com dois dedos de água pode ser suficiente para uma criança de até três anos se afogar — afirma.
 
Os cuidados em casa devem ser redobrados: depois do uso, esvaziar e armazenar em locais altos baldes, bacias e banheiras, deixar abaixada a tampa do vaso sanitário e esvaziar tanques. Outras formas de prevenção importantes são ensinar a criança a nadar a partir dos quatro anos e ensinar, aos responsáveis, técnicas de primeiros socorros para o caso de uma emergência.
 
O alerta maior, no entanto, é para locais abertos como represas, rios, lagos e mares, que respondem por 424 mortes por ano, o equivalente a 38% dos casos. Piscinas também despertam preocupações, principalmente por causa dos ralos, já que há casos em que crianças ficam presas por partes do corpo ou pelo cabelo.
 
— Todo mundo sabe que tem que pôr a tampa no ralo. Um país sério determina tolerância zero para o acidente. Nenhuma família precisa sofrer essa dor. Quem tem que evitar somos nós mesmos, sendo consumidores exigentes e pais mais atentos — ressaltou Alessandra.
 
No caso das piscinas, as medidas de prevenção incluem instalar alertas sonoros de movimento e ralos cobertos anti-sucção, além de tampá-las com lona após o uso.
 
Com relação aos clubes, Alessandra informa que o Rio de Janeiro é o único estado que tem obrigatoriedade de ter salva-vidas.
 
— Essa responsabilização do prestador de serviço tem que acontecer — acrescentou.
 
Um projeto de lei que torna obrigatória a presença de profissionais salva-vidas em balneários ou locais aquáticos abertos ao público foi aprovado na quarta-feira, dia 19, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. O texto seguirá agora para apreciação do Senado, a não ser que haja recurso para que seja votado pelo plenário da Câmara.
 
A campanha da Criança Segura pode ser acompanhada pela página da ONG no Facebook e pelo site da ONG.
 
Agência Brasil / Zero Hora

Estresse reduz chances de mulher engravidar, demonstra estudo

Estresse reduz chances de mulher engravidar, demonstra estudo Simona Balint/Stock.xchng
Foto: Simona Balint / Stock.xchng
Pesquisa acompanha 501 mulheres que tentavam ter filhos e sugere que quanto maior a tensão, menor é chance de gestação
 
Altos níveis de estresse podem dobrar o risco de infertilidade em mulheres, apontam cientistas da Universidade de Ohio, Estados Unidos. Eles descobriram que mulheres que sofrem muita tensão têm apenas metade das chances de conceber um filho dentro de um ano. Os resultados do estudo foram publicados online na revista Human Reproduction .
 
O tema está sendo pesquisado pela equipe desde 2010, mas este é o primeiro estudo a apontar que tensões emocionais e mentais podem causar diretamente a infertilidade — problema clinicamente definido como a incapacidade de conceber um filho após de 12 meses de tentativas.
 
Os pesquisadores acompanharam 501 mulheres com idades entre 18 e 54 anos por um ano e mediram os seus níveis de alfa-amilase, um indicador de estresse que pode ser medido pela saliva. Cada participante realizou um teste de saliva no início do trabalho e outro após o começo do primeiro ciclo menstrual.
 
As mulheres que apresentavam quantidade elevada da substância eram 29% menos suscetíveis à engravidar a cada mês do que aquelas com níveis baixos. Depois de um ano de tentativa, elas se tornaram duas vezes mais propensas a não conceber a gravidez, o suficiente para que sejam classificadas como inférteis.
 
Segundo o professor da Universidade de Ohio, Courtney Denning-Johnson Lynch, os resultados da pesquisa devem incentivar as mulheres que enfrentam dificuldade em engravidar a gerir seu estresse por meio de técnicas como ioga, meditação ou uma simples caminhada. Ao mesmo tempo, afirmou que os casais não devem culpar a si mesmos se estiverem enfrentando problemas de fertilidade, pois o estresse não é o único e nem o mais importante fator envolvido na capacidade de engravidar.

Zero Hora