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terça-feira, 8 de abril de 2014

Anvisa esclarece importação de medicamentos sem registro

Reprodução
Comunicado precede autorização judicial para que pessoa física importasse remédio com princípio ativo da maconha
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta sexta-feira (4) nota sobre a importação de medicamentos sem registro no Brasil. O comunicado veio um dia depois que a 3ª Vara Federal do Distrito Federal autorizou uma mãe a importar um remédio com princípio ativo do canabidiol, substância derivadas da maconha. O medicamento não tem venda permitida no País.
 
Segundo a Anvisa, medicamentos sem registro no Brasil podem ser importados por pessoa física. O procedimento é possível por meio de pedido excepcional de importação para uso pessoal. Os pedidos devem ser protocolados na agência, onde serão analisados pelos técnicos que levam em conta aspectos como a eficácia e a segurança do produto e se eles estão devidamente registrados em seus países de origem ou em outros países.
 
A importação, conforme a Anvisa, também é possível em relação a medicamentos classificados como substância de uso proscrito, como é o caso da maconha. “A sua importação pode ser solicitada para uso pessoal. Também é possível que uma empresa interessada solicite o registro do produto no Brasil. Nas duas situações, os pedidos são analisados pela área técnica da Anvisa”, informou.
 
A agência destacou ainda que, até o momento, não registrou nenhum pedido de registro de medicamento com substância proscrita, nem pedido de importação para uso pessoal.
 
SaudeWeb

Doenças transmissíveis por vetores matam 1 milhão todo ano

''Pequena mordida, grande ameaça'' é o tema da campanha deste ano; doenças afetam principalmente países pobres
 
Mais da metade da população mundial está sob risco de contrair malária, dengue, leishmaniose, esquistossomose e febre amarela, doenças transmitidas por vetores como mosquitos, moscas e besouros, entre outros. Por ano, mais de um bilhão são infectados e mais de um milhão morrem de doenças transmitidas por estes animais.
 
Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elegeu, para o Dia Mundial da Saúde deste ano, lembrado nesta segunda-feira (7), o slogan “Small bite, big threat”, ou “Pequena mordida, grande ameaça”, em tradução livre. O objetivo é enfatizar a necessidade de prevenção destas doenças. Um relatório fornece inclusive algumas medidas passíveis de serem tomadas por governos, comunidades e mesmo famílias para proteger as pessoas de infecções.
 
Para Margaret Chan, diretora geral do organismo ligado às Nações Unidas, diz que toda agenda preventiva que prioriza o combate aos vetores de doenças infecto contagiosas pode salvar muitas vidas. Muitas vezes intervenções de baixo custo, como redes e sprays de inseticidas podem trazer bons resultados. “Ninguém no século 21 deveria morrer com uma mordida de mosquito, mosca ou carrapato”, escreveu a chinesa em comunicado.
 
Para a OMS, a maior parte dos infectados é de baixa renda, onde ocorre falta de acesso a saneamento básico e aos cuidados para evitar picadas – e também onde os indivíduos costumeiramente possuem baixa imunidade às doenças. A esquistossomose, por exemplo, transmitida por caramujos aquáticos, é a que mais se prolifera, afetando 240 milhões de pessoas no mundo. Apesar disso, ela poderia ser facilmente evitada com saneamento básico e consumo de água tratada.
 
Há ainda outro problema: algumas doenças estão se espalhando pelo mundo por inúmeros fatores, como o desmatamento, migração populacional e práticas agrícolas. A dengue, por exemplo, tão conhecida no Brasil, é atualmente encontrada em 100 países, colocando em risco 40% da população global. Ela já foi detectada na China, Portugal e nos EUA. Na Grécia, casos de malária foram recentemente confirmados depois de 40 anos.
 
Para o Dia Mundial da Saúde, a OMS está dando foco no controle de vetores e na distribuição de água tratada, tratamento de esgoto e higiene – estratégias consideradas chave para a estratégia de erradicação de doenças tropicais entre 2012 e 2020.
 
SaudeWeb

Debate na Câmara defende mudanças em patentes de remédios

Reprodução
Para especialistas, acesso precisa ser aumentado. Projetos de mudança nas leis de patentes foram discutidos
 
Especialistas foram unânimes em defender alterações na Lei de Patentes (Lei 9.279/96) para baixar os preços de remédios. O acesso a medicamentos a preços acessíveis foi discutido em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
 
A lei prevê que, na vigência da patente, que tem duração de 20 anos, os medicamentos só podem ser comprados das empresas detentoras das patentes, mesmo havendo versões genéricas comercializadas a preços mais baixos no mercado internacional. Além disso, terceiros não podem produzir o produto no País. Em alguns casos, as empresas obtêm novas patentes sobre o mesmo produto, depois de passados os 20 anos.
 
A lei foi formulada em 1996, para que o País se adaptasse ao Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionado ao Comércio (Acordo Trips). Até então, o Brasil não concedia patentes para produtos de saúde.
 
Porém, para minimizar os efeitos dessa lei, os países membros da Organização Mundial de Saúde estabeleceram que os países poderiam adotar medidas de proteção à saúde pública por meio da flexibilização das legislações de patentes. No Congresso Nacional, tramitam diversos projetos nesse sentido. A principal proposta de reforma de lei de patentes é o PL 5402/13, apresentado pelos deputados do PT Newton Lima Neto (SP) e Dr. Rosinha (PR).
 
Na avaliação do vice-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jorge Bermudez, o projeto é um avanço. Conforme ele, as regras de propriedade intelectual atuais são uma barreira para a produção local de medicamentos e são uma das causas dos preços altos dos remédios novos. Bermudez explicou que o problema afeta, por exemplo, medicamentos para Aids, hepatite C e câncer. “Existe um confronto entre interesses de saúde e interesses de comércio”, disse.
 
No Brasil, segundo ele, o governo já conseguiu amenizar o problema dos altos preços, por meio da política de medicamentos genéricos, por exemplo.
 
Falta de acesso
A diretora da Open Society Foundations (entidade sediada em Nova York – EUA), Els Torreele, destacou que 1/3 da população mundial não tem acesso aos medicamentos de que precisa, principalmente porque não consegue pagar por eles. Conforme ela, algumas situações graves são as dos pacientes com hepatite C na Tailândia, e dos pacientes com Aids na África do Sul.
 
“Medicamentos são caros simplesmente porque as empresas cobram preços altos”, destacou. “A sociedade decidiu proteger direitos de patentes, mas podemos mudar isso com vontade política.”
 
O professor Brook Baker, da University School of Law, de Boston (EUA), também considera essencial que o Congresso brasileiro promova rapidamente a reforma da Lei de Patentes. “As formas do monopólio vão sempre procurar proteger seus interesses, mas se quisermos melhorar o acesso a medicamentos, temos que enfrentar isso, para garantir os direitos humanos”, salientou.
 
“Direitos humanos e patentes são incompatíveis, porque saúde e vida não são mercadoria”, completou a consultora independente Eloan Pinheiro. Ela também defendeu a reforma na Lei de Patentes brasileira, mas, segundo ela, apenas uma minoria de deputados encampa essa luta.
 
“A reforma da Lei de Patentes tem muita resistência, porque existe muito lobby das indústrias de medicamentos”, explicou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que solicitou a audiência. Para a deputada, outra medida para enfrentar o problema dos altos custos de remédios no Brasil é a produção de medicamentos gratuitos para a população por meio de laboratórios públicos.
 
O presidente da Comissão de Seguridade Social, deputado Amauri Teixeira (PT-BA), chamou a atenção ainda para a falta de produção de medicamentos para doenças ligadas à pobreza e aos trópicos, como hanseníase, malária e esquistossomose.
 
Estatísticas
A diretora da Open Society Foundations, Els Torreele, afirmou que 1/3 da população mundial não tem acesso aos medicamentos que precisa, principalmente porque não consegue pagar por eles. A entidade é sediada em Nova York (EUA). Segundo ela, algumas situações graves são as dos pacientes com Hepatite C na Tailândia, e dos pacientes com HIV na África do Sul.
 
“Medicamentos são caros simplesmente porque as empresas cobram preços altos”, destacou. “A sociedade decidiu proteger direitos de patentes, mas podemos mudar isso como sociedade, com a vontade política”, completou. Segundo Torreele, o Brasil é líder na batalha por medicamentos acessíveis. Ela elogiou o governo do País por encampar essa luta. “O Brasil é um exemplo para outros países”, concordou o professor Brook Baker, da University School of Law, de Boston (EUA).
 
Porém, o professor considera essencial que o Congresso brasileiro promova rapidamente a reforma da Lei de Patentes (9.279/96), que, na opinião dele, deve ser flexibilizada. “As formas do monopólio vão sempre procurar proteger seus interesses, mas se quisermos melhorar o acesso a medicamentos, temos que enfrentar isso, para garantir os direitos humanos”, salientou.
 
Indústria nacional
O presidente executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais, Henrique Uchio Tada, disse que o setor luta para quebrar o monopólio de produtores de determinados medicamentos. “Quando se aumenta a concorrência, se força o preço para baixo”, explicou. “Medicamentos que custavam R$ 200 caem para R$ 30 quando mais laboratórios produzem”, completou.
 
Uchio Tada também defendeu que remédios produzidos em outros países possam ser substituídos por medicamentos nacionais. Ele destacou o papel importante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa os pedidos de registro de medicamentos no País, e defendeu o aumento de quadro de pessoal do órgão para dar mais celeridade a esses registros.
 
Além disso, defendeu que a agência implemente regulamento específico para medicamento com inovação incremental – ou seja, para inovação feita com molécula já existente no País -, como já existe em outros países. “Com esse regulamento, a indústria, para um medicamento que se toma três vezes ao dia, desenvolver uma formulação para tomar 1 vez ao dia, por exemplo”, explicou.
 
Desenvolvimento
O vice-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jorge Bermudez, disse há pouco que algumas das soluções para o problema dos altos preços dos medicamentos são a produção de medicamentos no País e mudanças na Lei das Patentes (9.279/96), que já estão sendo analisadas pela Câmara dos Deputados atualmente, em vários projetos de lei.
 
Segundo ele, em todo o mundo, as regras de propriedade intelectual, dificultando a produção local por outros laborarórios, e os preços altos dos medicamentos novos são algumas barreiras para o acesso a remédios. Bermudez afirma que o problema afeta principalmente pacientes com HIV, Hepatite C e câncer. Ele citou novos medicamentos para Hepatite C colocados à venda por 80 mil dólares.
 
“Existe um confronto entre interesses de saúde e interesses de comércio o tempo inteiro”, afirmou.“ É preciso fazer ajuste entre os recursos de saúde ofertados pelo mercado e a população. O acesso se traduz em equilíbrio entre oferta e demanda”, completou. No Brasil, segundo ele, o governo já conseguiu amenizar o problema dos altos preços, por meio da política de medicamentos genéricos e da utilização do poder de compra do Sistema Único de Saúde (SUS).

SaudeWeb

Curitiba usa telessaúde para reduzir fila em neurologistas

Sistema de conexão com o HC da UFPR permitiu discussão de 1.092 casos e 150 consultas nos três primeiros meses
 
Três meses após Curitiba adotar o serviço de telessaúde – plataforma que permite aos médicos das unidades básicas trocar informações via web com especialistas do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) -, 1.092 casos de pacientes foram discutidos e 150 consultas com neurologistas feitas. Para a prefeitura, o serviço está atingindo o objetivo de aumentar a resolução dos casos na própria unidade básica.
 
Segundo Marta Borges, médica há cinco anos na unidade básica de saúde Vila Feliz, o médico muitas vezes precisa de uma segunda opinião, e que em 20% dos casos o encaminhamento para um neurologista é necessário.
 
Para o neurologista Marcos Lange, do HC, a rapidez na consulta especializada contribuiu na investigação clínica e resolução de muitos casos. Antes do telessaúde, explica, eram registradas 30% de faltas nas consultas, ou desaparecimento dos sintomas quando a data finalmente chegava. Com o sistema, é possível realizar a consulta antes que o caso evolua para algo mais complicado.
 
Com a ferramenta, os profissionais da atenção primária encaminham via e-mail suas dúvidas para especialistas, que têm 72 horas para dar a orientação sobre o caso. A troca tem contribuído para diminuição das filas na neurologia, que agora duram em média duas semanas.
 
Muitas vezes o paciente é encaminhado já com exames mais simples realizados. Em Curitiba foram feitos no período 149 tomografias solicitadas pelo telessaúde, conta Paulo Poli, diretor de atenção primária da Secretaria Municipal da Saúde.
 
SaudeWeb

SUS inclui novos procedimentos para tratamento de doença renal crônica

SUS inclui novos procedimentos para tratamento de doença renal crônica Gilmar de Souza/Agência Estado
Foto: Gilmar de Souza / Agência Estado
Doença renal crônica se caracteriza pelo mau funcionamento
 dos rins
Exames como ultrassonografia do aparelho urinário e eletrocardiograma passam a fazer parte da tabela
 
Uma portaria do Ministério da Saúde publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União inclui na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) novos procedimentos para o tratamento de pacientes com doença renal crônica.
 
Os procedimentos incluem exames como dosagem de sódio, dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH), dosagem de tiroxina (T4), ultrassonografia do aparelho urinário, cultura de bactérias para identificação, hemocultura e eletrocardiograma.
 
Em março, uma portaria do ministério ampliou o atendimento à pessoa com doença renal crônica.
 
A partir deste ano, serviços de nefrologia, que atendiam apenas pacientes em estágio avançado, podem se habilitar também para o atendimento de pacientes em estágios iniciais, com acompanhamento ambulatorial e realização de exames periódicos.
 
A doença renal crônica se caracteriza pelo mau funcionamento dos rins, responsáveis por filtrar e tirar impurezas do sangue. Dados do governo indicam que o problema é silencioso, já que cerca de 70% dos pacientes que entram para diálise não sabiam que estavam com a doença. Em parte dos casos, é preciso passar por um transplante de rim.
 
Zero Hora