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domingo, 1 de junho de 2014

Estudo alemão sugere que pornografia pode ser prejudicial ao cérebro

Foto: Reprodução
Os autores, no entanto, não puderam provar que estes fenômenos sejam causados diretamente pelo consumo de pornografia e, por isso, afirmam que é necessário continuar com as pesquisas
 
Homens que passam muito tempo vendo pornografia na internet parecem ter menos matéria cinzenta em certas partes do cérebro e sofrem redução de sua atividade cerebral, revelou um estudo alemão publicado nesta quinta-feira (29/5) nos Estados Unidos.

"Encontramos um importante vínculo negativo entre o ato de ver pornografia durante várias horas por semana e o volume de matéria cinzenta no lóbulo direito do cérebro", assim como a atividade do córtex pré-frontal, escrevem os cientistas do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano em Berlim.

"Estes efeitos poderiam incluir mudanças na plasticidade neuronal resultante de intensa estimulação no centro do prazer", acrescentou o estudo, publicado na edição online da revista "Psychiatry", da Associação Médica Americana.

Os autores, no entanto, não puderam provar que estes fenômenos sejam causados diretamente pelo consumo de pornografia e, por isso, afirmam que é necessário continuar com as pesquisas.
 
Mas, segundo eles, o estudo já fornece um primeiro indício da existência de uma relação entre o ato de assistir pornografia e a redução do tamanho e da atividade do cérebro como reação ao estímulo sexual.

Para realizar a pesquisa, os autores recrutaram 64 homens saudáveis com idades de 21 a 45 anos, aos quais pediram para responder a um questionário sobre o tempo que dedicavam a assistir a vídeos pornográficos. O resultado foi, em média, de quatro horas semanais.

Os voluntários também foram submetidos a tomografias computadorizadas (MRI) do cérebro para medir seu volume e observar como ele reagia às imagens pornográficas.

Na maioria dos casos, quanto mais pornografia os indivíduos viam, mais diminuía o corpo estriado do cérebro, uma pequena estrutura nervosa bem abaixo do córtex cerebral.

Os cientistas também observaram que, quanto maior o consumo de imagens pornográficas, mais se deterioravam as conexões entre o corpo estriado e o córtex pré-frontal, que é a camada externa do cérebro encarregada do comportamento e da tomada de decisões.
 
Correio Braziliense

Estudo apontou gays, jovens e pobres como os mais suscetíveis ao tabagismo

Foto: Reprodução
Os governos precisam adotar medidas mais eficientes e direcionadas a esse público
Especialistas defendem que as campanhas contra o cigarro levem em conta essa fragilidade
 
Há no planeta um esforço grande contra o tabagismo. Hoje, por exemplo, autoridades de saúde, a sociedade civil organizada e outros profissionais da área se dedicam a atividades que marquem o Dia Mundial sem Tabaco. Ainda assim, há grupos mais expostos ao cigarro, conforme pesquisas. Homossexuais, adolescentes e os mais pobres fazem parte da lista, que, segundo especialistas, deve funcionar como um sinal de que os governos precisam adotar medidas mais eficientes e direcionadas a esse público.

Levantamentos norte-americanos indicam que a quantidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT) que fumam é duas vezes maior que a população geral.
 
A Pesquisa Nacional de Tabagismo entre Adultos dos EUA aponta que a prevalência do vício nesse público é de 32,8%, enquanto 19,5% dos heterossexuais fumam. A instituição atribui a maior incidência do problema ao estresse e ao estigma que o grupo enfrenta no dia a dia, além da agressiva campanha de marketing da indústria do cigarro.

Os EUA publicaram o primeiro relatório oficial sobre tabagismo entre homossexuais em 2001 e, desde então, uma série de pesquisas têm se dedicado a descobrir estatísticas e razões da vulnerabilidade.
 
Os dados permitiram que organizações independentes, como a Rede de Igualdade na Saúde LGBT (Network for LGBT Health Equity), estimassem que os gastos dessa comunidade com os maços giram em torno dos US$ 7,9 milhões anuais, valor 65 vezes maior que o investido em instituições que defendem os direitos do grupo.

Um estudo publicado no início deste mês no periódico Journal of Adolescent Health mostra que o tabagismo é uma espécie de automedicação para quem se enquadra como LGBT. Os pesquisadores da Escola de Medicina Feinberg, da universidade alemã Northwestern, descreveram algumas diferenças demográficas dessa população em relação ao cigarro e como variáveis psicossociais influenciam o vício entre jovens LGBT. A pesquisa feita com 228 pessoas com16 a 20 anos, de diferentes etnias, foi a fundo na relação da vitimização com o tabaco.

Michael Newcomb, principal autor do trabalho, descobriu que as dificuldades sociais de assumir a própria sexualidade estão fortemente correlacionadas com o hábito de fumar, mas que uma forte rede social pode reverter essa situação e até mesmo prevenir que o jovem se envolva com o tabaco.
 
“Prestar mais atenção nos diferentes impactos psicossociais pode reduzir tanto a iniciação quanto a regularidade do tabagismo ao longo do tempo”, diz o pesquisador.

Newcomb destaca que o apoio social é mais frutífero quando parte dos familiares. Isso porque, segundo ele, os relacionamentos românticos costumam ser breves durante os primeiros anos da vida adulta, o que pode fazer com que as decepções amorosas provoquem um aumento na quantidade de cigarros fumados durante o dia. Além disso, como o vício prevalece nesse grupo, dificilmente o jovem encontrará amigos e colegas que não fumam, tornando o tabagismo um círculo vicioso.

“Os adolescentes tendem a fumar mais quando seus amigos também fumam. Por isso, acredito que o apoio familiar pode oferecer grandes contribuições na luta contra o tabaco”, diz o especialista. Ele frisa que a diferença entre homens e mulheres não é discrepante, mas que os garotos são os maiores consumidores do produto. Entretanto, isso ocorre apenas nos primeiros anos da vida adulta. Uma reviravolta acontece quando estão mais velhos: eles abandonam o cigarro e elas passam a fumar com maior frequência.
 
Cenário nacional
Não há pesquisa acadêmica ou levantamento oficial que indique qual percentual de brasileiros LGBT é fumante. Portanto, especialistas daqui não conseguem indicar se é possível transferir os dados obtidos por equipes estrangeiras para cá, mas acreditam que os motivos que tornam esse público mais sensível são os mesmos.
 
“É possível supor que esse segmento da população esteja mais exposto ao fumo em ambientes de socialização, como bares e boates, em que o consumo de cigarros tende a ser mais alto. Mesmo assim, ao fazer a inferência para o Brasil, deve-se levar em conta que há aqui a proibição do fumo em ambientes fechados”, pondera Cristina Maria Rabelais, professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) e especialista em saúde coletiva.

O que se pode garantir no Brasil hoje é que a maior parte dos fumantes está nas classes em que a renda e a escolaridade são menores. Cristina Maria descreve que, segundo a Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab), 96% dos entrevistados sabiam que fumar causava danos à saúde e 91% estavam conscientes de que a fumaça do cigarro prejudica também os não fumantes. Desses, 65% pensaram em parar após ter visto as fotos e as advertências nos maços.

Os resultados não indicaram diferenças de escolaridade entre as pessoas que perceberam a veiculação de propagandas sobre controle do tabaco no rádio.
 
Cristina Maria sublinha que as que tinham mais anos de estudo apresentaram mais sensibilidade para as propagandas veiculadas na televisão. Os jovens perceberam menos informações pelo rádio do que os indivíduos acima de 24 anos (24,3% contra 32,1%), ao passo que, na televisão, não se observou grande diferença entre as idades (62,9% contra 64,2%).
 
“Esses resultados apontam para a necessidade de se adaptar a linguagem e os veículos comunicacionais utilizados para cada população com ênfase nos jovens, que são mais vulneráveis e o principal alvo da propaganda da indústria do fumo”, alerta a médica.
 
Correio Braziliense

Descoberta vacina oral eficaz para combater epidemias de cólera

Pacientes com cólera
Foto: AFP
As autoridades sanitárias da Guiné distribuíram 316 mil doses da vacina durante um período de seis semanas em 2012. A taxa de imunização das populações superou os 75%
 
Uma vacina oral demonstrou ser eficaz no curto prazo para conter a cólera durante uma epidemia na Guiné, ao proteger da doença em mais de 86% dos casos, indicam os resultados de um teste clínico publicado esta quinta-feira (29/5) nos Estados Unidos.

Para esta campanha de vacinação, patrocinada pela organização não governamental Médicos sem Fronteiras (MSF), as autoridades sanitárias da Guiné distribuíram 316.000 doses da vacina, chamada Sanchol, durante um período de seis semanas em 2012. A taxa de imunização das populações superou os 75%.

A vacina, administrada em duas doses com duas semanas de diferença, reduziu drasticamente a transmissão da cólera. A maior parte dos casos confirmados da doença estava em pequenas comunidades com baixas taxas de imunização, afirmam os autores do estudo, publicado na edição online da revista New England Journal of Medicine.

Os pesquisadores dizem, no entanto, que ainda não têm dados suficientes para determinar se uma única dose é bastante para conseguir a imunização adequada.
 
A vacina Sanchol também tem a vantagem de ser mais barata (US$ 1,85 dólar a dose), em comparação com os 5,25 dólares da vacina Duoral, também administrada por via oral e igualmente eficaz.

Os resultados do estudo confirmam que o uso deste tipo de vacinação oral é uma solução eficaz para conter futuras epidemias de cólera, doença que afeta sobretudo a África (onde estão mais de 90% dos casos) e o sul da Ásia.

Antes da campanha de vacinação na Guiné, havia muito poucas evidências que demonstrassem a eficácia da vacina contra a cólera durante a detecção de uma epidemia.

Segundo os Centros Federais para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC), entre três e cinco milhões de pessoas são infectadas anualmente em todo o mundo, das quais 100.000 morrem.

A cólera é causada pela bactéria "Vibrio cholerae", transmitida principalmente através da água contaminada. A doença provoca diarreia e desidratação rápida.

Correio Braziliense

Desejo de ter filhos é transmitido de forma similar à gripe, diz estudo

Foto: Reprodução
Pesquisa indica que a decisão de ter filhos é fortemente influenciada pelas experiências dos amigos
 
A chegada de junho abre no Hemisfério Sul a temporada de uma velha conhecida do ser humano: a gripe. A doença se espalha com facilidade impressionante, e rapidamente casas, salas de aula e escritórios são tomados por espirros e tosses coletivos. Uma das consequências da natureza social do homem. Contudo, a interação entre pessoas é capaz de transmitir muito mais que micro-organismos. E essa lista de contágios inclui até mesmo — por mais estranho que pareça — a fertilidade.
 
Ter filhos é algo tão transmissível quanto uma gripe sazonal, capaz de se espalhar entre amigos que passam por certas etapas da vida juntos. A afirmação é de Nicoletta Balbo, pesquisadora da Universidade Comercial Luigi Bocconi, na Itália, que acaba de publicar um estudo sobre o tema na revista especializada American Sociological Review. Ela conta que estudos anteriores sobre os chamados comportamentos contagiosos abriram caminho para que especialistas passassem a investigar a forma como as interações sociais regulam os desejos humanos, seja o de comprar uma bicicleta, seja o de engravidar.

Segundo Balbo, uma variedade de ações sofre influência de amigos, como fumar, beber, praticar exercícios ou se interessar por um estilo musical. Então, ela questiona, por que as taxas de fertilidade estariam fora desse conjunto? “Uma quantidade limitada de estudos demonstrou que tais conexões existem entre parentes e colegas de trabalho. O nosso é o primeiro a mostrar essa relação entre amigos”, diz.

O estudo acompanhou por vários anos mulheres que haviam concluído o ensino médio nos Estados Unidos. No início da investigação, algumas tinham apenas 15 anos e participaram da análise até a vida adulta, quando tinham perto de 30. Uma série de questionários revelou características socioeconômicas, trajetórias de vida e conexões sociais entre as participantes, indicando que pessoas mais próximas tendiam a engravidar na mesma época.
 
Correio Braziliense

Novos tratamentos contra cânceres agressivos têm resultados promissores


Reprodução
Este agente estimula a autodestruição de células cancerosas
e bloqueia sua proliferação
É a primeira vez que um anticancerígeno ingerido por via oral permite um aumento claro da sobrevivência destes pacientes, reforçaram os pesquisadores
 
Vários novos tratamentos contra cânceres avançados de pulmão, sangue, tireoide e ovário resistentes a outras terapias deram resultados positivos, segundo testes clínicos divulgados neste sábado (31/5) e que confirmam os avanços feitos na luta contra a doença.
 
A Imbruvica (Ibrutinib), dos laboratórios americanos Pharmacyclics e Johnson & Johnson, conseguiu prolongar a vida de pessoas afetadas por leucemia linfoide crônica, que não respondiam à quimioterapia combinada com um anticorpo, o tratamento padrão para este câncer do sangue, o mais comum em adultos.
 
Este agente estimula a autodestruição de células cancerosas e bloqueia sua proliferação. A agência que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos (FDA) o aprovou no fim de 2013 para tratar linfomas resistentes e, em fevereiro de 2014, para a leucemia.
 
É a primeira vez que um anticancerígeno ingerido por via oral permite um aumento claro da sobrevivência destes pacientes, reforçaram os pesquisadores, que apresentaram este estudo clínico na conferência anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), o maior colóquio sobre o câncer, reunido este fim de semana em Chicago (Illinois, norte dos Estados Unidos).
 
"Com o Ibrutinib, cerca de 80% dos pacientes ainda estavam em remissão um ano depois, duas vezes mais do que se pode esperar de uma terapia padrão", comentou John Byrd, professor de medicina na Universidade de Ohio, que fez este estudo com 391 pacientes com idade média de 67 anos.
 
"Estes dados favorecem o uso deste medicamento como primeiro tratamento para estes doentes", avaliou.
 
Outros tratamentos permitiram atrasar em um ano e meio o avanço de tipos agressivos de câncer na tireoide.
 
O Lenvatinib, um agente desenvolvido pelos laboratórios SFJ Pharmaceuticals, dos Estados Unidos, e Eisai, do Japão, também levou à redução do tumor em cerca de dois terços dos doentes.
 
"Confiamos que, com estes resultados, o Lenvatinib se tornará a primeira opção para tratar este tipo de câncer de tireoide", resistente ao iodo radioativo, eficaz na grande maioria dos casos, disse Martin Schumberger, oncologista da universidade francesa Paris-Sud, que chefiou o teste clínico de fase 3 em 392 pacientes.

Um terceiro teste clínico, também apresentado na conferência da ASCO, esteve relacionado com o Ramucirumab (Cyramza), um antiangiogênico do laboratório americano Eli Lilly que bloqueia a formação de vasos sanguíneos nos tumores.

Aprovado em fevereiro de 2014 pela FDA para o tratamento do câncer agressivo de esôfago, este medicamento permitiu prolongar a vida de pacientes com câncer muito avançado de pulmão, segundo teste clínico divulgado neste sábado.

Este resultado modesto foi considerado, de qualquer forma, significativo pelos oncologistas, por ser "o primeiro tratamento que, em dez anos, permite melhorar a evolução deste câncer com um tratamento alternativo à quimioterapia", explicou Maurice Pérol, diretor do serviço de oncologia do tórax no centro contra o câncer da cidade francesa de Lyon e principal autor deste estudo.

Finalmente, um teste clínico com dois agentes experimentais tomados de forma combinada, o Olaparib e o Cediranib, do laboratório britânico AstraZeneca, permitiu duplicar, a 17,7 meses, a sobrevivência de mulheres vítimas de um câncer agressivo de ovário em relação às pacientes não tratadas com Olaparib. Trata-se do primeiro inibidor da enzima PARP que permite o reparo do DNA das células cancerosas.

O Cediranib, por sua vez, bloqueia a formação de vasos sanguíneos no tumor e o crescimento de células cancerosas.

Nenhuma destas duas moléculas ainda foi aprovada pela FDA.

Dispõe-se atualmente de muitas famílias de moléculas que agem sobre distintos objetivos e que permitem bloquear a proliferação de células cancerosas.

A quimioterapia tradicional, ao contrário, bloqueia unicamente a multiplicação destas células mas tem maiores efeitos colaterais.

"Com o desenvolvimento alcançado pela medicina genômica estes últimos anos se tornou possível enfrentar cânceres resistentes aos tratamentos padrão", explicou o oncologista Gregory Masters, do Helen Graham Cancer Center de Newark (Delaware, leste dos Estados Unidos).
 
Correio Braziliense