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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Falta de sol pode provocar doenças cardiovasculares, osteoporose e até câncer

Thinkstock - Sol é fonte principal para aquisição de vitamina D
Cansaço, sono e fraqueza muscular podem ser sinais de falta de vitamina D

Quem pensa que o sol só serve para deixar a pele com belo bronzeado está enganado. Ele é essencial à saúde e pode evitar diversas doenças, como raquitismo, em crianças, e osteoporose, em adultos. E a lista não para aí. Em longo prazo, a falta ou a deficiência de vitamina D (proveniente do banho de sol) poderá provocar doenças cardiovasculares, diabetes e até câncer.

Segundo Marise Lazaretti Castro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia) e chefe de doenças metabólicas da Unifesp (Universidade de São Paulo), a vitamina D atua principalmente na saúde dos ossos e também na força muscular.

— A falta ou deficiência de vitamina D pode provocar raquitismo em crianças e, no adulto, o aumento do risco de osteoporose e consequentemente maior risco de fraturas. Em longo prazo, a baixa deste nutriente aumenta o risco de câncer de cólon, mama e próstata, doenças cardiovasculares, como hipertensão, diabetes. Há estudos que também ligam a vitamina D à artrite reumatoide e esclerose múltipla, mas não há relação de causa e efeito.

Pesquisa recente realizada pela Unifesp mostra que, em São Paulo, 40% dos adultos e jovens estão com índice de vitamina D no corpo abaixo do valor considerado ideal. Já nos idosos, este número chega a 80%. E para aqueles que moram em casas de repouso, 80% tem falta ou deficiência. Segundo a médica, isso é reflexo da “falta de oportunidade das pessoas em poder viver ao ar livre”.

— Como a vitamina D é produzida na pele com os raios de sol é necessário tomar banho de sol. E as dermatologistas vão achar ruim, mas para esse banho de sol deve ser sem filtro solar. Dez minutos por dia, com o sol mais forte, ou seja, entre 10h e 15h, são suficientes para repor.

Atenção, a regra de tomar sol todos os dias não vale para determinados grupos de risco, explica Marise.

— Pessoas em tratamento para osteoporose e que passaram por cirurgia bariátrica devem tomar cuidado porque a vitamina não é absolvida adequadamente. Outros dois grupos de risco são: pessoas que usam anti convulsante [por causa de crise de epilepsia] e quem sofre com câncer de pele. Estas pessoas precisam tomar suplemento.

O especialista em medicina preventiva e longevidade Fábio Cardoso explica a vitamina D também está presente em alimentos, principalmente peixes de água fria, mas a quantidade não é suficiente.

— Mas a quantidade é pequena e seria suficiente para fornecer apenas 20% das necessidades diárias. Além disso, estudos mostram que, nos últimos 30 anos, a concentração de nutrientes das frutas e vegetais caiu em torno de 50%. Isso acontece também com as carnes de animais que ingerimos, ricas em hormônios e cada vez menos nutritivas.

Sintomas e reposição
Apesar de alguns sintomas da falta de vitamina serem dor no corpo, fraqueza e desânimo, Marise explica que apenas um exame poderá dizer se o paciente tem ou não falta deste micronutriente.

— Mas basta a pessoa se fazer algumas perguntas: eu tomo sol todos os dias? Quanto tempo eu fico no sol? Estou com ou sem filtro? Quanto mais escura o tom de pele, mais difícil de adquirir vitamina. Vale destacar que a alimentação não traz suplementação deste nutriente.

Para quem está com falta ou deficiência de vitamina D, a alternativa é o suplemento, porém, esta reposição deverá ser acompanhada por um profissional, explica Marise.

—  O ideal é a pessoa não se automedicar, mas procurar um profissional. Já vi casos de intoxicação por suplemento. No longo prazo, o excesso pode aumentar níveis de cálcio no sangue e a pessoa pode ter náuseas, vômitos, urinar muito e desidratação.

Importância dos micronutrientes
Além da vitamina D, é necessário cuidar também da reposição de outras vitaminas e também minerais. Valéria Goulart professora de nutrologia da Unifesp e membro da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia) afirma que estes micronutrientes são muito importantes para a manutenção da função metabólica do corpo. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que mais de dois bilhões de pessoas têm deficiências destes micronutrientes no organismo.

— O diagnóstico é muito difícil, mas os sintomas mais comuns são: dificuldades de memorização e aprendizado, queda de cabelo, unhas quebradiças, cansaço, baixa residência a doenças, falta de apetite, apatia, sonolência, mau humor e até irritabilidade.

No Brasil, a alimentação pouco saudável dos brasileiros tem reduzido a reposição de vitaminas e minerais do organismo, segundo analisa a médica. Segundo ela, cada vez mais, a população investe em alimentos fast food, rica em carboidratos e pobre em proteínas.

— Alimentação saudável com prato colorido é o ideal para repor a quantidade adequada de vitaminas e minerais. O ideal é ter legumes um de cada cor, por exemplo, batata, cenoura, tomate, além do arroz, feijão e proteínas, como a carne, de preferência magra.

R7

Mapa mostra o dano causado pelo movimento anti vacinas

Credit: Council on Foreign Relations
A vacinação de crianças é uma das invenções médicas mais fantásticas, impedindo que pessoas no mundo todo morram de doenças que ainda não tem cura, pelo procedimento simples e racional de treinar o sistema imunológico, preparando-o para enfrentar uma infecção que de outra forma poderia levar a melhor

De fato, depois de décadas vacinando nossas crianças, muitas doenças se tornaram difíceis de pegar, e sumiu da memória coletiva o aspecto terrível e as consequências horrorosas das mesmas.

Consequência disso e da ignorâcia de alguns que acreditam em e espalhando mentiras, muitos pais se manifestaram contra a vacinação de seus filhos – o que prejudica o mundo todo.

Por conta disso, muitas doenças que já estavam controladas estão começando a retornar. O Conselho de Relações Estrangeiras dos Estados Unidos criou um mapa interativo mostrando o resultado catastrófico destas escolhas equivocadas.

No mapa, pode-se ver de surtos de sarampo (vermelho), caxumba (marrom), rubéola (azul), poliomielite (laranja) e coqueluche ou “tosse comprida” (verde), no período de 2008 a 2014. Amarelo representa outras doenças. Todas estas doenças podem ser evitadas com a vacinação.

O CDC, Centro de Controle de Doenças dos EUA, estima que 164 mil pessoas em todo mundo vão morrer de sarampo a cada ano, que está passando por um grande ressurgimento no Reino Unido. Nos Estados Unidos, é a coqueluche que tem tido um aumento drástico, causando cerca de 195 mil mortes por ano. A maioria dessas mortes ocorrem em regiões pobres, com muito pouco acesso às vacinas, com exceção dos EUA ou o Reino Unido, onde estes surtos não deveriam estar acontecendo.
E como esta insanidade começou.

Um aproveitador, uma celebridade cabeça-oca, um filho doente
Em 1998, para promover sua própria indústria farmacêutica, Andrew Wakefield conseguiu publicar um trabalho alegando que havia uma ligação entre a vacina tríplice e o aumento nos relatos de casos de autismo. O estudo foi acompanhado de polêmica científica, por que nenhum outro cientista conseguiu ver a mesma ligação nos anos seguintes, até que o conflito de interesses de Wakefield se tornou conhecido.

Em 2010, uma comissão de ética descobriu que ele havia falsificado os dados em seu trabalho, causando uma retirada imediata do produto do mercado e cassação de sua licença de médico. Apesar da maioria dos cientistas rejeitarem as “descobertas” de Wakefield logo de início, alguns se mostraram ansiosos para juntarem-se ao rebanho antivacinação.

Entre as pessoas que começaram a liderar os ataques contra as vacinas, encontra-se Jenny McCarthy, a ex-coelhinha da Playboy que se tornou defensora da pseudociência antivacinação. Ela começou a fazer discursos contra as vacinas em 2007, acusando-as de causarem autismo no filho dela. Entretanto, baseado nos sintomas do menino, muitos acreditam que ele tenha a síndrome de Landau-Kleffner, uma doença rara de causa desconhecida que às vezes é confundida com autismo.

Para juntar o insulto à injúria, ela escreveu alguns livros alegando que as vacinas causam autismo e que ela curara o “autismo” do filho com tratamentos alternativos, obviamente sem nunca mostrar nenhuma prova do que afirmava.

Mesmo depois de ficar claro que o menino havia sido diagnosticado erroneamente , e que não há qualquer evidência de que as vacinas causem autismo, ela não mudou de opinião. E como tem gente que prefere ouvir uma celebridade do que um cientista, o estrago foi feito.

Obviamente, tudo na vida tem seus riscos, e as vacinas não são diferentes – elas têm seus raros efeitos colaterais. Algumas pessoas não podem ser vacinadas por ter alergia ou alguma condição médica que compromete o sistema imunológico, mas isto faz com que seja mais importante ainda que todo mundo que pode seja vacinado, criando uma rede de proteção em torno destas pessoas que não podem ser vacinadas ou daquelas nas quais a vacina não foi tão eficaz.

O mapa completo pode ser visto aqui. Dá para ver a diferença entre os países onde os pais podem recusar vacinar seus filhos sem dar justificativa alguma, e onde a vacinação é obrigatória, “violando” os “direitos individuais” das pessoas.

Hypescience

Medir porcentagem de gordura permite avaliar melhor mudanças no corpo

http://www.gratisonline.com.br/wp-content/uploads/2012/12/Como-Calcular-o-Percentual-de-Gordura-do-Corpo.jpgVeja quais as principais formas de medir a gordura no corpo e quais os valores de referência 

Preocupar-se apenas com o peso durante o processo de emagrecimento não é uma boa estratégia. É importante observar também a porcentagem de gordura. Isto porque ela vai permitir dividir o corpo em dois compartimentos que são a massa magra, músculo, vísceras, ossos e sangue, e massa gorda, gordura.  

Desta forma, o avaliado vai saber exatamente o que aconteceu e o professor vai poder fazer todos os ajustes necessários para assegurar que tudo está indo no caminho correto. Uma das polêmicas mais comuns que essa avaliação esclarece é o fato de alguém treinar e mesmo assim não ocorrer mudanças no peso da balança. Se a pessoa, por exemplo, perdeu 2 quilos de gordura, mas aumentou 2 quilos de massa magra, a balança não vai mexer, mas toda a composição foi modificada para melhor.

Como medir a porcentagem de gordura
Os dois principais métodos para medir a porcentagem de gordura são das dobras cutâneas e bioimpedância elétrica. 

O método de dobras cutâneas é realizado com um aparelho que se chama adipômetro, que é parecido com um alicate e consegue medir a gordura subcutânea em milímetros através das famosas dobras cutâneas. Importante deixar claro que ele não mede diretamente a gordura total do corpo, existe um procedimento para encontrar essa gordura corporal direcionado por protocolos que foram validados por algum pesquisador e dão as diretrizes de quantas e quais são as dobras cutâneas que devem ser medidas para encontrar o percentual de gordura. 

O percentual de gordura é estimado usando a somatória de todas as dobras que o protocolo pediu e depois disso esse valor é usando em uma equação que vai encontrar a densidade corporal e depois esse resultado da densidade corporal é usado em outra equação que vai enfim encontrar o percentual de gordura. 

A bioimpedância elétrica é realizada por meio de um aparelho que é capaz de mandar um estímulo elétrico de baixa voltagem, você não sente nada, que atravessam os hemisférios do corpo e fornece com isso o valor da quantidade de água corporal e depois esse valor e usado em uma outra equação que estima o percentual de gordura. 

Existem praticamente dois tipos de bioimpedância, a bipolar e a tetrapolar. A bipolar normalmente é uma balança que possui eletrodos em sua base para mandar o estímulo elétrico de uma perna a outra ou um aparelho que o avaliado segura com as duas mãos que manda o estímulo elétrico de um braço ao outro. Já na tetrapolar normalmente o avaliado fica deitado em uma maca e são ligados eletrodos nos pés e nas mãos para passar esse estímulo no corpo todo. 

A principal diferença entre as máquinas está no fato de as bipolares estimarem quanto que o avaliado tem que gordura no corpo inteiro avaliando só os membros inferiores ou só os membros superiores, e isso aumentar o risco de erro do resultado. Portanto, se for para usar esse método dê preferência para a bioimpedância tetrapolar.

Precisão dos métodos
Existem diferentes maneiras de medir a porcentagem de gordura por meio das dobras cutâneas. A diferença é de protocolos, existem vários autores que validaram protocolos. Tranquilamente, posso assegurar que existe mais de 50 protocolos validados por ai, e cada um deles tem as suas particularidades que envolve quantas dobras foram usadas para formatar a equação que vai estimar a gordura corporal e qual foi a população estudada relacionada basicamente à idade e sexo. 

Então, na hora de realizar essas medidas o avaliador deve optar por um protocolo que esteja mais adequado ao perfil o avaliado. Todos eles terão uma margem de erro, por isso é importante sempre utilizar o mesmo protocolo ou até mesmo método para permitir que as comparações sejam precisas nas reavaliações e com isso descobrir o que realmente aconteceu após um período de treino e dieta. 

Os métodos para medir a porcentagem de gordura que temos acesso no dia a dia, tanto o de dobras cutâneas quanto a bioimpedância elétrica, não medem a gordura diretamente, por isso todos têm uma margem de erro que são em média 15%. A única forma de saber se a gordura é realmente aquela é usar um método mais avançado como o dexa, pesagem hidrostática ou a plestomografia, mas esses costumam ser limitados ao uso de pesquisas que por sinal validam esses outros métodos que temos mais acesso.

Possíveis erros
Para realizar qualquer tipo de avaliação, é preciso levar em consideração 3 princípios, que são o da reprodutibilidade, objetividade e o da fidedignidade. Este último é o mais importante, pois ele considera que para uma avaliação ser fiel é preciso que repita essas avaliações usando o mesmo método, mesmo protocolo, mesmos equipamentos, mesmas condições climáticas, mesmos procedimentos prévios por parte de quem é avaliado e preferencialmente o mesmo avaliador que acima de tudo precisa ser muito bem treinado a fazer isso. Hoje as principais diferenças entre as medições se dão simplesmente pelo não seguimento dessas recomendações. 

Na biopedância uma questão que não pode ser esquecida é que a gordura é estimada por meio da quantidade de água corporal, portanto qualquer alteração no nível de hidratação antes de realizar o teste vai prejudicar os resultados, por isso antes de fazer o teste é recomendado seguir alguns procedimentos prévios como não realizar atividade física 24 horas antes do teste, não ingerir bebidas alcoólicas 48 horas antes do teste, urinar 30 minutos antes do teste e não usar medicamentos diuréticos 7 dias que antecedem o teste. 

Pelo que já ouvi de pessoas que realizaram esse teste os procedimentos prévios não foram mencionados por parte de quem avalia ou se foram o avaliado não conseguiu seguir à risca e tudo isso compromete mais ainda o resultado. 

Quanto às dobras cutâneas, os problemas normalmente ocorrem devido ao fato do avaliado não seguir os procedimentos prévios. Nesse caso, o avaliado não aparecer com os trajes adequados dificultando as realizações das medidas. Fora isso, também corremos os riscos dos equipamentos usados no teste serem de baixa qualidade ou não estarem devidamente calibrados e também o risco de uma inexperiência do avaliador. 

Esse método de dobras cutâneas exige muito treinamento por parte do avaliador que deve fazer cursos específicos para atuar nesse segmento e o problema é que hoje em dia isso não tem muito controle, pois ficou muito fácil comprar um adipômetro, balança e um software e sair fazendo avaliação por ai. 

Valores de referência da porcentagem de gordura
 
Faixa etáriaMuito magro Magro Muito bom Saudável SobrepesoGordo Muito gordo
Homem - 20 a 29 anosMenos de 5,2% 5,3% - 9,3% 9,4% - 14,01% 14,02% - 17,5%17,6% - 22,4% 22,5% - 29,2% Maior do que 29,3%
Homem - 30 a 39 anosMenos de 9,2% 9,3% - 14% 14,1% ? 17,5% 17,6% - 20,6%20,7% - 24,2% 24,3% - 30% Maior do que 30,1%
Homem - 40 a 49 anosMenos de 11,5% 11,6% -16,3% 16,4% -19,6% 19,7% - 22,5% 22,6% - 26,2% 26,3% - 31,4% Maior do que 31,5%
Homem - 50 a 59 anosMenos de 12,9% 13% - 18,1% 18,2% -21,2%21,3% - 24,2% 24,3% - 27,6% 27,7% - 32,4%Maior do que 32,5%
Homem com mais de 60 anosMenos de 13% 13,1% - 18,5%18,6% -22% 22,1% - 25% 25,1% - 28,4%28,5% - 33,5% Maior do que 33,6%
Mulher - 20 a 29 anosMenos de 10,7% 10,8% - 17% 17,1% -20,5%20,6% - 23,8% 23,9% - 27,6%27,7% - 35,5% Maior do que 35,6%
Mulher - 30 a 39 anosMenos de 13,3% 13,4% - 18% 18,1% - 21,8% 21,9% - 24,8% 24,9% - 30% 30,1% - 35,8%Maior do que 35,9%
Mulher - 40 a 49 anosMenos de 16,1% 16,2% - 21,4%21,5% - 25,1% 25,2% ? 28,3% 28,4% - 32,1% 32,2% - 37,7%Maior do que 37,8%
Mulher - 50 a 59 anosMenos de 18,8% 18,9% - 25,1% 25,2% - 28,6% 28,7% -32,5%32,6% - 35,6% 35,7% - 39,6% Maior do que 39,7%
Mulher com mais de 60 anosMenos de 19,1% 19,2% - 25% 25,1% - 29,5% 29,6% - 32,8% 32,9% - 36,7%36,8% - 40,4% Maior do que 40,5%

Minha Vida

Terceira idade: mudanças dessa fase afetam paladar, equilíbrio e até olfato

idoso cuidando do jardim - Foto Getty Images
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Saiba como lidar com as transformações que também alteram músculos, ossos e visão 

Por muito tempo os idosos foram considerados sinônimos de invalidez, como se fossem velhinhos que não entende muito bem o que falamos ou que não consegue fazer nada sozinho - mas isso está longe de ser verdade. 

Hoje vemos muitos homens e mulheres com mais de 60 anos que estão ativos, levando suas vidas com saúde e um sorriso no rosto. No entanto, é importante entender que mesmo com essa mudança de paradigma, o envelhecimento chega acompanhado de certas mudanças que na maioria das vezes são deixadas de lado. 

"Muitas pessoas se preocupam com o declínio cognitivo e ossos mais fracos, mas há outras preocupações menos conhecidas que merecem atenção", explica o geriatra Roberto Dischinger, responsável pelo residencial para a terceira idade Lar Sant'ana, em São Paulo. 

É importante estarmos cientes dessas mudanças para poder encontrar as melhores formas de contorná-las ou preveni-las, incentivando o envelhecimento saudável. 

"Cuidados com a alimentação, prática de exercícios, controle de estresse e doenças, assim como consultas médicas periódicas, têm relação direta com a manutenção da qualidade de vida e a prevenção de doenças desde a juventude", afirma o geriatra. 

Confira quais são as mudanças desconhecidas da terceira idade e entenda melhor esse processo:   

Dificuldades no paladar
A partir dos 60 anos, é comum ocorrer no idoso uma diminuição na capacidade de perceber gostos doces e salgados dos alimentos, enquanto os sabores ácidos e amargos se mantêm inalterados. "Isso acontece devido à atrofia das papilas gustativas que são responsáveis pelo paladar", diz o geriatra Roberto Dischinger, responsável pelo residencial para a terceira idade Lar Sant'ana. Outro fator que também pode alterar o paladar é o uso de certos medicamentos. O especialista afirma que é esse é o motivo porque os idosos tendem a acrescentar mais sal ou açúcar aos alimentos. "Uma alternativa é acrescentar temperos naturais aos pratos, tais como alho, cebola, cheiro verde, orégano e manjericão, que realçam o sabor dos alimentos e eliminam essa dificuldade", afirma a nutricionista Flavia Medeiros Leite, coordenadora do Programa Crescer e parte da equipe multidisciplinar do Lar Sant'ana. "É importante também que o momento da refeição seja atrativo, com pratos variados e balanceados, pois com a diminuição do paladar o idoso tende a diminuir a ingestão de alimentos, podendo ficar com um quadro de desnutrição."

Alterações no olfato
Considerando que no processo de envelhecimento existem diversas alterações sensoriais, o olfato também pode ser afetado. Alterações como o aumento de tecidos moles e atrofia das glândulas mucosas - muitas vezes ocasionando o ressecamento do muco nasal e consequentemente a obstrução nasal - podem explicar as dificuldades de identificar odores. "Isso também pode ocorrer principalmente após os 80 anos, quando as dificuldades para identificação de odores ocorrem devido à degeneração das células do sistema nervoso central", explica o geriatra Roberto. "Esse pode ser considerado um sintoma inicial de doenças como Parkinson e Alzheimer, levando em conta que a percepção que o idoso tem sobre seu olfato depende também dos sistemas nervoso central e periférico, que são os maiores afetados por essas doenças".

Um dos sinais que indicam a perda olfativa é a diminuição do peso em consequência da perda de apetite. O tratamento depende da causa, mas é recomendado que o acompanhamento seja feito por uma equipe multidisciplinar. "Para facilitar a ingestão dos alimentos, pode-se melhorar a apresentação dos pratos e a forma de preparo dos alimentos", ressalta a nutricionista Flavia. 

Dificuldades em fazer várias tarefas ao mesmo tempo
Existe uma área do cérebro responsável pelo que os especialistas chamam de atenção dividida - que é ativada quando precisamos prestar atenção em duas ou mais tarefas ao mesmo tempo. "A partir da meia-idade ou após os 70 anos, ocorre um declínio normal das funções cognitivas, podendo repercutir na memória e nesse tipo de atenção", explica a psicóloga especialista em terceira idade Roberta Seriacopi, de São Paulo. De acordo com a especialista, durante o processo de envelhecimento, é comum as pessoas apresentarem falhas no controle do excesso de informações e na manutenção de informações irrelevantes durante execução de uma tarefa. Isso torna mais lenta a nossa capacidade de alternar de uma tarefa para outra, prejudicando o desempenho. Outro sinal comum de que a atenção dividida do idoso está comprometida é o fato de ele não conseguir se lembrar de assuntos que foram comentados durante uma refeição ou enquanto ele estava assistindo televisão, por exemplo. "Isso acontece porque ele estava concentrado em apenas uma das tarefas, e seu cérebro não conseguiu captar e processar a nova informação que você estava fornecendo", explica Roberta. Uma forma de lidar com isso é a estimulação cognitiva por meio de atividades que envolvam duas ou mais tarefas simultâneas. 

Pele ressecada
A pele é o órgão que mais evidentemente demonstra os sinais de envelhecimento. "Muitas alterações decorrentes da idade, como perda de tecido de sustentação de gordura subcutânea, diminuição dos pelos, alteração na distribuição de pigmentação de pele e pelos e diminuição de glândulas sudoríparas e sebáceas, ocasionam uma pele mais ressecada, frágil e sem a preservação de elasticidade", afirma o geriatra Roberto. O especialista diz que pele dos idosos também tende a ficar mais ressecada devido à redução da quantidade de água corporal nessa fase da vida. "Todos esses fatores tornam a pele do idoso mais propensa a machucados e infecções." Entre os cuidados para esse problema estão a ingestão de água, banhos com sabonete neutro e água morna e aplicação de um hidratante corporal após. 

Distúrbios da visão
Problemas relacionados à visão podem impedir ou dificultar a independência dos idosos na realização das atividades diárias. Com o envelhecimento, ocorre uma redução na acuidade visual e na acomodação à luminosidade, bem como na clareza da visão noturna e do campo de visão periférico. "Consequentemente, ler, assistir TV e realizar atividades manuais podem ser mais cansativo e dificultoso", ressalta o geriatra Roberto. "Para evitar pequenos desconfortos, o ideal é manter a iluminação permanente, uma vez que a adaptação dos idosos a mudanças de luz torna-se mais lenta." Entre as alterações visuais mais frequentes, os especialistas citam presbiopia, catarata, glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética. É importante a prevenção por meio da investigação e acompanhamento médico precoce dessas alterações, uma vez que elas são comuns na faixa etária. 

Qual era a palavra mesmo?
Sentir dificuldade para encontrar o termo certo durante uma conversa é muito comum em idosos. "Isso acontece porque a capacidade de processar as informações fica mais lenta e a atenção também pode estar alterada, prejudicando assim a memória de trabalho (quando ele precisa memorizar algo para usar em seguida, como quando decoramos um número de telefone na agenda para digitá-lo logo após) e memória episódica (memória de histórias e eventos do próprio passado)", diz a psicóloga Roberta. Quando há falta da atenção, a manutenção de informações pela memória fica prejudicada, dificultando a lembrança de palavras durante uma conversa. De acordo com a psicóloga o melhor a fazer nesses casos não é completar as palavras pelo idoso ou então repreendê-lo. Tente dar pistas que possam ajudá-lo a lembrar da palavra por si, de forma que ele exercite sua memória. "Devemos ressaltar que nem toda a falta de atenção ou perda de memória é sinal de doenças, mas que qualquer problema que gere dificuldades em suas atividades diárias deve ser comunicado ao médico."

Manter o equilíbrio
Com o passa da idade, o corpo sofre alterações no controle da postura e do andar, que desempenham um papel importante no equilíbrio dos idosos. "Eles apresentam dificuldades na regulação das respostas relacionadas a velocidade e precisão dos movimentos, causando assim um desequilíbrio", explica o geriatra Roberto. Outro fator que pode gerar desequilíbrio nos idosos são alterações no sistema vestibular, como a labirintite. De acordo com o geriatra, a atividade física contribui para ganho de força muscular, amplitude de movimento, percepção corporal e melhora os reflexos, podendo auxiliar na prevenção de quedas e alterações do equilíbrio.

Reflexos e raciocínio rápido
As funções cognitivas como memória, raciocínio, velocidade de processamento e reflexos tendem a diminuir conforme os neurônios vão envelhecendo. "Por isso o ideal é sempre estimular o cérebro, para que esse prejuízo seja o mínimo possível", afirma a psicóloga Roberta Seriacopi. A melhor maneira de prevenir essa degeneração é adotando hábitos saudáveis, como dieta balanceada, prática de exercícios e controle de estresse e doenças, assim como consultas médicas periódicas. "Mais uma vez, é importante ressaltar que simples alterações no raciocínio e reflexos nem sempre indicam doenças graves, entretanto, qualquer mudança deve ser investigada através de avaliações e exames."

Músculos e ossos mais fracos
Para entender porque os músculos e ossos ficam mais fracos com o passar da idade, é importante saber que nossos ossos crescem somente até os 20 anos e sua densidade aumenta até os 35 anos, começando a perder-se progressivamente a partir disso. O mesmo acontece com os músculos: a partir dos 65 anos de idade, nossa massa muscular vai sendo perdida, cerca de 1% a cada ano. Pessoas que praticaram exercícios durante a juventude e mantiveram hábitos que contribuíram para o fortalecimento desses órgãos possuem um "pico" de massa óssea e muscular maior do que as pessoas que não mantiveram bons hábitos, e por isso demoram mais a apresentar problemas nesses sistemas. "No entanto, pessoas que não possuíam altos picos de massa muscular e óssea tendem a sofrer de problemas como osteoporose e sarcopenia mais rapidamente", explica Roberto Dischinger. O especialista afirma que praticar exercícios já na idade avançada ajuda a impedir a perda, prevenindo essas doenças, mas a pessoa não conquistará mais massa óssea ou muscular do que já tem.  

Minha Vida

Elimine o mau humor com esses alimentos

alface - foto Getty Images
Getty Images - A alface é ótima para eliminar a a irritação
A sua refeição pode ser melhor que muitas farmácias 

Nada pior do que ficar mau humorado, principalmente nos momentos de descanso. Hábitos saudáveis como ter uma boa noite de sono e praticar exercícios físicos são amigos conhecidos no combate ao estresse.

O que poucos sabem é que também é possível usar a alimentação para diminuir o nervosismo, a ansiedade e o cansaço. De acordo com a nutricionista Fabiana Borrego, alguns alimentos tem o poder de estimular o funcionamento do sistema nervoso, diminuindo a irritação e espantando a tristeza, entre outros benefícios. 

Confira essa lista e veja o que a especialista nos conta sobre cada alimento: 

Alface
Ótima para amenizar a irritação. O talo da alface possui uma substância chamada lactucina, que funciona como calmante. Além disso, é rica em fosfato, a falta deste mineral pode causar depressão, confusão mental e cansaço. 

Banana
Esta fruta diminui a ansiedade e ajuda a garantir um sono bem mais tranqüilo. Tudo isso graças à boa quantidade de carboidratos, potássio, magnésio e biotina. A banana também dá o maior pique, pois possui vitamina B6, um dos responsáveis por produzir energia.

Frutos do mar
Os alimentos vindos do mar são ricos em zinco e selênio que agem no cérebro, diminuindo ansiedade e cansaço. Também são boas fontes de ômega 3 (gordura que auxilia na diminuição de colesterol ruim LDL na corrente sanguínea) e proteínas, ambos essenciais para o bom funcionamento do coração.

Laranja
Ajuda o sistema nervoso a trabalhar adequadamente, isso devido as boas concentrações de vitamina C, cálcio e vitaminas do complexo B. Essa fruta ainda é energética, previne a fadiga e hidrata.

Mel
Esse alimento tem o poder de estimular a produção da serotonina, neurotransmissor responsável por nos dar uma sensação de bem-estar e prazer.

Uva
A vitamina C e os flavonóides (antioxidantes), retardam o envelhecimento da pele e ajudam a combater o colesterol ruim. Tem boas doses de vitaminas do complexo B, que ajudam o bom funcionamento do sistema nervoso.é rica em glicose, por isso é um bom energético.

Ovos
As substâncias que garantem o bom humor são a tiamina e a niacina (vitaminas do complexo B), ácido fólico e acetilcolina. A carência delas pode causar apatia, perda de memória e ansiedade.

Jabuticaba
É rica em carboidratos, que fornecem energia ao nosso organismo. Também é repleta de ferro não heme e vitamina C, que ajuda a aumentar as defesas do organismo e suas vitaminas do complexo B agem como antidepressivos.

Espinafre
Contém potássio e ácido fólico, que ajudam na prevenção da depressão. E ajuda a estabilizar a pressão arterial, além de garantir um bom funcionamento do sistema nervoso, graças as vitaminas A, C e do complexo B, fosfato e magnésio.

Minha Vida