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domingo, 3 de agosto de 2014

Mulheres com depressão têm duas vezes mais risco de sofrer ataque cardíaco

Getty Images: Mulheres até 55 anos são mais propensas a ter depressão
É preciso incentivar mulheres com depressão a procurar ajuda e médicos devem questionar mais pacientes durante consulta

A depressão, de fato, faz mal ao coração. Mulheres de até 55 anos estão duas vezes mais propensas a ter um ataque cardíaco, morrer ou necessitar de um procedimento de abertura da artéria caso sofram de depressão séria ou moderada, afirma estudo da Associação Americana de Cardiologia.

"As mulheres dessa faixa etária também são mais propensas a ter depressão, então isso pode ser um dos fatores de risco 'escondidos' que podem ajudar a explicar por que mulheres morrem em uma taxa desproporcionalmente maior do que os homens depois de um ataque de coração", disse Amit Shah, professor da Universidade de Emory e autor do estudo.

O estudo afirma que médicos precisam fazer mais perguntas, já que mulheres até 55 anos são mais vulneráveis à depressão. 

Na pesquisa, foram avaliados os sintomas de depressão em 3.237 pessoas com doença de coração ou com suspeita de doença.

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Os resultados mostraram que em mulheres com até 55 anos, cada pontuação nos sintomas de depressão foi associada ao aumento de 7% no risco de ter doença cardíaca. Homens e mulheres mais velhos não mostraram relação entre sintomas de depressão e presença de doença cardíaca.

Shah afirma que a depressão precisa ser levada mais a sério. "A depressão em si já é motivo para buscar tratamento, saber que ela está associada a um risco aumentado de doença cardíaca e morte deve motivar ainda mais as pessoas a procurarem ajuda.", disse.

iG 

Estudo traz alerta sobre contraceptivos e câncer de mama

Uso de anticoncepcionais orais modernos com estrogênio em alta dosagem
aumentou o risco de câncer de mama em 50%
Médica que liderou a pesquisa ressalta que resultados precisam ser interpretados de forma cautelosa 

Mulheres que recentemente tomaram pílulas anticoncepcionais contendo altas dosagens do hormônio estrogênio e algumas outras formulações têm risco aumentado de desenvolver câncer de mama, segundo um estudo publicado no Cancer Research, jornal da Associação Americana de Pesquisa do Câncer. “Nosso resultado sugere que contraceptivos orais usados nos últimos anos estão associados a um risco maior, comparado com nenhum uso ou outros tipos de anticoncepcional. Esse risco pode variar, dependendo da formulação do medicamento”, disse Elisabeth F. Beaber, cientista da Divisão de Saúde Pública do Centro de Pesquisa Oncológica Fred Hutchinson em Seattle, Washington.

A médica, contudo, ressaltou que a pesquisa precisa ser confirmada e deve ser interpretada de forma cautelosa. “Câncer de mama é raro entre jovens mulheres e os muitos benefícios associados ao contraceptivo oral devem ser considerados. Além disso, estudos anteriores sugerem que o risco aumentado de câncer de mama associado aos contraceptivos declina depois que se para de tomá-los”, observa.

A pesquisa conduzida por Beaber avaliou o histórico de 1.102 mulheres diagnosticadas com esse tipo de tumor e 21.952 participantes do grupo de controle. A equipe de cientistas descobriu que o uso de anticoncepcionais orais modernos com estrogênio em alta dosagem aumentou o risco de câncer de mama em 50%, comparado com outras fórmulas ou com mulheres que jamais haviam tomado esses medicamentos. As pacientes oncológicas da pesquisa receberam o diagnóstico entre 1990 e 2009.

As pílulas contendo altas doses de estrogênio aumentaram esse risco 2,7 vezes e aquelas com dosagem moderada em 1,6 vez. Anticoncepcionais com diacetato de etinodiol aumentaram 2,6 vezes o risco, e comprimidos de combinação trifásica de uma média de 0,75 mg de noretindrona aumentaram 3,1 vezes. As pílulas anticoncepcionais que contêm estrógeno em baixa dose não influenciaram no surgimento de câncer de mama.

Diferentemente da maioria dos estudos anteriores, baseados em entrevistas com as mulheres, os pesquisadores usaram registros eletrônicos de farmácias para coletar informações detalhadas sobre o uso de contraceptivos orais, incluindo o nome do medicamento, a dosagem e a duração da medicação. No ano passado, anticoncepcionais orais de baixa, moderada ou alta dosagem de estrogênio foram comprados.

Saúde Plena

Líderes não são criados, eles nascem assim

Não adianta brigar contra a sua natureza, sugere a pesquisa
Um estudo feito com peixes sugere que a habilidade para liderar é inata do indivíduo

Que atire a primeira pedra aquele que nunca teve um chefe que julgou totalmente inapto para o cargo que exercia.

E que atire ainda outra pedra aquele que nunca ficou inconformado que, ao longo dos anos, o chefe simplesmente não aprendeu a liderar de uma forma mais adequada — mas continuou lá, azucrinando, apesar de tudo.

Um estudo comportamental de peixes pode explicar por quê.

Conduzido pelo especialista em vida marinha Shinnosuke Nakayama, do Leibniz Institute of Freshwater Ecology, ele trouxe informações interessantes: quando os peixes necessitam buscar alimentos ou explorar novas áreas, um deles, o mais “corajoso” ou “extrovertido”, toma a liderança, enquanto os “tímidos” o seguem, o que geralmente funciona muito bem para o cardume.

A proposta de Nakayama foi trocar a função dos peixes: ele “treinou” o tímido para se tornar o líder, e o extrovertido para se tornar um seguidor.

Depois, comparou a eficiência do par treinado com pares comuns. Ele imaginava que seria mais fácil alguém aprender a se tornar um líder, do que um líder aprender a seguir, mas o que encontrou foi justamente o oposto: enquanto o extrovertido aprendeu a seguir o seu líder compulsório, este simplesmente não conseguiu aprender a liderar.

E a dupla se saiu muito pior do que aqueles que seguiram a ordem natural das coisas.

O que isso quer dizer? Provavelmente, que os líderes nascem assim, especulam os pesquisadores. Nos seres humanos, a carga de estresse para uma pessoa liderar uma equipe é muito grande.

Sendo assim, a capacidade de liderar não depende apenas de conhecimentos e habilidades – depende de uma preparação psicológica que, muitas vezes, deriva diretamente do caráter e da personalidade da pessoa.

Bons líderes são naturalmente mais extrovertidos, com um maior senso de responsabilidade, organização e, acima de tudo, resiliência e capacidade de lidar com estresse.

Por isso, muitas pessoas alçadas ao cargo de chefia por seus currículos ou realizações muitas vezes são totalmente incapazes de liderar.

Aceitar que na espécie humana a capacidade de liderança é inata ainda é temerário, especialmente porque estamos nos baseando em peixes.

Mas, talvez, a seleção de líderes devesse considerar um pouco mais estes dados e as características do indivíduo, do que o seu currículo. Aí, toda a equipe se sairia melhor.

El Hombre

Em SP, mães fazem 'mamaço' para incentivar aleitamento materno no País

Sociedade Brasileira de Pediatria: Em SP, mães fazem 'mamaço' para incentivar
aleitamento materno no País
Evento que chega à sua terceira edição tem como objetivo mostrar a importância do ato e derrubar preconceitos comuns 

Um grupo de mães se reuniu, neste sábado (2), na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, para amamentar seus bebês como forma de incentivar o aleitamento materno no País. Chamado Hora do Mamaço, o evento está em sua terceira edição e faz parte da Semana Mundial do Aleitamento Materno Solidário.

Simone de Carvalho, representante do movimento Aleitamento Materno Solidário (AMS – Brasil), estima que 100 mães participaram da mobilização, que ocorreu das 8h às 13h deste sábado. “A ideia da Hora do Mamaço é semelhante à ideia da Hora do Planeta. Então a gente faz um esforço sobrenatural para que as mães se reúnam no mesmo dia, no mesmo horário, para amamentar os bebês em locais públicos ou locais turísticos e fazer o registro desse movimento”, explicou.

O objetivo, segundo ela, é mostrar a importância da amamentação e acabar com o preconceito contra mães que amamentam em lugares públicos. “Como a gente teve alguns casos de mães que foram impedidas, a gente está tentando fazer um esforço, anualmente, na Semana Mundial do Aleitamento Materno, para trazer essa reflexão de que é importante e que a sociedade deve muito apoiar o ato de amamentar”, disse.

Entre os benefícios trazidos pelo aleitamento, destaca a representantes, estão a nutrição “padrão ouro” do leite materno, a prevenção de doenças tanto para a mãe quanto para o bebê, a melhora da estrutura emocional, por meio do vínculo com a mãe, a economia e a sustentabilidade do planeta.

Outra vantagem é a melhora da saúde bucal infantil, como explica a vice presidenta da Associação Paulista de Odontopediatria, Sylvia Lavinia Ferreira. “A criança que mama no peito desenvolve muito bem as suas arcadas dentárias, porque ela faz um exercício de sucção, com muita força, ela tem que ordenhar a mama. Isso estimula ossos e os músculos da face, dando à criança um crescimento mais adequado. Essa criança passa a respirar de uma forma mais adequada, porque ela coordena a respiração com as mamadas, o que também favorece o crescimento do complexo maxilo facial”, disse.

Além disso, a qualidade do leite materno, com micronutrientes, colabora para a formação da arcada dentária. “Isso vai formar, vai concorrer para que a criança tenha tecidos dentários, na formação desse dente, um esmalte com muito mais qualidade”. De acordo com a vice presidenta, o ideal é que as mães alimentem seus filhos exclusivamente com leite materno, no mínimo, até os seis meses de idade".

Agência Brasil

Pré-natal psicológico pode prevenir depressão pós-parto

Os números referentes à depressão pós-parto no Brasil são impressionantes
Vulnerabilidade socioeconômica e idealização da maternidade explicam incidência de 26% no Brasil, média da OMS é de 15%; doença não tem relação com rejeição ao bebê, diz especialista 

Os números referentes à depressão pós-parto no Brasil são impressionantes. Estudos recentes afirmam que a incidência é, na média, de 26%. Entre as mulheres com perfil sócio- econômico baixo e atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) este índice aumenta para 40%. A média da OMS no mundo é de 10% a 15%.

Entre as consequências decorrentes da depressão pós-parto estão os problemas no desenvolvimento do bebê, problemas na relação mãe e filho e pode, inclusive, levar ao suicídio da mãe. "É o transtorno de maior incidência subtratado no País", afirma a psicóloga Alessandra Arrais.

Entre os fatores de risco estão a vulnerabilidade socioeconômica, qualidade do relacionamento conjugal, falta de apoio familiar, intercorrências durante a gestação e a existência de episódios depressivos anteriores e durante a gravidez.

Diante disso, Alessandra decidiu promover alguns estudos de intervenção que propuseram oferecer pré-natal psicológico a esse grupo de risco. “Um fator que percebo, principalmente na classe média, é a questão da idealização da maternidade, que faz com que a mulher acredite que ser mãe é ‘padecer no paraíso’. O choque entre a idealização e a realidade leva à depressão. Tive uma paciente que chegou a dizer que a vontade dela era reclamar no Procon. Esta idealização precisa ser trabalhada”, diz.

Pré-natal psicológico
O programa, pioneiro em Brasília, tem contribuído para a tese de que a depressão pós-parto pode ser evitável. Ao todo já foram atendidas 119 mulheres pelo projeto. As gestantes participam de reuniões mensais em grupo, onde discutem a mudança de papéis, a relação com o marido, o corpo, amamentação e todo o aspecto psicológico envolvido durante a gestação.

Um recorte com dez mulheres, onde cinco participaram do chamado pré-natal psicológico e outras cinco acompanharam o curso de mães em um hospital público, mostrou que é possível prevenir a depressão pós-parto.

Entre o grupo que participou do pré-natal psicológico em uma clínica particular, todas tinham fator de risco, como por exemplo problema de relação conjugal, histórico de depressão e falta de apoio da família. Nesse grupo, ninguém desenvolveu a doença.
Já no grupo controle, com mulheres que apresentavam os mesmos fatores de risco, duas colaboradoras apresentaram a depressão pós-parto, o que representa 40%. 

“Acredito que não é preciso um pré-natal psicológico, mas que a questão psicológica seja tratada no pré-natal. No Brasil temos poucas ações neste sentido, enquanto os números de depressão pós-parto só crescem”, diz Alessandra.

É preciso falar sobre o medo
A nutricionista Lastenia Vicente, de 37 anos, participou do grupo de pré-natal psicológico durante a gestação da filha Elena, hoje com um ano e oito meses. Como ela já havia tido um quadro de depressão e tinha desmaiado durante um exame de sangue durante a gravidez, foi considerada paciente de alto risco. 

“Foi horrível, fiquei muito assustada. Sempre passei mal tirando sangue e achei que não fosse aguentar o parto normal. Fiquei muito preocupada e com medo”, disse.

Lastenia foi às oito reuniões do pré-natal psicológico. Nesse período, enfrentou as pressões do mito da maternidade, do parto perfeito e da mãe com conhecimento instintivo. Em grupo, ela discutiu as mudanças que estavam acontecendo na sua vida e também contou com o apoio do marido. “É tudo muito novo e é muito difícil lidar com as mudanças que ocorrem dentro de você”, disse.

Trabalhou seus medos e no fim da gestação de nove meses estava segura o suficiente para aceitar que, no caso dela, não havia problema em fazer uma cesariana. “No caso dela, tentamos trabalhar a questão do parto normal, mas o objetivo principal era fazer com que ela se sentisse segura”, explica Mariana Mourão, psicóloga e também autora do estudo.

Lastenia não se sentia preparada para o parto normal, durante a gestação tinha pensamentos de que iria morrer após o nascimento da filha. “Quando chegou a hora, fiz cesariana mesmo com a bolsa estourada. Claro que cada mulher é uma mulher. 

Passei muito tempo com pensamento de morte e a opção da cesariana pareceu a mais segura para o meu caso”, disse.

A pesquisadora Alessandra afirma que é justamente na classe média e entre as mulheres que desejam muito ter filhos ou que passam por um longo processo de reprodução assistida, que estão os casos mais graves de depressão pós-parto que já atendeu. “E a doença não tem relação alguma com rejeição ao bebê, como muitos dizem erroneamente, tem a ver com encarar a maternidade real”, afirma. 

É uma depressão como qualquer outra, com o agravante de ocorrer após o nascimento do bebê. “É justamente em um momento que a mulher não pode ficar ensimesmada porque tem a criança para cuidar. Ela reprime este sentimento e ninguém também entende que justo nesta hora ela está deprimida", acrescenta Alessandra.

Existem muitas teorias para a depressão: uma afirma que se trata de um problema químico que atua em neurotransmissores – serotonina, noradrenalina e dopamina. Outra acredita que a depressão é resultado de um desequilíbrio entre o lado direito e esquerdo do cérebro. Mas os dados da pesquisa realizada em Brasília mostram que a parte psicológica pode ser prevenida. “Tem a parte química, mas a questão psicológica, emocional pode ser prevenida”, diz Mariana.

Mariana ressalta que é preciso considerar o chamado baby blues, uma tristeza logo após o parto. “Existe uma tristeza depois do parto que é muito comum e passageira. Ela tem relação hormonal e é preciso que a mãe saiba disso para não se assustar. Sabendo disso ela inclusive evita um depressão pós parto.”

Atualmente, Lastenia está gravida pela segunda vez. Espera a chegada de Maria e de uma maternidade possível, segura e não idealizada.

iG